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História Imortais Sagrados - Capítulo 31


Escrita por: GhostMel

Notas do Autor


Helloa, Imortais! Como estão?
Olha eu tenho que dizer que to mt mt mt felizinha com o carinho que essa fic vem recebendo!! Bateu 306 comentários manooooo!! E isso é muito legal pq eu adoro interagir com vcs, me sinto num zap de família 🤣💗
Fico mt feliz tb pq vi muitas caras novas e o fandom br giyushino ta aumentando!!!!!! Felicidade me define, gt, qdo eu comecei a escrever aqui, pra achar uma long desse casal era um sufoco, misericórdia

Bom, hj eu vou dividir com vcs o amor do meu solzinho, que também é escritora giyushino desde que tudo era mato, esposa maravilhosa @Marhux, que fez essa lindeza responsável por derreter meu coração em cinco níveis diferentes. Vão ler Quem Me Fez Sorrir e Nada é Real pq são histórias surreais de incríveis
Sem mais delongas: boas vindas novatos e boa leitura a todos

SPOILER ALEATÓRIO DO CAP: QUEIMA QUENGARAL

Capítulo 31 - Capítulo Trinta


Fanfic / Fanfiction Imortais Sagrados - Capítulo 31 - Capítulo Trinta

É um fenômeno realmente curioso. Este, em que duas pessoas em uma relação indefinida criam tantas barreiras emocionais para se protegerem dos próprios sentimentos, que não importa o quão fisicamente próximos estejam, sempre existirá entre ambos uma sensação de... distância.

Não é tão difícil erguer essas barreiras quando, no início, não há nada para conter. É como interromper o caminho de um pequeno riacho. Mas erguer uma barreira para reprimir sentimentos que há muito deixaram de ser insignificantes era diferente; tão trabalhoso quanto tentar impedir uma onda de quebrar no mar. E, mesmo quando onda após onda, o outro insiste em continuar construindo obstáculos, junto com a distância cresce também a frustração. 

Desde que aportaram, o capitão fez o possível para se manter ocupado. A princesa sabia que ele precisava de tempo para entender que sua autoridade não abrangia todo o mundo e a ordem natural das coisas, contudo, esse afastamento estava deixando claro, para ela, outros objetivos de Giyuu. Shinobu não conseguia dizer se era proposital, mas estava convencida de que o capitão queria deixá-la com raiva. Inconscientemente ou não, Giyuu estava fazendo exatamente o que ela havia imaginado que faria: tentando irritá-la, afastando-a de si mesmo para que fosse mais fácil dar o golpe de misericórdia. 

No entanto, a princesa não cederia desta vez. Ela era esperta demais para entrar nesse jogo. Quanto mais Tomioka a evitava, mais Kochou se aproximava com aquele sorriso – que fazia a voz interior do capitão gritar que algo estava errado – e as mesmas brincadeiras que o deixavam desconcertado quando se conheceram. Ainda assim, por muito que desconfiasse da naturalidade com a qual Shinobu agia, não foi o suficiente para que ele fizesse algo a respeito. Não, até aquela tarde. 

A maioria dos piratas se encontrava nos jardins da casa, treinando, quando a princesa se aproximou com sua espada, indo direto ao lugar em que Tomioka praticava esgrima com Rengoku. 

— Ara, que indelicado começarem o treinamento sem convidar toda a tripulação, capitão — cantarolou —. Rengoku-san, poderíamos trocar de parceiro? Tomioka-san estava me ensinando a manejar uma espada, mas como, aparentemente, ele não se importa mais com seus aprendizes, tive de vir eu mesma procurá-lo.

— Mas, é claro, Shinobu-san! — Rengoku parou os ataques —. A alegria de um mestre é ver o empenho de seus pupilos!

— Oh, sim! É pena que, pela expressão de Tomioka-san, ele não pareça tão animado — provocou —. Acho que terei de me esforçar em dobro!

Tomioka apenas observava a cena, sem entender aonde Kochou pretendia chegar com aquilo. O algoz em sua cabeça fazia soar um sonoro sinal de alerta; por alguma razão, os gestos delicados da princesa lhe pareceram tão perigosos e ameaçadores, que foi como escutar Sabito lhe repetir "vem tempestade aí". Depois da calmaria, ela, enfim, havia chegado. 

  — Sei que vai dar o seu melhor! Não se deixe abalar pelas adversidades — a voz de Rengoku o acordou de repente —. Irei checar como Mitsuri-san está indo em seu treinamento. Prometi ajudá-la mais tarde — dito isso, Rengoku correu em busca da nobre.  

— Veja só, Tomioka-san, você deveria aprender com Rengoku-san como ser mais responsável com seus alunos — Shinobu desembanhiou sua espada.

— Você não precisa mais treinar, Kochou-sama — ele retrucou, simples. 

O capitão viu quando as mãos da princesa vacilaram por um instante. Aquela pequena e despretenciosa frase havia logrado fazer o que ele não tinha conseguido nas últimas horas; se era verdade que Shinobu estava guardando toda sua raiva, Giyuu acabara de criar o momento oportuno para que uma onda gigantesca batesse contra suas frágeis barreiras emocionais, derrubando tudo em seu caminho. Ela apertou o cabo da espada com força.

"Kochou-sama" — Shinobu repetiu —. Até quando vai me chamar assim?

A princesa avançou, veloz como um raio, desferindo um golpe direto que fez Tomioka recuar. 

— É quem você é — respondeu, concentrado em se defender dos ataques que vinham um após o outro, sem parar.

— É quem eu sou para você? — Shinobu estava chegando ao limite de sua compostura.

A pergunta o fez arquear uma sobrancelha e diminuir seu tempo de reação.

— Do que está falando? — questionou.  

— Ah!, então continuaremos fingindo que está tudo bem apenas para que se sinta confortável com suas escolhas? — disse, irônica.  

Shinobu desferiu um ataque de cima para baixo sobre a cabeça do capitão, ao passo que ele a bloqueou, ficando cara a cara com ela. 

— Eu não estou fingindo — se defendeu —. Nunca escondi minhas intenções. 

— Mas não é homem o bastante para lidar com as consequências delas! — Shinobu atacou com mais vigor. 

O capitão recuou ante a investida. As palavras venenosas da princesa o apunhalaram como se fossem a própria espada e, por isso, Tomioka não conseguia se concentrar totalmente na batalha.

O restante da tripulação – que parou de treinar ao se dar conta do que acontecia – observava a luta com estranheza. Embora não pudessem escutar o que ambos discutiam, sob todas as expressões preocupadas havia um mesmo pensamento: "eles estão tentando se matar?".  

— Até quando vai fugir? — Shinobu investiu contra Giyuu ainda mais rápido, deixando toda sua raiva se manifestar através dos golpes —. Do que é que você tem tanto medo?!

Foi nesse exato momento que o capitão resolveu terminar a luta. Ignorando as distrações ao seu redor, tal como o haviam ensinado há muito tempo, o semblante de Tomioka se endureceu e, à menor abertura da princesa, ele a desarmou e a derrubou com uma rasteira. Aquela cena era tão familiar. 

O silêncio de puro choque se fez presente enquanto o capitão encarava a princesa no chão, sem fazer menção de ajudá-la. De longe, qualquer um diria que a respiração errática de Giyuu tinha a ver com embate que acabaram de presenciar, mas Shinobu soube imediatamente que não era o caso; os olhos azuis não estavam mais focados nela, mas em algum lugar muito além, um lugar em que a princesa ainda não tinha conseguido alcançar.

Então, sem dizer uma palavra, o capitão se retirou. Os demais se aproximaram rapidamente para amparar a princesa.

— Shinobu-san! Shinobu-san! — Suma vinha gritando. 

— Você está bem? — Sabito perguntou, enquanto as piratas a ajudavam. 

— Estou bem, não foi nada — Kochou respondeu, se levantando. A frustração, com certeza, era maior que o golpe.

— Melhor eu checar como ele está — o imediato suspirou, saindo em seguida. 

— Shinobu-chan, não acha melhor fazer um intervalo? — Mitsuri disse, preocupada ao ver o semblante ainda mais determinado da amiga. 

— Não — a princesa falou, recuperando a compostura —. Não posso perder tempo, Mitsuri-chan. Vamos voltar a treinar. 

O anoitecer chegou com uma sensação ainda mais opressora. Entre a princesa e o capitão pairava uma aura tão aterradora, que todos sentiam como se a batalha final entre os dois estivesse prestes a acontecer e as próximas horas fossem decisivas. O que lhes restava saber era se as barreiras de Giyuu seriam suficientes para conter a onda que era Shinobu.

A princesa refletia sobre esta situação em seu quarto, olhando para o horizonte árido de Baargal da janela. No entanto, o som de passos a tirou de seus devaneios. Silenciosos, firmes, passos que se aproximavam sem se preocupar em anunciar a quem pertenciam. Não importava, afinal, ela sabia exatamente quem era a pessoa parada bem atrás de si. 

— Desista — ele disse —. Desista — a princesa sequer se virou para encará-lo. 

— Devo lhe lembrar que, como "Kochou-sama", estou em uma posição superior à sua. Você não tem poder para me dar ordens, capitão — retrucou com soberba. 

Então, a princesa sentiu, com surpresa, os braços de Giyuu a rodearem enquanto ele escorregava ao chão. 

— Não é uma ordem — ele diz, e Shinobu sente seu abraço apertá-la mais —. Fique, Shinobu — sua voz grave era quase um lamento de tão cansada. 

Kochou respirou fundo. O coração batendo tão desesperado por ele, que todos os desejos egoístas de querer viver a abateram feito uma enchurrada, enchendo seus olhos de lágrimas. Mas ela não se permitiu chorar. 

A princesa se virou e se ajoelhou frente a Tomioka, abraçando-o de corpo e alma enquanto o capitão afogava os próprios medos na curvatura de seu pescoço. 

Shinobu o levou até a cama e o confortou até que ele adormecesse, abraçado a ela como se tivesse receio de que desaparecesse se a soltasse. 

O capitão foi o único a dormir àquela noite. E ele não soube se estava sonhando ou não, quando ouviu uma voz suave e melancólica sussurrar: 

— Eu sinto muito, Giyuu-san.        

♤♤♤

O prazo estipulado por Hassan chegava ao fim e, como prometido, o velho informante tinha cumprido sua parte com perfeição.

O mapa para ilha a qual pertencia a estranha adaga estava em suas mãos, e por este motivo é que a tripulação Sagiri – incluindo os novatos e as clandestinas – estavam reunidos na sala da casa destinada à negócios.

— Sua eficiência é impressionantemente extravagante, Hassan! — Uzui bradou —. Tanto tempo trabalhando conosco e ainda consegue me surpreender!

— Eu agradeço, mas tenho que dizer, Uzui-san — o velho começou, lisonjeado —, este mapa realmente me custou mais trabalho de pesquisa do que imaginei. Por certo, graças a ajuda de Kochou-sama pude terminar mais rápido.

— Ara, Hassan-san, pensei que não usasse de falsa modéstia — Shinobu riu —. Isso não combina com o senhor. 

O capitão franziu o cenho ante a afirmação do velho. Ele não sabia dizer o porquê, mas não via a aproximação de Shinobu e Hassan com bons olhos. 

— Tem razão, e é por isso que não minto - Hassan se voltou para o capitão —. Por essa razão, também, capitão, que creio ser justo pedir algo a mais do que havíamos acordado pelo meu trabalho.  

— Hassan-san — Sabito ia protestar, mas Tomioka o impediu. 

— Quanto? — o capitão perguntou, desconfiado. 

— Não estou falando de dinheiro, meu pedido é uma condição. 

A sala inteira ficou subitamente quieta, ansiosos pelo que quer que Hassan fosse pedir. Tomioka o encarava como se o incentivasse a continuar.

— Kochou-sama deve ir com vocês — declarou e, no mesmo instante, o burburinho se espalhou entre os presentes, ainda mais curiosos pela resposta do capitão. 

— Isso já não está em discussão, Hassan-san — Giyuu falou, calando os demais. 

— É minha condição para lhes entregar o mapa, capitão — o velho se mostrava irredutível.

— Este não foi o acordo que fizemos, Hassa-san — os ânimos estavam cada vez mais agitados — Kochou-sama não irá nesta viagem. Seu pedido é traição — o capitão disse, incisivo. 

— Então, espero que possa me perdoar, capitão, mas você não me deixa outra alternativa. 

O informante se aproximou do castiçal que ficava à mesa e, num movimento rápido, ateou fogo ao papel que continha o mapa para a ilha perdida.

Exclamações foram ouvidas dos tripulantes enquanto assistiam com assombro o objeto de sua busca virar cinzas; o capitão, incrédulo, estava prestes a sacar sua espada quando Sabito o segurou. 

— Hassan-san! — o imediato gritou —. O que significa isso?!

— O que está fazendo, Hassan-san?! — Makomo se pôs ao lado de Giyuu e Sabito —. O senhor nos prometeu um mapa! 

— E eu cumpro a minha palavra — o velho, então, estendeu a mão em direção à princesa, ao que ela aceitou, se colocando ao lado dele —. Aqui está seu mapa.

Os olhos azuis do capitão iam do informante à princesa, sem acreditar no que tinha acabado de escutar. A tripulação estava tão quieta quanto chocada. 

— Ara, ara, você não sabia, Tomioka-san? — a voz melodiosa atraiu a atenção dele para si —. Eu tenho uma memória excelente! 

Era, de fato, uma ideia estúpida pensar ser possível impedir uma onda de quebrar no mar. Agora, o capitão sabia que suas barreiras não eram fortes o suficiente para mantê-lo seguro e, em se tratando da princesa, talvez nada que tentasse construir fosse capaz de contê-la.

♤♤♤

Na manhã seguinte, antes mesmo dos primeiros raios de sol começarem a despontar do leste, a tripulação Sagiri se preparava para deixar Bargaal. A despeito dos acontecimentos da noite passada, o único que parecia, de fato, inconformado com o rumo que as coisas haviam tomado era o capitão. 

— Foi uma honra conhecê-lo, Hassan-san! — Rengoku se despedia, sacudindo com empolgação a mão do informante —. A estadia foi ótima e Bargaal é um lugar espetacular! 

— Você será sempre muito bem vindo aqui, Rengoku-san — respondeu, tratando de puxar de volta o seu braço antes que o nobre o arrancasse. 

Sabito subiu logo depois, falhando em conter um riso descrente com as atitudes do velho ao se despedir. Por fim, era a vez do capitão subir a bordo, mas este não parou sequer para dizer adeus.

— Peço que não fique ressentido comigo, capitão — Tomioka parou a meio caminho do convés —. Não foi uma escolha fácil. 

— Você me traiu — Giyuu disse por cima do ombro. 

— Não. Eu te dei uma chance.

— Chance? — se voltou para Hassan.

— De viver, capitão. De viver — retrucou em seu tom sempre caloroso —. Não há garantias de que irá voltar do lugar para onde vai, não importa quantos planos tenha. Considere isso um presente. 

O capitão voltou a caminhar para dentro do navio, deixando-o sem resposta, o que fez Hassan rir.

— Confio em você para essa missão, capitão, mas você também precisa confiar nela! — o informante falou antes do capitão desaparecer navio adentro.

Do outro lado convés, sentada na amurada na companhia de Mitsuri e Makomo, a princesa observava o capitão embarcar sem lhe dirigir o menor dos olhares. Ela suspirou longamente. 

— Acha que algum dia ele irá me perdoar? — perguntou à Makomo.

— Você e eu sabemos que ele não é tão duro quanto parece ser — a navegadora responde com divertimento —. Você foi muito corajosa.

— Obrigada, Makomo-san — apesar dos pesares, Shinobu parecia radiante —. Bem, se ele quiser ficar com raiva, não irei mais me importar. Eu não queria que nenhum de vocês estivesse aqui, para começar — deu de ombros, escutando uma risada da navegadora —. O que é tão engraçado? 

— Oh!, não é nada demais. É que vocês são muito parecidos... tão preocupados com coisas que não podem controlar — ela diz, animada —. Bom, vocês não são mais clandestinas, portanto, bem vindas à tripulação Sagiri! Agora, vamos treinar! Temos uma longa viagem pela frente até encontrarmos o Deus do Caos! 

— Mas, qual o nosso destino? Tomioka-san ainda não perguntou nada à Shinobu-chan — Mitsuri observou.

— Isso porque, neste momento, não estamos indo para a ilha. Espero que estejam prontas para viver a vida de um pirata, pois a aventura de todo bucaneiro desses mares começa em Siri!  

Com o cair da noite, a tripulação começou a se dispersar, até que, dada a hora, todos se retiraram para dormir. Os turnos de vigia noturnos eram, quase sempre, compartilhados por duas pessoas: a responsável pelo leme e a que montaria guarda na parte baixa do convés. Naquela noite, o capitão estava responsável pela direção, enquanto Tokito cuidava da guarda. 

Durante todo aquele longo dia, a tripulação, de comum acordo, deixou que Tomioka tivesse o seu tempo, evitando mencionar o que acontecera em Bargaal e se ocupando do trabalho. O capitão precisava espairecer antes de enfrentar a princesa, já que, na situação em que estavam, definitivamente, não poderia mais fugir dos próprios sentimentos. 

E como se seus pensamentos a atraíssem, Shinobu emergiu no convés, caminhando até ele a passos tímidos e lentos. Giyuu não era o único que não podia mais fugir. No entanto, apesar de dar o primeiro passo e ter muito o que falar, a princesa não tinha ideia de como iniciar uma conversa.

— Você já me disse que não se desculparia por vir — surpreendentemente, é Tomioka quem quebra o silêncio. 

— Oh, não vim me desculpar, realmente — ela diz —. Mas ainda temos coisas a resolver, não acha? — o capitão não responde —. Por favor, Giyuu-san, não seja tão imaturo. 

— Não sou imaturo — retrucou quase imediatamente. Shinobu meneou a cabeça; ele jamais deixava de responder esse tipo de comentário. 

— Está agindo como uma criança mimada agora mesmo. Por que não conversa, civilizadamente, comigo?

— Você faz o que quer e não me escuta. 

— Não é verdade. Eu escutei cada uma das decisões que tomou e você nunca perguntou como eu me sentia a respeito.

— Porque você seria contra todas elas. 

— Ara, parece que estamos quites, mais uma vez! — ele se calou, o que fez a princesa suspirar, exalando cansaço —. Giyuu-san, por favor... 

Tomioka ponderou por instantes.

— Tokito! — gritou de repente —. Está dispensado da vigia. Kochou-sama ficará em seu lugar — o pequeno pirata apenas assentiu antes de deixar o posto. 

A princesa, de seu lado, precisou respirar fundo para controlar as emoções que a atingiram ao ouvir o capitão chamá-la assim. As ondas batendo no costado foram o único barulho a preencher o vazio entre os dois por um longo tempo. 

— Perder — Tomioka falou. 

— Como disse?

— Você perguntou do que eu tinha medo. 

Shinobu piscou diversas vezes antes de absorver aquelas palavras. Que cruel havia sido o destino com aquele homem. Que ironia colocar em seu caminho alguém cujo mesmo cruel destino era partir. Que tragédia, justo ele, ser aquele que amaria a única mulher marcada pelos braços da morte. 

— Não pode evitar a perda, Giyuu-san. 

— Mas não suportaria viver sabendo que nada fiz quando existia uma maneira de te salvar — explicou, firme. 

Ah, sim. Então, não era apenas o medo de perder que o assombrava, mas, também, o medo de não conseguir impedir que algo acontecesse quando houvesse um jeito de fazê-lo.

— Poderíamos ter ficado juntos pelo tempo que me resta — ela disse, sem conseguir encará-lo.

— Não quero o tempo que lhe resta. Quero que viva tudo o que um futuro pode oferecer, mesmo que eu não seja parte dele.

— Que egoísta dizer isso — a voz embargada quase não saía.      

— Egoísta? 

— Decidir, sozinho, que tudo bem não fazer parte do meu futuro — respondeu, se aproximando do capitão —. Quero que fique comigo! E, daqui para frente, não há que se falar mais em futuro, porque, se você não me amar agora, Giyuu, talvez nunca mais tenha a chance de me amar novamente!

Tomioka encarou petrificado as orbes violetas da princesa. Hassan estava certo sobre ser um presente. Hassan estava certo quando disse que precisava confiar nela. 

Deuses, ele a amava tanto. 

E ele esperava que o amor de uma vida pudesse caber naquela noite, porque, sim, ele iria amá-la; sem se importar com o que os aguardava na outra margem do destino. 

O capitão estendeu a mão para Shinobu, que o mirou confusa antes de aceitar o convite. 

— Se vai ser uma pirata — a puxou, trazendo-a para a direção —, tem de aprender a navegar. 

— Quer dizer que o capitão, finalmente, me deu permissão para ser parte da tripulação? — gracejou, enquanto Tomioka segurava suas mãos sobre o leme.

— Bem vinda à bordo — lhe falou ao ouvido, fazendo a pele arrepiar —, Shinobu. 

— Giyuu...

Foi a última palavra que conseguiu pronunciar antes de Tomioka tomar seus lábios e erguê-la do chão, lhe prensando contra o leme.

Ao fim, o capitão deixou que a onda quebrasse suas barreiras, levando-o para o mar, deixando-o livre para navegar e foi como sempre havia sido: como voltar para casa.
 


Notas Finais


Tentei não demorar como prometido
Logo mais coloco os termos náuticos ~preguiça dimais, e a cara nem arde pq ainda nem botei no do ultimo cap
Bem bem até o próximo cap 💕


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