História IMAGINE - Super Junior - Capítulo 28


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Categorias Super Junior, TVXQ (DBSK) (Tohoshinki)
Personagens Cho Kyuhyun, Choi Siwon, Han Geng, Heechul, Henry Lau, Kangin, Kim Heechul, Kim Jongwoon, Kim Kibum, Kim Ryeowook, Kim Youngwoon, Lee Donghae, Lee Hyukjae "Eunhyuk", Lee Sungmin, Max Changmin, Personagens Originais, Shin Donghee, Shindong, U-know Yunho, Yesung, Zhou Mi
Tags Suju, Super Junior, Tvxq
Visualizações 24
Palavras 1.695
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Hentai, Literatura Feminina, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 28 - Super Junior - Se a vida te der Limões IV


O ódio que verte dos olhos de Milena poderia perfurar a parede da sala atrás de seu pai e ciente disso o homem mantém a cabeça baixa enquanto a juíza emite sons que ela não distingue, seja pelo idioma que não domina, seja pelo torpor que a toma.

Na cadeira ao lado Rebeca chora silenciosamente, secando com as mangas já úmidas na blusa clara que traz manchas do mesmo rímel que marca a área ao redor dos olhos, em um círculo mal feito sobre o qual a mulher pouco se importa em meio ao nervosismo.

Milena dificilmente seria capaz de narrar o vórtice de acontecimentos que resultaram em estar ali, naquela sala, em outro país, com toda a família toda sentada à frente de uma juíza que explica no próprio idioma os trâmites jurídicos ignorando a barreira linguística da mesma forma que os governos ignoraram ao unificar os países em um bloco e depois em um país.

Sob seu olhar ainda incrédulo repousa um cheque com sua assinatura e alguns dígitos correspondentes à uma pensão alimentícia não paga por seu pai e que resultaria em sua prisão nas próximas 24 horas caso Rebeca não tivesse intervido. Ela convenceu a irmã a se desfazer de boa parte das economias já bastante arruinadas desde que a moeda do país foi subitamente alterada, numa medida emergencial e mal estruturada objetivando conter a inflação, desestabilizando totalmente a economia do continente, mas que não surpreendentemente beneficiando bancos estrangeiros na desastrosa transição mas Milena tem as divagações sobre a atual situação econômica interrompidas pela voz rouca ao fundo da sala:

— Milena vou te pagar filha, assim que...

— Calado! — ela ordena entre dentes — Você não vai preso exclusivamente por que a minha irmã implorou. Não pense nem um único momento que faço isso pelo senhor. Eu faço pela minha irmã.

A palavra ecoa em sua mente quando encara Receca que respira com dificuldade pela boca, esfregando o nariz congestionado, dando um tom cada vez mais rosado ao rosto por onde escorre o choro quase infantil em meio a um soluço leve, mas contínuo. Na sala ao lado, há uma outra irmã, desconhecida até duas horas antes.

Após aguardarem em um frio corredor, a assistente social as levou até ela, saltitante pelo corredor, quase pisando sobre os cadarços desamarrados de seus tênis All Star vermelho, com aspecto de mais velhos que a própria dona que girava em seu eixo até finalmente se dar conta da presença da dupla desconhecida a encarando, interrompendo a dança e rapidamente se esconder atrás da senhora, fazendo a mulher quase perder o equilíbrio.

Nenhum laudo de exame genético seria necessário. A criança tem o mesmo queixo angulado e duro que as duas irmãs sustentam, emoldurados por cabelos caem numa cascata de cachos e os olhos que alternam entre a curiosidade e o receio, são curvilíneos, felinos e se estreitam ainda mais quando ela ri. É uma miniatura de Milena, mas doce como a irmã mais nova que a olhava encantada.

A assistente social sinalizou para que as duas sentassem à mesa ao fundo do corredor, poucos metros da sala onde minutos depois decidiríam o futuro da criança.

Encarando a pequena, a Milena se sente diante de um portal no tempo e o próprio reflexo de duas décadas atrás sentado diante de si, pousando a cabeça sobre o punho ao mesmo tempo, fazendo a irmã rir e a mãe das duas estremece em pavor, se retirando da sala.

Resultado de algum caso passageiro de seu pai, o Conselho Tutelar do Mercosul, um dos primeiros órgãos instituídos após a conferência Latina, realizou uma visita atendendo a reclamação por pensão. Mas a reclamante, mulher visivelmente alterada por alguma droga nem ao menos recordava-se de onde havia deixado a criança. A assistente explica em espanhol a situação enquanto Milena encarava o pai, parado de perfil, olhando para o lado de fora do pela vidraça do prédio fugindo dos olhos da filha, mãos nos bolsos, pendendo o peso do corpo para frente e para trás, sem nem ao menos fazer menção de aproximar-se.

— Eleonora, essas são suas irmãs — em espanhol a funcionária do governo continua, apontando para as duas que permanecem mudas à sua frente, repetindo posteriormente em um português carregado de sotaque, tornando a cena ainda mais surreal.

Ela tem sete anos e não tem ideia de todo o significado implícito no fato de uma família inteira simplesmente ignorar sua existência até aquele momento, se prendendo a palavra "hermanas" que repete lentamente, saboreando as sílabas, abrindo o sorriso em que faltam alguns dentes, por onde a língua insiste em passar frequentemente, provando a superfície irregular da gengiva.

A senhora de cabelos brancos veste um guarda-pó bordado com iniciais que identificam o órgão do governo solta cuidadosamente a pequena mão e imediatamente a menina tenta buscar as de Milena sobre a gelada bancada a que se apoia. Instintivamente a outra se retrai e a criança se assusta, mas Rebeca estende as dela e Milena observa os dedos das duas se entrelaçarem, selando um trio que substitui a dupla solitária que sempre foram quando leva as mãos aos encontro das delas, fechando-as sobre as duas palmas.

Eleonora voltou-se a emissora da notícia esperando uma nova confirmação e quando essa vem através de um breve aceno de cabeça, a menina solta um leve gritinho em êxtase, fazendo Rebeca ruir e iniciar o choro que se prolongou pelas próximas horas, ainda que Shing Donghae fizesse o possível para tentar acalmá-la, deslizando a pesada mão pelos ombros que sacodem entre os soluços.

Agora, sob o ar frio do aparelho que sopra sobre suas cabeças na sala de audiência, Milena esfrega as mãos pelo rosto na tentativa de forçar a sensibilidade que começa a faltar nas mãos e na ponta do nariz, sinais claros da ansiedade está saindo do controle e ela apenas reza para que tudo acabe, que a liberem dessa sala.

Mas então, com as mãos apoiadas sobre a mesa e olhos da falsa humildade que Milena tanto conhece, ouve o homem que segundo o registro de nascimento seria seu pai, repetir o mesmo discurso que Milena e minha irmã ouviram há mais de 25 anos, quando ele também as deixou.

— Milena vou dar todo o apoio que ela precisar. Mas eu não tenho como ficar com ela.

Ela acaba por bater na mesa e a tia, irmã do homem, salta da cadeira assustada levando a mão imediatamente ao seu braço, sussurando diante do destempero da sobrinha mais velha:

— Calma querida.

— Nem uma palavra. — Milena profere cada sílaba pausadamente — Eu não quero mais nenhuma palavra de nenhum Mazzeo hoje.

A pequena e elegante senhora recolhe a mão e Milena pode ver a tristeza que a grosseria a causou através de seus olhos, mas nesse momento não me importa ainda mais quando, conciliadora, a vê voltando-se para o seu pai dando apoio a quem menos merece ali.

A juíza, diante da recusa dele e da completa impossibilidade da mãe de manter a guarda, avisa que a criança irá para um abrigo, onde poderá receber visita dos familiares, que deverão custear a permanência da pequena.

O pai sacode a cabeça em resignação diante do inevitável destino reservado à sua prole e Milena pode sentir o amargor da bílis que sobe o esôfago ao mesmo tempo que suas unhas enterram-se na carne das palmas da mão e por um momento tem certeza que perde a visão e há somente pontos de luz a sua frente, mas é trazida à consciências pelos dedos que apertam sua pele em desespero de Rebeca que a olha aflita pedindo para, como sempre, Milena fazer alguma coisa.

— Eles vão leva-la, Mi. Não podemos deixar. Não deixe.

A imagem de Eleonora balançando os pés na cadeira enquanto conhecia seus três sobrinhos lateja em sua mente e se confunde com as lembranças das duas pequenas à porta da casa da infância, vendo o pai sair com suas coisas para se tornar uma visita tão esporádica e tão vazia que a palavra "pai" só voltaria a ter sentido diante do agora cunhado segurando os filhos da irmã anos depois.

Um vazio se abre em seu peito, tentando a devorar, e uma dor toma o lado esquerdo cérebro enquanto zumbidos e bocas se movem sem que Milena assimile o que é dito naquele maldito idioma.

Um documento é estendido em sua direção para assinatura e faz um esforço sobre humano para que o rosto não se transfigure e permaneça o falso autocontrole que tão comumente aparenta.

Sua mãe sacode a cabeça em rejeição. A tia repete algum discurso sobre família, união e ajuda, nos moldes do que cresceu vendo-a falar à mãe, mas que na prática se mostrava inútil, unicamente retórico. O pai já disparou porta afora e sabe Deus quando o verá novamente.

Rebeca a conduz pela mão dormente da crise de ansiedade já instalada, puxando-a com delicadeza até a sala ao lado, onde quatro crianças a aguardam, alternando entre o chão e pescoço de Shing Donghae que tem o rosto suado pelo esforço. Três delas, seus sobrinhos, correm em sua direção, tomando as mãos da tia, perguntando se Lolo pode passar o final de semana com a família.

— Lolo? — Milena repete sem entender de quem se trata, mas então ela atende, saltando do rude banco de madeira recostado à parede mofada do antigo prédio onde brinca com uma boneca desgrenhada, atendendo o chamado.

Rebeca desprende a filha mais velha das pernas da irmã e toma no colo a menor que chora por alguma coisa que tenta explicar entre um dramático choro, ao mesmo tempo que recolhe a pequena sacola plástica a que se resume os pertences de Eleonora, estendendo o braço para alcançá-la e trazê-la junto a Milena, na desenvoltura que somente uma mãe seria capaz, sacodindo a irmã que permanece atônica no meio da sala e anuncia para a família, já dando as costas para a sala do juizado, sinalizando para o terceiro filho entretido com o celular:

— Lolo vai morar com a Tia Mimi em Limoeiro, vocês poderão dormir juntos sempre que quiserem. Agora vamos logo embora pois é uma longa viagem.



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