1. Spirit Fanfics >
  2. Impasse >
  3. 'I mbecil

História Impasse - Capítulo 8


Escrita por:


Notas do Autor


Olá!

Antes de começarem a leitura peço por favor que cuidem da saúde de vocês. Lavem bem as mãos, usem álcool gel, evitem sair de casa e forças para que tudo fique bem.
Dias melhores virão.

Agora sim, boa leitura 💜

~Wendy

Capítulo 8 - 'I mbecil


Fanfic / Fanfiction Impasse - Capítulo 8 - 'I mbecil




- Meu filho, nós precisamos ir, se precisar ligue tá bom? – acariciou os fios roxos do rapaz

- Se cuide e cuide da casa, aproveite bem as férias e saia mais um pouco com seu namorado, vai te fazer bem durante essa nossa viagem – a mulher pegou as malas e as empurrou até a porta.

Era a segunda vez que eles viajavam naquela semana. A primeira havia sido um pouco antes de ir a fazenda com Yoongi e Jimin, pensou que quando voltasse de lá teria a companhia dos pais por pelo menos parte das férias escolares, mas isso não aconteceu. 

Aquele ano havia um grande acontecimento, a Copa do Mundo, sediado no outro lado do mundo, Brasil. Como seus pais viviam por exclusividade, foram pessoalmente com uma equipe de reportagem para cobrir temporariamente os eventos, deixando Jungkook na supervisão apenas da avó materna, que raramente aparecia. 

Assim que saíram, Jungkook sentou-se no sofá, dando lugar ao choro acompanhado do som do rádio ligado na cozinha. Ficou a manhã inteira assim, sentado no sofá com o rosto marcado pelas lágrimas enquanto olhava o absoluto nada.

Só teve forças para se mexer quando sentiu a garganta secar pela sede, acordando todo o seu organismo que gritou de fome.

Já era hora do almoço. 

Preparou um miojo lentamente e comeu com pouca vontade, ouvindo o celular vibrar uma, duas, dez vezes até criar ânimo para atender e dizer que já havia almoçado para a avó no outro lado da linha. 

Depois de comer, se arrastou até o quarto, tirou a roupa e entrou na banheira fria, mergulhando completamente o corpo até sentir o ar lhe faltar. Ergueu a cabeça e respirou profundamente, sentindo os pulmões funcionarem e o coração bater loucamente. Não sabia o porquê fazia aquilo, apenas desejava fazer.

Depois de finalmente tomar um banho decente, vestiu roupas confortáveis e abriu as cortinas do quarto, sentindo os olhos arderem pela forte luz. Olhou ao redor do quarto e percebeu sua câmera ainda ligada, devia ter esquecido de desligar antes de dormir. 

Tirou a camera do tripé sem a desligar e a colou no chão, no meio do quarto, ligou o computador e colocou uma música para tocar. Sentou-se no chão, tentando juntar forças para cantar. 

Seu semblante cansado, seu cabelo bagunçado e as roupas amassadas fariam com que os seguidores de seu canal se espantassem, já que o "JK" que conheciam era super vaidoso e incrivelmente belo, sem nenhum defeito.


- Help me

I'm crawling in my skin

Sometimes I feel like giving up

But I just can't

It isn't in my blood 


Jungkook amava essa música, gostava da letra, da melodia, e sua voz combinava perfeitamente com ela. 

Mas ele nunca conseguia terminar de cantar.

Assim que o refrão iniciou, seus olhos começaram a lacrimejar, isso fez com que ele os fechasse com força para evitar que qualquer lágrima caísse, e continuou cantando.

- I'm looking through my phone again, feeling anxious – lembrou-se de Hoseok - Afraid to be alone again, I hate this – recordou-se de como a mãe e o pai sempre o abraçavam antes de partir para algum lugar importante - I'm trying to find a way to chill, can't breathe, oh – a dor podia ser sentida em sua voz, que agora estava ligeiramente trêmula.


- Is there somebody who could help me - não conseguiu mais segurar as lágrimas, parando temporariamente de cantar.

O instrumental continuou sozinho, Jungkook apenas olhou para a câmera sem conseguir focar nada e após limpar a garganta e juntar um resto de forças, continuou.

- I'm crawling in my skin

Sometimes I feel like giving up

But I just can't – e foi ali que sentiu suas forças desaparecerem.


It isn't in my blood – sua voz falhou, impedindo-o de continuar a música.

 Levou a mão no rosto tentando parar as lágrimas mas não conseguiu, então apenas ficou ali, daquela forma até a música finalizar.

Já cansado, deitou-se no chão, tentando calar os pensamentos, obtendo sucesso após várias músicas tocadas.

O player agora tocava uma música que o fazia lembrar de Namjoon. Estava com saudades do amigo. Não tinha o visto em nenhum momento das férias, foi a sua casa e não obteve respostas, a falta de contato já estava o preocupando.

Pegou o celular, as chaves e decidiu ir até Namjoon. Ligou várias vezes e em todas elas a chamada caía na caixa postal. Sentiu medo.

Hoseok não o dava mais tanta atenção, os pais estavam viajando, se Namjoon também o abandonasse, Jungkook se sentiria perdido.

Apressou os passos até perceber estar correndo. O coração voltou a acelerar, a garganta seca clamava por misericórdia e o corpo já estava cansado de tanto correr, afinal, Namjoon morava muito longe.

Mas finalmente ali estava, em frente a casa de Namjoon. 

Encarou o muro e estranhou a cor verde, sentiu um pesar pois vivia dando ideia para os dois fazer algo divertido e pintar algum quadro ou alguma parede estava na lista de coisas que Jungkook precisava fazer com o melhor amigo.

Em desespero bateu palma, uma vez, duas vezes, cinco, dez, quinze, até se cansar. Seu medo do que teria acontecido com Namjoon era tão grande que tomou distância do muro para pegar impulso para pular, com certa dificuldade conseguiu pular o muro e começou a bater na porta, chamando o nome de Namjoon.

Ligou mais algumas vezes, insistiu por vários minutos até finalmente desistir, mesmo sabendo que Namjoon estava ali, não havia outro lugar a qual ele pudesse estar.

Suspirou derrotado, sentindo o aperto lhe sufocar. Buscou o celular no bolso e ligou para Hoseok já na expectativa de que ele não atender, mas ao contrário do esperava, a voz se fez presente do outro lado da linha.

- Hoseok? Hoseok meu amor, ond-

- Jungkook, estou no trabalho agora, não posso falar – interrompeu.

- Amor, o que está acontecendo?

- Não vamos falar sobre isso no telefone, eu te encontro quarta feira, vai ter uma competição de dança, aquela que tinha te falado no mês passado, te vejo lá . Tenho um assunto sério pra conversar com você, me espere na praça do relógio, agora preciso desligar.

- Espe- mal concluiu.

Jungkook tremeu ao ouvir o barulho da chamada encerrada. Imaginou que esse dia chegaria mas não pensava que Hoseok se cansasse tão cedo.

- Imbecil.

Sentou-se na beira da calçada ainda com o celular na mão e reprimiu todo o seu desejo de gritar. Relembrou do primeiro beijo que teve com Hoseok e sentiu raiva o invadir, não entendia o porquê todos se cansavam tão rapidamente, não queria que as coisas fluissem dessa maneira.

Olhou para as pessoas que passavam por ele enquanto sentia a culpa o dominar. Em toda a sua curta vida sexual ativa, nunca mantinha uma relação fixa com ninguém porque sempre se achava insuficiente. Sempre se derretia nos braços de alguém diferente por achar que só assim seria capaz de perpetuar sua suficiência.

Jungkook achava que sua aparência não era o suficiente para capturar verdadeiramente o coração de alguém, porque todos olhavam apenas para a aparência, e por mais que quisesse negar com todo seu ser, achava que até Hoseok pensava assim.

Passou as mãos no cabelo freneticamente até que avistou uma jovem o observar de uma lanchonete no outro lado da rua, calando todos os gritos de sua mente. Aquele olhar era conhecido, o típico olhar de sedução fajuta que tanto recebia das pessoas, o olhar de desejo gritante que ele sabia reconhecer bem.

Apesar de amar ser desejado, Jungkook odiava ser resumido a apenas um rosto bonito e corpo gostoso, as pessoas ao seu redor nunca apontavam seus talentos ou sequer se aproximavam pra puxar um papo casual, tudo sempre era com segundas intenções.

Mesmo quando postava algum cover em seu canal no YouTube, postava alguma foto sorridente ou apenas apresentava alguma dança no clube da escola, ele era tachado de "o gostosinho", cansou de ouvir pessoas invejosas resumirem sua fama com sua aparência, porque sabia que isso era verdade.

Mas isso não o deixava satisfeito. Ele nunca se sentia satisfeito, não era esse tipo de coisa que queria para si.

De tanto se cansar de tentar ignorar, acabou acatando as intenções maliciosas das pessoas com o passar do tempo, transformando a reputação que ele tinha de "o gostosinho" para o "rodo".

Já tinha dois anos que decidiu se tornar o que as pessoas tanto queria que ele se tornasse. Passou a usar uma máscara social que escondia seu verdadeiro eu, e isso só agravou seu estado emocional, mas ele não se importava mais com nada, nem com ninguém.

Quando conheceu Hoseok, seu coração se aliviou por saber que pela primeira vez em anos, alguém quis se aproximar para elogiar um de seus talentos, a dança. Esse assunto despertou seu interesse interno em beijar a boca do Hoseok, mas o que o motivou a dar o primeiro passo foi o respeito que Hoseok teve em não se pronunciar acerca de seus desejos, ele foi o único que não resumiu Jungkook a sua aparência.

Era exatamente por isso que ele não entendia o que havia acontecido.

Observou a jovem e avaliou as possibilidades, cansando-se de traçar um plano ao ver ela se aproximar com um sorriso que indicava onde isso tudo iria acabar, na cama.

Logo então teve uma ideia. Se a intenção de Hoseok era terminar, então Jungkook terminaria com grande estilo.


                                            •••



- Foi culpa minha. Ele não imaginou que o pai cancelaria a viagem para Califórnia quando fomos pra fazenda. Hoseok também deve estar em maus lençóis – disse sentando-se na cadeira, suspirando em desconformidade.

- Você e sua mania de se culpar por tudo... Jimin, o filho do seu patrão foi porque quis. Você não o obrigou a ir com você, ou obrigou? – se abaixou dando uns leves tapas no joelho do ruivo que riu com a pergunta sem nexo – o pai dele não vai prendê-lo pra sempre, fica tranquilo. 

- Vai sim Taetae – sussurrou – já faz algumas semanas e ainda não vi sequer a sombra do Yoongi naquela casa. As janelas permanecem fechadas e nem o melhor amigo dele está permitido a entrada. A governanta me disse que ele foi agredido a ponto de desmaiar na porta do banheiro do quarto. Ele tinha razão, eu não conhecia nem um pouco do pai dele.

Despejou as preocupações enquanto falava rápido e a preocupação lhe enchia o coração.

– Por que Hoseok disse que ele que havia dado a ideia de viajar sendo que ele nem foi com a gente? Por que Yoongi me cobriu dizendo que apenas Hoseok e Yoongi haviam ido? Por que aquele Jungkook só deixou Hoseok levar a culpa e não disse nada? Ele não é o namorado do Hoseok? Por que ficou calado então? E por que Yoongi apenas aceita as pesadas agressões do pai e não diz nada, não reage? A gente não fez nada Tae! Só passeamos! – começou a soluçar, recebendo um abraço compreensivo de Taehyung - Eu só queria esquecer um pouco da vida, dos problemas do Gguk.. Ele também só queria se esquecer dos problemas do pai – pausou, respirando fundo após as inúmeras dúvidas e lamentações desabafadas. 

Taehyung por sua vez, ouvia atentamente cada palavra de Jimin enquanto o consolava em silêncio.

- O que eu quero saber é.. quem é Hoseok ? – o soltou, limpando o rosto do amigo com um pequeno pano.

- O namorado do galinha do Jungkook – limpou algumas das lágrimas que ainda caíam de seus olhos.

- Jungkook é aquele que deu em cima de mim, de você e do Yoongi na caverna né? – riu.

- Sim.. Acredita que ele deu em cima de mim na frente do namorado dele? E o namorado dele é infinitamente mais bonito que eu – acompanhou a risada com o humor mais calmo.

- Não brinca, que idiota! Nunca me deixe namorar alguém assim, ok? 

- E me lembre de não me envolver com complicações – cerrou os lábios – acho que nem adianta te pedir isso – abaixou o olhar.

- Você é teimoso, depois eu que sou o chorão da história – disse bagunçando o cabelo de Jimin – venha, vamos tomar um ar, vender a esmeralda que você trouxe e quem sabe esquecer seus problemas de jardineiro enquanto me apresenta melhor a cidade.

Jimin não queria esquecer esses problemas. Era só o jardineiro da mansão do maior empresário sul-coreano, mas tinha uma compaixão intensa pelo filho único do bilionário. Depois do que soube, sentia seu coração pesar, queria de alguma forma tirá-lo das mãos dele e protege-lo de todo o mal que o cercava.

O ar que decidiram tomar consistia em um sorvete pra cada e alguns passeios pela metrópole. Taehyung não estava acostumado com aquele ar poluído, mas estava maravilhado demais pra reclamar de alguma coisa. Quanto mais andava, mais observava o rosto de Jimin suavizar, o que o alegrou imensamente.

Taehyung sabia consolar Jimin, ele não gostava de se intrometer e evitava opinar quando Jimin chorava, gostava de abraçar o ruivo e o acalmar o ouvindo atentamente e o compreendendo silenciosamente.

Enquanto andavam, Taehyung vislumbrou uma placa que chamou sua atenção. Letras médias e brancas fixadas em um pedaço de mármore na frente de uma loja de instrumentos musicais. 

- Espera, espera – puxou o ruivo que o ignorou devido seus devaneios – olha isso ! – o chamou novamente, puxando pela toca de seu casaco – Jimin! 

Como se acordasse se um transe, Jimin olhou para a direção que o garoto apontava. Na placa se lia precisar de cantores e atores armadores com urgência para uma peça e não cobrava taxa de inscrição. 

Era uma excelente oportunidade para pessoas como Taehyung, que era um diamante bruto que só precisava ser lapidado. 

- Vai que é sua – o ruivo sorriu – foi pra isso que te tirei de lá. 

- Mas.. – tentou contrariar o irmão mexendo no boné vermelho.

- Eu sou o teimoso e chorão. Não você – o empurrou para a direção da loja – Vai na fé enquanto eu vou na joalheria.

O loiro tremia de ansiedade e medo assim que entrou na loja, não sabia que tipo de desafios teria ao fazer o que estava prestes a fazer. Deu um pequeno pulo de susto quando foi abordado por um dos funcionários.

- Olá, em que posso ajudar? – um jovem de largo sorriso o recepcionou. 

- E-Eu vi a placa – gaguejou de estusiasmo, respirando fundo a fim de se acalmar – eu vi a placa e queria mais informações.

O funcionário alegrou-se grandemente, guiando-o até o salão do fundo da loja. Lá havia cerca de 25 pessoas trabalhando incessantemente em materiais para a peça que planejavam fazer. Em poucos minutos tudo lhe foi explicado minuciosamente, chamando cada vez mais a atenção do sonhador Taehyung.

- Vocês tem problemas em contratar menores de idade? – a questão mais importante finalmente surgiu.

- Não, desde que os responsáveis assinem o termo de ciência e permissão, os menores ficam aos nossos cuidados e são treinados para a peça – o funcionário respondeu – e sem querer ser rude, mas você tem a beleza ideal para o papel de destaque. Um dos protagonistas de nossa peça é loiro também, o outro deverá ser, já que ambos serão irmãos na peça.

- Mas tem que dançar mesmo? – uma feição desacreditada surgiu de Taehyung, arrancando risadas francas do funcionário.

- Sim, tem que dançar, mas eu ensino essa parte caso o ator não saiba. Os passos dessa peça são simples, o grau de dificuldade extremo é a aparência e a voz, e isso você já tem – sorriu entregando um papel para o loiro.

Taehyung quis andar mais um pouco no estúdio e observar mais alguns detalhes, recebendo a permissão do funcionário que o acompanhou até o final de sua pequena tour, respondendo todas as questões que Taehyung ainda formulava.

Em pouco tempo, Taehyung decidiu a dar o segundo passo para seu sonho, assinando a ficha de inscrição. Pegou todos os detalhes com o funcionário e o papel de ciência e permissão para que o tio de Jimin assinasse. 

- As audições serão no dia 7 de agosto, venha apenas com a roupa do corpo, não precisa trazer equipamentos – acompanhou o jovem de volta a loja de música – quando chegar, me busque ou busque alguém chamado Kyungsoo, falarei de você para ele, Kim Taehyung.

- Okay, mas como é seu nome mesmo? – guardou a folha na pasta presenteada pelo funcionário.

- Eu me chamo Jung Hoseok, mas pode me chamar de Hobi.

                                         ••• 

Yoongi bufava enquanto andava repetidamente pelo quarto. A preocupação o deixava pálido e com pouca força.

Era a décima sexta vez que tentava abrir a porta, sem sucesso. O moreno ouviu o noticiário anunciar um incêndio em um dos prédios que a mãe administrava e entrou em choque. E como se não bastasse, estava proibido de sair até da porta do quarto.

Sentou-se na cama e colocou as mãos enfaixadas sobre o rosto, pensando que pelo menos tinha conseguido fazer com que o pai não soubesse que Jimin e Jungkook também haviam ido na viagem.

Tirou a faixa que enrolava sua mão e começou a passar a pomada cicatrizante, até ouvir uma pedra bater em sua janela trancada. 

- Desculpa Hobi, não posso abrir.. –  disse substituindo a faixa por pequenos curativos nos cortes de suas mãos. 

Levantou-se e andou em círculos no quarto enquanto calculava o tempo restante de seu castigo. Encarou seu reflexo no espelho e odiou a forma que se curava rápido. As marcas não estavam tão visíveis e os cortes já estavam cicatrizando.

Relembrou das agressões e suspirou fundo, cansado. Havia estudado como um condenado e comido pouco devido a falta de fome. 

Ouviu mais uma vez o barulho na janela e se sentiu péssimo. Queria ver Hoseok, ouvir sua voz, sentir seu abraço. Mas isso não era possível.

 Havia ficado sem o celular costumeiro, sem visitas além das empregadas e os acionistas da empresa do pai, sem céu e ar puro por todos os dias de suas férias de inverno. 

Tudo o que lhe acompanhava em seu quarto era a cama, o guarda-roupa, a cômoda repleta de livros, sua mesinha de estudo, o notebook sem acesso a internet, o teclado escondido no fundo do guarda-roupa e o banheiro. 

Guardou a pomada na gaveta e se recordou da última gaveta que escondia um celular para casos de emergência.

- Eu sou muito burro, como esqueci do que celular escondido? – abriu a gaveta e retirou o fundo falso, revelando folhas antigas do diário, algumas fotos de sua infância e o celular.

Yoongi tirou rapidamente o celular, evitando olhar as fotos e o ligou, agradecendo a bateria que tinha. Suspirou aliviado ao lembrar que lhe restava quatro dias para suportar, já que  logo as aulas recomeçariam. 

Como num flash, se lembrou da caverna que Jimin o apresentou. A cachoeira, as borboletas e o piscar dos vagalumes fazendo com que as esmeraldas brilhassem e dessem vida aquela escuridão. 

De repente, um diálogo ecoou em sua mente.

" - Jimin, você vai estar aqui amanhã, né? Você não vai embora como o Hobi e a Noona, né?

- Se quiser, sempre estarei no seu amanhã, Yoongi. 

- Mesmo nos dias de sol?

- Em qualquer estação. "

Levou as mãos no rosto, sentindo vergonha por ter sido tão cafona. Mas após a vergonha passar, um sorriso surgiu no canto dos lábios, e a expressão do moreno agora transparecia leveza.

Lembrar de Jimin deixava Yoongi leve, como se o ruivo fosse um personagem de conto de fadas. 

Como se Jimin fosse sua fada.

Por um momento Yoongi desejou que essa Nárnia que conheceu estivesse no fundo de seu guarda roupa, para acalmar e iluminar a escuridão de sua vida.

Não estava nem pouco arrependido de ter ido naquele pequeno passeio mas colocar o jardineiro em perigo por sua mera vontade de respirar um ar diferente realmente o deixou para baixo. 

Silenciou o celular e conferiu o chip, após confirmar ter crédito, discou o número de Hoseok. 

Em poucos minutos Yoongi desabafou tudo o que lhe incomodava, brigou com ele por ter o acobertado, quase chorou mas evitou contar sobre as agressões, entusiasmou-se ao falar sobre a fazenda mas decidiu falar sobre Nárnia depois. 

Hoseok apenas ouvia calado, esperando o moreno parar de despejar as rápidas palavras e se aproveitou da primeira brecha. 

- Respira um pouco, meu consagrado. Você ligou para o Hoseok não para um confessionário – riu, sendo acompanhado do amigo que pediu desculpas - Yoongi, sei que deve ser difícil pra você ficar preso na sua própria casa. Eu juro que tentei convencer seu pai mas sabe como ele é, não me deixou sequer entrar – suspirou fundo. 

Não era a primeira vez que Yoongi ficava preso no quarto como castigo, mas em todas as vezes anteriores o amigo dava um jeito de pular o muro, burlar os seguranças e entrar na casa, então era a primeira vez que Yoongi passava as semanas de castigo sozinho.

Era costume o castanho jogar pedras pequenas na direção da janela do quarto de Yoongi e escalar, passando parte do castigo o acompanhando apenas para não deixá-lo só.

- A culpa jamais será sua Hobi.

- Ele mudou seus seguranças como se soubesse que eu vivia entrando quando ele te colocava de castigo. 

- Mas – pausou - não foi você que jogou uma pedrinha agorinha? – Yoongi perguntou confuso. 

- Eu nem cheguei a entrar na sua casa durante essas férias.

O moreno se deitou e fitou o teto. Se não era Hoseok que jogava pedrinhas todos os dias, quem era? 

Decidiu pensar depois e perguntou o que mais queria saber desde que chegou de viagem.

- Hobi.. por que você fez o que fez? 

Um silêncio se fez presente do outro lado da linha. 

Hoseok tinha tomado a iniciativa de assumir toda a responsabilidade mesmo sem ter ido para a viagem antes de sequer receber a ligação de Youngjae. O pai de Yoongi havia ligado logo após Hoseok ter falado com Yoongi. A falsa situação explicada deixaria o melhor amigo a vontade e longe de ares poluídos por pelo menos um dia.

Era uma forma que Hoseok encontrou para diminuir o peso do fardo de Yoongi, mesmo desconhecendo o peso do castigo que o melhor amigo receberia.

Por mais que tivesse ouvido uma enxurrada de sermões vindo do empresário, o dançarino não se arrependeu. 

- Eu prometi que não te deixaria estagnar como pó.. Pensei que ele te deixaria em paz se eu assumisse a responsabilidade mas pelo visto não foi o que aconteceu.. 

- Hobi, e seu pai? 

- Pediu pra mim fazer uma dissertação de dezoito páginas explicando o motivo de ter desistido de ir para a viagem e o motivo de ter assumido a culpa mesmo sem ter sequer ido para a viagem. – riu – ele não foi duro no sermão e no final das contas ele usou a minha dissertação para criar uma situação em seu novo livro. 

O moreno riu da história ansiando ler cada palavra da dissertação.

- Hobi, você é muito idiota. 

- Obrigado. Aprendi com você. 

- Me respeita – passou a mão machucada no cabelo.

- E o jardineiro? Está bem? Não foi castigado também? 

- Jimin? – o moreno se sentou no meio da cama ao lembrar novamente do ruivo – acho que não. O pai dele está no hospital, quem cuida dele é o tio – suspirou preocupado recordando da explicação que o ruivo deu sobre a família  – na verdade eu mal sabia algo sobre ele..

- Você .. aceitou viajar com alguém que mal conhecia? E queria me arrastar junto? Depois eu que sou o idiota – Hoseok ria do outro lado da linha - Espero que vocês tenham se divertido. 

- Foi demais Hobi, você devia ter visto. Jimin mostrou uma caverna cheia de .. – pausou assim que se lembrou do pedido de Taehyung, deveria manter segredo sobre as esmeraldas – borboletas e vagalumes.. tinha uma cachoeira também e um rio.. o lugar era tão lindo! Vou pedir pro Jimin te levar algum dia também! – contou animado. 

- E Jungkook? 

O sorriso de Yoongi se desfez assim que o nome de Jungkook foi mencionado. Estavam há mais de duas semanas sem conversar ou sem se ver, tudo o que Yoongi queria esquecer era seu pai e o namorado de seu amado. 

- Jungkook.. – engoliu seco enquanto fechava os olhos sendo capaz de visualizar o olhar cheio de malícia que o mais jovem lançava sobre si, Jimin e Taehyung – Hobi.. vou ser verdadeiro contigo porque sou seu melhor amigo. O Jungkook não é o ti- 

- Eu sei! – a voz se ergueu no outro lado da linha – Não me lembre.. – o tom era amargurado. 

- Vocês .. terminaram? – perguntou com esperança de ouvir um sim. 

Hoseok ficou mudo. Como poderiam ter terminado se ao menos tinham começado alguma coisa para ser levado a sério? 

- Eu gosto dele e por isso me envolvi, porque sou louco por ele mesmo sabendo que ele é um galinha. Não precisa me lembrar porque todos os dias eu me lembro, Yoongi – quebrou o silêncio – eu só vou terminar se um dia o pegar me traindo, e acho que ele não é tão escroto de fazer isso comigo, ele é inofensivo.

- E por que você – 

- Como te disse antes, eu descobri algo sobre a família dele. – respirou fundo, preparando o  coração até se sentir pronto a adiantar o assunto, mesmo que por telefone - E isso envolve o melhor amigo dele, o Namjoon. O pai dele é um cantor que teve a vida destruída pelo jornal do pai do Jungkook, e a carreira do Namjoon como escritor, que tinha recém iniciada foi por água abaixo também.

O moreno pensou por um tempo até captar a mensagem. 

- Namjoon? O que a família dele tem a ver com.. – o moreno encaixou as peças num estalar de dedos.

Recordou que Namjoon era filho único de um músico, e esse músico foi acusado de estelionato há poucos meses. O jornal que os pais de Jungkook eram donos fez questão de focar no caso por longas semanas, passando uma imagem negativa para o músico. Como se montasse um quebra cabeça, Yoongi relembrou que os Jeon faziam absurdos a pedido do Sr. Min, que sempre precisava desviar a atenção da mídia apenas para fechar negócios importantes com empresas ilícitas.

- Mesmo que seu pai provavelmente esteja envolvido nisso, preciso que você me ajude a resolver esse impasse – Hoseok lançou o pedido com certo medo. 

- Namjoon vai me odiar tanto quando descobrir – suspirou com certa dor – Todo mundo um dia vai me odiar por causa do meu pai. 

- Eu não te odeio. E tenho certeza que seu jardineiro também não.

- Não chame ele de 'seu jardineiro'. Ele não é meu e tem nome. E é Jimin – se irritou. 

- Calma, tá nervoso por quê? 

- Por que você é um otário. 

O moreno aproveitou o silêncio momentâneo pra pensar. Talvez esse fosse o primeiro passo para parar seu próprio pai, ele sabia que a mídia vivia o encobrindo e se fosse capaz de derrubar a mídia manipulada, seria capaz de vencer seu pai manipulador. 

Mas por mais que odiasse Jungkook, o garoto teria problemas caso fosse confirmado que os pais estavam profundamente envolvidos nas conexões do Sr. Min.

- Eu topo. Mas com uma condição. 

Hoseok não se espantou com Yoongi querendo uma condição e apenas aceitou. 

- Tudo menos dinheiro. Você já é milionário.

- Meu pai é milionário. Não eu.

 - É por isso que eu te admiro Yoongi – sorriu sem sequer imaginar no efeito que essa frase causava no moreno - Esse é um belo passo pra você não viver a sombra de seu velho. – firmou a voz – Qual é a condição?

Yoongi suspirou fundo, tornando possível Hoseok ouvir do outro lado da linha. Pensou alguns segundos antes de falar o que queria, pois isso faria Yoongi perder Hoseok de vez e não estava preparado para isso, mas um inocente não deveria ser envolvido no caso, e caso Hoseok se afastasse de Yoongi, ficaria fácil pra que o moreno agisse contra o pai.

- Cuida do pirralho. Os pais dele pode cair na merda por nossa causa.. 

- Eu não posso prometer isso Yoongi. Provavelmente ele nem vai no encontro que pedi amanhã - silenciou-se.

- Hobi.. ao menos continue implicando como vocês sempre implicaram - era difícil para o moreno dizer essas palavras - ele vai precisar de apoio e eu não sou pau de escora de ninguém.

- Ah, e eu sou? - fingiu se magoar - Esperava mais de você Yoongi.

- Cala boca - riu - Se resolvermos tudo, vou te dever minha vida Hobi.

- O que não faço pelo meu melhor amigo, né Yoongi? 

As palavras “melhor amigo” pesou nas costas de Yoongi. Ele sabia que sempre foi isso, a linha tênue da amizade jamais foi ultrapassada já que o moreno nunca deu nenhum sinal de interesse desde o primeiro abraço no amigo secreto. 

E mesmo se desse, caso alguma coisa acontecesse e desse errado, Yoongi perderia a pessoa mais importante de sua vida. Por um momento se sentiu aliviado, contentando-se com suas decisões tomadas e sorriu doloroso, deixando algumas lágrimas rolarem pela pequena marca roxa em seu olho.

Engoliu sua profunda dor com isso foi dado o veredito final: Yoongi desistiria de seus sentimentos por Hoseok e focaria em acabar com o poder de seu pai.

- O que eu não faço pelo meu melhor amigo, né Hobi?


                                         •••


Seu cabelo estava impecável, sabia que arrancaria suspiros apaixonados por onde passar. Olhou mais uma vez e riu da arrumação, não havia motivos para se preparar pra alguém, os outros que precisavam se arrumar para vê-lo.

- Vou ind- pausou assim que percebeu estar só.

Estralou os beiços e bateu a porta com força, trancando com rapidez.

Era oito horas da noite, o encontro com hoseok seria às nove, logo após o concurso de dança que faria questão de não ir.

Foi até a garagem e observou a moto preta ganhada pelo pai, ainda não havia tirado a licença para dirigir mas pouco se importou, pegou a moto e subiu, ligando-a e se agraciando pelo barulho que fazia. 

Estava perfeito, chamativo e galã.

Olhou uma última vez para o celular e sorriu ao ver a mensagem da pessoa que já o esperava. Saiu da garagem e nem a aguardou fechar automaticamente, seguindo em direção a avenida pouco movimentada.

Diminuiu a velocidade ao ver o sinal de fechar e respundou fundo, tinha certeza do que faria mas seu coração estava pesado. Olhou para os lados e reconheceu uma silhueta próximo a um local de distribuição de alimentos para pessoas necessitadas, tentou focar a visão mas não tinha certeza se era realmente quem pensava ser.

Parou de tentar quando ouviu buzinas o acordarem para a vida, virando a esquerda seguindo em direção ao teatro do bairro que Hoseok morava.

Parou a moto quando chegou na praça e a estacionou, colocou o capacete encima do banco e sentou-se, aguardando o encontro mais desejado.

Assim que viu algumas pessoas saírem do teatro, se sentiu feliz, entre as pessoas estava a jovem que havia encontrado dias atrás. Se levantou cortês e foi até a jovem, tomando sua mão e beijando-a logo em seguida. 

A guiou até próximo ao banco da praça e virou o corpo em direção ao portão principal do teatro e conversou pouco com a jovem, a deixando de costas para o teatro, a elogiando sem notar se estava arrumada ou não, afinal pouco se importava. 

Quando finalmente avistou quem queria, iniciou um beijo eufórico, rindo sem pudor durante o beijo, com os olhos abertos e repletos de excitação em direção a Hoseok que ainda não o tinha visto.

Hoseok atravessou a rua e seguiu até a praça, passando pelos dois sem sequer notar, até que a jovem gemeu o nome de Jungkook, que agora beijava seu pescoço.

O dançarino gelou, parando a poucos metros dos dois, desacreditado no que ouvia. Virou o corpo com o coração na mão, os olhos não queria acreditar no que visualizava. 

Jungkook estava o traindo, como Hoseok já imaginava que um dia aconteceria.

Ficou observando os dois sem dar um passo ou fazer um som sequer, até que a jovem sugeriu um motel e Jungkook concordou, sabendo que Hoseok estaria observando.

- Jungkook? – finalmente a coragem de o chamar lhe subiu, junto com a dor, mágoa e ódio.

Jungkook encerrou o beijo e olhou para o rapaz que mantinha os punhos cerrados e os lábios espremidos, impedindo as lágrimas. 

Mesmo com Hoseok quase desabando em sua frente, o mais novo não se compadeceu, para ele tudo naquela noite resultaria no término do relacionamento que mal tinham.

- A gente termina uma outra hora – disse olhando para a jovem que logo entendeu, lançando um sinal de telefone com as mãos para que Jungkook a ligasse.

Obviamente ele nunca mais faria aquilo.

Hoseok apenas se virou, andando sem olhar para trás, seu coração estava apertado e sua visão embaçada. As lágrimas estavam prestes a cair. Ele gostava muito de Jungkook, e se sentiu um idiota por pensar que o sentimento era pelo menos dez por cento recíproco, acreditava do fundo de seu ser que ele não teria coragem de o trair em sua frente.

Naquele momento, toda a sua vontade de ajudar Jungkook foi por água abaixo. Seu coração foi tomado por ódio.

Jungkook seguiu Hoseok com passos silenciosos e as mãos no bolso da frente da calça, achou que o dançarino uma hora pararia para conversar, mas isso não aconteceu desde que começaram a andar. 

- Hey – chamou, sem respostas – Hoseok?

As costas a sua frente pararam, suas mãos foram ao rosto secando as lágrimas que Jungkook não via cair.

- Sabe Jungkook, eu gosto muito de você, ontem ainda falei sobre isso com o Yoongi, o quanto eu gosto de você mesmo sabendo o merda que você é.

- Como ass-

- Ele me perguntou se a gente tinha terminado - interrompeu - e eu disse que só terminaria se um dia te pegasse me traindo porque mesmo sabendo que você me traía, eu achava que você não era tão imbecil a ponto de me deixar ver isso.

Jungkook ficou quieto. Não tinha o que falar apesar de toda a inquietação de seu coração. Hoseok estava certo não havia o que contestar.

- Eu não quero te ver, muleque. 

- Pera aí Hoseok, eu sei que fiz cagada mas não posso ficar sem você. 

- Vai ter que aprender a ficar – Hoseok se virou, fazendo com que Jungkook se espantasse com os as pálpebras inchadas do rapaz. 

Ficou observando os olhos emanarem decepção, sentiu aquela decepção cravejar seu coração e alfinetar sua mente, pregando em seu âmago tudo o que Hoseok lhe dizia a partir dali.

- Eu gostava muito de você, e você sabia disso. Eu me fingia de cego mesmo com tudo o que você fazia na minha frente porque meus sentimentos por si só seriam capazes de manter essa relação. Eu dei tudo de mim a cada instante, te chamei para conversar para que nossa relação se firmasse, porque nós passaremos por coisas que ninguém será capaz de suportar sozinho, mas você – pausou, sentindo as lágrimas caírem novamente.

Jungkook sentiu uma súbita vontade de aparar aquelas lágrimas, mas suas mãos geladas não queriam sair do bolso, então apertou forte um dos fiapos que tinha se perdido por ali.

- Você não tinha direito de fazer o que fez – soluçou, afugentando as lágrimas com as mãos – eu não quero mais te ver Jungkook, saia da minha frente, saia da minha vida, saia do clube de dança e teatro, saia da escola, saia da cidade, só saia – abaixou a cabeça, sem forças para brigar com Jungkook.

- Você sabe que eu não posso fazer is-

- Não me importa – o interrompeu – eu prometi cuidar de você, ser seu ombro amigo, seu pau de escora mas você já não importa mais pra mim, eu não me importo mais com você.

- Do que voc-

- Sai daqui Jungkook.

- Do que você está-

- SAI DAQUI JUNGKOOK! 

O grito ecoou pela rua, fazendo algumas pessoas encararem os dois. O mais novo apenas sussurrou um “te vejo segunda” e virou as costas, voltando para a praça.

Hoseok estava abalado, cansado e profundamente ferido. Seu coração estava ferido.

Pegou o celular no bolso e ficou alguns segundos olhando para a tela, o papel de parede era uma foto de Jungkook no dia em que deram o primeiro beijo, sentiu vontade de quebrar o celular mas pensou imediatamente em Yoongi.

Digitou o número do amigo que prontamente o atendeu.

- Hobi, que maravilha, estava pensando em te – pausou assim que ouviu fungados no outro lado da linha – Hobi, você está chorando?

- Desculpa te ligar desse jeito Yoongi, dessa vez eu que sou o pó mais amargurado da terra. Você pode ser meu aspirado de pó só dessa vez?



Notas Finais


Com esse capítulo damos início a segunda fase de Impasse!

A partir de agora as situações serão mais explicadas e as dificuldades começarão a ser enfrentadas. Os casais também ficarão mais claros e vocês podem ter certeza que eu não tenho culpa de nada tá. Muitos corações se quebrarão nessa fic skdjskdkskdk.

Enfim.

Obrigada por lerem Impasse 💜

seesawendy|thetrouxarmy


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...