História If you hate me that much - Capítulo 12


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Amor, Amor Proibido, Dom, Drama, Escolar, Família, Incesto, Irmãos, Jihope, Jikook, Jinkook, Kookmin, Liberdade, Minjoon, Namjin, Ódio, Sub, Tabu, Taekook, Tragedia, Yoonmin
Visualizações 327
Palavras 7.432
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Ficção, Ficção Adolescente, Hentai, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Self Inserction, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 12 - Just... Stay


 

Odeio o cheiro forte de cândida e desinfetante mais do que odeio Jungkook. Meu olfato é sensível demais pra cheiros, e talvez seja porque estou com uma das piores ressacas da minha vida, mas o fato de que até respirar faz alguma parte do meu corpo chiar de desconforto faz com que eu inevitavelmente acorde.
Rastejo me sentindo a porra de um zumbi enquanto tento me situar no próprio corpo primeiro, estranhando o ambiente familiar demais pro meu gosto.
—Aish... Ainda estou em casa.— Falo comigo mesmo, pra testar se minha garganta ainda é capaz de reproduzir som mesmo quando devo ter vomitado até as cordas vocais, e como ouço só meu subconsciente, concluo que posso ou não ter contribuído com minha própria destruição de forma permanente. Fico estático alguns minutos, tentando lembrar de como pensar, ignorando os sinais do meu corpo que me avisam que estou apenas parcialmente funcionando, porque muito provavelmente ainda tem drogas no meu sistema, então por mais que eu não sinta ou pareça, deve estar tudo bem já que ainda estou vivo, respirando e funcionando. Volto de ré pra cama que não lembro de ter levantado, fechando os olhos e tombando de lado, sentindo dor de cabeça e náusea o suficiente para me fazer chorar e não tem nada que eu odeie mais na vida (depois de Jungkook e odor de produtos de limpeza) do que chorar. 
Mas... De certa forma alivia. E como não estou no meu juízo perfeito no momento, me permito chorar o quanto for necessário pra me fazer esquecer o formigamento que está me corroendo de dentro pra fora. Fico preso nesse estado de semi consciência pelo que me parece ser a eternidade, onde cochilo, acordo, e choro. Não necessariamente nessa ordem. Me sinto uma garota na tpm. Fico assim até que me sinto dormente, minha bexiga me incomodando tanto que ou mijo na cama pra Jungkook lamber ou levanto e vou pro banheiro.
Essa casa... Eu realmente odeio essa casa. Quem foi o idiota que achou uma boa ideia não fazer um banheiro em cada quarto? Se eu tivesse um banheiro só pra mim, Jungkook não teria como roubar minhas cuecas, me espiar e muito menos tomar banho comigo. Não seria incrível? Eu deveria ter mandado construir a porra de um banheiro só pra mim enquanto ainda tinha tempo. 
Fungo engolindo o choro quando percebo que estou sendo patético, me obrigando a sentar na cama de novo , o que esmaga minha bexiga e faz meu pênis ereto escapar da blusa que é grande demais e que portanto deve ser de Jungkook. Encaro o meio das minhas pernas com certo pesar, porque por mais apertado que eu esteja, não tenho força nas pernas pra chegar no banheiro e... Tenho coisas mais importantes pra me preocupar, coisas como eu vou sair dessa casa pela última vez sem ser visto por Jungkook. Ontem... Eu deveria ter sabido melhor do que me entregar ao caos, porém foi inevitável. Acho que... Realmente estava precisando chegar no fim do poço. E confesso que foi bom ver meu dongsaeng perfeito não sendo tão perfeito assim. Foi chocante, porém de certa forma libertador. Ele... Transou com a puta mirim que por acaso é sua noiva prometida, estava quase tão chapado quanto eu e até bateu em Yoongi, não foi? Quem diria que ele poderia de alguma forma não ser um completo imbecil e pode ser apenas parcialmente?
Não aguento mais segurar o mijo e ando dobrado até a porta, tropeçando na bagunça que meu dongsaeng idiota sempre deixa mesmo quando não é a porra do quarto dele, praguejando os céus e infernos como de costume, quase quebrando o trinco da porta por estar praticamente me mijando, sendo momentaneamente nocauteado pelo cheiro opressor de cândida, tampando meu rosto com a mão atrasadamente, me arriscando a ir descalço mesmo quando pode ter algum ácido no chão que é capaz de derreter até os ossos. Pode ser psicológico mas  como o cheiro dos produtos são fortes demais, me faz associar a morte. Corro na ponta dos pés, compreendendo que minha bexiga fodida de merda não pode esperar eu pegar a porra de um chinelo. Sinto as solas do meu pé queimarem com o que pode ou não ser o tal acido que uma vez comprei para me livrar dos vestígios de Jungkook depois de matar. 
De qualquer forma, alcanço o batente da porta do banheiro que fica convenientemente posicionada (pra Jungkook) no meio do corredor e quase caio pra dentro por ela estar só encostada onde no tempo que me seguro nas extremidades da parede, descubro que tem gente no banheiro e que pior... Estão invocando meu nome em vão. Mas que inferno, eles não permitem nem que eu mije em paz, pelo amor de Deus.
—... Você sabe que seu irmão não é o único que você tem, não sabe?— O que a porra do ajussi virgem ainda está fazendo aqui? Falando mal de mim ainda? Aish... Ele realmente não sabe seu lugar. O ranço que tô pegando desse cara está começando a virar ódio. Pior que assombração, ele tá sempre por perto.
—Não. Jimin é tudo que eu tenho e sou tudo que ele tem.— Porque a cara do idiota do meu dongsaeng está dentro da privada? Ele está passando mal ou limpando? Cruzo as pernas pra tentar conter o mijo pra ouvir até onde essa conversa vai, sentindo meu coração fraco dar uma pontada de aviso, porque por mais estupido que Jungkook seja ele sabe que não pode falar de nós
—Você... Pode escolher sua família também, sabia? Minha mãe me abandonou quando eu era um bebê  e fui acolhido por uma família disposta a me ter. Eles... Me acolheram e eu inevitavelmente escolhi amar eles de volta. A vida já é cruel demais por si só Kookie. Você não merece ser tratado como seu irmão te trata. Você pode... Escolher se importar só com quem se importa com você. Eu realmente odeio te ver assim e toda vez é pelo mesmo motivo.— Empurro mais a porta pra ver como o polvo está lançando seus tentáculos no idiota que está obviamente vulnerável e muito provavelmente de ressaca, onde com o estômago sensível que ele tem, deve estar regurgitando as tripas e o outro, solicito e pronto pra dar o bote se prontificou pra segurar o cabelo do idiota do meu dongsaeng, aproveitando passar a mão no seu corpo ainda parcialmente nu. A cena me embrulha o estômago. Principalmente porque agora que finalmente entendi o que diabos está acontecendo, o cheiro azedo de vômito está começando a sobrepor o dos ácidos dos produtos de limpeza e preciso engolir a bile umas duas vezes pra continuar acompanhando o show de horrores.
—Você não entende. Jimin... Ele me escolheu. Me escolhe até hoje. E eu... vou sempre escolher ele acima de qualquer coisa. Pra sempre. Você tem razão, a vida é cruel por si só. Ela... Já machucou muito meu hyung. E cabe a mim protegê-lo.— Jungkook já está chorando. Ah mais que maravilha... O polvo enlaça ainda mais o corpo trêmulo do garoto e sinto o mijo vazar um pouco quando reviro os olhos para a cena emocional e sem sentido. Eu nem fui embora ainda... Porque ele já está fazendo cena e falando mais que a boca?
—Porquê? Ele... Te odeia. Você mesmo disse isso.—
—Eu sei.—
—Então... Pelo menos uma vez, se escolhe Jeon Jungkook. Preserva você também.—
—Hyung... É exatamente isso que estou fazendo. Me escolhendo. Por isso que ele me odeia. Porque eu o amo mais do que ele pode arcar.— Certo, alguém entendeu alguma coisa? Porque eu não. 
Esse desgraçado... Me drenou a vida inteira e como se não bastasse, agora decidiu que é apaixonado por mim e na sua cabeça doente, seu amor infectado válida tudo. Ele age como se desejar transar comigo fosse alguma coisa nobre e eterna. Ele faz parecer que só porque "me ama" então meu ódio pode ser revertido. Imbecil...
Não sei porque, mas me sinto vulnerável e como odeio me sentir assim, me sinto até tremer de raiva agora. Talvez seja porque Jungkook virou a cabeça pra porta a tempo de me ver ouvindo tudo, e enquanto o fulmino e o amaldiçoo  por existir, esqueço que estou segurando o mijo e sinto a urina escorrer pelas minhas pernas. 
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—Pensei que você tinha ido embora de novo hyung.— A água está tão quente que sinto queimar minha pele, mesmo quando Jungkook quem está recebendo o jato fervente em si. Eu... Estou me sentindo tão podre que preciso me escaldar assim, e como até hoje o idiota do meu dongsaeng nunca me deixou tomar banho sozinho com medo que eu escoe no ralo, estou escaldando o vira lata também.
—O que o ajussi ainda está fazendo aqui?— Ele literalmente só serve pra lavar meu cabelo.
—Ele já foi embora.— A carência de Jungkook me irrita tanto que sinto a veia da minha testa pulsar. Ele está me abraçando a cada oportunidade que tem, grosando o corpo que estava sendo alisado pelo ajussi em mim, me fazendo sentir espasmos de repugnância.
—O que ele estava fazendo aqui de qualquer forma? Eu já disse pra você não trazer ele pra essa casa.—
—Ele estava ajudando a limpar hyung.— 
—Não interessa.—
—Você vai ficar?—
—Cadê o Taehyung?—
—Provavelmente em casa.—
—Provavelmente? Você não sabe? Ele não é seu melhor amigo? Ou você trocou ele pelo ajussi também?—
—Também?—
—Foco Jungkook. E para de me perfurar com esse seu pau nojento.  Você cuidou do Tae como eu mandei ontem?—
—Sim.—
—Tem certeza? Porque esse tom? O que aconteceu?— Viro pra ele detectando no seu tom que tem alguma coisa de errado, me odiando automaticamente por isso, por conseguir saber qualquer coisa quando se trata do meu dongsaeng idiota só pelo jeito que ele respira. 
—A água está quente demais hyung, sua pele está ficando vermelha.— A cada dia que passa, Jungkook está aprendendo a se desvencilhar de mim quando não quer responder, coisa que nunca tinha feito antes, elevando meu nível de irritação com ele como se isso ainda fosse possível.
—O que aconteceu?— Forço e ele desliga o chuveiro, mexe no meu cabelo pra tirar o excesso de água e vira pra pegar a toalha. O assisto fazer, acompanhando uns poucos hematomas que ainda adornam sua pele da surra que o imbecil levou do chaebol mais os da briga de ontem, apesar que eu duvido que Yoongi tenha conseguido fazer algum estrago, o que me faz lembrar de imaginar seu estado. Não que eu me importe. Na verdade, depois da cena que ele fez explodindo a garrafa do nada, eu achei merecido. Não por ele apanhar em si, mas o fato de ter sido do imbecil do meu dongsaeng. Isso vai fazer Yoongi parar de encher o saco um tempo e como planejo me mandar muito em breve, na hora que ele descobrir que não tem respeito por si próprio e voltar rastejando pra mim como sempre, já vou estar longe.
Saio do box pra não deixar o outro entrar de novo no espaço reduzido demais pra dois (eu realmente odeio o arquiteto que planejou esse mausoléu), esquecendo que não posso demonstrar o quão chocado eu fico com o corpo definido do garoto, ficando devidamente impressionado quando a toalha que ele envolveu frouxamente na cintura delineia ainda mais o caminho em V que ele tem. 
—Você gosta do meu corpo hyung?— Jungkook pergunta baixo, quase inseguro enquanto gentilmente envolve meu corpo com uma toalha e esfrega meu cabelo com outra, onde reviro os olhos. Ele não sabe que tem um corpo estruturalmente perfeito?
—Não. O que aconteceu com o Tae?— Pergunto apoiando as mãos na lateral do seu corpo já que estou descalço e essa casa (e ele) já oferecem riscos demais para minha vida, o que o faz ter um espasmo longo o bastante pra toalha praticamente cair. Ergo meus olhos que estavam analisando seus músculos trincados, tentando me imaginar definido dessa forma, e mal olho pra cima quando sou surpreendido com um beijo. Ele sela meus lábios, querendo abrir caminho, porém o mordo, recuando.
—Vou perguntar pela última vez: O que aconteceu entre vocês dois? Você não sabe que Taehyung é o único que voluntariamente te aguenta? Inclusive, porque ele tava largado daquele jeito?—
—Hyung eu não sabia que era  possível, mas eu estou ainda mais apaixonado por você. Acho que a distância só serviu pra delimitar ainda mais a intensidade dos meus sentimentos. Eu senti tanto sua falta que era como se estivesse faltando uma parte de mim. Uma parte vital, meu coração.— 
—E o meu coração vai parar a qualquer momento de nervoso se você não parar de fingir que não está me ouvindo perguntar.— Começamos a sair do banheiro e parece tanto com nossa rotina que congelo por um segundo, tentando lembrar porque diabos eu voltei em primeiro lugar quando já estava longe. Estou parecendo aqueles psicopatas que cometem um crime perfeito (no meu caso escapar de Jungkook), e voltam para contar por não aguentarem o fardo de serem os únicos a saber da perfeição. 
—Ele... Mentiu pra mim.—
—Sobre... Espera. Se for por essa maldita festa eu vou bater sua cabeça contra a parede até fazer suas duas células que ainda pensam cometerem suicídio.— Quando não estou por perto pra Jungkook colocar a culpa em mim, ele acha alguém pra culpar já que na sua perfeição imaculada é impossível cometer erros. Ele não queria dar essa festa e todo mundo sabia. Mas é dai? Quantas vezes eu preciso repetir até ele entender que as pessoas não fazem só o que querem na vida? Porém, como o conheço desde que ele abriu os olhos e chorou pro mundo que deve estar culpando o melhor amigo pela proporção que as coisas tomaram ontem. Imbecil de merda. Se ele perder Taehyung então vai estar completamente sozinho no mundo porque eu já desisti faz tempo.
—Hoseok estava aqui ontem e ele sabia mas não me contou.—
—Hoseok?— 
—Sim. Só de pensar nele aqui, na porra da minha casa... Hyung, você não viu ele né? Se ele tiver te tocado aqui eu... Não respondo por mim.— 
—O que o Tae tem haver com isso? Você é retardado ou o quê?— Pergunto seguindo pro meu quarto, parando de me dar ao trabalho. A idiotice de Jungkook não tem nem nunca vai ter nenhum limite.
—Vamos esquecer que essa festa aconteceu hyung. Foi caótico mas pelo menos... Te trouxe de volta pra mim.—
—Eu não sou seu.— Falo e como para exemplificar, tento (infelizmente em vão) fechar a porta do meu quarto na sua cara.
—Eu... Sei disso agora.— Ele suspira, entrando sem ser convidado e faço meu melhor para o ignorar enquanto encontro alguma coisa pra vestir que não foi contaminado por ele.
—Espero que Tae te abandone também pra você aprender a parar de ser trouxa.— Comento casualmente, meio que no automático, porém sei que surge efeito porque ele fica em silêncio até quando deixo minha toalha cair.
Viro pra ver se morreu e ele está deitado na minha cama mesmo quando pelo que eu me lembre, nunca o permiti fazer, a toalha molhada envolta na sua cintura, seu cabelo pingando no meu travesseiro, sua expressão tão triste como o vira lata carente e abandonado que é, onde mais uma vez tenho certeza que ele está chorando. Deus, lidar com esse Jungkook ultra-sensível está curando a minha ressaca enquanto me dá outra.
—Levanta.— Mando desistindo de me vestir depois de me enfiar em uma box porque com ele aqui dá agonia. Principalmente porque como estou indo embora (pra sempre dessa vez, é preciso frisar), preciso me vestir a carácter e a intenção é sair sem que ele descubra até ser tarde demais.
—Desculpa hyung. Eu... Estou meio cansado. Faz algum tempo que não consigo dormir.— 
—Não consegue desde quando? Você dorme até em pé se deixar.—
—Eu... Não consigo sem você.— Ele diz bocejando e olho em volta, sentindo dor de cabeça e sede só agora. Eu... Não sou mais obrigado a cuidar dele certo? Seus olhos pidões podem chorar o equivalente a toda água no mundo que eu não me importo. Não cabe a mim fechar as comportas. 
—Vai buscar água pra mim e alguma aspirina porque estou com dor de cabeça. E aproveita pra colocar uma roupa.— Mando porque ele adora imaginar que é útil pra mim de alguma forma, o que o reanima o suficiente para levantar da porra da minha cama como era a intenção e isso já é o bastante por hora. Ainda vou ter que descobrir como me livrar dele tempo o bastante para passar pela porta da frente em rumo a minha liberdade, porém só de continuar não vendo a cara dele, por hora, já fico satisfeito. Ele levanta, querendo me fazer sentir pena ou coisa assim e reviro os olhos ao mesmo tempo que meu estômago revira a bile ácida. Ele dá passos incertos, como se não quisesse me perder de vista, olhando pra trás como o idiota que é e como se não fosse o bastante, para quase do lado de fora, virando de  novo e encostando a cabeça dramaticamente no batente, o cabelo molhado na testa, o corpo que já secou (nos meus lençóis) relaxado e tenso ao mesmo tempo quando ele cruza os braços na altura do peitoral e me oferece um meio sorriso e uma pequena reverência.
—Obrigado por voltar hyung.— Por algum motivo, sua voz quebra e seus olhos demonstram o que ele geralmente consegue esconder: A dor que só eu posso o infringir, uma que me faz ser seu veneno e antídoto. Não respondo, porque... Não voltei pra ficar e sim pra partir de vez, onde ele aceita meu silêncio como se fosse uma resposta e vai buscar o que pedi.
Jungkook é... Desconcertante pra caralho. Balanço a cabeça pra dissipar a carga emocional que ele joga em mim todo o tempo, porque não vou permitir meu coração fraco e mole se sentir culpado por me escolher ao invés dele. Não vai funcionar dessa vez.
Como estou trabalhando com velocidade reduzida já que fui triturado ontem, mal dá tempo de vestir uma box e começar a raciocinar a respeito do que gostaria de levar e ele já volta pra me infernizar, trazendo uma garrafa d'Água e comprimidos que pela sua cara ele precisa também, a toalha molhada sendo substituída por uma box branca que continua delimitando seus traços e eu com um porte físico desse eu seria a porra de um Deus (não que eu já não seja). Especialmente hoje estou apreciando abertamente seu corpo. Não sei porque também. Talvez seja porque nunca mais vou ver assim, ou ainda o fato que me acostumei tanto a ver seu corpo toda hora que agora, depois de todo esse tempo, principalmente porque passei um tempo não tão de qualidade vendo o corpo magro e fantasmagórico de Yoongi assar no sol, o tom naturalmente bronzeado dele me faz prestar um pouco mais de atenção nos... Contrastes. Aish, o que eu estou pensando? 
—Eu trouxe relaxante muscular também hyung. Seu corpo está dolorido, certo? Você não para de estalar o pescoço...— Ele nota o que nem percebo e puxo a garrafa da sua mão, entornando e quase esquecendo dos remédios que ele pacientemente espera pra me dar. Uma coisa que não necessariamente me irrita nele é sua calma para certas coisas. Deve ser por isso que seu coração é forte. De qualquer forma, o devolvo a garrafa quase no fim e mesmo assim ele bebe o resto com gosto, sugando até o ar da garrafa. Desde pequeno... Jungkook me dá primeiro, seja o que for e pega o que sobra, parecendo ficar satisfeito só em se certificar que fiquei. Ele é estranho assim. 
Ficamos em silêncio depois, absorvendo a presença um do outro já que foram raras as vezes que ele não pairou sobre mim como uma alma penada 24/7. Tanto que depois de um tempo me sinto compelido a...
—Jungkook?— O chamo quando ele se inclina pra pegar do chão a toalha que eu estava usando antes e seus olhos assustados se voltam instantaneamente pra mim, como se me ouvir chamar seu nome fosse algum chamado divino e abro a boca para tentar formular alguma espécie de despedida que não seja explícita o suficiente mas que ainda sim seja... Alguma coisa porque por mais que eu o odeie e ele tenha basicamente destruído boa parte da minha qualidade de vida, o tempo em que coexistamos, nossa vida inteira até aqui representou alguma coisa, já que de uma forma ou de outra isso nos fez quem somos até agora, passado e presente, onde no futuro distinto que teremos não vai haver mais nada que nos ligue dessa forma a não ser o mesmo sangue. E isso... Não sei o quão forte pode ser se estivermos em sentidos opostos por exemplo.
—Eu também senti.— Ele diz como se fosse "senti saudades" que eu quisesse dizer e penso em o corrigir, mas não vejo necessidade. 
—Nunca aceite nada menos que a perfeição. Não dos outros e muito menos de si mesmo. É assim que você sobrevive nesse mundo.— Passo o conselho de vovô adiante, porque... Não tenho nada melhor ou mais útil a dizer. Se ele se certificar de continuar sendo perfeito, então vai se sair bem mesmo sem mim pra pensar por ele.
—Posso... Te abraçar? Eu sei que você não gosta muito quando eu faço, mas...—
—Mas...—
—Eu realmente quero te abraçar agora. Ontem, aquele tanto de entorpecente no meu sistema me fez duvidar que você era real e foi a pior sensação do mundo.—
—Se eu disser que não, você não vi fazer de qualquer forma?—
—Não. Se você disser que não então vou respeitar. De agora em diante, todas as vezes que você me disser que não, então vou aceitar. É melhor ter você aqui do jeito que for do que te sobrecarregar e fazer você ir embora de novo. Eu... Não sei se aguento.— Teoricamente se ele se matar depois que eu for embora a culpa não vai ser mais minha, certo? Juridicamente falando, eu sou o óbvio suspeito já que anuncio a todo segundo que vou matá-lo, mas mesmo assim se ele se matar sozinho, vou poder ficar com a parte dele da herança do vovô? Espero que sim. Mas se não poder também, eu mais do que ninguém sei que não se pode ganhar todas.
—É isso que você quer? Um abraço?— Esse é seu último desejo? 
—Sim.—
—Você pode pedir quase qualquer coisa agora. Vou dar o que você quiser.—
—Eu só não quero te perder.— 
—Um abraço então?—
—Era mesmo você na sala quando teve o blackout?— Ele pergunta chegando mais perto e sei que está se referindo ao beijo, ao único momento que eu conscientemente e voluntariamente  o retribui e faço que sim, sabendo como já sabia naquele momento que aquilo foi um presente de despedida perfeito.
—Eu te amo.— Ele suspira, verdadeiramente grato antes de me afogar em um abraço e o envolvo de volta, o deixando me içar do chão se necessário, mas ele não faz. Jungkook curva o corpo até caber nos meus braços e não ao contrário, chegando a deitar a cabeça no meu ombro e o deixo fazer, afagando seu cabelo, sentindo seu cheiro que é mais familiar do que o meu próprio emanar fracamente enquanto respiro, onde enquanto ele se apega a mim com tudo que tem como sempre, olho para a mala previamente pronta debaixo da cama.
—É o suficiente?— Pergunto quando minhas costas reclamam da posição e ele faz que não, me apertando ainda mais. Tento não me irritar, passando meus braços gradativamente pro seu pescoço pra ele entender e aprumar o corpo, o que o garoto automaticamente faz, me tomando nos braços como ambos sabemos que adora. 
Ele confia tanto em mim que anda de costas em direção a cama, mesmo quando eu poderia muito bem estar o empurrando em direção a um abismo (o que de certa forma estou). Sei o que ele quer, mas infelizmente só posso o conceder um desejo e por isso, quando deixa o corpo cair na cama e me puxa com ele, faço força pra continuar de pé, parando suas mãos na minha cintura mesmo quando ele da um tranco pra mim ficar entre suas pernas. A cama não é tão alta, então seu rosto fica mais ou menos na altura do meu peitoral, onde ele deposita beijos castos até no meu coração, o qual ele ironicamente trabalha incessantemente para fazer parar. Toco seu rosto com as duas mãos para o fazer parar e me sobressalto com sua temperatura: Ele parece quase febril. Tiro seu cabelo da testa, mais pra sentir sua temperatura do que pelos seus olhos, e ele como sempre aproveita pra beijar minha mão.
—Você sabe que não tem nada no mundo que eu não faria pra você me beijar agora, não sabe?— Ele pergunta rouco e faço que sim, nem me dando ao trabalho de responder porque mais do que saber eu posso sentir ele pulsando.
—Eu... É melhor eu sair daqui antes que faça alguma coisa que te faça me odiar ainda mais.— Ele diz tentando fazer pouco caso da própria desgraça porém mais uma vez sua voz sai quebrada, me mostrando que provavelmente seu tom vai ficar mais rouco conforme ele terminar de amadurecer. É um detalhe que diferentemente de todos os outros não vou acompanhar pra ver.
—É impossível.— Falo sem conseguir me controlar e ele faz que sim pra si mesmo.
—É impossível você me odiar ainda mais?—
—Exatamente.—
—Acho que foi o mais próximo de "eu te amo" que ouvi de você em algum tempo hyung.— Ele diz deixando as mãos que pousavam na minha cintura cair e vendo por esse ângulo... Ele tem razão.
Dou um passo pra trás, apreciando seu pequeno momento de lucidez e inteligência, onde ele levanta da cama e invade meu espaço pessoal mais uma vez, acariciando meu rosto com o polegar e então sem dizer mais nada, vai embora, me deixando com a impressão que ele sabe que isso é um adeus também.
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Uma vez assisti esse filme que pareceu minha biografia. Foi bizarro. Era sobre essa garota obviamente perfeita que tinha acabado de ser aceita na faculdade de medicina. Ela era surfista (eu odeio qualquer coisa que remeta a um esporte), porém ela... Era boa, perfeita. Ela entrou no mar e ficou à beira da morte enquanto um tubarão (Jungkook) tentava incessantemente estraçalhar o "inimigo". Ela lutou bravamente pela sobrevivência mesmo quando não chegava nem perto de ser párea para o oponente, o que foi meio que inspirador.
De qualquer forma... Ela sobreviveu. Incrível, não acha? E como ela fez isso? Usou a cabeça e  descobriu um padrão, uma saída. E porque estou lembrando disso logo agora? Porque atualmente (a vida inteira) estou naufragando em águas turbulentas (essa casa) e afim de ir contra todas as probabilidades e escapar do tubarão (Jungkook), preciso estabelecer o padrão, cronometrar o tempo, contar com a sorte e estar disposta a digamos... Matar se essa for a única forma de sobrevivência.
Jungkook que acabou de fazer um discurso a respeito de respeitar toda vez que eu disser "não" e todas as coisas, previsivelmente não me deixou em paz um segundo.
Na verdade, para ser extremamente preciso com o tempo (uma das táticas que a garota do filme usou para sobreviver), ele vem de 10 em 10 minutos aproximadamente. Às vezes um pouco mais, às vezes um pouco menos... A variante é meio inconstante e depende não só do que digo "não" mas do que ele pergunta em si. 
Coisas como:
"Hyung, está com fome?"
"Hyung, eu fiz seu prato preferido e sopa pra ressaca também. Tem certeza que não quer?"
"Hyung, quer café?"
"Sorvete?"
"Hyung quer uma massagem?"
"Hyung, vamos assistir one piece?"
"Hyung quer que eu limpe seu quarto?"
"Quer que eu leia o novo livro que a  mãe deixou pra você?"
"Hyung eu esqueci que não podia deitar na sua cama naquela hora... Quer que eu troque os lençóis?"
"Ainda está com dor? Precisa de mais remédio?"
"Hyung, quer água?"
O filha da puta não para.
Meu coração perde uma batida toda vez que ele bate na porta (na sua cabeça isso é respeitar meu espaço). Não aguento mais ouvir ele miar "hyung". Estou quase desistindo de ser racional e me entregando pro tubarão de vez. Perto disso a morte deve ser indolor. 
As horas se arrastam enquanto separo o que vou me dar ao trabalho de levar, descobrindo no processo que não sou uma pessoa materialista. Vou deixar quase tudo pra trás, onde a minha maior preocupação é o que vou fazer em relação à escola já que mesmo falando pouco, ainda não me formei. Sabe, a escola é um dos únicos motivos que me fizeram ficar todo esse tempo. Como sou emancipado, posso literalmente ir embora quando eu quiser, e quase fiz mais de uma vez, porém, como vovô mesmo me ensinou, se você começou uma coisa, então termina.  Ganhar uma coisa com próprio mérito, independentemente do dinheiro que eu tenha, é especialmente melhor. E acredito fielmente nisso. O senhor Jeon por exemplo... Tem muito dinheiro. Mais do que poderia gastar, mais do que mereceu ganhar através do próprio esforço e trabalho, dinheiro amontoado sem propósito ou paixão, pilhas de dinheiro morto. E não quero ser pobre e vazio como ele. Não quero nunca ser associado ao caminho fácil, ao meio termo. Eu nunca peguei um atalho na vida e não é agora que vou começar a fazer. E por isso... Quero terminar a escola com um histórico perfeito e sem turbulências. Quero que futuramente quando meus inimigos tentarem me atacar, vejam que sou naturalmente perfeito assim, desde sempre. O significado de self made. Principalmente nesse país... Então, em suma, eu não acho que transferir de escola no último semestre do último ano seja uma boa ideia. Iria manchar meu currículo. Porém, se eu for embora pra me ver livre de Jungkook e ele poder me encontrar na escola e depois me seguir até minha nova casa todos os dias como a porra de um stalker vai adiantar? Fecho o zíper da mala refletindo furiosamente sobre isso, porque uma vez que eu sair por aquela porta vou ter que arcar com as consequências da minha escolha precipitada, e acabo mordendo a língua pelo susto quando mais uma vez Jungkook bate na porta.
—"Hyung?"—
—Que foi agora inferno?— Esbravejo sentindo gosto de sangue e pulo da cama quando ele testa o trinco da porta, empurrando a mala pro chão com tudo. 
—Desculpa, desculpa, desculpa. Você deve estar ocupado estudando. Dessa vez eu só... Queria saber se você ainda estava aqui. Eu cochilei por um segundo e tive um pesadelo.— Quando Jungkook era pequeno, ele me contava todos seus pesadelos como se eu fosse Morfeu - o Deus dos sonhos. Ele só conseguia voltar a dormir depois de dividir comigo o que sonhava e eu pacientemente ouvia, mesmo quando meus olhos ardiam de sono, e quando eu o assegurava que tudo ia ficar bem, que era só um sonho, ele acreditava e ia dormir. 
Talvez... Ele disse que estava com sono, não disse? Se eu o colocar pra dormir então vou poder ir sem problemas.
Procuro pelo celular na bagunça em cima da minha cama e checo a hora: 17:56. É praticamente de noite. Ele já pode dormir.
—Eu... Estou aqui. Vai dormir de uma vez se está cansado.— Mando mas ambos sabemos que não é tão simples. Empurro a mala pra debaixo da cama e estou prestes a anunciar que estou indo pro quarto dele -dormir- quando ele...
—Eu... Ok, desculpa te chamar sem motivo hyung. Até amanhã então.— Ele se despede como quem diz que essa é a última vez que ele vai me encher no dia e mais uma vez abro e fecho a boca sem saber como proceder. Eu devo acreditar? Não é melhor me certificar que ele está dormindo com meus próprios olhos primeiro? E sair fugido assim... Ele vai sobreviver? Aish... Porque ir embora é tão difícil quando deveria ser simples? Desse jeito vou acabar preso aqui até a faculdade.
—Tudo bem, boa noite.— Replico mas não sei se ele ainda está atras da porta e mais uma vez me jogo na cama, olhando pro teto sentindo uma agonia oca, onde tenho certeza que vovô Park está me assistindo. Ele adorava "dar corta pra você se enforcar". E é exatamente isso que estou fazendo. É... Agonizante saber que mesmo quando eu me escolho em primeiro lugar isso não é o bastante. O sentimento que minha vida não me pertence, que no céu ou no inferno ainda estarei atado a Jungkook é tão opressor que quer me fazer chorar de novo, porque sem vovô eu não tenho refúgio. O mundo é imenso mas mesmo assim... A partir do momento que eu pisar os pés pra fora dessa casa, não vou ter nenhum lugar pra ir e nada que me conecte a... Nada nem a ninguém. E não sei exatamente como me sentir em relação à isso. Eu não quero perder nada. Quero a mais absoluta perfeição em todos os sentidos. Eu sei que é só assim que eu me torno livre.
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A casa está escura e silenciosa, e muito já passou da 00:00. Saindo de madrugada como um fugitivo ou um ladrao não faz jus a mim que dei meu sangue, suor, lágrimas e alma por tantos anos neste lugar e não ganhei nada em troca, mas mesmo assim... Está tudo bem. Duvido que o senhor ou a senhora Jeon se importem e eu também não. A mala está um pouco mais pesada do que previ, e como geralmente não levanto pesos em nenhuma espécie (Os músculos de Jungkook não são só para exposição), tenho um pouco de dificuldade de descer o lance de escadas, principalmente no escuro. 
Eu... Obviamente decidi ir embora de uma vez. Não tem o que pensar em relação. É tudo que eu sempre quis. Então sem um plano muito claro (o que é frustrante mas posso lidar), decido que sou autossuficiente o bastante para dar esse passo mesmo quando o plano original era esperar até a faculdade. Infelizmente, se eu ficar, talvez não sobreviva o bastante.
Vou para algum hotel cinco estrelas por hora e me dar tempo para descobrir de lá em diante. A mala desce o último degrau com um baque que poderia alarmar Jungkook se o quarto dele não fosse a prova de som, e quando lembro disso, rio de mim mesmo, puxando a alça para arrastar a mala  com força o bastante para marcar o chão de madeira encerada, uma última prova de que estive aqui e que graça aos céus... Fui embora. Pego o celular do bolso para servir como lanterna, aproveitando pra conferir mais uma vez se a porcaria do uber já está chegando e é nesse curto intervalo de tempo que morro.
A luz acende do nada e meu coração fraco finalmente sucumbe, minha visão escurecendo com a claridade e me seguro na mala que recua no chão liso demais, me fazendo derrubar o celular. 
—Pra onde você está indo hyung?— É claro... Só poderia ser Jungkook. Ele avança pra mim, puxando a mala com tanta brutalidade que chega a machucar minha mão, e por um momento encolho o corpo, porque pareceu que ele ia me bater exatamente como seu pai fazia toda vez que eu tentava fugir e ir morar com o vovô.
—Devolve a mala.— Falo subitamente exausto, massageando minha têmpora com um mão, tentando lembrar do plano B que criei agora a pouco para caso isso acontecesse. Eu, ao contrário dele não sou idiota. Ir embora não seria tão fácil. Tá bom que eu pensei que ele iria guardar minha porta e não a da frente em si, porém mesmo assim isso não muda o fato que vou sair dessa casa. Nem que eu precise matar.
—Não. Pra onde você está indo uma hora dessas? Pra casa do filha da puta do Yoongi?! De novo? Você não cansa de maltratar a si mesmo? Eu sou tão terrível assim? Pior que ele? — Odeio quando Jungkook se sente no direito de gritar comigo por algum motivo. Eu nem sei se existe uma palavra pra explicar o tanto que odeio que grite comigo. Quando ele era uma criança birrenta e gritava, eu acertava uma nos seus dentes pra o fazer me respeitar. Eu fico irado com quem grita. Qualquer um.
—Porque você está gritando? Eu sou surdo por acaso?—
—Pelo amor de Deus Jimin! Como você pode simplesmente querer ir embora assim no meio da madrugada? Porque você sempre foge? Mais que droga, porque você... Não aceita que seu lugar é do meu lado? Porque tem que fazer sempre do seu jeito mesmo quando ambos sabemos que não há nenhum lugar melhor do mundo do que aqui? Que não tem e nem nunca vai ter ninguém que te ame e proteja como eu? Que não quer nem mesmo ir? Não de verdade. Até... Até quando você vai procurar pelo que já tem?— Quando ele fica nervoso, começa a gaguejar e repetir palavras, a disfunção que tinha quando era criança voltando. Solto o ar pela boca, me inclinando pra pegar o celular do chão que trincou a porra da tela, decidindo deixar a mala. Já tivemos essa conversa um milhão de vezes. Eu já disse, desenhei, fiz gravuras e até tentei em código Morse, porém ele não entende que tudo que eu quero, tudo que eu preciso é exatamente o contrário do que ele acha. Eu tentei fazer isso de outras formas. Droga, eu ia esperar até a porcaria da faculdade, mas ele... Sufoca. Eu preciso respirar, eu preciso sentir que me pertenço. Eu preciso de mim tanto quanto ele, porém não posso ser dois. Não posso ser fragmentado pra sempre só para não o quebrar. 
—Eu vou sair por aquela porta agora e aí de você se encostar um dedo em mim pra tentar me impedir.—
—Não vai não! Eu... Eu não vou deixar você ir dessa vez.—
—Quantas vezes vou ter que repetir até que voce entenda que não manda em mim? Mais que inferno Jungkook, me deixa em paz!— 
—Você ia me deixar assim, como se eu, como se nós não fossemos nada? Como se eu fosse tão insignificante pra você como todo o resto?—
—Você é insignificante pra mim. Eu te od...—
—Eu sei que você me odeia porra! Desde... desde quando isso é motivo o suficiente? Eu te amo por nós dois. Porque não pode ser o bastante? O que você... O que você quer Jimin? O que você acha que vai encontrar depois que virar as costas pra mim? O vovô... Ele nos fez prometer que estaríamos sempre juntos. Porque você está quebrando a promessa que fez pro único homem que já amou?—
—Eu não posso ficar pra sempre Jungkook. Isso é o que você não entende. Eu ir embora agora ou daqui a três meses quando a escola acabar, que diferença vai fazer?—
—Tem uma diferença astronômica entre você ir embora e fugir como estava tentando fazer agora.—
—Eu não estou fugindo, estou me escolhendo. Você consegue entender a diferença? Eu sei que não. É exatamente por isso que estou quebrando a promessa que fiz a vovô. Eu... Fiz tudo por você a vida inteira. Não é o bastante? O que você ainda quer de mim?—
—Eu quero... Te retribuir tudo. Eu quero te fazer sentir exatamente como você me fez, como me faz... Essa é minha promessa e propósito. Te fazer feliz.—
—Você quer me fazer feliz então me deixa ir em paz. Me deixa viver sem ter que dividir meu ar com você. Me deixa... Respirar.—
—Pra onde você vai... Quem me garante que você vai estar em paz, que vai respirar e lembrar de comer? Que vai conseguir dormir? Quem vai se certificar que o mundo não vai continuar sendo cruel com você? Que vai tomar seu lugar caso algum louco resolva te assaltar a mão armada e disparar um tiro? Quem vai lavar seu cabelo todas as manhãs e massagear seu corpo quando estiver cansado? Quem vai embalar seu sono? Quem vai... Te enxergar como luz, como a porra da gravidade? Jimin, eu não estou e nunca vou pedir pra você me amar. Tudo que eu sempre peço é que você fique. Eu posso mudar. De verdade, eu posso fazer qualquer coisa pra te fazer sentir... Paz. Só não vai embora. Se você me odeia... Se você realmente me odeia então fica. Me deixa só olhar pra você e saber que está bem. Me deixa só... Te ver e o fato de saber que é inalcançável pra mim já vai machucar o inimaginável. Só... Fica e faz da minha vida esse inferno que é saber que você vai embora um dia. Mas não hoje, não agora... Fica só até que sua ausência não me faça te odiar também. Porque mesmo você anunciando pros céus e infernos... Precisa do meu amor. Precisa saber que não está sozinho. E eu estou e sempre estarei disposto a te amar independente do quanto você me odeie. Então me deixa cumprir a minha promessa pro vovô, eu te imploro.— Ele está de joelhos na minha frente. Não está olhando pra mim, porém estou olhando pra ele. Jungkook é meu escravo tanto quanto sou o dele. Nossa relação é tão tóxica que vai acabar matando nós dois. 
Limpo o rosto quando percebo que estou chorando de novo e em um impulso pra dissipar o ódio, piso na sua mão. Piso com força, pra machucar, para o fazer sentir um décimo da dor miserável que eu sinto agora.
Ele invocar a promessa que fizemos ao vovô Park antes dele morrer... É a única coisa que poderia me obrigar a ficar e ele sabe disso. E quanto a promessa que ele fez... Eu não preciso ser feliz. Nunca precisei. Eu só preciso...
Ele ergue o rosto pra mim e minha mão o acerta em cheio. Não dá tempo nem de fechar a mão, então o que era pra ser um soco, vira um tapa. Porém é forte. Tanto que o som estalado ecoa. Não sei se dói mais nele do que em mim, só sei que preciso continuar batendo. 
Foram raras as vezes em que bati em Jungkook. E todas elas foram por ele me fazer sentir permanentemente atado a ele dessa forma. Então ergo a mão de novo e desfiro mais um tapa, e outro e mais outro. Só paro quando minha mão volta com sangue. Ele não pisca ou respira enquanto apanha, o que ironicamente me faz fraquejar por ele e perder a força. Tento um último tapa mas de alguma forma vira uma carícia e assim que ele percebe, vira o rosto para beijar e soprar a palma da minha mão latejante. O assisto fazer sentindo meu coração pesado, minha cabeça rodando. Pisco para fazer cair as lágrimas que borram minha visão caírem de uma vez e pela derradeira vez... Ele venceu. Puxo minha mão de volta quando ele toca a palma ardendo, muito provavelmente para analisar o estrago, repudiando seu toque de tal forma que poderia deixar minha mão de molho no ácido pra sempre. Olho pra ele com todo o ódio que consigo reunir sem quebrar em um ataque histérico ou um derrame e quando me certifico que ele saiba que me fazer ficar me desafiando o fazer "me odiar" será sua verdadeira ruína. Quando eu acabar com ele, com toda essa devoção e amor doente que ele sente por mim e não sobrar mais nada, vai se arrepender amargamente por esse momento, no qual se ele tivesse me deixado ir agora, sem meter o nosso avô nisso, um dia eu poderia até voltar. Porém não mais. Eu não vou embora até que ele me implore pra ir. Vou o fazer se sentir tão miserável como me sinto agora, só que ampliado um milhão de vezes. Se ele acha que consegue aguentar meu ódio, não viu nem o começo. Não sabe do que sou capaz de fazer. Eu vou... Quebrar Jungkook até que não tenha mais como ser fragmentado. E depois vou colar de novo só para repetir processo. Vou fazer de tal forma que me odiar seja sua única alternativa e salvação. E aí, vou exigir que ele me ame até a morte. 


Notas Finais


Olá... Desculpa pela demora e pelos prováveis erros, eu estou sem computador no momento e fazendo tudo pelo celular, então qualquer erro gritante por favor me avisem 💞
Quanto ao cap... Eu não sei vocês mas esse cap me doeu demais. Tanto o lado do JM quanto do JK... Por favor, lembrem desse cap futuramente, e guardem "Se você me odeia tanto assim então fica".
Bom, espero que a parte que o JM bate no JK não tenha ficado pesado demais e que tenha dado para entender o contexto de tudo. Principalmente porque o JM mesmo disse que a partir de agora ele e JK estão em guerra. Será quem vence? O amor de JK ou o ódio de JM?
Aaaaah, de verdade, antecipem pelo próximo e sei que a esse ponto ninguém me mais acredita em mim porém recentemente eu decidi parar de arrumar desculpa e simplesmente escrever, então continuem dando amor pra IYHMTM porque estamos engatando ❤️❤️❤️
Ok, até o próx ^^


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