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História Ilusion - Capítulo 4


Escrita por: e _Miranha_


Notas do Autor


Boa noite, passageiros!

Aqui vai mais um capítulo fresquinho de "Ilusion".

Bom, peço perdão pelas bíblias, mas são necessárias, entendam... Apenas com elas eu consigo explicar cada ação dos personagens de vocês. Além disso, usei bastante das falas no final... Espero que gostem!

No mais, boa leitura! Eu irei responder todos no outro capítulo assim que possuir um tempo considerável!

Capítulo 4 - Edimburgo


Fanfic / Fanfiction Ilusion - Capítulo 4 - Edimburgo

00 horas e 00 minutos

As luzes do avião já estavam apagadas e o silêncio reinava. Ao lado de fora, uma ventania começava a fazer os nervos do piloto temerem algo pior e o clima dentro do transporte era reduzido a sucata; como se algo estivesse acontecendo, ou prestes a acontecer. De qualquer forma, Simchah estava extremamente acordada, observando cada movimento estranho ocorrendo na lataria da aeronave. Ao seu lado, Hadassah cochilava. Ela não costumava simplesmente fechar os olhos nas viagens com a irmã, mas, dessa vez, não resistira e, assim, não muito distante, o garoto incoveniente era observado pela pequena enquanto navegava por seu smartphone, mesmo estando a oito mil pés de distância da terra, o que era fascinante. Entretanto, algo parecia não encaixar. Como em histórias nórdicas, os povos tendem a pressentir o caos vindo, mesmo que de bem longe, e com a jovem Ben Asher não foi diferente. Suas pupilas dilataram e um calafrio a rondou pelo corpo, como se um vento forte houvesse passado pelo corredor ao seu lado. A garota travou as unhas nos braços acolchoados da poltrona e fixou seus olhos no banco à frente, tentando cutucar a irmã com o ombro, mesmo que quase imobilizada, a qual despertou com os olhos estupidamente arregalados. 

— O que houve, Simmy? — a mais velha sussurrou, aproximando seu rosto ao da irmã. Apesar de ter acabado de acordar, Hadassah percebia que a pequena não estava como de costume e, claramente, algo a atordoava. — Tá se sentindo bem? 

— Que barulhos são esses, Haddy? — respondeu-a em um sussurro rapidamente, segundos antes dos tremores iniciarem.

 Sua cabeça voou para trás, assim, Simchah acreditava friamente que não sairiam dali vivas e, naquele instante, a aeronave cursou seu momento mais perigoso, senão o pior, de toda a viagem. As máscaras caíram e as luzes se acenderam; tudo para deixar o maior número possível de passageiros em estado alerta. Simmy, com o auxílio da irmã, colocou os adereços e tentou hiperventilar da forma mais descontrolada possivel, travando-se por completo na cadeira. Hadassah, por sua vez, buscou desesperada, já com o auxílio do oxigênio, seus remédios para acalmar-se, enquanto Noah as julgava sem tentar disfarçar, afinal, sempre viajava em aviões de grande porte, mas, o que tinham em comum com todos, era a existência de turbulências assustadoras. Entretanto, para a Ben Asher mais velha, isso não importava. A mulher fechou os olhos, colocando as mãos por cima das da irmã e rogou a Deus que as tirasse daquela situação, implorando também para que a pequena não explodisse em meio a uma crise, afinal, já bastava uma em surto e que seus remédios fizessem efeitos.  

Do outro lado do avião, enquanto isso, Giselle, sem deixar o medo transparecer, tentava acalmar a filha, que se mostrava mais impaciente que o comum, chutando o banco da frente e dando mais gritos de ódio que de medo. Já John, ao lado de ambas, plainava sobre a calmaria, como se estivesse em apenas mais uma turbulência; colocando a máscara, já que é uma ordem maior, e esperando, na posição certa, tudo aquilo passar. Entretanto, a histeria da jovem Mia afetou todos que estavam em volta, chamando a atenção de um homem acomodado em uma das poltronas ao lado: Apus. O médico viajava, para sua má sorte, ao lado da primeira ministra que, por mais indesejado que fosse, era de uma calma surreal e, após ambos terem seguido as ordens perante a situação, notar uma criança atordoando suas cabeças não era algo interessante. Assim, Moore revirou os olhos, sem encaixar a tal máscara no rosto, apenas a segurando próximo, já que acreditava ser coisa pouca, e virou-se na direção das batidas, dando de cara, inconvenientemente, com Giselle Stone, sua primeira namorada. A mulher não se mostrou feliz com o que viu, bufando e mudando suas atenções à filha novamente, mas, definitivamente, deixou Vance atordoado; perdendo seu olhar ao nada por alguns segundos e se esquecendo do que estava acontecendo. 

Independentemente de quem estava ali ou qual era a situação, o caos momentâneo se instaurou por alguns passageiros; na poltrona da janela, Alice observava, calmamente, Cheley em meio ao surto, logo após arrancar os fones de ouvido e fechar os olhos fortemente. Assim, não muito longe dali, Luca respirava pela máscara, devido ao sufoco da claustrofobia, enquanto, ao seu lado, Nina repetia à si mesma "está tudo bem" e Euphoria lidava com a taquicardia segurando seu exemplar "flores para algernon". Ao lado, Nicoletta tentava acalmar o nervosismo eminente, sendo auxiliada por Nikolay. Já nas poltronas laterais, o casal Willy e Arthur tentavam se ajudar; enquanto, atrás, Bridgett tentava se lembrar que era algo comum e Maverick seguia em sua calma. Porém, já no final da turbulência, Ares e Charlie acalmavam a jovem menina, mesmo estando morrendo de medo, o que logo passou, quando, finalmente, a voz do piloto anunciava a passagem pela nuvem com um "Passamos por uma pequena turbulência. Estamos há quatro horas de Edimburgo, meus caros". 


04 horas e 20 minutos

Beirava a madrugada e o avião já avistava a pista; finalmente chegaram. Assim, logo após o pouso, Apus seguiu sozinho pela ponte de desembarque; o que já era esperado. Seus pés fizeram eco pelo corredor escuro e vazio, enquanto o mesmo ajeitava as mangas de seu terno preto, com cetim vermelho em seu interior. Porém, ao chegar em pleno aeroporto, seguido de alguns passageiros, Vance sentiu um calafrio percorrer todo seu corpo e uma fisgada em sua cabeça, a qual estava se fazendo mais comum que o normal, mas que, para o médico, não importava, afinal, era um neurocirurgião e saberia se algo estivesse errado com seu corpo. Ele encarou em volta e, apesar de algumas luzes fracas estarem acessas, o breu reinava, bem como a falta de pessoas trabalhando; nenhum segurança, passageiro, ou qualquer uma das moças presentes nos check ins, assim como na esteira de bagagens, a qual se encontrava parada.

— Esqueceram de nós e fecharam o aeroporto? — Nina, a garota de cabelos castanhos, a qual usava uma bela jaqueta de couro, riu preocupada, se aproximando um pouco mais de Apus, na intenção de ficar mais à frente. Ela encarou alguns computadores, mas tudo aparentava estar há muito tempo abandonado. 

— Por que fechariam? — Arthur repreendeu, franzindo o cenho, tomando os olhares do noivo e se virando à moça que, há pouco, se procunciou. — Nosso vôo é o maior a sair de San Diego — bufou dando mais uma olhada ao redor. — Espero que andem logo com isso!

— Vamos tentar ligar para alguém — Nikolay tentou ajudar, sorrindo de forma trêmula, afinal, também era humano e sentia medo como qualquer outra pessoa. — Ficamos tempo o bastante no vôo — suspirou. — Algo pode ter acontecido! 

— Estamos sem sinal — o tom de voz de Giselle fez os olhos do médico se virarem rapidamente, percebendo o suspiro preocupado da outra, a qual segurava a filha, como se a protegesse. — Não consigo ligar... — franziu a testa de forma confusa. — Esse é o principal aeroporto de Edimburgo — falou guardando o smartphone. — Não é parado assim! 

— Não devemos ser os únicos aqui — iniciou Charlie de mãos dadas à pequena filha, logo ao lado de Ares. — Nos resta esperar alguma pessoa se manifestar!

— Um minuto... — Maverick inciou rindo, calaramente em busca de uma resposta sensata. — Fomos só nós que embarcamos no vôo? — bufou olhando em volta. — Dezoito pessoas? 

— E o restante dos passageiros? — John arregalou os olhos, já sentindo a ponta dos dedos ficarem geladas, tentando não demonstrar nada a ninguém por ali. — É um avião grande... — sorriu de lado, em êxtase. — Com certeza não éramos os únicos! 

— Vocês são idiotas? — indagou Noah, encarando a ministra, a qual caminha na direção do famoso médico. Moore se mostrava mais entediado que tudo e sabe-se lá o que passava em sua mente. — Ainda não devem ter desembarcado! — bufou. — Estão agindo como se estivéssemos presenciando um apocalipse! 

— Edimburgo definitivamente não é assim — indicou Alice, indignada, encarando o menino que, surpreendentemente, agia feito um babaca mesmo conhecendo a cidade sabendo que jamais fora daquela maneira. — No mínimo as atendentes estariam no balcão! — a mulher apontou na direção que falava. 

— Conseguimos procurar alguém — Ares se disponibilizou, encarando Maverick, que acenou calmamente ao homem, ainda com a cabeça. — E acredito que do lado de fora tudo estará normal!

— Calma — Bridgett dizia a si mesma, procurando algo em sua bolsa, obviamente transtornada por dentro. — Pode ter acontecido algum imprevisto e eles tiveram de sumir...

— Realmente — Nicoletta tentava ajudar com a calmaria, fechando os olhos e pensando na torta de maçã que comera tão pouco tempo atrás; agora o cenário era caótico. — Só precisamos de nossas bagagens — fez um sinal leve com a cabeça, indicando a esteira, cruzando olhares com o médico que tanto a dava nos nervos — É só esperarmos! 

Quem sabe, não fosse só esperar, ao menos não para Apus. O médico claramente não estava em seu melhor estado, sem se pronunciar ou permitir que seu egocentrismo tomasse conta da discussão. Dessa forma, assim que a ruiva notou toda a situação, se aproximou, puxando o homem para uma distância de talvez dois passos daquela discussão, arrancando olhares de alguns dos curiosos passageiros, bem como de Noah, o qual estava claramente encucado. Ela sorriu, na postura superior de sempre, e o observou enquanto tentava sair daquela situação; Apus odiava os confrontos dela. Primeiramente porque desde sua estadia no hospital, dúvidas rondam a cabeça do homem e, segundo, por ela simplesmente o tratar como amigo algumas horas e, em outras, como um mero ladino; odiava aquela dúvida ao mesmo tempo que se sentia atiçado por ela. Vance sabia que se qualquer desafio fosse imposto pela ministra, o desejo de superar a fala e alimentar seu ego venceriam, como uma bela motivação, indo até o fim do mundo para conseguir provar seu posto perante tantas outras figuras importantes no mundo. 

— Se sente bem? — ela cerrou os olhos, encarando a alma, propriamente dita, do cético à sua frente, que revirou os olhos e tentou se desviar dela, sendo impedido pelo forte poder de persuasão presente naquelas palavras. — Não foi um idiota até agora... — sorriu o alfinetando. 

— Dor de cabeça — pronunciou ríspido, colocando as mãos no bolso da calça social, a olhando como quem diz "satisfeita agora?". — Tenho certeza que não é nada demais! 

— Tenho remédios na mala, Apus arqueou uma das sobrancelhas. Apesar de tudo, Moore a ajudou quando precisou e, mesmo que houvesse pagado pelo serviço, retribuir não a mataria. — Posso pegar algum deles! 

— Eu sei me cuidar, Ciorstaid — exclamou impaciente, próximo o bastante para ser mais babaca ainda se depositasse na outra um beijo inesperado, mas não seria louco para isso. — E admiro a preocupação... — sorriu cínico. — Achava que ministros não se importavam com outras pessoas — ele cerrou os olhos. 

— Antes de conhecer você, Apus — sorriu ela da maneira mais sarcástica possível, ainda próxima do homem, já que tentavam não falar alto o bastante para que os outros ouvissem, ainda que alguns curiosos tentassem — Pensava exatamente o contrário sobre os médicos! 

— Como consegue? — Ele a encarou por alguns segundos, se perguntando qual o valor daquela fala, ou se deveria mesmo continuá-la, já que, aparentemente, sair por cima quando se trata de Euphemia é uma tarefa difícil. — Desde que minha palestra não sofra com essa demora, Ciorstaid, não há porque me pronunciar!



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