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História Imortais Sagrados - Capítulo 30


Escrita por: GhostMel

Notas do Autor


Helloa, imortais! Eu volteeeeei e agora é pra ficar, porque aqui, aqui é o meu lugaaaar!!! Bem, queridos imortais, não vou me demorar nas desculpas. As vezes a vida acontece, de maneiras inexplicáveis, aterrorizantes e bonitas tb, e foi isso, a vida aconteceu. Então espero que possam perdoar meu sumiço 💗
Also, a fic chegou aos 207 FAV!!!!! Eu num to nem creno numa coisa dessas AAAAA!!! Sabem, ao longo dessa minha caminhada no mundo das fics, eu conheci muita gente que encheu minha vida de amor e carinho, amor que eu nem sei pq recebo, mas é tanto que não me cabe no peito, e eu irei dividir com vcs algumas formas desse amor ao longo dos capítulos!
Com vcs o amor da minha querida imouto: @NaluAKGiyuShino, dona dessa obra de arte lindíssima que eu sou apaxonada, artista incrível e maravilhosa 💗
Obrigada a todos os favs, views e comentários, pq eles também são uma forma de amor
Aos novatos: sejam bem vindos! E sem mais delongas: boa leitura!

SPOILER ALEATORIO DO CAP: Privilégios? Eu tenho privilégios?

Capítulo 30 - Capítulo Vinte e Nove


Fanfic / Fanfiction Imortais Sagrados - Capítulo 30 - Capítulo Vinte e Nove

Os raios de sol invadiram a cabine do capitão mais cedo do que os dois gostariam. A paz e a tranquilidade de estarem mergulhados um no outro, absorvidos pelos lençóis e calor humano, tornava a obrigação de despertar o pior dos castigos. A realidade do lado de fora daquele aperto, embora mais exigente com ambos, parecia tão distante quanto um sonho, e o que havia naquele momento, ainda que durasse o tempo ínfimo de um amanhecer, se mostrava muito mais real e precioso; como se suas existências tivessem vivido todas as vidas do mundo esperando por aquele instante. 

O instante ínfimo de um amanhecer.

Shinobu se apressou em se aprontar para deixar a cabine. Não era como se quisessem esconder o ocorrido da noite passada – tampouco, era como se pudessem esconder algo da tripulação – a princesa e o capitão queriam apenas adiar o momento em que seriam o assunto principal de todos na embarcação; se tivessem sorte, conseguiriam um pouco de sossego até a hora do almoço. 

Pé ante pé, Shinobu abriu a porta da cabine, tomando cuidado para fazer o menor ruído possível, se espreitando para fora quase como uma fugitiva. Mas, tão logo fechou a porta e se virou para o corredor, deu de cara com um par de olhos desconfiados a encarando.

— AH! — levou a mão ao peito, assustada —. Uzui-san! Ara... B-Bom dia! — disse, tentando disfarçar sua mal-sucedida tentativa de passar despercebida. 

O mestre carpinteiro seguiu a encarando, de braços cruzados, com ar de desconfiança. Por alguns segundos, Uzui sequer se moveu, como se estivesse esperando que a própria princesa confessasse sua travessura. O rosto de Shinobu já começava a corar ante aquele silêncio desconfortável e acusador, mas antes de abrir a boca para contar seja lá qual desculpa tivesse em mente, Uzui se aproximou, se colocando na altura dela para questionar:

— Você ficará conosco? — perguntou seriamente. Shinobu franziu o cenho, um pouco confusa.

— O capitão irá decidir — respondeu, firme. 

Uzui semicerrou ainda mais os olhos, fazendo a princesa desviar o olhar e retroceder uns passos, sem entender aonde o mestre queria chegar com aquilo. Então, inesperadamente, Tengen sorriu ao tempo em que ergueu a princesa do chão, rodopiando com ela sem parar pelo corredor. 

— Bem vinda à tripulação! — gritou em meio às gargalhadas —. Bem vinda à família! 

— Uzui-san! — Shinobu protestou, desconcertada.

— Eu sabia que vocês iriam se reconciliar de maneira extravagante! 

— Nós não conversamos sobre isso, ainda! — a princesa tentou dizer.

O mestre ignorou completamente a cara vermelha de Shinobu e, assim que a colocou no chão, prestou continência à ela. 

— Às suas ordens, senhora capitã Tomioka! — ele se esforçou para parecer sério, mas era evidente a animação em seus gestos —. Iguro! — gritou, antes de disparar em direção ao convés —. Minhas moedas de ouro!

— Uzui-san! — Shinobu tentou uma última vez, o que, obviamente, não adiantou nada —. Deuses! — exclamou, desacreditada. 

A princesa se virou para o corredor ao ouvir passos e risadas se aproximando. Hinatsuru, Suma e Makio vinham tão entusiasmadas quanto Uzui, achando graça da expressão envergonhada de Shinobu depois da abordagem extravagante. Seu plano de ser discreta não poderia ter dado mais errado.

— Sabito e ele sempre quiseram ver Giyuu feliz, ao lado de alguém que amasse — Hinatsuru pôs a mão no ombro dela —. Eles estão muito animados por vocês! Bem vinda à tripulação, Shinobu-san! 

— Oh!, teremos um casamento em alto-mar! — Suma gritou, envolvendo Shinobu num abraço esmagador. 

— Pare com isso, idiota! — Makio desferiu um tapa em Suma —. Vai sufocá-la! 

A princesa estava tão aérea que mal ouviu os lamentos da pirata. 

— E-Eu... não tenho certeza se serei parte da tripulação — confessou. 

— Shinobu-san, não importa o que o capitão diga, suas palavras são ordens — Hinatsuru disse —. Não hesite em se impor. É fácil amolecer o coração dos homens deste navio — piscou —. Você é livre para fazer sua vontade.

— Livre...? — a princesa perguntou, mais para si que para as companheiras.

— É claro que é livre! — Makio respondeu —. Pode fazer o que quiser!

— E logo será uma pirata, como nós! — Suma completou. 

Um sorriso genuíno se desenhou no rosto de Shinobu. Pela primeira vez, a princesa sentia que a tão sonhada liberdade estava ao alcance de suas mãos, com todas as escolhas que apenas ela poderia tomar. Não importava o quão presa estivesse ao seu futuro inevitável, aquele sentimento era palpável, era uma alforria e, acima de tudo, era dela. 

— Sim... — anuiu com uma alegria contida — sim, vocês têm razão. 

As três piratas se despediram e seguiram para o convés, contudo, Shinobu se quedou estática por alguns minutos, experimentando plenamente aquele sentimento que, para ela, nunca foi mais que uma ilusão. 

Na área externa, a balburdia havia começado cedo e os novatos já estavam trabalhando com afinco, enquanto Inosuke berrava inúmeras ordens como se fosse o próprio capitão. 

— Você é um explorador! É isso que você é! — Zenitsu protestava —. Estamos fazendo todo o seu trabalho enquanto você fica apenas gritando!

— Cale-se, subordinado! — Inosuke acertou um chute em cheio no rapaz —. Você deve obediência ao poderoso Inosuke-sama! 

Shinobu se aproximou dos companheiros, se divertindo imensamente com toda aquela situação caótica. Depois de cumprimentar os demais e fugir das perguntas constrangedoras de Mitsuri – como se a abordagem de Uzui não houvesse sido o suficiente – a princesa se voltou para o menino-javali:

— Estou me apresentando para o serviço, Inosuke! — exclamou.

— Para vocês, subordinados, é Inosuke-sama! E vocês devem fazer tudo o que eu mandar! — Shinobu arqueou uma sobrancelha —. Mas só se você quiser, claro — ele completou baixinho. A princesa meneou a cabeça, sorrindo para o garoto.

— Me diga o que fazer, Inosuke-sama! 

O pequeno pirata pulou animado, puxando Shinobu pelo convés enquanto explicava as milhares de coisas que ela deveria fazer no navio. Zenitsu o acusou diversas vezes de ser um tirano com todos, menos com a princesa, o que quase lhe rendeu uma passagem de volta a Persis à nado. A sorte de Agatsuma foi ter Rengoku por perto para impedir que Inosuke o jogasse no mar.

Da popa do navio, em sua costumeira expressão taciturna e inabalável, o capitão observava sua tripulação e os novos marinheiros interagirem. Ver os pequenos confraternizarem sempre o deixou com uma sensação cálida no peito, a sensação de estar em paz no seu lar, mas, daquela vez, uma ligeira aflição estava nublando esse sentimento.

— Yo! — Sabito se aproximou —. Pelo visto vocês se acertaram! — Giyuu permaneceu quieto. O imediato se apoiou na amurada, suspirando em seguida —. Eu estou feliz por você, mas algo me diz que está preocupado e, se você está assim, significa que logo teremos mais desentendimentos para resolver — ele apontou para Shinobu —. Estou certo? 

— Mantenho minha posição — Tomioka respondeu, sem desviar os olhos da princesa. 

Sabito entendeu de pronto o que o irmão queria dizer: ele ainda era contra a ideia de Shinobu e Mitsuri partirem com eles nessa missão. O imediato não tinha a menor dúvida de que a decisão do capitão traria enormes problemas, porque, entre eles, agora existia alguém tão teimoso e determinado quanto Giyuu Tomioka; estava ali, naquele navio, acenando para os dois enquanto debochava da seriedade do capitão, e, para a sua sorte ou azar, este alguém era ninguém menos que Shinobu Kochou. O imediato respirou fundo antes de informar sua previsão:

— Vem tempestade aí.

♤♤♤

Bargaal despontou no horizonte algumas horas mais tarde. A tripulação nunca pensou ser possível sentir falta do calor escaldante e das areias quentes daquele país, mas depois do longo tempo que passaram confinados em Persis, podiam dizer que estavam felizes até mesmo de ter o vento abafado enchendo suas roupas de terra. 

Hassan os esperava no cais, como sempre, acompanhado de seus guardas e com um sorriso acolhedor. Finalmente, o Sagiri voltaria para as mãos de Tomioka e o ouro prometido da última façanha, para as suas. 

— Capitão Tomioka, mestre Sabito! — cumprimentou —. Me alegra saber que todos estão vivos e bem. Isto quer dizer, então, que tiveram sucesso em resolver o problema? 

— Hassan-san — o imediato devolveu o cumprimento —. Bem, a primeira parte do problema, sim — Sabito e Giyuu abriram passagem para Shinobu —. Agora precisamos resolver a segunda parte dele. Hassan-san, esta é Shinobu Kochou, princesa de Persis.

O homem se espantou com a presença de Shinobu, mas logo se recompôs e estendeu a mão para ela, a fim de cumprimentá-la. Com certeza, havia uma história fascinante por trás da vinda da nobre.

— Princesa — ele beijou a mão dela —, é uma honra conhecer a soberana de Persis.

— Ara, a honra é toda minha, Hassan-san. Ouvi falar muito do senhor! 

— Espero que apenas coisas boas — o velho riu, amável. 

— Ouvi dizer que é o melhor no que faz e que nem os deuses poderiam esconder algo do senhor! 

— E não usarei de falsa modéstia, minha querida. O que ouviu é a verdade — Hassan já estava encantado por Shinobu —. Suponho seja você a dama que a tripulação protegeu nos últimos tempos — a princesa confirmou —, o que a traz a Bargaal? 

— É uma longa história, Hassan-san — ela respondeu. 

— Então será um ótimo acompanhamento para o jantar — sorriu. 

— JANTAR? — ouviram Rengoku gritar. 

— Sim, jantar — Hassan arqueou a sobrancelha ao ver o novato —. Preparamos uma ceia para a vinda de vocês. 

— Fantástico! — Kyoujurou desembarcou —. Estou ansioso para experimentar a culinária local! Tenho certeza que será saborosa! É um prazer conhecê-lo, senhor — ele cumprimentou, entusiasmado. 

Hassan cumprimentou Rengoku com a mesma animação, vendo mais desconhecidos serem chutados do navio por Inosuke. 

— Desçam, seu ratos imundos! — berrava o menino-javali. 

— Não pensei que recrutariam novos tripulantes — o velho falou ao capitão.

— Estão aqui por vontade própria — Tomioka respondeu. 

— Eles não me parecem soldados. 

— E não são. São parte da realeza de Persis, mas todos estão familiarizados com a guerra. 

— Todos? — Hassan perguntou, apontando discretamente para a princesa. Tomioka suspirou —. Oh, agora entendo. Bem, creio que o jantar será bastante agitado. 

— Trataremos dos negócios em particular — o capitão foi incisivo. 

— Como quiser — Hassan anuiu —. Me acompanhem — chamou a atenção —, receberei vocês em minha casa. 

Apesar da nova tripulação evitar assuntos delicados, como Hassan previra, o jantar foi agitado. O velho estava lisonjeado com a presença da nobreza de Persis, sentindo-se tão importante quanto um rei. Hassan ouviu por horas as histórias de Rengoku e a empolgação de Mitsuri, se divertiu com os gritos escandalosos de Zenitsu e sempre tentava fazer com que Kanao falasse um pouco mais; mas ele sabia que a pessoa responsável por aquela reunião não era nenhum dos anteriores e, por isso, Hassan prestou especial atenção na mulher de gestos delicados e palavras provocativas.

E quanto mais ele a ouvia contar a história dos últimos dois meses e brincar com os demais – principalmente com o capitão – mais ele entendia o que a tripulação estava prestes a fazer. 

— Vocês formam um belo par — Hassan comentou quando ele, Giyuu e Sabito se reuniram na sala reservada para negócios.

— E eu concordo! —  Sabito exclamou —. Você nem imagina o quão difícil foi para que esses dois, finalmente, descem o braço a torcer! E, acredite, ainda vivem em pé de guerra! 

Giyuu revirou os olhos. Desde a noite passada, ele estava mais quieto e pensativo que o de costume. 

— Kochou-sama é realmente uma mulher fantástica — o velho elogiou —. Uma pena o destino não ter sido tão generoso. 

— Pouco me importa o destino — Tomioka falou —. Farei o que for preciso para cumprir minha missão. 

— Fala como um verdadeiro homem apaixonado — Hassan sorriu. 

— Não é? — o imediato provocou —. Eles crescem tão depressa! 

— Deixem de estupidez. Fiz uma promessa, não irei falhar com ela. 

— As promessas de amor são as mais perigosas, capitão; quando amamos, deixamos de enxergar o mundo como ele é, e passamos a enxergar o mundo como queríamos que ele fosse — Hassan alertou —. Um homem completamente são jamais se apaixonaria. 

— Mas, Hassan-san, você se casou cinco vezes — Sabito exprimiu. 

— Eu nunca disse que era um homem são — o velho retrucou com divertimento, o que fez o outro rir.

— Já chega, vamos cuidar dos assuntos mais urgentes — o capitão os interrompeu. 

— Está certo — o informante concordou —. Do que precisa?

Tomioka colocou uma pequena arma sobre a mesa, esperando que Hassan a analisasse.

— Preciso que encontre o local de origem desta adaga. Sabe de onde ela poderia ser? 

— Não estou certo de já ter visto algo parecido, e devo dizer que não se encontram armas como esta em qualquer lugar. É um trabalho meticuloso, divino. Veem a lâmina? — mostrou a adaga aos piratas —. Tem uma tonalidade incomum. Vocês não veriam armas como essa nem mesmo nas mãos de um rei. Onde a conseguiram? 

— Herança de família de um ferreiro de Persis — Giyuu explicou, dando detalhes sobre as histórias que Haganezuka lhe contou —. Consegue nos fazer um mapa para essa ilha? 

— Dê-me dois dias — Hassan pediu —. Terei o seu mapa. Há algo mais?

— Sim — Tomioka respirou pesadamente. 

— Giyuu, tem certeza que esta é a melhor decisão? — Sabito tentou fazê-lo rever suas escolhas antes que ele ordenasse algo que despertaria a ira de Shinobu —. Vocês acabaram de se resolver, deveriam conversar antes de fazer outra escolha precipitada! Sabe como isso pode acabar! 

Mas o capitão não o escutou. A princesa e ele não haviam se resolvido, haviam se confessado. E só os deuses sabiam como a noite passada, longe de persuadi-lo, dera ao capitão uma certeza ainda maior de que Shinobu precisava estar segura, a salva e fora dessa viagem. 

— Kochou-sama e Kanroji-sama devem ficar aqui. 

— Capitão, sabe melhor do que eu que Kochou-sama não irá aceitar sua decisão pacificamente. Devo supor que está me pedindo para manter a princesa de Persis em cárcere? — e Giyuu sequer titubeou ao responder:

— Faça o necessário para mantê-la segura. 

— Como queira, capitão. 

♤♤♤

Na manhã seguinte, Shinobu acordou mais cedo que os demais hóspedes da casa, decidida a pôr em prática seu plano de ataque. A princesa tinha plena convicção de que o capitão não havia mudado de opinião sobre sua presença naquela jornada, e a maior prova disso era o jeito quieto e distante com o qual ele a estava tratando, mesmo depois da noite que passaram juntos. 

Ela sabia – deuses, ela sabia – sabia que Giyuu estava com os nervos a flor da pele e que sua estadia na cabine havia criado um verdadeiro furacão no mar de preocupações que ele tinha. Mesmo se quisesse, o capitão não saberia como lidar com os próprios sentimentos. 

Contudo, Shinobu não podia evitar a raiva crescendo desenfreada em seu peito e, no fundo, desejava apenas uma oportunidade para dizer ao capitão que ele era um grandíssimo covarde. Porque, sim, era pura covardia a maneira com que Giyuu atuava. Ele não conseguiria fingir que estavam resolvidos enquanto a apunhalava pelas costas com um plano para abandoná-la em Bargaal. Ele não conseguiria encará-la.  

E a princesa também sabia que o capitão preferiria um milhão de vezes lidar com sua raiva e seu afastamento, do que com sua presença e o lembrete constante de que, a qualquer minuto, ela poderia morrer.

Mas esse lembrete tinha sido a prisão de Shinobu por tempo demais para que ela aceitasse, quieta, que alguém lhe tirasse as escolhas que precisava fazer. 

— Olá, Hassan-san! — a princesa o encontrou na biblioteca da casa —. Como o senhor está? 

— Kochou-sama — ele parou seu trabalho para cumprimentá-la —. Não é muito cedo para estar acordada?

— Eu não consegui dormir — confessou —. Nunca estive tão longe de casa. 

— Mas você me parece animada — Hassan comentou, um tanto desconfiado. 

— Eu estou — Shinobu riu —. É a minha primeira viagem pelo mundo! Apesar das circunstâncias, quase não consigo conter essa empolgação! Por isso, vim ver se precisava de ajuda, eu esperava que pudesse me dizer alguma coisa sobre nosso destino — o velho meneou a cabeça.

— Fico contente que sua estadia esteja sendo agradável, ainda falta muito para servirem o desjejum, mas aceitaria chá? Eu mesmo o fiz. Assim, teremos tempo para você me contar qual o seu verdadeiro propósito aqui — disse, oferecendo a ela uma xícara. 

— Ara, realmente pensei que levaria mais tempo para que perguntasse isso. O senhor é bastante perspicaz.  

— Minha querida — riu em seu tom amável —, vivo com sete sobrinhos que desejam tomar meu império. Quando o inimigo dorme ao lado, antever suas intenções é o primeiro passo para não acordar com uma faca no pescoço.

— Ou nas costas —  ela completou, e o velho suspirou tristemente —. Creio que não preciso dizer porque estou aqui, não é? 

— Depende, veio aqui em busca de uma resposta ou de uma confirmação? — ele voltou a trabalhar em seus papéis. 

— Hassan-san, Tomioka-san se recusa a falar comigo sobre a viagem, eu preciso saber: qual foi sua decisão final? 

Hassan respirou fundo. Aqueles dois eram tão parecidos; ambos fingindo que tudo estava bem para não se magoarem, enquanto, por trás, cada um traçava o próprio plano para salvar o outro.

— Você não deve ir com eles, Kochou-sama. Tenho ordens para mantê-la em Bargaal, mas isto você já sabe. Está aqui para me convencer a deixá-la ir, não? 

— Eu não posso convencer Giyuu Tomioka — encolheu os ombros —, a quem mais eu poderia recorrer?

— O capitão quer apenas te manter em segurança. Ele me disse que deu sua palavra de que você ficaria viva. 

— Ele não sabia de meu destino na ocasião. Tomioka-san já cumpriu a palavra dele. Hassan-san, por favor, você é o único que pode entender, eu preciso ir com eles. 

Em um instante, Hassan compreendeu tudo o que a princesa queria dizer em meio às palavras embargadas. E, com isso, ele também pôde vislumbrar uma pequena parte da impotência que ela, e todos ao seu redor, sentiam. 

— Você não confia que eles consigam voltar? 

— Ninguém nunca voltou.

— Não acha que seria ingratidão trair aquele que luta pelo seu futuro? — o velho perguntou honestamente. 

— Creia-me, Tomioka-san pode lidar com esses sentimentos. Foi isso o que ele escolheu quando decidiu me deixar para trás. E... que tipo de pessoa eu seria se não lutasse pelo meu próprio futuro? 

— Eu entendo. O meu receio, princesa, é que você não está indo lutar pelo seu futuro.

— Não. Mas, se falharmos, terei morrido no lugar em que meu coração deseja estar e também... terei a chance de cumprir o meu destino, se preciso for, para poupá-los.

O informante fechou os olhos para absorver as palavras da princesa. Ele estava ponderando.

— Hassan-san, por toda minha vida me preparei para a morte, eu sempre soube o que me aguardava, mas... não me preparei para ver as pessoas que amo morrerem por mim — Hassan a encarou profundamente —. Estou implorando que me deixe tomar minha própria decisão. Como Tomioka-san tomou a dele. 

O sorriso amável e acolhedor voltou a adornar o rosto de Hassan, muito embora ainda houvesse um 'quê' de tristeza, de resignação em seu olhar. Ainda que Shinobu falasse com absoluta certeza sobre seu futuro, ele não sabia o que o destino havia reservado para a tripulação Sagiri, tampouco conseguia dizer quem estava com a razão — ou se existia alguém com razão — no meio daquele caos, porém, de uma coisa estava certo:

— Uma princesa não deve implorar para ser ouvida. E, minha querida, desobedecer as suas ordens seria um crime.


Notas Finais


Depois eu boto os termos náuticos.
Até a próxima 💗

P.S.: Viu @Marhux e @Eustakiah, eu atualizei em maiooo


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