História Immortals - Capítulo 5


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Categorias Amor Doce
Personagens Castiel
Visualizações 18
Palavras 4.298
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi, gente! Quanto tempo! Como vocês estão? Espero que bem!

Obrigada pelos comentários do cap. passado! ^^

Mais um capítulo pra vocês sem muita enrolação. Vi essa fanart do Lys a uns dias antes de editar o capitulo e gostei bastante. Achei um pouco a ver com o capítulo de hoje.

Eu demorei quatro fucking semanas seguidas para escrever esse capítulo e terminei ele agora as 00:50 da madrugada de terça. Provável que eu deixe aqui pronto e só poste "amanhã" kkk, estou morrendo de sono.

Enfim, boa leitura! Espero que gostem ❤

Capítulo 5 - Chapter Four


Fanfic / Fanfiction Immortals - Capítulo 5 - Chapter Four

O resto da semana se passou rapidamente sem muita novidade, e quando me dei conta já é sexta feira. Agradeci aos céus e fiquei feliz com o pensamento de amanhã eu poder acordar depois do meio dia sem nenhuma preocupação. Violette anda um pouco mais ausente com alguma coisa do seu clube de artes, então Rosalya e Alexy andam mais presentes no restante desses dias. Eu até que gosto bastante de passar o tempo com eles, a energia agitada e divertida deles me surpreende toda vez, sempre me fazendo rir. Alexy é o mais engraçado com esse jeito dele, não demorei muito para perceber o que esse azulado é.

Não conversei mais com Castiel, ele não foi para a escola no dia seguinte depois da nossa pequena conversa à dois dias. Eu fiquei um pouco decepcionada e irritada por ter me dado ao luxo de me iludir com suas últimas palavras. Me surpreendo cada vez mais com a minha idiotice. O pior é que esse ruivo idiota não sai da minha mente, até nos meus sonhos ele tem se intrometido. Eu tento toda vez me distrair com alguma coisa pra tirar essa garoto da minha cabeça, mas sempre acabo pensando nele, em como seus olhos parecem com os dias nublados do Canadá, ou em como ele joga charmosamente os cabelos para trás, parecendo um Deus grego como estou pensando agora.

Droga, o que esse garoto tem que tanto me atrai? Eu nunca fiquei tanto tempo pensando em um garoto assim, na verdade eu não passava tempo pensando em ninguém, sempre ocupada e me preocupando em me manter longe, sem prestar atenção nas pessoas, isso nunca aconteceu antes.

Cristo. O que diabos está acontecendo comigo?

Suspirei frustrada passando a mão pelo rosto. O sinal da penúltima aula soou e eu levantei lentamente, pensando constantemente de como queria estar enrolada no meu cobertor de pelinho dormindo confortavelmente, quase consigo sentir a maciez em minha pele e solto um suspiro frustrado, rezando para que o término das aulas chegue logo.

— Trice! - Ouvi Rosalya me chamar e virei-me em sua direção.

— Oi, Rosalya - Sorri, e ela torceu o rosto.

— Qual é a sua próxima aula? - Ela pergunta, parecendo um pouco esperançosa.

— Hum... é Literatura - Franzi o cenho quando senti a sua energia mudar de animada para desanimada. - Por que? Aconteceu alguma coisa? - A preocupação na minha voz é notável. Estranhamente eu me preocupo demasiado com Rosalya, mesmo nos conhecendo a dois dias.

— Ah, não, não! - Ela balança as mãos apressadamente, sorrindo como se pedisse desculpas por me preocupar. - é que minha próxima aula é geometria e... bom, você parece ser muito boa nessas coisas e tals... - Ela desviou o olhar para o lado, parecendo envergonhada.

Eu quero rir por ver Rosalya envergonhada pela primeira vez, já que em todos os momentos em que nos falamos ela parece tão segura de si, o que me deixa intimidada com a presença calorosa dela.

— Bom... - comecei, sorrindo gentilmente para ela - posso não estar no mesmo horário de aula que você, mas posso te ajudar a entender a matéria qualquer dia que precisar, só me avisar e a gente marca de estudar. Tudo bem?

— Claro! - Ela concordou, alegre. Sorrindo genuinamente e me abraçou repentinamente, me assustando. - Muito Obrigada, não sabe o quanto eu estou despencada nessa matéria! - Ela diz ao me soltar. - Podemos estudar sábado. Você tem celular? Assim é melhor pra gente se comunicar...

Após eu concordar, ainda desnorteada por ter sido pega desprevenida por seu abraço, trocamos nossos número e Rosa avisou que me mandaria mensagem mais tarde para confirmarmos. Eu assenti e nos despedimos, cada uma indo para as suas respectivas aulas.

Durante o caminho, penso na estranha sensação de felicidade que se alastrou em mim quando Rosalya me abraçou, como se fôssemos velhas amigas que não nos víamos à tempos e aquele abraço foi de um grande reencontro, matando o grande tempo em que passamos separadas.

Foi assim que me senti quando abracei minha mãe após passar um mês longe dela no verão retrasado, quando decidi passar metade do meu verão em um acampamento acadêmico de todas as artes possíveis. Pintura, música, fotografia, dança. Mas com a Rosalya, eu sinto como se já conhecemos a anos, e só estamos nos acostumando com a nossa presença após passarmos anos separadas. 

Faz sentido eu sentir isso? Nem um pouco.

Já na aula de literatura, me sento no fundo da sala, abrindo no capítulo atual e lendo rapidamente algumas coisas para que eu pudesse me informar um pouco do que estavam falando na aula, eu devo ter perdido a noção do tempo quando uma voz calma e suave pronunciou meu nome muito formalmente.

— Com licença, Srt Joseph?

Ergui os olhos e me assustei com o rapaz em pé ao lado da minha carteira. Seus olhos gentis me encaram, e eles são... bicolores? Pisquei ao sentir uma forte sensação de dejavú e minha têmpora doeu, não sei por qual motivo exato e o olhei mais uma vez, notando o dourado de seu olho direito e o azul do esquerdo. Heterocromia? Isso é tão raro, é a primeira vez que vejo uma pessoa com isso.

Balanço a cabeça, percebendo que o estou encarando demais, porém o rapaz de cabelos platinados não parece se incomodar, ele parece já estar acostumado com isso. Lysandre Ahlert está parado me olhando com uma expressão paciente, parecendo não se incomodar com a minha lerdeza. 

Ele é bonito, muito bonito, uma beleza inteiramente pura.

— Srt Joseph? - Ele me chamou outra vez.

— É... A-Aurora Beatrice - Gaguejei, um pouco desnorteada. - O que foi? - Perguntei por fim, repreendendo minha lerdeza.

— O professor nos disse para fazer dupla. - Ele analisou minha expressão calmamente e pareceu entender a minha lerdeza. - Não escutou?

Pisquei, confusa por não me lembrar de ter ouvido sequer a voz do professor.

— Hum, me desculpe, estava lendo e não prestei atenção. - Respondi, envergonhada. - Você... é... Poderia me explicar o que ele disse? - Perguntei, me sentindo uma verdadeira sonsa por não ter ouvido. Eu estava tão concentrada assim?

Lysandre assentiu educadamente e puxou uma carteira para o lado da minha. Quando se sentou, agora mais perto de mim, senti a suavidade de sua energia, tão calma e tranquila, mal deixando notar a aura sombria, invisível a sua volta, me causando um formigamento na nuca. 

Senti a mesma sensação quando o vi junto dos outros Ahlert, assim como senti quase a mesma coisa com Rosalya. Por quê eles me dão essa mesma sensação de familiaridade, de dejavú? Chega a ser muito frustrante essa sensação e eu não saber o porquê de a estar sentindo. Eu me lembraria muito bem se já os tivesse visto alguma vez na minha vida.

— O Sr. Steve formou duplas para fazermos um trabalho sobre o filme A rainha Margot. - Lysandre me tirou do meu mar de pensamentos e mostrou uma folha que tem listada todas as exigências do Sr. Steve. - É mais como um resumo. - Ele disse, fazendo parecer ser a coisa mais fácil de se fazer. - É para entregar daqui a uma semana.

— Só uma semana? - Perguntei, descontente, e Lysandre me olhou parecendo achar graça.

— É o suficiente, não se preocupe. - Ele sorriu gentilmente.

Conforme o decorrer da aula fomos discutindo mais sobre o nosso trabalho, destacando os pontos principais que o professor pede. Achei graça de alguns dos seus comentários levemente irônicos sobre o filme, aparentemente ele já havia ouvido falar sobre o filme e fez algumas pesquisas. Ele sorria humorado com as minhas curiosidades, e eu quase balançava com esses sorrisos. Assim comecei a relaxar com a sua presença.

O sinal soou e decidimos que iremos cada um ver o filme em casa e depois marcar de começar o resumo.

— Então quando eu tiver visto o filme eu te aviso. - Eu disse enquanto caminhamos para fora da sala.

— Tudo bem. - Ele assentiu suavemente - Lhe avisarei também.

Lysandre olhou ligeiramente para trás e eu segui seu olhar, avistando o seu irmão Leigh, com Rosalya ao seu lado lhe dizendo alguma coisa aleatória, mas ele e Lysandre pareciam trocar alguma coisa significativa entre seus olhares antes de Lysandre se virar na minha direção novamente, e eu fingi não ter percebido.

— Até mais, Aurora. - Ele fez uma breve reverência com a cabeça e eu me senti desconfortável e envergonhada com tamanha formalidade, mas o pequeno resquício de sorriso que continha nos cantos de sua boca me intrigou. Qual é a graça?

— Até. - Acenei com a mão. Vi Rosalya dar um aceno animado em minha direção, e eu sorri, retribuindo.

Virei-me, caminhando para a minha última aula e me esquecendo do que eu estava pensando. Andei distraída pelo corredor, e quando cheguei a minha sala vi os alunos saindo dela, suas expressões parecendo estranhamente bem felizes. Franzi o cenho estranhando e entrei na sala, vendo uma mulher na faixa dos trinta anos, alta de pele morena, com um coque bem feito no alto da cabeça. Eu já a vi pelos corredores diversas vezes, e se não me engano ela é a Senhorita Nora Graves, coordenadora da escola.

— Com licença? - Me aproximei.

— Pois não senhorita…? - Ela me olhou com seus grandes olhos castanhos.

— Joseph.

— Oh sim, Srt. Joseph. - Ela sorriu e eu estranhei, sentindo incômoda com a aura estranha a sua volta. - O que deseja?

— Desculpe, mas cheguei na sala agora. Não vai ter aula de história? - Olhei a sala se esvaziar.

— Não. O Senhor Taylor teve um imprevisto e não poderá vir. - Ela explicou. - Vocês podem esperar lá fora o horário de saída para irem embora.

— Ah… - Me senti amuada, sentindo a esperança idiota de encontrar Castiel nessa aula indo por ralo abaixo. - Tudo bem, obrigada. - Agradeci e me virei, me retirando para algum lugar aleatório.

Quando dou conta de mim mesma, já estou em frente a biblioteca empurrando a porta, adentrando no ar fresquinho do local. Cumprimentei a bibliotecária, Ellie Jones, e caminhei em direção as escadas, subindo para a sessão de Antiguidades. Eu perguntei a Ellie mais tarde no dia em que vim aqui a primeira vez qual era a sessão e ela me disse, e explicou que o motivo de estar sem nome é porque a placa desparafusou e tem que consertar.

Inspirei fortemente ao terminar de subir as escadas um pouco rápido demais, pensando seriamente em acabar com esse meu sedentarismo. Caminhei mais devagar, observando o jardim e o pátio através das grandes janelas. Passei pelas estantes e finalmente cheguei a sessão de Antiguidades. Fiquei analisando os livros de capa gasta, com uma fina camada de poeira sob elas. Andei até a última estante e retirei dela o livro que me chamara atenção. Eu teria lido pelo menos a sinopse se o Castiel não tivesse me atrapalhado com aquela presença toda dele.

E cá estou eu novamente pensando nesse estranho. Suspirei e ergui os olhos para a porta que ele saiu aquele dia. Olhei curiosa para a porta a frente. O que tem lá dentro? Será que ele está lá dentro? Balancei a cabeça com a última pergunta. Novamente estou auto me iludindo. Suspirei frustrada.

Eu só estou curiosa para saber o que tem atrás da porta, só isso. Repeti para eu mesma.

Deixei minha curiosidade tomar conta, estiquei a mão e toquei a maçaneta, sentindo meu estômago parecer se contorcer de ansiedade.

Deus! A quem estou querendo enganar? Quero tanto ver o que tem lá atrás como também saber se ele está atrás dela. Eu sou uma retardada, já me conformei disso.

Empurrei a maçaneta para baixo e empurrei um pouco a porta, satisfeita por não estar trancada. Abri inteiramente a porta e dei um passo adentro, sentindo o ar deixar meus pulmões.

Há janelas de vidro do teto ao chão na parede a minha frente - como nas outras paredes da biblioteca - dando vista para a maior parte da cidade e as montanhas ao longe, onde o sol se prepara para começar a se pôr. Em frente a janela há uma mesinha redonda com a base de vidro, com um livro e um pequeno abajur em cima. Um pequeno sofá branco de dois lugares, com detalhes vermelhos e pretos está ao lado da mesinha. Há uma estante de livros cobrindo a parede inteira a minha direita e o chão está coberto por um carpete preto impecável. Uma pequena mesa redonda de madeira escura está encostada ao lado da parede esquerda, com três cadeiras a sua volta. As paredes são pintadas de um vinho escuro e o teto branco com um mini lustre pendurado. O ar quentinho me fez notar o aquecedor pequeno embutido na parede.

Nossa. É só o que consigo pensar.

Adentrei totalmente na pequena sala que parece ser de estudo, encostando a porta atrás de mim. Caminhei instantaneamente para perto das janelas, apreciando a incrível vista de tirar o fôlego. Alguns segundos depois olhei para a mesinha, vendo um livro de capa gasta igualmente ao que estou segurando, porém a cor é de um branco encardido e o título diferente. Anjos Condenados é o que se intitula na capa. Mais um livro sobre anjos?

Me aproximei da mesinha e antes de pegar o livro eu guardei o que eu peguei na bolsa. Estou tão curiosa para lê-lo quanto o que está na mesinha a minha frente. Peguei o livro, abrindo-o na contra capa, no final da folha escrito o nome do Autor e o ano. 1720. Esse livro tem quase trezentos anos? E o autor é desconhecido pelo o que tem escrito.

Folheei para a segunda página, contendo - pelo o que me parece - uma pequena sinopse.

Os anjos que caíram antes da criação viraram demônios, tendo sido Lúcifer como seu principal intuito. Mas e a conjectura de que outros vieram ademais? Aqueles a quem a humanidade fora confiada para ficar em demasia harmonia, mas caíram no pecado. Qual fora sua penalidade?”

Virei a folha e comecei a ler a primeira estrofe, e quando me dei conta, já estava acomodada no pequeno sofá lendo com avidez o livro, mal percebendo o tempo passar, nem contando mais as páginas eu estou.

— O que está fazendo aqui?

Eu pulei de susto no assento do sofá, arregalei os olhos e engasguei ao sugar o ar tão depressa. Olhei assustada para o dono da voz atrás de mim.

— Ai minha nossa. - Eu disse arfando, minha respiração irregular e meu pulso sete vezes mais acelerado. - V-você é maluco? Não se chega de supetão em alguém que está tão distraída com um livro.

Castiel tem uma expressão humorada no rosto, aparentemente achando graça do meu alvoroço.

— Foi mal. - Ele deu de ombros.

Inspirei fundo e depois soltei o ar, me acalmando. Caramba, o que ele tem em mente ao quase me matar do coração desse jeito? Droga. O que esse garoto está fazendo aqui?

O analisei melhor e ele continua impecável e lindo como sempre, com as rubras madeixas rebeldes caindo em seu rosto. A expressão neutra e impassível de sempre, exceto por um lampejo brilhoso em seus olhos.

— Ei, você está bem? - Ele me analisou e eu senti um arrepio ao finalmente olhar diretamente em seus olhos.

— E-estou. - Abaixei o olhar, corada.

— Hm. - Ele assentiu, agora inexpressivo e andou até o final da janela, longe de mim, e apoiou as costas na mesma. - O que está fazendo aqui? - Sua sobrancelha esquerda se arqueou ao fazer a pergunta.

Droga. Me senti bastante envergonhada agora. Eu estou em um lugar onde não deveria estar, provavelmente pertence a ele eu invadi sem a mínima educação.

— E-eu estava... - Abaixei o olhar pensando no que falar e notei em minhas mãos o livro que estava lendo minutos atrás. -  ...Estava lendo. - Murmurei.

Castiel olhou para o livro em minhas mãos e franziu o cenho levemente.

— Eu deixei esse livro aqui mais cedo. - Me surpreendi com o seu tom. O que ele está insinuando?

Suspirei, me controlando para não me irritar. Só esse ruivo em si já me irrita o suficiente. Não porque ele é irritante, mas o que ele causa em mim sem nem mesmo fazer absolutamente nada me irrita.

— Eu só fiquei curiosa para saber o que tinha atrás da porta, que por coincidência da vida estava destrancada. Eu entrei, fiquei olhando a vista e depois notei o livro em cima da mesa... - Balancei o livro em seu campo de visão. - ...e então eu comecei a ler a sinopse e quando notei eu já estava sentada no sofá e depois quase caindo dele com o susto que você me deu. - Respirei fundo, recuperando o fôlego de ter falado tanto. - Satisfeito? Pode parar com o interrogatório e as desconfianças? Não vim roubar ou espionar ninguém se é o que pensa. - Me surpreendi com o meu falatório e meu tom de voz. Desde quando eu falo tanto assim? Eu estava quase saltando do sofá.

— Calma, garota. Eu só te fiz uma pergunta. - Ele disse neutro, me irritando mais ainda.

— Não foi o que me pareceu. - Respondi.

Por que ele é parece sempre tão neutro e calmo? 

Castiel me encarou impassível, e depois do que me pareceu longos segundos e eu quase sentir o rosto explodir sob seu olhar fixo, ele suspirou e os desviou, ainda encostado na janela, longe. A quase imperceptível aurea sombria a sua volta. Senti minha nuca formigar e a costumeira sensação de Dejavú passar pela minha mente. 

Castiel parece um pouco tenso, suas mãos dentro dos bolsos da frente de sua calça preta e algumas curtas madeixas rebeldes sob seu rosto.

Abaixei o olhar ao sentir minha têmpora doer e olhei novamente para o livro em meu colo.

— Você ainda está lendo? - Me vi perguntando a Castiel.

O encarei e ele a mim após olhar para o livro em meu colo.  

— Sim. - Respondeu, e depois de alguns segundos continuou. - Provável que eu termine mais tarde ou amanhã.

— Ah... - Assenti, desanimada. Queria poder continuar a leitura, fazia tempo que algo não me prendia tão rápido desse jeito. Ávida por saber mais, mesmo que esse assunto nunca tivera me interessado antes.

Senti uma escassa vibração na minha perna e olhei para a mesma. Franzi o cenho e tirei a bolsa de cima, mas a vibração parou. Dei de ombros e a bolsa de volta no lugar.

— Seu celular. - Ouvi Castiel dizer e o olhei confusa, vendo ele me encarar. A quanto tempo ele está me encarando?

— O que tem meu celular? - Perguntei, sem entender.

— Está vibrando, Aurora, dentro da bolsa. - Ele respondeu impaciente.

Arqueei as sobrancelhas. Como ele sabe?

Abri o zíper do bolsinho da frente e peguei o meu celular, ao mesmo tempo que o mesmo parou de vibrar. Arregalei os olhos e quase engasguei. Vinte chamadas perdidas de Esther. Passei os dedos na tela para desbloqueá-lo e logo ele voltou a vibrar novamente, com Mãe escrito na tela. Deslizei o dedo para o lado e atendi.

— Oi, mãe. - Falei, receosa. Cristo, era agora que eu vou ouvir. Se uma coisa irrita demais minha mãe é quando ela liga mais de três vezes e não a atendem.

Aurora Beatrice, onde diabos você está? - Afastei o celular da orelha quando seu grito quase estourou meus tímpanos.

— O que foi, mãe? Aconteceu alguma coisa? - Comecei a ficar preocupada.

Aconteceu alguma coisa? - Ela repetiu minha pergunta com escárnio. - O que aconteceu é que eu estou parada em frente a sua escola a vinte minutos e você não atende a porcaria desse celular! - Ela exasperou - Onde você está?

— M-mas o que você está fazendo parada na frente da escola, mãe? - Perguntei mais confusa ainda. Olhei para Castiel e ele parece querer rir. O resquício de sorriso no canto de sua boca quase me fez esquecer o dragão do outro lado da linha.

Aurora Beatrice, você está debochando da minha cara? - Ela explodiu me fazendo voltar a realidade. - Eu vim te buscar, faz meia hora que já deu o horário da saída!

Arregalei os olhos e pulei do sofá, assustada.

— M-meia hora? - Perguntei alarmada - Mas como eu…? - Ouvi uma risadinha nasal. Olhei com as sobrancelhas franzidas para Castiel e ele tem uma das mãos jogando os fios de cabelo em seu rosto para trás enquanto me observa, com um sorrisinho lindo de morrer nos lábios.

Ele está rindo da minha cara? Ele sabe o motivo da minha alarde pra ficar rindo ai todo lindo?

— Aurora Beatrice, em que mundo você está? - Ouvi a voz exaltada de minha mãe.

Suspirei, tentando me concentrar. Céus, quando fiquei tão tapada assim ao ponto de alguém rir da minha cara?

— Escuta, mãe, estou na biblioteca da escola, numa parte silenciosa. Eu estava lendo e não ouvi o sinal, mal percebi o local se esvaziar. - Expliquei. - Desculpa te preocupar, eu me distraí. Eu estou saindo agora. - Peguei minha bolsa no sofá e a ouvi suspirando profundamente do outro lado da linha.

Vêm rápido! - Ela respondeu e então desligou.

— Droga. - Olhei culpada para a tela do celular.

Ela deve ter ficado doida de preocupação. Tudo culpa minha, como eu sou estupidamente distraída!?

Ajeitei minha bolsa no ombro, guardei o celular no bolso e comecei a caminhar em direção a porta, apressada.

— Aurora.

Parei de imediato em frente a porta e virei-me em direção a Castiel, como um comando automático. Eu estranhamente gosto do jeito que sua voz pronuncia meu nome, ele parece sair perfeitamente de seus lábios bonitos. Me senti intimidada repentinamente ao ver o modo como ele me encara, completamente diferente do olhar humorado de segundos atrás. Esse parece mais… obscuro e… caloroso, até com um pouco mais de vida. Me causou um arrepio na espinha, eriçando todos os meus pelinhos do corpo e deixando um calor no meu peito.

Mal percebi que o encarei tempo demais e o silêncio assustador que se alastrou na pequena sala.

— O livro. - Ouvi-o dizer e notei que o livro ainda está em minhas mãos, e que o apertava fortemente quando o corpo por nervosismo.

Vi Castiel esticar mão aberta para que eu lhe entregasse e eu andei em sua direção, não conseguindo desviar meu olhar do seu. Parei a mais ou menos um metro de distância, longe por sentir um medo repentino. A aura sombria em volta de Castiel está mais forte, fazendo o formigamento em minha nuca se intensificar. Sua energia está mais forte, agitada e inquieta, parecendo ansiosa por algo, e está muito mais calorosa do que as outras vezes que parecia fria. Estiquei minha mão para lhe entregar o livro, sentindo meu estômago embrulhar.

Minha nossa, o que está acontecendo comigo? Eu pareço ansiosa por algo, como se estivesse esperando isso minha vida toda.

Castiel desencostou da janela e deu um passo a frente para pegar o livro ainda sustentando nosso olhar e quando pensei que iria pegar logo o livro, sua mão foi adiante e tocou meu pulso rapidamente e o puxou, me trazendo para muito, muito mais perto de seu corpo. Eu arfei de surpresa, e mesmo com a aproximação repentina eu não consigo desviar meus olhos dos seus. 

O cinza antes claro se escureceu, e ele me olhou de cima de um jeito tão intimidador que fez minha pulsação acelerar três vezes mais. Eu tentei controlar a vontade de tremer sob o toque firme de sua mãe grande.

Eu quero perguntar o que significa isso tudo mas eu perdi totalmente minha voz, mal consigo enviar forças para as minhas pernas me manterem de pé. Seu rosto está tão perto, mas eu mal consigo sentir sua respiração. Meu rosto parece que vai explodir de tanto que queima, e mesmo tão envergonhada, intimidada, nervosa e com medo de “sei lá o que”, eu não consigo desviar meus olhos dos seus nem por um segundo.

O que eu estou esperando ver? Eu quero ver algo? Minha nossa, e que sensação é essa de dejavú? De familiaridade? Por que eu quero tanto que Castiel se aproxime um pouco mais e me toque com esses lábios bonitos atrativos? E esse seu cheiro? Eu tenho vontade de aproximar meu rosto de seu pescoço e inspirar esse cheiro inebriante pelo resto da minha pacata vida.

Parecendo ouvir meus pensamentos, Castiel aproximou uns centímetros seu rosto do meu e fez o que eu queria fazer com ele, inspirou. Ele fechou os olhos e ficou tenso, apertando um pouco a mão envolta do meu pulso. Vi a linha tensa de seu maxilar e senti vontade de beijar toda a sua extensão para relaxá-lo. Sua outra mão se moveu até o livro ainda em minhas mãos e o pegou. Castiel abriu os olhos escurecidos de um jeito macabro e me olhou intensamente nos olhos. Eu me encolhi assustada ao mesmo tempo que senti meu ventre se contrair.

— Venha aqui na Segunda-feira se quiser o livro emprestado. - Ele sussurrou, me fazendo arrepiar até o último pelo do corpo ao ouvir sua voz rouca, mas arrepiei principalmente pela voz na minha cabeça gritando perigo.

Eu a ignorei totalmente ao ver Castiel tirar sua mão do meu pulso e a aproximar do meu rosto. Ele roçou os dedos no meu queixo e depois puxou meu lábio inferior, que eu nem notei estar prendendo entre meus dentes. Castiel o fitou antes de continuar.

— Vou estar aqui durante o intervalo. - E assim se afastou tão rápido quanto me puxou pelo pulso. Ele me deu as costas ao virar para a janela e olhar o pôr do sol.

O olhei completamente confusa.

Analisei sua postura tensa e o admirei uma última vez, mesmo ele estando de costas. Guardei na memória a boa sensação nova de sua energia calorosa, o quanto sua aura se tornou mais intensa e sombria nesse pouco instante, e o quão seu cheiro e marantes de eu sair apressada e desnorteada da pequena sala.

Continua...


Notas Finais


Então foi isso! Gostaram? Sim? Não? Me contem, ta?

Desculpem o sumiço, só ando muito atolada com os estudos. Não sei quando vou postar o próximo capítulo, ele está na metade e provável que eu leve um tempinho para terminar. Não prometo nada, mas talvez eu tente terminá-lo​ rapidinho!

Eu sei que a história está um pouco confusa, mas eu acho que a partir do próximo capítulo algumas coisas irão começar a se esclarecer e algumas perguntas serem respondidas. Então não tirem nenhuma conclusão precipitada, é muita informação!

Ps: Percebi recentemente que consigo escrever mais facilmente se eu ouvir músicas bads e intensas, mas tem que ser estrangeira pq em português eu me distraio cantando kkk.

Um beijão, e até breve! ❤

(Qualquer erro me avisem)


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