História If You Stay - Capítulo 4


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Categorias Jogos Vorazes (The Hunger Games)
Personagens Annie Cresta, Cashmere, Cato, Clove, Coriolanus Snow, Delly Cartwright, Effie Trinket, Enobaria, Finnick Odair, Foxface, Gale Hawthorne, Glimmer, Gloss, Haymitch Abernathy, Johanna Mason, Katniss Everdeen, Madge Undersee, Mags, Marvel, Peeta Mellark, Personagens Originais, Primrose Everdeen
Tags Amizade, Amor, Drama, Everllark, Família, Jogos Vorazes, Katniss, Peeta, Peetniss, Romance, Songfic, Thg, Universo Alternativo
Visualizações 205
Palavras 3.969
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção Adolescente, Luta, Musical (Songfic), Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Demorei um pouco para aparecer aqui novamente, sorry, está uma correria na minha vidaaaaa que só por Deus!
Novamente, gostaria de agradecer aos comentários maravilhosos que eu recebi no capítulo anterior, estou muuuuuuito feliz mesmo que estão gostando da fanfic, isso prova que estou no caminho certo com essa bagaça (espero kkk)
Agradeço também aos favoritos, nem acredito que estou com esse número com tão poucos capítulos! Que uau kkk Eu não esperava por algo assim!
Bom, essa fanfic não se concentrará apenas no nosso otp maravilha, embora seja o principal, por isso vão surgir outras histórias e outros pontos de vista, espero que não seja um problema pra vocês e espero que gostem!
Boa leitura, seus lindosssss 💖💖💖💖💖💖

Capítulo 4 - Desavenças


Fanfic / Fanfiction If You Stay - Capítulo 4 - Desavenças

O céu não está apenas cinza e envolvido pelas nuvens negras, a chuva torrencial cai em grossos pingos gélidos e o vento violento os empurra para o meu rosto. Minhas botas ensopadas fazem um barulho irritante ao se arrastarem pelo chão molhado da calçada e o meu corpo molhado me proporciona calafrios constantes, o que me faz amaldiçoar Johanna por ter sumido pela manhã para depois ir embora com Jake Smith, o irmão imbecil de Hayley. Não sei como alguém realmente consegue achá-lo interessante e me surpreende logo Johanna, que sabe muito bem o tipo de cara que ele é, ter sido uma das pessoas a querer dormir com ele. Foi ele quem quebrou o coração de Annie e a fez ficar trancafiada em seu quarto por três semanas, ele mentia para a mesma enquanto estavam em um “relacionamento”, quando a verdade era que ele não passava de um drogado de merda que abusava de outras garotas e que, para sorte dele ainda não tinha sido pego. Por pouco ele não conseguiu fazer de Annie uma vítima, ela terminou tudo com ele após a segunda tentativa e ele apareceu para importuná-la depois, que foi quando eu me enfureci e quebrei seu nariz. Eu devia ter feito muito pior do que isso, obviamente ele merece, mas Annie não deixou que eu continuasse e me enxotou de seu quarto enquanto eu me certificava de que Jake Smith nunca mais incomodaria minha irmã. Isso funcionou, mas sempre que nossos caminhos se cruzam ele faz questão de fazer comentários maldosos sobre a mesma, ele quase sempre está chapado e talvez essa seja a única coisa em comum que ele têm com Johanna, o que me leva a pensar que talvez ela não estivesse muito consciente do que estava fazendo ao aceitar sair com Jake Smith.

Por um momento, meu coração dá uma guinada e eu paro no meio da calçada; a chuva ainda cai sobre os meus cabelos já molhados e grudados sobre a minha testa. Isso não é muito importante agora, pois, a preocupação com a minha amiga nunca esteve tão presente quanto agora. Johanna em confusão não é novidade, mas Johanna chapada com um aproveitador insano é perigoso e eu precisava ter certeza de que ao menos ela estava lúcida. Johanna é inteligente e não ia deixar que alguém se aproveitasse dela, mas isso não é uma garantia quando a mesma não está sóbria.

Penso em ligar para ela para ver se está tudo bem, mas o meu celular não está mais com bateria e quase o jogo no chão de tão irritado que eu estou no momento. Droga, Johanna! Não podia ser mais responsável? O que eu faria se acontecesse alguma coisa com essa maluca? Meu corpo sobressalta ao susto quando sinto um jato de água me atingir por completo e alguns pingos de lama voarem sobre o meu rosto e cabelo, o que é o suficiente para eu ser tirado de meus devaneios e virar em direção ao velho Hummer H2 de um laranja desbotado que se encontra parado ao meu lado.

Quando o vidro riscado é abaixado com certa dificuldade eu reviro os olhos com irritação ao ver novamente Katniss Everdeen com o seu sorriso presunçoso olhando em minha direção. Essa garota realmente não sai do meu caminho, como se já não bastasse na escola eu a encontrava fora da mesma também? De qualquer maneira, isso continua não sendo a coisa mais importante no momento, por isso, ignoro a minha irritação e o sorriso insuportável de Katniss e caminho em direção ao seu carro. Antes mesmo que ela faça algum comentário, posiciono os meus braços sobre os vidros e a fito com o semblante sério.

— Olha, eu sei que não somos amigos e que você provavelmente me odeia, mas a bateria do meu celular morreu e eu preciso muito fazer uma ligação. Será que... – eu nem precisei terminar a frase para que Katniss abrisse a porta do carro para mim, liberando a minha entrada.

Estranho sua gentileza comigo, mas não nego seu convite e rapidamente subo em seu carro, fechando a porta e o vidro em seguida. Nunca estive em um carro alto antes, mas a maneira como o mesmo sacode enquanto anda é tão desconfortável quanto o silêncio que reina entre Katniss e eu. Ela está concentrada na estrada e em nenhum momento seu olhar cruza com o meu, o que me leva a me perguntar em que momento ela irá me emprestar o seu celular, já que foi o único motivo para eu realmente ter aceito sua carona.

Katniss para o carro quando o semáforo mostra a cor amarela, suas mãos soltam o volante e descansam agora sobre seu colo, onde seus olhos estão repousados. Tento não parecer ansioso ou insistente demais ao lhe pedir o celular emprestado, mas eu realmente estou preocupado com Johanna. Não a vi depois que decidi ir à sala de música quando cheguei à escola e não podia deixar nada de ruim acontecer com a minha melhor amiga.

— Katniss, eu agradeço por me tirar da chuva. – ela finalmente me olha e parece estranhar toda a minha preocupação e tom de voz alarmado depois de ter me sujado propositalmente, mas no momento nenhum desses detalhes são importantes. — Só que eu realmente preciso falar com Johanna.

— Por que você estava parado no meio da calçada tomando chuva? – pergunta, curiosa. — Você não lê? Pneumonia pode matar, seu maluco! Não sabia que a sua ignorância era tão elevada a esse ponto. Você não tem carro, astro do rock?

— Você não parecia estar tão preocupada com a minha saúde quando jogou lama na minha cara, docinho. – retruco, assistindo seus olhos se revirarem. — Mas quer saber, você merece um abraço.

— O quê?

Sorrio ao ver sua cara de interrogação quando eu me aproximo de seu corpo e o envolvo com os meus braços, sujando seu cabelo de lama e deixando sua roupa molhada e igualmente suja. Katniss me empurra para longe de seu corpo, voltando suas mãos para o volante e os olhos para a rua assim que algumas buzinas se fazem presente em nosso campo de audição. 

— Respondendo sua pergunta, eu tenho um carro e é muito melhor do que seu modelo de GTA acabado. – novamente vejo seus olhos se revirando a minha provocação e sorrio satisfeito. Na mesma moeda.

— Quantos anos você tem? Oito? – resmunga, irritada. — Agora vou ser obrigada a ir à lavanderia antes de trabalhar. Você me deve um suéter novo!

— Você precisa de um guarda-roupa novo, isso sim. – retruco. — Mas já que faz tanta questão, eu peço para a minha vó tricotar um pra você, mas vai ter que esperar até o natal.

— Eu devia ter deixado você morrer com pneumonia na chuva. – comenta, irritada. Então lembro-me do real motivo para estar sentado nesse banco velho e rasgado do terrível carro de Katniss Everdeen e a preocupação me toma novamente. – O que há com você, Mellark? Já vou avisando que o máximo que eu consigo é lidar com a sua ignorância, bipolaridade já é demais. – a loira constata ao me analisar, e só então eu percebo o quanto ela está próxima do meu corpo. Viro meu rosto na direção contrária e observo a casa simples de pintura desbotada da qual o carro está estacionado em frente.

— Essa é a sua casa? – pergunto, interessado.

— Nem todo mundo é filho de um cantor famoso. – volto meu olhar para a loira, mas a mesma já está abrindo a porta do motorista e descendo do carro, deixando-me sozinho no mesmo.

O que diabos ela quis dizer com isso? Por acaso ela está me chamando de esnobe?

Desço do carro, assistindo seu corpo se encaminhar até a pequena casa e, irritado, corro em sua direção, puxando seu braço sem qualquer delicadeza. Katniss arqueou sua sobrancelha loira quando a fiz olhar para mim, mas não lhe dei atenção e permaneci com o toque. Seu cabelo está com um aspecto mais escuro devido a chuva e sua franja está colada em sua testa de maneira desajeitada, moldando perfeitamente seu rosto corado. Seus olhos destacam sua pele clara e parecem viajar entre o verde e o azul, mas ainda sim, brilhando daquela maneira única que eu presenciei durante o dia de hoje.

— Olha aqui, se ainda quiser usar a droga do telefone, acho bom me soltar. – avisa, tentando em vão se desvencilhar do meu toque.

— Você nem me conhece e fica tirando conclusões equivocadas sobre mim! – exclamo, irritado. — Quem te deu o direito de tal coisa? Você sempre fica julgando todo mundo que não conhece ou eu sou o único do qual você gosta de insultar?

— Por que que você acha que tudo é sobre você? – sua pergunta me deixa em silêncio. — Tem tanta gente a sua volta e tudo o que você consegue ver é esse seu ego enorme. Para a sua informação, Peeta Mellark, qualquer um pode dizer exatamente como você é sem precisar ter trocado uma palavra com você. Você é facilmente legível. Anda por aí com sua jaqueta de couro estúpida achando que pode conquistar qualquer garota só porque é filho de um famoso cantor de rock, mas advinha só, astro do rock, isso não é uma qualidade! – se desvencilha do meu toque quando afrouxo o aperto em seu braço, ainda embasbacado com suas palavras. — Quem está julgando agora? – vira as costas para mim e sai pisando duro até a pequena casa rústica a poucos metros de distância de onde eu estava.

— Katniss! – chamo-a, a mesma se vira para mim com os braços cruzados. — Eu preciso verificar se Johanna está bem, eu... ainda poderia usar o seu telefone, por favor? – peço, baixo. A loira suspira, cansada; seus braços se descruzam e caem ao lado de seu corpo.

— Com uma condição.

— Que seria...?

— Primeiro você vai levar a minha roupa na lavanderia, eu te dei uma carona e você me deve. – reviro os olhos com o pedido. — A condição é que você me conte uma coisa sobre você que não tenha dito a ninguém, aí poderá usar o meu telefone e... – me analisou por um momento. – tomar um banho se quiser. Esperar a chuva passar e eu te levo de volta para casa.

— Por que você está fazendo isso se me acha tão horrível? – pergunto a ela, confuso.

— Porque diferente de você, astro do rock, eu não me importo com o que as pessoas pensam.


-x-


A casa de Katniss é pequena e aconchegante, tudo no mesmo estilo rústico que mostrava ser pelo lado de fora. A decoração é simples e tudo parece impecavelmente limpo, os quadros na parede são apenas de pinturas rupestres e há algumas esculturas exóticas espalhadas pela pequena sala. Não há retratos de Katniss ou de sua família em lugar algum, mas resolvi não perguntar nada a ela. Ainda estou surpreso com tudo o que tinha sido jogado em minha cara e a maneira peculiar de Katniss de me fazer ficar mesmo depois de eu insultá-la várias vezes. O que ela havia dito sobre mim obviamente me irritou, mas ela fez isso o dia todo e considerando o fato de que vamos ter que ficar juntos de qualquer maneira o que eu poderia fazer senão ficar? Eu não tenho mesmo uma escolha, mas ao menos aqui não teria comentários irritantes e minha reputação continuaria intacta.

Em minha casa tem muitos retratos em família, fotos minhas e de Annie e dos meus pais espalhadas pela casa. Desde que eu me entendo por gente somos todos muito próximos e continuamos assim, tenho o apoio de ambos sempre que eu preciso. Ver a ausência de porta retratos na casa de Katniss, embora seja algo extremamente pequeno e talvez nem mesmo importante, faz com que o clima, pelo menos para mim, parecesse fúnebre. A ausência de porta retratos poderia não significar nada, mas ainda sim preferi não perguntar e Katniss e eu não somos amigos para que eu invada sua vida dessa maneira.

Katniss não tem um celular, mas eu também não perguntei o por quê. Apenas a segui até a pequena sala muito bem arrumada, onde ela deixou que eu me sentasse no pequeno sofá caju para poder, enfim, ligar para Johanna. Ela não me pergunta nada sobre o motivo da ligação ou qualquer coisa em relação a isso, de fato, a mesma não está nem um pouco interessada na minha vida pessoal, apenas está sendo educada. Por isso, assim que Katniss me entrega o aparelho, a mesma me deixa sozinho na pequena sala e entra em um outro cômodo em frente a mesma, que pelo que me parece é o banheiro. Volto minha atenção ao aparelho e disco os números já tão conhecidos por mim e levo o aparelho até a orelha, escutando o toque prolongar umas cinco vezes antes de alguém finalmente atender.

— Johanna? – chamo.

— Peeta! – a voz de Gale soa aliviada. – Estava tentando te ligar há algum tempo para avisar sobre Johanna. Madge me disse que você estava com Clove no fim das aulas, mas não consegui lhe encontrar ou telefonar depois.

— Aconteceu algo com ela? – pergunto, preocupado. — Finnick me disse que ela estava com Jake Smith no intervalo.

— Eu não sei se é você quem precisa se preocupar com isso. – sua voz está tensa e isso me assusta. — Eu não sei quanto a Jake Smith, mas Johanna está bem. Ela passou mal mais cedo e eu a encontrei, a levei para a enfermaria e pedi a Delly para que a mesma chamasse Madge, por ser mais compreensiva achei que ela pudesse ajudar. Só que ela precisa de outro tipo de ajuda agora e por você ser o mais próximo dela, imaginei que soubesse o que fazer.

— Para de palhaçada e diz logo o que aconteceu, porra!

— Parece que a Johanna está... grávida.

— O quê? – meus olhos se arregalam em incredulidade e eu me levanto do sofá em um movimento brusco, quase derrubando o aparelho no chão. — Porra, os pais dela vão me matar! – exclamo, passando a mão pelos meus cabelos molhados veementemente, bagunçando-os.

— Você é o pai?! – pergunta Gale, em uma mistura de incredulidade e surpresa.

— ‘Tá maluco? – digo, exaltado. — Eu jamais deixaria isso acontecer em hipótese alguma, sou muito cauteloso nesse quesito. Johanna dorme com um monte de caras, pode ser qualquer um e isso só ela pode responder.

— Tudo bem, mas e agora? – pergunta. — Ela precisa ir pra casa...

— Você pode ficar com ela um pouco? – pergunto. — Acho que em um momento como esse ela precisa de companhia e... – ouço seu suspiro do outro lado da linha. — Olha, cara, desculpe por colocar você nessa situação, eu nunca pensei que isso poderia acontecer.

Não, tudo bem. Eu fico com ela, sim. Não tem problema, Peeta. – assegura. — Madge ficará aqui também, estamos na minha casa, se não se importa.

— Não, claro que não! Eu vou assim que eu puder, tudo bem?

— Ok, te mantenho informado.

Quando finalizo a ligação e coloco o aparelho em seu devido lugar, meu corpo cai novamente sobre o sofá. Eu não consigo acreditar que Johanna não foi cautelosa quanto as precauções, e o fato de a mesma ter ido se comunicar com Jake Smith me leva a pensar que ele pode ser o responsável, embora qualquer cara com quem ela devia ter dormido enquanto estava chapada pudesse ser o responsável. De qualquer forma, os pais de Johanna – que são excessivamente estritos – não me deixarão em paz quando souberem da situação presente da filha. Eles me conhecem e gostam de mim, mas não sabem que, além de mim, Johanna sai com outros. Então não só ela irá ouvir sermão como eu também porque provavelmente irá chegar nos ouvidos dos meus pais e apesar de os mesmos serem liberais em diversos assuntos gravidez é algo sério, somos novos demais e me parece muita responsabilidade para dois adolescentes inconsequentes e eu não estou pronto para esse tipo de responsabilidade e sei que Johanna também não. Principalmente pelos seus costumes de vida. Mesmo que eu não entenda nada sobre gravidez, sei que os costumes de Johanna não são saudáveis para uma criança.

Me encaminho para a porta entreaberta que Katniss havia entrado minutos atrás, imaginando que a mesma já deveria ter saído. Essa história de gravidez me proporcionou uma leve dor de cabeça e eu até me esqueci de que eu ainda estava molhado e que, de fato, essa não é a minha casa. Ao adentrar o recinto meu corpo sobressalta ao ouvir o grito assustado de Katniss e então percebo que esse não é o banheiro e sim o seu quarto.

— Que inferno, Peeta! – Katniss tenta soar irritada, mas a mesma se enrola nas palavras, encabulada com a situação. Ela aperta a toalha branca enrolada em seu corpo contra o mesmo, suas mãos apertam as roupas íntimas que está segurando com força e suas bochechas grandes estão violentamente rosadas. — O que raios você está fazendo aqui? – pergunta, afoita.

— Me desculpe, pensei que fosse o banheiro. – tento reprimir o riso, mas o sorriso e a risada simplesmente escapam pelos meus lábios.

— Não tem graça, seu boçal! – joga um travesseiro contra o meu rosto e minha risada perlonga, fazendo com que a loira ficasse ainda mais vermelha de irritação. — Você é muito infantil!

— E você é muito esquentadinha, docinho. – digo, ameno. — Já pensou em sorrir? Aposto que seu dia ficaria muito melhor se o fizesse, além do mais, eu não vi nada que já não tenha visto antes. O que é isso? Uma borboleta? – pergunto, interessado, me aproximando de seu corpo. Katniss permanece estática em seu lugar enquanto meus olhos localizam a perfeita tatuagem de borboleta em seu ombro direito, tocando sua pele clara levemente com os meus dedos.

— Eu não sou esquentada! – exclama, se afastando do meu corpo rapidamente. — Você já fez sua ligação? Se sim, o banheiro é na porta ao lado. Bom banho pra você. – resmunga, nervosa, me enxotando de seu quarto em seguida.

Um momento de distração com Katniss foi o suficiente para que eu me esquecesse da situação atual de Johanna. Sei que Gale não pode levar a culpa por algo que ele não tem nada a ver, já deve ser um esforço para ele ter que cuidar de Johanna por agora. Ainda mais se considerar o receio que ele tem de se aproximar da mesma, não sei por qual motivo, mas ele ignorou completamente seus princípios para ajudá-la porque eu pedi. Além de dever a Katniss, agora eu estava devendo a outras pessoas também. Afinal, Madge está ajudando Gale com Johanna enquanto eu estou, novamente, preso com Katniss Everdeen em sua casa.

Assim como o resto da casa de Katniss, o banheiro também é pequeno. Mas não dou muita importância a isso enquanto me dispo, observando a diversidade de toalhas dobradas em cima de um cesto de roupas decorado. A água do chuveiro é morna e parece não aquecer o meu corpo quando entra em contato com o mesmo e decido não enrolar muito embaixo da água, afinal, não quero tirar mais proveito da peculiaridade de Katniss e se o dilúvio não cessasse eu iria tomar outro banho de qualquer maneira. Por isso, faço tudo o que tenho que fazer de maneira rápida, sem deixar tempo para me preocupar ainda mais com a situação de Johanna. O que, de fato, não funciona. Pois, quando volto ao quarto de Katniss após o banho tomado, a mesma não reclama por eu estar semi nu em seu quarto, embora eu não tenha deixado de reparar o seu olhar furtivo e suas bochechas rosadas. Não sei de quem são as roupas que ela me entrega, mas assim que estou seco, visto a calça jeans de lavagem clara e em seguida a camisa vermelha, ignorando o olhar de Katniss sobre mim.

— Pretende ficar me olhando assim por muito tempo? – pergunto, passando a toalha pelos meus cabelos castanhos, vendo seu corpo estático próximo a parede desgastada do outro lado do quarto.

— Você tem... muitas tatuagens. – comenta, encabulada.

— Quero cobrir o outro braço. – digo com um sorriso, levantando o braço esquerdo desnudo. Katniss se aproxima e toca em meu braço esquerdo, observando o desenho de uma vitrola na parte de trás do meu braço, sendo essa a única tatuagem do mesmo.

— Você gosta mesmo de música. – seu tom de voz parece surpreso e eu arqueio minha sobrancelha quando ela me encara. — Eu pensei que você fosse apenas um exibido.

— Quem está julgando agora? – repito sua frase, assistindo a loira revirar seus olhos cinzas com um mínimo sorriso.

— Senta aí e cumpra minha condição. – pede Katniss, apontando para o grande pufe alaranjado ao meu lado, onde me sentei como ela tinha pedido.

— Você gosta de laranja. – digo, decorando em minha mente o quanto de laranja eu havia visto pelo seu quarto e casa, incluindo seu carro. — Eu posso te dizer a minha cor favorita? – arrisco. Não quero contar nada pessoal meu a ela, não somos amigos.

— Não pode. – um sorriso presunçoso surge em seus lábios, fazendo as covinhas em seu queixo aparecerem. — Não estou nem aí para a sua cor favorita, quero sentimentos e realidade. Como espera que tiremos uma nota boa no trabalho de Cashmere? Somos a única dupla a se apresentar!

— Cores são sentimentos! – retruco.

— Sei. – revira os olhos. — E eu sou a Regina George. Anda logo, Mellark!

Bufo irritado.

— Tudo bem, eu... faço esculturas com argila. – escondo o meu rosto com as mãos, esperando ouvir risadas, mas Katniss permanece em silêncio. Tiro as mãos do meu rosto apenas para fitar o seu.

— Eu não esperava por isso.

— Eu sei que é bizarro, m...

— Não é bizarro! – exclama. — Gosto de uma boa arte, mas é sério que não contou isso a ninguém? – pergunta, seus olhos semicerrados.

— Nem mesmo a Annie.

— Não tem medo de que eu espalhe seu segredo? – provoca, sorrindo.

— Você não tem como provar que eu disse isso a você, eu negaria e sua palavra seria esquecida. – lhe devolvo o sorriso presunçoso.

— Você ainda tem que levar minha roupa à lavandeira, Picasso.

— Picasso é muito previsível, docinho. – rio ao ver a mesma rolar os olhos novamente. — Devia ter tentado Philippe Faraut ou...

— Eu nem sei pronunciar isso. – faz careta.

— Você disse que gostava de uma boa arte. – aponto, lembrando do que a mesma tinha dito a minutos atrás.

— Gostar é uma coisa, saber todos os nomes é outra bem diferente. Vamos, eu ainda preciso trabalhar. Vou te levar para casa, argila.

— Esses apelidos estão passando dos limites. – comento, após sair de seu quarto ao seu lado.

Observo seu corpo em mais um vestido comprido horrível de um rosa apagado se encaminhar até a sua cama onde pega as suas roupas úmidas e sujas, seu cabelo loiro levemente ondulado e um tanto úmido balança junto ao seu corpo enquanto a mesma segue até a porta onde eu estou parado. Katniss joga suas roupas molhadas em meus braços e se encaminha para o banheiro, recolhendo as minhas roupas molhadas e sujas e jogando-as acima das suas com um sorriso vitorioso desenhado nos lábios.

— Você quem começou, raio de sol. – provoca. — Boa sorte com as roupas, eu particularmente gosto da lavanderia no final da rua, mas você pode escolher. Ah, e não esqueça suas botas ou vai morrer de pneumonia antes de trazer as minhas roupas limpas e secas.

Agora eu não tenho mesmo dúvidas sobre o quanto eu odeio essa garota!


Notas Finais


E então? Me digam o que estão achando!!!
Espero mesmo que continuem gostando da estória e que tenham gostado do capítulo tanto quanto eu gostei de escrevê-lo ❤
Obrigadaaaa por tudooooooo, vocês são fodásticos e estão guardadinhos em um espaço no meu coreeeee 💙, da cor dos olhos do nosso astro do rock kkk :3
Um beijo na teta esquerda de vocês e até breve ♥♥


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