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História Imaginarium - Capítulo 1


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Notas do Autor


Olá novamente!
Com toda essa história de quarentena e etc, resolvi me dedicar mais a escrever fanfics, seja o tema que for. Eu venho com essa história, que não vai ser mt longa, continuar fazendo o que eu amo!

Uns avisos importantes: Essa fic gira em torno de YoonSeok, mas podendo ter outros shipps. Sim, é flex!
Algumas cenas podem ser pesadas, mas sempre haverá aviso de gatilho.

Espero que gostem, eu to bem animada com esas fic :)
diferente do que eu ando escrevendo, aqui vamos ter algo mais "triste", mas ainda sim garanto que é bom!

Boa leitura!

Capítulo 1 - I - Persona


1 ano antes

O dia não se parecia em nada com um dia de tragédia. Na verdade as cores estavam tão intensificadas e bonitas diante da luz do sol, que qualquer um seria incapaz de achar que um ser humano poderia se entristecer em um dia como aquele.

No entanto, não é o canto dos pássaros e nem o sol raiando que guiam a mente de alguém que já morreu por dentro há muito tempo. Não...

Fitando a imensidão do horizonte diante de seus olhos, Woo sentia algumas lágrimas embaçarem sua visão, mas não se incomodou em secá-las. Não tinha mais porquê fazer isso. Seu coração não parecia bater mais, ele se sentia apenas uma carcaça que se movia pelas ruas de Seul e talvez isso não significasse estar vivo. Ele não se sentia vivo.

Estava tão cedo, ninguém veria, ninguém se importaria. E era melhor assim, que soubessem só depois que aconteceu, assim não tentariam impedi-lo. Ele estava decidido.

No telhado alto da escola de ensino médio, Lee Woo havia se colocado no limite entre a vida e a salvação. Não queria mais estar naquele mundo, não fazia mais parte dele há muito tempo.

A brisa fresca daquela dia convidativo bagunçou os fios escuros e ele fechou os olhos, captando pela última vez todas as sensações que o mundo tinha para lhe proporcionar. As pequenas coisas eram de seu agrado, os pequenos prazeres da vida, no entanto nem isso lhe prendia mais. Sentiria falta do vento.

E então Woo se deixou cair. O corpo tombou para frente e ali ele soube que nada mais o assustaria, que ninguém mais seria capaz de quebrá-lo. Deixando-se cair, ele mergulhou até a morte, sentindo um alívio preencher todo o seu ser antes de seu corpo sofrer o impacto que o livrou instantaneamente de toda a dor.

Lee Woo finalmente havia se libertado das amarras, das dores, da agonia e do sofrimento. Não importava quem ficou, só importava que ele não estava mais ali.

No entanto, naquele dia ensolarado, um aluno havia chegado mais cedo na escola na esperança de poder adiantar-se nas tarefas, afinal, era fim de ano letivo. Justamente aquele aluno, a única pessoa que Woo queria que não visse o seu fim, estava ali e se deparou com o baque surdo de um corpo indo ao chão quando se preparava para atravessar os portões.

Naquele dia ensolarado, Min Yoongi viu seu melhor amigo morrer.

[...]

- Como você está se sentindo hoje, Yoongi?

- Você sempre me faz essa pergunta quando eu venho aqui e eu sempre te respondo a mesma coisa: Péssimo e eu quero ir embora.

Deitado em um estofado confortável, Min Yoongi cruzou os braços impaciente, sabendo que dali em diante, pelos próximos 30 minutos, uma ladainha repetitiva se faria, algo que ele já não aguentava mais. Era sempre a mesma coisa, as mesmas perguntas sem profundidade alguma, tudo o que ele sempre odiava responder. "Como você está se sentindo?", "Tem tomado sua medicação?", "As alucinações ainda tem lhe atormentado à noite?". Era cansativo, tudo naquele lugar onde as paredes brancas, o chão branco e as pessoas vestidas de branco fazia com que Yoongi só tivesse mais vontade ainda de voltar para sua casa.

Mas sempre lhe respondiam de forma padronizada também: Você ainda não pode sair daqui. Ele se perguntava por quantos anos aquilo ainda iria durar, aquela tortura de saber que todos achavam que ele estava louco. Odiava o hospital, assim como não simpatizava em nada com as pessoas ali, principalmente com seu psicólogo boa pinta que tinha um sorriso bonito de covinhas. Ele era o pior de todos. Sempre sorridente e otimista, mas obviamente ele estaria assim, podia ir para casa no final do dia viver sua vida normalmente, sem precisar se trancafiar naquele lugar onde ninguém era normal.

- Sabe... - o psicólogo comentou com um sorriso ladino - Você é sempre agressivo comigo, mas eu gosto de você. - pontuou fazendo o Min franzir o cenho - Porque você, ao contrário de outros pacientes, é transparente, Yoongi.

- Transparência não vai me fazer parar de ver coisas que minha imaginação fodida cria, doutor Kim. - resmungou - Eu posso ser o louco mais aberto daqui, mas ainda sim, à noite eu continuo vendo figuras, pessoas e coisas que nem existem. Ou seja, no fim das contas, você gosta de mim por nada.

- Não diga que é louco. - ele sorriu pacientemente - Essa é uma expressão tão errônea e agressiva. Não há loucos aqui-

- "Apenas pessoas mentalmente frágeis", sim, você diz isso há um ano. - suspirou cansado - Sinceramente doutor Kim Namjoon, eu vou fingir hoje que não estou te ouvindo, quem sabe assim minha mente fique menos frágil.

Namjoon sorriu balançando a cabeça e anotando algumas coisas em seu caderno. As sessões individuais com Yoongi sempre lhe davam mais esperança ainda diante de uma profissão que também lhe deixava com a mente frágil. Dizem que um psicólogo sempre vai precisar de um psicólogo. Bem, não é diferente com os psiquiatras. Apesar da postura otimista, o Kim se importava até demais com os residentes daquele hospital e abraçava seus problemas até mais do que devia.

Via em Yoongi apenas um garoto de 18 anos com cicatrizes e um trauma grande demais que ele não foi capaz de sustentar sozinho. Por baixo daqueles olhos pequenos, cobertos pelos fios escuros, o Min só não queria mais se sentir tão sozinho. No entanto o perfil passivo-agressivo tinha a tendência de afastar as pessoas, por isso Namjoon estava ali, para tentar quebrar essas barreiras que impediam o jovem de seguir em frente.

- Que pena. - estalou a língua - Eu ia te dizer que vou diminuir sua medicação. - deu de ombros.

No mesmo instante o Min se colocou sentado e fitou o homem de cabelos castanhos muito bem penteados e os óculos de grau que não deixavam o brilho de seus olhos se destacarem. As covinhas no sorriso eram bonitinhas, porém irritantes, no entanto Yoongi pouco se importava com isso naquele momento.

Os medicamentos, desde calmantes até ansiolíticos, faziam ele ficar molenga, sonolento e seu estômago ficar embrulhado. As doses dadas de 6 em 6 horas eram, talvez, a parte que ele menos gostava na rotina.

- Mas... - ele começou a falar, no entanto não conseguiu completar sua frase.

- Yoongi, vejo em você uma capacidade gloriosa de melhora. Acho um exagero toda a medicação e, por isso, junto do seu psicólogo, achei que fosse melhor que parassem de te empurrar tantos remédios. Você vai tomar menos e em intervalos mais longos. Mas não pode, de forma alguma, se negar a ir às sessões, sem elas, o medicamento não é efetivo. - suspirou - E hoje nosso encontro vai ser mais rápido do que o habitual. Você tem visita.

A única pessoa que ainda era capaz de enfrentar horas de viagem e ir até o hospital, que sempre estava disposta a recebê-lo com um sorriso, mesmo que às vezes ele não fosse genuíno... Yoongi sabia quem era, quem o estava esperando.

- Eu posso ir? - indagou com os olhos brilhando em expectativa.

- Pode. - sorriu afetivo - Nos vemos na sexta-feira, tudo bem?

Ele fez que sim com a cabeça. A postura agressiva sumia quando boas notícias eram dadas a ele, mostrando que, na verdade, Min Yoongi era mais do que um paciente de mente frágil e sem esperanças.

Levantando-se do estofado e indo até a porta sem aos menos dar tchau, saiu da sala de Namjoon como uma bala, até mesmo esbarrou em uma enfermeira que passava, mas que ao ver a forma como o paciente estava, só conseguiu esboçar um sorriso. A mesma enfermeira adentrou a sala do psiquiatra e o olhou com olhos questionadores.

- O que deu nele? - apontou com o dedão para trás.

- A irmã veio visitar. - sorriu fechando o caderno e se levantando - Heejin, que bom que veio. Eu precisava falar com você.

A moça, que não passava da casa dos 30, levantou as sobrancelhas, no entanto permaneceu atenta.

- Se lembra do que conversamos há algum tempo atrás? - indagou, no entanto não deu tempo para que ela respondesse - Você é enfermeira responsável pela ala dele, sabe do que eu estou dizendo... Hoje vamos fazer o que combinamos.

Heejin pendeu a cabeça para o lado. Sabia bem do que Namjoon estava falando, embora não achasse que seria eficaz. Tinha suas dúvidas sobre o assunto.

- Joon, eu não sei se é uma boa ideia. - ela suspirou - Ele pode piorar.

- Assim como pode melhorar. - sorriu se aproximando. Abriu seus longos braços e acolheu Heejin em seu peito. Podia fazer isso, afinal, ela era sua esposa - Você confia em mim? Confia no meu trabalho?

- Eu confio, pode ter certeza... Só não sei, de verdade, se é algo que fará alguma diferença.

Namjoon suspirou e deixou um selar no alto da testa de Heejin. Ele era completamente amoroso, fosse com ela ou com qualquer um de seus pacientes, uma qualidade que poucos teriam tendo a profissão e o local de trabalho que ele tinha.

- Eu tenho certeza que depois disso, o Yoongi vai permanecer exatamente assim, mais leve, como todas as vezes que recebe visita. Vai ser bom, Heejin-ah, eu prometo.

[...]

A sala de visitas do hospital psiquiátrico era exatamente como toda a estrutura do lugar: branca. A diferença visível era que havia uma mesa, um sofá e que, diante de tanta falta de cor, o vestido florido e os cabelos loiros se destacavam ali, levando um pouco mais de felicidade para um lugar tão apático.

Trajado com seu uniforme, sendo uma calça branca e blusas de mangas longas da mesma cor, Yoongi abriu a porta do recinto um pouco ofegante, mas quando seus olhos contemplaram a figura ali de pé e com uma cesta em mãos, um sorriso mínimo se abriu.

- Sanji noona! - ele exclamou feliz e foi ao seu encontro, deixando-se ser abraçado pela mulher que era alguns centímetros menor que si.

- Yoongi-ah, como é bom te ver! - ela disse apertando-o com carinho - Desculpa ter demorado tanto, eu não queria ter ficado quase um mês sem vir aqui.

Saindo do abraço ele a fitou analisando-a. Estava um pouco mais magra, mas talvez fosse só impressão sua. Ela continuava com o mesmo rosto sereno e os olhos iguais ao seus. Sua irmã mais velha não havia mudado muita coisa.

- Não tem problema, noona. - se sentou ao mesmo tempo que ela - Eu sei que é longe e que você depende dos nossos pais. Mas é muito bom ver você. Finalmente uma cor diferente nesse lugar de merda.

- Olha a boca. - repreendeu rindo - Eu trouxe suas comidas preferidas: bolinhos de arroz, kimbap, café e sanduíches de atum. Foi bem chato passar pelos fiscais, mas está aqui. Vamos fazer um piquenique a céu fechado!

Yoongi deu uma risada, era sempre esse o fator Sanji, sua única e mínima alegria naquele ano em que estava confinado no hospital. Seus pais, depois de tentarem ao máximo e não conseguirem fazer com que o garoto tivesse pelo menos um pouco de melhora, viram naquele hospital psiquiátrico a melhor saída para o filho, no entanto, ainda não tinham reunido a coragem suficiente para irem visitá-lo, sendo assim, Min Sanji era a única que o fazia companhia de tempos em tempos.

- É uma merda não podermos ir para o jardim. - ele resmungou abrindo a cesta - Mas, de fato, algum desses loucos pode te fazer mal.

- Eu não tenho medo deles, Yoongi-ah. - respondeu - Mas isso não importa. Quero saber como você está. Eles estão te tratando bem aqui? Tem dormido direito? E as...

- As alucinações. - ele suspirou - Ainda as tenho. Toda noite. - baixou a cabeça - Mas não tem sido tão ruim como no começo, para ser sincero.

Depois de seu trauma, a mente de Yoongi começou a produzir coisas tão reais que ele era capaz de se confundir ao tentar diferenciar se aquilo pertencia ou não à realidade. Por vezes, a imagem que causou seus problemas e afetou sua mente ainda aparecia, e essas eram as piores noites de Min Yoongi. Porém também havia as inofensivas, como pessoas aleatórias, objetos que não existiam em seu quarto e até mesmo vozes que só conversavam com ele. Apesar de tudo, isso o incomodava, tirava seu sono e sua paz. Por uma noite apenas, queria poder conseguir dormir sem tentar distinguir o que era real e o que era distorção.

- Yoongi... - ela suspirou estendendo sua mão sob a mesa até alcançar a do irmão - Sei que é difícil, eu também... - ela parou por um instante, não queria achar as palavras incorretas - Ele também era meu amigo e eu sinto falta dele, mas sei que para você é diferente.

Yoongi soltou outro suspiro profundo. Sanji era tão amiga de Woo quanto ele, mas ela não o viu ao chão, envolto de sangue e com a cabeça rachada. Ela não precisou passar por depoimentos à polícia e sempre ficar voltando para aquela cena todas as noites nos seus sonhos e nem ver a imagem tão real do garoto ensanguentado pedindo por ajuda. E o pior de tudo era que nem mesmo o Min sabia que Woo estava naquele ponto, onde ir embora era uma opção. Ela não fazia a mínima ideia do que era estar na pele do irmão mais novo.

- Não é simplesmente diferente, noona. - ele disse um pouco contrariado - É completamente outra coisa, assustador, me faz querer, às vezes, ter ido junto com ele. Seja para onde for. - sentiu as lágrimas querendo arder em seus olhos enquanto o rosto se contraía pela dor - Você não sabe o que é estar aqui, então por favor, não diga que me entende...

Sanji baixou seus olhos, fitando seus dedos inquietos sobre a mão do mais novo. Ele tinha razão, mas não podia diminuir sua dor nem por um segundo. De seu lado, ela precisou ver seu irmão chegar a um ápice de sofrimento tão grande que nem seus pais foram capazes de suportar. Os produtos de sua imaginação vinham com tanta força que Yoongi já não dormia, não estava são. Doeu nela, ainda doía.

- Tudo bem, Yoongi-ah. Não vou falar mais disso. - disse vencida - Coma seu kimbap, está do jeito que você gosta. - sorriu minimamente.

A visita não podia durar mais do que uma hora, então ambos resolveram deixar de lado qualquer mágoa que fosse e aproveitar o tempo juntos, pois não sabiam quando seria a próxima visita. A comida que restou, os guardas inspecionaram e autorizaram que o Min levasse para o quarto quando teve que se despedir da irmã mais velha e retornar à sua solidão rotineira. Ele sempre se sentia um pouco mais vivo quando estava ao lado de Sanji, mas quando ela precisava partir, era como se toda a sua energia voltasse a ficar fraca e ele assumisse outra vez aquela carapuça de garoto apático.

Deu um abraço apertado na mais velha e retornou ao quarto, deixando a cesta em cima da cama. Ele precisava ir para uma das atividades que mais odiava: o banho de sol. Era sempre muito esquisito observar que, muitos de seus colegas de hospital, tinham diferentes problemas e personalidades. Havia os que não podiam, de forma alguma, manter contato com outros, pois demonstravam comportamento agressivo e violento, os que se isolavam por escolha própria e aqueles que apenas queriam conversar. E eram esses que o Min mais detestava. Era sempre a mesma coisa: ele se sentava em um banco e chegavam um ou dois tentando fazer com que toda aquela experiência se tornasse pior ainda.

Contrariado e já no jardim, ele tomou um dos bancos, sentando-se com as pernas cruzadas na madeira e deixou-se fechar os olhos, sentindo os raios de sol lhe darem um pouco de vitamina D. Quase não ventava, mas não estava calor, apenas agradável.

Porém seus momentos de paz, quase inexistentes, foram interrompidos por uma das presenças que eram capazes de lhe tirar do sério.

- Oi, hyung. - a voz disse fazendo o Min abrir os olhos a contragosto e suspirar vendo seu dono e a outra pessoa ao seu lado.

- Taehyung. - murmurou - Jimin. - olhou para o garoto menor, de madeixas loiras, que se escondia atrás do maior e de cabelos castanhos.

- Soube que recebeu visita hoje. - Taehyung falou sentando-se ao lado de Yoongi - Faz tempo que ninguém vem me ver. Você é sortudo. - deu de ombros.

Para ser sincero, ele não sabia muita coisa sobre aqueles dois garotos, apenas que eram inseparáveis e que Jimin quase não falava nada, só se escondia na sombra do maior. Claro que rumores sempre correm, seja o lugar que for, e as más línguas diziam que Kim Taehyung estava naquele hospital psiquiátrico depois de perder o controle e matar seu padrasto abusador. Já Park Jimin era uma incógnita.

- Hm. - foi o que ele conseguiu murmurar diante de seu incômodo.

- O doutor Kim aumentou minha medicação hoje. - comentou como quem não quer nada, se espreguiçando no banco e apoiando a cabeça com as duas mãos - E vamos de ficar ainda mais sem realidade neste lugar...

Yoongi olhou de rabo de olho para o Kim ao seu lado. Não conseguia ver nada de errado com Taehyung, mesmo que os rumores sobre si fossem reais, ele parecia completamente são e comunicativo. Mas também não procurava por nada diferente, não lhe interessava. Taehyung e Jimin era o que ele tinha mais próximo da palavra amigo naquele lugar, mesmo que não gostasse muito da presença de ambos.

O banho de sol foi uma atividade que pareceu durar uma eternidade, principalmente com Taehyung tagarelando ao seu lado. Ele era um ano mais novo que Yoongi, tinha 18 anos, Jimin tinha a mesma idade.

Quando entrou novamente para o hospital já estava entardecendo. Yoongi detestava a noite, pois era nessa hora que sua mente se manifestava e ele via as coisas que menos queria. Mesmo sabendo que não havia simplesmente como fugir disso, suspirou e foi até o refeitório jantar. A comida não era tão ruim assim, tinha tempero e era até saborosa, quebrando o estereótipo de comidas de hospital. E obviamente todos ali comiam com talheres de plástico... Uma maneira de manter a segurança de terceiros e de si mesmos.

Depois de alimentado, os guardas e enfermeiras começaram a guiar os pacientes para seus devidos quartos. Alguns tinham companheiros, claro, aqueles que não apresentavam comportamento violento, no entanto Yoongi dormia sozinho. Havia uma segunda cama, mas ela permaneceu intacta desde o dia em que ele chegou no hospital. Não sabia o porquê de nunca colocarem um companheiro de quarto junto consigo, mas também não reclamava, não tinha espaço para outro louco ali.

Sua porta era a última do corredor e não precisou que ninguém o guiasse. Assim que chegou até ela, girou a maçaneta e deu de cara com a penumbra. As janelas tinham cadeados, mas as persianas ficavam abertas para ventilar o ambiente. Havia também um pequeno banheiro e um armário duplo, onde a segunda porta também ficava trancada com cadeado. Yoongi se deitou em sua cama e resolveu descansar antes de tomar um banho e tentar dormir. Sua cabeça no travesseiro estava levemente confortável, no entanto ele sabia que não relaxaria cem por cento. Isso nunca acontecia.

Fechou os olhos e escutou o barulho da tranca, era o guarda lhe trancafiando ali outra vez. Suspirou.

Quando já estava quase pegando no sono sem querer, outro barulho lhe chamou a atenção, fazendo-o despertar vagarosamente. A porta do banheiro sendo aberta e a luz do recinto iluminando o quarto escuro. "Outra alucinação" pensou consigo, já prevendo que a noite seria longa.

Do banheiro, uma silhueta vestida com os mesmos uniformes do hospital, uma toalha pendurada no ombro e os cabelos vermelhos úmidos sorriu ao ver o Min deitado ali. Era um rapaz, mais ou menos da idade do Min, tinha um semblante completamente positivo e um sorriso estampado nos lábios em formato de coração.

- Então você é meu novo colega de quarto? - perguntou o rapaz enérgico, indo até a cama olhar Yoongi mais de perto.

- Alucinações não podem dividir quarto com alguém. Vai embora, por favor. - resmungou se virando na cama, ficando com o rosto virado para a porta.

O rapaz franziu o cenho levemente, mas relevou dando de ombros.

- Meu nome é Hobi. E o seu? - sua voz tinha um toque de felicidade, definitivamente era produto da cabeça de Yoongi. Ninguém era feliz em um hospital psiquiátrico. Não daquele jeito.

Eu já vi de tudo, menos uma alucinação feliz. - murmurou resmungando para si mesmo.

- Por que você fica me chamando de alucinação? - o outro riu enquanto pendurava a toalha na cadeira

- Porque você é uma e eu não quero te ver. - respondeu sem olhá-lo - Amanhã, quando eu acordar, você já vai ter sumido. Então, boa noite, alucinação.

Hobi riu do jeito que o rapaz lhe parecia rabugento. Yoongi odiava ver coisas, principalmente as que interagiam consigo, ele se sentia ainda mais louco respondendo. Estava cansado de produzir coisas inexistentes, de ser aquela pessoa que não é capaz mais de se agarrar à realidade e somente à realidade. Era um inferno conviver assim.

- Vai dormir sem tomar banho, colega? Que coisa... - Hobi disse juntando as sobrancelhas - Mas tudo bem, um dia só não tem problema, né? - sorriu - E já que você não quer me dizer seu nome, eu só vou te avisar que eu comi o kimbap que estava nessa cesta que você deixou aí na cama. Estava muito gostoso.

- Por favor, para de falar! - ele exclamou tampando os ouvidos. - Que alucinação chata!

- Alucinação... - riu achando graça - Não sabia que eu era amigo imaginário agora. Mas está ok pra mim. - deu de ombros assim que se sentou na cama e em seguida deitou-se, ajeitando os lençóis - Boa noite, colega-sem-nome.

Yoongi bufou. Além de não existir, era insistente. Sua mente nunca esteve tão fértil assim.

Ele fechou os olhos e tentou dormir para que aquele rapaz irritantemente feliz sumisse de sua cabeça. No outro dia de manhã sabia que a cama estaria do mesmo jeito de sempre, que aquela toalha não estaria molhada na cadeira e que seu kimbap estaria intacto.

E de fato, no outro dia de manhã, não havia mais ninguém no quarto além de Yoongi.

 


Notas Finais


e então? :)


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