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História If I'm James Dean, You're Audrey Hepburn - Capítulo 24


Escrita por:


Notas do Autor


oi oi

Capítulo 24 - I can't imagine being anywhere else but here


Quando se declarou para Lee Donghyuck, Jisung esperava como resposta o maior e mais vergonhoso fora da história, mas tamanho foi o seu choque quando fora surpreendido com uma resposta positiva, seguida de um sorriso sincero e um beijo aparentemente apaixonado, que ele jamais pensou que pudesse ser superado. No entanto, as coisas começaram a mudar quando o namoro fez apenas três meses e Jisung contou ao rapaz seu maior segredo e da batalha que vinha travando contra si mesmo e a bulimia no último ano. Não fora fácil, o Lee demorou a entender o que realmente se passava com Jisung e toda a carga que o Park trazia consigo. Eles passaram por poucas e boas naquela época, Jisung imaginou que finalmente havia encontrado alguém com quem contar e Donghyuck parecia sempre disposto a protegê-lo, mostrando quem eram as pessoas ruins em seu caminho e de quem ele deveria manter distância.

Jisung não era feio e estava bem longe de ser considerado alguém de aparência ruim ou desagradável, muito pelo contrário, sempre fora muito elogiado e as pessoas volta e meia comentavam sobre sua beleza fora do normal, então consequentemente ele acabava ganhando alguns admiradores e as pessoas se encantavam com ele. Ele perdeu qualquer fio de autoestima que ainda lhe restava quando Donghyuck o disse, durante uma briga, que ninguém jamais se apaixonaria por ele de verdade, porque os comentários sobre sua aparência eram falsos, apenas para parecerem educados, e o Park era uma pessoa extremamente insuportável, ninguém além dele aguentaria muito tempo. Por um lado, Jisung imaginava que talvez Donghyuck fosse sempre estar certo sobre isso. 

Ele realmente se sentia a um passo de ser abandonado por qualquer um que estava ao seu redor. O Park até mesmo se perguntava o porquê de sua família ainda acreditar em uma espécie de superação; mesmo que os vômitos característicos tivessem parado há um bom tempo e esse quadro tivesse apresentado uma melhora significativa, agora o tratamento estava focado em todas as sequelas deixadas pela bulimia e os meses que passou afastado, internado em um hospital, enquanto todos pensavam que estava apenas estudando no exterior. Donghyuck sempre fora o único a saber de toda a verdade, estava ao seu lado, assim como Johnny, a segunda pessoa em quem ele mais confiava em toda a sua vida.

Agora, não importava para onde olhasse, Jisung sentia-se traído, abandonado e sem chances de recuperar qualquer resquício de felicidade que a revelação feita por Jaemin e Yangyang sobre seu irmão e seu ex-namorado tomou de si. Assim que deitou a cabeça no travesseiro naquela noite, ele repassou tudo o que aconteceu, ainda que sem querer.

Havia acabado de chegar com Jaemin e os dois foram procurar algo para comer, quando o Na se aproximou um pouco, em um certo momento, para beijar sua testa. Donghyuck entrou na cozinha no mesmo instante e então a confusão começou, com o Lee alegando que estava sendo traído por aqueles dois "vermes", em suas próprias palavras. Jaemin gritou de volta e logo os amigos apareceram para os levar para a sala, querendo dar fim à briga, mas foi onde tudo desandou de vez. Tinha a impressão de que jamais esqueceria aqueles momentos, todo o chão se abriu aos seus pés e ele sentia-se caindo de um precipício, sem saber como sairia de tudo aquilo. Estava tão quebrado, a dor em seu peito não saía, não importava o quanto tentasse limpar sua mente e apagar toda aquela situação. Era como se uma adaga, bem afiada, estivesse atravessando o seu peito, perfurando cada vez mais fundo até finalmente romper tudo o que encontrava pelo caminho.

A insegurança era quase a sua melhor amiga em alguns momentos, andando de mãos dadas com o medo. Quando virou o rosto para o lado e viu um Jaemin adormecido, ele se perguntou até quando o Na aguentaria o peso. Não estava pronto para outro relacionamento no momento e conversou com o mais velho sobre aquilo naquela manhã, o que levou Jaemin a dizer: “Não ligo de ser platônico com você, só de ver que está bem e se recuperando já me deixa feliz.”

Ele também dizia que ficaria ali, ao lado do Park, não importava o que acontecesse. O mais novo esticou o braço e tocou a face serena, impassível e claramente cansada, contornando os lábios, nariz e pálpebras, onde não conseguiu resistir ao impulso e depositou um beijo em cada uma. Torcia para que Jaemin tivesse certeza do que dizia e provasse que Donghyuck nunca estivera certo. Queria também que o Na o esperasse por quanto tempo fosse necessário, porque sentia vontade de se entregar àquilo, mas antes precisava arrumar uma grande bagunça interna. E assim ele pegou no sono, a mão pousando ao lado do rosto alheio, sentindo a pele macia na ponta dos dedos passando-lhe uma calmaria sem igual, que aos poucos parecia fazer cessar a tempestade onde se perdia.


***


Renjun e Jeno chegaram ao prédio em poucos minutos, totalmente cansados e apenas ansiando pelo momento em que poderiam deitar abraçados na cama do Lee e dormir pelo resto das horas, até a tarde do dia seguinte. No entanto, assim que passaram pela portaria, o porteiro os avisou que tinha uma surpresa para o moreno no apartamento. Confusos, os dois subiram pelo elevador se questionando o que poderia ser, mas a dúvidas foram sanadas assim que Jeno abriu a porta e deu de cara com dois seres adormecidos no sofá, enquanto Rei Leão passava na TV.

Taeyong e Jinah estavam ali, cercados de pipoca, um cobertor e dormindo tranquilamente.

Renjun arregalou os olhos diante das duas figuras, reconhecendo ambos das fotos que Jeno lhe mostrara, também não entendendo o que eles poderiam estar fazendo ali no apartamento. Entretanto, estava bem mais nervoso do que confuso, pensando em como iria se apresentar para os dois e se Jeno queria realmente que ele os conhecesse. Ele não sabia o que fazer nem como agir, então ficou apenas parado ali, ao lado da porta, enquanto Jeno ia até os irmãos para acordá-los, mesmo que no fundo não quisesse interromper o sono deles.

Taeyong acordou meio assustado, em um sobressalto, sorrindo fraco ao dar de cara com o irmão.

— O que fazem aqui? — o moreno perguntou ao abraçar o outro, logo depois indo ajustar o cobertor sobre Jinah.

O advogado bocejou.

— Jinah não conseguiu dormir sem você em casa, começou a chorar e implorou para que eu a trouxesse para cá. — Taeyong respondeu, só então notando a presença retraída do rapaz que segurava a jaqueta de Jeno ao lado da porta. Acabou sorrindo — Não vai me apresentar ao seu namorado, Nono? — perguntou, olhando divertido para o irmão mais novo, que riu.

Jeno virou-se para o francês e esticou o braço na direção do mesmo, que sorriu sem mostrar os dentes, indo até o Lee e segurando sua mão. Ele olhou para Taeyong, sentindo-se sem jeito por diversos motivos, dentre eles o modo como foi chamado pelo mais velho.

— Olá, eu sou Renjun Montmorency-Huang. — ele falou, soltando rapidamente a mão de Jeno e estendendo-a em direção à de Taeyong, para que ambos se cumprimentassem — Você deve ser Lee Taeyong.

O advogado sorriu largo.

— Sou, sim, o próprio. O Jeno me falou bastante sobre você, Renjun Huang.

— Ah, pode me chamar apenas de Renjun, sem muitas formalidades. Fico feliz que Jeno tenha falado sobre mim para você, ele também me falou muito sobre vocês dois; mas nós não somos namorados.

Jeno resolveu intervir.

— É, hyung, nós ainda não somos namorados. — falou, dando ênfase no "ainda", sorrindo de lado para o francês que sorriu largo em sua direção — Mas quer beber alguma coisa? Pode dormir aqui.

O mais velho franziu o cenho da direção dos dois.

— Quero, mas depois... — falou, ainda confuso com a fala do irmão mais novo — Também preciso conversar com você. Vamos até a varanda.

Vendo que os irmãos precisavam de privacidade, Renjun disse que ia trocar de roupa e voltar para fazerem algo para comer, despedindo-se de Taeyong com um sorriso e de Jeno com um selar rápido nos lábios, seguindo para o quarto do mesmo. Os dois irmãos então seguiram para a varanda, querendo mais privacidade.

Assim que se sentaram, Jeno riu fraco da cara que o irmão mais velho tinha, carregando uma expressão divertida.

— O que foi? — perguntou, sorrindo enquanto lançava o um olhar rápido para o sofá, onde Jinah ainda dormia calmamente.

— “Nós ainda não somos namorados”? O que é isso, Jeno? — ele estava confuso.

Jeno suspirou.

— Vou pedi-lo em namoro. — respondeu, logo tomando um ar sério, voltando a encarar o irmão — Mas o que quer conversar? Algum avanço naquela história?

Taeyong ajustou a própria postura na cadeira, mas não parecia desconfortável, acabou apenas por também adquirir um ar mais sério.

— Lembra de Ji Hongseok, aquele meu amigo de faculdade? Ele vai ser nosso advogado e vai entrar com o processo no meio da semana. Amanhã mesmo já começarei a procurar a uma casa. Jinah quer morar perto de você. — disse ele, sua voz soando mais suave que antes — Eu acho que vamos ver um apartamento aqui pelo bairro mesmo, ou até aqui na mesma rua. Vai ser bom tê-lo por perto, por causa dela. Ela sentiu sua falta hoje.

Jeno quase se arrependeu de ter saído daquele lugar, mas aquilo não era só por ele, tudo o que ele e Taeyong fizeram desde o início foi pensando na garotinha, e era reconfortante saber que em breve ela estaria livre do pai, assim como todos eles.

— Podem procurar aqui pela rua, na esquina tem um prédio com alguns apartamentos à venda. Quero mantê-la por perto, e você também. — comentou, ouvindo então a porta de seu quarto abrir. Renjun passou na sala no caminho para a cozinha, olhando para a varanda e seus olhares se encontraram, ambos acabando por sorrir, o Huang denunciando seu cansaço naquela noite conturbada — Acho que a cada dia que passa, eu me apaixono mais, Taeyong. — falou baixo, tombando a cabeça para trás.

— Você precisa ser um pouco menos gay, já está começando a te deixar besta. — o mais velho brincou, arrancando uma gargalhada alta até demais do mais novo, acabando por o repreender, caso Jinah acordasse.

— Ei, preciso muito da sua ajuda. — o Lee disse, lembrando-se do que acabara de acontecer na casa de Chenle.

— Claro, com o quê?

— Quero saber como posso foder a vida de duas pessoas.

— Quem seriam?

— Hendery Wong e Lee Donghyuck.


***


Os grandes olhinhos castanhos se abriram e deram de cara com a TV desligada, logo depois com a mesa de centro limpinha, sem nenhum resquício de pipoca e chocolate. Ouvia as vozes dos irmãos conversando sobre algo e o som dos utensílios da cozinha, sentindo aos poucos o cheiro de algo muito bom sendo preparado. Assim que sentou, olhou ao redor e viu o perfil sério de Jeno através do vidro da porta, que acabara de ser fechada para que os dois conversassem com mais privacidade. Confusa, já que não deveriam haver outras pessoas no apartamento além dos três, Jinah levantou-se e começou a caminhar até a cozinha, onde encontrou uma figura não tão alta como os dois irmãos, passeando de um lado para o outro no cômodo enquanto mexia em algumas panelas no fogão.

Ela arregalou os olhos, encarando as costas daquele ser de cabelos cinzas, perguntando-se quem poderia ser. A pessoa vestia uma camisa branca de botões e uma calça de moletom que ela já tinha visto em Jeno antes, deveria conhecer seu irmão. De qualquer maneira, ela deu de ombros para o nada e continuou ali, encarando o rapaz e esperando que o mesmo a notasse, o que só aconteceu quando Renjun se virou com a intenção de ir até a geladeira.

Foi um momento bem constrangedor, com os dois se encarando em silêncio enquanto a criança sustentava um olhar questionador, chegando a franzir o cenho e tombar a cabeça para o lado. Exatamente como Jeno, o francês inevitavelmente pensou.

— Oi... — ele falou, baixo, sabendo que deveria dar o primeiro passo — Você deve ser a Jinah, certo? — então se ajoelhou em frente à garotinha.

Ela o olhava com curiosidade. Balançou a cabeça positivamente.

— Quem é você? — perguntou ela, incerta, com um leve receio.

O francês sorriu, querendo passar à garotinha alguma segurança.

— Sou Renjun Huang, amigo do Jeno. — falou. Ele analisou bem o rosto da garotinha, que não demonstrava nenhum sinal de sono, mesmo que já fosse bem tarde na madrugada.

Após ouvir o nome do rapaz, Jinah voltou a arregalar os olhos, finalmente analisando melhor o rosto dele. Era o cara de quem Jeno gostava! Mas o que ele poderia estar fazendo ali? Ia perguntar ao mesmo, mas assim que abriu a boca, seu estômago fez um barulho engraçado, denunciando que ela estava com fome, deixando a menina totalmente sem jeito.

Renjun novamente a olhou, acabando por ter uma ideia.

— Eu estou fazendo comida para os seus irmãos, mas não estou muito afim de tomar sopa. Que tal se nós dois prepararmos alguns cookies? Você vai amar. — sugeriu, estendendo a mão na direção da mais nova.

Jinah pareceu estudar a proposta enquanto o encarava, acabando por sorrir e fazer o mais velho sorrir junto, segurando a mão dele.

Ele a pegou no colo e a colocou sobre o balcão.

— Você fala engraçado. — ela comentou, fazendo o francês rir.

Seu sotaque era sempre muito forte pois quando estava sozinho com a mãe ou com seu irmão, acabava falando apenas em francês, e isso era corriqueiro. Seu pai os fazia falar chinês mas até ele mesmo acabava falando em francês por um bom tempo, Renjun mal entendia chinês depois de uns anos.

— É porque eu venho de um lugar muito distante daqui, sabia? De onde nascem os contos de fadas. — ele comentou, ainda sorrindo enquanto desligava o fogão e ia atrás dos ingredientes para preparar os cookies.

— De onde? — a garotinha questionou, de repente animada com a revelação do mais velho, especialmente depois da última frase que ele disse.

Ele colocou as coisas ao lado dela e a mais nova logo foi para um dos bancos.

— Eu vim da França. Lá é a terra da Cinderela, sabia? Você adoraria. Todos falam assim lá, meio engraçado. — comentou ele, sorrindo para ela.

— Eu queria saber falar assim. Já pensou? Falando como a Cinderela...

— Eu posso te ensinar um dia.

— Sério? — os olhinhos dela brilharam.

— Claro! Quando você voltar aqui, eu posso te ensinar tudo o que eu sei.

— Tudo bem. Eu quero. — afirmou, balançando a cabeça positivamente de modo animado — Você é legal.

Ele sorriu.

— Você também é.


***


Ao notar que Jinah não estava mais no sofá, Jeno franziu o cenho e avisou Taeyong para que fossem atrás da garotinha, finalmente saindo da varanda. O cansaço que antes lhe acometia se dissipou durante a conversa com o irmão, onde ele soube exatamente como agir mais para frente contra aqueles dois, agora ele só sentia fome e assim que pisou na sala, o bom cheiro vindo da cozinha o fez fechar os olhos, rapidamente, logo voltando a abri-los quando viu Taeyong caminhando para o local.

Tamanha fora a sua surpresa – a segunda boa daquele dia cansativo – quando deu de cara com um Renjun sujo de farinha, que ria largo para uma Jinah, igualmente suja, enquanto o francês auxiliava a criança a mexer uma massa em um recipiente. Foi impossível segurar o sorriso, enquanto Taeyong se aproximava dos dois para saber o que faziam e o moreno se encostava ao batente da porta, encantado ao ver o Huang interagindo com seus irmãos.

O olhar dos dois se encontrou e Renjun sorriu, parecendo enfim se lembrar de algo.

— Eu fiz sopa para você e Taeyong, Jinah está com fome então estamos fazendo cookies.

Ao ouvir aquilo, o mais velho foi correndo até o fogão.

— Se você não casar com o Renjun, Jeno, eu vou dizer que você é o homem mais burro desse mundo. — disse Taeyong, simples.

Ele não percebeu como os dois rapazes ficaram vermelhos e sem reação diante de sua fala, Jeno precisando tossir falsamente e ir até geladeira, enquanto Renjun voltava para perto de Jinah e dizia que estava na hora de colocar a massa na forma para assar os cookies.

O moreno ainda lançava olhares furtivos para os dois, sentindo seu coração aquecer com aquela imagem. Acabou sorrindo e decidiu que precisava se soltar perto de Renjun, pelo menos um pouco, para também ir deixando o francês mais confortável. Foi caminhando até o mesmo e parou ao seu lado, deitando a cabeça em seu ombro e observando enquanto o rapaz ensinava Jinah a colocar os cookies na forma.

Os dois trocaram um olhar rápido quando ele levantou a cabeça, sorrindo um para o outro e trocando um beijo casto, não muito demorado. Ambos precisavam daquele momento para distrair a mente antes do mundo cair sobre suas cabeças.


***


Quando terminaram de comer, Taeyong disse que precisava ir embora pois já era cinco horas da manhã e ele tinha que trabalhar em algumas horas, além de resolver as pendências sobre as quais havia conversado com Jeno. O Lee despediu-se do irmão, dizendo que deixaria Jinah com ele assim que o mesmo estivesse livre, na tarde daquele dia. Ele ficou responsável pela bagunça na cozinha enquanto Renjun disse que daria um banho na garotinha. Na verdade ele só precisou esperar que ela mesma terminasse, pois a mesma já sabia fazer quase tudo sozinha, só precisou de ajuda para ligar e desligar o chuveiro do irmão que era mais alto que o de seu quarto em casa. Ela havia levado uma pequena mala com pijamas, roupas e brinquedos. Renjun imaginou que talvez não fossem para apenas um dia.

Ele a ajudou a se vestir e então foi com ela para o pequeno quarto de hóspedes, onde a mesma dormiria. O francês a ajudou a se deitar e ficou sentado ao seu lado, conversando com a mesma para que ela caísse no sono de maneira rápida.

— Você deveria gostar do meu irmão do mesmo jeito que ele gosta de você, sabia, Jun? — ela disse em um certo momento, já sonolenta.

Ele franziu o cenho, não querendo demonstrar seu desconcerto diante daquilo.

— Seu irmão gosta de mim?

Jinah ajustou-se na cama, bocejando antes de falar:

— É claro que Jeno gosta de você! Você não sabe? — não esperou por uma resposta — Meu irmão gosta muito de você e eu acho que você deveria começar a gostar dele.

Foi tudo o que disse antes de fechar finalmente os olhos e cair em um sono profundo, deixando Renjun ali, totalmente confuso e sem saber muito bem o que pensar de suas palavras. Ele sabia que crianças diziam coisas ao vento, sem nem saber o que estavam falando. Mas aquela não. Lee Jinah era uma criança inteligente e bem articulada com suas palavras, ela sabia muito bem o que estava dizendo. A única coisa da qual ela não tinha noção era do impacto de suas palavras.

— Eu já gosto muito do seu irmão. — murmurou, mais para si mesmo do que para a garotinha adormecida — Gosto mais do que imagina.

Antes que ele pudesse pensar mais naquilo, um pigarro chamou sua atenção e ele encontrou Jeno parado à porta, sorrindo largo. Talvez ele tivesse passado tempo demais pensando, questionando e assimilando as palavras de Jinah, pois não parecia que o Lee havia escutado alguma coisa.

— Vem deitar, francesinho. — chamou, após ver que Jinah voltara dormir, dessa vez em um sono mais pesado que o de antes. Renjun foi até ele, parecendo meio atormentado e confuso. Jeno franziu o cenho, tombando a cabeça para o lado — O que houve?

Renjun apenas balançou a cabeça negativamente e correu para o quarto do rapaz, indo ver uma roupa para tomar banho. Ele precisava parar de pegar as roupas de Jeno sempre que ia para lá, por mais que o Lee dissesse que não faziam falta pois toda semana ele comprava novas. Entretanto, nem todas as suas idas ao apartamento eram previamente planejadas então ele não tinha a oportunidade de se organizar, mas daria um jeito nisso o mais rápido possível. Por enquanto, lá ia ele pegar mais um conjunto de moletom do maior para dormir.

Ao que saiu do banho, novamente sentindo-se limpo e relaxado, encontrou Jeno, de banho tomado, deitado na cama, lendo algo que parecia bastante interessante em seu celular.

— Bom dia, Lee Jeno. — ele murmurou ao se esgueirar para debaixo do cobertor, ao lado do mesmo.

O Lee o abraçou de lado e beijou seus cabelos, logo depois bloqueando o celular e o deixando na cabeceira da cama.

— Você fica com um cheiro tão gostoso quando sai do banho. — Jeno comentou, arrancando uma risada fraca do francês. Eles trocaram um beijo profundo e intenso — Fiquei muito feliz por ver você e meus irmãos se dando bem hoje. Serviu para tirar aquela merda toda da minha cabeça. — falou quando o ósculo se partiu.

— Fez o mesmo comigo. — o francês concordou — Eles são maravilhosos. Iguais a você.

Mais um beijo.

— Você cheio de farinha é uma das coisas mais lindas desse mundo. — os dois riram — É sério. Acho que eu não importaria em presenciar isso sempre.

O olhar que trocaram era intenso e demonstrava muito do sentiam naquele momento. O coração de Jeno batia rápido e nervoso dentro do peito, em um ritmo inseguro, ansioso, enquanto que na mente de Renjun as palavras de Jinah giravam.

Jeno o beijou mais uma vez, no entanto, foi muito diferente de todas as outras. Ele queria passar ali tudo o que sentia, e talvez estivesse funcionando, porque Renjun percebeu que não precisava que Jeno dissesse nada, ele já sabia o que ambos sentiam naquele momento, um pelo outro, por isso passou os braços ao redor do pescoço alheio e o puxou para mais perto, querendo aprofundar aquele toque. A língua de Jeno preenchia sua boca de um jeito que o deixava nas nuvens. Era sem igual.

Quando se afastaram, ele notou algo diferente no olhar do moreno, franzindo o cenho.

— Foda-se essa aposta, ela acabou aqui para mim. — Jeno disse, deixando o francês ainda mais confuso — Renjun Montmorency-Huang, eu tenho estado perdidamente apaixonado por você há anos. Desde a primeira vez em que eu te vi, no colegial, não consigo parar de pensar em você. Mal consigo acreditar que agora você está aqui, comigo. Eu não sei mais como fazer isso. Estava planejando algo legal, mas agora, tudo o que consigo pensar é que eu não quero mais passar um dia sem dizer que você é, completamente, meu. Sei que tem chances altas de você não gostar de mim do mesmo jeito, mas não aguento mais segurar isso.

Renjun arregalou os olhos, sentando-se rapidamente na cama e encarando o moreno, totalmente sem palavras para dizer. Jeno, após fazer o mesmo, sentiu seu rosto esquentar de repente, não acreditando que realmente se deixara levar pelo impulso e colocado tudo para fora daquela maneira. Ambos os corações estavam acelerados, surpresos. O francês sentiu suas mãos começarem a suar ele e respirou fundo, absorvendo cada palavra do Lee, assimilando cada uma delas. Desde o colegial. Ele se lembrou de quando chegou a Coréia do Sul, buscando nas memórias o seu primeiro dia na escola. De repente, um garoto meio franzino de cabelos acastanhados e um sorriso frouxo veio à sua mente. Ele estava sempre com o grupo do irmão de Hendery, de quem Renjun nunca pôde se aproximar. Às vezes, ele sentia quando o garoto o olhava, mas nunca deu atenção. Aos poucos, as peças foram se encaixando direitinho e ele então notou que Jeno sempre estivera ali, mesmo que ele não visse.

Jeno estava sempre o observando, mas ele nunca percebeu. Suas mãos seguraram as do rapaz.

— Jeno-

— Não! — o rapaz prontamente o interrompeu antes mesmo que pudesse continuar — Eu sei que não sente o mesmo por mim e sei que você vai me dar um super fora, mas só quero que saiba que você não tem obrigação nenhuma de corresponder meus sentimentos...

Ele continuou tagarelando, Renjun, daquela vez, precisou revirar os olhos e soltou as mãos de Jeno, olhando para o rapaz com uma cara que fez o Lee ir se calando aos poucos.

Quando ele finalmente ficou em silêncio, o Huang suspirou.

— Lee Jeno, eu estou surpreso. Eu jamais te daria um "super fora" ou coisa do tipo. — ele fez aspas com as mãos e então segurou o rosto do moreno com ambas, fazendo o olhar dos dois se encontrar — Estou surpreso pelo fato de você gostar de mim há tanto tempo, e quase me arrependendo de não ter te dado bola antes. Quase seis anos e nós nunca nos falamos, isso chega a ser absurdo.

Jeno riu fraco, fazendo o outro rir também.

— Mas sabe por quê eu não te daria um super fora? — o olhar do francês se intensificou quando ele disse aquilo, encarando bem o rapaz à sua frente, analisando cada detalhe do rosto perfeito de Jeno, não conseguindo segurar o suspiro pesado que deu — Eu nunca te daria um fora porque, Jeno, eu também estou apaixonado por você. Nada para mim é melhor do que nós dois. Eu sabia que ia me apaixonar por você desde o primeiro dia, daquele bar em que fomos, do dia da corrida, tudo isso; e então veio o nosso primeiro beijo. Ali me apaixonei de fato. Eu já sou seu. Sou desde aquela festa, naquele sofá.

E após dizer aquilo, ele puxou o Lee para um beijo afoito, quase desesperado, que apenas serviu para deixar Jeno ainda mais chocado do que já estava. A mente do rapaz tentava focar no beijo e em como ele gostava de quando Renjun sentava em seu colo e rebolava devagar, mas estava tão surpreso com o que o francês dissera que tudo o que conseguiu fazer foi quebrar o beijo e fitar os olhos do mesmo.

— Você está apaixonado por mim? Assim, com todas letras? De verdade? — ele perguntou, totalmente inseguro, fazendo o Huang rir e revirar os olhos, ajustando-se no colo alheio.

— Sim, Lee Jeno. Eu estou apaixonado por você e essa é, basicamente, a minha maior certeza atualmente. Especialmente hoje.

Jeno então engoliu em seco, respirando fundo e buscando toda a coragem que vinha guardando para dizer as palavras que estavam presas em sua garganta há tanto tempo que já o estavam deixando sufocado.

— Então... Você aceita ser o meu namorado?

Renjun fitou bem os olhos de Jeno, querendo passar ali tudo o que sentia, mesmo que fosse algo grande demais e que não seria transmitido em uma única troca de olhares. Respirando fundo, ele segurou as mãos do Lee e beijou as duas, logo as soltando para abraçar o rapaz pelos ombros, sentindo enquanto os braços deste seguravam a sua cintura, uma das mãos descendo para a sua bunda e apertando ali bem levemente.

— É claro que eu aceito ser o seu namorado.

Mais um beijo foi trocado entre eles, dessa vez bem mais intenso e profundo. Jeno não conseguia segurar o próprio sorriso e era como se, finalmente, as coisas estivessem se encaixando. Nada poderia dar errado a partir dali.


Notas Finais


Bom, espero que tenham gostado!! Finalmente a declaração do Jeno pro Renjun e etc, e de todo o capítulo em si. Ele está bem mais levinho, obviamente, mas a gente merece um descanso depois daquela lavação de roupa suja na festa, né?

Não vou me estender mas preciso dar um recadinho: as próximas atualizações vão demorar bem mais do que eu planejei, então peço que a partir de hoje tenham paciência. Eu estou com um projeto de uma fanfic que vai tomar todo o meu tempo nessas próximas semanas e algumas outras pendências pessoais para resolver, então já sabem como é.

Queria agradecer a cada um de vocês, sempre! A fanfic passou de 300 favs e eu ainda estou em choque com isso, nunca imaginei que chegaria a tanto! Fico muito feliz em ver que estão gostando. Obrigada por esse carinho, vocês são incríveis!

Quem quiser trocar uma ideia comigo, sobre a fanfic, plots, qualquer coisa ou só querer bater um papinho mesmo pode chegar no meu twitter: https://twitter.com/nahyuc?s=09

Por hoje foi isso!!! Até o próximo, meus amores ❤


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