História If I'm James Dean, You're Audrey Hepburn - Capítulo 2


Escrita por:


Capítulo 2 - Briga


Ao que chegou em casa, Renjun ouviu vozes altas porém controladas vindas de algum cômodo assim que colocou os pés na sala de estar da mansão. Seguindo a origem do som, ele foi parar na sala de piano, onde era o ponto de lazer da família, encontrando ninguém menos que a sua mãe, a senhora Elódie Montmorency-Huang, conversando seriamente com seu irmão mais velho, Sicheng, sobre alguma coisa que não lhe era interessante naquele momento. Ao notarem sua presença lá, os dois mais velhos sorriram fraco para o rapaz, que foi caminhando até o sofá onde os mesmos estavam. O sorriso de Elódie não durou muito, a mulher parecia séria demais naquele momento.

—Por que não foi para a universidade hoje? – ele perguntou ao irmão, enquanto dava um beijo e um abraço rápido em sua mãe.

—Adelheid queria tomar um café e nós acabamos nos demorando demais na cafeteria. – explicou, simples, sorrindo quase sem vontade em seguida para o outro. Ao ouvir a menção do nome da cunhada, Renjun sorriu. Gostava dela.

—Vá se arrumar para o jantar, Renjun. – Elódie falou, chamando a atenção do filho. Aquela era a deixa para que o mais novo saísse dali e os deixasse sozinhos. Talvez a mulher estivesse apenas dando mais uma bronca em Sicheng, o que explicava o fato de estar falando em francês, e não em chinês, como normalmente faziam em casa.

Lançando um olhar levemente preocupado ao irmão mais velho, que sorriu nervoso, ele deixou a sala, mas não antes de ouvir sua mãe falando que Adelheid era irresponsável e outras coisas.

O namoro de Sicheng e Adelheid Verstappen não era visto com bons olhos por Elódie, desde o primeiro dia em que o filho do meio anunciou estar com a holandesa. Enquanto subia as escadas e seguia para o seu quarto, no segundo andar, Renjun pensava no quê a mãe poderia estar falando para o irmão naquele momento. A gastrônoma sempre foi contra o relacionamento, alegando que Adelheid não era a boa moça que aparentava ser e que Sicheng ficava cada vez mais irresponsável e inconsequente na presença da moça, o que quase ninguém levava a sério, pois os dois já estavam juntos há longos quatro anos, todavia ela não desistia de juntar Sicheng à filha de qualquer sócio ou sócia de um dos hospitais de seu marido, Huang Zhongting. Renjun torcia para que ela não interferisse em sua vida daquela maneira caso ele começasse a namorar algum rapaz, mas era difícil não notar os olhares sugestivos que ela lançava em sua direção sempre que o via conversando com qualquer ser humano de sua idade que pudesse ser bom o bastante em seus quesitos para fazer um belo casamento com o filho mais novo da família Montmorency-Huang.

Vinda da alta classe francesa e chefe de uma família quase tradicional, Elódie só queria que os filhos seguissem o mesmo destino que ela e acabassem se casando com alguém que tivesse o mesmo nível social que eles. Para ela, Adelheid Verstappen não passava de uma simples publicitária, filha de comerciantes medianos de Amsterdã que se esforçavam bastante para manter o sonho da filha de morar no exterior antes da mesma conseguir um emprego. A mulher era uma francesa de alma um pouco controladora demais, chegava a quase sufocar os filhos, mas nada muito preocupante. A única vez em que sua personalidade não bateu de frente com a de um deles foi quando a filha mais velha da família, Huang Qian, juntou-se a seu noivo, Zhang Yixing, herdeiro de uma empresa voltada à tecnologia. Fora bem estranho, até porque Renjun e Sicheng pensavam que Qian seria a primeira a se rebelar com os pais, mas para eles, ela parecia ser bem próxima de sua mãe e concordar com ela. Marido e esposa se mudaram para a França, sob o apoio incondicional de Elódie, que gostou de ver a filha voltando para o país natal, ainda mais tão bem casada quanto estava, melhor até mesmo do que ela própria quando se uniu a Zhongting. Já faziam cinco anos e desde então Qian era agora a Sra. Zhang Qian, uma mulher de negócios, bem sucedida e idolatrada por toda a família, além de ser bastante conhecida pelo meio da tecnologia, auxiliando o marido mãos de ferro e astúcia.

Renjun e a irmã tinham um relacionamento bem distante, mais por opção do rapaz do que pelas circunstâncias, já que ela sempre era carinhosa demais quando ligava e mandava mensagens de repente para ele ou para Sicheng. Podia não ser, mas a mais velha às vezes parecia ser uma cópia da mãe, e isso dificultava as coisas, principalmente por achar não conhecê-la muito bem. Ele achava, em sua mente, que Qian era como Elódie sempre, mas algumas coisas diziam o contrário. Assim que finalmente abriu a porta branca de seu quarto, o Huang quase gritou de alívio, tamanha era a felicidade ao finalmente ter um descanso naquele dia. Jogou-se sobre a grande cama de casal que tinha bem no centro do cômodo e fechou os olhos, aproveitando a maciez do leito.

—Finalmente o meu momento. – murmurou para o nada. A governanta eletrônica trancou a porta assim que o mesmo bateu três palmas, e então, com mais duas, a cortina se fechou, o ar condicionado foi ligado e as luzes apagadas. —C'est le paradis!¹

Não demorou muito para que ele caísse no sono, com uma certa pessoa lhe atormentando os pensamentos, juntamente com olhares intensos e um nome que lhe fugiu à memória.

***

—Lucas me chamou para a corrida de amanhã. – Hendery disse, recebendo olhares curiosos e confusos dos amigos. Estavam em uma das mesas da praça de alimentação do shopping, aproveitando a tarde. —Ele disse que vocês poderiam ir, se quisessem.

Um silêncio pousou entre os seis após a fala do mais velho. Donghyuck quase revirou os olhos. Era óbvio que Lucas iria querer que eles fossem, e ele sabia bem o motivo. Os olhos do Lee vagaram pela mesa, encontrando um Yangyang perdido, enquanto tentava assimilar tudo, ao que encarava a própria mão vazia sobre a mesa e lentamente bebia o suco em seu copo. Todos estavam calados, não sabendo muito bem o que dizer. Renjun lembrou-se de Lee Jeno e do olhar estranho que o rapaz loiro o lançou na universidade naquela manhã. Ele balançou a cabeça, tentando se livrar daqueles pensamentos, principalmente porque Lee Jeno significava encrenca e isso era tudo o que o Huang não queria naquele momento.

—Eu não vou. – ele ouviu Yangyang dizer, encarando o amigo com surpresa, vendo que o rapaz estava ansioso, nervoso.

Normalmente, era o mais novo o primeiro a aceitar as aventuras loucas que surgiam de repente, mas naquele momento, ele parecia tenso demais, o Huang notou que o rapaz tentava esconder a mão trêmula, escondendo-a. Renjun ia voltar a comer a batata à sua frente, quando uma risada irônica e banhada em escárnio chamou sua atenção. Donghyuck estava apoiado a Jisung, que por sua vez estava apenas focado em seu hambúrguer e no jogo do celular, não realmente prestando atenção no que acontecia ao seu redor. Hendery e Chenle olharam também para o Lee, esperando que o rapaz dissesse algo a respeito daquilo.

—Que engraçado você não querer ver o Lucas, Yangyang. – soltou. Renjun sentiu-se confuso, assim como todos os outros. Donghyuck então ficou sério de repente, fazendo o Liu parecer ainda mais nervoso diante de toda aquela situação estranha. —Logo você, que não perde uma oportunidade.

—Cale-se, Donghyuck, pare de falar asneiras. – o rapaz devolveu finalmente, após alguns minutos em um tenso silêncio, vendo o amigo revirar os olhos.

—O que você quer dizer, Hyuck? – Hendery perguntou, intrigado por aquela quase discussão que os dois estavam prestes a ter, envolvendo principalmente o nome de seu irmão.

Renjun, querendo evitar algo maior, tocou o braço de Donghyuck, que estava ao seu lado, rapidamente, apertando um pouco e recebendo a atenção deste. Pare de falar, ele disse sem som, apenas para que o Lee percebesse.

—Nada, Hen. – foi Yangyang quem respondeu, balançando as mãos no ar de modo falsamente descontraído. —Quer saber? Eu vou.

E então Chenle se pronunciou pela primeira vez sobre aquilo, parecendo bem mais animado do que o normal, com um sorriso largo em seus lábios:

—Conte comigo.

Donghyuck, mesmo sob protestos internos, também acabou aceitando, o que levou Jisung a dizer sim também, mesmo que quase de maneira forçada, revirando os olhos no final. Renjun foi o único que se manteve em silêncio, dizendo que iria pensar sobre e daria a resposta na manhã seguinte. No fim ele acabou aceitando. Não era como se ele fosse recusar, não teria o que fazer à noite de sexta-feira sem os amigos, e ter que aguentar uma Elódie reclamando de tudo enquanto seu pai ficava calado era um martírio, já que nem mesmo Sicheng estaria em casa para ajudá-lo a fugir daquele furacão, pois provavelmente passaria o fim de semana com Adelheid.

Hendery deixou cada um em sua devida casa e seguiu para sua, tirando Donghyuck, Jisung e Renjun, que foram no carro do Lee deixar o Park e então seguiram para a residência do francês. Entretanto, assim que entrou em casa, Renjun se arrependeu de não ter ido dormir com o amigo depois que o mesmo pediu. Elódie e Zhongting estavam na sala de estar, cada um em uma extremidade do extenso sofá branco, enquanto ele lia o jornal do dia e a mulher folheava um livro qualquer sobre a história da gastronomia, provavelmente escrito por algum tio seu. Ao perceberem a presença do filho, ambos sorriram fraco para o mesmo, que não se deu o trabalho de devolver e apenas seguiu para o quarto, frustrado com a falsidade do casal. Com toda a certeza, os dois estavam brigando antes dele chegar, os empregados escondidos na cozinha e o vazo fora do lugar no corredor indicavam aquilo e não precisava de muito para deduzir, o clima tenso que pairava por cada canto da casa já dizia tudo. Provavelmente o motivo tenha sido mais uma das viagens a trabalho que Huang Zhongting fazia para Xangai, o que irritava a chefe de cozinha e a deixava fora de si, pois ela sempre dizia que eram nessas viagens que seu marido encontrava-se com alguma amante que nunca teve sua existência comprovada.

***

Era difícil ser o único a ter que lidar com o casamento ruído dos pais, porque Qian estava longe e Sicheng já não ligava tanto para os problemas da família, resolvendo passar bastante tempo longe de olho do furacão que os dois eram juntos, então sobrava tudo para que Renjun presenciasse, e não foi diferente naquela noite. O jantar da família foi feito em um silêncio mortal, enquanto Elódie estava cabisbaixa e Zhongting mal comia, enquanto isso, Renjun torcia para que Sicheng entrasse em casa naquele momento e dissesse que havia desistido de dormir na casa de Adelheid, pelo menos para que a noite do mais novo não fosse para o ralo.

—Como foi o dia na universidade hoje, mon cher? – Elódie perguntou, finalmente quebrando aquele silêncio tortuoso, sorrindo fraco e forçado. Zhongting nem se mexeu, enquanto a mulher olhava para o filho.

Renjun foi pego de surpresa pela pergunta da mãe, não esperando realmente, demorando um pouco para assimilar e finalmente responder:

—Normal. – sua voz era baixa, sem muita força. Elódie sentiu-se levemente constrangida pela falta de vontade do filho, chegando a desviar o olhar para a sua comida. —Amanhã eu não sei se vou dormir em casa, vou sair com os meninos à noite e provavelmente fique para dormir na casa do Hendery ou do Donghyuck.

Finalmente Zhongting levantou o olhar e focou-se em outra coisa que não fosse o steak tartare feito pela esposa em seu prato, encarando o filho por alguns segundos, analisando o rosto do rapaz. Renjun não tinha medo do olhar do pai, mas sentia-se levemente constrangido quando ele fazia aquilo.

—Para onde vai? – questionou o homem, sua voz naturalmente rígida tentando soar mais amigável diante do filho mais novo. Renjun às vezes apareciava seu esforço, por mais que tudo fosse muito estranho.

—Para um show.

Nem que lhe pagassem um milhão de euros ele diria para onde estava indo, sua mãe surtaria e ele nunca mais voltaria a sair de casa. Corridas de moto ou qualquer outra coisa que pudesse envolver ilegalidade, drogas e álcool em excesso eram algo fora de cogitação para qualquer membro daquela família, porque de acordo com Elódie, ela aturaria tudo, menos um filho delinquente e inconsequente, e isso significava qualquer ser humano vivo fora de seus padrões.

***

Quando deitou a cabeça no travesseiro naquela noite, Renjun ouviu as vozes no corredor, enquanto sua mãe acusava se pai de a estar traindo outra vez, e por um momento ele desejou desaparecer para não ter que ouvir aquilo a noite toda. Entretanto, o barulho do vidro se chocando contra o chão e a voz estridente de Elódie dizendo que todos naquela casa estavam contra ela já estava irritando Renjun, então o rapaz simplesmente pediu para que a governanta eletrônica o isolasse do resto ds casa. Em poucos segundos, ele já não ouvia mais a voz de sua mãe ou a voz de seu pai a pedindo para falar mais baixo.


Notas Finais


não sei se realmente alguém está lendo isso, mas caso esteja, espero que goste!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...