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História If I'm James Dean, You're Audrey Hepburn - Capítulo 21


Escrita por:


Notas do Autor


ooi

Capítulo 21 - Conhecendo a dor


Quando sua moto finalmente saiu do bairro onde vivia, Jeno sentiu que finalmente poderia respirar em paz. Passeou pelas ruas e decidiu que ainda não seguiria para o apartamento, querendo espairecer e quem sabe relaxar um pouco antes de deitar a cabeça no travesseiro. Sua mente estava um turbilhão, como uma bola de neve que apenas crescia mais e mais e ele não era capaz de fazer parar, porque tudo só se intensificava a cada segundo que passava. Só de lembrar das palavras de Taeyong, todo um mar de dor e angústia, juntamente com as memórias dos anos que passou com o pai, vinha à tona e ele precisou parar em uma rua deserta, apenas para que as lágrimas finalmente caíssem e molhassem o seu rosto.

Ele sentia-se tão perturbado com tudo que nem mesmo sabia como agiria diante daquilo, principalmente porque nunca foi só sobre ele ou sua relação conturbada com Donghae. Jinah estava envolvida e ela também fora tão afetada quanto os irmãos naquela história. Até onde alguém poderia ir por ganância? Essa pergunta não tinha resposta, porque só de pensar em tudo o que o pai fez, Jeno sentia nojo, medo e uma raiva incomensurável. Se Taeyong não tivesse interrompido... Nem ele mesmo sabia o que poderia ter acontecido, e por um lado agradecia pelo irmão ter aparecido ali, naquele momento.

Pensou em ligar para os amigos, para tentar se distrair, mas todos tinham suas vidas e seus próprios problemas naquele momento, não fazia sentido simplesmente tirá-los de lá. Poderia também ligar para Renjun, tentar achar seu ponto de paz nele, e por um momento ele chegou a pegar o celular e abrir o contato do francês,  vendo no perfil a foto onde o mesmo sorria largamente para a câmera, sentado em um dos sofás da sala do Pavilhão onde Jeno tocava violão. Eles passaram a manhã lá e por um momento Jeno pensou nada poderia estragar aquele dia, enquanto ele e Renjun aproveitavam os momentos após a prova, sozinhos e sem ninguém por perto para que pudessem inibir seus toques e os beijos que já estavam viciados em trocar. Ele quase mandou uma mensagem, mas parou na metade, apagando todas as palavras que havia escrito e se concentrando no fato de que todo o seu rosto e seu corpo estavam doloridos e certamente bastante machucados.

Resolveu que estava na hora de ir para o seu apartamento, que a partir daquele dia já poderia começar a chamar, definitivamente, de lar. Taeyong disse que na semana seguinte já começaria a mandar o resto de suas coisas, assim como daria entrada no processo. Enquanto ia para casa, rápido demais na moto, ele pensava em como não via a hora de tudo aquilo simplesmente vir à tona. Talvez após isso ele criasse coragem e finalmente dissesse aos amigos como sua vida realmente estava sendo desde a morte de Jooeun. Poderia confiar neles para saber daquela parte de sua vida e entender todos os motivos para a revolta do rapaz para com o seu pai. Donghae era um monstro e Jeno só queria poder arrancá-lo de sua vida.

***

manhã seguinte

***

Pisar na universidade naquela manhã fora estranho para Jisung, principalmente porque faziam meses desde que não entrava no carro de Johnny, ele não pôde deixar de constatar isso no momento em que se sentou no banco do carona e o mais velho acelerou. Ele temia muita coisa sobre aquela sexta-feira, desde a reação de Donghyuck ao vê-lo até a de Jaemin, mesmo tendo falado com o mais velho por horas na noite anterior, passando boa parte delas chorando e colocando para fora tudo o que estava sentindo naquele momento. Ele não contou sobre a agressão, tinha medo de que o Na quisesse fazer algo contra Donghyuck e transformar tudo aquilo em uma grande bola de neve – ele queria evitar conflitos maiores e sabia bem que o jeito de Jaemin de resolver as coisas não era muito convencional, ou legal; então, como em todos os outros dias, ele acordou duas horas mais cedo e começou a passar uma maquiagem pesada para esconder as marcas deixadas não só em seu rosto, mas também em seus pulsos. Ele, infelizmente, não poderia faltar à aula naquele dia, seus pais acabariam desconfiando e ele tentava adiar essa conversa. Uma parte de Jisung, bem grande, aliás, temia Donghyuck e as suas ações.

Assim que avistou os amigos, ou qualquer que fosse a nomenclatura para eles no momento, percebeu que Donghyuck e Hendery não estavam lá e que os outros três pareciam até animados com alguma conversa paralela, onde Chenle dizia algo de maneira animada, arrancando risadas altas de Renjun. Ele resolveu se aproximar, não deixando de notar como o ar mudou. Talvez Donghyuck estivesse certo: eles não gostavam de Jisung, apenas o aturavam por causa do ex-namorado.

Todavia, tudo mudou quando Chenle se levantou rapidamente e o abraçou apertado.

— Quero que me diga o que realmente aconteceu ontem, não acredito em nada do que o Donghyuck está dizendo, nem que me paguem. — o Zhong falou.

— O que ele está dizendo? — Jisung franziu o cenho, sentindo-se nervoso e ansioso.

Chenle suspirou.

— Que você o traiu. Isso é mentira, não é?

— Eu acho que podemos deixar esse assunto para depois, por enquanto. Você o viu hoje? — o tom de sua voz demonstrava apreensão, medo, principalmente no momento em que Renjun e Yangyang o olharam, talvez em expectativa. Agora, seu nome deveria estar rodando por toda a universidade como o cara infiel com um ex-namorado desiludido.

O Zhong negou com a cabeça.

— Ele e o Hendery não vieram.

O Park assentiu, criando coragem para finalmente se aproximar dos amigos. Os outros dois sorriram, logo puxando-o para um abraço apertado.

Eles ficaram sentados ali por tempo, conversando sobre banalidades e tentando não tocar no assunto do término de Jisung e Donghyuck, mesmo que os boatos já corressem por todo lugar. Graças ao Lee, era comentado pelos corredores que Jisung o estava traindo, mas não somente uma vez, e sim que as traições eram constantes e que Jisung era um monstro. Yangyang chegou a tentar tirar a tensão do ar, dizendo que finalmente os admiradores secretos do Park poderiam achar que tinham alguma chance com ele. Jisung apenas sorriu sem vontade, querendo responder que as esperanças daquelas pessoas ainda não seriam alimentadas, mas conteve-se e resolveu que ainda não era hora de apressar seus sentimentos por Jaemin, ou qualquer relação que pudessem vir a ter. Ele ainda precisava ver como sua mente tiraria toda aquela carga deixada pelo ex-namorado, e o que realmente faria para tirar Lee Donghyuck da sua vida, de modo definitivo.

Entretanto, como se quisesse apenas colocar mais lenha na fogueira que já queimava, como era de seu costume, Na Jaemin roubou parte da atenção ao começar a caminhar, sério e extremamente confiante, até a mesa dos amigos, fazendo a conversa acabar e Jisung encará-lo rapidamente, sentindo-se nervoso de repente. O Na parecia meio bravo daquele jeito, mas ele sabia que não era bem assim.

— Pensei que fosse me ligar para que eu fosse buscá-lo em casa. Aconteceu alguma coisa?

Jisung o olhou meio sem jeito, não sabendo como responder.

— É, eu sei, mas resolvi aceitar a carona do Johnny hoje, desculpe. Quem sabe outro dia eu aceite a sua.

Jaemin não gostou da menção do nome do irmão mais velho do Park, fechando a cara por alguns segundos mas logo se esforçando para não passar uma impressão ruim ao rapaz.

— Você parece um pouco abatido, quer conversar antes das aulas? Conheço um lugar que deve estar vazio a essa hora. E eu senti falta de você, quero gastar tempo.

Aquilo fez os três amigos alheios à conversa trocarem um olhar confuso, ao que observavam e ouviam tudo atentamente, chocados com o que presenciavam. Talvez os boatos sejam verdade, Yangyang chegou a pensar, mas logo sua mente afastou aquelas conclusões.

— Nos vimos ontem, Na Jaemin... Mas  tudo bem, vamos lá.

Antes que os amigos fizessem perguntas, os dois se despediram deles e seguiram para longe, sob todos os olhares e boatos que logo voltaram a correr por todos os alunos, totalmente chocados com a cena que viram. Eram Park Jisung e Na Jaemin, para todos eles, em um claro relacionamento, caminhando para fora da visão de todos, enquanto os próprios amigos do mais novo se encontravam descrentes com a situação. Eles caminharam em silêncio, Jisung com os próprios pensamentos, ponderando entre abrir o jogo ou não, especialmente quando tantas pessoas os encaravam.

Jaemin sorria meio fraco e o Park se mantinha um pouco sem jeito, não sabendo bem como agir. Ele só torcia para que o Na não percebesse que estava escondendo alguma coisa, como seus amigos não notaram.

No entanto, aquele choque fora apenas o primeiro do dia, porque quando Lee Jeno chegou, vestindo uma camisa preta de mangas longas dobradas até os cotovelos, calça jeans bem rasgada e apertada, juntamente com seus amados coturnos, ele se tornou o centro total das atenções. O motivo, entretanto, não era sua beleza fora do normal ou o ar rude e misterioso que ele tinha para todos, mas sim o fato de que ele estava fumando e o seu rosto estava novamente bem machucado, fazendo sua tradicional cara de pouquíssimos amigos se tornar ainda menos agradável.

Logo, Na Jaemin e Park Jisung tornaram-se assunto para outra hora, a missão atual dos fofoqueiros de plantão era descobrir o que acontecera com Lee Jeno.

Quando este passou pelos amigos, que também haviam acabado de chegar e já estavam chocados com Jaemin, todos o encararam igualmente surpresos e intrigados. Ele continuou sem falar nada e seguindo para os fundo do prédio, todos os outros alunos logo começaram a constatar que obviamente eles estavam brigados. Não demorou muito para que aquele boato fosse parar na mesa dos três restantes, graças a um Zhong Chenle bem informado por um Mark Lee que só sabia dizer que não haviam brigado e que as pessoas ali eram loucas. Um certo estrangeiro, no entanto, começou a ficar agitado com toda aquela situação, logo se levantando e dizendo aos amigos que precisava ir ao banheiro urgentemente, seguindo pelo lado de dentro do complexo de saúde da universidade, diferente do moreno que fora pelo lado de fora. Aproveitou para passar na sala da sua amiga, a enfermeira do lugar, e pedir uma caixa de primeiros socorros, dizendo que era para ajudar um amigo, voltando ao seu caminho inicial.

***

Jeno estava sentado no chão, as costas apoiadas na parede e quase acendendo o seu terceiro cigarro do dia quando uma voz bastante conhecida e calma até demais soou:

— Se acender isso, eu vou embora e você vai ficar sozinho com essa cara toda quebrada.

Quando virou-se para Renjun, encontrou o rapaz parado o encarando, com uma mão na cintura enquanto a outra estava segurando um kit de primeiros socorros. Ele riu fraco, guardando o isqueiro e devolvendo o cigarro para a caixa, ao mesmo tempo em que o francês se aproximava.

Renjun parou e se ajoelhou ao seu lado. Ele pôde sentir o cheiro do cigarro em Jeno, impregnado em suas roupas.

— Como me achou? — perguntou o Lee enquanto o francês encarava o seu rosto.

— Segui você. Precisei tomar cuidado para não ser visto, mas no fim, tudo deu certo. — respondeu Renjun, começando a procurar algo na caixa — Mas agora precisamos cuidar desse seu rosto. E você vai me explicar o que aconteceu.

Antes que Jeno pudesse negar ou dizer qualquer outra coisa, Renjun simplesmente sentou em seu colo, com uma perna a cada lado do seu corpo e bem em cima de um ponto um pouco sensível demais, mas no momento o francês só queria a melhor posição para cuidar dos machucados do Lee. Claramente não eram tão recentes, mas ainda assim poderiam piorar se não fosse bem tratados, então ele logo começou a limpar tudo, também para tirar o sangue seco dali.

Jeno fez uma careta de dor e o francês riu bem rapidamente.

— Meu pai e eu acabamos brigando ontem.

Renjun parou por um momento e  arregalou os olhos.

— Como assim, Jeno? Como isso aconteceu? — e voltou à sua tarefa.

— Eu acho que para te explicar vou ter que falar desde o início, quando a minha mãe engravidou da Jinah. — ele murmurou, enquanto o Huang parava de limpar rapidamente e olhava em seus olhos, cauteloso.

— Se for muito para você, não precisa contar, de verdade. — falou — Eu só quero que fale se você também quiser.

O Lee suspirou, bem no momento em que Renjun começou a passar a gaze com clorexidina no corte que havia em sua sobrancelha. Fechou os olhos e a ardência aumentou gradativamente.

— Acho que está ja hora de eu contar sobre isso para alguém. — sussurrou — Vou esperar você terminar.

Ambos sussurravam naquele momento, como se não quisessem falar alto de mais e quebrar aquela bolha na qual estavam presos, onde só existia Renjun e Jeno, ninguém mais ao redor. O Lee se sentia seguro o suficiente ali dentro para contar sobre o que vinha lhe atormentando nos últimos cinco anos. Em breve seria o aniversário de morte de sua mãe, já estava passando do tempo de tirar aquilo de si.

Ele respirou fundo e abraçou a cintura de Renjun, enquanto esse colocava os curativos em seu queixo, sobrancelha e bochecha. O Huang estava certo, sua cara estava bem estragada, então ele esperou o estrangeiro terminar tudo, em silêncio e cuidadosamente, com uma vagareza e cautela que pareciam não ter fim. O Lee fixou seus olhos no rosto alheio, concentrado, às vezes recebendo um olhar intenso em resposta. As mãos de Renjun eram delicadas demais, parecendo mal fazer pressão contra o rosto de Jeno e isso fazia o Lee querer sorrir, mas seu rosto estava levemente dolorido.

Quando finalmente terminou, Renjun analisou bom o que fizera na face de Jeno e passou a mão na bochecha não machucada, sorrindo fraco e logo aproximando o rosto para depositar um beijo casto e demorado na boca alheia, sentindo Jeno apertar suavemente sua cintura.

— Mais tarde isso já vai estar bem melhor. — falou suavemente quando os lábios se afastaram, olhando para o Lee com um ar preocupado.

Jeno suspirou.

— Bom, eu preciso contar, não é? Tenho que tirar esse peso. — ele pensou que Renjun ia responder alguma coisa, mas o francês apenas o olhou e passou os braços ao redor seu pescoço, em um abraço carinhoso. Respirou fundo e então começou: — Meu pai nunca quis ter filhos, isso apenas ia atrapalhar a vida dele e quando o Taeyong nasceu ele tinha apenas dezenove anos. Quando eu nasci, então, foi quase o fim da linha para ele. Meus avós queriam que ele deixasse minha mãe, mas então os pais dela acabaram falecendo e ela era a única herdeira viva deles. O Donghae ficou fora de si ao ver todo o império que meus avós deixaram, meu avô era dono de uma empreiteira e minha mãe não podia cuidar de tudo sozinha. — naquele momento, houve uma pausa no relato.

Ao falar da mãe, o aperto ao redor da cintura de Renjun quase aumentou, mas Jeno precisava lembrar quem estava em seu colo e que nunca deveria machucá-lo.

Ao perceber o estado agitado do Lee, Renjun o abraçou completamente, deitando a cabeça do rapaz em seu peito e beijando os cabelos dele, ficando daquele jeito por fim.

— Ele sabia que conforme fôssemos crescendo, as chances dele conseguir qualquer parte nos negócios da família da minha mãe iam diminuindo, então ele encontrou meios de nos atacar e atacar a minha mãe. — contou, apertando o abraço e sentindo a respiração calma de Renjun, juntamente com os batimentos cardíacos dele. Aquilo o estava acalmando — Quando descobrimos que ela estava grávida da Jinah, foi um inferno. Ele dizia o tempo todo para ela abortar, que outra criança só traria mais problemas. Mas não tinha motivo, entende? Eu já tinha dezesseis anos e o Taeyong vinte e quatro, além de que nossa família sempre esteve longe de problemas financeiros, babá nunca seria um problema. Mas o Taeyong sempre percebeu que tinha algo estranho com ele. — mais uma pausa, eles ajeitaram o abraço e Renjun começou a fazer carinho nos cabelos alheios.

— E então a Jinah nasceu. Como eu te falei antes, ela foi o nosso milagre. Meu pai pareceu se acalmar por uns meses, até fingia gostar dela. Até que o acidente aconteceu. Ela perdeu o controle da direção e o carro se chocou contra as árvores na estrada, voltava do cemitério onde meus avós estavam enterrados. A Jinah tinha três meses. Minha mãe passou duas semanas no hospital em observação, falava normal e estava sempre sorrindo, principalmente quando nós levávamos a nossa irmã. Uns dias antes de morrer ela disse que meu pai sabotou o carro dela e que ela já sabia disso. Ela sabia o que ia acontecer...

Jeno não conseguiu continuar, Renjun cortou o abraço e segurou o rosto dele com ambas as mãos focando-se nos olhos. Foi quase um erro. Quando encarou as íris castanhas, marejadas, totalmente perdidas e desesperadas, Renjun chegou à conclusão de que nunca, em toda a sua vida, experimentara tanta dor como naquele momento, onde ele desejava poder arrancar aquele sofrimento de Jeno e colocar em si. Estava tão chocado com a história que ouvira que sua primeira reação foi também chorar, logo depois colando suas testas.

— Jeno... — ele murmurou, voltando a abraçar o outro — Você pode continuar outra hora, tudo bem? Ainda quero saber o que porquê de ter aparecido aqui desse jeito, mas acho que por agora já chega. Vamos, você precisa de ar.

Já ia se levantando, puxando o outro consigo.

— Precisamos assistir aula, as provas acabaram mas você sabe que não podemos nos dar esse luxo de faltar, francesinho. — o Lee respondeu, vendo o rapaz pegando a própria mochila e o kit de primeiros socorros.

Renjun, no entanto, apenas sorriu sem muita vontade.

— Podemos e vamos. Vai buscar a moto e me espera na esquina, vou só guardar o kit.

O Lee não tinha muita escolha, então apenas se levantou, limpou o rosto e sorriu fraco, aproveitando para secar as lágrimas alheias, também roubando um beijo rápido do rapaz, que riu e o empurrou, querendo os apressar.

— E o seu carro? — perguntou.

— Eu pego mais tarde.

***

Sair da universidade foi fácil, e quando Renjun viu, Jeno o estava levando para a praia, a mesma da semana anterior. Ele sorriu fraco, apertando levemente o abraço na cintura alheia, deitando sua cabeça nos ombros do Lee. Podia não dizer em voz alta, mas estava começando a gostar daquela moto, e de andar nela com Jeno, abraçando o moreno e aproveitando o vento que batia em seu rosto.

O lugar não estava vazio, haviam algumas pessoas e a cabana onde sentaram-se na noite em que foram lá estava ocupada. Os dois estacionaram a moto e Renjun olhou ao redor, vendo apenas naquele momento que não tinham roupa para ficar ali, – usava camisa e suéter brancos e calça jeans com tênis –, mas nada comentou, apenas segurou a mão de Jeno e eles começaram a caminhar para a areia.

— Não tive oportunidade de falar antes, mas você está lindo hoje, francesinho. — o Lee disse enquanto caminhavam, procurando um lugar para sentar.

Renjun riu alto, batendo levemente no ombro alheio.

— Obrigado pelo elogio, você também não está nada mal. Gosto do jeito como se veste. — ele falou, sendo puxado pela cintura e abraçando o pescoço do outro. Os dois trocaram um beijo rápido — E gosto do jeito que você me beija.

E então voltaram a se beijar, logo depois rindo e se afastando, voltando a procurar um bom lugar. Algumas pessoas os olhavam, mas eles não ligavam para isso. Quando pararam próximos às pedras, um pouco afastado das pessoas presentes ali, Renjun sentou encostado à pedra maior e Jeno deitou-se com a cabeça no colo do francês.

Ficaram ali em silêncio por um tempo, trocando alguns beijos, apenas aproveitando o momento de paz que tinham.

— Espero que lembre que nossa aposta ainda corre e que eu vou ganhar, francesinho. — o Lee murmurou, sentando-se, fazendo Renjun rir alto e então deitar a cabeça em seu ombro — E eu já sei o que vou pedir quando vencer.

O Huang o olhou, curioso.

— O quê? — sussurrou.

Naquele momento, Jeno passeou por todo o rosto do francês, tão intenso que fez Renjun sentir-se quase intimidado, mas ainda assim devolvendo o olhar, em uma intensidade semelhante, mesmo que seus rostos estivessem avermelhados. Os lábios do Lee se repuxaram em um sorriso mínimo, um pouco travesso.

— Vou pedir você em namoro. — disse simples, dando de ombros.

Mesmo sorrindo, divertido, Renjun pela primeira vez sentiu seu mundo parar, congelando naquele momento em que Jeno terminou de falar, despojado, abrindo um sorriso tão largo que parecia capaz de iluminar mais que o sol naquela manhã. Era como se o Lee não tivesse noção do impacto de suas palavras para o francês, mesmo que Renjun não soubesse que naquele momento o próprio estivesse em um surto interno, imaginando o quanto era idiota por dizer aquilo, mas não tinha como voltar atrás, principalmente porque quando ele menos esperava, o de cabelos acinzentados beijou seus lábios, logo após soltar uma risada divertida, demorando-se um pouco até se afastar.

— Você é tão presunçoso, Lee Jeno. — comentou, olhando para o rapaz, logo depois mordendo rapidamente o lábio inferior. Aquilo fez algo apertar dentro de Jeno e ele desejou que Renjun não o tivesse feito, porque era uma imagem que ele não conseguiria apagar de sua mente — É admirável.

Os dois voltaram a se beijar, apaixonadamente, as mãos apertando cintura, ombros, arranhando nuca e todos os pelos se arrepiando.

Afastaram-se com muito pesar um tempo depois, não querendo partir o beijo, quase desesperado.

— Vamos para o mar, francesinho. — murmurou o moreno.

— Mas os seus curativos…

— Você faz outros.

Ele selou seus lábios aos do francês mais uma vez antes de se levantar e sem aviso prévio começar a tirar os sapatos, e logo então a camisa, exibindo o abdômen bem definido e que deixou o Huang levemente desconcertado. Era difícil ver Jeno sem camisa, principalmente porque ele tinha um corpo muito bonito, que deixava Renjun levemente nervoso. No entanto, não era apenas o tronco exposto e muito bem cuidado que chamou a atenção de Renjun, e sim duas  coisas que, com certeza, não estavam lá antes: dois piercings de argola, nos mamilos de Jeno. Aquilo era muito para a sua sanidade.

O Lee começou a caminhar em direção à água, dando as costas para o francês. Renjun demorou um pouco, considerando se deveria ficar sem camisa na frente de Jeno, ou se poderia declinar o convite. Precisava ficar calmo, afinal, era apenas um banho de mar, não haviam motivos para constrangimento ou nervosismo.

Levantou-se e suspirou pesado antes de começar a tirar os tênis, desamarrando lentamente os cadarços e vendo enquanto o Lee finalmente entrava na água. Ele contou até três e então tirou o suéter, logo depois começando a tirar a camisa, exibindo a pele alva, sem nenhuma marca sequer e o corpo magricelo. Ele guardou as roupas de ambos nas mochilas e as posicionou de modo escondido, para não terem surpresas desagradáveis naquela manhã, logo então respirando fundo antes de finalmente encarar o mar à sua frente. Era calmo e as pessoas aproveitavam aquele momento para se banhar, então ele puxou o ar mais uma vez e passou a caminhar até aquela imensidão azul.

Quando a água tocou seu corpo, o Huang sentiu que a mesma estava morna e gostosa demais para ser ignorada, então aproveitou para caminhar mais rápido, do jeito que podia, até onde Jeno já estava mergulhando.

— Você veio mesmo — o moreno disse ao puxá-lo pela cintura e selando seus lábios — Pensei que rejeitaria meu pedido.

O francês riu alto, tombando a cabeça para trás.

— Eu jamais rejeitaria você, Lee Jeno.


Notas Finais


perdoem qualquer erro.


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