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História Império | Bakugou Katsuki - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Máscaras


P.O.V – HIKARI


Sinto uma claridade um pouco forte em meu rosto e com certa dificuldade abro os olhos. Bocejo me sentando na cama e solto uma risada fraca ao ter a consciência voltando a funcionar.


Sempre tenho as melhores ideias.


Passo os olhos pelo quarto e, sinceramente, eu achava que seria totalmente diferente. Algo mais careta e não algo que até mesmo eu faria no meu quarto. Uma parede de destaque preta, a cama também preta, uma porta aberta que pelo o que eu vejo é o banheiro, um armário embutido na parede e com certeza a enorme estante.


Me levanto e ando até ela. Sinto um incomodo mínimo, mas a noite de ontem simplesmente compensa. Eu nunca tinha visto uma quantidade tão grande de livros e, pela profissão que ele tem, pensei que a maioria seria sobre criminalística ou algum livro idiota de filosofia, mas se surpreendi com o fato dele gostar de Edgar Allan Poe.


Eu faço parte do grupo de pessoas que acreditam que o gosto, não só livros, como até mesmo cores ou personagens, dizem muito sobre elas. Os meus olhos percorrem a estante até acabar encontrando um dos meus livros favoritos, "O corvo" do meu querido Edgar.


- "Tornei-me insano


- Com longos intervalos de uma horrível sanidade"


Viro a cabeça após terminar uma das citações do autor americano e me deparo com a minha dor de cabeça personificada sem camisa e de calça moletom encostado na porta do quarto.


- Desculpa por mexer nas suas coisas.


- Sem problemas – ele solta uma risada fraca – Bem, tem uma toalha e uma escova de dentes no banheiro que você pode usar e se você não se importar de comer a minha comida, eu estou terminando de fazer o café.


- Eu realmente não me importo – falo com um sorriso e o vejo abrir um também.


Ele vira de costas e mordo o meu lábio tentando segurar a risada ao ver as incríveis marcas que as minhas unhas deixaram nas costas dele. Ando até o banheiro e me deparo com a toalha que ele falou com o meu vestido e a minha calcinha.


Escovo os dentes e prendo o meu cabelo em um coque para não molhar e entro no chuveiro colocando os pensamentos no lugar. Pelo o que reparei no caminho até aqui, ele mora até que perto do escritório de Aizawa e tem alguns atalhos que com certeza o Izuku deve conhecer.


Faço uma nota mental para falar com os dois e outra para me lembrar de falar com Iida sobre a questão desse prédio em si.


Termino o banho e me enxugo com a toalha e aproveito para olhar os armários do banheiro, preciso de dicas para saber por onde ele anda. Bufo ao ver que não têm nenhum produto de uma loja específica e respiro fundo colocando a minha roupa.


Saio do banheiro e observo mais atentamente o corredor que era mais um fleche dentro da minha cabeça. Algumas fotos decoram as paredes e uma me chama a atenção já que é uma foto de dois garotinhos e que com certeza eu conheço o de cabelos verdes.


Realmente eu vou ter que conversar com o meu cunhado sobre o passado dele.


No fim do corredor, encontro a sala de estar e a minha bolsa e os meus sapatos estão no mesmo lugar que os deixei ontem. Pego o meu celular, ignorando as mensagens que recebi, e mando a minha localização para Izuku para que ele possa me buscar.


Saio da sala e o encontro sentado em um dos bancos da ilha da cozinha. Me sento ao seu lado e percebo o seu olhar acompanhar cada movimento que eu fazia. Seguro a vontade de revirar os olhos porque eu sei muito bem o que ele está fazendo, ele está me analisando, vendo se eu sou uma ameaça ou não.


Coitado.


Quase deixo uma risada de puro escárnio sair.


Eu tenho tantas máscaras que eu nem sei mais qual é a verdadeira.


Não pensei que com a mínima investida que fiz ontem eu já pararia na cama dele, já tive que fazer muito mais que isso para dormir com certos caras. É quase cômico como um cara de 25 anos pode ser o melhor detetive da polícia, além de ser cotado para ser o próximo chefe da parte de operações especiais.


A ficha dele é impecável, como se ele tivesse nascido pra ser isso.


Como se ele fosse perfeito.


A maior idiotice do mundo.


- Eu não sei o que você gosta, então eu fiz o básico – ele fala apontando para o prato com torradas e ovo mexido.


- Sem problemas. Se lhe serve de consolo, eu gosto.


- Amém – ele fala quase como um sussurro e eu não consigo segurar a risada.


Percebo a vergonha dele e para não piorar a situação eu começo a comer. É engraçado olhar para Katsuki e pensar como ele é estranho. Não no sentido ruim, mas como ele é totalmente diferente do que ele aparenta ser ou pelo menos o que ele mostra.


Todas as vezes que ele aparece em reportagens, fotos, notícias e em pronunciamentos da polícia o rosto dele parece uma rocha, sem expressão e eu nem vou comentar da postura corporal. Porém, ele está completamente relaxado ao meu lado tomando café como se essa fosse uma situação normal.


A vida pessoal dele é um completo mistério, então faço a mínima ideia se ele tem algum relacionamento. Pelo o que Hawks me disse, ele é extremamente focado então talvez uma namorada ou namorado não seja uma opção, mas com certeza ele transa com uma certa regularidade.


Ele sabia muito bem o que ele estava fazendo ontem.


- Se você não se importar, eu posso te dar uma carona – ele fala recolhendo a louça depois que terminamos de comer.


- Não precisa. Um amigo meu vai vir me buscar.


- Então tudo bem.


- Posso usar o seu banheiro de novo?


- Claro.


Com a resposta dele eu me levanto e volto em direção ao quarto. Entro no banheiro e escovo os dentes de novo. Me encaro no espelho, vejo as marcas no pescoço e balanço a cabeça em negação.


Se o plano der errado, pelo menos tive uma transa decente.


Volto para a sala e coloco a bolsa no ombro enquanto checo o meu celular e estranho ao ver que Hawks me mandou mensagem avisando que já estava chegando. Calço os meus sapatos e ando em direção a cozinha.


- Bem, obrigada pela noite e pelo café – falo atraindo a atenção dele para mim.


Ele fecha a torneira da pia e vira em minha direção.


- Eu tenho que agradecer também. Sendo bem sincero você salvou a minha noite.


- Fico lisonjeada com essa informação – um sorriso travesso estampa o meu rosto e ele balança a cabeça.


Ele anda até a porta e eu sigo. Saio do apartamento e aperto o botão do elevador, que não demorou muito a chegar.


- Eu tenho uma coisa para te dizer – falo entrando no elevador – Se quiser repetir, você sabe onde me encontrar.


Dou uma piscadela e a última coisa que vejo antes das portas do elevador fecharem foi um brilho voraz nos olhos vermelho sangue.


(...)


- Admiro a sua coragem por vir me buscar – falo entrando no Audi R8 vermelho de Hawks.


- Eu admiro a sua coragem de estar fazendo isso.


- Touché – falo colocando o cinto de segurança e ele ri enquanto volta a dirigir.


- O Izuku me pediu para te buscar porque ele teve alguns contratempos.


- Ele dormiu na minha casa?


- Você ainda tem dúvidas?


- Não mesmo – solto uma risada fraca – Eu realmente não queria ter essa conversa, mas acho que vou ter que pedir pro Hitoshi parar de arrombar o meu cunhado.


- Eu posso assistir essa conversa?


- É sério, Keigo?


- Obviamente. Imagina a sua irmã mais velha brigar com você por causa das suas transas. Preciso ver uma cena dessas.


- Você é de outra dimensão.


- Nem, eu só tenho senso de humor – ele fala e eu reviro os olhos.


Depois de um tempo, vejo a entrada do condomínio fechado em que moro e deixo os meus ombros relaxarem quando passo pela porta da minha casa.


- Você tomou café? – escuto Hawks me perguntar enquanto subimos as escadas.


- Ele é do tipo de cara que oferece banho e café.


- Ele é perfeito ou o que? – ele pergunta irritado se sentando na minha cama.


- Eu não sei, mas vou fazer questão de conseguir achar uma brecha naquela fachada.


- Fachada?


- Ele é igualzinho a mim, sabe usar máscaras.


- Uma manipuladora e um manipulador – Hawks fala colocando a mão no queixo – Uma combinação e tanto.


- Como se eu fosse deixar ele me manipular – falo irritada entrando no banheiro já sem roupa.


- Não foi isso que eu quis dizer – ele entra no banheiro se sentando na borda de mármore da minha banheira.


- Fale logo então – ligo o chuveiro para finalmente lavar o meu cabelo.


- Vocês dois são manipuladores e qualquer manipulador intencional que se preze sabe o que está fazendo e sabe quando está sendo manipulado. Você vai ter que ser mais cuidadosa do que geralmente é.


- Eu sei – respiro fundo – Já fiz isso antes não vai ser agora que vai dar errado.


(...)


- Desde quando que você está com isso na cabeça? – Izuku me pergunta animado.


- 4 meses. Demorei um pouco para aprimorar as ideias, mas eu tenho que dar crédito ao Iida por ter conseguido a planta do banco.


- Eu só fiz o meu trabalho – o hacker fala arrumando os óculos.


- Um excelente trabalho – falo com um sorriso – Bem, quero fazer isso daqui duas semanas e sendo mais específica na quinta feira.


- Por que quinta? – Momo me pergunta enquanto olha o mapa da cidade.


- Talvez teremos um convidado especial aqui na sexta ou no sábado.


- Você é sádica – Jirou fala balançando a cabeça em negação me fazendo rir.


- Qual é a graça se eu não posso brincar com a sanidade das pessoas?


- Você realmente quer o destruir de dentro pra fora – Hawks fala e eu me ajeito no seu colo passando as unhas pela sua nuca.


- Ele praticamente me caça a seis anos. Está na hora da presa virar caçadora, não acham?


- É assim que se faz chefe! – Denki exclama animado e todos riem comigo.


- Nós vamos usar esse dinheiro pra que? – Aizawa pergunta tirando um maço de cigarro do paletó.


- Vamos usar para comprar mais armas e vamos usar a abertura da LUX para lavá-lo e podermos melhorar nossas estruturas.


- Você realmente pensou em tudo.


- Não seria eu se não fizesse isso. Hawks, você pode guardar as coisas pra mim? – pergunto me levantando e deixando um selinho em seus lábios.


- Posso sim.


- Pessoal, terminem de arrumar a boate para hoje à noite. Aizawa e Izuku vocês vem comigo.


Todos assentem e vão para suas respectivas áreas de trabalho enquanto eu, Aizawa e Izuku subimos até o telhado de laje da ENVY.


- O que você quer conversar, Hikari? – o mais velho me pergunta.


- Primeiro, eu quero um cigarro. Não fumei hoje e isso já tá me estressando.


Sinto o meu corpo relaxar ao tragar e sentir a fumaça dentro dos meus pulmões. Os outros dois também me acompanham e ficamos em silêncio vendo as luzes da cidade começarem a acender por causa da noite que se aproxima.


- Ele mora perto do seu escritório – falo olhando para Aizawa.


- Aquele prédio novo?


- O próprio.


- Isso é bom porque dá pra ir por lá pela saída leste – Izuku fala com a mão no queixo.


- Por isso que eu vim falar com vocês. Tem uma grande possibilidade da minha pessoa começar a passar uma leve quantidade de tempo lá, então preciso que os dois fiquem atentos.


- Isso é tranquilo, mas por que eu sinto que tem algo na sua cabeça? – meu cunhado pergunta e encaro o céu tragando mais uma vez.


- O prédio tem porteiro e as portas são desbloqueadas por ele, por senha ou biometria.


- A senha e a biometria é algo fácil de resolver já que temos o Iida e a Momo, mas o porteiro realmente é um empecilho.


- Exato. Eu vou ter que adquirir a confiança dele de alguma forma ou entrar na lista de pessoas autorizadas a subir.


- Isso você consegue fácil, pirralha – Aizawa se pronuncia chamando a minha atenção – Você tem essa coroa a anos, não vai ser agora que você vai perder o trono.


O moreno se afasta e vai em direção a porta que leva as escadas para voltar para dentro da boate.


- Ele pode não falar muito, mas ele gosta de você. Ele consegue passar mais tempo com a família por causa do jeito que as coisas funcionam agora com você no comando.


- Nem me lembre de como as coisas eram antigamente.


- Eu só sinto falta de uma coisa antigamente – encaro o mais alto com as sobrancelhas franzidas – Eu e você nas operações.


- A gente era uma dupla surreal – falo com nostalgia.


- Espero de verdade que nós possamos trazer pelo menos essa parte de volta.


- Não se preocupe. Tem algumas pessoas na lista que eu mesma quero riscá-las.


- Não aumente as minhas expectativas – ele fala passando os braços pelos meus ombros.


- Só me aguarde, cunhadinho.



Notas Finais


Oi gente! Como vocês estão?

O capítulo de hoje foi um pouco de tudo kkkk, mas posso garantir que no próximo nós vamos ter nossa incrível Anjo da Morte em ação 👀

Espero que tenham gostado!

Até a próxima! ❤️


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