História I'm Sorry... - Capítulo 1


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Palavras 3.620
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia)
Avisos: Suicídio
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa noite!!
Primeiramente, quero pedir para lerem o campo de avisos, por favor... É importante!

Segundo, bom... Já faz um tempinho que estava querendo escrever algo envolvendo um dos assuntos mais angustiantes e tensos de Boku No Hero e, para completar, por que não usar um dos meus bebês mais preciosos pra criar essa atmosfera de sofrimento? Eu amo uma bad... :') ♥♥

Desde já, peço perdão a todo e qualquer erro que houver. Também quero desejar bom proveito a leitura ♥ E esspro, de coração, que vocês gostem!!

Eu sou muito grata a todos vocês, leitores... A aqueles que me acompanham desde as primeiras fanfics, a aqueles que só leram algumas outras obras minhas, e a aqueles que vão começar a ler por essa... Obrigada!! A atenção e carinho de vocês é muito importante pra mim... Me deixa muito feliz! Cada visualização, cada favorito, cada compartilhamento, cada comentário... Todos eles me deixam imensamente feliz!! ♥♥♥
Então ,desde já, obrigada por tudo.

Espero que desfrutem (e chorem-q) dessa nova fanfic com amor!!

Bom proveito! ♥♥♥
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OBS: Capa sujeita a mudanças!

Capítulo 1 - I'm Sorry... - Capítulo Único


“Me perdoem...”

 

Cinza, escuro e sombrio... As nuvens encobriram o sol naquele dia, antes mesmo que ele tivesse a chance de aparecer, proibindo-o de iluminar devidamente a cidade, e devorando por completo a última oportunidade de alguém ver a luz... Era um tempo umbroso. O céu desejava chorar, mas com tamanho orgulho, se segurava o máximo que podia, permitindo que somente algumas lágrimas se despejassem sob as cabeças daquelas desanimadas pessoas que caminhavam pelas ruas, seguindo seus destinos alienados. Em meio a uma faixa de única direção de passos, um estudante caminhava na contramão, indo para trás enquanto todos seguiam em frente, ou seguindo em frente enquanto todos caminhavam para trás. Dependia do ponto de vista. Com as mãos ao bolso da jaqueta preta, ele andava vagarosamente, se deixando enfeitiçar pelo chão áspero no qual prosseguia; sua feição era vazia, como se lhe faltasse vida (mesmo que seu coração ainda batesse), e sua respiração era pesada, como se fosse parar a qualquer momento. Os olhos com bases negras evidenciavam seu cansaço, e a falta de brilho em seu olhar levantava a suspeita de que algo muito importante lhe faltava... Estaria sua alma junto a ele naquele momento?

 

“Por favor, me perdoem...”

 

Parando de andar, o garoto permaneceu com a cabeça baixa por alguns segundos, antes de começar a levantá-la lentamente, até encontrar o céu com sua visão. Observando atentamente as nuvens negras, ele deixou a boca entreaberta e sentiu mortas lágrimas ansiarem por fugir se seu corpo. Mas como...? Se já estavam secas... Não existia possibilidade de pranto. Sentindo simpatia para com o estudante, o céu o olhou e, em questão de minutos, começou a chorar por ele. Grossas e intensas gotas começaram a despencar, provocando perturbadores barulhos ao atingir o chão com violência. O ambiente a sua volta se agitou. De repente, as pessoas começaram a correr por todos os lados, sem um caminho devidamente traçado, enquanto se cobriam com suas bolsas ou procuravam desesperadamente por abrigo; para alguém que permaneceu parado no meio de tal alvoroço, foi uma cena tão angustiante quanto curiosa. Presenciar um fluxo único se dispersar daquela forma, como se não houvesse um caminho correto para se seguir, sem saber para onde deveriam ir... Era como se todos estivessem perdidos. Assim como ele próprio...

 

“... Por alguns segundos, nos tornamos iguais, não é?... Eu e essas pessoas... Elas não sabem pra onde devem seguir, assim como eu.

Não há mais como voltar atrás! Ao menos, elas têm a possibilidade de escolher essa opção. Então, já não somos tão parecidos assim.

Não há volta para mim...”

 

Desde que começara a andar, pensamentos decadentes dominaram sua cabeça, de tal forma que o garoto tinha a sensação de seus ombros pesando mais e mais, a cada passo que dava. Era aquilo que chamavam de consciência? Se fingindo de morta há tanto tempo... Decidindo aparecer somente no momento de sua vida onde seus erros começaram a se expor. Tudo para lhe lançar ao rosto, brutalmente, todas as escolhas erradas que fizera. Talvez ela não fosse tão cruel como fora consigo, mas depois do tanto que ocorreu, do que ele provocou... Talvez o estudante merecesse mesmo aquilo. Ao menos, era disso que tentava se convencer.

Percebendo que a intensidade de chuva começou a aumentar, o garoto desviou sua atenção para frente e voltou a caminhar, ainda vagaroso. Não tinha pressa. Se estava se encharcando a cada segundo a mais que demorava? Não lhe importava. Ele não tinha motivos para se importar... Em breve, aquela preocupação não valeria de nada, assim como todas as outras. As assombrações que pulsavam em sua mente, logo... Iriam desaparecer... Para sempre.

 

“Me perdoem...

Por mais que eu não tenha esse direito, meu coração não consegue deixar de gritar essas palavras.

O perdão de vocês... Sei que não vou ganha-lo, sei que é impossível tê-lo, e é justamente por isso, que meu único desejo nesse momento é que tudo acabe. O mais rápido possível.

Mas, mesmo que eu já tenha a resposta, mesmo que eu já tenha essa certeza, deixem-me continuar suplicando por isso até meu último segundo. Deixem ser esse o meu castigo! Uma esperança morta. Não me ouçam, não me escutem, deixem-me... Continuar gritando em vão essas palavras.

Por favor... Me perdoem...”

 

Depois de intermináveis minutos, os passos curtos do estudante enfim chegaram a um destino, um lugar onde seus pés repousaram molhados. Agora parado na entrada de um prédio qualquer, o garoto fechou os olhos e respirou fundo, antes de abri-los mais uma vez e continuar prosseguindo sua estrada, dessa vez, para dentro da construção. Era um local vazio... Parece que havia sido construído há pouco tempo e, por isso, ainda ninguém tinha se estabelecido por ali (se mantinha aberto somente para visitações). Era o cenário perfeito para o jovem loiro realizar sua vontade. Com os olhos pesados, ele explorou o ambiente e, sem mais enrolações, voltou a caminhar na direção da escadaria, a qual começou a subir com a mesma calma e lentidão de antes. As janelas que iluminavam os patamares deixavam transpassar por seu vidro uma luz fraca e sem vida, elemento único a qual fazia companhia para o indivíduo que continuava a pisar nos degraus, um a um. Enquanto todas as suas ações se faziam em questão de segundos, para sua mente, aquilo se passava muito mais lentamente que o normal, como se o tempo estivesse parando. Seus pensamentos atrasavam sua percepção.

 

“Que estupidez...

Quando eu comecei com essa loucura, não pude ver o quão afiadas e espinhosas seriam as consequências... Destruir a sociedade de heróis pela raiz? Que besteira. Que ideais falhos... Do que isso ajudaria? De que forma supriria nossos desejos? Acharam mesmo que seria tão simples...?

Heróis e vilões... Esses não são títulos que fazem parte de uma era, ou simplesmente de um sistema em específico; são denominações que existiram muito antes disso que abominamos surgir.

Herói... Aquele que geralmente trás o bem-estar, seja para um ou muitos indivíduos; aquele que faz coisas boas e úteis aos olhos dos outros. Mesmo que sigam esse caminho com desejos egoístas, aquele que é apontado como um herói será sempre um herói para os demais. Isso é um fato que sempre existiu.

Vilões... São todos aqueles que trazem algum tipo de mal; seja algo pequeno ou grande, não importa. O que desagrada é visto como mau, e aquele que pratica o mau é um vilão. Seus ideais, seus sentimentos, seus objetivos, nada tem valor, nada é explicação. A partir do momento que você traz caos, medo, ódio, desespero, desconfiança por vontade própria... Você é denominado como vilão.

Sendo assim, o que eu sou?

Me juntei ao que clamam por vilões no intuito de arrumar aquilo que consideram heróis, mas nunca desejei causar o caos. Eu sentia ira pelos tão amados salvadores: bestas egoístas que se aproveitavam de seus títulos para ganhar privilégios! Mas isso não era verdade, era? Quer dizer, generalizar todos estava mesmo certo? Eu comecei a percorrer esse caminho tentando corromper aquilo que chamavam de “futuros heróis”... E acabei por me tornar um deles. Tudo bem que essa era a intenção, fingir fazer parte daquilo, mas não aconteceu do jeito que fora planejado... O que era pra ser “fingido”, antes mesmo que eu percebesse, se tornou algo real... Eu conheci algo que me fez enxergar uma luz em meio a aquele túnel macabro a qual eu chamava de lar. Heróis... Não estavam todos tão perdidos como pensávamos.

Como fui idiota, droga!!

Eu me esqueci de quem eu era. Eu esqueci da minha missão ali. Me esqueci de meu remorso. Me esqueci do monstro que fazia a minha cabeça. Por breves momentos, eu realmente... Realmente...

Achei que poderia fazer parte daquilo, como se as correntes que me prendiam na escuridão não existissem.

Eu desejei fazer parte daquilo, eu quis fazer parte daquilo, eu...

Eu ainda quero fazer parte disso.”

 

Há quantos minutos subia aquelas escadas? Não sabia... Era tão vagaroso, perdido em pensamentos, que não se dava o luxo de se preocupar com o tempo. A chuva do lado de fora tinha diminuído, mantendo um ritmo fraco, porém, não invisível. O garoto continuou seu caminho, deixando as olheiras do arrependimento se tornarem cada vez mais espessas... Ele estava se afogando aos poucos em seu próprio vazio. Parando em um dos patamares da escadaria, ele virou a cabeça para a alta janela e encarou a paisagem cinza, vendo as gotas d’água escorrerem pelo lado de fora do vidro. Seus olhos, enfim, entraram em harmonia com o céu. Parece que ele ainda tinha algumas lágrimas...

 

“Meu coração está sendo enforcado por toda essa compunção...

Eu jamais imaginei que encontraria um motivo pra sorrir no meio daquele ambiente do qual eu tanto me enojava. Jamais pensei... Que encontraria vocês.

Eu sei, era pra ser só fingimento, mas... Desde a primeira vez que me chamaram pelo nome, não como um estranho, ou como um aliado ou colega, mas como um amigo... Eu senti algo diferente. Claro que já esperava por isso, tanto que ignorei e esmaguei essa sensação o quanto antes, porém, quanto maior a força com a qual eu o fazia, maior a dificuldade que eu tinha em rejeita-la nas outras vezes. Meu corpo se esquentava de alegria a todos os momentos em que me gritavam, que me tocavam, que confiavam em mim. O “fingir” desapareceu muito mais rápido do que eu tinha previsto...

Eu falhei como um vilão!

E como herói também...

... Sendo assim, o que eu sou?”

 

Levantando o pesado braço, ele deslizou os dedos por suas olheiras, enxugando toda e qualquer gota que insistisse em escorrer. Abaixando a mão em seguida, o garoto a olhou e, enxergando a tristeza manchando suas próprias lágrimas, cerrou o punho, antes de deixar seu membro cair e seu corpo amolecer. Virando-se segundos mais tarde, ele voltou a andar, prosseguindo escadaria acima, como se terminasse por desistir de algo importante. De seus sentimentos, talvez...?

 

“A forma a qual vocês me olharam naquele momento... Naquele fatídico momento... Desacreditados, decepcionados, abalados, inexpressivos... Como me perfurou! Vê-los tão perdidos, sem saber o que imaginar ou pensar, mesmo que a verdade estivesse bem clara...

Me perdoem...

Mesmo que tenha sorrido da maneira mais sádica possível, mesmo que eu tenha dito coisas horríveis, mesmo que eu tenha afirmado que tudo aquilo era o que parecia...

Eu não queria... Não queria fazer isso...!

Eu estava fingindo! Eu não quis dizer aquelas coisas... Eu não quis confirmar nada... Eu não quis sorrir, principalmente daquela forma... Eu não queria vê-los daquele jeito. Era atuação! Tudo o que eu devia ter fingido com vocês, eu fingi na hora na hora de me mostrar como o vilão. Eu... Realmente... Não queria machucá-los...

Por favor, me desculpem...”

 

A cada súplica de perdão, um momento mais próximo de seu destino final. O estudante seguiu subindo pela sombra, resultante da falta de janelas nas áreas que não fossem um patamar das escadas. Ele estava quase lá...

 

“Eu ainda penso nas palavras que me disseram... Nos questionamentos que não pude responder...

Não! Meus sorrisos não eram falsos... A cada minuto que eu passava, fosse rindo, sorrindo, fosse o que for, fosse qual for... Eram todos verdadeiros. Mesmo que eu me negasse isso, mesmo que eu tentasse me convencer do contrário, no fundo, eu sabia que estava errado...

Minha amizade com vocês? Mais sincera impossível... Eu cheguei naquela escola, naquele ambiente sem intenção alguma de me aproximar dos outros, sem objetivo algum em criar laços. Mas vocês foram mais fortes do que eu... Antes que eu me desse conta, já tinha me perdido em meio as suas besteiras e brincadeiras. Antes que eu pudesse me defender, já estava incluído nos grupos, nos planejamentos, nas piadas... Foi tão rápido e, ao mesmo tempo, tão calmo... Foram horas agradáveis onde, mesmo na sombra, eu pude me sentir feliz...

Minhas preocupações? Isso é o que mais me dói... Todos os ataques, todos os momentos em que eu tive a chance de fazer algo e não fiz nada, tudo parte da minha missão ali... Ah, como me feriu! A cada informação que eu vazava, a cada ajuda que eu poderia buscar e não procurava, a cada batalha em que eu permitia que eles lhes machucassem... Como meu coração foi rasgado nessas horas. Eu estava cumprindo meu dever, a função que me foi estabelecida e, por isso, me mantive quieto, neutro. Mas no fundo, por trás daquela máscara rotineira e otimista, eu me remoía... Me remoía de culpa, me sufocava de arrependimento, perdia a voz interna de tanto pedir desculpas.

Eu negava meus sentimentos por vocês, mas ‘eles’ jamais deixaram de lhes negar... E nunca desistiram de tentar me alertar que, um dia, se eu continuasse com aquilo... Eu iria perder tudo e todos... A quem eu tanto amava.

Eu não os ouvi! E olhe pra mim agora...

Estou à beira do fim. No caminho que decidi percorrer...”

 

Seu olhar se tornava cada vez mais vazio, sem vida. Suas olheiras se estendiam de uma forma indescritível; o escuro que sua franja formava em sua testa, de repente, tornou-se mais forte que o normal. O ambiente se tornou mais sombrio... Toda esperança que ainda conseguia envolve-lo, de repente, morreu. Sem aviso, sem nada, por seus pensamentos, foi assassinada. Ele sabia o que queria e sabia para onde desejava ir. Tudo o que lhe restava era morrer, esvaziar seu corpo de tudo o que lhe classificava como ser humano. Sonhos, sentimentos, sensações, desejos, pensamentos... Destrui-los, até que sobrasse somente um ser oco. Assim como ele se julgava merecedor...

O eco de seus passos foi se tornando mais alto, e a porta de saída mais próxima. Ele estava quase lá! Quase... No topo.

 

“Está tudo desaparecendo, está tudo desmoronando... Meus arrependimentos estão sendo esmagados pelos destroços da aceitação. Meu desespero está consumindo tudo de uma forma silenciosa.

Está acabando... O meu mundo, chegou ao fim.

“O que eu sou”, eu perguntava?... Depois de tanto pensar, acho que finalmente encontrei a resposta.

Não sou um vilão... Falhei com meus ideais, falhei com meus objetivos, falhei com minha missão. Desenvolvi sentimentos, sorri com aqueles a quem deveria corromper, fui transformado por aqueles a quem deveria transformar... Eu sou um fracasso como vilão.

Mas, também não sou um herói... Enganei minha escola, enganei meus amigos. Segui esse caminho apenas com o desejo de vingar, destruir e remodelar segundo a minha vontade egoísta. Não fiz coisas boas... Deixei que vocês se machucassem... Permiti que o inimigo os afetasse. Trouxe desespero, trouxe medo, e fingi estar sofrendo com vocês, quando na verdade eu era uma das bases que causavam seu sofrimento. Eu me envolvi com todos sem deixar a consciência pesar, como se fosse alguém inocente. Eu... Certamente não sou um herói.

Nem vilão, nem herói... Sendo assim, eu só poderia ser uma única outra coisa...

Um traidor!!

Sim... Eu sou um traidor...

Kaminari Denki, o traidor...”

 

Chegando ao último degrau, sem ofegar, o estudante loiro abaixou a cabeça e, sem hesitação, agarrou a maçaneta da porta de saída, a forçando e abrindo logo depois. Seus três passos seguintes o levaram até o terraço! Um amplo, cinza e abandonado terraço...

 

“Mas não se deixem enganar... Eu... Realmente amei todos vocês!”

 

Sentindo o vento um tanto forte, acompanhado de pequenas gotas d’água, bater contra seu corpo e esvoaçar suas roupas, Kaminari parou e fixou seu olhar ao chão, antes de deixar suas pálpebras caírem e começar a caminhar em frente... Para um abismo...

 

“Todos os momentos em que estivemos juntos... Todas as vezes que rimos, que lutamos lado a lado, que aprontamos e nos metemos em confusão... Todas as vezes que sorrimos e fizemos os outros sorrirem. Seja com qual de vocês fosse...Todas essas horas, foram especiais... Eu as amei! Por que?

Porque estava com vocês...

Então, me perdoem...”

Os passos eram vagarosos, assim como todos os outros anteriores. Denki andava de uma forma que, para ele, era com se estivesse em câmera lenta. O famoso filme de toda a sua vida passaria naquele momento? E que vida... Certamente, não teria uma para assistir caso não se envolvesse com aquela loucura; mas, depois de conhecê-los... Aquela fita de imagens se tornou rica! Rica de coisas a qual ele ansiava dolorosamente ver mais uma vez. Mesmo que não tivesse esse direito...

 

“Kirishima, Ashido, Sero, Bakugou... Éramos como um time, não é? Sempre brigando ou brincando, rindo ou aprontando, prosseguindo e reprovando... Não importa a ocasião, estávamos sempre juntos. Eu sou grato por todos esses momentos... Desde os mais odiáveis, até os mais incríveis...

Midoriya, Todoroki, Iida, e todos os outros... Mesmo que não fossemos assim tão próximos, vocês eram especiais pra mim. Eram minha inspiração quando eu estava preso na minha fantasia de futuro herói, eram meu apoio, meus amigos... Fosse nas melhores ou nas piores horas, vocês também estavam lá. Eu... Só posso agradecer...

Meninas, todas as meninas... Me desculpem pelos incômodos; por todas as vezes que tentei chama-las para sair, por todas as vezes que tentei me aproximar mais do que permitiam... Eu me divertia, de certo modo, mesmo sendo rejeitado em todas as vezes. Vocês são lindas, nisso nunca menti ao pensar, e se eu tivesse mais uma chance de vê-las, certamente, lhes diria essa verdade... Tão fortes, tão gentis... Pelas amigas e boas pessoas que foram... Eu só conseguiria agradecer.

Sensei... Me desculpe. Por ter te dado trabalho, por ter sido um aluno tão complicado... Me desculpe! Eu sou muito grato por tudo o que você fez. Por ter cuidado de mim, por ter me protegido, por ter confiado em mim... Obrigado. Eu nunca quis que você se machucasse naqueles ataques, e mesmo assim, eu não fiz nada para impedir. Eu sou um péssimo estudante! Mas mesmo sabendo disso, até que por outros motivos, você não quis desistir do meu futuro. Eu sou muito grato a você, muito... Por favor, me desculpe! Me desculpe por nunca ter sido alguém digno de tanto bem... Por não me tornar o herói a quem você tanto enxergava no futuro. Me desculpe por te decepcionar... Sensei.

E por fim, Jiro... A primeira pessoa com quem senti aquele calor. Obrigado! Por todas as vezes que me fez rir, ou que riu da minha cara: eu também me divertia com você, mesmo que bem lá no fundo. Eu adorava seu sorriso! Eu amava seu jeito... Você era tão fria comigo, mas, ao mesmo tempo, tão gentil... Ainda não entendo o porquê de dizer tudo isso especialmente pra você, porém, sei que deve ser fruto de algo bom. Eu te admirava! Eu gostava de te observar... Você, foi uma pessoa muito especial pra mim. Uma amiga para quem meu coração súplica para dizer isto: Por favor, me desculpe, Jiro! Me desculpe...

... A todos vocês... Eu peço uma última vez...

O meu perdão.“

 

A estrada terminou. O traidor logo se viu diante da pequena elevação que impedia que os desatentos continuassem a seguir em frente, para o precipício e, encarando o chão por alguns segundos, não hesitou mais... Deu um passo além, e se posicionou acima daquela limitação. Dentro de um tempo contado... Tudo iria terminar.

 

“Estou prestes a resolver tudo. Prestes a acabar com minha dor, com as suas angustias... Logo, vocês não terão mais com o que se preocupar... E esse desespero, nunca mais, vai voltar para nos assombrar...

Se continuarem sendo os mesmos futuros heróis que conheço agora, tenho certeza de que não precisarei temer por esse mundo; e nem pelo destino daqueles que praticam o mal... Vocês vão vencer, não é? Até porque vocês me ensinaram... Que heróis de verdade sempre vencem no final...”

 

Sentindo a brisa bater contra si mais uma vez, Kaminari abriu pesadamente os olhos e olhou para baixo, para a enorme altura que se fazia do chão até o local onde estava. Suas olheiras se tornaram instáveis, expressando sua exaustão e o peso que carregava. E seus lábios... Deixaram um um triste, fraco e perdido sorriso se mostrar. Um frio sorrir...

 

“Agora, é o fim... Definitivamente o fim...

Meus erros, meus pecados, minhas falhas, meus fracassos, minha traição... Eu finalmente irei pagar por todos eles...

Sem mais dores, sem mais feridas, sem mais torturas... Eu vou ajuda-los a se esquecer de tudo isso. Será... Como se eu nunca tivesse estado com vocês. Essa dor, essa decepção, esse arrependimento... Não se desesperem, o tempo vai curar tudo isso. Em breve, vocês terão superado e, mais uma vez, estarão seguindo em frente. Sem o perigo de se depararem comigo por aí...

Não lhes causarei mais mal algum.

Por isso, mantenho-me silencioso. Não quero correr o risco de lhes ferir de novo...”

 

O vento soprava, inicialmente suave, e começava a aumentar sua intensidade conforme os segundos corriam. A chuva começara a aumentar também, nada muito bruto, mas, no entanto, mais visível. O céu tinha voltado a chorar, dessa vez, com sinceridade. O garoto permanecia pousado no mesmo lugar, ainda encarando o fundo onde seu próximo passo o levaria, sem reação ou expressão. Seu sorriso não existia mais, assim como o seu brilho no olhar, e seu indício de alma e vida. Ele já estava morto, antes mesmo de cometer seu ato.

Um relâmpago súbito surgiu por suas costas, junto a um estrondoso trovão. O raio único que cortou o céu por um momento fez com que, em seu peito, a última chama vital se acendesse, pequena, quase apagada. Um brilho de milésimos de tempo o tomou por um instante, fazendo-o assim proferir seus últimos pensamentos.

 

“... Me perdoem...”

 

E o vento soprou com tal força... Que fez esvoaçar as roupas do traidor, assim como seus próprios cabelos. Era quase como que desejasse impedi-lo... Que tentasse salvá-lo. A sua brisa triste... Roubou o seu último suspiro.

 

 

“Hey, Kaminari... Nós ainda podemos perdoá-lo!”


Notas Finais


E então, o que acharam?
Gostaram? Choraram...?
Contem-me tudo ♥

Espero que tenham gostado! E aproveitado bem... ♥
--------
Artista da capa: https://chakman666.tumblr.com/tagged/myart
https://karita-chan.tumblr.com/archive

Boa noite, amo vocês!


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