História Idol Issues - Capítulo 2


Escrita por: e mclarah94

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags 2018, Big Hit, Bts, Comedia, K-pop, Revelaçoes, Romance, Sejin
Visualizações 24
Palavras 4.716
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção Adolescente, Fluffy, LGBT, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Música do capítulo: IU - Twenty Three
Link da música e da playlist do Spotify nas notas finais.

Capítulo 2 - Introducing Choi Ahnari


Fanfic / Fanfiction Idol Issues - Capítulo 2 - Introducing Choi Ahnari

Por @inmoon36

Seul,  14 de maio de 2018, 6:35  A.M.

Meditei por quase 15 minutos de frente para a imensa janela do meu pequeno apartamento, respirando fundo várias vezes e entoando um mantra indiano na intenção de trazer paz interior e harmonia para o meu dia. Vendo o sol nascer, sinto o cheirinho bom de chá de camomila vindo da cozinha e me levanto do meu tapetinho de yoga sorrindo. Essa era a minha combinação secreta para o começo de um dia perfeito: meditação, yoga e chá.

Pra melhorar, ainda tive tempo suficiente de escolher uma roupa nova, limpinha e cheirosa que combinava perfeitamente com a estação ー primavera, a minha favorita. Por forças maiores, me convenci de que não precisava passar um quilo de maquiagem para o trabalho e apenas saí de casa orgulhosa do meu rosto e cabelo estarem aparentemente de bom humor.

Nada, nem mesmo o metrô lotado ou a agitação que estava nos corredores da empresa, seriam capazes de acabar com o meu mood. Não era de se esperar menos depois de uma noite maravilhosa, um banho relaxante e o cheirinho bom de lavanda em minha pele devido ao perfume francês que tinha decidido dar a mim mesma de presente surpresa por ter aguentado tão bravamente essas últimas semanas sem jogar a toalha.

E finalmente, depois de praticamente um mês inteiro de inferno astral (também popularmente conhecido como preparativos para comeback), eu teria alguns dias de paz e sossego, já que aqueles garotos iriam pegar um avião daqui pra bem longe (ainda bem). No último mês não teve um bendito dia em que não houvesse um problema ou encrenca diferente para resolver. Nem meus mantras e exercícios de ansiedade estavam conseguindo  conter todo o stress que aquela bendita palavrinha me causava. Já estava chegando ao ponto de apelar para minha velha bombinha de asma toda vez que alguém ousasse dizer a palavra "comeback" perto de mim.

Sério.

Mas isso não era coisa com que eu devia me preocupar agora, enquanto caminhava feliz em direção ao pequeno prédio de sete andares e já preparando o meu cartãozinho de identificação para marcar minha entrada neste lindo estabelecimento de paz e união chamada trabalho.

Vejo algumas vans paradas na rua e sorrio mais abertamente com a confirmação de que sim, finalmente aqueles garotos iam viajar e eu teria o meu tão merecido descanso da música alta e barulhos irritantes de ensaio no andar de cima. Ao menos, era o que eu esperava.

Porém, o que deveria se resumir em apenas um check-up final antes de todas as coisas serem empacotadas e devidamente despachadas para a terra do Tio Sam acabou se tornando a maior encrenca e dor de cabeça que eu já tive de lidar sóbria em toda a minha vida.

Pra começo de conversa, me designaram para um trabalho totalmente inútil só pra não dizer que estava a toa em meio ao caos, já que Choi Ahnari, euzinha, a eficiência em pessoa, em menos de uma hora havia terminado tudo que tinha que fazer com um lindo sorriso no rosto e sem atrapalhar ninguém. Um exemplo de funcionária, fala sério.

Sinceramente, ficar contando cabides era algo completamente sem sentido. Afinal, quem diabos rouba cabides? Por qual motivo eles deveriam ser contados? Se estavam faltando, era só comprar novos, simples! Qual a finalidade de saber que existem exatamente 35 aros de metal, 17 de plástico e 9 de full body pendurados nas araras do depósito nº 3?

ー Nari, você contou errado. ー uma estagiária diz irritada, me tirando de meus devaneios aleatórios e fazendo com que eu questione se realmente minha competência matemática tinha sido abandonada no fundamental depois das contas de terceiro grau. ーVerifiquei  de novo o vestuário do Magenta Carpet e a quantidade está incorreta.

A garota me entrega com cara de poucos amigos e descaso a planilha que tinha acabado de preencher pela manhã, e lamento que a contagem a que ela se referia não era a dos cabides, mas sim de algo devidamente importante, o que me faz ter certeza de que meu cargo de Assistente Geral de Styling realmente não servia pra nada além de me tornar um ímã para problemas.

ー Mas é o que tinha nos pacotes. ーdigo soando óbvia depois de verificar as anotações bem escritas. ー Cinco pares de calçados, cinco calças, uma camiseta, três camisas, dois blazers, um colete, um boné, um anel e uma gravata: foi exatamente isso que mandaram, inclusive, estava lacrado.

ー Ih... Se eu fosse você verificava de novo.ー ela diz franzindo o cenho. ーA Chefe de Departamento, Hyesoo, vai ficar furiosa de ver que você cometeu um erro desses e não percebeu a tempo...

ー Mas não foi um erro meu! ー me defendo. ー Não é culpa minha se a Gucci não enviou tudo que pedimos!

Apesar de ter feito esforço para soar firme e decidida em minha resposta, eu estava me tremendo de medo por dentro. Afinal, quem era louca o suficiente para questionar o serviço de uma das maiores grifes do mundo? E, sem sombra de dúvidas, se a empresa tivesse que escolher, entre mim a e  Gucci, seria au revoir (adeus) Choi Ahnari.

ー Tem certeza que não foi um erro seu, Nari sunbaenim? Conferiu duas vezes a solicitação antes de enviar ao jurídico? ー a estagiária tentou ser respeitosa, mas conseguiu ser tão autêntica quanto uma camiseta de grife vendida no aliexpress: falsa.

ー Sim, eu conferi. ー sorrio prendendo meu cabelo com uma caneta para olhar a planilha melhor. ー Deve, com certeza, ter sido um problema do jurídico ou da marca na hora de fechar o contrato.

ー Bom, em todo caso, acho melhor você consertar isso enquanto ainda dá tempo... Você era a encarregada desse assunto, não era? ー a garota se faz de desentendida pouco antes de sair, me deixando com uma baita bomba-relógio nas mãos, digo, uma planilha com fotos bem específicas de todos os produtos e modelos que as estilistas da empresa esperavam ver embarcando com elas no próximo avião para os Estados Unidos. Que saía em exatamente... Duas horas e trinta e quatro minutos.

ー Aish... Inferno! - resmungo me levantando e correndo até o departamento de Styling, rezando a todos os deuses que ninguém notasse que eu estava literalmente me descabelando de frustração no caminho.

Li certa vez em uma revista que um término de namoro tem cinco estágios primordiais, e se levar em conta que eu e o meu trabalho tínhamos quase que um relacionamento íntimo de amor e ódio, acho que os passos para uma superação bem sucedida se aplicariam perfeitamente aqui.

Primeiro estágio: impacto. Ao chegar lá quase tive um infarto ao ver alguns staffs já embalando cuidadosamente as roupas em sacos transparentes e à vácuo para que tivessem um transporte seguro e cuidadoso até Los Angeles.

Só depois de prometer a eles de que só demoraria alguns minutinhos para conferir tudo e que, em seguida, os ajudaria a guardar e fechar os pacotes de despache, é que eu fui deixada a sós com aquelas roupas que, juntas, com certeza valiam bem mais do que o que eu ganharia em um mês, e coloquem "bem mais" dentro disso.

Respiro bem fundo antes de pegar a caneta que estava usando para prender o cabelo e começo a conferir minuciosamente tudo que estava ali, apenas torcendo fervorosamente para que, com muita sorte, o erro na contagem tivesse sido realmente meu e não de uma das maiores grifes do mundo, que todos os looks estavam intactos e que eu só estava muito louca da cabeça quando conferi aquilo mais cedo, ou, em último caso,  que as roupas estavam caídas e escondidinhas em algum canto por aí.

Segundo estágio: desespero. Depois de marcar duas vezes todos os itens, a única coisa que me restou foi sentar no chão e chorar, já que (feliz ou infelizmente) eu realmente não era tão ruim de matemática e havia mesmo peças faltando, só um milagre poderia me salvar agora.

Terceiro estágio: negação. Apesar daquele breve breakdown em um momento de pânico, eu tinha 100% de certeza de que quando escrevi a solicitação para o contrato, eu especifiquei o nome de cada um dos modelos, disse claramente a referência, cor, preço e até data de coleção para que nada e nem ninguém se perdesse no caminho. Em momento algum fomos informados de que apenas parte da lista seria enviada. Então não, aquilo não era responsabilidade minha.

Quarto estágio: raiva. Eu fiz o que tinha que fazer e ponto final! Escrevi tudo minuciosamente, anexei imagens e ainda me dei ao trabalho de grifar com canetinhas coloridas as medidas exatas de cada um daqueles garotos, para que esse tipo de erro não fosse nem possível de ser cogitado.

Quer dizer, não é tão difícil assim, são sete pessoas, logo, sete looks. É uma lógica tão simples, qual a dificuldade nisso? E olha que eu sou de humanas, vale lembrar, então,  sem desculpas para isso galera do jurídico!

Saio do depósito mais vermelha que um tomate, dando espaço para os mesmos staffs de antes entrarem, e me faço de surda quando alguém grita meu nome, cobrando pela ajuda que tinha prometido.

Ao entrar no elevador me estapeio internamente por nem mesmo saber onde ficava o tal "Departamento Jurídico". A empresa não era grande e eu não estava acostumada a sair do nosso pequeno formigueiro de salas de planejamento, depósitos de coisas aleatórias e spray de cabelo no terceiro andar, então, o resto para mim era um completo mistério. Tudo que sabia é que se você é chamado para subir ao jurídico, muito provavelmente, é por que sua carta de demissão está prontinha só esperando para ser assinada.

Seguindo a lógica de que no jurídico é onde são feitos os documentos e acordos para o restante da empresa, seria bem sensato de ser o mesmo andar em que as salas de reunião ficavam, não? Sendo assim, aperto o botão do sétimo andar, me lembrando brevemente de quando tive que servir cafezinho e fazer anotações para as chefes de departamento durante uma reunião com o pessoal do executivo sobre o tão temido "comeback".

Olho as horas no meu relógio douradinho e meu coração dispara ao ver os ponteiros indicando já ser quase nove horas.

ー Aigoo... ー as caixas com roupas deveriam estar às dez horas no aeroporto, então a minha pessoa tinha praticamente uma hora e quarenta minutos para resolver aquela bagunça. Daria tempo. É claro que daria.

Saio na fúria de descobrir quem tinha sido o responsável por fechar aquele contrato, mas todas as minhas esperanças vão pro ralo quando descubro que aquele não era o andar que eu procurava. Sem perder mais tempo, dou meia volta e aperto novamente o botão na parede, entoando um mantra de olhos fechados para que o elevador chegasse logo, e, no instante em que ouço o "ding" indicando que as portas metálicas haviam se aberto, dou um passo confiante para frente, apenas para dar de encontro com algo, ou melhor, alguém.

ー Mianhe, mianhe... ー começo a me curvar desesperadamente e só levanto o olhar quando reparo em algo absurdo: calças de moletom manchadas de azul e uma bolsa de plástico da Channel. O dono daquela combinação medonha era ninguém mais, ninguém menos, que o fofíssimo, e adorado por praticamente todos naquela empresa, j-hope.

Vê-lo sorrindo amplamente em minha direção e Sejin sunbaenim impaciente segurando o elevador para que os garotos saíssem fez com que eu travasse bem no meio do caminho, completamente sem fala. Mas posso jurar que era por um bom motivo, já que estava ocupada demais analisando aquela combinação assustadora de acessórios. Quer dizer, é claro que acho o estilo coreano único e incrível, mas convenhamos que tudo tem limite.

ー Com licença, noona. ー alguém pede para que eu saia do caminho e quase tomo um susto quando vejo um garoto coberto dos pés a cabeça de preto. Qual era o problema dele? Não é possível que conseguia enxergar por baixo daquela franja! E, só pra constar, a menos que ele tenha 10 anos de idade, eu me recuso a ser chamada de "noona".

ー Ye, mianhe... ー peço novamente, dando um passo para o lado afim de deixar a porta do elevador livre.

Me mantenho de cabeça baixa enquanto uma fila interminável de rapazes saía daquela caixinha minúscula de metal (é sério que couberam todos ali?) e apenas quando os vejo virando o corredor me permito respirar tranquilamente.

Aperto o botão do sexto andar tentando absorver todo aquele homicídio fashion impregnado no corpo de Jung Hoseok. Coco Channel está oficialmente se revirando no túmulo por ter um a bolsa-brinde de sua marca, que é distribuída em desfile, sendo usada como um acessório chave de um look tão caótico.

ー A gente coloca trinta e cinco opções de looks no armário da  pessoa pra esse ser escolher justamente as mais non-sense e decidir usá-las todas no mesmo dia. Eu mereço... ー quem me visse podia achar que era alguma doida falando sozinha, e era isso mesmo. Depois de uma visão daquelas, falar sozinha parecia ser a coisa mais normal do universo.

Ao chegar na recepção dou logo de cara com uma secretária de meia-idade que parecia extremamente ocupada para sequer notar minha presença, mas a verdade é que ela estava submersa no dorama que passava na tela do seu computador.

ーAnnyeong-haseyo. ー digo tentando inutilmente chamar sua atenção.ー Eu preciso de uma informação urgente, é a respeito do contrato de imagem que fechamos com Gucci para o evento do dia 19/05 e...

ー Ela está em reunião no momento, volte depois das dez. ー ela é curta, grossa e doce como um limão.

ー Você não está me entendendo... ー respondo delicadamente, tentando soar o mais calma e gentil possível.ー Estamos com um problema na quantidade de itens e se não resolvermos isso agora, além de correr o risco de perder meu emprego, nós todos vamos ter uma baita dor de cabeça amanhã.

ー Eu já disse, Im Haneul está em uma reunião importante agora. ー olho para a plaquinha que indicava seu nome em cima da mesa e respiro fundo antes de abrir meu melhor sorriso (como se fosse possível ser ainda mais simpática). Quem sabe ela só estava em um dia ruim, não é mesmo?

ー Acho que não fui muito educada, é o desespero, desculpe... ー rio colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.ー Eu sou a Assistente de Styling da chefe de Departamento de Moda, Hyesoo, você deve ser a Na Yorin, certo? Já nos falamos por telefone algumas vezes e...

ー Olha, eu sei quem você é, e imagino que esteja apavorada, mas as únicas pessoas autorizadas a tratar de assuntos contratuais são o Doutor Kwang So e a Doutora Im Haneul e, no momento, ambos estão ocupados em uma reunião extremamente importante. Portanto, volte mais tarde ou sinta-se livre para esperar. ー a tal 'Yorin' diz em um tom de voz tedioso, apontando em seguida para um pequeno sofá de espera.

Naquele momento, eu podia muitíssimo bem apenas ter abaixado a cabeça, dado meia-volta e implorado para o financeiro me liberar grana para correr atrás dos produtos que faltavam, mas se já era difícil convencer uma secretária de fazer seu trabalho, seria mais difícil ainda de conseguir dinheiro para comprar coisas que supostamente já deveriam estar ali.

ー Escuta. A empresa toda está um caos, esses garotos vão entrar em um avião em... ー olho rapidamente para o meu relógio antes de continuar.ー Uma hora e trinta e dois minutos, e se essas roupas não estiverem embaladas e sendo transportadas com eles eu vou estar encrencada! ー como tudo que consigo é o seu descaso, resolvo apelar para a minha arma secreta... ー Por favor, unnie...

Tento fazer um combo de biquinho + olhinhos pidões + uma voz fofinha, na esperança de amolecer aquele coração de pedra, mas tudo que consigo é uma risadinha debochada, um beliscão na bochecha e um aceno negativo de cabeça.

ー Você não está um pouquinho velha pra fazer isso? ー oh no... Tudo no mundo, menos velha. Eu tenho 23 anos! Isso não é ser velha! Eu ainda posso gostar de coisas fofinhas, não posso?

ー Certo, agora chega! Se você não me colocar em contato agora com essa tal de Hana, Heulna, Hyuna, ou seja lá o que for, eu juro que vou te dar um spoiler tão grande desse dorama que você nunca mais vai conseguir sequer ouvir a abertura do programa sem começar a chorar lembrando de mim! ー ameaço furtivamente apoiando os cotovelos na mesa apenas para dar uma olhada melhor no que ela estava assistindo.

ー Você não ousaria...

ー Ah, como ousaria! "Something in the Rain", não é? ー eu estava prestes a cometer a maior heresia, ou seja, contaria praticamente todo o final do dorama quando ela finalmente resolve colaborar e ligar para a tal "Doutora".ー É bom fazer negócios com você, unnie.

Eu espero durante alguns minutos e... Nada. Absolutamente nada. Nada de doutora, nada de uma resposta da secretária, nada de meus problemas se resolverem magicamente... Já fazia quase uma hora! Quanto mais tempo eu teria que esperar?

Me levanto ajeitando a prancheta de anotações embaixo do braço e caminho como quem não quer nada até a mulher que agora secava as lágrimas em lencinhos de papel, dando pequenos soluços com uma cena tocante da série.

ー Então, unnie... Alguma notícia da queridíssima? ー pergunto ironicamente.

ー Céus, eu já liguei pra ela, okay? Mais de três vezes! Ela está vindo, já disse!

ー Calma, calma... Não precisa ficar brava. ー ergo as mãos em rendição e me fazendo de inocente. Observo os atores na tela cavalgando com seus cabelos longos e sedosos e dou um sorriso maquiavélico quando vejo Kim Taehyung atirando uma flecha.ー Só estava perguntando pois seria uma pena se soubesse que no final de Hwarang, o V...

ー Oh, graças a Deus! ー Ela exclama assim que um "ploc ploc" de salto alto, que com certeza não eram nenhum Louboutin, se torna audível.

Me surpreendo ao ver uma garota que parecia ter a mesma idade que eu em uma calça cinza e scarpins pretos, em contraste com sua camisa social branca, no típico clichê de "office look". Bem vestida, claro, mas um pouco de  cor e brilho não faz mal a ninguém.

ーAnnyeong-haseyo, você queria falar comigo? Im Haneul, prazer. ー ela me cumprimenta com um sorriso gentil.ー Está tudo bem?

ーAh, até que enfim!ー me permito suspirar exausta ao saber que finalmente teria meus problemas resolvidos e decido ser logo bem direta. ー Sou Choi Ahnari e não, não está tudo bem.

ー Em que posso ajudar?

ー É a respeito do contrato com a Gucci, há um erro. ー digo lhe seguindo até o que parecia ser sua sala, mostrando os itens marcados e os que foram entregues.ー Fizemos pedidos de 29 itens: sete calças, três camisetas, quatro camisas, três blazers, um colete, dois cintos, um lenço, uma gravata, um anel, um boné e sete pares de calçado. No entanto, o que nos enviaram foi apenas: cinco pares de calçados, cinco calças, uma camiseta, três camisas, dois blazers, um colete, um boné, um anel e uma gravata. E isso não foi erro no pedido, eu posso assegurar.

ー Ok, você não respira? ー ouço sua risadinha irônica e me pergunto interiormente se por acaso ela estava em um cargo mais alto que o meu, ou se eu estava livre para mandar ela para aquele lugar nada agradável. ー Você disse que temos um problema com o contrato com a Gucci, ok. Qual dos contratos?

Ela se senta e coloca suas coisas na mesa ー levemente bagunçada, porém não mais do que a minha ー que ocupava boa parte daquela salinha e abria seu computador, me indicando para sentar em uma das cadeiras a sua frente, mas eu estava elétrica demais para isso.

ー O referente ao Magenta Carpet da Billbord Music Awards, no dia 19 de maio. ー a minha vontade naquele momento era completar minha fala com algo como "é aquele contrato idiota que fala sobre as roupas que já estariam sendo perfeitamente despachadas para o Aeroporto Internacional de Seul a uma hora dessas, se não fosse por você", mas me contento em apenas sorrir ironicamente para a... O que ela era mesmo? Doutora? Advogada? Juíza?

Vejo-a assentir com a cabeça antes de voltar sua atenção ao notebook e torço fervorosamente para que ela estivesse procurando o bendito contrato e não vendo coisas que seriam inúteis a minha causa agora.

ー Seria esse? ー ela aponta para uma tela maior ao lado do computador onde um documento escrito em inglês com infinitas frases e restrições que eu não entendia bem pra que serviam, podia ser visto. ー Qual é o problema com esse contrato? Ele foi assinado há mais de um mês e não acho que seria viável alterar alguma cláusula nessa altura do campeonato.

ー Estão faltando itens, você não me ouviu? ー me questionei se ela era meio lerda, já que essa a foi a primeira coisa que disse quando cheguei.

ー Olha só, eu vou te explicar uma coisa sobre contratos de uso, ninguém especifica peça por peça, Ahkari . Pelo que eu entendi, isso é você que deveria ter feito, mas aparentemente não fez.  Vem aqui comigo. ー ela apontou para a tela do computador e eu já podia sentir meu sangue fervendo. ー Cláusula 3ª - A parceira (BTS) fornecerá à empresa (Gucci) a discriminação de todas as vestimentas e acessórios que a parceira deseja utilizar no dia indicado no objeto do contrato com antecedência mínima de 30 dias.... Você tá vendo aqui algum nome de roupa?

ー Primeiramente, é "Ahnari". E então, só pra confirmar, aqui não especifica as peças que eles vão usar, porém diz que  que os meninos só estão autorizados de usar roupas dessa marca no evento do dia 20? ー pergunto como uma estudante bem aplicada e ingênua, embora estivesse prestes a cometer um homicídio.ー E também que a marca se responsabiliza por prover os produtos?

ー Então, vamos ler aqui: contrato de uso exclusivo. Eles só podem usar Gucci, você não quer que eu leia a multa contratual se, sei lá, você decidir que Valentino, ou qualquer uma dessas grifes,  é mais interessante, ou que combina.... Como vocês falam mesmo? ー eu adoraria dizer que ela só estava mesmo confusa e muito interessada em termos que eu uso no meu cotidiano de trabalho, mas isso era impossível depois de ouvir o seu tom ácido dizendo a palavra... ー Ah, conceito, isso! O conceito tem que combinar, obrigatoriamente, com as roupas da Gucci ou nada feito.

ー Pode me dizer então como espera que eu faça isso se a "dona Gucci" não enviou sequer a quantidade suficiente de calças? O que quer que eu faça? Mande eles de cueca?

ー Não que isso seja responsabilidade minha, já que, como eu li pra você, isso não está no contrato e deveria ter sido devidamente especificado e enviado há um mês atrás, mas aposto que as armys vão adorar eles de roupa íntima no, como você diz mesmo? "Magenta Carpet".  ー ela apoiou os cotovelos na mesa e me olhou como se estivesse mesmo se divertindo muito com o meu desespero.

ー Mas isso foi especificado, mon amour, na solicitação que enviamos ao jurídico constava cada uma das coisas que iríamos precisar, eu tenho uma cópia disso bem aqui. ー  mostro a ela novamente o papel que possuía uma assinatura de aprovação no final e ela apenas cruzou os braços como se me desafiasse.

ー Olha, se você precisa de dinheiro pra comprar as roupas que estão faltando vá até o financeiro. Eu já te mostrei o contrato, você já me mostrou a solicitação, não há nada que eu possa fazer por você. Ou então, sugiro que você resolva isso com algum gerente da Gucci. ー ela cruzou os braços como se me desafiasse.

Naquele momento eu já não tinha mais nada a perder. A minha dignidade, paciência e horas de meditação em posição da árvore tinham sido jogados no lixo por uma garota debochada que provavelmente continuaria com o seu emprego no final do dia. Porém, quando estava a um passo de dizer umas poucas e boas, suas últimas palavras ecoaram em minha mente como um último resquício de esperança.

ー Você disse que esse contrato é com a marca em si e não uma loja em específico, certo? ー a esse ponto já seria possível ver fumaça saindo de minhas orelhas de tão rápido que estava pensando.ー  Quer dizer que isso engloba lojas e fornecedores de qualquer lugar do mundo?

ー  Sim e não, engloba só aqueles ligados à matriz italiana, portanto, não inclui as franquias.

ー Ótimo, obrigada por sua atenção Doutora Hyuna. ー sim, eu estava errando seu nome de propósito por que, se não podia ser grossa e sem educação, ao menos podia me fazer de boba não é? Minha mãe sempre dizia: "o mundo é daqueles que se fazem de bobos".

ー Disponha, Kari. ー e aparentemente ela estava jogando o mesmo jogo que eu. ー  Espero que consiga resolver o problema, apesar de que gosto bastante do "conceito" Bangtan de roupas íntimas.

Saindo da sala com as bochechas vermelhas e quentes em um misto de raiva e vergonha, recebo a magnífica notícia de que as caixas já haviam sido mandadas para o aeroporto enquanto eu falava com a minha queridíssima Hyuna.

Quinto estágio: aceitação. Passo por um longo dia pendurada no telefone, ligando para literalmente todas as lojas físicas da Gucci em Los Angeles e enviando mais e-mails do que eu era capaz de contar, até que finalmente consegui que entregassem no hotel, em que a equipe de Produção estava instalada, as benditas roupas que faltavam.

Nessa hora agradeci imensamente aos meus pais por terem pego tanto no meu pé quando me inscrevi para bolsas de estudo nos Estados Unidos, meu inglês foi de muita utilidade  para conseguir me comunicar decentemente com aqueles americanos esquisitos. Afinal, qual o problema de se receber uma ligação da Coreia para tratar de celebridades em um evento internacional? Eles já não deveriam estar acostumados com esse tipo de coisa?

No final da tarde, eu já não sabia mais como tinha sobrevivido a aquele dia, mas meus pés ainda se moviam em direção a minha cafeteria favorita de Gangnam, coincidentemente a uma rua de distância do meu trabalho, e minhas mãos insistiam em levar o copo de capuccino com o dobro de chocolate aos lábios. Estava com dó de comer meu biscoito de ursinhos, então, por enquanto, ia apenas continuar olhando para seu rostinho de açúcar sorridente enquanto criava coragem para enfrentar um metrô lotado na volta para casa.

ー Diazinho chato hein... ー  ouço alguém dizer perto de mim e me viro para encarar surpresa a mesma garota de antes, com seus cabelos curtos e em perfeito estado enquanto eu parecia ter saído de um furacão.ー  Posso me sentar?

ー Ne, claro... ー abaixo uma das pernas que estava abraçando para não parecer tanto uma adolescente emburrada e ela ocupa o lugar ao meu lado no sofazinho.

ー Acho que exageramos um pouquinho mais cedo, né? Foi mal... Comeback, sabe como é... ー  ela soltou uma risada anasalada e bebericou o que parecia ser um expresso.

ー Pelo amor de Ganesha, nem fala essa palavra... ー massageio as têmporas com uma das mãos, fechando os olhos.ー Aigoo, minha cabeça dói só de lembrar...

ー Mas sério, conceito BTS de roupas íntimas foi uma ótima ideia, faríamos das armys as pessoas mais felizes do mundo por algumas horas. ー ouço ela dizer e consigo rir pela primeira vez desde que parei de contar cabides.  ー Aliás, sou Im Haneul, não Hyuna. Mas sem formalidades, pode me chamar de Hana.

ー Prazer em te conhecer, unnie, e... Eu já sei seu nome, só impliquei com você mais cedo pois estava nervosa.

ー Oh, jura? ー  nós duas rimos em sincronia antes de eu quebrar por nervosismo a perna do ursinho de framboesa.

ー Eu, hm... Sou Choi Ahnari, mas pode me chamar só de Nari.


Notas Finais


Olá pessoinhas! Eu sou a lua da @mclarah94 e vocês podem me chamar de Lu ou de Moon, como preferirem! Estou mega animada com esse projeto e vou narrar a estilista mais louca e amorzinho da Coréia, Choi Ahnari (pros íntimos, Nari HAHAH). Espero que possamos nos amar muuuuuito! 💕
Beijos e cheiros,
Saranghae, @inmoon36

Links:
Música do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=42Gtm4-Ax2U
Playlist no Spotify: https://spoti.fi/2sCjQFP

Referências:
1.http://kpopline.com/bangtan-boys-transformed-into-gucci-boys-impressively-showing-up-at-2018-billboard-music-awards-red-carpet-7237.html
2.https://www.vogue.com/article/bts-gucci-billboard-music-awards-red-carpet


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