História I'm Still Here, Byun (ChanBaek) - Capítulo 3


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Notas do Autor


Oii! Sim, eu estou muito inspirado. Por isso, aqui está mais um capítulo para vocês.
Espero que gostem!

Boa leitura 💛

Capítulo 3 - 03


“- Você ficou sabendo?

- Do quê?

- O Chungho terminou com a Yangmi.

- Não iam casar daqui a dois meses?

- Sim, mas não é de se surpreender. Ela andava descuidada e tinha engordado. Quem ia querer alguém assim?

- Certíssimo ele. Imagina! Se já estava assim e nem estava casada, imagine depois que se acomodasse.

- Ficaria redonda igual a um melão japonês.

As duas riram. Os olhos pequenos observavam as duas mulheres. Era assim que o amor funcionava? Subordinado à beleza? O garotinho não conseguia entender. Aquilo não se parecia com o amor do guarda pela princesa da história contada por sua mãe. ‘O amor é muito complicado', pensou ele, em sua ingenuidade infantil e angelical.”

//

O vento frio do inverno coreano soprava pelo aeroporto. Este carregava pequenas folhas e partículas, conduzindo-as naquela dança calma e sútil. O uníssono formado pelas múltiplas vozes ao redor de Baekhyun, tocava seus tímpanos. As lágrimas ainda desciam por seu rosto. Ele sentia os braços de Yoora ao redor de si. Aquele dia havia chegado rápido. A partida havia chegado rápido – rápido demais. Chanyeol repousava uma de suas mãos sobre o ombro direito do menor, procurando, por meio daquele contato mínimo, transmitir algum conforto a ele.

Em companhia aos três, encontravam-se a matriarca da família Byun e os pais de Yoora e Chanyeol. Os três mais velhos se mantinham calados. Entendiam a situação. Aquilo não era apenas uma despedida entre dois melhores amigos. Baekhyun sentia uma parte de si sendo levada à Europa com a amiga. Por dois ou três anos, ele não a teria ali. Não teria aquela companhia confiável e carinhosa. Não teria os abraços que só Yoora era capaz de conceder. Não teria a garota que nunca havia desistido dele, mesmo ao presenciar suas crises e seu vazio sufocante.

A moça também chorava. Um choro quieto – tímido –, para que Baekhyun não se sentisse ainda pior. Ela se sentia culpada. Sentia-se culpada por deixar seu amigo. Sentia-se culpada por deixar sua família. Sentia-se culpada por, em um ato furtuito, sair da Coréia do Sul. Contudo, havia de fazer aquilo por ela, por sua família, que sempre a apoiou, e por seu melhor amigo, que se sentiria destrutivamente culpado, caso ela recusasse a oportunidade.

- Baby Byun... Eu preciso ir ao banheiro. – Chamou o irmão com o olhar. – Já volto, okay?

Ela se levantou e pôs-se a andar pelo grande espaço, em direção ao banheiro. Em poucos segundos, o primogênito dos Park levantou-se também – alegou também precisar ir ao banheiro – e demoveu-se. Logo, ambos chegaram ao corredor iluminado no qual a entrada aos banheiros se encontrava. Yoora se virou, encarando o irmão.

- Eu preciso te pedir algo. – Começou.

- Diga.

- Chanyeol... Você tem que tomar conta do Baek, certo? – Disse a moça.

- Eu vou, Yoo.

- É sério, Channie. Você tem que visitá-lo e fazer companhia a ele, tá? Não pode deixar com ele faça nada a si mesmo, tá? Se ele...

As palavras foram perdidas. Perderam-se em meio às lágrimas da jovem, que soltou todo o peso sobre seus ombros. Deixou-o cair e aquilo doeu. Chanyeol puxou-a para um abraço aperto. Ele sentia os soluços de sua irmã contra seu peito. Sentia todo desespero que aquelas formas sonoras voláteis carregavam. Sentia o medo e a tristeza que vazavam de seu coração.

- Eu vou tomar conta dele, tá? – Chanyeol sussurrou. – Quando você voltar, ainda estaremos aqui e teremos mais tardes de filme, sim?

Ainda em meio ao pranto sofrido, assentiu minimamente. Confiava em seu irmão. Confiava ao ponto de entregar a vida e o cuidado do baixo rapaz de cabelos rosados a ele.

As poucas pessoas que passavam pelo corredor afastado não compreendiam a cena. Apenas arremessavam olhares curiosos em direção a eles, mas, logo, ao verem as lágrimas da menor, trocavam seus arremessos por pena – talvez, até certo grau de misericórdia. Os irmãos Park não se importavam. Sabiam que o nível de importância daquilo discutido era infinitamente maior do que a opinião alheia. Aquele contato fraterno era. A confiança mútua era. Baekhyun era.

Permaneceram ali, por mais alguns instantes, apenas acalmando seus corações. Yoora caminhou até o banheiro, rodou a válvula da pia e molhou as mãos com o líquido. Esfregou as mãos contra a região dos olhos e, depois, agarrou uma pequena toalha do interior de sua bolsa, utilizando-a para secar a região molhada. Assim, caminhou de volta ao corredor, onde o rapaz alto a aguardava.

- Vamos? – Ele disse.

- Vamos! – Ela respondeu.

Ambos caminharam de volta ao banco em que o restante do grupo se encontrava. Sentaram-se ao lado de Baekhyun.

- Voltamos, Baby Byun. – A moça disse, carinhosa.

Mais alguns minutos foram gastos ali, antes que a voz soasse por todo o aeroporto.

- Voo das 19h50, partindo de Seul rumo a Londres. Embarque na plataforma três.

Aquilo foi como um tiro na alma de Baekhyun. O rapaz sentia todo o seu corpo tremer. Yoora continuava a abraçá-lo fortemente. Ela não queria soltar, mas sabia que era necessário.

- Ei, Baek... – Ele olhou para a amiga. – Agora, eu tenho ir, tá?

As palavras saíram dolorosas pela garganta da moça, atropelando o choro que era reprimido. Ela abraçou fortemente seu irmão.

- Eu vou cuidar dele, tá? – O rapaz disse.

Desfizeram-se daquele abraço. Yoora caminhou até seus pais – abraçou-os. Despediu-se, também, da mãe de seu amigo. Por fim, ela e Baekhyun envolveram-se em mais um abraço. Provavelmente, o abraço mais significativo que já haviam tido. Para além de um abraço, era uma promessa e um lamentar. Uma promessa do retorno da moça. Um lamentar mútuo dos amigos tão apegados e queridos. No fim, era um abraço. Talvez, um dos atos de afeto mais puros a ser realizado por um ser humano.

Ela apanhou a mala de mão, a única que não fora despachada, e seguiu. Não olhou para trás – não podia olhar. Fora recepcionada por uma aeromoça, que pediu sua passagem. Ela estendeu o pedaço de papel à mulher. Esta olhou e afirmou que tudo estava certo. Assim, Yoora subiu lentamente as escadas brancas do avião.

Observou os assentos e caminhou à procura do seu. Achou-o. Encaixou a mala de mão no compartimento superior presente no local e sentou-se em seu respectivo lugar. Relaxou seu corpo sobre o banco e sentiu certo incômodo em sua garganta – o choro. Não havia mais por que prendê-lo lá, então, apenas deixou-o ter sua liberdade. Escondeu o rosto entre as palmas de suas mãos e chorou. Chorou como nunca antes. Chorou como se deixasse toda a angústia acumulada ao longo de sua vida sair em forma líquida. Chorou como uma criança. Como a criança que ela desejava volta a ser, naquela época onde a inocência acariciava a todos. Naquela época em que seu amigo era apenas o doce Byun Baekhyun e não aquela versão tão cruelmente destruída de si.

No aeroporto, a testa de seu amigo encostava-se no vidro de uma das grandes janelas do aeroporto. Ele observava enquanto o avião levantava voo sob o manto caliginoso do anoitecer. A estrutura de metal emitia sua sonoridade intensa, enquanto escapava da crosta terrestre em direção às nuvens. Baekhyun já não sabia mais o que sentir. Parecia ter gastado todo o reservatório de suas glândulas lacrimais. Naquele momento, só sentia o vazio. Não aquele vazio habitual, mas, sim, um vazio dilacerante, que sugava a essência de seu ser.

- Vamos, meu querido. – Sua mãe tocou seu ombro esquerdo.

Não respondeu. Ele apenas seguiu a mulher à saída do aeroporto. Todos continuavam em silêncio, como se Yoora tivesse levado suas vozes naquele avião.

- Chanyeol, meu querido, por que não dorme em nossa casa hoje? – Byun Chohee disse.

- Claro, tia. – O rapaz respondeu. – Só preciso passar em casa para pegar algumas coisas.

O grupo seguiu ao estacionamento. Os Byun se despediram da família Park. Cada família entrou em seu respectivo carro e seguiram pelo trajeto. Baekhyun encarava, através do vidro, o céu e suas estrelas – sempre gostou delas. Elas o lembravam de que, ainda que no mais profundo vácuo escuro, há algo a brilhar. Na verdade, nem sabia se aquela sua crença era válida. Depois de tanto, ela soava infantil e boba – ingênua demais. Quando o rapaz voltou a si, sua mãe já estacionava o carro na garagem de sua casa.

- Chegamos, filho. – A mulher disse.

O rapaz abriu a porta e saiu do automóvel. Seguiu sua mãe até o interior da casa. Seu lar continuava o mesmo. Continuava o local estranhamente reconfortante e, simultaneamente, ameno em que vivia – ou tentava fazê-lo.

-Vou arrumar o jantar. O Chanyeol, daqui a pouco, chega. – Disse Chohee.

Baekhyun pensou em ir a seu quarto. Por algum motivo, o local não parecia mais tão amigável, então, caminhou até a sala e deitou-se sobre o estofado marrom de um dos sofás. Pegou seu celular e passou a analisar as novas animações japonesas lançadas naquela temporada. Algumas chamaram suas atenção e, por isso, salvou-as em sua lista de favoritos. “Assisto depois”, pensou ele.

Na cozinha, Chohee havia decidido, mais uma vez, preparar comida japonesa. Havia aprendido muito com a mãe de sua melhor amiga. Misaki havia vindo do Japão aos três anos, então, era uma “japonesa coreana”, como dizia, mas sempre fora criada sob as tradições, ensinamentos e moldes de uma família tradicional japonesa.

A mulher havia decidido preparar Soba e Tempurá. Pegou a tábua de corte e dispôs os mais variados tipos de legumes sobre ela. Cortou-os cuidadosamente. Utilizou-os no preparo do caldo perfumado que acompanharia o macarrão japonês. Logo, o som do toque da campainha invadiu a casa.

- Baek, atenda a porta, por favor. Deve ser o Chanyeol. – A mulher gritou da cozinha.

Acatando à ordem da mãe, Baekhyun levantou-se do sofá e caminhou até a porta. O rapaz levou sua mão à maçaneta, movimentou-a e puxou a porta para si. Recebeu a visão de Chanyeol à sua frente. O maior carregava uma mochila preta – uma única alça desta contornava seu ombro direito.

- Entra. – Disse o menor.

O Park seguiu a ordem de Baekhyun, fazendo-se presente no interior da casa. Caminhou até a cozinha – para cumprimentar Chohee – e deparou-se com a mulher cortando cogumelos.

- Boa noite, tia. – Disse o rapaz.

- Boa noite, meu querido. – Respondeu.

- Precisa de alguma ajuda?

- Que isso! Daqui a um tempinho, a comida fica pronta. Enquanto isso, fique lá conversando com o Baek.

O rapaz assentiu, caminhando à sala da casa e sentando-se ao lado de Baekhyun. Constrangeu-se com o silêncio que se fez presente por alguns minutos. Por fim, decidiu quebrá-lo.

- O que está fazendo, Baek? – Questionou.

- Só procurando algum anime.

- Já assistiu a Haikyuu?

- Nunca ouviu falar – O menor se ajeitou no sofá.

- É sobre um time colegial de vôlei. Você fazia parte do clube de vôlei no colégio, não?

- Sim, sim. Eu era baixinho demais, então, não me destacava muito. – Coçou a nuca. – Mas eu gostava bastante. Eu me divertia.

- Então, o que acha de assistirmos a Haikyuu hoje? – O rapaz disse. – Podemos começar agora, enquanto a tia faz o jantar.

O menor assentiu. Assim, Chanyeol levantou-se, puxando Baekhyun até o quarto do jovem. Mesmo que não o visitasse com tanta frequência, o maior já estava acostumado ao ambiente, então, apanhou o controle remoto e ligou a televisão. Dançou pelo catálogo de animes até encontrar a capa estampada com garotos em uniformes que mesclavam preto e laranja. Acessou o anime e, logo, a animação já passava na tela.

Baekhyun estava, de fato, interessado. Na verdade, já fazia certo tempo que não se interessava tanto por um anime. Agradeceu mentalmente à sugestão do amigo e continuou a assistir ao personagens movendo-se pela tela.

Em certo ponto, algo o incomodou. A cama parecia vazia demais. O quarto parecia silencioso demais. Yoora fazia realmente falta. Como sempre que algo o incomodava, encolheu-se. Algumas lágrimas solitárias deslizaram por sua face até despencarem por seu queixo em direção a seu moletom azul bebê. Chanyeol percebera a repentina reclusão do menor e fora capaz de acompanhar o caminho de uma lágrima discreta que escapou pelo olho esquerdo do amigo.

“Chanyeol... Você tem que tomar conta do Baek, certo?”

A voz de sua irmã invadiu sua mente. Ele havia feito uma promessa a ela. Assim, o rapaz, em um gesto desajeitado e afetivo, repetiu a ação tão feita por Yoora. Baekhyun surpreendeu-se. A sensação do braços longos e fortes o envolvendo. Uma sensação nova. Não se sentiu mal. A sensação estava longe de ser ruim, mas causava estranheza aos sentidos do rapaz. Aquele gesto tão puro e quase comicamente desajeitado. Talvez, um quieto aviso: “agora, eu vou cuidar de você”. Um abraço.


Notas Finais


Eu chorei escrevendo esse capítulo, então, espero que tenham sentido tanta emoção quanto eu.
Espero que tenham gostado

Agradeço pela leitura💛


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