História If Spring Comes - Capítulo 18


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Categorias B.A.P, Bangtan Boys (BTS), Seventeen
Personagens Himchan, Jeon Jungkook (Jungkook), Jongup, Kim Mingyu, Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Lee Jihun "Woozi", Personagens Originais, Soonyoung "Hoshi", Youngjae
Tags Bangtan Boys, Bap, Bts, Cardiologista, Gang!au, Hentai, Hoshi, Jeon, Jeongguk, Jungkook, Médico, Mistério, Romance, Seventeen, Yssschr_
Visualizações 585
Palavras 4.723
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


opa opa opa, desculpem a minha demora, eu fiquei sem conseguir entrar no spirit por um tempo :(

espero que gostem desse capitulo com mais de 4k de palavras, aaa

Capítulo 18 - XVII. Mentiras à parte.


Fanfic / Fanfiction If Spring Comes - Capítulo 18 - XVII. Mentiras à parte.

Eu não deveria estar ali. 

E tive a certeza disso quando as orbes alheias me encontraram. O breu misterioso de seus olhos distantes permanecendo indiferente. Abaixei a cabeça e suspirei mais uma vez naquele dia, mantendo as mãos nos bolsos do moletom e dando as costas para o hospital. 

— Adeus, Jeon Jungkook. — deixei escapar baixinho, em um sussurro apenas meu.

Era assim que deveria ser. Era isso o melhor para ele, o melhor para nós. Esse era o fim. Não teria mais volta. Eu não podia continuar confundindo as coisas, misturando os sentimentos, brincando de um faz de conta que só machucaria no final. Ele não merecia isso.

Inspirei fundo o perfume das flores que pareciam só existir ali como se aquela fosse a última vez. Meu corpo parecia não querer responder por si só, meus pés não se moviam por mais que eu os forçasse para frente. Cada segundo que se passava era uma eternidade de incertezas que eu não estava tão disposta a enfrentar naquela hora. 

Um riso soprado e sem humor escapou de meus lábios quando constatei a ironia daquilo. Eu realmente não havia nascido com sorte. Nem mesmo chegado perto. Tombei a cabeça para o lado e suspirei, o olhar se mantendo sobre o asfalto a minha frente enquanto minhas mãos se escondiam inanimadas dentro dos bolsos do casaco.

Sabe quando seu corpo parece pesar mais do que o normal? O ar a minha volta até mesmo acompanhava a tensão de meus músculos; o clima pesado se fazendo presente no intercalar de brisas frescas.

Cortando meus pensamentos avulsos, o toque repentino de meu celular me fez suspirar uma outra vez. Provavelmente Yoongi querendo saber onde eu tinha me metido por horas, quem sabe Mingyu para perguntar o porquê eu estava tão aérea esses dias, não que fosse importar.

Levei o telefone até o ouvido e mirei os velhos tênis esfarrapados de tom rosa que eu mal tinha me dado conta de que estava usando. 

— Alô? — ditei como um murmúrio indolente, deixando os ombros caírem.

Mentirosa. — o timbre do outro lado da linha me fez inerte, entreabrindo os lábios sem que nada saísse de minha boca. Apertei os dedos no tecido fino por dentro do bolso de minha roupa e virei o rosto para trás sentindo a garganta secar ao ver quem eu mais queria evitar. Ao ver o moreno ali, em pé a minha frente, seu semblante indecifrável. Sério demais.

— Jung... Jungkook... — minha voz falhou assim que minhas íris encontraram as suas.

Eu sei sobre tudo. — sua mão segurava um celular contra o ouvido enquanto suas orbes se mantinham em mim. Os cabelos negros caídos sobre a testa quase alcançavam os olhos alheios, o maxilar enrijecido e os punhos cerrados denunciavam uma espressão quase exasperada; a roupa hospitalar agora me parecia tão inútil quanto a cadeira de rodas que ele havia deixado para trás. — Sei que você anda distraída no trabalho, chorando quando não tem ninguém por perto, fingindo que tudo tá bem e fugindo toda vez que te perguntam o que você tem.

— Eu... não sei do que você tá falando. — blefei, contraindo os lábios e dando as costas para o maior. Não queria manter o contato visual por mais tempo, cada segundo a mais doía.

O Mingyu me contou tudo. Até quando vai continuar mentindo pra mim?

— Eu... — as palavras sumiram diante do questionamento alheio. Me senti contra a parede.

Isso é por minha causa? — a voz do outro lado da chamada contrastou com a voz soando atrás de mim. Abaixei a cabeça e mordisquei os lábios quando uma lágrima ameaçou cair, a dor em meu peito querendo me sufocar.

— O mundo não gira ao seu redor, Jungkook. — respirei fundo, mantendo a postura reta e o rosto inexpressivo mais uma vez ao olhá-lo. — Pensei que eu tivesse sido clara. 

E foi. Muito. Mas eu não consigo acreditar que tenha sido sincera.

O problema é seu. — mantive o semblante obstinado. — Não tenho nada a ver com o que você acredita ou deixa de acreditar.

Autodefesa é a sua especialidade? — Jungkook deu um passo, pendendo a cabeça para o lado e permanecendo com o olhar intenso sobre mim o tanto quanto podia.

Onde quer chegar com isso, afinal? — o encarei, vendo seu peito subir e descer num quiescente suspiro. Os olhos do moreno fitaram o chão por um curto tempo, logo se voltando para os meus em um fixar atento.

Eu sei que você conhece o meu doador, Yongmi. — seus lábios delinearam um sorriso de canto quase imperceptível, como se quisesse de algum jeito dizer que nada daquilo importava.

— U-Uh? — minha boca se entreabriu e me vi sem reação alguma, completamente imóvel. —Eu... realmente... não sei do você que tá falando.

Sei que ele é o Seokjin.

O quê? Co-Como você...

Você é uma péssima mentirosa. — o sorriso sutil não se desfez, apesar de fraco o bastante para se dissolver a qualquer momento. Meu olhar oscilou, desviando do seu e pairando sobre cantos quaisquer. — Desde o momento em que você saiu correndo depois de nos beijarmos até o dia em que vi a foto dele na sua estante eu soube que havia algo estranho, só fingi que não.

Fui pega completamente desprevenida. Tentei assimilar o que tinha acabado de ouvir, as informações sendo digeridas com pressa, mastigadas de uma vez só e quase me fazendo engasgar. Levei a mão à testa e a passei pelos cabelos, os jogando para trás e retraindo os lábios.

— Já que você sabe, então... — senti um aperto no peito, sem conseguir encará-lo de volta. — ...deve saber que tudo que fiz por você foi apenas por caridade.

Acabei de falar que você é uma péssima mentirosa. — o tom triste que saiu dos lábios alheios me machucou como se todas as minhas palavras se voltassem para mim e me acertassem com força.

— Se já terminou, eu vou embora. — dei as costas novamente, implorando para que meus pés me obedecessem daquela vez e fugissem dali comigo.

Você vai embora assim? — seu timbre fez com que meu corpo travasse. Ergui o pulso e levei a barra da manga até minha bochecha, enxugando a lágrima involuntária que descia por ali para que ele não a visse. — Vai conseguir ir e não voltar mais?

Por que não iria? — ditei com firmeza.

Por que quer tanto me evitar assim?

— Jungkook, eu... não tenho mais nada pra falar com você.

Então eu tenho. — o bip da chamada sendo desligada soou, deixando agora somente a voz alheia sobressair. — Sabe o quanto me machucou naquele dia? O quanto eu me senti mal por querer te ter perto de mim mesmo depois de tudo que você disse?

— Jungkook, por favor. — fechei os olhos, numa tentativa falha de não chorar. 

Sabe o quanto doeu ouvir tudo isso sair da sua boca e mesmo assim querer te abraçar e não soltar por nada? — cada palavra sua me alvejava. Cada segundo a mais era uma carga de peso que eu não estava mais conseguindo suportar.

Não percebi quando as lágrimas cederam até ter os dígitos quentes do outro as secando carinhosamente.

Será que você consegue me dizer o porquê eu sou tão louco por você? — por fim, o tom aveludado do moreno me fez desmoronar inteiramente.

Eu não estava confundindo as coisas, não queria apenas um conforto. Eu não sentia o Seokjin, sentia Jungkook. Em todos os momentos, a única coisa que fiz foi sentí-lo.  Não lembro quando começou, nem como começou, mas, despercebidamente, me encontrei gostando dele. Me peguei o reparando, o amando em cada detalhe, até os desconhecidos.

— Droga. Talvez eu me arrependa disso. — falei baixinho, fechando os olhos e ficando na ponta dos pés ao puxar o moreno pela gola da roupa e juntar nossos lábios em um selar urgente, um selar que o outro fez questão de tornar um beijo intenso sem pressa alguma. Sua destra segurou meu rosto e o trouxe mais para si, nossas bocas se encaixando do jeito mais sublime que conseguia, nossos narizes roçando um no outro suavemente em um afago desintencional.

Não conseguia descrever o gosto de seus lábios ou o quanto eu parecia pertencer aos seus toques, ao seu corpo, a cada sentimento forte que eu mesma não sabia como explicar de onde surgia.

Era isso. Eu amava Jeon Jungkook. Amava cada parte sua, não apenas o coração. Eu o amava por inteiro. 

— Senti sua falta. — o tom sussurrado de sua voz soou terno, as pontas de nossos narizes ainda se tocando de leve. Entreabri os olhos e observei os seus fechados, a virilidade de seu rosto contracenando com a fofura que o mesmo transmitia me fez rascunhar um sorriso bobo.

Levantei os dedos em sua direção e afastei para o lado os fios negros que cobriam sua testa e caíam sobre os olhos. Jungkook os entreabriu e me fitou atento, as mãos ainda em minhas bochechas.

— Aigoo. Quanto tempo faz que não corta o cabelo? — disse baixo, concentrada em suas orbes.

— Muito. — ele riu abafado.

— Como sabia que... — pressionei um lábio no outro, desviando meu olhar do seu. Não queria mais tocar nos assuntos Seokjin e doação. — Quando falou com Mingyu?

— Ele veio aqui. Não faz muito tempo. — distraído em me observar o tanto quanto podia, sua mão esquerda acariciou meus cabelos. — Ele parecia realmente preocupado com você.

Deixei um sorriso pequeno escapar. Mingyu não era muito de demonstrar o que sentia desse jeito para qualquer um. Às vezes nem para mim.

— Ele não devia sair por aí fofocando sobre mim. — fingi uma careta, empurrando a testa alheia com o dedo e cruzando os braços. — E não sou uma péssima mentirosa.

— Fiquei impressionado com o quanto você é horrível nisso. — o tom brincalhão o arrancou um riso dengoso, me puxando para um abraço apertado e suficientemente afável.

— Desculpa. — aconcheguei mais minha cabeça em seu peito, envolvendo meus braços em sua cintura larga. — Por tudo. Por ter mentido, por ter fugido, por ter fingido que era forte, por ter te machucado.

— Ei. — Jungkook se afastou um pouco e segurou meu rosto entre suas mãos outra vez, me fazendo olhar em seus olhos. — Tá tudo bem, hm? Eu também menti, também fugi.

— Não tanto quanto eu. — concentrei minhas íris nas suas. Não tinha sido tanto tempo assim, mas eu estava sentindo tanto sua falta que tê-lo tão perto assim outra vez não me parecia ainda real. Será que eu estava tendo outro sonho no qual acordaria de manhã e sorriria fraco querendo que fosse de verdade?

Toquei seu rosto com a ponta dos dedos e contornei cada mísero detalhe que conseguia. As pálpebras alheias se fecharam assim que meu dedo lentamente deslizou pelo nariz gordinho, chegando aos lábios rosados.

Provavelmente um sonho realístico o bastante para que fizesse meu coração vibrar mais em cada segundo ali.

— O que tá fazendo? — sua voz soou mínima, branda. — Não que eu esteja reclamando.

— Só conferindo uma coisa. — ditei baixo, com um sorriso pequeno rascunhado na boca. — Quero ter certeza de que isso tudo é mesmo de verdade.

— E qual a conclusão? — com os olhos ainda fechados, o moreno conteve um sorriso, os cantos de sua boca querendo repuxar enquanto eu continuava a traçar as linhas de seu rosto.

— Acho que preciso de mais tempo.

Seus olhos se entreabriram, cruzando o olhar com o meu. Bastou um segundo para que suas orbes fitassem meus lábios e o maior me roubasse um selinho estalado.

— E agora?

— Ainda acho que preciso de mais provas. — ri, tendo mais um selar roubado, seguido de outro e mais outro.

— Você ainda não deve saber, mas, recebi alta ontem. — um sorrisinho bobo tomou os lábios alheios. — Quer dizer, não preciso mais ficar no hospital o tempo todo. Parece que o perigo maior já passou.

— Sério? Então agora você pode sair daqui? — indaguei, e ele assentiu.

— Acontece que não tenho pra onde ir. — os lábios do moreno se contraíram em um beicinho manhoso, seus braços prontamente me envolvendo na curvatura da cintura.

— Conheço alguém que pode te ajudar. — sorri, abraçando sua cintura larga e apoiando o queixo em seu peito ao mesmo tempo em que o olhava de baixo. — A casa do Yoongi tem um quarto sobrando.

Vi a careta esperada se formar em seu rosto junto de um bufar emburrado.

— Prefiro mofar aqui com o Soonyoung.

Ri de sua expressão e pigarreei para chamar sua atenção.

— Tem a minha casa. — empinei o nariz. — Mas ela só tem um quarto.

— Então ela é perfeita. — um sorriso astuto tomou o canto da boca do moreno.

— Ah. — acabei lembrando do celular que ele havia me ligado antes e minha curiosidade ascendeu. — Onde conseguiu aquele celular?

— Esse? — ele tirou do bolso da roupa o aparelho moderno. — É meu, aparentemente.

— A polícia trouxe suas coisas?

— Todas inúteis. Não tem nada que me ajude a saber quem eu sou ou algo que chegue perto disso.

— Posso dar uma olhada? — perguntei, e ele assentiu. — Aliás, como conseguiu meu número?

Peguei o celular em mãos e o observei bem. Parecia de última geração, a tela trincada no canto não permitia ver tão bem alguns detalhes de cor naquele local.

— Mingyu.

— Devia ter imaginado. — ri abafado, desbloqueando o telefone e vendo apenas os aplicativos padrões e um papel de parede azul sem graça. — Parece que foi resetado ao padrão de fábrica.

— Faz sentido. Não tem nada nele, nem contatos, registros de chamadas, imagens, absolutamente nada além de algumas coisas anotadas no bloco de notas que não têm lógica nenhuma e uma rota adicionada no GPS de Busan para Gimje.

— Então você veio de Busan?

— Talvez. A rota aparece incompleta, só dá pra ver a partir de Busan, como se tivesse sido reiniciado lá.

— Vejamos. — coloquei no bloco de notas do celular encontrando apenas algumas sequências de números aleatórios e "Blue Lagoon Rote 666" escrito em notas separadas. — Não faz a mínima ideia do que possa ser isso?

— Não. Até achei que os números fossem coordenadas, mas não dá em nada quando procuro nos mapas.

— Além do celular, o que os policiais trouxeram mais? — o olhei de soslaio.

— Um relógio quebrado e um terno sujo.

— E sobre... — contrai os lábios quando as palavras "ficha criminal" surgiram na minha mente. — O que conversaram? O Yoongi disse que...

— Que eu tenho registro na polícia? — ele riu soprado. — Agressão. Disseram que antes de desmaiar, eu meio que surtei e acabei dando um soco em um senhor que tentou ajudar.

Fiquei em silêncio. Não conseguia de jeito nenhum visualizar a imagem de Jungkook batendo em alguém.

Unnie! — meus pensamentos foram interrompidos pela aguda voz familiar. Atrás do moreno, a garotinha de cabelos escuros vinha em uma quase corrida acenando animadamente. — Pensei que nunca mais fosse ver você de novo.

Com os pés juntos e as mãos atrás do corpo, o sorriso arteiro da menina logo se recompôs em um mínimo quando a mesma cessou a corrida apressada a minha frente. Seus lábios estavam pálidos e seu rosto mal tinha cor. O surporte de soro que lhe acompanhava parecia ter um novo líquido pingando e eu não soube distinguir o que era até ver que se tratava de um imunossupressor.

— Eu não deixaria isso acontecer de jeito nenhum. — sorri para a menor, que retribuiu com um outro sorriso fraco.

— Você perdeu muita coisa por aqui, unnie. — ela pigarreou de nariz em pé.

— Ah, é?

— Uhum. Sabia que eu consegui um rim novo? — empinando ainda mais o nariz, Yuri se gabou pondo uma das mãos na cintura.

— Jura? — meu olhar oscilou com o de Jungkook, que suspirou baixinho. — Uau! Isso é incrível.

Sorri pondo a palma da mão no topo de seus cabelos e me agachando.

— Agora vai ter que me chamar de sunbae. — Jeon franziu o nariz, e a pequena negou com a cabeça.

— Nada disso. Ainda tô aqui a mais tempo que você, então eu sou sua sunbae.

— Yongmi? — um homem conhecido se esgueirou entre nós, segurando em meus ombros e me conferindo com os olhos como se quisesse saber se estava tudo em seu devido lugar. — Você me assustou quando saiu daquele jeito! Tá tudo bem? Não aconteceu nada?

— Calma, eu tô ótima, Mingyu-ah. — ri baixo.

Ele suspirou aliviado e pareceu finalmente notar Jungkook, que nos observava com os braços cruzados e a língua cutucando o céu da bochecha.

— Vocês... conversaram? — Mingyu se desfez do toque, coçando a nuca um tanto desconcertado.

— Sim. Obrigada por ter vindo até aqui por mim. — esbocei um sorriso pequeno para ele que retribuiu, desviando o olhar e deixando que ele caísse sobre a menina de olhos estreitos e meio metro a menos.

— Quem é essa?

— Pode me chamar de chefe, eu comando esse lugar. — Yuri permaneceu de nariz em pé. — E você quem é?

— Ah, essa é a irmã do Yoongi? Que gracinha. — ele sorriu fofamente, curvando as costas e apoiando as mãos nos joelhos até ficar quase do mesmo tamanho da outra.

— Desculpa, oppa. Eu já tenho um amor na minha vida. — Yuri se afastou e cruzou os braços, fechando os olhos. — Não posso trair o Hoshi.

— Hoshi? — arqueei uma das sobrancelhas. — Esquece. Mingyu, você pode me fazer um favor?

[...]


Eu já conhecia de có o cheiro alheio. Mesmo em meio as lufadas de ar e ameaça de chuva cortando a curta serenidade da estação florida, o perfume que emanava era reconhecível involuntariamente como se já fizesse parte do meu dia por mais que tivesse passado um bom tempo longe. 

Prestei atenção no jeito que meus dedos se encaixavam nos seus perfeitamente. 

O moreno soprou o cabelo negro dos olhos quando mais uma vez o vento o bagunçou. Deixei um riso escapar e tornei o olhar para baixo, mirando meus tênis velhos e no quanto meus passos lentos insistiam em diminuir ainda mais a velocidade só para ficar ao lado do outro por mais tempo. 

Um ato inconsciente que fiz questão de não protestar. 

— Usar as roupas dos outros já tá virando costume. — o tom suave me fez erguer o olhar de encontro ao seu. 

— Mingyu tem um guarda-roupa amplo, não se preocupa. 

— Vocês parecem muito próximos. — o olhar de Jungkook decaiu sobre nossas mãos juntas. 

— Trabalhamos juntos há anos, é o mínimo. Mesma coisa com Yoongi. Cortesia de cidade pequena. 

— Hm. 

O silêncio pairou. Jungkook continuou encarando atento nossas mãos unidas, andando distraído em passos ritmados com os meus, a cabeça tombando para o lado. 

— Ciúmes? 

— Não. — negou com a cabeça imediatamente, levando os olhos em minha direção. Estreitei os meus e o encarei. — Sim. 

— Sabia. — ri, pondo a canhota em meu bolso e empinando o nariz. Assim que ergui a cabeça, meu olhar se deparou com algo que fez meus passos hesitarem no mesmo instante. 

O sorriso que havia se delineado em meus lábios sumiu. 

O azul dos cabelos alheios refletiu a luz do Sol entrecortada pelas várias nuvens que preenchiam o céu. A jaqueta de couro negra destacava a pele clara assim como as duas  tatuagens de rosa dos ventos na tez do pescoço. Sua destra estava apoiada na porta de meu apartamento enquanto ele esgueirava os olhos por entre as brechas como se procurasse algo ali. 

Num impulso involuntário, minha mão apertou a de Jungkook ao mesmo tempo em que meus pés falhavam em seguir adiante. 

— O que foi? Yongmi? — o timbre do moreno tiniu cada vez mais baixo em minha audição. — Ei. 

Não tinha erro. Era o mesmo homem que havia esbarrado em mim na faixa de pedestres. Lembrava claramente da sensação estranha e do mistério que continha nos olhos do desconhecido. O cabelo em tons azuis também não era discreto. 

Jungkook cessou os passos assim que travei de vez. Meu corpo estremeceu quando meu olhar cruzou com o alheio a minha frente quando o mesmo ergueu um capuz e levou as mãos aos bolsos, dando as costas.

— Aquele cara não é o que esbarrou em você naquele dia? — o timbre de Jungkook me fez voltar do transe momentâneo, o olhando de soslaio e vendo seus olhos se apertarem mais como se quisesse ganhar foco.

Engoli em seco. O pressentimento ruim me preenchendo por dentro não parecia convidativo.

Procurei qualquer palavra que pudesse dizer, mas nada conseguia sair de minha boca. Meu olhar fixo na porta do prédio especulava mil e uma possibilidades infundadas. Talvez apenas uma paranoia.

Contrai os lábios e antes que me atrevesse a dar um passo sequer, uma gota gelada de água tocou minha testa. Bastou erguer o olhar para que outros pingos de uma chuva fina me atingissem de surpresa. 

Jungkook apertou ainda mais minha mão na sua, me fazendo o alcançar com as orbes. O moreno tinha um pequeno sorriso nos lábios que deixavam um pouquinho dos dentes à mostra. Os olhos fechados e o rosto em direção ao céu prenderam minha atenção de um jeito inesperado. Me peguei reparando até mesmo na forma como as gotas de água escorregavam pela sua pele, as maçãs do rosto se tornando rosadas pelo contato gélido; o sorriso que deixei escapar enquanto o admirava em silêncio.

— Wa. É incrível. — ditou em um murmúrio, levantando a outra mão e retesando a palma. — Essa é a primeira vez que sinto a chuva.

— Você não lembrava da chuva? — continuei o encarando atenta.

— Lembrava, mas não das sensações. Nem do cheiro. Parece que ficou gravado em uma memória bem distante.

— Não sei se é bom você ficar na chuva por tanto tempo. — disse em tom baixo, sem me importar muito com as gotas tênues que sentia tocarem meu cabelo e minha pele.

— Você já tomou banho de chuva? — seus olhos se entreabriram, o moreno me fitando com o mesmo sorrisinho esboçado na boca.

— Já. Muitas e muitas vezes.

— Eu não lembro se já fiz isso. — seu sorriso agora era meio fraco.

— Com certeza deve ter feito algum dia.

— Tem mais uma coisa que não lembro de ter feito na chuva.

A mão alheia soltou a minha e segurou meu rosto, me puxando para si sem aviso algum e tocando os lábios molhados nos meus. Um selar repentino que não durou muito. Ele apoiou a testa na minha, roubando outro selinho imprevisto.

Deixei um sorriso bobo aparecer entre os vários selares estalados. 

— Vai se aproveitar de mim toda vez que não lembrar de alguma coisa? — falei em meio ao sorriso, o ouvindo rir e juntar nossos lábios uma outra vez.

— Perder a memória parece ter uma vantagem pelo menos. — seus braços envolveram minha cintura, me puxando para mais perto.

— Acho que é melhor a gente entrar. Têm pessoas olhando. — senti as bochechas corarem quando notei que pessoas que passavam por ali acabavam nos encarando.

— Que olhem. — o de cabelos escuros fez questão de me beijar de novo e de brinde morder o cantinho de minha boca. — Não devo a nenhum. Não que eu lembre.

— Deve ter esquecido também que afeto em público na Coreia é mal visto. Vou ficar falada por toda a cidade, como vai se responsabilizar, uh? — ditei em um tom maroto, colocando meus braços em torno de seu pescoço e o roubando um selinho.

A chuva pouco atrapalhava. Isso, até ela virar uma quase tempestade.

Encharcados, trocando risos no frio e de mãos dadas, corremos até meu apartamento e não demorou muito para que o lugar pequeno agora tivesse nossas risadas ecoando e uma enorme poça no meio da sala de estar.

Era surreal demais estar ali com ele. Nossas mãos pareciam não querer desgrudar por nada. Nossos olhos sendo atraídos uns pelos outros como se um campo magnético exercesse uma força imprescindível entre nós.

Jungkook escorou as costas no balcão e pendeu a cabeça, tomando fôlego sem tirar o pequeno sorriso bobo do rosto. Minha respiração ofegante ganhou um timbre mais alto no cômodo silencioso. Olhei minhas roupas completamente molhadas e os tênis velhos que com certeza não sobreviveriam depois daquele dia.

Só então eu parei para pensar nas roupas de Jungkook. Mirei as orbes no garoto e senti a garganta secar ao perceber inconscientemente o tecido grudado nos músculos alheios. Seu peito subindo e descendo conforme a respiração se equilibrava me manteve atenta aos seus movimentos mais mínimos.

— Vai acabar fazendo um buraco em mim.

— Uh? — sua voz rompeu meus pensamentos, me deixando um um pouco atônita.

— Já tô sentindo abrir bem aqui. — ele colocou a mão no abdômen e fingiu uma careta de dor.

— Nada a ver. — cruzei os braços ao soltar sua destra e pigarrear, sentindo as bochechas queimarem. — Até parece.

— Se quer um pedaço meu pra você é só pedir. Não faço muita questão. — o moreno tombou a cabeça para o lado e senti suas íris me encararem intensamente.

— Eu só tava pensando no que você vai vestir depois de ter absorvido litros de chuva na única roupa que você tem. — ditei de nariz em pé, mantendo meu olhar desviado do seu.

— Faz sentido.

Seus dedos tocaram de leve no dorso de minha mão e logo se entrelaçaram nos meus. Tentei manter meu olhar longe de Jungkook o tanto quanto pude, porém, em um segundo, me vi diante dele. Mordisquei os lábios e baixei as orbes, me amaldiçoando mentalmente ao tê-las com exatidão no peitoral do outro. O silêncio do cômodo me deixara tensa. Ainda mais.

— Yongmi.

A voz de Jeon soou num quase sussurrar.

— Hm? — em um som baixinho, contrai os lábios.

— Olha pra mim.

— O que foi? — minha voz saiu em um murmúrio inconsistente. Hesitante, levantei o olhar em sua direção, o percebendo tão próximo que seus lábios pareciam perigosamente rentes. Arriscadamente tentadores.

— Posso confessar uma coisa? — indagou baixo, e eu apenas assenti sem jeito. — Acho que isso já era.

Vi sua mão erguer e sacudir no ar um mp3 embebido de água. O que eu havia lhe dado. Pressionei um lábio no outro ao tentar segurar o riso, tendo o maior sorrindo a minha frente.

O silêncio dominou mais uma vez. Desviei meus olhos dos seus automaticamente e somente senti quando seus lábios roçaram suaves nos meus. Um tocar de leve, totalmente inopino, ulteriormente sincronizado. O encaixar de nossas bocas se tornou intenso, uma troca de calor entre nossas línguas; um beijo quente e lento. Molhado pela chuva, pelos nossos gostos misturados.

As pontas de seus dedos resvelaram na tez de minha nuca e fizeram estremecer cada milímetro de meu corpo.

Jungkook pôs a mão livre na curvatura de minha cintura e a apertou, me puxando contra si e colando nossos corpos ao mesmo tempo em que os dedos quentes exploravam meu pescoço e seus dentes prendiam meu lábio inferior.

O frio que eu sentia segundos antes agora cedia seu lugar para um calor que se ascendia dentro de mim.

Em um momento como aquele provavelmente eu não saberia explicar o que acontecia comigo na proximidade alheia, nos toques e beijos, mas, agora eu sabia. Quando as pontas de seus dedos deslizaram por debaixo do meu moletom molhado e tangenciaram minha pele ao mesmo tempo em que minhas costas tocaram a parede fria, eu tive certeza. Jeon Jungkook não me deixava vulnerável à toa. 

Ele não simplesmente mexia comigo, ele me abalava


Notas Finais


OPA GENTE SERÁ QUE FINALMENTE...? 🌚

quem tiver problemas cardíacos se prepara que próximo capitulo vai vir pegando fogo, rs

quero muito e preciso saber o que estão achando, é muito importante pra mim, e aí? gostaram?


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