História Imagine Taekwoon: A máscara - Capítulo 8


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Categorias VIXX
Personagens Leo, Personagens Originais
Tags Drama, Imagine, Leo, Romance, Vixx
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Palavras 2.724
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Às vezes eu fico
Tão triste
Que fica muito difícil
Para respirar
Então me conte
Como você espera
Para falar de meus demônios
Quando eles estão
Sentando em meus pulmões?
~Autor não identificado (Adaptado)

Capítulo 8 - A caverna


"Olhando em volta só havia sorriso e risadas altas. Empurrões que atingiam seu corpo como pistolas atiradas de uma arma. As vozes ecoavam em sua cabeça feito assombrações. Jamais poderia esquecer daquilo. A vergonha tomando seu corpo e o mesmo contraindo. Sentia-se distante, porém tão perto de tudo aquilo. Como se tivesse a opção de simplesmente voar para longe. Mas ela não voou para longe."

Claire e Leo estavam sentados na mesa de jantar, comendo o que o mesmo acabara de cozinhar. O cheiro de frango estava por todo cômodo e uma certa fumaça ainda pairava no ar. Os bolinhos de batata, apesar de quentes, estavam macios e suculentos. Recheados de carne moída bem preparada.

- Nossa! Admito, você realmente cozinha bem. - Exclamou Claire - O que mais você sabe fazer, hein?

Leo deu de ombros:

- Cozinho desde jovem. Não se surpreenda, apenas peguei prática.

- É difícil não se surpreender. Minha mãe tentou me ensinar a cozinhar por alguns anos, mas eu simplesmente nunca tive esse talento.

- Percebi pelas vezes que me ajuda na cozinha.

- Você nunca me pediu ajuda! - Resmungou.

- Certo. Não vamos discutir sobre isso. Amanhã temos uma outra atividade. Importante.

Claire assentiu. Sentia um nervoso tomar conta de seu corpo. Como se a próxima atividade não soasse como uma coisa boa.

- Pode me dar alguma pista sobre o que seria?

Leo negou com a cabeça:

- Todas as atividades tem que ser feitas sem qualquer conhecimento seu. 

- Por quê?

- Se eu te contasse que teria que encarar os remorsos e traumas do passado, você concordaria tão facilmente?

Claire ficou em silêncio, pensativa.

"Será que a próxima atividade vai me deixar desconfortável? Por isso o jogo?"

Após umas garfadas em sua comida, em silêncio, Claire voltou-se para Leo:

- O jogo do contente foi um imprevisto, certo?

Leo levantou a cabeça. Seus olhos a encaravam como se estivesse a julgando. Como se depois disso tudo não havia nenhum pingo de confiança.

- É. Foi. Por que a pergunta?

- Nada não. Esqueça. - Balançou a cabeça e concentrou-se em terminar de jantar.

                       {. . .}

No dia seguinte. Todo café já estava na mesa, mas Leo não estava na cozinha, como de costume, nem mesmo na sala. Com uma expressão confusa, começou a tomar o amargo café preparado por ele e as torradas feitas com tanto cuidado e carinho que sentia que podia simplesmente enquadrar a mesa com as comidas de tão perfeito que tudo estava.

- Leo? - Gritou - Cadê você?

Conseguiu ouvir passos distantes vindo de algum lugar que desconhecia. Não parecia vir do segundo andar. Nem parecia vir do porão.

" Será que ele está no sótão?" - Pensou.

Após longos minutos, finalmente Leo apareceu. Estava com uma camisa azul desabotoada na região do peito, expondo-o. Usava calças listradas e largas como se fosse um pijama e seus pés sempre estavam descalços. Dessa vez seus cabelos cacheados não estavam tão em seu rosto, mostrando melhor o escuro de seus olhos. 

- Onde estava? - Perguntou Claire.

- Pegando umas coisas que deixei no sótão. Sim, existe um sótão nessa casa e não, você não pode subir lá em cima.

- Por quê? 

- Regra nº 3.

Claire revirou os olhos e bateu na cadeira ao lado, sinalizando para que Leo fosse sentar com ela.

- O que foi pegar lá? - Continuou.

- Umas coisas. Para nossa atividade.

- Entendo.

Não demorou muito para que Claire terminasse de comer. Leo se levantou e novamente sumiu para o segundo andar. Depois de uns minutos ele voltou, dessa vez segurando uma mochila.

- Vamos viajar? - Questionou Claire.

- Mais ou menos. Vamos explorar.

Sem questionar mais nada, ela se levanta e acompanha Leo até a saída da casa e entra no pequeno carro azul estacionado. Claire não se preocupou com sua roupa. Usava um shorts (antes uma calça preta elegante e com estilo retrô) preto não muito curto, uma camiseta simples com uma estampa hippie e seus tênis. O guarda roupa da casa disponibilizava não só apenas roupas exóticas, como roupas extremamente simples.

Entrando no carro, Leo pega um CD com uma lista de música estilo meio country e o coloca para tocar no rádio. Os dois percorrem o percurso inteiro imerso em seus pensamentos, lentamente seus corpos entrando no ritmo confortável da música.

                        {. . .}

Leo estaciona o carro em uma estrada extremamente estreita. A grama era baixa e úmida e havia um deslizamento mais adiante. Ele sai do carro e abre a porta para Claire igualmente sair.

- Onde estamos? - Ela pergunta.

- Você vai ver.

Eles seguem cuidadosamente descendo o caminho inclinado até acabarem no destino final: uma caverna, aparentemente úmida, escura.

- Leo... O que é isso?

- Não é tão ruim quanto parece. Venha. Cuidado onde pisa.

Entrando no local levemente claustrofóbico, Leo liga uma lanterna. O facho de luz era fraco, mas o suficiente para iluminar a passagem. O chão estava tomado por água baixa e as paredes eram úmidas e pareciam escorregadias. Tropeçar não era uma boa opção.

Depois de um longo caminho no meio do chão molhado, onde a essa altura os tênis de Claire estavam ensopados, a caverna acabou se expandindo, e revelou uma vasta caverna iluminada por pedras grandes e que pareciam valiosas. O chão estava igualmente tomado por essas pedrinhas, que acabavam iluminado a água e tornando-a cristalina. Havia mais outros três caminhos para se seguir na caverna.

- Uau, essa caverna não vai acabar tão cedo... - Comentou Claire - Mas afinal, o que viemos fazer aqui?

Leo desligou a lanterna e se virou para ela:

- Tem em algum desses caminhos da caverna uma joia preciosa. Há lendas que dizem que ninguém jamais foi capaz de encontrá-la. Eu quero achá-la.

Ela arregala os olhos, surpresa:

- Que tipo de atividade é essa?

Leo segurou o riso:

- Bem, hum, talvez eu meio que tenha mentido sobre a parte de ser uma atividade. Não quis ir ontem porque com certeza a caverna devia estar alagada e estava certo.

Claire revirou os olhos.

- Por que não disse que iriamos fazer isso desde o início?

- Porque já que não é tecnicamente como uma de nossas atividades, achei que não concordaria.

- Isso é abuso de poder! 

Leo deu de ombros e apontou para os 3 caminhos:

- Vamos escolher um desses três cada um. As paredes podem parecer grossas mas não são, podemos nos falar, mais ou menos. O eco é eficiente. 

- Não tem nada de ruim aí dentro, certo? Tipo, qualquer obstáculo que vá nos machucar...

- Jamais permitiria qualquer coisa que nos machucasse, o máximo que pode acontecer é nos perdermos. Mas isso não é problema. De qualquer forma cuidado, não entro aqui há um bom tempo. Não sabemos o que pode estar aí.

Claire engoliu seco e encarou o caminho mais próximo. O da esquerda. Só tente achar a jóia.

Adentrando o caminho e vendo Leo seguindo o seu, (direita) Claire foi sendo guiada pela luz das pedras. Era um corredor estreito e sufocante. A água parecia ter subido e ela dava passos pesados. Parecia que não tinha fim.

Em um determinado momento, Claire viu que não havia pedras no caminho a frente:

- Leo! - Gritou - Está me ouvindo?

Seu eco ecoou por praticamente toda caverna. Ouvir pelo menos ele teria.

- Não grite tão alto, - Falou com sutileza - O eco é eficiente.

- Tá, tá, bem, hum, no meu caminho aqui tem uma parte que não tem pedras!

- Não se preocupe, é só uma parte, deve ser bem estreita, cuidado.

- Tem certeza?

- Confie em mim.

Suspirando, seguiu em frente. Era bem mais estreito, quase teve que virar seu corpo para o lado para passar.

"Credo..."

- Ei, Claire! - Uma voz que desconhecia a chamou.

- Hã?

- Claire, aqui! 

A garota queria olhar para os lados, mas o corredor era tão estreito que não conseguia perceber nada.

- Claire! - Agora mais vozes se juntaram com primeira.

Não, não pode ser.

Quando olhou para frente e se livrou do estreito, havia um grupo de crianças na sua frente. Elas sorriam, mas havia um olhar sombrio passando em seus olhos.

- Claire! - Uma garotinha sorriu - Quer se juntar na brincadeira? 

Ela encarava a criança na sua frente, hesitante. Como eu...?

- Sim... - Ela respondeu involuntariamente.

A menina deu uma risadinha e o grupo acompanhou:

- Então vai ficar querendo! Esquisitona!

E saíram correndo na escuridão.

- Não, espere! Por favor! - Claire gritava ainda involuntariamente.

Ainda podia escutar as risadas, agora distantes.

"Como ainda me lembro desse dia? Como ainda pode doer tanto?" - Pensou.

Sem ouvir mais nenhum voz, prosseguiu seu caminho, questionando-se do porquê da aparição daquelas crianças.

"Será que Leo ouviu isso?"

Após mais longos minutos que não pareciam quer em lugar algum, novamente, outro canto escuro. Claire hesitou antes de prosseguir. O que será que teria dessa vez?

Lentamente prosseguiu, esgueirando-se contra a parede e esperou. Não demorou muito para ouvir barulhos.

Barulhos de água.

As paredes pareciam que estavam mais estreitas e tortas do que deveriam e a água estava subindo cada vez mais. Claire sentiu seu corpo sendo esmagado e segurou um grito.

Sufoco.

A água estava quase alcançando sua cabeça, ela tentou se livrar daquilo tentando se mexer, mas parecia presa e me movimentava lentamente.

A água já havia atingido sua cabeça e prendeu a respiração.

- L-Leo... - Chamou com a voz afogada na água.

- O que foi? - De repente ele perguntou.

Claire estava ensopada da cabeça aos pés, mas a água havia sumido e a parede havia voltado ao estado normal.

- Bem, hum... Esquece, acho.

Claire começou a sentir medo de prosseguir. Tudo que mais temia estava aparecendo. As sensações ruins, as experiências ruins que a fizeram  criar receios e medos, estavam todas ali. Como se fosse uma armadilha.

Ela tentou afastar o pensamento. Não podia amarelar. Talvez essas pedras exalavam alguma coisa tóxica que até o próprio Leo podia desconhecer e que causava alucinações.

Era a única explicação lógica para isso.

Quanto mais se afastava do último beco escuro, mais longe e demorado parecia os intervalos entre os becos. Quanto mais adiante, mais demorado, como um aviso para desistir.

Logo, surgiu outro beco escuro. Dessa vez mal encostou seu corpo entre as paredes, que sentiu um movimento. Era peludo, era pequeno. E tinha patas.

- Leo! - Ela gritou desesperada, sentindo-se prensada novamente.

- O que foi? - Ele respondeu quase de imediato.

- Tem aranhas aqui! Aranhas! Me ajuda! - Claire berrava.

- Calma, tente passar rápido, não enrole!

- Eu estou presa! Leo me ajuda!

- Claire, sinto que estou muito longe, precisa arranjar um jeito de sair daí!

Claire hiperventilava, em pânico, procurando uma forma de se livrar do sufoco. E das aranhas.

Após minutos e mais minutos longos de tortura na tentativa de sair, conseguiu se livrar do estreito canto repleto de aranhas.

Ela sacudia seu corpo, aflita, tentando tirar alguma daquelas criaturas. Mas não havia nenhuma. 

- Leo, sinto muito mas eu quero sair daqui!

- Claire, só mais um pouco, estamos quase lá!

- Não! Por favor, as lendas estavam certas, é impossível seguir em frente!

- Não há nada aqui Claire, se está cansada descanse, não se esforce, eu espero. Eu estou aqui.

A menina encosta seu corpo na parede úmida e se agacha. Era uma sensação horrível. Ainda sentia as patas andando por suas costas e um arrepio preencheu seu corpo.

"O que é esse lugar? A caverna dos medos? Dos pesadelos? Do seu pior desejo?"

Ela sentia que não conseguiria prosseguir, mas não tinha como simplesmente sair da caverna e deixar Leo sozinho lá. Afinal, dependia dele para retornar para casa também.

"Será que ele também está encarando isso tudo?"

Desistindo da forte resistência de ir embora, a menina segue em frente. Dessa vez o corredor realmente parecia não acabar. Suas pernas estavam bambas e sentia que podia cair no meio daquela água a qualquer instante.

                      {. . .}

Claire chegou em outro beco. Dessa vez ele não era estreito. Era largo e amedrontador, como se tivesse a capacidade de te engolir.

Sem hesitar, achava que talvez seja um caminho para a saída, ou melhor. Entrou rapidamente e seguiu o caminho.

De repente sentiu um forte empurrão atingir suas costas.

Ela caiu, mas em vez de água, era um chão áspero, e a caverna ficou tão iluminada que parecia o exterior...

- Claire! Sua esquisitona! Achava mesmo que fugiria de nós? - A menina, a mesma da primeira alucinação, apareceu, mas dessa vez, ela parecia mais grandiosa.

Foi aí que percebeu que todos a sua volta eram bem maiores. 

Sentindo-se indefesa, seu corpo retraiu. Sentiu sua boca balbuciar coisas involuntariamente. N-Não, eu só...

Um menino chutou suas costas e caiu na risada:

- Veja só você! Tão patética! Não é a toa que sua mãe não te ama!

Todos ao redor começaram a rir. Uma risada incessante que ecoava em seus ouvidos como um estouro. Ela tapou seus ouvidos com as mãos e sentou lágrimas se formarem em seus olhos.

- Esquisitona! Esquisitona! Esquisitona! Esquisitona! - As crianças gritavam em coro.

- Não... Por favor... - De repente olhou para o vão - Leo...

- O que está fazendo aí, Claire? - Leo repentinamente perguntou - Saia daí. Venha até mim.

Claire tentou se levantar, mas uma criança a empurrou e caiu novamente.

- Não consigo. Eu não consigo.

- Como não? Venha. Venha comigo.

Claire não se mexeu. Não conseguia. Simplesmente não conseguia.

- Não dá. - Balbuciou.

Leo então, foi até em sua direção e empurrou as crianças em seu caminho. Ele se agachou e envolveu-a em seus braços.

- Então eu te ajudarei a sair daqui.

E pegando sua mão, levantou Claire do chão. Agora eram eles que estavam maiores que as crianças. Leo inclinando sua mão para frente, sinalizou-a para passar. A menina hesitante, mas com um pouco de confiança, sorriu.

E empurrou as crianças para longe.

Os dois seguiram seu caminho para a saída, ignorando as crianças atrás. Os corredores pareciam mais curtos. Logo, retornaram para o beco cheio de aranhas, mas dessa vez Leo pisou em cada uma delas, fazendo com que Claire fizesse o mesmo; Passaram pelo corredor mais estreito e cheio de água, mas mesmo com a água subindo, foram capazes de passar sem que atingisse a superfície.

Passaram pelo último beco, onde aquela menina, ainda menor, chegou sorrindo com seu grupinho, perguntando novamente se queria brincar com eles, mas Claire se posicionou na frente dela. Parecia triunfante.

- Anda Claire, você quer brincar?

Sorrindo e se aproximando do seu rosto disse alto:

- Não

E foram embora.

                     {. . .}

- Espera, e a jóia? - Claire perguntou no meio do caminho. Estava assustada, porém aliviada de ter saído de lá. 

- Nós já conseguimos a jóia. - Sorriu.

- É? Então me mostre.

- Me diga então o que você disse para aquela garotinha.

Ela olhou confusa.

- Eu disse... Não.

Leo olhou para Claire, esperando a a sua compreensão.

- O que foi isso, Leo?

- Foi a atividade de hoje. Parabéns pelo sucesso. 

- Espera, como?!

- Você tinha medos Claire. Medos como qualquer um. E você não tinha força para encará-los. Ninguém tem. Não sem ajuda. Mas você conseguiu, criou coragem e os enfrentou. E isso, essa coragem, e esse amadurecimento a ponto de não temer de forma tão intensa esses medos, é uma verdadeira jóia.

- Mas eu... Não consegui sozinha, você esteve comigo, não pude me virar.

- Mas como podia encarar algo que você teme a encarar? É como pedir para um bebê começar a falar sozinho. Não tem como. Ele precisa de ajuda. Nem sempre tudo que passamos, precisamos passar sozinhos. Não tenha medo em pedir ajuda para enfrentar seus medos. E vai ser com essa ajuda, que criamos as bases para a coragem. É com o auxílio dos pais que o bebê vai criar as bases para a fala.

Claire assentiu. Ficou feliz com seu apoio. Com Leo, ela sentia que seria capaz de atravessar montanhas.

Vamos enfrentar essas nuvens negras.

Juntos.

E nada será capaz de nos derrubar.

{Continua...}

 

 

 


Notas Finais


:):


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