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História If this was a movie - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Ou as pessoas me amam ou me odeiam.


Fanfic / Fanfiction If this was a movie - Capítulo 4 - Ou as pessoas me amam ou me odeiam.

Havia se passado dois dias, talvez três. Selena não se dera ao trabalho de voltar àquela conversa e ainda não tínhamos começado a ensaiar, já que ela era teimosa por si só. Era óbvio que aquilo só poderia vir a acontecer no momento em que ela dissesse que deveria. E eu estava bem com isso. É como se eu conseguisse sentir que os problemas precisavam desaparecer.

— Chris? — uma voz apurada falou, enquanto esperava que eu deixasse o camarim.

Eu tinha que me encontrar com Jimmy às oito da noite, mas estava atrasado há cerca de dez minutos. Agora, Carmela se encontrava de braços cruzados, ao lado da porta, com uma cara preocupada e fria ao mesmo tempo.

Apareci já coçando a nuca, tentando exibir um sorriso amistoso quando ela só gesticulou em direção oposta, até a sala de Jimmy, o diretor do filme, alguém que era na grande maioria o responsável por dirigir ensaios e filmagens, além de selecionar os atores e a equipe técnica. No melhor dos casos, ele era o manda chuva dali. E queria, por alguma razão, falar comigo.

Sua sala estava passando por uma euforia chamada Selena Gomez. Ela andava de um lado para o outro, com o script em mãos e um salto vermelho que ocasionava um ruído irritante à sala, algo que imediatamente acabou quando ela jogou-se na primeira poltrona avistada por aqueles grandes e diabólicos olhos brilhantes que ela segurava no rosto, agora meio avermelhado de raiva.

— Que bom que está aqui, Chris! — Jimmy comentou, logo depois de arrastar os dedos pelos cabelos arruivados da barba.

— Aconteceu alguma coisa? — fui o primeiro a demonstrar certa preocupação, já que os demais só estavam desorientados.

— Aconteceu que a minha personagem é patética. — Selena resmungou, olhando para os lados.

A princípio, não compreendi. Foi quando Carmela se impôs, caminhando diretamente até o sofá em que a latina estava emburrada, com seus cabelos cor de canela quase apagando sua expressão de menina.

— Selena não está satisfeita com as atitudes de Rosalinda. Segunda ela, são medíocres e clichês. — a moça explicou, com um tom sarcástico e um semblante acusador. — Ela não entende o que a premissa do filme quer propor ao público.

— Um estereótipo patético de mulheres latinas. — debochou Selena. O barulho que ela fez com a boca foi assustador. Ela estava irritada. Muito irritada. Poderia soltar fumaças pelas narinas. — Uma mulher jovem de corpo curvilíneo e incrivelmente sexy, que faz o papel de uma moça bobinha. Parece que Rosalinda é só uma personagem hiperssexualizada que serve apenas como objeto de conquista do personagem masculino protagonista, o tal americano Jake Foster.

Carmela soltou um suspiro, como se Selena tivesse batendo naquela tecla há horas. E ninguém ali parecia ter muita paciência.

— Selena, eu não sei o que você quer com tudo isso. — Jimmy admitiu, com cara de poucos amigos.

— Quero que minha personagem se imponha mais, que ela seja ativa e não passiva como tem sido em todas as cenas. Vocês a definiram como uma mulher de gênio forte, mas tudo que ela tem feito é abaixar a cabeça para todos os homens que tentam dizer a ela o que fazer. Isso me parece muito contraditório, não acham? Além do mais, Steve disse com clareza que Rosalinda é uma personagem inspirada em mim. Mas eu não sou assim nem de longe.

— Steve disse mesmo isso? — o homem bufou enquanto revirava os olhos. — Eu disse para ele não fazer isso. Disse que você começaria a ter ideias.

Meus olhos cresceram assim como os de Selena.

— O que você quer dizer com isso? — ela levantou-se num movimento extremamente rápido.

— Selena, não dá para mudar todo um roteiro só porque você está frustrada com algumas coisas nele. — Carmela explicou, mas agora irritada. — Este é o filme, é como ele deve ser gravado. E Jimmy já tem sido muito legal com você ao deixa-la improvisar algumas cenas.

— Então eu devo agradecê-lo por me deixar fazer o mínimo? — os olhos dela se enchera de lágrimas. Eu fiquei congelado ao lado da porta, e um silêncio se formou naquela sala. Ninguém sabia mais como dar rumo àquela conversa, até que Selena deu o primeiro passo e acrescentou: — É melhor que encontrem uma nova Rosalinda, porque eu estou caindo o fora.

Os olhos de Jimmy e Carmela ficaram enorme. E eles nem perceberam que seguravam a própria respiração.

Coletei um pouco de noção sobre aquilo. E quando ela estava prestes a passar pela porta, decidi deixar de ser tão conivente.

— Acho que Selena tem razão.

Ela ficou paralisada, mas percebi que suas pernas se encontravam bambas. Foi tão irônico que a garota mais quente e confiante daquela cidade estivesse assustada. E meu estômago deu uma volta quando nossos olhares se encontraram... Aquela coisa diabólica, morena, oblíqua e tão grande quanto a lua.

— Se Rosalinda é uma mulher de personalidade forte, não faz sentido abaixar a cabeça para tudo que falam a ela. Acaba sendo sim um furo de roteiro.

Jimmy soltou um longo suspiro antes de mover desajeitadamente os ombros e balançar a cabeça, como se estivesse cedendo aos pedidos da menina. Carmela, por outro lado, continuara quieta no sofá, mas com um semblante desafiador, não gostando nada do meu posicionamento.

— Certo. — o homem respondeu à Selena. — Você venceu! Tem mais alguma coisa a acrescentar?

— Quero fazer parte da trilha sonora. — ela disse, mexendo nos cabelos.

Carmela saltou do sofá.

— Como? — mas não esperou que a garota intervisse, estava surpresa e indignada demais. — Você não é cantora, Selena. Além do mais, por pedido seu, sua irmã já está colaborando com a trilha sonora do filme. Já decidimos tudo sobre isso.

— Eu sou tudo um pouco, Carmela. — riu Selena. — Garçonete, atriz, estilista, compositora e cantora se eu quiser.

Soltei uma risada. Selena parecia ter se divertido.

— Eu vou pensar, tudo bem? — Jimmy disse, mais amolecido. — Uma coisa de cada vez.

Imagens flutuantes pareceu terem se movido dentro dela. Seus olhos brilharam a caminho da saída. Não que Selena estivesse totalmente feliz, mas parecia que ela havia dado dois passos para frente, mesmo também tendo dando um passo para trás. Era de fato parecida com uma personagem de livro romancista. Ela era simplesmente isso... Mas eu não queria usar essa palavra para descrevê-la, não ainda.

Não era dia de gravação, então pouca gente estava no set de filmagem. E já eram oito e meia da noite.

Selena me lançou um olhar que fingia irritação quando propôs, de repente, que tentássemos dançar salsa até o final daquela noite. Parecia que esse era o seu jeito meio desleixado de me agradecer. E eu aceitei isso.

Selena não era fácil. E mesmo se fosse, não seria fácil comigo. Ela havia estabelecido padrões   aos quais eu não correspondia. E eu havia aceitado tudo isso, porque também não me interessava em correspondê-los. Eu fazia minhas próprias escolhas.

Selena removeu de seu corpo um casaco e os saltos. Assim, orientou-me a fazer o mesmo. Então, estávamos descalços sobre um grande tapete preto, onde normalmente as câmeras de filmagem ficavam.

— A música normalmente tem oito batidas em uma sequencia. Então, estarei sempre contando de um a oito. — enquanto ela falava, tirava o celular do bolso de seu jeans e o vasculhava com os dedos, até que uma música soou pelo lugar, aumentando com frequência. — Os passos sempre começam com o pé direito... Depois vai para o esquerdo, volta para o direito e assim sucessivamente, como quando você está andando.

Ela foi explicando... E explicando.

“É necessário ter uma boa postura. Quando dançar, você deve sempre manter sua coluna ereta, seu queixo erguido e seus ombros pra trás. O seu peito naturalmente irá estufar um pouco. Seu corpo deve ser firme em todos os pontos.”

Olhe sempre para cima.

Mova o quadril.

Na teoria, eu sabia como dançar salsa. Na prática, estava sempre pisando no pé da minha parceira. Era nisso que eu precisava melhorar. E quando Selena percebeu, se aproximou seguramente. Pegou em minha mão esquerda com sua mão direita enquanto eu deixava a minha mão direita sobre sua omoplata, para que seu braço esquerdo deitasse do meu ombro para baixo.

Ergui o queixo. Foi quando percebi que estávamos próximos demais.

Selena contava.

“Um, dois, três... Cinco, seis, sete.”

O quatro e o oito, ela segurava. Até que ela simplesmente se calou e tudo que podíamos ouvir naquela sala era o barulho que a música fazia enquanto dançávamos. Havia também uma serenidade rara, que acabou sendo mais importante do que as batidas de uma canção latina.

Selena viu que meus olhos franziram, porque eu fazia de tudo para não cometer nenhum erro naquele momento. Eu não sabia se era porque queria ser melhor naquilo ou se não queria que aquele momento apenas acabasse. Pensei, naquele instante, muito no que fazer e no que não fazer. Não queria nada inesperado ou mal planejado acontecendo entre nós. E no final, as coisas só aconteciam naturalmente.

Gracias por ter ficado do meu lado lá dentro. — assisti um pouco do que ela estava sentindo, enquanto ponderava a respeito. — Eu não acho que eles teriam me levado a sério se você tivesse ficado calado.

— Usei minha posição privilegiada, não percebeu? — começamos a rir. — De qualquer modo, eu não queria ser conivente, porque não concordo com eles. No final, você tem razão sobre Rosalinda. Inclusive, ela é a minha personagem favorita.

— Irônico você dizer isso. Ela é inspirada em mim.

— Se você tem muito de Rosalinda, então esconde isso muito bem.

— Na verdade, Rosalinda tem muito de mim. Você só está enxergado o que quer enxergar.

Eu torci os lábios. Começara a ficar desconfortável e me perder nos passos.

Afastei-me de Selena, recolhendo as mãos e as levando até os cabelos. A música já havia acabado

— Não voltará para Los Angeles nesse fim de semana? — perguntei, ainda estranho.

A gente estava incomodado com algo. Olhávamos para os lados, andávamos em círculos.

— Não. — Selena baixou os olhos. — Acho que ficar em Cuba por um tempo será bom. No momento a última coisa que eu quero é precisar lidar com a mídia.

— E como você está em relação ao que aconteceu?

— Bem. — ela me encarou. Mus olhos desconfiaram. — É sério, Chris. — então, caminhou até um dos puffs e jogou-se sobre ele. Seu corpo sucumbiu e por ali descansou. — Eu adoro esse lugar, e não queria pensar em Havana e automaticamente me lembrar do que aconteceu. Só que essa é uma coisa que eu não vou conseguir evitar.

Ela estava ficando abatida. O clima havia esfriado.

— A Minka disse que falou com você... E que não foi uma conversa muito agradável. — fui me aproximando de mansinho. Ela não se importou. Portanto, sentei-me ao seu lado.

— É... Eu já imaginava que a Minka viria falar comigo depois de você ter me dito que havia conversado com ela sobre a noite do bar. Acredito que ela tenha achado que esse seria o jeito certo de conseguir pontos com você.

— Fala sério. — debochei.

— É claro que ela ainda não te superou.

— Não há chances de Minka e eu voltarmos. — balancei a cabeça dizendo que não. — Tivemos um relacionamento meio conturbado. Eu demorei muito para me livrar completamente disso. No começo, não queria aceitar o papel porque você estava no elenco. Porém, logo depois minha maior preocupação era minha ex-namorada fazer parte dele, e não a cubana chata que todo mundo adora.

Selena gargalhou.

—  O que eu fiz para você me odiar tanto, hein?

— Eu não te odeio, eu só...

— Odeia. Odeia, sim. Você não pode ficar em cima do mundo em relação a isso. Eu sou oito ou oitenta. Ou as pessoas me amam, ou me odeiam.

— Então eu te odeio mesmo. — comecei a rir. — Eu só acho meio estranho você ter uma assistente que pega até um copo de água para você. Talvez eu esteja te julgando mal, mas você traz seus gatos para as gravações, se atrasa sempre e quer tudo do seu modo. Você é um pouco... Mimada. Vai tentar negar?

No voy. Soy realmente una niña mimada. — não contive o riso. — E essa é a minha maior característica, Chris. É assim que consigo o que eu quero. E na minha posição não privilegiada, isso significa muito. Se eu não bater o pé, não gritar ou xingar, ninguém nunca me levará a sério. Eles agem como se estivesse me fazendo um grande favor em me escalar como a protagonista de um filme. Ouviu o Jimmy? Eu sempre acabo tendo ideias. E eles não gostam quando mulheres pensam e se impõem... E odeiam mais ainda quando essas mulheres são latinas. Tenho certeza que você está recebendo bem mais do que eu por esse filme. E é o meu nome que aparece primeiro nos créditos.

Eu era péssimo e dar conselhos, mas odiava parecer imparcial sobre algo que eu claramente tinha um lado. Eu só precisava encontrar um jeito de me expressar melhor, de deixar as coisas mais agradáveis, de contornar tudo da forma mais precisa possível. Sentia-me um homem muito confuso, mesmo essa sendo a última coisa que exibia às pessoas.

Coloquei a mão sobre o peito e respirei fundo. Quando havia terminado de formular tudo que sentia que precisava dizer, Selena naturalmente se transformou. Toda a sua postura mudou de repente e ela estava sorrindo como quem armava algo... Algo sacana. Só isso poderia vir daqueles olhos endiabrados.

— Qual é a sua história com a Minka?

Tentei repreendê-la, tentei ser severo, mas reparei que nem isso eu conseguia ser naquele momento.

— Bem, nos conhecemos num evento há cerca de dois anos. Ela sempre foi uma mulher muito bonita, então é claro que eu fiquei interessado desde a primeira vez em que a vi. Trocamos nossos números e começamos a conversar, até que enfim passamos a nos ver e iniciamos uma relação. Só que a Minka é uma mulher muito... — fiz uma pausa, ponderando.

— Surtada? — sugeriu.

— É. — Selena sorriu, óbvia. — Ela se tornou uma mulher extremamente ciumenta. E eu sou um cara muito...

— Desejado. — Selena disse, com um ar sarcástico. — Qual é? Você é um galã de Hollywood. É claro que existem um milhão de mulheres loucas para passarem um tempo com você.

— É... Mas isso a incomodava. E eu a entendia, só que a Minka é muito temperamental. Ela simplesmente não tem autocontrole. Eu não sei o que me prendeu nessa relação, já que foram longos dois anos vivendo nisso. E quando eu finalmente pus um ponto final em tudo que tínhamos, ela surtou ainda mais. Eu preferi deixar tudo para trás, mas eu sei que ela ainda acha que algum dia iremos voltar. Pelo menos é o que ela espera que aconteça.

Com um esforço enorme, Selena continuou calada. Ela olhava paras as próprias mãos, admirando todos os anéis em seus dedos. Deixava claro que esse era um assunto que nos levava a outro. Algo que ela tentava fugir.

— E qual é a sua história com o...

— Eu sabia que iria me perguntar isso. — gargalhei. — Você é um interesseiro, Capitão América.

— Se você diz... — mexi os ombros.

— Antes de chegar ao estrelato, eu trabalhava numa lanchonete aqui em Havana, era garçonete. Foi onde eu o conheci. Ele aparecia três vezes por semana, às vezes quatro, e sempre queria que eu o atendesse. E eu gostava, porque ele me dava boas gorjetas. Estava juntando dinheiro para começar minha faculdade. Eu sempre quis ser atriz, mas sabia que esse era um sonho inalcançável... Pelo menos, era o que eu pensava. — sua voz estava levemente trêmula. — Então a gente começou a se ver... Não só na lanchonete, mas em bares. Eu sempre amei dançar. E ele dizia que adorava me assistir. Começamos a namorar e eu o contei sobre meu sonho de ser atriz. Foi quando ele me apresentou a muitas pessoas, e quando eu descobri que ele era um homem que tinha muito dinheiro e influência.

— Eu o conheço?

Selena hesitou. Mas então mexeu a cabeça.

— Conhece. — ela respirou fundo. Sabia que não me diria seu nome, portanto não insisti. — Sabe, nenhum cara vem com um aviso de perigo na testa. A gente nunca sabe quem é um filho da puta e quem não é, mas os sinais sempre surgem... Uma hora ou outra. Eu não terminei com ele porque já havia conseguido tudo o que eu queria. Terminei com ele porque.... Porque estava com medo do meu namorado.

— Como aconteceu?

— Da maneira mais sutil que você imaginar.

Um lampejo de luz surgiu perto da porta. E, então, uma voz aguda preencheu a sala:

— Cadê todo mundo?

Eiza!

Selena revirou os olhos.

Continuamos calados. E Eiza adentrou. Ela parecia ameaçadora.

— Eu atrapalhei alguma coisa? — perguntou a mulher, alfinetando. — O gato comeu a língua de vocês?

Ela era detestável.

— É melhor eu ir embora. — Selena levantou-se rapidamente a apanhou seu celular, o casaco e os saltos às pressas, evitando olhar para Eiza.

— Só porque eu cheguei, cubana?

— É exatamente porque você chegou. — a morena praticamente gritou. — Quero ir para qualquer lugar em que você não esteja.

Perguntei-me, então, como elas trabalhariam juntas com esse pé de guerra. Nem tentavam fingir que não se odiavam. Era assustador.

Eiza ficou de braços cruzados, observando Selena deixar a sala.

Eu, portanto, percebi que também era a minha deixa. Calcei os tênis e recolhi o casaco, pronto para partir.

Deixei o set de filmagens às pressas. Selena estava um pouco na frente, caminhava resmungando. Apressei-me para alcança-la.

— Por que vocês se odeiam?

— Eu a odeio porque ela me odeia. — ela espirrou. Passou a mão no nariz e fez massagem naquela região, que ficara imediatamente rosada. — Tem raiva de mim porque consegui o papel de Rosalinda. Ela havia tentado, fez a audição e tudo mais, mas quando eu aceitei o papel, ela foi escalada para ser a Isabel. Para ser franca, essa é a segunda vez que isso se repete, mas a culpa não é minha. Eiza es solo una perra envidiosa.

— Eu não sei o que você disse, mas não acho que tenha sido algo bom.

Selena me encarou e, dois segundos depois, dobrou-se de rir.

— Vai fazer alguma coisa agora?

— Hã... — ponderei. — Voltar para casa e treinar os passos que você me ensinou hoje. — supus. — Como não voltei para Boston, não tenho muita coisa para fazer esse fim de semana.

— Quer ir ao bar em que eu costumava ir quando ainda morava em Havana?

Pensei no assunto, portanto hesitei a princípio.

Selena esperou, educadamente. E quando balancei a cabeça dizendo que si, ela me puxou pela mão, correndo pela estrada escura de Havana.

Te va a encantar ¡Es increíble allí!

O ar de Cuba estava quente. As ruas estavam escuras e as estrelas brilhavam como a lua que encapuzava toda a cidade.

O bar em que ela me levou era bem diferente do que fomos dias atrás. Nele, havia mais gente, mais música e ainda mais bebida. As pessoas sabiam que eu era estrangeiro, mas não pelo meu nome ou pelos filmes, mas pelo que eu usava, pelo modo de andar e a falta de gingado.

Começamos a beber. Uma, três, cinco e sete garrafas de cerveja. Às duas da manhã, eu sentia que meu mundo chacoalhava. Ria de todas as piadas que ela tentava fazer. Não era nem um pouco engraçada, mas era nisso que eu mais achava graça... Seu esforço em parecer divertida.

— Vamos a bailar. — ela me puxou pelas mãos. Meu corpo reagiu de primeira. Fiquei duro na cadeira, nem me movi. E ela se esforçou. — Dale, Chris...

— Eu não sei dançar. — ri.

Selena revirou os olhos e foi sozinha. Afastou-se, mas não o bastante para que meus olhos a perdessem de vista.

Ela tinha gingado. Era cubana de sangue puro. Sabia o poder que exercia sobre os homens da redondeza, inclusive nos estrangeiros, tanto os porto-riquenhos, quanto os americanos. E, de repente, minha mente acelerou, pois cheguei à conclusão de que Rosalinda tinha muito de Selena. Aquela era ela. Sem encenação, sem falas decoradas. E ela era a mesma personagem de um filme romancista.

Mas foi esperando nada que muita coisa ficou clara para mim. Foi simples como o fim de uma tarde. Fiquei nervoso, hiperventilei e senti um frio estranho na barriga ao mesmo tempo em que o suor tomava conta das minhas mãos. Senti uma urgência em saber se eu podia ou não podia me aproximar dela.

Nunca havia ouvido uma música soar num ritmo tão perfeito quanto aquele, que se encaixava com os movimentos de seu corpo e o sorriso de seus lábios, de tão bonito que era de se ver.

Meu corpo rangeu na cadeira e eu ouvi o barulho que ele fazia para chamar minha atenção e me levar até lá. Levantei-me com calma, ouvindo as batidas da música, ouvindo meu coração como batidas de martelo abafadas por um travesseiro.

Em poucos segundos, minha mente desacelerou. Em poucos segundos, esqueci o motivo de estar ali. Em poucos segundos, eu estava tocando em seus quadris.

Seu corpo reagiu ao meu toque. E seus movimentos tinham a melodia de uma música.

Selena Gomez tinha olhos de uma cigana obliqua.

E eu suspirei quando nossos olhares se encontraram.

— Selena...


Notas Finais


Olá, amados!
Não demorei, né? Enfim, esse capítulo foi meio paradinho, mas ele serve para aproximar mais o Chris e a Sel. Por isso não teve muita coisa. Aliás, a Eiza é meio "importante". Não pesem que a chata da história é a Minka. Na verdade, ela é chata sim, mas não vai aparecer mais tanto.

cc: https://curiouscat.me/lucaya
tt: https://twitter.com/chrswar

Enfim, espero que gostem.
Beijos c:


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