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História Imortal Love - Capítulo 72


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Notas do Autor


Olá leitores, cá estamos em mais um capítulo, nessa sexta-feira! Vocês também estão em suspensão? Sem aulas, sem trabalho? Minhas aulas foram suspensas nesse início de semana, mas como faço faculdade, estou estudando em casa mesmo, então continua não sobrando muito tempo pra escrever, mas fiquem tranquilos, ao menos os capítulos a serem postados eu adianto.
Bom, é só isso mesmo, desejo muita paz a ocês viu? Fiquem em casa se puderem!!
Foi revisado, mas pode conter erros!
Boa leitura!

Capítulo 72 - Sábado marcado


**Sábado marcado**

Era sábado, a semana de provas finalmente tinha acabado, mas isso nem de longe queria dizer que estavam calmos, as notas finais sairiam na próxima semana, e na última seriam os exames admissionais, ou seja, tinham nem duas para estudar e muito para se preocuparem, principalmente os três rapazes que agora sabiam o que lhes esperava, uma nova cidade, Reno, no estado de Nevada, Marius e Marguerite tinham a escolhida por ser a cidade natal do ex investigador, ele tinha alguns parentes lá, e uma casa que seus pais deixaram de herança, mas que nunca pôs os pés desde a morte deles.

-Sherard, ah, querido, aí está você – Marguerite apareceu na porta – Não vai descer pra tomar café?

-Ah, talvez mais tarde.

-Garoto, nenhum cérebro funciona de estômago vazio – Ela foi entrando, sentando-se ao seu lado na cama – Você está tenso, o que foi?

-Ah, acho que tudo... As provas, a universidade, a mudança, o fato do seu Olhouser me olhar feio as vezes – Deu uma risadinha nervosa.

Isso vinha acontecendo desde que ele descobriu da perseguição, o cara morto e tudo que tinha acontecido, Sherard imaginava ser por causa da mentira, e por isso se sentia desconfortável perto dele.

-Ah, é o Marius, ele faz aquela cara, mas na verdade só está preocupado com você.

-Comigo??

-Claro, todos estamos, você passou por tantos e é tão esforçado, você poderia ter morrido se não tivesse sido salvo por aquele lá, o Marius não quer que você se machuque, e nem eu.

-... Ah...

Sherard não sabia o que dizer, não esperava que a cara séria de Marius fosse preocupação, sempre imaginou ser desaprovação, e no fim realmente era, mas ele não desaprovava sua pessoa, e sim suas atitudes impensadas que colocavam sua vida em risco, ele queria o seu bem. Um sorriso emocionado surgiu em seu rosto, era tão bom ter pessoas que se preocupavam consigo.

-Obrigado... Prometo ser mais cuidadoso.

-Acho bom hein, agora vem tomar café.

-Ok!

Sherard largou os livros e desceu junto de Marguerite, na cozinha todos já comiam e batiam papo, e novamente recebeu aquele olhar de desaprovação de Marius, mas agora que entendia o que ele significava não conseguia ficar com medo, só feliz, tanto que sorriu sem jeito para ele, enquanto coçava os cabelos bagunçados, presos em um coque frouxo.

-Então... Desculpa por preocupar o senhor seu Olhouser, prometo ser mais cuidadoso comigo e o Will.

E o dito, que não estava entendendo nada, apenas esperou alguma coisa do pai, vendo o mesmo suavizar a expressão e sorrir, indicando para que se sentasse logo, e foi obedecido, talvez ele não tivesse dito nada por não ter mais o que dizer, confiava no garoto, por mais pé atrás que fosse, seu filho só estava ali graças a ele.

-Então, quando saem as notas? – Ele perguntou enquanto tomava seu café.

-Quarta-feira que vem, depois vem as recuperativas e na última semana as admissionais – Will respondeu distraidamente.

-Muito bom, dá tempo tranquilamente de nos aprontamos para a viagem.

-Q-Quando a gente vai pai? – Perguntou preocupado.

-Acredito que no final de agosto.

-Ah, tudo bem...

-Não fique inseguro filho, vai ficar tudo bem – Marguerite o acalmou.

-Ok – Sorriu amarelo, falar era fácil.

Eles comeram conversando e rindo, e Sherard nunca achou que se sentiria tão bem em um momento daqueles, uma mesa tão cheia e uma família tão feliz, sentia-se enormemente grato de tê-los consigo. Gostaria de aproveitar aquele momento o máximo que ele pudesse durar, mas foi repentinamente interrompido pela campainha tocando incessantemente. Will se ofereceu para atender, mas obviamente não era seguro, então lá foi Marius, pronto para o quer que fosse, mas não esperava uma Glenna toda sorridente bem na frente da sua porta.

-Bom dia Olhouser!!! – Ela disse animada.

-Bom dia senhora Sellers, em que posso ajudar? São oito e meia da manhã – Observou levemente confuso, nunca tinha sido próximo dos Sellers.

-Ah, eu vim roubar o Sherard!

-... O Sherard?

-Sim! Ele é tão bonzinho e prestativo! Gostaria de pedir a ajuda dele para algumas tarefas lá em casa!

-Ahn... Sherard! – Chamou, vendo-o surgir na porta segundos depois.

-Dona Glenna??

-Bom dia querido!

-B-Bom dia, aconteceu alguma coisa?

-Ah, nada não, eu só gostaria de pedir sua ajuda, como você é alto seria perfeito!

-Ah... Bem, acho que não-...

-Ótimo!!! Até mais Olhouser! – Ela saiu o arrastando dali.

-... Sogras – Deu risada, entrando só depois de ter certeza de tê-los visto entrar na casa.

Lá dentro ela finalmente soltou Sherard, que estava definitivamente confuso, nem tinha aceitado e já tinha sido arrastado até a casa, que estava um brinco de limpa, perguntava-se o que raios tinha que fazer ali se já estava tão limpo.

-Então... O que eu tenho que fazer mesmo dona Glenna?

-Nada querido! Eu só te roubei pra gente conversar!

-... Era só ter dito que precisava falar comigo.

-É que o teor dessa conversa é levemente... Diferente – Disse mais baixo, como se fosse segredo.

-... Diferente... Como? – Acompanhou seu tom.

-Sente-se – Indicou a poltrona que ficava no hall de entrada, disposto a frente de outra que tratou de ocupar – Então... Você conhece o June, ele é meio excêntrico.

-É de família.

-Pois é – Deu risada – O June é um garoto muito sensível, e gosta realmente de você, e eu sei que você é um garoto bom, mas te pesso que tenha MUITO cuidado com ele, eu já o perdi uma vez, não suspeitaria perder de novo.

-Eu entendo, prometo cuidar dele a cima da minha própria vida.

-Obrigado, mas tem outra coisa que devo avisar, o June é meio diferente.

-Tipo essa conversa?

-Mais que essa conversa, ele tem... Umas habilidades estranhas.

-Exemplifique.

-De alguma forma ele sempre sabe onde estamos, e como nos sentimos, a audição dele é tão boa que é capaz dele estar nos ouvindo do sótão, e quando da de ser rápido, meu deus.

-Está dizendo que o June é um X Man?

-Será? – Ela perguntou quase levando aquilo a sério – De toda forma, eu só queria te avisar isso, ele as vezes não sabe lidar com essas... Habilidades.

-Ele surta?

-Ele chora... Chora muito, toda vez que algo foge do controle, se ele é pressionado, ou se assusta, ele chora.

-Nossa... Será que é por causa do trauma?

-Acredito que sim... Tudo que eu te peço é que cuide dele.

_Meio que eu só faço isso da minha vida... _ Pensou em um suspirar, não que não quisesse o bem de June, mas as vezes era cansativo ter o peso da vida e bem estar de alguém em suas costas.

-Não se preocupe dona Glenna, vou cuidar dele – Sorriu se levantando – Agora, melhor eu me arrumar, daqui a pouco a gente tem que sair e-...

-SHERARD!!! – June gritou, saltando nele, o que de certo lhe deu um baita susto – Bom dia!!

-B-Bom dia June! – Disse se recompondo com dificuldade – Tudo bem?

-Sim! E você?

-Ótimo! É... Você não quer me soltar?

-Não!

-Mas eu tenho que ir pra casa June!

-Por que?

-Pra terminar de tomar café.

-Pode tomar aqui!

-Pra... Tomar banho.

-Tome banho aqui!

-Pra almoçar!

-Almoce aqui!!!

Sherard fez careta, pelo visto era difícil convencer aquele baixinho, por isso teve uma ideia, talvez não a melhor das ideias, mas que resolveria seu breve probleminha.

-Mas June, eu preciso ir pra casa ficar bem gostoso pra você!

-... Gostoso? – Ele pareceu interessado.

-Claro! Acha que é fácil ficar delícia assim? Eu tenho que me alimentar bem, me arrumar, ficar cheirosinho, isso leva tempo!

-Se arruma aqui!!

-Mas lindo... Você não quer que seja surpresa?

-Surpresa?

-É... Se eu for agora, prometo, te levo pra almoçar e fico bem gostoso pra você... – Disse baixo, o mais sensual que conseguia ser.

E pelo visto funcionou, os olhos de June brilharam e ele parecia prestes a babar, mas concordou em soltar o mais alto, que totalmente constrangido saiu depois de se despedir dos dois. O caminho de volta não pensava em nada, mas assim que a porta bateu atrás de si ao entrar ele percebeu que estava com grandes problemas, era um homem de palavra, como ficaria “gostoso” para June se nem se quer se considerava bonito? Sempre se achou jeitosinho, não era feio, não era um galã, mas de alguma forma o garoto o achava atraente e isso deveria já ser suficiente, mas não, agora teria que dar um jeito de se tornar essa beldade ou o decepcionaria.

-Me fudi... – Lamentou totalmente arrependido.

-Sherie? Ah, voltou rápido, ajudou a vizinha? – Will apareceu distraído.

-Ah, ela só queria conversar sobre o filho dela, coisa de mãe, saca?

-Se fosse só isso você não estaria com essa cara de cu, vai, o que aconteceu? Foi intimidado por ela é?

-Não... Por ele...

-O padrasto dele?

-O June!! Ele começou a insistir para que eu ficasse na casa deles, mas eu não queria entende? A gente acabou de começar esse lance ou sei lá o que temos, eu queria terminar minha manhã em paz e estudar, mas ele ficou insistindo e dai... Eu joguei baixo pra fugir.

-Jogou baixo? O que você fez cara?

-... Prometi que se ele me deixasse voltar eu o levaria pra almoçar...

-E o que tem isso? É só um almoço!

-Não é só o almoço... Eu prometi que me arrumaria pra ele... Que ficaria... Gostosão pra ele...

Silêncio, Sherard não sabia o que esperar, e ao mesmo tempo não ficou surpreso quando o amigo começou a gargalhar enquanto apontava para sua cara de tacho que estava mais vermelha que um tomate, aquilo era ridiculamente constrangedor.

-Para de rir caralho!!!

-Porra Sherard! Hahaha não acredito que você é tão virjão assim!!!

-Vai se foder!!!

Totalmente irritado Sherard rumou para seu quarto enquanto praguejava sobre seu azar e como estava cercado de imbecis ingratos, mas Will o seguiu ainda rindo, e só parou quando percebeu que ele realmente estava preocupado com o que tinha feito, passando de brincalhão para indignado em um segundo.

-Sherard!! Para com isso!!

-O que? – Respondeu desanimado.

-Se diminuir!! Caralho, você é mó gato! Alto, definido, meio excêntrico, mas estiloso, por que infernos seria difícil ficar gostosão pra ele?? O garoto já tá super na tua!

-... Eu? Gato?? Definido?? Larga de ser hipócrita! – Foi sua vez de se indignar.

-Eu???

-É!! Quando tínhamos quatorze eu quis te pegar e você fez o que?? Ah não Sherie, somos amigos, e você não faz meu tipo, e blá blá blá, agora me vem com papo de que sou gato?? Vai se foder!

-... Você realmente ficou sentido só por que eu não te beijei quando tínhamos quatorze anos?? Eu era uma criança Sherard! Eu tinha nojo dessas coisas!

-Mentiroso, você era louco pra perder o BV com aquela garota lá... Aquela que você namorou!

-Aff! E por isso você se menospreza?? Por que queria ter perdido o BV comigo?!

-Mais que o BV na verdade! Eu-!

E Sherard foi calado pelos lábios do garoto nos seus, aquilo lhe chocou ao passo que foi bom, talvez por que aquele sempre tenha sido um desejo reprimido, ou melhor dizendo, uma rachadura no seu orgulho, Will foi quem despertou sua sexualidade, descobriu que era bi por causa dele e ficou muito frustrado quando ele se recusou a ficar consigo, tanto que mesmo depois de todos aqueles anos continuava a guardar essa “derrota”.

-O-O que foi isso??? – Exclamou ao que se separaram.

-Um beijo ué... Você não queria me beijar?

-... Eu não sou tapa buraco Will – Resmungou, não queria apenas suprir a carência dele, mesmo que tivesse gostado, claro, estava tendo sei lá o que com June, mas não era sério, e mesmo que tivessem se beijado não passava de desejo, o que sentia pelo vizinho era diferente.

-Besta – Deu risada, se afastando – Eu até daria pra você, mas acho que você tá mais afim do June.

-É, só o beijo tá bom... Mas se fosse a alguns anos seria muito bem vindo.

-Idiota, eu só não queria atrapalhar nossa amizade, além do que foi nessa idade que o... Hills começou a ter aquela quedinha por mim e daí já viu, ia dar choro.

-Verdade... Valeu cara – Sorriu descontraído – De alguma forma tô me sentindo até melhor!

-Eu sei amigo, eu beijo bem pra caralho – Brincou convencido – Agora, você precisa se arrumar pro seu encontro né?

-E agora? Como eu faço pra ficar gostoso??

-Aff Sherard, deixa comigo que eu te ajudo! Apesar de que praquele guri você ir pelado tava ótimo.

-Will!!! Tarado de um figa!!

-Eu??

Eles deram risada e começaram a se aprontar, aquele quarto ficou uma bagunça, era troca-troca sem parar, põe peça, tira peça, Will era mais ousado, Sherard mais tímido, quando os papéis tinham sido invertidos? Na puberdade não havia outra palavra no vocabulário do gigante que não fosse “transar”, enquanto o menor era todo retraído e inocente, e agora? Will dava e Sherard chorava só de pensar em sexo.

-É o que dizem, os quietinhos são os piores – Riu baixinho.

-Ta resmungando o que aí otário? – Deu risada – Rum, até que esse look está legal! É verão, você precisa mostrar mais desse corpinho!

Sherard apenas bufou, olhando-se no espelho, ainda usava cores escuras e neutras, gostava de preto, cinza e talvez branco para complementar, e no caso usava algo que nunca achou que fosse usar e até se perguntava de onde o amigo tinha tirado aquelas peças. Bermuda esportiva preta não era seu usual, mas caia bem, e a regata cavada da mesma cor super justa até que não era tão desconfortável.

-... Acha que ele vai gostar disso?

-Acho! Mas falta alguma coisa... Já sei!!

Sherard arregalou os olhos quando viu a proposta, e obviamente quis recusar, mas Will sabia que se tinha algo que June adoraria ver era o moreno usando aquela peça, e sabendo disso ele acabou aceitando, talvez, só talvez conseguisse cumprir a promessa.

(...)

June estava ansioso, esperava aos pulinhos Sherard chegar, e para isso não poderia sair de frente da porta, vai que não ouvia a campainha. Já era meio dia e meia, ou quase, e sairiam para almoçar, ou seja, ele logo deveria chegar, mas quando? Será que dava tempo de se arrumar melhor? Será que estava bonito? A cada cinco segundos tinha que se olhar no espelho para se certificar de que estava bem, queria estar lindo para Sherard, e mal conseguia pensar no quão bonito ele estaria.

Quando a campainha fez seu típico som, “ding dong” o garoto quase teve um treco, e se apressou em abrir a porta, dando de cara com ninguém menos que ele, Sherard Miller, e lindo. Como planejado usava uma regata cavada justa, bermuda esportiva, coturnos baixos, um chapéu fedora na cabeça e o toque especial, uma camisa arrastão de mangas 3/4 e touca, tudo em tons de preto, pelo visto era sua cor favorita, a cor dos seus cabelos, mas a que imperava em suas bochechas era o vermelho, estava corado, muito.

-... Oi June – Sorriu sem jeito.

-... Uau... – Seus olhos não desgrudavam do maior nem por um instante.

-Você está lindo – Elogiou o gigante, realmente admirado.

Se June já era fofo sendo simplesmente ele mesmo, vestido daquela forma ficava levemente difícil se segurar, o garoto usava um cropped de mangas longas com estampa de anjo, que deixava aquela linda barriguinha a mostra, um macacão curto jeans, com uma das alças caída e a outra sobre seu ombro, e Allstars pretos e meias cano alto pretas.

-Obrigado – Ficou fofamente sem jeito.

-Eu vou ter morder se continuar sendo fofo assim June – Disse sorrindo ladino.

-A morde, me morde todinho!! – Se animou, o abraçando.

-Quem sabe depois do almoço – Deu risada – Vamos?

-Siiim! Tchau mãe!!

-Divirtam-se!! – Ela apareceu no corredor acenando.

Sherard acenou também e segurou a mão do menor, o guiando até o carro parado na frente da casa, que era dirigido por ninguém menos que Marius, o que não pareceu agradar muito o gigante.

-Olá seu Marius! – June sorriu simpático.

-Bom dia June! Serei seu motorista essa tarde.

-Não precisava – Sherard disse totalmente incomodado.

-Precisava sim, vou deixar vocês no centro e vou buscar, e trate de me atender se eu ligar garoto!

-Taaa! – Bufou.

Marius deu risada e ignorando a cara feia do gigante dirigiu até o centro da cidade enquanto repassava todas as regras de segurança que tinham combinado, ou melhor, que ele tinha imposto, e claro, o garoto achou extremamente constrangedor, principalmente por estar bem do lado de June, mas não pode retrucar, assim que chegaram ele pulou do veículo louco para fugir dali, mas claro, não seria tão fácil.

-Ah, pode esperando!

-Seu Marius, não me humilha mais – Implorou extremamente constrangido.

-Que te humilhar garoto! Estou cuidando de você! Agora eu quero saber, quais as regras de segurança mesmo?

Sherard bufou alto, fazendo June rir, se sentia uma criança de cinco anos indo para a creche, nunca tinha recebido esse tipo de tratamento, sempre foi independente, ou seja, era ridículo estar agindo daquela forma com 17 anos, quase 18, seu aniversário já era em setembro.

-Não fale com estranhos, atenda o celular, atenção ao atravessar a rua, evite lugares vazios, sempre segure a mão do June, atenda o celular, não saia com ele nas mãos, não reaja a assaltos, atenda o celular, atenda o celular, e.... Atenda o celular... Mais alguma coisa??

-Se divirta filho.

-... S-Sim senhor... – Disse sem jeito, sempre que ele lhe chamava de filho, mesmo que fosse apenas expressão, seu coração se aquecia.

O carro saiu deixando-os finalmente a sós, apenas o gigante e o baixinho, e pelo visto isso era o que June mais queria, ele não parava quieto e tinha um enorme sorriso no rosto, aparentemente estava tão ansioso quanto seu acompanhante.

-Então June, onde quer ir?

-Almoçar!

-Ok, mas onde?

-Ah, um motel serve! - Disse com toda a naturalidade.

-... Eu já disse que as vezes você me assusta June? – Perguntou envergonhado.

-D-Desculpa!!!

-Desculpo se parar de me constranger! Isso é muito injusto!! – Fez manha, estava cansado de passar vergonha, e pelo visto estava se tornando odiosamente frequente.

-Desculpe – Segurou sua mão – Prometo não expressar meus desejos sujos!

-... Serve – Deu risada – Mas então... Eu tava pensando em uma churrascaria!

-Pode ser! Mas... Você não é vegetariano?

Sherard arregalou os olhos, como ele sabia? A verdade era que secretamente Sherard estava tentando parar de comer carne, era difícil, muito, mas sempre adorou animais e tinha uma ligação especial com eles, dado o fato de que tinha sido salvo por uma cadela, por isso estava lutando para manter suas convicções, até tinha consegui parar de ingerir frango e peixe, mas a vermelha era um sofrimento, e só dona Marguerite sabia, não tinha comentado nem mesmo com Will.

-Como você sabe June?

-Ah... Tem pouca proteína no seu organismo, vai adoecer desse jeito! – Alertou verdadeiramente preocupado.

-... Mas... Como?

-Ah... Eu só sei!

Sherard não pode esconder a surpresa e a confusão, mas aí lembrou o que dona Glenna tinha lhe avisado, June só sabia, talvez fosse alguma habilidade ou intuição que nem ele próprio sabia explicar. Antigamente talvez achasse tudo isso bizarro, mas seu melhor amigo era imortal então tudo que podia fazer era aceitar.

-A foda-se – Deu de ombros, era sábado e não estava afim de se estressar – Então, podemos ir... Comer pizza? Tem uma pizzaria aqui perto!

-Acho que é bom, mas você tem que se alimentar melhor, está anêmico – Avisou o seguindo.

-Eu?? Ah, verdade... Prometo que peço uma salada pra acompanhar a pizza.

-Bom menino – Sorriu segurando sua mão animadamente – Sher...

-Uhn?

-Obrigado por aceitar sair comigo...

-Precisa agradecer não, eu aceitei por que gosto de você, se eu não gostasse não tinha aceitado.

-Ah, então tá – Riu sem jeito, gostava bastante de como ele era direto – Então... Como foi sua noite?

-... Não sei, eu tava dormindo – Disse numa risada – Até que foi boa, e a sua?

-Foi bem! Seus tutores são muito protetores com você também né?

-Ah, bem, eles são tipo, muito super protetores com o filho deles, e como eu estou morando com eles meio que sobra pra mim, mas eu também fiz por merecer.

-Você não me parece do tipo descuidado.

-... É relativo! Seus pais te protegem muito né?

-Sim, minha mãe morre de medo de me perder de novo.

-Mas faz sentido June, você ficou sumido por 16 anos.

-Mas minha anjo da guarda nunca deixaria nada acontecer comigo, foi ela que me salvou!

-Sei, mas todo cuidado é pouco, quando amamos protegemos.

-Ah, faz sentido, eu também amo a minha família, faria de tudo para protegê-la.

-Está certo.

-E você?

-Eu?

-Também ama sua família?

-Ah, sim eu... Os Olhouser são incríveis.

-Eles te adotaram?

-Ahn... Não...

-Então seus pais-...?

-Você pretende fazer faculdade June? – Mudou rapidamente de assunto.

Não era por mal, mas simplesmente não conseguia falar daquele assunto, June não sabia, mas essa era uma ferida que o gigante tinha lutado por anos para superar, e mesmo que já praticamente não afetasse mais sua vida, ainda era difícil falar sobre isso, como se o simples ato de reviver tudo através de palavras fosse capaz de trazer toda a dúvida de volta.

-Ah, não, eu não posso, não é seguro, minha anjo da guarda disse que eu não devo correr riscos, por isso que estudo informalmente em casa.

-Deve ser chato.

-Ah, nem tanto, eu nunca parei pra pensar nisso... E você?

-... Eu?

-É, vai pra faculdade?

-Vou...

-Isso quer dizer que vamos nos separar? – Sua expressão passou de animada para tristonha em segundos.

-Não vamos pensar nisso agora, ok? Vamos só nos divertir!

-Tá bom!

Eles finalmente chegaram até a pizzaria, e assim que entraram já foram se sentar, esperando um garçom vir atendê-los, e quando veio, após uma breve discussão, decidiram pedir uma pizza grande meio queijo e palmito, meio marguerita, Sherard estava louco por uma calabresa, mas tentou ser forte.

-Ah, e uma salada – Lembrou, tinha prometido no final das contas.

-Tradicional ou especial?

-Tradicional.

-Escarola e rúcula com tomate, alface e repolho ao molho, abacaxi, espinafre e tomate cereja ou repolho roxo com tomates secos e-....

-Alface e repolho ao molho! – Interrompeu antes que ele passasse o dia citando saladas.

-Molho branco, palmito, madeira...?

-Maionese!

-Só temos maionese com gergelim preto, orégano e mostarda com azeite.

-Pode ser!! – Bufou, nunca achou que fosse tão difícil pedir uma salada.

-Ótimo! Sobremesa?

-Vai querer o que June? Tem bolo, pudim...

-Não gosto de doces.

-... Que??? – Arregalou os olhos, nunca tinha conhecido alguém que não gostasse de doces.

-É, não sou fã de açúcar.

-... Só uma torta de laranja...

-Temos torta de laranja e amendoim, laranja e-...

-Qualquer uma!!

-Ok!

O garçom saiu fazendo Sherard levantar as mãos como se agradecesse aos céus, o que fez June rir. Demorou um pouquinho para a comida chegar, mas logo estavam servidos.

-Me lembre de não vir mais aqui.

-Ah, não fique assim – Sorriu acariciando sua mão.

-Ok, ok – Bufou.

-Hey, Sher...

-Uhn?

-Por que você não fala muito de si mesmo...?

-E-Eu?

-É! Você é tão... Reservado.

-Ah... É meu jeitão.

-... São lembranças dolorosas?

-... É... – Murmurou de boca cheia, como se a comida desviasse esse assunto.

-Entendo, quando quiser conversar pode ficar a vontade, ok? Eu sempre vou te ouvir!

-... Obrigado – Sorriu mais tranquilo.

-Com licença senhor – O garçom voltou.

-Você de novo cara??? Eu não quero nenhum desses trocentos tipos de sucos! – Disse frustrado, o cara ficava rondando sua mesa incessantemente.

-Desculpe senhor, é divertido – Assumiu rindo – Vim apenas entregar isso.

Sherard não entendeu quando o homem deixou sobre a mesa uma taça de sundae, o que lhe deixou deveras curioso, não tinha pedido um sundae sensação com cerejas e chocolate branco, cuja taça estava enfeitada com um morango cortado para parecer uma rosa.

-Eu não pedi isso – Disse confuso, por mais que fosse muito atraente comer, ainda era o pedido de outra pessoa.

-Eu sei senhor, cortesia do cavalheiro ali – Apontou com um sorrisinho que dizia “sortudo” para um homem no balcão.

Ele era alto, não tanto quanto si, mas fisicamente mais forte, tinha cabelos curtos e arrepiados, barba, pele morena e usava óculos escuros, além de ter várias tatuagens pelos braços. Assim que seus olhos se encontraram ele sorriu, e lhe direcionou uma piscadela e um sorrisinho sensual. Demorou um pouco para sua mente entender o que estava acontecendo ali, aquele homem estava lhe cantando?

-... Ooook... Eu... Não sei se quero isso daqui não – Foi, como sempre, sincero, até por que estava com June.

-Tem certeza senhor?

-Toda, devolva ao... Cara ali e agradeça por mim.

-Como quiser.

O garçom saiu dali em direção ao balcão com o sundae galanteador nas mãos, deixando-os sozinhos, Sherard queria rir daquela situação, nunca na vida achou que seria cantado daquela forma por alguém, era tão clichê e excêntrico, ficaria menos surpreso se ele simplesmente se aproximasse lhe oferecendo uma bebida caso estivessem em um bar, mas não era o caso, estavam numa pizzaria comum, no centro da cidade, de dia! Um sorriso ladino já se formava, estava pronto para rir quando viu a cara que June fazia, seu cenho estava tão franzido que ameaçava formar rugas, e seu lindo sorriso formava uma careta que a sua visão até era bonitinha, mas ele sabia que ele não estava muito bem para piadinhas.

-Óh não... Me diz que não tá com ciúme.

-Pra caralho – Resmungou baixo, pelo visto não queria perder a linha ali.

-June, foi só um carinha aleatório me mandando um sundae, não significa nada.

-Você pareceu gostar!

-Do sundae! Ah vai, sundae sempre é bom! Mas eu ainda nem terminei minha salada!

-Sei...

-Calma June, eu nem conheço ele! Até parece que daria bola a um desconhecido!

-Prazer, desconhecido.

Sherard deu um salto na cadeira quando aquele mesmo cara apareceu repentinamente ao seu lado, definitivamente não esperava que ele ainda teimasse em se aproximar quando foi bem claro, não queria nada. Mais de perto podia ver como ele era bonito, sem dúvidas, mas nada nele lhe atraia, na verdade por algum motivo sua presença não era muito agradável, ele lhe lembrava Archer.

-O que você quer? – Perguntou nada receptivo, sua presença não lhe inclinava a ser educado.

-Calma bebê, não se irrite, vim apenas me apresentar – Sorriu malandro, deixando-o mais desconfortável ainda, isso por que a cara de June parecia cada vez pior.

-Um, bebê é o caralho, dois, diz seu nome e vaza – Disse curto e grosso, como sempre, não daria bola para um qualquer, e nem tinha medo de ofendê-lo.

Mas foi exatamente o contrário, o sorriso do cara aumentou, pelo visto ele tinha gostado da sua ousadia, tanto que até tirou os óculos, lhe oferecendo seu melhor e mais sensual sorriso, enquanto se apoiava a cadeira em que o mais novo estava, apenas para ficar mais perto.

-Gostei, tão corajoso, a gracinha tem nome?

-Gracinha???

-Óh, desculpe, sou Fabricio Carazo, mas pode me chamar de Fabi – Disse, justiçando seu sotaque, pelo visto era Mexicano – E você?

-Não interessa! Cai fora!

-Tão marrento, adoro, vaaai, me diz seu nome.

-É Sherard porra! Agora cai fora! – Exigiu totalmente irritado, será que estava falando grego?

-Depois que me passar seu número, não é sempre que encontro alguém que valha a pena.

-Vai se foder! Perdi a fome, garçom! A conta!

Sherard se levantou, na intenção de se afastar dele, mas foi puxado pelo ombro pelo cara, pelo visto ele não lhe deixaria em paz, já estava se preparando para dar seu mais forte soco na cara dele quando foi surpreendido por um vindo de ninguém menos que June, e foi forte o suficiente para empurrar Fabricio contra a mesa do lado, que felizmente estava desocupada.

-June??

-Ele disse NÃO! Mais de uma vez! – Disse severo, segurando a mão do gigante que estava sem dúvidas aturdido – E ele é meu! Se manda!

-Seu filho duma-! – Fez menção de avançar em Gabe, mas Sherard se meteu no meio.

-CHEGA! Eu tô com cara de que pra você??? E onde você acha que estamos??? Esse não é lugar pra gente como você!

-Tsc, você prefere esse nanico? Pelo visto até gatinhos tem mal gosto, com licença.

O cara saiu então passou pelos dois e saiu, mas não antes de dar um tapa generoso na bunda de Sherard, que ficou furioso, mas não mais do que June, em vez de tirar satisfações indo atrás dele, teve que ficar e segurar o garoto, ou ele acabaria cometendo uma loucura.

-Mas que maluco... Eu-... June??

O gigante se assustou ao ver que o garoto chorava como um bebê, fazendo-o lembrar do que sua mãe tinha dito, situações estressantes o assustavam, fazendo-o chorar.

-June! Não chora, está tudo bem! – O abraçou – Garçom!

Quando finalmente conseguiu, o mais velho pagou pela pizza e a sobremesa e saiu com o menor em direção a uma praça próxima, para que pudessem respirar ar puro e deixar para trás o que tinha acontecido. Demorou um pouco, mas o garoto pareceu se acalmar e parou de chorar, mas continuava quieto, e visivelmente bravo.

-Hey, June.

-Uhn...?

-Desfaz essa cara – Mandou, estavam sentados a alguns minutos naquele banco de praça e ele continuava emburrado.

-Uhum...

-June! – Chamou, mas ele parecia em outro mundo – June... Eu quero te comer.

-Quer??? – Voltou a realidade na hora.

-Safado!! June, o que aconteceu? Eu compreendo você ter chorado... Fiquei preocupado, mas não entendo por que você ainda está com cara de cu, e desde que saímos da pizzaria!

-Não gostei daquele cara.

-Ah, é só um idiota, não tem que se preocupar com ele.

-É sério... – Disse baixo, parecia verdadeiramente inseguro – Ele não me é estranho... Eu... Não quero vê-lo de novo.

-... June... Não se preocupe, eu jamais deixaria nada acontecer com você – O abraçou – Então, tem algo que você queira fazer?

-Ah... Você podia me mostrar a cidade né?

-Claro! O que quer conhecer?

-Ruum... Me mostre seus lugares preferidos!

-Meus lugares preferidos hum? Ok, vem!

Sherard segurou a mão de June, e juntos caminharam por vários lugares, Sherard adorava qualquer lugar em que pudesse ter paz, ficar sossegado, ler, as vezes se considerava um velho ranzinza de 98 anos, mas lugares cheios sempre o faziam perder a paciência, por isso fez questão de mostrar ao garoto os parques, as praças, os jardins, mas claro, não poderia deixar de fora a quadra onde sempre jogava basquete com seus colegas de escola, ou a biblioteca onde costumava estudar.

-Que legal! Sher!

-Oi?

-Me ensina a jogar basquete?

-... Claro!!! – Se animou, adorava o esporte e jogar com June parecia ser muito divertido – Vem!

Os dois entraram, pelo visto não tinha ninguém jogando aquele horário, melhor assim. O gigante pegou uma bola que estava jogada por ali e a arremessou para o menor gentilmente.

-Bom, tem várias regras, mas eu sei que você vai esquecer, então é bola na cesta.

-Ah, parece fácil!

-Vai lá, tenta.

-Você primeiro! – Lhe estendeu a mesma.

-Ok!

Sherard pegou, deu três passos para trás e facilmente acertou a cesta, June até bateu palmas como seu líder de torcida particular, o que era deveras fofo, na verdade foi inevitável não o imaginar usando aquele uniforme e gritando para si. Na sua escola haviam os torcedores masculinos, usavam regatas e shorts, e normalmente acompanhavam as líderes nas coreografias, mas era difícil não pensar nele de saia.

-Vai lá, sua vez.

-Tá bom.

June pegou a bola e repetiu os passos de Sherard, se afastando um pouco e jogando, o negócio era que não possuía técnica de arremesso, e por isso usou força demais, acertando a trave, nisso a bola bateu contra ela, desviando e vindo na direção do gigante, que só teve tempo de colocar o braço na frente, defendendo a bolada.

-Sherard!! Me desculpa!!

-Ta tudo bem, isso acontece... Só tente não quebrar a trave da próxima vez.

-Desculpe...

-Nada de ficar chateado – Temeu que ele começasse a chorar – Eu vou te ensinar como joga.

Sherard pegou o garoto pelos ombros, o deixando de costas para si, e deu a volta em seu corpo, uma de suas mãos segurou sua cintura e a outra seu ombro, enquanto falava muito perto do seu ouvido, e sem dúvidas o menor estava amando aquela proximidade.

-Como você é pequeno não vai ser fácil jogar, precisa pegar impulso ou espaço suficiente, tome cinco passos ou mais para trás, avance e jogue em parábola, nunca diretamente na trave.

-O-Ok... Assim?

-Baixe um pouco mais os cotovelos, e segure a bola assim – Disse, segurando seus braços a ajeitando sua postura – Vai lá, você consegue.

-Não sei não...

-Se eu disse que consegue é por que consegue né? Tudo bem se errar nas primeiras vezes, é normal.

O garoto respirou fundo, mas fez, jogando a bola, que bateu contra a trave direto para fora, obviamente não era para isso acontecer, mas ao olhar para o gigante viu que ele sorria, pelo visto estava bastante orgulhoso da sua tentativa.

-Viu só? Chegou perto! Treinando vai conseguir.

-Obrigado! Eu gostei, você parece ser tão bom.

-Ah, sou mesmo – Deu risada.

-Você nunca pensou em ser jogador?

-Nah, eu prefiro pediatria.

-Mas ainda podia ter entrado pro time da escola né Miller?

Os dois olharam para a entrada da quadra, vendo alguns rapazes entrarem, eram altos, mas não tanto quanto Sherard, que aliás parecia já conhecê-los, pois os cumprimentou com um sorriso e tapinhas nas costas.

-Oi gente, June esses são meus colegas do time de basquete da escola, gente, esse é o June... Estamos saindo.

-Ah, sempre soube que todos do grupinho curtiam a mesma fruta – Zuaram.

-Vão se foder – Revirou os olhos – A bola é sua?

-É, estava jogando com o baixinho?

-Uhum, ensinado ele a arremessar.

-Ta aprendendo com o cara garoto, ele manja tanto quanto é filho da puta – Alfinetou, pelo visto ainda guardava um certo rancor.

-Ele não é não! – Defendeu.

-Tá tudo bem June, algumas pessoas só são teimosas – Lhe devolveu a bola – Vamos.

-Não vai querer jogar com a gente?

-Não tô afim – E saiu, seguido pelo menor.

O caminho foi silencioso, pelo visto Sherard estava incomodado com aquele encontro, e June percebeu, tanto que queria ajudá-lo a se sentir melhor, mas para isso precisava saber o que ele estava sentindo.

-Hey Sherard...

-Uhn?

-Por que aquele cara estava bravo com você?

-Por que ele é idiota.

-Ruum... E por que?

-Vai ficar me enchendo de por ques agora?

-Vou! Eu quero te ajudar, mas fica difícil sem ler seus pensamentos! Minha anteninha não alcança essa cabeça!

Sherard riu, era difícil ficar irritado com June, tanto que só fez sentar em um banco aleatório que havia no caminho e respirar fundo, quão mal poderia fazer contar aquilo? Nem precisava ser tudo, então começou.

-Ele está bravo comigo por que voltei atrás na promessa de jogarmos juntos no time da escola...

-Você desistiu?

-É... Éramos colegas de time, entramos juntos e quando a seleção para as vagas de titular abriram prometemos entrar e concorrer as bolsas das universidades, mas eu desisti bem quando recebi a notícia de que tinha conseguido, e ele não... Minha vaga passou pra ele, mas isso não o deixou muito feliz assim como o resto do pessoal.

-E por que você desistiu?

-... Por causa do desgraçado do Robert! – Rosnou, sempre que lembrava dele sentia ainda mais raiva.

-Quem?

-Meu... Pai adotivo.

-Seu pai??

-Adotivo!! – Reiterou, não suportava a ideia de chamá-lo daquela forma.

-O que houve...? Sher, você pode desabafar comigo.

-... Eu... Eu fui um-...

Sherard pretendia contar tudo, cada parte de tudo que tinha vivido até chegar ali, se não fosse Marius ligando, pelo visto era hora de voltar e ele viria buscá-los como tinham combinado, nem tinha percebido e já eram cinco horas. June ainda esperava que o gigante contasse o que houve, mas a coragem tinha sumido, não queria reviver nada daquilo, então apenas ficaram em silêncio, de mãos dadas, até o carro chegar.

O mais velho fez questão de abrir a porta para June, permitindo que entrasse primeiro, dessa forma ele entraria em seguida, mas antes teve a desagradável visão de alguém os observando, fazendo-o entrar e fechar a porta com pressa, e Marius, perceptivo como era, entendeu que tinha alguma coisa errada só pela sua expressão e postura, e dirigiu de volta, deixando o menor em casa.

-Tchau Sher, foi divertido.

-Foi mesmo, a gente tem que sair mais vezes.

-Sério?

-Claro né, eu lá tenho cara de quem tá brincando?

-Desculpe – Riu sem jeito, para depois ficar sem palavras quando o gigante lhe roubou um selinho.

-Até amanhã.

June nem teve chance de responder, apenas acenou todo bobo vendo o outro entrar em casa e em seguida voltando para a sua. Óbvio, tudo que queria era descansar depois daquele dia, mas precisava conversar com Marius, tinha visto alguém, e não qualquer um, era um homem alto, de preto, e teve a leve impressão de ver um coldre em sua cintura, ele estava armado, e os observava atentamente.

-... Will está em perigo... – Disse preocupado.

Mas será que era só o imortal que estava com problemas?


Notas Finais


Espero que tenham gostado!!
Primeiro encontro! Sherard gostosão, June lindíssimo, e im cara chato dando encima do meu gigante!!! 😡😡😡
Comentem o que acharam, teorizem! Me ajuda muuuuito! Acho que não estou esquecendo de dizer nada, ruum
Creio que foi isso!
Inté!


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