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História .i'm burning for you - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


oya

Capítulo 2 - .f.i.g.h.t


 

I — f.i.g.h.t

 

 — Não quero mais uma alma gêmea. 

Embora Sasuke entenda - e concorde, por que ouvir seu melhor amigo chorar tem se tornado cada vez mais comum - ele também sabe que não há nada a fazer. Naruto é, assim como todos os outros, destinado a alguém. 

 A idéia parece romântica a princípio: duas pessoas que ficarão juntas, não importa o que o resto do mundo pense. Alguém que te amará com seu sangue e lágrimas, sua alma e seu coração, seu tudo. 

 Não é. 

Se a sua alma gêmea cortar o dedo em um caco de vidro, a ferida vem para você também. Se ela quebrar a perna, a sua perna também quebrará. Se ela se suicidar, você também morrerá. Não importa se você quer, se aceita ou não, ela virá. É inevitável, está destinado a ser. 

 Sasuke queria procurar a pessoa que destruía seu amigo todas as noites, mas ela podia literalmente estar em qualquer lugar. Outra cidade, outro estado, outro país. A maioria morre sem saber a quem está destinado; eles vivem, se divertem, se apaixonam, mas sempre parece que falta algo. A emoção de estar perto da sua metade não pode ser explicada por ciência ou palavras; É mágico. 

 Naruto odeia isso. Ele odeia todas as noites em claro, todas as feridas feias que contornam seu corpo. As partes queimadas e desfiguradas da sua pele. Machuca tanto que ele já se acostumou a não gritar. 

 Ele quer perguntar: por que você está fazendo isso? Por que você está me ferindo? Mas tudo que recebe é a sensação das chamas lambendo sua pele, formando mais uma queimadura. 

 A noite passada foi difícil. Começou cerca das três às quatro da manhã. Naruto tinha terminado seu relatório a apenas algumas horas e estava exausto, quando de repente algo quente envolveu seu peito. Ele cobriu os lábios para não gritar. 

 Sua alma gêmea parecia sempre mais e mais ousada, queimando seu peito e às vezes suas coxas, cada vez mais exigente, deixando marcas mais claras, vermelhas e enrugadas. 

 Mas aquela foi diferente. Ele rolou com o desconforto, mordendo a mão o máximo que podia para não gritar; doía como o inferno, até que parou. Tão rápido quanto veio. 

 Ele nem pode ficar aliviado ou chorar pela marca carmesim que ardia, por que logo voltou. Pressionando o mesmo lugar, o fogo ainda mais forte mordendo seu tecido. 

  Naruto gritou. Tão alto que seu colega de quarto levantou, em um sobressalto, e encarou os arredores com uma feição confusa, até que viu Naruto, e seu rosto se virou em choque. 

 Ele sabia que parecia lamentável, chorando, encolhido em sua própria bolha, enquanto sua perna ficava mais desfigurada. Mas não havia como evitar; sua alma gêmea estava se matando e não se importava de matá-lo também. 

 Naruto amaldiçoou. Ele rangeu os dentes e amaldiçoou o maldito destino por ter colocado alguém que o mataria ligado ao seu corpo. Deus, Naruto só queria viver. Ele queria se formar na faculdade, fazer o doutorado e ingressar na escola que sonhava em ensinar desde pequeno. 

 Mas não foi isso que escolheram para ele; não, alguém decidiu que seria bom machucar seu corpo, engolir seus sonhos e fazê-lo miserável. 

 Naruto odiava sua alma gêmea. 

 

 

  — Não acho que posso aguentar mais. 

 Naruto estava parado diante do espelho, a imagem que ele mais desprezava refletindo os novos machucados que se estendiam por todo o seu peito. Ele vestia somente uma cueca com estampas e suas meias brancas favoritas, que iam um pouco abaixo do joelho, escondendo a cicatriz que ele mais odiava: um corte na vertical que alcançava seu tornozelo e a ponta dos dedos, o primeiro machucado feito pela sua alma gêmea, quando ele tinha seis anos. 

  — Eles não devem saber como o negócio de dividir a dor funciona, talvez? — Sasuke sugeriu, sentado sobre o acolchoado da sua cama. Ele acabará de acordar, já que seus horários começavam mais tarde. 

  — Não é assim que funciona. Todo mundo já ouviu o negócio de almas gêmeas, é obrigatório na escola. — Naruto olhou para seu mais recente machucado, um inchaço vermelho no peito que logo faria uma grande cicatriz, juntando-se às várias outras. — Ele simplesmente não liga, desde que consiga aliviar sua própria dor. 

 Sasuke franziu o cenho, encarando os cortes que rodeavam os cotovelos do seu colega de quarto; ele sabia que haviam muitos mais do outro lado.  Ele vivia com Naruto desde o início da faculdade, quando eles decidiram juntos que seria mais fácil dividir as contas nos alojamentos do campus, mas os problemas vinham muito antes dali, quando ambos ainda estudavam no fundamental e Naruto aparecia na porta da sua casa, chorando, enquanto apertava alguma ferida que ele alegava que surgia do nada.

 — Minha metade as vezes me machuca também.  — Sasuke fala, tentando aliviar o clima. — Ela é desastrada e vive com marcas no corpo. 

 Felizmente funciona, e Naruto ri, fazendo uma sensação de alívio tomar seu corpo. 

  — Você também vive machucado com as aulas de costura. — Naruto comenta, enfiando os lápis dentro da sua bolsa. 

 — Hn. Só por que você insiste em não bater na porta e me atrapalha sempre. 

 — Eu não faço isso. 

 — É claro que faz.

 — Não faço não. 

Sasuke revirou os olhos. 

 — É melhor você ir, se não quiser se atrasar. Faltam sete minutos e pelo que eu me lembro, o professor não gosta muito de você. 

 Naruto arregalou os olhos, correndo para se trocar. 

 — Por que você não me avisou? — Ele gritou, exasperado, colocando o suéter laranja dentro da calça jeans apertada. 

 — Você não pediu. 

 Naruto envia um olhar mortal para seu colega de quarto, fazendo com que Sasuke ria, antes de sair pela porta, tropeçando nos próprios pés. 

 Assim que a batida cessou, Sasuke encarou a cama contrária a sua, os olhos ônix brilhando em preocupação, antes de balançar a cabeça, tentando esquecer os barulhos que ouvirá na noite anterior. Falar sobre isso não ajuda, ele tem que descobrir como resolver, antes que seja tarde demais. 

 

 

Dizer que Naruto estava atrasado seria eufemismo. 

 Ele estava completamente perdido pelos corredores nos primeiros dois minutos, e quando finalmente visualizou a entrada do prédio oposto aos dormitórios, haviam mais de sete lances de escada para subir e seu pulmão não parecia que ia aguentar. 

 O que o atrasou de verdade, no entanto, foi a dor que subiu pela sua coluna quando ele estava a exatos um minuto para o início da aula de didática. A apenas alguns lances até a primeira porta á direita no corredor, Naruto sentiu o familiar toque da chama queimando nas suas costas. 

 Ele fechou os olhos, deixando as lágrimas aprisionadas na ponta dos seus cílios, tentando ignorar a dor e seguir em frente. Ardia como se ele estivesse sendo morto lentamente, mas embora ele quisesse gritar, sabia que não podia incomodar os colegas ou seria suspenso, então ele continuou subindo, arrastando o corpo pelas paredes para chegar a sala de aula. 

 Naruto se perguntou se estaria sangrando, se tornaria nítido em seu suéter a cor carmesim, mas então lembrou que sua alma gêmea não estava cortando, estava queimando, e dificilmente algo apareceria na roupa laranja. 

 Ele se lembra de perguntar a um amigo da medicina quão ruim as queimaduras eram, e ele afirmou que variavam de segundo a terceiro grau. Naruto tem os equipamentos no quarto para tratar delas, mas não agora, não quando está indo para a aula. Isso nunca aconteceu antes, muito menos depois da ferida da noite anterior. Ele pensou que está livre, pelo menos por uma semana ou mais, como normalmente acontecia.

Sem sequer pensar em voltar ao dormitório, ele se esforçou para chegar a porta, respirando fundo para fingir o mais normal possível. Quando a porta se abriu, um sorriso falso e forçado adornou seu rosto, e sem ninguém reparar ele cambaleou até a sua carteira. Eles tinham um trabalho hoje, e faltar significaria falhar. Ele podia se enfaixar mais tarde. Um futuro era muito mais importante que qualquer ferida. 

 Mesmo que Naruto não saiba se ele vai durar até lá. 

 


 


Notas Finais


até mais ver


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