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História I'M SORRY, I'm Agust D - Yoonmin - Capítulo 6


Escrita por:


Capítulo 6 - Heartbeat


QUINTO CAPÍTULO

"Eu sinto o destino em você; Sinto o destino em mim..."

AGUST D

 

ㅡ O que você faz aqui? ㅡ Me aproximo do jovem que está sentado no meu lugar de distanciamento humano.

ㅡ Vim te trazer um chá em agradecimento, ㅡ Pôs-se de joelhos sobre os papelões que eu havia forrado o chão no terraço do instituto que frequentávamos, para conseguir um tempo sozinho antes dos horários. ㅡ e me desculpe pelo Kyung-soo. Ele não costuma arrumar brigas, ontem foi apenas um dia ruim.

Aquele mesmo cara do regatão de basquete no bairro gringo está aqui, me oferecendo uma latinha de chá, enquanto se desculpa pela cretinice de um outro alguém, nas primeiras horas do dia.

ㅡ Não seja emocionado… ㅡ Digo mesmo que pareça ríspido, logo após tê-lo defendido ontem do cara mais esnobe e riquinho da nossa classe de educação física. ㅡ Não me interprete mal, só não gosto de injustiças. Não foi nada pessoal.

ㅡ Mesmo assim, obrigado. ㅡ Entrega em minhas mãos a pequena latinha de chá de limão, levantando-se para ficar de igual para mim. ㅡ Te esperei por um longo tempo, achei que não viria hoje.

Confidenciou como se já estivesse, silenciosamente, sabendo meus passos. 

Essa foi a primeira de muitas vezes que o vi ao meu lado pelo instituto. Tão comum e cotidiano quanto respirar, nós começamos a marcar horários para comer juntos, visto que o carinha sempre arrumava um jeito de me encontrar, ou eu sou verdadeiramente muito previsível na escolha de lugares.

ㅡ Gosto do seu piercing na sobrancelha, Yoon… ㅡ Noutro dia, apenas concordo com um pequeno resmungo, de olhos fechados com meu braço protegendo minha visão do sol intenso da manhã. Estávamos deitados lado a lado sobre o papelão do terraço esperando o primeiro sinal. ㅡ Gosto também do círculo que fez em seu peito… ㅡ Puxo minha camisa social para escondê-lo, me virando de costas para si. ㅡ Gosto de como você defende seus ideais. Eu soube que se tornou seu próprio provedor no instituto. Não faço ideia de como conseguiu, mas que ato independente, Yoon!

O Park em todo tempo foi muito tagarela, mas não sei se isso aconteceu pelo fato do meu silêncio conviver comigo ou se é intrínseco a ele. Quase sempre ele continua me elogiando, mesmo sem saber que eu não sou essa imagem que ele criou de mim. 

Jimin adora falar sobre ele e sua família ramificada, o jovem veio de San Diego-Califórnia,  junto ao seu pai, um cara “apaixonado pela bela moça de cabelos longos e lisos, corpo esguio e olhos expressivos para uma oriental. Decidiu aprontar malas e viajar sobre o oceano para vivenciar o seu primeiro amor e trouxe Jimin junto a si”, palavras ditas pelo mesmo. Ambos, seu pai e ele, tem como língua nativa o Inglês, logicamente, mas acredito que se saem muito bem com o coreano, digo pelo Jimin que nunca perde tempo em treinar, falando pelos cotovelos.

Aqui o Park conseguiu meio irmãos, a Lalisa Manoban, fruto de um relacionamento na adolescência de sua madrasta e Jeon Jungkook, filho de seu falecido marido. Agora tenta recomeçar com sua nova família.

Ele nunca chegou a falar sobre sua mãe biológica e eu respeito, em razão de que ele também não invade os meus assuntos obscuros.

Mas o fato da época é que não decidi ter independência aos dezesseis, essa é a mentira que deve ser contada. A verdade é que completa-se alguns dias, aproximadamente um mês, que entrei para a Dionysus, ao mesmo tempo em que nossa amizade foi estabelecida.

Ainda assim os anos se passaram, nossa amizade se fortaleceu, colecionei ainda mais piercings e tatuagens fazendo meus primeiros trabalhos e reuni mais alguns colegas gentis como o Jimin. Tipo o Jeong-in, o Chani, Eunwoo e o Sehun. Minha primeira amizade havia sido com o Seokjin, mas após o contratempo que sofremos, acabei me distanciando dele ou ele de mim, não sei ao certo o que ele concluiu depois do que aconteceu, mas não anulo minha escolha, portanto, não sinto mágoa ou fúria dele, porém, o afastamento foi simultâneo.

E se pode parecer estranho não haver menção de nenhuma presença feminina por aqui, é algo verdadeiramente comum, pois no instituto Seoul High School são aceitas pessoas unicamente do sexo masculino, para não haver distrações.

Pobres sonhadores… Que eu saiba, Jimin e Eunwoo já trocaram uma idéia a mais. Sem contar que há muitos outros casos e relações discretas aqui dentro. 

A presença feminina faz mais falta para alguns que para outros.

Portanto, sempre dividiamos uma mesa no refeitório e tudo tornou-se um hábito. Continuo sendo o mais distante e calado de todos, a despeito disso ser confortável e natural para mim, destoando completamente da minha vida fora do instituto. Nenhum, daqueles que me rodeavam naquela mesa, sabiam das minhas condutas, apenas me viam como alguém que deseja apenas quebrar algum tabu, ou regra da sociedade normativa e sigo vivendo como quero viver. Por isso sou tão “diferente”.

Não é bem assim.

Nunca foi.

Mas diante disso, sinto medo de nunca ser como eles me veem. 

Acredito que isso para mim é algo tão inalcançável quanto me rebelar e sair da Dionysus com vida. O velho havia me dito que me deixaria sair após quitar a dívida e a serventia, mas agora é bem mais complicado, visto que já sei mais do que o necessário lá dentro.

Todavia, nem sempre tudo fora calmo e aconchegante no refeitório. Agora entendo o porquê do senhor Ddaeng nunca enfrentar alguém desarmado, pois eu me vi sem munição, sem armas, sem apoio ou proteção. 

Park Jimin, certo dia, se mostrou fatigado com minha aversão em falar sobre minhas relações. Ele conseguiu ficar chateado porque eu não falava nada positivo ou negativo sobre o que ele já tinha feito em sua vida amorosa ou o que tinha acontecido com a minha.

Entendo que pessoas que chegam ao seu limite com, aparentemente, pouco é por já ter acumulado mais do que o bastante. Mas que direito tenho eu de me meter? E o que eu tenho a ver com a vida dele?!

ㅡ Sou sempre eu que fica falando aqui, você nada! Você nunca! ㅡ Todos na mesa, incluindo aqueles que se serviam no refeitório, ouviam toda a nossa conversa a partir do momento em que o Park começou a se exaltar. ㅡ Você sabe toda a minha vida, Min Yoongi!

ㅡ Eu nunca te perguntei nada. ㅡ Sentado do outro lado da mesa eu revido sem instabilidade na voz. Exceto Eunwoo; Chani, In e Sehun continuam mastigando o alimento, enquanto observam tudo em silêncio. ㅡ E não me chama assim.

ㅡ Você… ㅡ Sua voz oscila ao soltar uma curta risada irônica e anasalada. ㅡ Aposto que você nem lembra de onde eu vim, seu insensível!

ㅡ Não tem como esquecer, Jimin. ㅡ Pego minha bandeja logo me levantando para deixá-la junto às outras para serem lavadas, sendo seguido pelo Park em meu encalço. ㅡ Só de olhar para você, se ver que você não é daqui.

ㅡ Não muda de assunto, Yoongi!

ㅡ Mas foi você! ㅡ Giro sob os pés e o encaro já cansado dessa discussão boba. Eu posso fazer um esforço e entender o lado dele, posso com certeza. A razão para que eu não faça isso é porque gasta tempo e sentimentos que não quero alimentar sem merecer. ㅡ O que você realmente quer saber, Jimin? Já tentou por todos os lados, vai logo direto ao ponto!

ㅡ Nós não podemos ser amigos. ㅡ Dita ríspido e magoado. ㅡ Amigos compartilham tudo. Tudo, Yoon!

ㅡ Então é isso? ㅡ Desfiro passo a passo em direção contrária esperando mais algo a me chicotear, como nada veio, lhe dou as costas e começo a caminhar para longe. ㅡ Ótimo!

ㅡ Yoongi, você vai embora assim logo depois de ter mexido com toda a minha vida?!

Estanco no meio do caminho e atiro minhas últimas palavras para Jimin que o atinge a queima roupa.

ㅡ Jimin, nós não temos nada! Como pôde ver, nem amigos podemos ser!

O jovem rapaz corre pelo refeitório e alcança meu braço, logo seu toque fora repelido sem piedade. Não desejo continuar ou terminar com tudo isso, se sequer compreendo a razão de ter começado. 

Mas Jimin prossegue enfim despejando sua dor de uma só vez:

ㅡ Você foi o primeiro garoto que eu descobri ter sentimentos, Min Yoongi. Essa é a razão pela qual me sinto tão frustrado! Eu gosto tanto de você que dói! Está doendo aqui! ㅡ Fala agarrando seu peito e todos ali presente ofegam em real surpresa, uníssono, apenas nosso grupo não esboça tanto espanto quanto os demais, já pareciam suspeitar ou até mesmo o único que não sabia era eu. ㅡ Não suporto não saber nada sobre aquele que sinto sentimentos! Eu… Eu preciso parar de criar coisas e saber a verdade, por favor! Me fala de uma vez se tenho chances para que eu possa continuar tentando, Yoon!

Minha reação foi uma das piores que já poderia imaginar em ter algum dia ao saber que alguém guarda aqueles sentimentos malditos que sempre sigo sufocando-os. 

Eu fugi para longe daquelas pessoas. Eu fugi daquele sentimento de conforto em meu peito. Eu fugi de Park Jimin e seus sentimentos. 

Eu fugi.

Naquela noite, logo após meu trabalho, fui convocado para visitar a sede e Ddaeng já sabia do ocorrido com o garoto que declarou sentimentos para mim.

ㅡ Querido D, de tudo que já me aconteceu durante esses anos envolvendo traição, dívidas, ausência de lealdade, suicídio, assassinato, entre outros… ㅡ Continua apontando sua taurus 85 em minha direção, enquanto confessa sua agonia. ㅡ Absolutamente, nenhum me causou tanta repulsa quanto agora. Por que você não atrai uma garota bonita ou sei lá, engravida ela, algo comum para gente como nós. Mas um moleque asiático ordinário da Califórnia? É sério?

ㅡ C-Como você sabe dele?

ㅡ Park Jimin, filho do policial Park Jay, transferido há três anos para o Sul da Coreia. Ele parece tão patético quanto o pai, acreditando que o amor exista. ㅡ Caminha passo a passo em minha direção, tremendo seus punhos, como se estivesse contendo sua imensa vontade de apertar o gatilho. ㅡ Aqui está o embate entre quem ama alguém e o alguém que ama o fato de ser amado. Pobres coitados aqueles que não enxergam isso.

Ainda sou fraco e ingênuo a respeito de diversas coisas sobre a vida e subir de posto cada vez mais me provoca querer desempenhar tudo corretamente para que acabe de uma vez com tudo isso, ao mesmo tempo que desejo atrofiar minhas habilidades e desistir totalmente, até de mim mesmo.

Mas desistir significa perder vidas e a minha, no momento, é a de menor importância, em vista dos que me rodeiam. Eu sempre tentei ser sozinho, me via assim, até que caiu a ficha e eu pude concluir que tenho meus laços.

ㅡ Vou te dizer apenas uma vez, ouça com atenção, D. ㅡ Para bem diante de mim, quase me fazendo imaginar todo o meu sangue espalhado pelo carpete ralo. ㅡ Fique longe dele se não quiser que eu dê um fim em tudo isso! ㅡ Não dando-se por satisfeito, desferiu um tapa na maçã de meu rosto, me fazendo cair sobre os restos de cigarros já tragados no chão. Desarmou e guardou sua arma em seu bolso traseiro. ㅡ Se está tentando arrumar aliados da lei para defender você. Sinto pena, você já tem dezenove anos, D. O mínimo que o pai daquele garoto faria por você, seria mandá-lo ver Jesus. Se é que você ainda possa algum dia. Sai da minha frente, agora.

De longe ou de perto, você sempre tem a quem pensar nos momentos bons ou ruins. São aqueles que se entrelaçam em sua linha de vida, em sua linha do tempo. Você caminha com eles, você os carrega, mesmo que numa fatídica etapa o vão fique “vazio”. Mas eles, ainda assim, estarão lá para te lembrar que você fez e faz laços dos quais são verdadeiros sopros, deixando claro que você vive e precisa seguir em frente.

Desejo proteger todos aqueles meus vãos, vazios ou não, são meus. São as razões por não me deixarem desistir, por me prenderem a mim mesmo e ao meu fio de vida. Mas não posso simplesmente deixar que Jimin se torne um deles, é perigoso demais para ele. 

Mesmo agora que ele queira correr o risco. Eu sou sinistro, sabe que não deve se meter comigo, naquela época já estava complicado para nós, ainda mais agora que meus valores morais são distintos dos seus e ele ainda sustenta os sentimentos assustadores.

ㅡ Estou no tentáculo responsável por mim, senhor. ㅡ Ligo para informar sobre os trabalhos da noite anterior.

Ótimo, D… Sem desvios após os trabalhos, ouviu? ㅡ Ddaeng dita pela chamada de voz. ㅡ Suas consequências estão cobiçando sua cabeça sobre uma bandeja.

ㅡ Eu sei, senhor. Eu apenas fui comprar bebidas.

Não me venha com gracinhas, essa passa, mas não se sinta especial. ㅡ Ouço vozes do outro lado da linha questionando algo quase inaudível para Ddaeng. ㅡ Acabo de saber que não estava sozinho.

ㅡ Essa informação é irrelevante… Mas era um local público, senhor, não há razão para ser mal educado quando as pessoas não sabem sobre você.

Seu silêncio foi desejado, ele pareceu aceitar ou apenas se cansou da discussão exagerada logo nos primeiros horários do dia.

Inadmissível de qualquer forma…  Estou te observando, sempre.

Encerrou a ligação, me fazendo relaxar os músculos ao me jogar no sofá. Todo tipo de conversa com esse homem me deixa inteiramente em alerta. 

É desagradável. 

Sinto como se fosse enlouquecer a qualquer momento.

ㅡ Esquisito dia para vocês, porque se for apenas para mim, ㅡ O acobreado suspirou alto ao entrar no trailer velho, jogando sua pequena bolsa-carteiro vermelha na mesinha de jantar, em frente ao pequeno sofá em que eu estava sentado. ㅡ sem dúvidas, é bullying.

ㅡ O que se passa, Hobi? ㅡ Questiono me levantando e preparando um café amargo, bem concentrado para mim, e iniciar mais um dia em que desconheço o que é dormir em paz. Ofereço-o por educação para os outros que dividem o ambiente comigo. ㅡ Mais alguém vai querer?

ㅡ Eu quero! ㅡ Gritou Namjoon do quartinho dos fundos.

ㅡ Está tudo fácil na bancada, ㅡ Sorrio mirando de esguelha o ruivo que me devolvia o riso frouxo, já prevendo minha resposta. ㅡ vem fazer!

ㅡ Que saco, porque oferece? ㅡ O de cabelos cor púrpura rebateu amargurado, sendo prontamente ignorado. Pobre Namjoon… 

Brincadeiras como esta é comum que façam parte do nosso dia já tão sem humor, apenas para não perder o ritmo do nosso companheirismo ㅡ já que se tornou cada vez mais raro nos encontrar os três no trailer.

Hoje é um daqueles raros dias.

ㅡ Bom, vou te contar o que se passou, D, ㅡ Pega mais uma caneca e a ergue para que eu divida o conteúdo da minha própria. A contragosto cedo a metade, com a maior cara de tacho. ㅡ eu, simplesmente, saí com alguém depois do trabalho ontem!

ㅡ Que maneiro… ㅡ Finjo animação, expondo um tom monótono na voz. ㅡ Não é errado? O chefe não gosta disso.

Eu aqui tentando preservar vidas, enquanto os outros armam um massacre.

ㅡ Sim! Mas o cara é divertido e olha só para isso! ㅡ Eufórico vira-se de costas e arranca de uma só vez a sua camisa cinza e a larga me revelando enormes manchas vermelhas, formando um coração entre suas escápulas. ㅡ Ele quem fez! Não é bonitinho?

ㅡ Nojento, não? ㅡ Aponto com a caneca, e volto a bebericar a bebida escura e saborosa. ㅡ Isso faz mal cara, ㅡ Puxo o colarinho da minha roupa, expondo minha clavícula igualmente marcada, com hematomas um pouco menores que os seus. ㅡ não me orgulho disso, você também não deveria. ㅡ Sermão a parte, acabo por me espantar com a proporção e cores que ficaram em sua pele. ㅡ Mas que tamanho tinha a boca dessa criatura?

ㅡ O tamanho perfeito para me deixar, pela primeira vez, com vontade de repetir a foda mil vezes! ㅡ Abanou-se tomando mais um gole de café.

Meu dia conseguiu não ser tão monótono já pelo fato de Jimin ter retornado para minha vida na noite passada, sem aviso algum. E seguiu sendo incomum também durante as horas do sol aparente, pois Hobi e Namjoon conversaram e fizeram refeições comigo. Foi simples, porém importante para mim.

ㅡ Tenho um horário marcado para agora, preciso ir. ㅡ Aviso logo após conferir o relógio de pulso ao lado da pulseira de lã da organização.

ㅡ Tomou seu medicamento, D? ㅡ Hobi questionou como se estivesse perguntando sobre o tempo.

ㅡ O quê? ㅡ Por um momento sinto que poderia cair alí mesmo apenas pelo susto que me causou. ㅡ Como sabe?

ㅡ Quem não sabe, D? Você tem problemas no estômago, por isso fica vomitando, não é? Não pode esquecer de tomar.

Que alívio.

ㅡ É… É verdade, acabei de tomar, obrigado por lembrar. ㅡ Continuo meu percurso rumando para fora do trailer o mais rápido possível, fugindo da sensação de agonia que me soprou a tez.

Fiz meus trabalhos daquela noite, tudo correu como deveria, tudo aconteceu como sempre acontece. A única visível diferença sutil fora ter vomitado sangue por dias suficientes para me fazer encarar isso como algo pior que uma simples garganta machucada, por ser agredida constantemente ao passo que botava todo o meu jantar junto aos resquícios do medicamento. 

Minha voz ficou rouca e baixa. 

Lee Minji alertou que eu deveria visitar um médico, mas é inútil para pessoas como nós, isso se não quisermos ver a polícia tão cedo e as grades antes mesmo dos trinta anos. Portanto, a jovem com sua interrompida formação em medicina, pôde constar que o que tive fora apenas uma consequência pelo suco gástrico corroer um pouco das minhas cordas vocais em todas as vezes que precisei vomitar.

Minhas alternativas eram entre parar imediatamente com o medicamento ou tentar testar outro, mesmo sabendo que ele provavelmente iria provocar a mesma reação alérgica por ter sua substância na mesma família da droga atual. Assim sendo, abandonei o medicamento e tentei prosseguir meus trabalhos sem o auxílio do fármaco. E durante as semanas seguintes o que se resultou num desastre não fora minha saúde, pois me sinto verdadeiramente bem, agora obtive uma digestão perfeita. Por outro lado, meu desempenho despencou.

Minji me mandou fazer “exercícios” que parecem ridículos de mencionar, já que conheço-os por outro nome. Mas o fato mais vergonhoso possível foi reconhecer que o problema não é físico, mas sim psíquico.

ㅡ Não seja idiota, D. ㅡ Pragueja Minji ao caminhar ao meu lado pelas ruas mal iluminadas que resultam no bairro gringo. ㅡ Você, como eu já havia concluído antes, não serve para este trabalho.

ㅡ Me explica de uma maneira que eu possa entender, ㅡ Ameaço-a com o meu mau humor, puxando uma cadeira ao lado de uma loja ainda fechada. ㅡ seja direta garota.

ㅡ Agust D. Não. Gosta. De… ㅡ Fez uma curta pausa ao se sentar logo a minha frente, esperando que alguma expressão minha venha a tona. Nada veio.

Sério mesmo, ou eu sou um rídiculo ou esse medicamento me deixou burro.

ㅡ Mulheres?

ㅡ … Transar com mulheres. O quê? ㅡ Lee Minji se espanta cobrindo sua boca. ㅡ Meu Deus! Eu estava tentando ser menos agressiva dizendo que sua preferência não era das melhores na cama, até porque mulher é uma espécie de Deus na terra que homem não sabe valorizar, mas… Meu Deus, D! ㅡ Bateu de leve em meu joelho. ㅡ Você foi um grosso generalizando agora. Mas parcialmente sim, você parece não preferir mulheres de uma maneira carnal. Você pode até sentir algo, mas nada corporal. ㅡ Fingiu desgosto, porém modificou de imediato seu humor para um mais assustadoramente alegre. ㅡ Deixa a tarefa de vangloriar as obras de arte comigo então.

ㅡ Fará os trabalhos por mim?

ㅡ Não!

Então… 

ㅡ Então o que eu devo fazer com essa informação? ㅡ Já desacreditado, no entanto nada surpreso, busco por respostas.

ㅡ Eu não sei ao certo já que não sou eu quem posso decidir sobre suas preferências. ㅡ Amarra seus fios longos e platinados num rabo de cavalo alto. Com o tempo se tornou notório que Minji faz isso sempre para se sentir mais segura consigo mesma. É adorável às vezes. ㅡ Mas não se sinta frustrado, D, há pessoas que não sentem atração em contatos físicos ou só sentem com determinada pessoa. Você pode ser uma delas.

ㅡ Acho que meu propósito não me deixa ver importância nisso, Minji. ㅡ Deslizo minhas mãos sobre meu rosto, tentando espantar qualquer resquício de incômodo. ㅡ Estar com pessoas todas as noites me sufoca, não me propicia tempo para mim, não me oferece o direito de pensar que talvez eu tenha algo de errado comigo mesmo, não me deixa ter empatia pela pessoa que vive dentro de mim. De outro modo eu apenas desejo esquecê-la porque é essa pessoa quem está constantemente insatisfeita, que sofre pelo que eu faço, que gostaria de apenas encerrar os estudos e ajudar no restaurante velho dos meus pais… E eu já te contei informações demais ao meu respeito.

ㅡ Já, D.

ㅡ Terei que te matar agora, me desculpa.

ㅡ D?! ㅡ Gritou incrédula, chamando a atenção de alguns que caminhavam por perto das lojas e bares.

Uma gargalhada intensa tomou conta da nossa conversa desagradável, destoando de todos aqueles sentimentos que guardo em meu íntimo.

É verdade quando dizem que ao enterrar seus problemas e deixá-los isolados em seu interior, apenas piora a situação, pois eles se entranham e emaranham dentro de você.

E eu já repeti isso tantas vezes que me tornei meu verdadeiro túmulo. Desenterrá-los pode me causar dor, mas a cada grão de areia retirado, sinto que em algum dia eu posso voltar a ver a luz novamente sem me preocupar com o acúmulo de novos problemas me oferecendo mais alguns granitos.

ㅡ Chegou quem muita falta fazia, mas não se aflijam, tem do Tuan para todo mundo! ㅡ O ainda loiro brotou das redondezas e sentou-se ao meu lado, logo repousando seus cotovelos sobre a pequena mesa de bar e jogou um beijo voador para a quase médica da nossa organização. ㅡ E aí gatinha?

Bêbado atrevido.

ㅡ Ninguém te chamou aqui, Tuan! ㅡ Minji dita ríspida para o jovem em pleno efeito alcoólico. Pelo visto o Jackson tem ainda mais trabalho que antes. ㅡ Ou chamou?

ㅡ Mark, você não deveria parar de beber? ㅡ Questiono o ajudando a ficar quieto no assento de madeira.

ㅡ Dever… Não é poder! Poder… Não se deve querer… Como é mesmo?

ㅡ Cala a boca! ㅡ Minji não costuma demonstrar tanta paciência com o loiro que recentemente voltou a marcar presença em nossos curtos dias de fuga da realidade. Hoje estou cabulando o trabalho, coisa que acontece de vez em nunca. ㅡ Querer não é poder! Mas aqui você não devia nem ter chegado. Como você ainda chama ele para beber se ele faz isso sempre?

ㅡ D, como você ainda anda com essa coisa agressiva? ㅡ Ignorando completamente as farpas lançadas por Minji, Tuan parece cultivar um imenso desgosto desde o dia que suas cantadas foram pisadas pela moça. ㅡ Ela corta meu coração!

Apenas o respondo com um dar de ombros, logo recebendo um olhar de reprovação de ambos.

As horas se passaram, tomamos alguns drinks legais em algumas baladas, Mark e Minji se divertiram bastante, mas como não costumo me sentir confortável dançando em frente às outras pessoas, apenas sento no bar e observo a movimentação até que o horário de irmos embora chegue.

ㅡ Sabe, tenho que fazer mais uma tatuagem, lembra? ㅡ Aviso para ambos, no momento em que nos despedimos.

ㅡ Oh! Verdade, D, ㅡ Minji caminha até mim para ajustar meu penteado por um instante. ㅡ então vejo vocês depois?

ㅡ Não! ㅡ Tuan responde de imediato provocando uma guerra infantil de línguas a mostra.

ㅡ Meu Deus… Vamos nos ver depois, crianças! ㅡ Faço sinais positivos com as mãos, já me retirando para uma longa caminhada.

ㅡ Espera, D! ㅡ Grita Tuan em alguns passos de distância e se despede meio desengonçado para a jovem que nos fazia companhia. ㅡ Tchau sua grossa!

ㅡ Tchau, álcoolpolar! Estou aqui para qualquer coisa, D. ㅡ Aponta para o loiro. ㅡ Mas você não, fique longe de mim!

ㅡ Obrigado. ㅡ Agradeço e a vejo caminhar para longe do nosso campo de visão.

Fique longe de mim… Hm… ㅡ Imita as últimas palavras da garota, fazendo sua voz fina e irritante. ㅡ Nós vamos passar no estúdio depois de conversarmos com o senhor Ddaeng?

ㅡ É o certo a se fazer, afinal de contas. ㅡ Checo as horas e guardo meu celular no bolso interno da jaqueta e nos direcionamos para a sede da Dionysus. ㅡ Cuidado para não tropeçar na neve.

ㅡ Relaxa, eu não faria isso. ㅡ Diz como se não estivesse lutando para que o álcool evapore da sua corrente sanguínea, bebendo goles generosos de água.

Já começava a despontar os primeiros raios de sol por entre as nuvens densas. O caminho foi longo o suficiente para ambos nós ficarmos cientes o bastante para que o arrependimento me atingisse antes mesmo de pisar dentro da sede.

ㅡ Está faltando seu trabalho outra vez, D? ㅡ O loiro questiona já mais contido e ofegante pelos lances de escadas que tivemos que subir.

Concordo em silêncio.

ㅡ Cara, ele vai te matar logo logo.

ㅡ Obrigado por me dizer o que eu já sei. ㅡ Bato na madeira da porta com os nós dos dedos. ㅡ Poderia me esperar aqui fora? Ele não vai gostar de falar sobre meus assuntos na sua frente, nem dos seus na minha, então…

ㅡ Espero, sem problemas, mas por favor, não demore ou vou invadir a sala. ㅡ Alertou sorridente, piscando uma vez, fechando o combinado. Apenas assenti retribuindo o sorriso e adentrei o local.

Nada de novo na recepção, visto que ainda tem o mesmo odor de sempre, os mesmos móveis e acima de tudo o mesmo mandante deplorável. 

Uma fumaça densa sobrevoava pelo teto do escritório entornando todo o gesso já envelhecido e escuro. Nosso chefe estava reclinado e relaxado em seu assento de couro, mas logo levanta-se para me dar as boas vindas.

ㅡ Agust D, querido, que honra a sua presença logo pela manhã. ㅡ Amassa o restante do cigarro, jogando-o no cinzeiro junto aos restos queimados ali. ㅡ Está se tornando um hábito. Espero que sua visita seja relevante. Conte-me, como foi sua noite? Não poupe-me dos detalhes. ㅡ Expôs em tom lento e sarcástico o bastante para me fazer ficar agoniado com a culpa me consumindo a memória. 

Ele já deve saber o que fiz.

ㅡ Feito… ㅡ Minto, jogando um bolo de notas do “trabalho da noite passada” sobre o tampo do júri. ㅡ Senhor Ddaeng?

Sou um estúpido mesmo.

ㅡ Hm? ㅡ Grunhiu ao avisar que está a me ouvir e ao mesmo tempo começou a avaliar se as notas eram reais ou falsas. ㅡ Diga-me, D, no trabalho de ontem, você deixou a Flor feliz?

Engulo em seco. Sou péssimo em mentir.

ㅡ Ela também te deu carimbos de baladas, D? ㅡ Agarra meu pulso com agressividade, me fazendo tremer em pavor.

Havia lavado bem as mãos após deixar os estabelecimentos, mas ainda restavam as marcas leves e coloridas, visíveis pelo preto das minhas tatuagens.

ㅡ Reconheço que seu desempenho está deplorável esses dias, mas não comparecer em suas obrigações não é uma opção! ㅡ Riu perverso batendo todo o bolo de notas sobre a mesa, voltando a espalhá-las. ㅡ Não me venha com gracinhas, moleque! ㅡ Seus braços são ágeis, me passaram um golpe de gravata em segundos. 

Estava me sufocando sem piedade.

ㅡ A raiva envelhece, senhor… ㅡ Comento traiçoeiro, balbuciando mesmo que com dificuldades, agarrado aos seus antebraços. 

Tenho que pensar rápido ou perco a consciência.

Então eu fiz.

Meu calcanhar foi direto ao peito de seu sapato de grife, amassando seu pé de forma bruta. Joguei meu cotovelo direto em sua costela, com auxílio das minhas mãos juntas para o impulso.

Foi como empunhar uma adaga afiada ㅡ o mais velho recolheu-se em dor profunda, falhando em seu aperto.

Precisamente me desvencilhei de si, já preparando-me para mais um golpe que foi atirado diretamente em sua máscara, partindo-a ao meio, mas antes mesmo que eu pudesse ver sua identidade o homem encolheu-se cobrindo seu rosto com as mãos ao tempo que gritava para que eu saísse de lá de uma vez antes que me arrependesse de ainda ter vida.

Tuan, ouvindo as vozerias, subitamente adentrou o escritório. Totalmente confuso, seus olhos ficaram maiores que ele próprio, parecia temer o pior.

Não pude visualizar o que o mais novo viu pois suas mãos trêmulas vieram desesperadas até o meu peito, agarrando-o com toda a sua força, me lançando para longe.

Foram frações de segundos, foram variações de respingos que me atingiram a face, foram os gritos e lamúrias vindos do loiro que agora encontrava-se pelo chão cheio de bitucas inacabadas e vermelhas pelo líquido jorrando. 

Sangue.

Meu estado de choque perdurou tempo o suficiente para que o nosso chefe guardasse sua arma e corresse para onde lhe fosse mais favorável, fugindo de sua recente cena de crime.

Mark Tuan está morrendo bem diante dos meus olhos. 

Um verdadeiro pesadelo, deveria ser eu.

Aquela arma estava apontada para minha direção e o Tuan me desviou de seu trajeto.

ㅡ MARK! ㅡ Sentindo minhas pernas frágeis o bastante para não suportar ficar novamente de pé, vou rastejando até o jovem que segurava o local atingido pela bala, tendo leves espasmos.

ㅡ D… ㅡ Seu fio de voz veio fraco até meus ouvidos, ele respirava alto e forte. Queria chorar, mas não o fazia. 

Seus olhos encontraram os meus, implorando por ajuda. 

Eu não sei o que fazer.

ㅡ Mark, aguenta firme! Vou te tirar dessa! ㅡ O trago para junto do meu corpo após tirar meu celular e também a minha jaqueta para amassar a veste e a pressionar no ferimento, tentando barrar o fluxo de sangue, enquanto digito o número da pessoa que sempre sabe o que fazer em qualquer hora e espero que também nessa ela não me deixe na mão. ㅡ Fica comigo, cara!

ㅡ D… ㅡ Sussurrou novamente tossindo contido, dobrando a mancha em minha roupa. Está perdendo muito sangue! ㅡ Está tão frio aqui...

ㅡ Lee Minji! Por favor, me ajuda! ㅡ Vociferei assim que a chamada foi atendida.  Minha própria voz começou a vacilar e as lágrimas caem como chuva sobre a bochecha alheia.

O loiro olhava para mim com algo em si. Era tudo, menos medo, no entanto, seu silêncio me apavora. 

Os espasmos cessaram.

Seus dedos longos foram de encontro ao meu rosto com intenção de limpar o sangue que havia em aspersão na minha pele, mas perderam o ímpeto antes de tocar em mim. 

Suas pupilas sumiram e seus olhos fecharam da pior maneira que eu poderia presenciar. O pânico me consumiu em seu ápice, a onda gélida de adrenalina guiou-se por todo o meu corpo. 

Isso não pode está acontecendo!

ㅡ O Mark, ele foi baleado, está morrendo!

 


Notas Finais


🐏
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Olá pessoas lindas!
Espero que eu tenha esclarecido um pouco a respeito da ligação que o Jimin e o Yoon tiveram no passado. Também espero que entendam o lado do Yoongi por repelir a zona de conforto que seria deixar tudo acontecer. Ele não sente merecer receber amor de alguém e especialmente vindo de uma pessoa que, em seu próprio ver, não merece sofrer ao encarar a vida que o Agust D leva.
Saibam que algumas coisas precisam acontecer para que outras se concretizem.
Obrigada se você chegou até aqui.
~até breve~


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