História Impasse Ideológico - Capítulo 1


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Categorias Arrow, Supergirl
Personagens Kara Zor-El (Supergirl), Oliver Queen (Arqueiro Verde)
Tags Green Arrow, Kara X Oliver, Kariver, Karoliver, Overgirl, Superarrow
Visualizações 54
Palavras 2.199
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Nudez, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


ei gente que se interessou em ler essa fanfic :D

eu marquei universo alternativo porque se passa em Central City, algumas coisas que precisam saber:
Oliver e Kara são de Central City
Oliver partiu em um cruzeiro na mesma noite em que o acelerador de partículas foi ligado e sofreu o naufrágio
Kara é uma humana e virou meta na explosão do acelerador de partículas
Oliver ainda é o vigilante Green Arrow
Kara assumiu o alter ego de Overgirl, mas sem a parte nazista (nazis? I hate nazis)
O aviso sobre nudez é porque essa fanfic foi uma reciclagem de uma ideia de uma fanfic yaoi, então não teria problema se um dos homens machucassem o peito, e como o peito da Kara aparece aqui e como mamas femininas são consideradas 'nudez' eu marquei, mas não tem nada de hot/hentai/smut :v
O apelido da Kara é só "K"
Duvido que alguém tenha lido todos esses avisos, mas enfim não são realmente tão importantes...
Boa leitura~

Capítulo 1 - Único


Por um segundo Kara pensou realmente estar morta.

Talvez tenha sido o choque de sentir uma mão vibrante perfurando suas costas e atravessando seu peito. Ou talvez tenha sido o fato de ter caído contra o concreto duro, lembrava-se bem do barulho seco que ouviu quando sua cabeça colidiu contra o chão. Ou talvez tenha sido o fato de ter perdido os sentidos aos poucos e aos poucos as vozes dos seus inimigos foram sumindo, mas Kara percebeu que era porque eles realmente estavam indo embora do local onde haviam lutado. Ouviu todo tipo de insulto enquanto estava caída e “sem consciência”. Então, quando tudo estava silencioso de novo e ela estava só, Kara começou a gargalhar.

Era insano. Mas Kara era insana agora. Então ela lembrou-se. Era irônico que ela tivesse um problema congênito que fez seu coração nascer do lado direito. Estupidamente conveniente. Como uma trama costurada por algum escritor. Porém, por mais irônico que fosse, ela realmente estava viva mesmo que a mão do velocista, que não era o escarlate vermelho, tivesse atravessado em suas costas.

Kara podia levantar-se e se esconder em qualquer lugar pra se curar, mas ela pensou naqueles poucos segundos em que ela esteve perto da morte, ela realmente desejou por um segundo apenas ir. Lembrou-se bem de White Canary descrevendo a morte, solidão, foi exatamente o que ela sentiu naqueles falsos derradeiros segundos. E ela soube que era solidão. Não era solitude que ela dizia sentir enquanto estava lutando apenas por diversão contra heróis e vilões de Central City. Apenas vazia. Ela sentou-se e desejou profundamente um abraço. Olhou ao redor, estava tudo vazio como sua alma, como seu coração.

Fez esforço para chorar, limpava a alma chorar, não é mesmo? Mas ela não conseguiu. Estava apenas letárgica e sabia que o choro até viria, mas só depois de algum tempo. Aonde havia ficado aquela garota que chorava por qualquer coisa?

Estava morta, foi o que pensou. Mas sentia-se novamente como Kara Danvers antes da explosão do acelerador de partículas... e aquela garota realmente precisava de Oliver Queen. Kara se pôs de pé, com dificuldade e tateando a parede do prédio. Tinha sido em um beco a luta. Nunca havia tido coragem de se declarar pra ele enquanto eram amigos, mas algumas semanas antes como Overgirl ela jogara Green Arrow contra a parede, literalmente, mas da maneira boa.

Kara sabia que doeria, mas precisava voar até o esconderijo dele. Ficava no cais de Central City, disfarçado entre os trapiches e choupanas velhas, entulho e lixo. Não podia acreditar que Oliver sendo tão rico escolheu construir sua fortaleza com uma faixada como aquela. Era uma casa branca e rachada, o local mesmo era subterrâneo. Era apenas um disfarce. Kara mancou alguns passos pela areia, jogou uma porta fora e adentrou um corredor estreito e escuro, mas não foi problema pra sua visão, ainda que ela estivesse um tanto quanto turva. Havia uma porta forte no fim. Era algo que parecia não pertencer à uma construção velha como aquela. Ela forçou a porta e foi mais fácil do que imaginou quebrar aquela porta que supostamente era inquebrável.

Quando adentrou o local as luzes automaticamente apagaram e ela sentiu algo entrelaçando seu pescoço. Um braço e uma respiração quente contra sua orelha fria. A tepidez da pele dele a causou arrepios.

— O que é isso, Oliver? Sempre que você aparece as luzes apagam, está virando ninja agora?

Ela sentiu a respiração aumentar contra seu pescoço e aperto suavizou.

— Kara... — Oliver finalmente falou e as luzes se acenderam. Ela virou-se para fitá-lo, arqueou uma sobrancelha enquanto olhava a expressão espantada dele. — O que você está fazendo aqui?!

— Eu meio que preciso de ajuda... — ela disse, olhou pra baixo, sua roupa de couro também tinha sido perfurada.

Oliver que tinha olhado nos olhos o tempo todo desceu olhar até seu peito e soltou um ofego ao deparar-se com o machucado.

— Kara, você...! — Ele aproximou-se dela com desespero. — Você precisa de ajuda!

Ela sorriu, pessoas desesperadas eram ridículas e sempre diziam o óbvio. Antes teria gostado daquela preocupação, mas agora só o achava patético, mas ainda gostava dele...

— E é por isso que eu estou aqui, não é? — Kara sorriu.

Sem sequer avisar Oliver a segurou nos seus braços, o que foi uma surpresa e deixou Kara ligeiramente incomodada, não estava mais acostumada a depender dos outros, podia muito bem andar e voar mesmo com uma perfuração no peito, mas depois de uns segundos não conseguiu afastar Oliver. Gostava de estar tão próxima dele. Desceram uma escada. Atravessaram muitos corredores e portas fortes até que finalmente ele a deitou gentilmente contra uma cama. Ele sentou-se ao lado dela.

— Isso é quase um labirinto — Kara disse se referindo ao tanto de corredores que passaram.

— Uma ideia pra despistar os invasores.

A luz estava baixa. O quarto tinha paredes cinzentas, não era uma parede feita com matérias normais, Kara logo viu. Só havia uma cama box encostada contra a parede e um vitral solitário bem no alto. Eles finalmente se olharam. Kara sentiu um arrepio ao fitar os olhos claros do outro. Havia mais cicatrizes e ele havia deixado a barba crescer.

— Você precisa de ajuda. — Ele pôs a mão no braço dela.

— Eu estou aqui — Kara falou.

— Você está com o peito perfurado, como está viva?

— Você esqueceu? — Kara arqueou uma sobrancelha. — Lembra quando eu te disse que meu coração era do outro lado?

— Eu não acreditei em você — Oliver disse e sorriu ligeiramente. — Você disse que um dia ia ter a chance de me provar.

Kara também sorriu, os anos de amizade passando como filme no pensamento. Olhou o couro verde que ele usava agora. Um herói.

— É — ela disse por fim.

— Se você está bem por que está aqui?

— Por que eu preciso da sua ajuda. — Kara sentiu um incômodo instalar-se em sua garganta, pedir ajuda não era algo fácil, era estar vulnerável. Pedir ajuda significava que ela sempre teria uma dívida de gratidão com Oliver.

— Você precisa de cuidados médicos? Eu posso chamar a dr. Caitlin, ela é do Team Flash, é bem discreta e...

— Não! — Kara o interrompeu e se soergueu na cama apoiada nos cotovelos. — Será que você não percebeu que eu só estou aqui por... — parou de falar, naquela posição estava ainda mais próxima de Oliver. — Não quero cuidados médicos, eu posso me curar sozinha, eu só preciso... Só preciso de você, Oliver.

— Oh... — Ele soltou um ofego de surpresa e sorriu levemente quando Kara o fitou com as bochechas extremamente rosadas. Ninguém teria medo dela se a vissem assim. — E eu que era o que tinha dificuldade de compartilhar sentimentos da nossa relação!

— Acho que aprendi com você — Kara falou.

— Devia ter aprendido outras coisas — Oliver disse e tocou em seus ombros a empurrando com gentileza contra os travesseiros. — Já que você está aqui vou cuidar de você, mas depois eu te levo pra prisão de meta humanos.

— Nós dois sabemos que isso não vai acontecer... — Kara sorriu. — Mas se isso te deixa com a consciência mais limpa, tudo bem.

Ficaram outra vez calados, estavam afastados desde a explosão do acelerador de partículas anos antes, mas no último encontro Kara, ou a Overgirl, havia se aproximado demais de Green Arrow, naquela noite não lutaram. Talvez por isso estivessem tão calados.

— Eu gostaria que você jogasse sua roupa de herói fora e deixasse todos esses cidadãos egoístas de Central City. — Kara segurou no ombro de Oliver. — Venha comigo, Oliver.

Overgirl já tentara persuadir Green Arrow com a mesma proposta, mas ele sempre declinava, mas talvez sem seus alter egos. Apenas os amigos de antes. Era um tiro no escuro.

— Por que... por que você se transformou nisso, K? — o vigilante questionou. — O que aconteceu com você?

— Eu não quero falar sobre isso.

— Eu quero te ajudar, K. — Oliver usou o apelido que usava quando eram jovens. — Desde que eu voltei de Lian Yu... Desde que conversamos... Você não me conta o que houve. Tudo que eu sei de você tive que descobrir sozinho.

— Quando eu acordei após a explosão... Você não estava lá! — Kara gritou, finalmente deixando as lágrimas no canto de seus olhos azuis escaparem.

— Talvez porque eu estivesse preso numa ilha! — Oliver respondeu surpreso com aquela acusação repentina, no mesmo tom magoado da loira.

— Você não teria que estar em uma ilha se não tivesse ido naquele Cruzeiro em primeiro lugar! — Kara acusou. — Eu te pedi pra não ir!

Oliver levantou-se bruscamente, andou de um lado para o outro, ouvia o choro controlado de Kara e tinha certeza que ela também podia ouvir o seu.

Ambos nunca foram bons em demonstrar sentimentos, lembrava-se que Kara carregava o mundo nas costas, preferia ajudar um amigo que ser ajudada e Oliver sempre fora muito orgulhoso.

Por fim, o homem deu passos silenciosos e sentou-se novamente na beirada da cama. Olhou nos olhos dela, estavam vermelhos e com indícios de choro, mas agora sua face estava seca e ela havia recuperado aquela expressão séria e impenetrável.

Green Arrow estendeu o braço, pegou uma das mãos da mulher e juntou seus dedos; ela não mostrou nenhuma resistência ao toque, e foi possível ver os pelos ralos de seu braço se arrepiarem.

— K. Você se tornou isso... — Oliver não conseguiu conter o tom de nojo com que falou olhando pro emblema no peito machucado. — Por que eu não estava aqui? Foi só por isso que você virou isso? Você encontrou força na sua pior parte quando eu não estava aqui pra te dar suporte? — Oliver perguntou, sabia que podia soar arrogante ao dizer que ela precisava de seu apoio, mas na sua ótica era exatamente o que parecia, e ela não negou.

— Isso foi um efeito colateral, Ollie. — Kara sorriu, o sorriso de Overgirl. — Eu encontrei minha versão mais poderosa.

— Não... Você sucumbiu ao pior de si mesma, Kara — Oliver disse. — Isso só mostra o quão fraca você é. — Oliver só tomou consciência da crueldade daquela frase após ver a máscara supostamente impenetrável de Kara se quebrar por alguns segundos. Jurou que ela choraria ali mesmo, mas ela não chorou. Não era mesmo a Kara Danvers de antes. Mostrar suas emoções agora era visto como uma fraqueza. — Eu vou pegar curativos e remédios pra você — Oliver disse levantando-se, saiu do quarto sem ter muita certeza se a encontraria quando voltasse.

Antes de ir atrás do que havia prometido trazer, ficou parado perto da porta e pôde ouvir com clareza o choro de Kara Danvers. Mas em vez de consolá-la, rumou pelos corredores e pegou os curativos, analgésicos e um copo com água.

Quando voltou, contrariando suas expectativas, ela continuava lá. Com a máscara de Overgirl novamente.

Oliver depositou o copo na mesa de cabeceira, sentou-se ao lado dela portando bandagens, alguns frascos, uma linha e uma agulha.

— Eu vou ter que cortar sua roupa — Oliver avisou.

— Como se você já não tivesse feito isso antes — Kara deu uma risada, parecia recuperada das palavras duras.

Enquanto Oliver cortava a roupa exatamente no peito esquerdo da mulher, ele sentiu um arrepio ao lembrar-se daquela noite de luta. Kara havia o empurrado contra a parede, sempre havia imaginado um beijo macio e doce, mas Kara havia o tomado com força, sem carinho, apenas algo carnal cheio de desejo.

Oliver afastou as duas partes do tecido recém cortado, ao ver o mamilo surpreendentemente intacto pegou um curativo em formato circular e colou sobre ele. Mesmo com o canto do olho viu o revirar de olhos de Kara com a ação. Mas Oliver realmente precisou fazer aquilo, não podia ignorar a rigidez do mamilo completamente duro.

Como havia feito milhares de vezes em si mesmo, manejou a agulha e costurou a pele dela. Aquilo era apenas um gesto pra mostrar que ainda se importava com a sua melhor amiga, apenas um gesto... A própria Kara havia dito sobre não precisar de curativos e cuidados médicos; mas ela não reclamou durante todo o processo em que costurou a pele do seio, depois costurou a roupa com pontos largos devido a dificuldade de penetrar a ponta da agulha no tecido grosso do couro.

— Você já pode costurar minhas roupas, Ollie! — Overgirl zombou.

Oliver olhou na direção dela, por mais que houvesse todo aquele jogo moral de certo e errado não pôde deixar de sorrir levemente na direção da meta humana que pareceu surpresa por seu comentário cômico ter uma boa recepção.

Oliver pegou o comprimido e ajudou a meta beber a água. Depois se encararam, era um olhar de que não sabiam como seguir a partir dali.

— Vou te perguntar uma última vez, K — Oliver começou. — Você quer se juntar a mim? Deixar essa vida criminosa de lado?

— Não — Kara respondeu imediatamente. — E você, Oliver? Quer ser o Black Arrow ao meu lado?

— Não... — Oliver respondeu também imediatamente. — Acho que chegamos à um impasse ideológico.

— Só... — Kara corou. — Se deite aqui.

Oliver não fez piadas, apagou as luzes e deitou ao lado dela. Sentiu o cabelo perto de seu rosto quando a mulher deitou-se em seu peito. Oliver começou a acariciar os fios loiros. Esperava a encontrar de manhã como havia a encontrado ao voltar pro quarto.

Mas sabia que acordaria sozinho.


Notas Finais


Olá novamente,
Caso tenha gostado e queira comentar, sinta-se totalmente livre (eu não mordo, gente)
Caso tenha se interessado pelo casal, eu tenho outra outra oneshot com este mesmo casal aqui: https://www.spiritfanfiction.com/historia/saias-bregas-e-sueteres-12834282/capitulo1

Cuide bem de você mesmo, você é muito importante <3

Até a próxima!


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