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História If I'm James Dean, You're Audrey Hepburn - Capítulo 8


Escrita por:


Notas do Autor


oi

Capítulo 8 - Fantasmas


Para ser sincero, Renjun quase nunca prestava atenção nas aulas, ele odiava estudar rodeado de pessoas e as vozes dos colegas todas juntas às vezes o deixavam totalmente irritado. Assim que o sinal de troca de professores bateu, ele despediu-se rapidamente de Donghyuck e seguiu para fora da sala, como alguns outros alunos fizeram.

—Renjun! – ouviu seu nome ser chamado e se virou para ver quem poderia ser, dando de cara com uma figura alta, de cabelos lisos e pretos, ostentando um brilho nos olhos castanhos.

Joshua Hong, seu colega de turma, ou coisa do tipo.

—Oi, Joshua. – falou, sorrindo fraco, surpreso, fazendo o estadunidense espelhar o ato, só que bem mais largo.

Joshua Hong era o tipo de pessoa que tinha uma quedinha por Renjun e nunca conseguia esconder, nem mesmo do próprio Huang, por mais que tentasse ao máximo; era como se ele viesse com uma plaquinha em sua testa dizendo "gosto de Renjun Montmorency mais do que deveria". O francês achava aquilo engraçado, para falar a verdade, pois achava fofo a maneira como Joshua ficava claramente desconcertado e sem saber o que fazer na sua presença, por isso a surpresa naquele momento. O Joshua Hong que ele conhecia nunca faria aquilo, ainda mais no corredor, onde outros alunos poderiam ver.

Ele parou à frente de Renjun e sorriu mais ainda, deixando mais do que óbvio o seu nervosismo. Alguns segundos se passaram com o rapaz apenas olhando para a cara do francês, sorrindo daquele jeito, sem dizer uma única palavra. O Huang franziu o cenho, não entendendo muito bem o que o Hong queria. Tinha uma certa adoração no olhar do estadunidense.

—Eu...

...E a fala de Joshua morreu no ar, engolida pelo silêncio enquanto o mesmo simplesmente se virou e foi embora tão rápido quanto chegou, deixando para trás um Renjun confuso, sem nem tentar entender toda aquela situação. Após alguns segundos ali, ele ainda estava boquiaberto, mas apenas resolveu dar de ombros e seguir na direção do banheiro, não querendo se atrasar.

O segundo banheiro do terceiro andar era o melhor do prédio, entretanto, era um dos menos frequentados, e isso era um paraíso para Renjun, pois assim que o rapaz adentrou o lugar, percebeu que estava sozinho.

Ele ouviu alguém entrar e sair enquanto estava na cabine, porém não deu importância, saiu dali alguns minutos depois e analisou sua imagem no espelho após lavar as mãos. Estava usando uma calça preta, camisa branca com a estampa de uma banda que ele costumava ouvir quando era bem mais novo, mas que já não estava na ativa há bem mais tempo, era de quando sua mãe era mais moça, e nos pés os seus inseparáveis tênis brancos. Era meio óbvio que aquela roupa fora escolhida às pressas, não tinha muito a ver com o que usaria na universidade, com seus amigos, então o rapaz apenas deu de ombros. Precisava parar de ligar para a aprovação deles.

O francês parou de encarar seus tênis e levantou o olhar de volta para o espelho, no entanto, naquele momento a porta da última cabine se abriu e dela saiu, como um exímio fantasma, a pessoa que vinha perturbando seus pensamentos: Lee Jeno, sua camisa de uma banda de rock qualquer, a típica jaqueta de couro, calça bem justa e rasgada que deixava suas coxas visíveis e marcadas até demais, coturnos sujos e um sorrisinho cínico nos lábios. A manga do braço esquerdo da jaqueta estava arregaçada até o cotovelo, deixando as tatuagens diversas à mostra. Renjun sentia que aquela era a hora em que ele deveria ir embora, entretanto, apenas voltou a fitar o próprio reflexo. Ali ao lado, após alguns segundos e passos pesados, a imagem de Lee Jeno foi enfim refletida, e foi naquele instante que finalmente seus olhares se encontraram, através do espelho.

Mais uma vez aquela tensão que Renjun não entendia pairou no ar, tão pesada quanto os passos que Jeno dera até parar ao seu lado, com uma considerável distância entre eles.

Jeno lavou suas mãos meio trêmulas e tentou fazer de tudo para se acalmar, lembrando-se da pose confiante e debochada que deveria assumir perante o Huang, mas era meio difícil controlar seus batimentos naquele momento, enquanto ele torcia para que Renjun não percebesse. Ainda era estranho o fato de que ele simplesmente não sabia como agir e se tornava outra pessoa em frente ao Huang, pelo simples medo de deixar muito óbvia a sua paixão.

Quando viu que o rapaz estava prestes a sair, sua voz saiu arrastada, mas alta o suficiente para ele ouvir:

—Renjun...

Naquele momento, de costas para o Lee, Renjun engoliu em seco. Ele respirou fundo, girando sobre os calcanhares e virando-se para o maior.

—Sim? – disse, cruzando os braços em frente ao corpo e encarando o rapaz.

Jeno sorriu cínico, fazendo o francês revirar os olhos.

—Eu acho que vou precisar do seu número. – a frase saiu de repente, enquanto Renjun pareceu surpreso até demais e Jeno colocou as mãos no bolso da calça, tentando mascarar seu nervosismo. —P-para a aposta, você sabe.

Puta que pariu.

Caralho.

Merda.

Jeno quis se jogar da janela daquele banheiro e cair de cara no chão mais firme possível. Havia gaguejado, bem quando Renjun estava acreditando em sua pose arrogante. Ele olhou rapidamente para o mais velho, de um jeito que fez um pensamento totalmente descartável passar pela mente de Renjun: o mesmo jeito que Joshua o olhava quando estava nervoso.

Alguns minutos em silêncio, ninguém soube dizer quantos, até que o Huang falou:

—Você tem uma caneta aí? – perguntou, vendo Jeno procurar nos bolsos, levantando uma sobrancelha quando viu que sim, o Lee tinha. Ele riu fraco e então o mundo parou.

Jeno estendeu o braco segurando a caneta. Renjun se aproximou, ainda hesitante, e quebrando todas e quaisquer expectativas de Jeno naquele momento, ele pegou a caneta em gel das mãos do Lee e fez algo que provavelmente fez o loiro morrer por dentro, tamanho pânico e nervosismo: ele segurou o braço direito, o menos tatuado, levantou a manga da jaqueta e então tocou a pele de Jeno, fazendo todos os pelos do rapaz se arrepiarem. O Lee estava tão focado em encarar de forma apaixonada o rosto do francês que nem notou o quanto o mesmo estava nervoso, quase tremendo, enquanto escrevia o número em um dos lugares limpos de tinta do braço alheio, às vezes engolindo em seco. Renjun nem percebeu o quanto estavam próximos até o momento em que terminou e levantou o olhar, só então dando de cara com Jeno o fitando daquele jeito que tirava seu fôlego. Ele suspirou, e foi como se sentisse Jeno se aproximando, até que a distância encurtou um pouco mais. Mais uma vez, sua mente gritava que Jeno o olhava com a mesma adoração de Joshua, na verdade, nos olhos do Lee, parecia tudo bem maior e mais intenso. Era melhor que Joshua.

E Jeno não ficava para trás. Notou um brilho totalmente diferente atravessar os olhos do francês e seu coração falhou uma batida rapidamente, voltando ao ritmo acelerado.

Sentindo todas aquelas sensações estranhas, Renjun simplesmente largou o braço de Jeno e pousou a caneta nas mãos do mesmo, sentindo o suor quente minando ali, enquanto os dedos do Lee se moveram e pareceram acariciar os seus.

Foi quando o Huang de um passou para trás e se virou, caminhando até a porta de maneira apressada.

—Pronto, está anotado. – e então saiu.

O coração de Jeno estava prestes a sair pela boca. O toque, o olhar. Tudo estava vivo até demais, ele precisou respirar fundo para retomar o ar que Renjun pareceu ter roubado de seus pulmões sem pedir permissão para tal. Estava nervoso e precisava se acalmar, não voltou para a sala de aula, voltou a se trancar em uma das cabines e acendeu seu cigarro. Quase beijou Renjun, pela segunda vez. Seus sentimentos estavam à flor da pele, era como se ele jamais fosse chegar tão perto do paraíso outra vez.

Por outro lado, Renjun precisou respirar várias e várias vezes enquanto voltava para a sala e parava no corredor para beber água, tentando acalmar todo aquele caos que se instalou em seu corpo e mente. O que Lee Jeno estava fazendo era totalmente injusto, pois o francês não era do tipo que conseguia recuar de situações perigosas como aquela, principalmente quando o perigo era meio evidente demais, mas ainda assim assustador e encantador. Quando entrou na sala, o professor já estava lá, falando algo desinteressante, mas nem ligou para o aluno atrasado. Donghyuck notou que algo estava errado.

—Aconteceu alguma coisa, Jun? – perguntou, preocupado. —Parece que viu um fantasma.

Renjun negou com a cabeça.

—Só um mal estar e dor de cabeça, já tomei remédio, vai passar.

O Lee não acreditou muito, mas tentou não encher o amigo de perguntas, voltando a prestar atenção no que o professor dizia.


Não passou.

Quando Renjun imaginou que estava recuperado, Lee Jeno entrou e banhou a sala com um leve cheiro de nicotina, e foi quase impossível não devolver o olhar que ele lançou em sua direção.

***

—Vai querer o quê para o jantar? – Elódie perguntou ao filho assim que Renjun entrou em casa, mas o sorriso largo que sustentava nos lábios morreu no instante em que viu o estado do mais novo. —Que cara pálida é essa, Injun? Parece que viu um fantasma, garoto!

O moreno apenas se sentou no sofá, enquanto a mulher passava a mão pelos cabelos, tentando adivinhar o que poderia ter deixado o filho tão agitado.

—Eu só preciso de um tempinho, vou subir. Papai e Sicheng estão em casa?

—Sicheng chega da universidade daqui a pouco, seu pai vai dar plantão até a noite.

E com aquela resposta ele subiu, trancando-se em seu quarto, encostando a testa na porta, respirando fundo várias vezes até finalmente criar coragem para seguir até a cama, onde se jogou. A mochila foi parar em alguma poltrona, ele não soube muito bem para qual direção arremessou a mesma. Quando seus olhos se grudaram no teto branco e todos os acontecimentos daquele dia passaram em sua cabeça, ele percebeu o quão louca uma simples segunda-feira poderia ser. Desde a pequena confusão entre Donghyuck e Na Jaemin no refeitório – que ainda o preocupava –, até o maldito momento no banheiro com Lee Jeno, seu braço e o carinho em sua mão. Por Deus. Renjun queria apenas levantar os braços e esperar que um grupo de extraterrestres o abduzissem.

Sua mente estava una bagunça e ele não fazia ideia de como começaria a organizar tudo.

Achou que talvez dormir fosse o melhor remédio, para qualquer problema ou paranóia que sua mente criava, então foi o que fez. Virou para o lado e tentou cair sono.

***

É bem verdade quando dizem que dormir não resolve nada.

Quando Renjun abriu os olhos, cerca de uma hora depois, a única coisa que viu foi a luz da tarde invadindo o quarto pela janela con as cortinas abertas, enquanto os barulhos do lado de fora indicavam que seu irmão já estava em casa. Ele rolou pela cama e decidiu ir logo tomar um banho, ou um certo loiro o deixaria louco.


***


Jeno não queria realmente entrar em casa naquela manhã, fizera de tudo para adiar aquilo, mas foi inevitável. Assim que entrou, foi recebido pelo som da TV que estava ligada em algum desenho infantil que ele não conhecia. Seus olhos então pararam sobre a garotinha de quase cinco anos bem sentadinha no sofá, balançando as perninhas e a atenção totalmente focada no aparelho. Foi meio impossível não sorrir, ainda mais quando a garotinha se animou com a babá trazendo alguns lanches. Entretanto, o sorriso mínimo do rapaz desapareceu no instante em que ouviu passos fortes nas escada e então uma voz nada amigável que o causava repulsa soou:

—Finalmente, o viadinho imprestável está em casa. Passou o fim de semana inteiro com aqueles delinquentes, não foi? E agora, só aparece em casa na hora do almoço. – Donghae falou, finalmente parando em frente ao filho.

Depois que ele se pronunciou, a pequena Jinah finalmente percebeu a presença do irmão mais velho ali, sorrindo largo e gritando animada enquanto corria até ele:

—Nono!

O rapaz parou de encarar o pai e se virou para o pequeno furacão que se chocou contra as suas pernas, abraçando as mesmas. Ele se ajoelhou e envolveu a irmã mais nova em um enlaço bem apertado.

—Oi, meu amor. Vai lá para o quarto assistir aos seus desenhos que daqui a pouco eu vou lá, ok? Hoje vou passar o dia todo com você até você dormir, prometo. – ele murmurou, não querendo que a irmã ficasse tempo demais perto do pai.

Jinah inclinou a cabeça para o lado.

—Promete mesmo? – perguntou, então Jeno sorriu, afirmando. —Então tudo bem, mas vá mesmo!

—Eu vou! – ele confirmou, sorrindo enquanto a mesma chamava a babá e as duas seguiam para o andar de cima. Quando ficou de pé, seu rosto voltou a tomar um ar sério e raivoso, enquanto encarava o homem à sua frente. —Será que você pode, por um instante, fingir que tem alguma coisa nessa cabeça e não falar esse tipo de coisa na frente da Jinah? Ela não merece saber o pai podre que tem.

Donghae, no entanto, riu com escárnio das palavras do filho, olhando Jeno dos pés à cabeça em seguida, deixando o nojo bem evidente.

—Ela merece mesmo é saber o tipo de irmão imundo que tem. Onde esteve todos esses dias?

Aquela foi a vez de Jeno rir fraco, ironicamente. Ele olhou para o pai, que mantinha a expressão impassível, e então para o chão, tentando encontrar palavras para responder, mesmo que sua vontade fosse mandar aquele homem para a puta que o pariu.

—Eu não lhe devo satisfações há muito tempo, Donghae. – foi tudo o que disse, antes de começar a se dirigir para as escadas, no entanto, ao sentir seu corpo ser puxado para trás, ele levantou o rosto e deu de cara com o olhar raivoso do pai. O rapaz imediatamente afastou o braço de Donghae com um movimento brusco, fazendo o homem dar um passo para trás. —Você realmente acha que tem chance contra mim? Não me toque, ou vai ser bem pior para você, imbecil.

Não mais suportando a presença do mais velho, Jeno simplesmente saiu dali e foi tomar um banho. Acabou vestindo uma roupa leve e seguiu para o quarto da irmã mais nova, pronto para brincar com ela o dia todo, como normalmente fazia sempre que estava em casa, pelo menos pela manhã.

Jinah fora a última realmente coisa boa que aconteceu em sua vida dentro de casa. Ela era louca pelos irmãos mais velhos e era a cara de Jooeun, sua mãe.

—Nono, eu quero brincar mas também quero assistir desenho! – disse ela, cruzando os braços e se sentando na cama.

—Hm... Que tal fazermos os dois ao mesmo tempo? – ele sugeriu, parando para pensar um pouco.

—Você vai ser o rei? – perguntou ela, animada e olhando para o irmão com uma adoração sem igual. Jeno era o seu herói.

—Esqueça isso de monarquia, você é bem mais que isso. Que tal inventarmos uma brincadeira nova, totalmente diferente? Mamãe adorava fazer isso, aposto que você vai gostar também.

Jinah sorriu. Ela não chegou a conhecer a mãe, Jooeun morreu alguns meses após seu nascimento, então qualquer menção à mulher deixava a garotinha feliz.

—Vamos!

Jeno sorriu largo.


***


Quando finalmente voltou para o quarto, após um jantar silencioso e desconfortável em família, Renjun pegou seu celular para responder os amigos e logo se preparou para dormir, entretanto, o barulho de uma notificação o fez encarar o ecrã do aparelho onde algumas mensagens o deixaram estático:

Número Desconhecido: Renjun Montmorency-Huang, poderia ser gentil e me passar o seu endereço?

Número Desconhecido: Ah, e por favor, vista roupas confortáveis.

Número Desconhecido: É Lee Jeno aqui, aliás.


Notas Finais


reviso os erros mais tarde bjsss.

comentem se gostarem, adoro saber a opinião de vocês.

e também, pai do jeno sendo um lixo seboso, jinah ANJO e os dois boiolas no banheiro

wow

QUANTA coisa


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