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História (If) You Met Me First - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


E como prometido, mais um capítulo seguido
Esse é bem especial porque temos convidados especiais e claro, por ser no dia do aniversário de Tiffany Young!!!!!!

Sugestões de músicas:
- Say You Love Me by Mark Klaver
- The Way I Still Love You by Reynard Silva
- Almost cover by Jessica Jung (Essa é especial)

E é isso, sem enrolações, vamos ao capítulo de (If) You Met Me First

Capítulo 4 - Right Now


Yuri

 

Tiffany estava saindo aquela manhã quando Jessica chegou. Mais pontual do que eu jamais achei que seria e, mais pontual do que eu conseguia me lembrar. Sua mensagem na noite anterior havia me desconcertado um pouco principalmente por não imaginar que Jessica havia se tornado o tipo de mulher que faz compras em um supermercado, mas contrariando todas as minhas expectativas, nessa manhã, ela optou por roupas mais casuais e talvez pudesse dar certo.

— Espero não estar atrasada. — Comentou com um sorriso no rosto.

— Acho que chegou até cedo. — Respondi checando o horário.

9H30min.

Cedo.

— Porque não vamos só fazer compras.

Muita coisa mudou em 10 anos. Éramos jovens, não tínhamos carteiras de motoristas, nossos cabelos eram diferentes, talvez os pensamentos também e confesso que viajar no carro com Jessica não foi tão diferente do que viajar com Tiffany. Embora ela tivesse frisado algumas vezes o quanto dirigir a deixava tensa e não gostava, abria exceções algumas vezes.

Vezes como essa.

— E não vai mesmo me dizer para onde estamos indo? — Questionei após alguns minutos no carro, em silêncio, e sem saber qual seria nosso destino final. — Vou começar a achar que está me sequestrando. — Comentei descontraidamente, sem qualquer intenção.

— Vou pensar sobre o assunto. — Olhou-me rapidamente antes de voltar seu olhar para a estrada. Segurança em primeiro lugar.

Fingi estar assustada.

— Pensar? Então quer me sequestrar? — Eu não fazia ideia do que estava dizendo, mas parecia ter entrado em sua brincadeira, como se estivéssemos em uma sintonia diferente do resto do mundo.

E ela gargalhou.

— Se as coisas não estivessem acontecendo de forma tão rápida, poderia até jurar que o destino está tentando nos dar uma segunda chance. — Pelo espelho retrovisor do interior do carro, a senti me olhando.

Senti um nó brotar em minha garganta enquanto minha boca ficava seca e eu tentava pensar no que deveria dizer a ela.

— Segunda chance? — Jessica parou o carro no semáforo vermelho e eu observei onde estávamos. Considerando a estrada e o lugar onde paramos, deduzi que ela me levava para o antigo bairro onde morávamos e onde passamos toda a nossa infância.

— É... — Ela gaguejou. — No... Nossa amizade. — Por poucos segundos, nossos olhares se cruzaram e logo quando o semáforo voltou a ficar verde, um carro que estava parado atrás de nós buzinou fazendo Jessica retomar sua antiga postura ao volante e o nosso assunto se dissipou.

Por um segundo, pensei em algo mais.

 

[…]

 

Eu estava certa.

Jessica estacionou seu carro próximo ao lugar onde ficava sua antiga casa. O quarteirão era bem seguro e calmo além de, claro, ficar a poucos metros do centro comercial mais próximo de onde morávamos. O mesmo por onde Tiffany e eu passamos quando ela me trouxe à sua casa. Eram boas as lembranças que tivemos ali.

Caminhamos por alguns segundos em silêncio apenas sentindo a brisa tocar nosso rosto.

— Lembra quando andávamos de bicicleta por aqui? — Ela comentou, quebrando o silêncio enquanto retomava seu assunto comigo.

Apressei dois passos para alcançá-la. Eu mantinha certa distância desde do momento estranho que tivemos em seu carro, mas agora eu sabia que não precisava. Aparentemente, nada havia mudado.

Eu sorri.

— Lembro-me de cair muito. — Em minha mente passava um filme de todas as vezes que andamos de bicicleta. — Ensinamos a pequena Jung a se equilibrar sobre as duas rodas no fim da rua. — Apontei.

Pequena Jung era o nome carinhoso que tínhamos para a irmãzinha mais nova de Jessica, obviamente agora, ela já está adulta, mas até os apelidos de Seohyun duraram por muitos e muitos anos, por que o apelido dela não duraria?

Pequena Jung porque, primeiro, ela era pequena comparada a todas nós. 4 anos mais nova que Jessica então era mais nova até do que Seohyun o que a classificava como a caçula do grupo e bom, ela era literalmente uma versão mais nova de sua irmã. Para alguns na escola, ela era a princesa de gelo chique, uma variação do apelido da irmã embora poucos soubessem o quão doce e amável ambas eram.

— Ela detestava que a comparassem com você. — Jessica lembrou. — E eu também. — Riu lançando-me um olhar engraçado.

Era brincadeira.

Um detalhe que havia escapado de minha memória, mas que após ela ter mencionado, eu me lembrei. Talvez Krystal não fosse tão parecida fisicamente com sua irmã o que era estranho, mas conforme pequena Jung fora crescendo, alguns afirmavam que ela parecia muito mais comigo do que com Jessica o que, verdadeiramente, irritava as duas irmãs que eram, definitivamente, unidas de todas as formas.

— Então me trouxe para fazermos uma caminhada? — Comentei.

Enquanto conversávamos sobre nossas aventuras sobre duas rodas, caminhávamos pelo quarteirão e já estávamos chegando ao fim da rua.

— Claro que não. — Respondeu parando em frente a um estabelecimento. — Vamos tomar sorvete.

 

[…]

 

Não imaginei que Jessica havia tornado-se esse tipo de adulta, a que de forma alguma, deixava sua parte criança morrer e eu admito que admirava isso nela. A vida adulta não é e nunca foi maravilhosa acredito que para ninguém, mas se você consegue manter sua criança interior viva, você ainda tem esperança.

— Já que você vai para o s Estados Unidos... — Começou a dizer, tomando um pouco de seu sorvete de baunilha enquanto nos sentávamos em uma das cadeiras na parte exterior do lugar. — Como está o seu inglês?

Não era o tipo de pergunta que eu esperava ouvir, mas demorei alguns segundos para pensar em minha resposta. Dediquei os últimos anos em aprender o idioma enquanto me preparava para a minha mudança.

— Bem, eu acho. — Provei um pouco de meu sorvete de chocomenta que já começava a derreter. — Quer dizer, não melhor do que o seu, mas bem.

Ela riu.

Para Jessica e Tiffany era fácil, afinal, eram a língua nativa delas.

— Você se acostuma. — Ela comentou. — Eu me acostumei com o coreano.

— Quando planejamos nossa viagem, sempre achei que seria minha tradutora. — Na época que planejamos ir, eu sabia o básico apenas. Isso mudou um pouco embora eu ainda seja um pouco insegura com meu inglês.

— Com certeza, eu adoraria. — Ela respondeu sorrindo tomando mais um pouco de seu sorvete. — Posso te visitar algum dia. — Eu havia acabado de colocar um pouco de sorvete na boa. Tossi tentando disfarçar que havia me engasgado e continuei ouvindo-a dizer. — Krystal está na Califórnia. — Completou.

Exatamente para onde eu estava indo.

Não consegui evitar que tal frase causasse, verdadeiramente, certo impacto em mim. Era um bom jeito de explicar o porquê de ainda não ter esbarrado na pequena Jung considerando tamanha amizade e cumplicidade de ambas as irmãs.

— Krystal também foi para os EUA? — Eu estava feliz com a notícia.

Jessica soltou um tímido sorriso enquanto passava a brincar com seu sorvete à sua frente.

— Ao contrário de mim, nada a prendia aqui. — Parecia decepcionada, talvez consigo mesma.

O assunto se dissipou por certo tempo e percebi que, mais uma vez, parecia um assunto um pouco delicado para tratarmos no momento. Mas algo ainda me intrigava e eu jurava que, após sua resposta, eu mudaria de assunto.

— Ela não virá para o casamento? — Questionei já que, o grande evento organizado durante toda a semana era, acreditando ou não, no dia seguinte. Sequer havia tempo para ela chegar caso já não estivesse a caminho.

— Virá, mas só para o casamento mesmo. — Respondeu, tomando mais um pouco de seu sorvete. — Como amanhã é só o noivado, não quis atrapalhar a vida dela. Nem é um evento tão grandioso assim, mas como haverão empresários e executivos presentes...

Enquanto Jessica ainda falava, passou uma mulher loira ao nosso lado e poderíamos ter ignorado completamente sua presença se não fosse pelo detalhe que mais chamou nossa atenção: sua voz.

Ela andava apressada enquanto falava ao telefone e não parece ter notado nossa presença, mas nós sim.

— Chame um eletricista imediatamente. — Ela dizia. — Tenho aula mais tarde, precisamos que tenha energia elétrica.

— Hyoyeon? — Jessica foi a primeira a chamá-la. A loira parou imediatamente antes de atravessar a rua e demorou certo tempo para se virar. Talvez tentando assimilar a voz que a tinha chamado o que nos fazia ter a certeza de que era ela mesma.

Quando ela finalmente se virou, não conseguimos conter nossos sorrisos. Tanto ela quanto nós. Parecia um pouco pasma com o que estava acontecendo e por certo tempo, ignorou a pessoa ao telefone. Voltando a falar com ela apenas segundos depois, despedindo-se enquanto nos cumprimentava.

— Chame o eletricista. — Completou. — Vou demorar um pouco, mas você não faz ideia de quem eu encontrei.

Ligação finalizada, nos levantamos da mesa e nos abraçamos. Eram tantas lembranças e tanta saudade que nosso abraço durou mais do que qualquer uma poderia imaginar. Mas acredito que precisávamos.

 

[…]

 

— Em uma sorveteria? — Ela questionou após ter ido pegar seu pedido no balcão e ter se sentado em nossa mesa com seu sorvete de creme. — É o último lugar no mundo que pensaria em encontrar vocês.

— Acho que podemos dizer o mesmo. — Comentei ainda não acreditando.

Passei longos anos sem qualquer notícia de minhas amigas e quando estou prestes a sair do país, consigo encontrá-las em um período de tempo tão curto. Entretanto encontrá-las, depois de tanto tempo e ainda sermos as mesmas de sempre me dava a garantia de que seríamos amigas para sempre independente do tempo.

Estaríamos juntas: agora, amanhã e para sempre.

Tiffany, Jessica e agora Hyoyeon. Uma pena que não estejam todas aqui.

— Como vocês estão? — Hyo perguntou. — As meninas vão adorar saber de vocês.

Arregalei meus olhos surpresa com sua frase.

— Espera... O quê? — Um sorriso involuntário começou a formar-se em meu rosto.

— Meninas? — Jessica também se espantou. — Você tem contato com elas?

Éramos duas eufóricas agora.

— Sim, bom não todas. — Explicou. — Mas a maioria.

Por um certo tempo, fiquei apenas observando o sorriso de Jessica com a informação de Hyoyeon. Quase poderia jurar que sim, era o destino dando uma segunda chance para todas nós.

— E como elas estão? — Jessica questionou. Seu sorvete já estava quase no fim o que a fazia comer cada vez mais devagar. — Como você está? O que tem feito?

— Tenho uma academia e dou aula de dança. — Ela começou. Jessica e eu nos entreolhamos. Não era surpresa para ninguém que Hyoyeon sempre gostou de dançar, mas não imaginávamos que levaria isso para sua vida mesmo. Eu fiquei muito feliz por vê-la seguir seu sonho e fazer algo que gostava. — Taeyeon trabalha comigo como professora de Yoga. Era ela no telefone. — Completou.

Havíamos encontrado mais uma de nossas amigas. Havia sido uma semana intensa e incrível.

— Tiffany vai adorar saber disso. — Completei após pensar na conversa que tivemos no início daquela semana.

Hyoyeon me encarou enquanto levava um pouco de sorvete à boca. Eram quase 11 da manhã, éramos mulheres adultas sentadas em uma sorveteria como três adolescentes.

— Vocês têm contato com a Tiffany? — Assentimos. — Acho que a Tae também vai adorar saber.

— Com quem mais você tem contato? — Voltei a perguntar ansiosa para que fossem todas. Hyoyeon tinha dito que eram a maioria e já que Jessica, Tiffany e eu não estávamos inclusas, torcia para que todas as outras estivessem.

— Sunny e Sooyoung têm um rolo. — Disse rindo. — São sócias de um petshop que abriu a caminho de nossa antiga escola. — Jessica e eu nos entreolhamos surpresas. Havíamos passado por lá minutos antes. — E a YoonA. — Terminou. — Eu a reencontrei há pouco tempo, veio à academia treinar dança. Ela está fazendo teatro.

Meus olhos quase saltaram das órbitas enquanto meu queixo quase foi ao chão. YoonA desde cedo era a mais desinibida de nós com talento para as artes cênicas. YoonA e Seohyun até protagonizaram algumas peças na escola e eu não tinha ideia de que ela tinha conseguido se manter no mundo artístico.

— E Seobaby? — Jessica questionou chamando-a por nosso apelido. A única que faltava.

Hyoyeon acenou negativamente.

— A última notícia que tive dela foi quando ganhou uma bolsa de estudos no exterior. — Pelo visto, todas tínhamos o destino de estudar fora. Mas certamente, Seohyun havia começado bem antes. Sempre estudiosa e com as melhores notas, era fato que conseguiria uma bolsa de estudos em uma boa universidade.

— Típico de Seohyun. — Jessica disse.

Estávamos tristes por não conseguirmos reunir todas, mas já éramos 8 e estávamos felizes por Seohyun. Considerando o tamanho de nossa sorte recentemente, com certeza a encontraremos e poderemos reunir todas nós em um mesmo lugar de novo.

— Mas e vocês? — Comentou retirando a colher de sorvete da boca. — Não acredito que finalmente ficaram juntas. — Eu me engasguei com meu próprio ar enquanto Jessica parecia ter ficado sem palavras. — Já estava na hora.

— Nós não... — Comecei a dizer como se tivesse um nó em minha garganta. — Jessica vai noivar amanhã. — Completei.

— Ah! — Hyo nos olhou por algum tempo, revezando seu olhar sobre mim e Jessica enquanto sua expressão parecia assustada. Um clima estranho ficou no ar e fora uma das poucas vezes que evitei trocar olhares com Jessica que parecia entristecida enquanto voltava a brincar com o resto de seu sorvete que estava quase todo derretido. — Meus pêsames.

— Hyoyeon! — Eu a repreendi.

Provavelmente Jessica não esperava por isso, espantando-se ao ouvir. Elevou seu olhar para nossa amiga e curiosamente riu.

— Eu disse a verdade.

— Deixe-a! — Jessica disse. — Ela está sendo ela mesma. — Jessica parou de sorrir por alguns segundos e ficou olhando-a. — Você e as meninas poderiam comparecer.

No minuto exato que terminou de falar sua frase, o celular de Hyoyeon voltou a tocar. Como estava sobre a mesa, conseguimos ver o visor e saber quem estava ligando: Taeyeon.

Hyoyeon apressou-se em terminar seu sorvete antes de pegar o aparelho em mãos assim como um pequeno cartão em seu bolso e uma caneta também. O telefone parou de tocar e segundos depois voltou. Certamente, parecia ser importante.

— Claro! — Hyo respondeu à pergunta de Jessica. — Aqui está o número de minha academia. — Mostrou ao colocar o papel sobre a mesa. — E aqui... — Com a caneta que estava em mãos, começou a anotar alguns números no verso do cartão. — Está o meu número. Me mande o endereço e a hora. — Jessica pareceu feliz, pelo menos. — Sinto muito por precisar sair correndo. Houve um pequeno curto na fiação da academia e estamos sem luz. — Seu telefone começou a tocar pela terceira vez. — E Taeyeon está precisando de mim.

Saiu correndo para a direção a qual estava indo antes de termos chamado ela. No meio do caminho, ela atendeu o telefonema. Embora não tenhamos conseguido tempo para falar com Taeyeon, agora tínhamos o número de Hyoyeon e, consequentemente, teríamos contato com todas as outras.

Grande dia.

 

[…]

 

— Eu acho que nunca esperaria encontrar Hyoyeon assim. — Comentei enquanto caminhávamos e ainda tentávamos digerir tudo o que estava acontecendo. Já havíamos terminado nossos sorvetes quando ela sugeriu que fôssemos até o parque onde passamos boa parte de nossa infância.

Parecia como uma grande retrospectiva.

— Viu? — Gabou-se. — A ideia de virmos tomar sorvete foi ótima. De nada. — Sua expressão convencida fez com que nós duas gargalhássemos.

— Quem diria que nós encontraríamos as meninas de uma forma tão incomum. — Suspirei elevando minha cabeça para o céu. O tempo estava mudando e conseguíamos perceber pelo vento gelado de vez em quando.

— Elas vão amanhã. — Jessica atraiu minha atenção para ela. — Você vai?

Seus olhos sobre mim pareciam quase implorar por uma resposta positiva. Eu suspirei mais uma vez.

— Claro, não vou ter nada para fazer amanhã. — Respondi. — Por que não? — Além do fato de que, a mulher que eu amo ficará noiva, não há nada a mais nisso né?

O clima tornou-se tenso novamente. Algo que tenho notado nos últimos dias é que, sempre que o assunto casamento é tocado, Jessica muda. Torna-se mais séria e seu olhar, distante. Por um segundo, pensei no que Tiffany havia me dito sobre Jessica não gostar dele. E se fosse verdade?

— Vem! — Jessica pegou minha mão de forma inesperada puxando-me para dentro de um estabelecimento e fora algo que não havíamos feito nos últimos dias. Notei que quando encontrei Tiffany e até menos Hyoyeon momentos atrás, nos abraçamos e tivemos mais contato físico do que Jessica e eu. Talvez fosse por eu ficar nervosa sempre que ela estava perto ou talvez, por outro motivo. — Vamos comprar doces.

Notei, pela primeira vez, que era a loja de doce que íamos quando adolescentes e a mesma a qual Tiffany e eu havíamos passado no dia que eu vim para Seul.

— Doces antes do almoço? — Questionei puxando-a de volta para a minha direção.

— Você está parecendo nossos pais. — Reclamou.

— Ou a Seohyun. — Acrescentei fazendo-nos rir. — Apenas por hoje!

 

[…]

 

Após nossa rápida compra de doces, Jessica decidiu que continuássemos caminhando. Acredito que ela já sabia para onde estava me levando, mas preferia manter segredo para ver minha reação e posso apostar que fora engraçada assim que chegamos ao parquinho para crianças que estava vazio, possivelmente por conta do horário. Já havíamos passado da hora do almoço e certamente, deveriam estar em casa comendo ou fazendo digestão para poderem voltar a brincar.

Jessica correu para o balanço que costumávamos brincar e sentou-se. Incrível que, mesmo anos depois, ainda conseguiríamos utilizar alguns dos brinquedos, tal como aquele que ela já arriscava se balançar.

Jessica havia me feito ter um dos melhores dias da minha vida, talvez essa tenha sido sua intenção desde o início. Eu estava me divertindo principalmente por tê-la comigo enquanto agimos insanamente pela cidade como duas crianças de novo.

— Isso não é brinquedo para crianças? — Comentei, aproximando-me dela.

— Então finja que temos 5 anos. — Respondeu apontando para seu lado onde havia outro balanço. Ponderei sobre o que deveria ou não fazer, mas acabei me rendendo a seus encantos. Sentei-me no balanço. — Como será daqui para frente?

Respirei fundo.

— Eu não sei. — Haviam muitas coisas acontecendo. Ela ficará noiva no dia seguinte enquanto eu viajo em 2 dias. Muitas mudanças estavam prestes a começar e eu realmente não fazia ideia do que poderia esperar. Também era uma incógnita para mim. A vontade que eu tinha era de confessar a ela o que eu sinto, mas ao menos tempo, eu não sabia se era o certo. Talvez eu complicasse, ainda mais, a vida dela. — Mesmo que fique complicado por estarmos em países diferentes, você sempre poderá me ligar ou mandar mensagem. — Disse, mesmo que doesse imaginar tudo acabando em dois dias.

Se ainda tivéssemos tempo...

— Não será a mesma coisa. — Ela respondeu. — Fazia muito tempo que eu não me divertia tanto quanto hoje.

— Acredite, eu sei.

O clima tenso voltou. O vento gelado ainda soprava e lá estávamos nós, em balanços de crianças desejando que fôssemos uma.

— Você está com medo?

— Em pânico. — Respondi.

Jessica esticou sua mão na minha direção encaixando-a perfeitamente na minha. Seu polegar acariciava minha mão lentamente e senti como se quisesse gritar. Estava gritando, por dentro.

— Vai dar tudo certo. — Jessica olhou gentilmente para mim lançando-me um lindo sorriso. Seus olhos castanhos perfeitos refletindo a pouca luz solar que tínhamos e eu não poderia desejar momento mais perfeito. — Lembra quando éramos mais novas e não conseguíamos dormir?

Assenti positivamente tentando não chorar. Era claro que eu me lembrava.

— Eu te ligava e ficava ouvindo sua voz até adormecer. — Engoli a seco lembrando-me do dia que a liguei. Estava apreensiva com minha mudança e Jessica cantou para mim. A voz mais suave que já ouvi. Nem ao menos sabíamos que ela poderia cantar e naquela noite, eu dormi chorando por saber que provavelmente nunca ficaríamos juntas.

A música, me lembro até hoje. Era Almost de uma cantora chamada Tamia, se não me engano. Ela gostava muito e certamente, sua versão ficou melhor do que a original; sua letra e tudo que ela dizia se encaixava muito em nosso contexto.

— Sabe que ainda pode fazer isso, não é?

— Agora eu sei. — Apertei sua mão e ela assentiu. — As coisas pareciam mais simples quando éramos mais novas.

— Talvez não tenhamos aproveitado todas as nossas oportunidades. — Ela disse e eu a encarei quase como se ela pudesse saber sobre o que eu estava falando e talvez soubesse considerando sua carta que ainda estava comigo, ao lado de minha cama na casa de Tiffany. A mesma que leio toda vez antes de dormir e sempre que acordo.

Se eu tivesse lido essa carta anos atrás, como seriam nossas vidas agora?

— E se nunca mais a tivermos?

Ela estava prestes a noivar. Considerando como tudo estava acontecendo rápido demais, talvez fosse questão de semanas até que o casamento ser marcado oficialmente. Eu havia perdido.

— Então teremos que conviver para sempre com esse sentimento. — Completou parecendo desmotivada. Nossas mãos ainda estavam encaixadas uma a outra enquanto eu a olhava. — Você, em algum momento, pensou em voltar para cá? — Questionou, dessa vez, virando-se para mim.

Soltei o ar que eu prendia.

— Eu voltei. — Disse. — Procurei por você, mas você tinha se mudado.

Era impossível não perceber a mudança na expressão de Jessica assim que ela tornou-se triste. Talvez ela ainda gostasse de mim, talvez não. Mas o fato é que, um dia, já gostou e esse sentimento parecia refletir no hoje e agora.

— Em algum momento, durante esses dias, você tentou reconsiderar tudo que já sabia e pensou em arriscar em algo incerto? — Senti o peso de suas palavras. Desde o primeiro dia, desde a primeira linha de sua carta, desde tudo. Eu só conseguia pensar nela. — Porque o incerto talvez seja aquilo que a fará feliz... — Ela completou.

— Pensei em ficar em Seul. — Confessei. — Pensei em criar raízes aqui.

— Você não pode desistir de seus sonhos. — Intimou. — Não como eu fiz. Tenho estado desistindo do que eu quero desde sempre. — Completou levantando-se do balanço. Ela passou sua mão livre sobre seu próprio rosto. Quase poderia jurar que ela havia chorado, mas assim que voltou a me olhar, já tinha um largo sorriso. — Vamos, ainda não fizemos as compras para Tiffany.

E, de mãos dadas, caminhamos de volta para onde havíamos colocado seu carro.

 

[…]

 

Eu já conseguia imaginar o jantar que eu faria para quando Tiffany voltasse para a casa. Nossa passagem pelo supermercado fora mais rápida e silenciosa assim como nossa volta para casa. Estávamos nos encaminhando para o fim da tarde quando Jessica estacionou em frente a casa de Tiffany e ela ajudou-me a guardar as compras.

Não foi grande coisa mas agora eu já teria mais opções de pratos para fazer enquanto estivesse ali além de poder enviar, periodicamente, dicas de receita para ela. Queria realmente que ela abandonasse o hábito de comer fora e passasse a comer comida caseira.

— Obrigada por hoje. — Agradeci assim que a levei até a porta para nos despedirmos.

Foi, realmente, um dia para me lembrar.

— Eu me diverti muito hoje. — Ela comentou. — Algo que eu não fazia há muito tempo. Então, acho que eu que te devo agradecimentos.

— Será?

Confesso que, o que veio em seguida não era, nem de perto, algo que eu esperava. Jessica aproximou-se de mim e me abraçou. Pude senti-la em meus braços, sua pele macia e seu suave aroma. Era a primeira vez que nos abraçávamos e eu queria ter essa sensação para sempre.

Após o abraço, ela sorriu para mim, acariciou meu rosto e disse:

— Até amanhã.

— Até. — Respondi.

Enquanto a via se encaminhar para o carro e por fim, se distanciar eu tive a certeza que esse havia sido, sem dúvidas, um dos melhores dias da minha vida.

 

 


Notas Finais


E foi isso, no capítulo especial de aniversário da Tiffany que é hoje tivemos mais reencontros e, é óbvio que, ot9 é essencial.

E o tempo está passando, dois capítulos para a viagem e, no capítulo de amanhã, o tão esperado dia do noivado. Palpites? Teorias? hehe
Até amanhã amores. Espero que estejam gostando!


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