1. Spirit Fanfics >
  2. Imagines - Aidan and Nicky Harper >
  3. Lovesicky, Ricky, Dicky e Dawn

História Imagines - Aidan and Nicky Harper - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


↪Onde Nicky Harper encontra-se 'doente de amor'. Contudo, delicado como é, teme que sua paixonite não o corresponda da maneira esperada. Por esse motivo, Nicky acaba apelando para a ajuda de seus irmãos.

↪Seis e ônibus e um aviso rápido!
Não tenho tanta criatividade pra imaginar um nome novo em todo imagine — e, nem sou tão adepta a S/N. Por isso, vou transformar 'Batsy' no nome de todas. Fiquem à vontade para imaginarem-se no lugar dela.
Boa leitura a todos que chegarem até aqui! Amo vocês!♡♡
Peço, de antemão, desculpas por qualquer erro ortográfico♡♡

Capítulo 2 - Lovesicky, Ricky, Dicky e Dawn


LOVESICKY, RICKY, DICKY & DAWN
2020, Boulder, Colorado.

1

Nicky Harper a ama, mas simplesmente não sabe explicar o motivo disso. Talvez seja o modo em que Batsy joga o cabelo quando encontra-se frenesi, ou o gingado irregular que tal quadril faz no corredor extenso entre primeiranistas e terceiranistas. Simplesmente ama, só isso e ponto final. Pois, quando seu olhar encontra o corpo desta meio a multidão, sente seu peito pulsar e o coração ameaçar jogar-se de sua boca. A pele esquenta e o sorriso torna-se incômodo. Como Dicky Harper, seu irmão, costuma dizer, Nicky está doente de amor. Pernas bambas e cantaroladas entre a sala de casa agora são recorrentes. A irritação e a provocação rotineira entre os quadrigêmeos não atinge mais o mais novo destes. Nicholas encontra-se em uma bolha de proteção com nome, sobrenome e endereço

Por mais que ame intensamente a garota, um medo imensurável consome o Harper – teme que, de uma hora para outra, esta possa se apaixonar completamente. Mas, não por ele, e sim por outra pessoa. Isso, sem sombra de dúvida, o tortura apenas em idealizar tal pensamento. Imaginar as mãos dela deslizando entre a nuca de outro e seus lábios acariciando alguém que não seja este é frustrante. Isso é seu inferno na terra. Nicholas receia abruptamente, contudo não possui coragem o suficiente para enfrentar seu eu interior. Suas forças para mentalizar as palavras não são as mesmas para dizê-las. ‘Se não for correspondido?’, ‘Batsy, obviamente, não tem interesse’. São sempre os sussurros intermitentes que formam-se em seus neurônios. 

Se fechar seus olhos, por alguns segundos, pode sentir o cheiro adocicado que emana dos cabelos da paixonite, roçando lentamente em seus ombros e reluzindo com tamanha maciez. O menino, preso aos detalhes, sempre observa seu passar pelo corredor – evitando chocar-se com os demais alunos e continuamente atrasada pela diferença de horário. Batsy não é um amor passageiro, pelo contrário, é a pequena pretensão de Nicholas Harper.

2

Seu corpo desliza defronte ao distinto armário e, em uma fração de segundos, seus glóbulos verdes captam o momento em que o corpo mediano da garota remexe a alguns metros – trepidando um livro espesso de Lovecraft em seus dedos, folheando e calmamente dedilhando a folha grossa do papel, descolando-a com um leve toque entre o indicador e a língua. O cabelo está preso em um rabo de cavalo e, por céus, não poderia estar mais encantadora com seus brincos de meia lua. Nicholas hesita em pegar seu material escolar em seu depósito particular e nem ao menos percebe o que faz diante o corredor, o quão assíduo encontra seu fitar.

Alguém passa a seu lado, ele não importa-se. Contudo, este mesmo alguém passa por ela, que ergue o rosto e deixa em vista o nariz fino e arrebitado. Os lábios rosados entreabrem-se e a voz melodiosa escapa, voltando imediatamente a concentração a leitura. Nicky tenta a todo custo manter-se focado em si mesmo, nos seus afazeres diários e nos estudos que prometeu colocar em linha depois de uma nota vermelha. Não conseguiu manter a atenção quando o exame foi passado, pois Batsy sentou-se a seu lado e o cujo optou por prestar atenção nos mínimos detalhes dela, e não em sua nota.

Põe a mão em seus livros e desvia seu interesse por alguns segundos. Aprofunda o receio de que se for pego a cercando, deixará esta ainda mais temerosa em relação a si. O Harper, algumas vezes, chega à conclusão de que é desinteressante ao extremo, pois ela, nem uma vez sequer, notou ou retribuiu seus fitares. ‘Talvez Batsy seja apenas desatenta, Nicky’, repete em seu consciente para mantê-lo em uma linha racional, evitando surtar e debulhar-se em lágrimas. É um garoto sensível e isso nunca irá mudar.

Finaliza prontamente sua pendência e fecha seu armário com cuidado, olhando ao redor. Inevitavelmente, como um tique incontrolável, a fita, que permanece sua leitura agora com as costas descansadas na parede, quase deslizando por completo o corpo ao chão, sentando-se. Dicky, com sua despojada e contagiante espontaneidade, passa pelo corredor e entreabre os lábios, usando o óculos escuro idiota de cada dia — Eai, Batsy. 

— Olá, Dicky — A garota diz, cumprimentando-o sem desviar seus olhos dos parágrafos. 

Nicky sente inveja, por assim dizer. Questiona-se ordinariamente o porquê de não conseguir fazer uma coisa simples como essa. Na verdade, tentou uma vez, porém passou vergonha. As palavras engasgaram-se meio a sua garganta e simplesmente nada foi dito – Batsy riu com leveza e o deixou ainda mais tenso e vermelho. Não quer lembrar. O menino regula as alças de sua mochila, às aperta com as mãos pressionando os ombros e vê seu irmão vir a seu encontro. Dicky retira seu óculos, pendura na gola de sua camiseta e põe, despretensiosamente, uma mecha irregular de cabelo atrás da orelha.

Ambos olham para mesma direção e o loiro, com indignação, cutuca o braço do franzino, que recua em incômodo. Dicky sabe bem que Nicky tem uma queda por Batsy, e ultimamente também tem noção que tal situação começa a tornar-se insuportável. Nicholas está estranho e nem sequer suas receitas, que são seu alento, estão a conseguir lhe trazer a devida paz — Se não disser a ela que a ama, eu mesmo conto — Ameaça Dominic. O mais novo fita o irmão com receio e revira os olhos, temendo que, mesmo de tal distância, a garota possa escutá-los. Nicky passa sua língua aos lábios secos e a observa, cuja está de saída. A bolsa é segura apenas em uma alça no ombro esquerdo e o livro não mão direita, a dita perde-se na multidão — Falo sério, Nicky — Dicky sopra — Está insustentável.

— Como você consegue? — Estes prosseguem, a aula de química conta com dois horários e a professora de tal matéria não tolera atrasos, principalmente vindo de algum dos Harper’s. O pulmão de Nicky trabalha em um ritmo anormal e o menino pode jurar que a qualquer momento irá desmaiar, não aguenta mais toda essa pressão.

— O Dicky aqui tem seus segredos, as gatas se amarram — Leva o óculos a seu rosto e, como o habitual, ergue o nariz — Nicky, acho que você precisa dos ‘conselhos infalíveis para conquistar a sua gatinha do Dicky Harper’ — Diz deslizando ambas as mãos, cada uma para um lado contrário ao ar. O olhar é direcionado aos membros e Nicky esforça-se também para tentar enxergar o que este propõe. Dominic balança lentamente a cabeça e, no momento seguinte, coça o queixo. 

— E o que te faz acreditar que isso vai me ajudar? — Nicholas sussurra sem a mínima animação. Seu corpo paralisa de supetão e, com o mesmo ritmo, o irmão faz o mesmo. Não tem certeza e muito menos fé de que pode confiar no que Dicky profere. Contudo, sente-se no fundo do poço e não vê opção melhor do que arriscar-se. Por mais que o medo de tudo desandar e desmoronar corroa pouco a pouco seu pequeno ser, terá coragem. Ou, tentará pelo menos uma vez em sua vida.

— E quando foi que a tática do grande Dicky já falhou? — Dominic murmura ainda com sua pose imponente de sempre. Nicky poderia listar as várias tentativas falhas, mas não o faria por falta de tempo e para evitar que ele mesmo dê para trás — Amanhã você vai falar com sua gatinha, Nicky, vai por mim — Tal afirmação faz o estômago de Nicholas revirar. Suas pernas bambeiam de uma hora para outra e só de imaginar os olhos dela fixos aos seus o falta ar.

3

Um bloco de gelo imaginário parece deslizar lentamente e tortuosamente no interior de Nicky. Seus olhos verdes vislumbram a imagem intocável de Batsy frente ao armário desta – conversando com algumas colegas enquanto esconde um riso frágil – falando sobre um determinado garoto, talvez? Castiga-se ao pensar sempre que a capta sorrir. Dicky surge atrás do irmão e desliza seus dedos aos ombros do quadrigêmeo mais novo, apertando a extremidade em seguida e tirando este de seu pequeno e diário transe. Nicholas, no dia anterior, ao chegar em casa, ouviu uma aula detalhada de Dominic sobre como conquistar uma garota. Foi ensinado a começar um diálogo e agir de uma maneira mais ‘atrevida’ que a costumeira. 

Pode ser que, por um milagre, funcione, mas não está sendo o pequeno Harper de sempre, está burlando a sua personalidade e mentindo descaradamente para a garota que ama. Mal começou algo e já, de antemão, mente. Ótimo jeito de iniciar, Nicky Harper. Para ajudar na abordagem, Dicky também ensinou ao irmão algumas gírias e papos que podem ser convenientes para o momento, trocadilhos idiotas que Nicholas, inclusive, envergonha-se em repetir. Sente uma ponta de desencorajamento e reluta – quer desistir, pois pode ser melhor que as coisas continuem da maneira atual, sem um coração despedaçado e lágrimas desnecessárias. Quem sabe continuar em uma relação séria com sua arte culinária seja infinitamente melhor.

Dicky estala os dedos frente aos olhos de Nicky — Vamos repassar tudo que te ensinei — Dominic sussurra e vê um arquear duvidoso de supercílio pelo irmão. O mais novo luta contra sua respiração e apenas dá-se por vencido — Finja que eu sou a Batsy e tente falar comigo.

 Tem certeza que isso vai dar certo? — Nicky questiona receoso. O falhar de sua voz ameaça pôr tudo a perder.

— Mas, é claro — Dicky rebate — O máximo que ela pode fazer é dizer um não — Conforta e não espera que o outro responda. Vira-se de costas, remexe o cabelo loiro levemente longo e reproduz tudo que já viu a paixonite do irmão fazer.

Nicky estende seu braço com voracidade em direção ao ombro de Dicky e tenta ao máximo imaginá-la ali, frente a seus olhos e delicada como deduz, sempre com seu livro em mãos. Um toque leve é depositado na extremidade e Dominic vira-se com vagarosidade, imitando certeiramente o modo em que a garota gira o corpo com o movimento do quadril. O loiro retira fios rebeldes dos olhos e cruza os braços, batendo a ponta do pé ao linóleo.

Os lábios de Nicholas entreabrem-se e este busca em sua mente as palavras que ouviu na noite anterior. Não quer parecer o que não é, não quer que ela conheça um protótipo falho de um Harper, quer que Batsy conheça o próprio Nicky Harper — Eaí, Batsy… — Pigarreia e põe o punho fechado aos lábios, limpando a garganta — o que acha de, sei lá, sairmos depois da aula? Ou, sentarmos juntos no almoço? 

Dominic ergue o dedo indicador e revira os olhos — Não, Nicky... — Responde — não posso sair com alguém tão sem personalidade assim, prefiro sair com o Dicky, que é bem mais lindo, forte e legal — O pequeno encolhe-se e fita com descontentamento seu irmão, que não para de falar suas próprias qualidades para se auto elevar. 

— Você disse que o máximo que ela diria seria um não — Nicky murmura. 

— Sim… mas, eu quis improvisar para te preparar para possíveis imprevistos.

— Obrigado, Dicky — Debocha e continua a olhar na direção em que a original encontra-se, sem perceber que, deste lado, a poucos metros de si, uma algazarra a envolvendo acontece. O apaixonado a vê deslizar os dedos sobre os fios e os direcionar com cuidado para trás da orelha, voltando a rir com um possível trecho do livro, imaginando-se em outra dimensão com as palavras de Lovecraft. De supetão, encontrando Dicky e Nicky de relance ao corredor, Dawn e Ricky, os últimos componentes do quarteto, juntam-se a estes, com dúvida sobre qual é a confusão da vez.

As orbes desgostosas de Nicky parecem bem mais apreensivas agora e Dawn percebe, deduzindo assim que o motivo da desatenção de seu irmão é bem nítido. A família Harper percebeu há algum tempo determinados aspectos no quadrigêmeo mais novo mudar. Nicholas não importa-se mais se alguma receita sai do prumo e nem se uma briga acontece ao seu lado. O menino dorme mais cedo que o habitual e, até, acorda antes de todos – só para chegar o mais rápido que consegue até a instituição de ensino.

— O que os dois patetas estão fazendo? — Dawn pergunta, apertando com força as alças de sua mochila aos ombros. Ricky guarda as anotações da aula de inglês passada e apenas sorri em contentamento, sem dar conta do que acontece. Nicholas sente suas mãos suarem sem motivo prévio e ouve de relance quando Dicky recapitula tudo a quadrigêmea mais velha.

— Nicky vai conquistar a gatinha dele com os conselhos do grande Dicky — Dominic, mais uma vez, se autointitula com ambas as mãos ao ar. 

— Nossa, Nicky… — Dawn direciona a mão ao ombro do irmão —  espero que conforme-se quando ela fugir de você — Um nó indescritível forma-se na garganta do mais novo e a saliva parece ser difícil de deglutir. Uma bolha de estresse nasce e cresce desenfreadamente em seu estômago pequeno. Não sabe bem o que fazer e talvez uma visita no banheiro seja viável. 

— Não dê ouvidos pra ela — Dicky desdenha — Segue o que eu disse e veja a mágica acontecer… — Encoraja Dominic novamente — anda, Nicky, caso contrário, Batsy vai sair do corredor — A garota, ao outro lado, demonstra os primeiros sinais de saída. Fecha o livro, posiciona sua mochila a um ombro só e fita ambos os lados endireitando a coluna.

Nicholas sente um impulso em suas costas e nota o arquear de supercílio de Dicky ser direcionado a si. Seus pés andam contra a sua vontade e sustentam seu peso com vagarosidade, como se estivesse marchando para um evento histórico em sua linha de tempo. Os lábios estão secos e a parte interna da bochecha parece parar de produzir saliva. Um cubo de gelo imaginário desliza sobre a sua pele e seu estômago executa giros inimagináveis em seu interior. Não há como recuar, está perto demais e, por alguns segundos, já pode até sentir o ricochetear do cabelo dela em seu rosto, o cheiro adocicado e as palavras embriagantes envoltas ao timbre de sua voz.

O mais novo olha para trás em busca dos irmãos e os detecta escondidos atrás do latão de lixo do corredor, ansiosos e apreensivos pelo resultado de tal plano miserável. É, este o momento, está tão perto que não se pode mais debandar. Os dedos tremem e as mãos estão cada vez mais suadas, grudando-se em seu próprio pavor. Batsy, de costas para o rapaz, sente quando um toque delicado em seu braço é posto. A menina gira de uma vez e segue o movimento de sua cintura, surpreendendo-se e acolhendo quem preza pela sua atenção; 

Batsy sorri deixando a mostra sua arcada bem construída e também permite que Nicholas aprecie com mais nitidez seus detalhes. Este, estupidamente petrificado, sente-se no céu ao vislumbrar tal rosto esculpido, similar a um quadro raro com estrelas – seus sinais e sardas a fazem parecer ainda mais delicada. As mãos desta, de relance, tocam os braços do menino e, ao sentir o toque, Nicky perde-se por completo — Está tudo bem? — a voz melódica com um toque de preocupação o ronda. 

Não há tempo para uma resposta. Nicholas não age racionalmente, pois seus músculos tremem e seu maxilar tensiona – suas pernas o impulsionam com voracidade e deixam o corpo imóvel e confuso da garota para trás. Não pode mais desfazer o que foi feito, sente-se mal e sequer conseguiu trocar palavras com a paixonite que está a desmoronar em seu coração. 

4

O corpo esguio do garoto desliza entre as cobertas e, por mais que tente desenfreadamente, não obtém uma posição confortável neste para relaxar seus músculos e mente. Cada vez que vira-se e aprecia um objeto de seu quarto, seus neurônios o transportam automaticamente para o que ocorreu mais cedo no colégio. Sente-se um pateta, um estúpido por completo — Cara, está tudo bem? — Richard, imerso em livros ao outro lado do quarto, o questiona. Nicky não só parece estar para baixo, mas também demonstra veemente tal coisa. Este não saiu do cômodo desde que os quatro chegaram da instituição de ensino, recusou-se descer para o jantar e sequer importou-se com a noite ‘Harper de jogos’.  

Richard teme que essa bola de neve possa evoluir para algo bem pior que o estágio atual, como uma avalanche. Nicky não o responde, volta a remexer o corpo a extremidade macia e respira plenos pulmões mecanicamente, forçando o ar em diversas intensidades possíveis. Ricky murmura algo inaudível e levanta-se de onde está, dá três passos entre a distância do irmão e aproxima-se deste, tentando animá-lo — Não fica assim, Nicky, vou ajudar você com isso — Nicholas treme, pois sabe onde a última ajuda o levou. Contudo, o quadrigêmeo a frente é inteligente, talvez saiba melhor como agir em determinada situação com uma garota — As meninas gostam de caras que as passem segurança, dos inteligentes. 

O miúdo endireita sua coluna e senta-se na cama, bem mais calmo que anteriormente. Não pode mais lamentar-se. Levanta-se, ou a deixa escapar de uma vez. Está agindo como um bebê chorão e esperando um milagre descer do céu. Engole em seco suas lamentações e sente-se poderoso pela primeira vez, prestando atenção nas palavras centradas de Richard. Pelo menos, o garoto é mais inteligente que Dicky e sua ajuda pode ser mais eficaz que a anterior — Mas, Ricky, não sou tão inteligente… — Lembra-se deste detalhe e coça o queixo, sem desanimar-se.

— E é por isso que eu vou te ensinar o ‘manual da inteligência para conquistar sua gatinha do Ricky Harper’ — Nicky arrepia-se ao ver o irmão erguer as mãos ao ar e desliza-las. 

— Tem certeza que isso vai ajudar? 

— A inteligência nunca falha, Nicky… nunca falha.

E, por mais que o frio em sua espinha e a grande bolha de estresse que encontrava-se estacionada no centro de seu estômago o incomodasse, o Harper mais novo não remediou, levantou o queixo, encheu-se de determinação e prometeu a si mesmo que teria coragem de, agora, lutar pela sua paixão adolescente. Mesmo que isso significasse ter seu coração quebrado caso nada saísse como planejado. 

O dia sucedeu-se e, como de costume, Nicholas chegou mais cedo só para encontrá-la no pátio vazio, fazendo sua leitura rotineira enquanto a calmaria da Boulder High School não estourava. Olhou de um lado ao outro e captou seus irmão assíduos a seu encontro, também apreciando a mesma visão que antes era só sua. Batsy tem um ar talentoso, é filha de uma pintora em ascensão que faz suas exposições no parque da cidade. Por isso, aprecia tanto os dons artísticos quanto uma boa devoração de livros. Nicky vestiu-se de modo estranho, diferente do habitual – com um suéter azul característico de Ricky, o cabelo penteado para o lado e o fitar, por assim dizer, mais esnobe.

— Meu deus, Nicky — Ouve Dawn dizer em reprovação — Essa é a pior ideia que já teve… depois de apelar para a ajuda do Dicky, é claro. 

— Ei! — Dominic esbraveja — A culpa não é minha se eu nasci com todo talento para as gatinhas.  

— Sinto muito informar os bobalhões, mas as chances do meu plano dar certo e o Nicky conseguir dizer a Batsy que a ama é de 95 por cento — Richard faz os cálculos mentalmente e, como de costume, lança aos irmãos um olhar pomposo.

— E os outros 5 por cento? — Nicky questiona, engolindo em seco. 

— Essa misera porcentagem é a sua coragem — Ricky sibila — Agora vá!

Os passos tornam-se difíceis de serem executados, porém o garoto engole todo seu medo e apenas impulsiona o seu corpo, sem importar-se com as porcentagens ou os desencorajamentos que as vozes em sua mente o sussurram. Fecha o punho, desafrouxa a gola do suéter e passa, despretensiosamente, a mão ao lado do penteado, dando um retoque leve. Infla o peito e ignora os tremeliques que suas pernas reproduzem.

A imagem dela está próxima. Encontra-se sentada em um banco de concreto com as pernas cruzadas e o livro, em sua metade, apoiado a extremidade, dedilhando página por página enquanto os dedos apalpam as folhas grossas. A língua passeia pelos lábios, os hidratando, enquanto os fios esvoaçam ao vento mínimo – a mochila rosa ao gramado. O corpo de Nicky bamboleia e Batsy egue o fitar ao notar tal presença próxima o suficiente de si. A garota o direciona um sorriso breve e apenas fecha abruptamente seu fiel escudeiro, ou livro. Descruza suas pernas, afasta-se com leveza e põe uma mecha atrás da orelha, fazendo o brinco meia lua reluzir com os raios matutinos. 

— Oi, Nicky — Deslizam as palavras de sua boca e o rapaz sente que pode, a qualquer momento, desmaiar. Controla-se, suspira, solta arzinho pela narina e tenta ser racional.

— Como sabe meu nome? — Diz ele a primeira coisa que surge em sua mente, embasbacado. 

— Nós somos da mesma classe de história, lembra? — Responde a dita. Como pôde esquecer disso? O menino senta-se ao lado desta e tenta recapitular tudo a qual Richard o direcionou noite passada, algo inteligente a se dizer, uma mísera citação que a faça sorrir. Nicholas paralisa por alguns segundos e Batsy nota, descansando sua cabeça na palma da mão. 

— Lembro, sim… claro que lembro — Não consegue trocar uma palavra sem sorrir. Pensa em se desculpar pelo que fez no primeiro contato, mas não tem absoluta certeza de que é uma boa ideia. Por isso, espera digerir um pouco tudo ao redor. Se não fosse pelo canto leve de alguns pássaros e o sinal das extracurriculares antes das aulas, silêncio entre eles estaria sendo feito — Sinto muito por antes… ter a deixado plantada — Toma coragem, finalmente. 

— Não há problemas, Nicky — Ouvi-la proferir seu nome é o paraíso. 

Questione-a sobre o livro, idiota’. Vem em sua mente como uma força avassaladora e o Harper não tem como parar. O garoto morde o interior de sua bochecha, sorri sem mostrar os dentes e aponta com indicador para o livro que Batsy tem na coxa, com a capa verde e as palavras garrafais em negrito. Esta dedilha o objeto com inocência e nota o interesse do rapaz a seu lado; Nicholas sabe bem do que se trata, são contos – Ricky, em seu minucioso trabalho, teve o cuidado de explicar todos que compõem a obra. E, por via das dúvidas, também entrou em possíveis outros escritores que baseiam-se no gosto dela.

— É Lovecraft, você gosta? — Pergunta a garota com entusiasmo. Sua postura muda e faz o Harper suar um tanto quanto demasiadamente entre a palma da mão e os dedos. A ideia do suéter não foi tão brilhante, pois agora passa a tornar-se quente.

— Claro — Nicky logo diz, buscando em sua mente um dos contos de H.P. Só assim passaria verdade o suficiente em sua resposta. Este contrai os músculos e busca no fundo de seu cérebro os dizeres anteriores de Ricky. Vamos, Nicholas, você consegue. Seu maxilar torna-se tenso e, sem nem ao menos raciocinar e tentar soprar, logo afirma em um fôlego só — Meu conto favorito dele é ‘Gato Preto’. 

O supercílio de Batsy arqueia e sua língua brinca avassaladora dentro da boca. Inspira sem nada dizer e deixa com que um riso nasal escape — Gato Preto é de Edgar Allan Poe

Os ossos tremem e Nicholas engole em seco o nó em sua garganta. Maldita hora para fingir ser o que não é. Este ri de nervoso, passa a mão ao cabelo, desgrenhado-os, e não hesita em deixar claro o tique nervoso da perna inquieta — Ah… — Não segura mais as palavras que escapam de sua boca — não foi ele quem escreveu ‘O horror das alturas’?

— O horror das alturas foi escrito por Conan Doyle — A esse ponto, o miúdo já perdera as esperanças que viu elevar-se. Tal sentimento foi como uma montanha russa, pois esteve em seu pico e o arrastou para o chão em um solavanco violento — Preciso ir… tenho extracurricular de arte agora — Ela diz antes de qualquer outra coisa, movimenta seu corpo e arrasta-se — Então… a gente se vê por aí, Nicky. 

5

Nicholas Harper anda de uma lado a outro na sala de sua casa, quase afundando-se diante de seus pés pelo vai e vem incômodo. Dicky e Ricky, entusiasmados com o novo jogo que Anne Harper os dera de aniversário, usufruem suplicando para que o irmão pare de os confundir com seu desespero. Nicky senta-se ao sofá, leva a mão ao queixo e reluta em decretar a sua derrota — Sinto muito, cara... é melhor você namorar com a comida, ela dá menos trabalho — Dominic inclina-se em um movimento com o controle do game e apenas murmura, sem desconcentrar-se.

— É, você é péssimo — Richard continua — Quem confunde Lovecraft com Allan Poe?

Sabe que cometeu um erro e ainda se corrói por isso. O menino revira os olhos com veemência e nota quando a porta principal da casa movimenta-se. A maçaneta gira com cuidado e do arco de madeira duas figuras conhecidas surgem, Dawn e sua melhor amiga, Mae. Nicholas levanta-se em supetão e impulsiona suas pernas para frente da irmã, tornando-se ereto e esperançoso mais uma vez — Dawn, você é menina — Murmura com os olhos a cintilar. 

Uau! Bem observado, Nicky — Debocha — Quando percebeu?

— Pode me ajudar a declarar meu amor pela Batsy. 

Dawn e Mae entreolham-se e, em seguida, escaneiam o pequeno Harper de cima a baixo. Está tão desesperado e nem ao menos notou, encontra-se colocando a si mesmo em enrascadas que nunca pensou que poderia o assolar. O que amor não faz, na verdade? Nicholas está ainda mais mudado e diferente do que Anne ou Tom, seus pais, especularam. Pois, não é um episódio que passa tão facilmente. O menino está doente, febril e embriagado de amor. Abigail, como atende Dawn pelo seu segundo nome, observa o irmão, que exibe uma expressão peculiar de paisagem, transitando entre realidades enquanto idealiza o momento futuro com seu brotinho, com sua não oficial namorada. 

— Ah, Nicky… — Leva a mão ao ombro deste e o fazendo pular em susto — deixa comigo e apenas escute os ‘conselhos da Dawn sobre o que nós, meninas, gostamos’ — Inspira e expira, vê a cena repetir-se e teme.

E o que tem a perder, afinal? Passou vergonha, deu carta fora e agora suas chances estão quase nulas. Entretanto, só se dará por vencido a partir do momento em que ela disse que não gosta dele, quando levar um legítimo pé na bunda. Ouve de Dawn dicas, o que gosta que as façam, os elogios e até algumas atitudes que podem demonstrar sentimentos certeiros. Torna-se atento e, pela primeira vez desde as últimas ações, sente que finalmente pode ter uma volta decente em relação a suas investidas

6

É manhã de sábado e Nicholas pode perceber de longe a presença dela em uma das mesas da lanchonete da ‘Tom’s Get Sporty’, a loja de artigos esportivos de seus pais. O cabelo desta encontra-se solto e recai lentamente em seus ombros – os fios mais atrevidos, ou rebeldes, deslizam sobre a cintura curvilínea. O sorriso entre a atenção de apreciar um bom suco de laranja e soja a afeiçoa ainda mais, enquanto os dedos esguios pressionam com cuidado o touch do celular que, provavelmente, a conecta com alguém. Nicky tem receios, se corrói e ainda tenta enganar-se. 

Desta vez, não rodeia e também não se permite manipular pelos pensamentos que o travam. Engole em seco tudo preso em sua garganta e deixa quem ou que está próximo de si para trás. Sente-se cheio de coragem e força, todavia, quebrando tudo que pensou anteriormente, começa a pressentir novamente a pequena fagulha de medo grudar em si como um parasita que suga toda esperança e positividade. Duas mesas a frente é a distância até o cheiro embriagante da garota, do brilho pleno de seu cabelo e da maciez de sua pele. Sua visão clara torna-se turva e suas pernas, agora, parecem bambus verdes.

Em uma linha tênue entre ir e dar meia volta, Nicholas opta por desistir e fingir que nada iria ser feito. Fecha seus olhos e contrai suas pálpebras, xingando-se mentalmente por ser tão imaturo, medroso e imbecil. Dá de ombros, gira o corpo e paralisa quando pelo seus tímpanos a rapsódia de tal voz invade-os — Nicky? — Este morde os lábios com força e desliza, inevitavelmente, até a mesa a qual sua musa encontra-se. Não sabe se tornar-se eufórico ou temeroso, afinal ela o chamou. Meus Deus! Ela chamou. Pensa racionalmente enquanto senta-se no estofado, ao lado desta — Estava fugindo de mim, ou foi impressão?  

Ele sopra e demora cerca de segundos para quebrar o silêncio, o que faz Batsy brincar com a própria língua aos lábios. O Harper lembra-se das dicas da irmã e julga o momento perfeito para pôr tudo que ouviu e aprendeu em ação. Embora tenha convicção de que agir de acordo com seus próprios extintos seja a melhor opção, o garoto permanece com a ideia errônea de que Nicholas Harper é alguém ordinário demais, simples demais e entediante demais. Batsy é criativa, aguçada e cheia de ímpeto, não irá interessar-se pelo franzino.

— Não… não é isso — Rompe, finalmente, o silêncio. Ambas as mãos dela juntam-se e apoiam o queixo bem esculpido — Você gosta de rosa? — Pergunta a primeira coisa que paira sua mente e a vê rir fraco, quase como um deboche.   

— Eu prefiro verde — Afirma — O que está acontecendo, Nicky? — O cujo paralisa e sente seu peito bombear rápido, beirando a boca. A garota está sendo gentil e parece, com olhar fixo, julgar todos os seus segredos — Anda agindo estranho ultimamente e qualquer um com olhos pode ver — Batsy faz uma pausa e bebe um pouco de sua bebida. 

Esse é o momento pelo qual Nicky esperou, o momento em que não há mais como sustentar algo visivelmente insustentável, é quando finalmente a coragem surge em seu peito e seus pulmões inflam, jogando as palavras e frases engasgadas até a garganta e impulsionando-as a ponta de sua língua — Eu te amo, Batsy — Escapa, pretensiosamente ou despretensiosamente, dos lábios rosados do menino, que desengasga-se com as pálpebras fechadas, temendo a resposta dela e quiçá a sua reação. Silêncio novamente é feito e lentamente este abre os olhos, com cautela e certo receio. A expressão da dita é flexível e um sorriso, cuja elasticidade é invejável, forma-se tornando-a ainda mais atrativa — Dicky, Ricky e Dawn tentaram me ajudar… mas, você já sabe o que aconteceu — Abre definitivamente seu coração e sente como se o peso do mundo o largasse — A verdade é que eu tive medo de ser desinteressante, de não ser correspondido

— Sei que gosta, Nicky… — Paralisa e nota a feição dele transforma-se em uma questão indecifrável — soube disso quando não tirou os olhos de mim na prova de história — Desvia seu fitar e Nicky o acompanha, com certa vergonha. Ainda não sabe se este diálogo está partindo para uma direção a favor ou contra seus sentimentos — E, sabe o que é engraçado? — Questiona ela, buscando coragem assim como o rapaz. 

— O que

— Também amo você, Nicky — Afirma esta com todas as letras e, a partir desse momento, o pequeno Nicholas Harper não pode receber um desfecho melhor. O miúdo não era o único com receios em relação a suas emoções. Pois, a garota a qual o causa batidas irregulares também é a mesma que tramboleia as pernas ao vê-lo. Batsy sempre o notou e até, em várias ocasiões, tentou arriscar o dizer, mas rotineiramente paralisou-se por medo, por ser sua principal fonte de auto sabotagem — Não amo o Nicky articulado pelos conselhos do Dicky ou pela inteligência do Ricky… e, muito menos pelo padrão da Dawn — Sopra — Amo o verdadeiro Nicky, o meu Nicky Harper.            

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...