História Império das Trevas - Capítulo 27


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Categorias Naruto
Personagens Hinata Hyuuga, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Elfos, Época, Fadas, Hinata, Lobos, Lua, Naruto, Reinado, Romance, Romance De Época, Sasuhina, Sasuke, Uchihas, Vampiro
Visualizações 206
Palavras 4.027
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Hentai, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 27 - Sibilar


Achei que tivesse selado a intimidade que tinha com Hinata, no momento em que fizemos sexo pela segunda vez, e eu não poderia estar mais errado.

Ali, deitado ao lado dela, vendo-a dormir tranquilamente, percebi o quanto aquela ação era íntima, íntima demais, não de um jeito ruim, na verdade, era reconfortante. Sua respiração lenta e tranquila alimentavam uma paz em mim que eu não era capaz de encontrar em nenhum outro lugar.

Já tinha observado seu rosto em várias ocasiões diferentes, analisado cada marca de expressão em torno de seus olhos, e sem dúvida, apreciado com exatidão a curva perfeita de seu nariz minúsculo. Entretanto, ali, tão serena, aquilo era tudo novo.

Uma fresta de luz vazava pela cortina de meu quarto e tocava-lhe os cabelos negros. Seus cílios longos eram impedidos de tocar sua face por poucos centímetros. E quase que imperceptível se não visto de tão perto, fui capaz de notar pequenas, e quase invisíveis, é importante inferir, sardas em suas bochechas rosadas.

Ela soltou o ar, e mecheu o globo ocular ainda com as pálpebras fechadas. Em um bocejo curto, abriu a boca e depois voltou a fecha-la numa espécie de câmera lenta hipnotizante. Até que a fenda entre suas pálpebras se abrissem timidamente sem foco.

- Bom dia - sussurrei.

- Bom... dia? - arregalou os olhos - que horas acha que é? 9:00? 10:00?

- Umas 7:00 - disse preguiçosamente, fingindo não babar minutos antes por sua beleza descomunal enquanto ela simplesmente dormia.

- Graças a Deus - começou a se levantar, sentando na cama - minha família só acorda depois das 9:00.

- Então volte já aqui - a puxei para perto de mim com certa relutância vindo da parte dela.

- Preciso ir. - ela disse como quem lamenta.

- Para o caos que existe além daquela porta? - apontei para a saída. - Por favor, fique mais um pouco.

- Eu fiquei mas um pouco e acabei dormindo com você - resmungou mas logo voltou a se deitar. 

Estiquei meu braço sobre ela e a puxei até mim. Deixando-a por cima. Seu corpo nu, no meu corpo nu. Uma combinação erroneamente incendiária.

- Alguém pode nos ver juntos.

- Não pretendo esperar mais que um mês para casar com você.

- O que? - me olhou surpresa, com a bochechas levemente coradas.

- Me casarei com você. Consegui, a benção do rei.

- Seu pai?

- Sim - disse engolindo em seco.

- Tem certeza? - me olhou com os olhos semicerrados, parecia não acreditar e eu não a julgava, tinha dado motivos a ela a respeito do quão aquilo era impossível. 

E tenho que admitir, nem mesmo eu acreditava que poderia me casar com Hinata. Todavia, lancei-lhe um olhar que confirmava a certeza daquilo, e ela pareceu se convencer.

- Certo. Entretanto, ainda não tem a benção de Neji.

- O Hyuuga?

- Quem mais seria?

- Se eu consegui a benção de meu pai - quase engasguei para falar aquelas palavras cortantes - certamente, não será tão impossível conseguir a do seu primo.

- Claro - bufou, do jeito que as mulheres fazem quando não se permitem revirar os olhos.

- Deveria tomar alguma precaução?

- Tenha um seguro médico para recolar a cabeça ao corpo, se necessário.

Aquilo me fez rir. Não achava Neji um homem tão assustador, mas não era alguém que subestimaria, principalmente no que se trata de Hinata, quando ele anteriormente já havia socado meu rosto. 

É, talvez ele fosse capaz de arrancar minha cabeça, se, somente se, descobrisse que eu venho dormido com sua prima bem embaixo de seu nariz, e eu não pretendia que isso acontecesse.

Sorri com a ideia, de vê-lo tentando costurar minha cabeça ao corpo, minutos depois. Arrependido talvez, de não ter forçado o casamento antes de me matar para que a honra de Hinata não fosse arruinada.

- No que está pensando? - ela me olhava curiosa.

- Nada que possa lhe agradar - sorri maldosamente.

Revirou os olhos de fato. Aqueles belos e inconfundíveis olhos prateados. Tinha algo místico ali, algo que me atraia e acima de tudo, algo que me consolava.

- Sabe, ontem, você não perguntou o que era aquilo, foi a única entre todos, que não perguntou o que aconteceu comigo. Porque?

Toda suavidade de seu rosto sumiu em um estalo.

- Eu... não era você.

- O que?

- Você, não sei explicar o que vi, só sei que aquilo não era você.

E se fosse? Ela estava certa, eu não fazia idéia do que estava fazendo, não tinha domínio sobre meu próprio corpo. E não fazia idéia do que já tinha feito se Naruto não tivesse me contado. Mas aquela raiva, todo aquele ódio que senti, aquilo era eu.

- Fugako não é meu pai.

Ela ficou calada, e ficamos em um silêncio desconfortável por alguns minutos. Seus olhos desfocados me faziam acreditar que ela estava na verdade, processando a informação que desleixadamente soltei em sua cabeça. 

- Como...

- Eu sei. - não a deixei concluir - eu apenas sei. E ele confirmou. Talvez meu pai seja uma fada.

Hinata riu.

- O que?

- Você acha que é o híbrido de uma fada com um vampiro?

- Porque não?

- Você já viu algum híbrido de fada com vampiro?

- Minha raça é um pouco exigente, normalmente só se relaciona com a própria espécie, acho que não existem muitos.... por........ aí... - soltei quando ela furiosamente apoiou os cotovelos em meu peito para me encarar melhor.

- A "sua raça" - deu ênfase as duas últimas palavras - é cheia de ladrões e estupradores. 

Engoli em seco.

- Claro que existe híbridos de fadas e vampiros, mas você não sabe porque estão mortos.

- Porque?

- Quando duas raças se misturam há três opções - levantou os três dedos da mão direita e foi abaixando um por um a medida que citava as opções - primeira, o filho nasce puramente da espécie da mãe. Segunda, o filho nasce puramente da espécie do pai. E terceira, e irrefutavelmente rara, o filho nasce com elos das duas espécies, com um elo mais forte do que outro.

- O que?

- Se misturarmos uma sereia com uma fada, e a descendência seguir a regra da terceira opção, a criança pode entrar na água e não transformar as pernas em caudas mas ser uma excelente nadadora com asas. Ou, não ter asas, e ter um contato vitalício com a natureza e ir para água com a certeza do surgimento da cauda.

- Talvez haja uma quarta opção, e eu esteja nela.

- Aí é que tá. Quando um vampiro se mistura com uma fada por exemplo, a terceira opção não é válida. Porque quando a criança nasce, ela se desenvolve tanto com presas, quanto com asas. Porém raquítica e doente. Asas quebradas e deformadas e presas retorcidas que a impedem de se alimentar, no máximo, sobrevivem até os 10 meses de vida.

- Tem que haver outra opção.

- Sua asas, elas.... não eram feitas... não eram de fadas.

- Então tem que ter outra opção.

- Eu... - gaguejou - eu não sei, Sasuke. - e naquela frase havia algo além da afirmação de alguém que não tem informação nenhuma, ali estava um pedido de desculpas.

Passei a mão em seu rosto e coloquei uma mecha de seu cabelo atrás da orelha, fazendo sua franjinha despencar em sua testa.

- Só não me deixe, eu nem sei o que eu sou. Talvez um monstro...

Ela tampou minha boca com um dedo.

- Eu não vou te deixar.

Estava prestes a beija-la, até que alguém bateu na porta do quarto e entrou. Hinata ficou paralisada, a cobri rapidamente da cabeça aos pés com um lençol grosso que nos protegeu do frio durante a noite.

Ela estava em cima de mim e eu tentei ao máximo, me manter calmo.

- Mi...mi...milorde - era a camareira

A mulher estava como um tomate, tentando consideravelmente olhar-me nos olhos, quando era traída pela própria curiosidade para Hinata, que no instante que ouviu que estava fora de perigo, riu arduamente, tentando achar uma posição favorável o suficiente, para continuar escondida em cima de mim. 

E por Deus, pude senti todo seu corpo em movimento. Seus seios se enrroscavam no meu abdômen, e meu membro era massageado pelo ventre dela.

- O que... que deseja? - perguntei ainda com serenidade, visto que a mulher estava tão perplexa que havia ficado plantada ali de frente a nós, com uma bandeja levantada e um "Oh" formado na boca.

- O que?

- O que deseja?

- Um bilhete senhor, um... um bilhete do seu irmão. - colocou o papel sobre uma mesinha e escondeu o corpo com a bandeja enquanto a abraçava. - Desculpa incomodar, senhor. - saiu depressa, com reverências desproporcionais e atrapalhadas.

Soltei o sorriso e descobri Hinata.

- Meu Deus, em alguns minutos, toda a criadagem vai saber. - Sentou sobre minhas coxas, com o cabelo assanhado e levemente corada - devo estar louca por rir assim do perigo...

- Por Deus mulher, venha aqui. - a puxei e beijei-a com certo desespero. 

Estava excitado e tudo que eu queria era ela de novo, e mais uma vez, e outra vez e depois, e depois do depois até dizer basta por cansar e rir da própria mentira só para começar a fazer sexo com ela com mais humor.

Puxei-a pelo quadril e a colei no meu corpo. E entre os beijos, ela riu. Apropriando para si, mais centímetros do meu coração.

- Eu tenho que ir, Sasuke.

- Sério? - a olhei decepcionado.

- Sério.

Ela pegou minhas mãos e as colocou na cama enquanto selava um beijo na minha testa e saia de cima de mim.

Levantei as pernas e apoiei o cotovelo no joelho, mordendo a ponta do dedo, enquanto a observava se levantar com um amontoado de lençóis a fim de cobrir o corpo. Ela foi até onde seu vestido pairava desde ontem a noite.

Deixou o lençol cair e começou a vesti-lo. A borda do cetim ficou congestionada em seu quadril, graças a sua bunda, que.... era linda. Desviei o olhar para a mesa onde a criada deixara o bilhete de Itachi. Se eu continuasse a encarando, não teria forças para deixá-la ir e certamente, antes do fim da tarde, perderia minha cabeça pelas mãos de Neji.

Decidi então que tinha que levantar. Eu precisava. Precisava enfrentar o inferno que havia se articulado fora do quarto que eu me alojara. Não podia mais fugir. 

Peguei um robe e fui até a mesa. O bilhete era claro e direto. Não esperava algo além daquilo, vindo meu irmão.


O velório será as 16:00. Compareça.
I. Uchiha


Então tinha acontecido. Enquanto eu tinha uma das melhores noites da minha vida, Fugako Uchiha, morrera.

Quando me dei conta, Hinata estava na porta, me olhando atentamente.

- Por favor, vá ao velório também. - pedi entregando-lhe o bilhete e saindo para o banheiro.

Lavei o rosto. E fiquei encarando meu reflexo como se não reconhecesse a figura ali formada. Eu sempre fazia isso, mas a sensação de me ver ali nunca tinha sido tão obscura. Eu não pude reconhecer nada em mim, nada mesmo...

Vesti um dos meus melhores ternos, e quando voltei ao quarto, Hinata não estava mais lá. O que de certo fato, não me surpreendeu na totalidade da ação, mas a nostalgia do quarto e a mais recente falta que eu sentia de sua presença ali, era surpreendente.

As horas se passaram depressa. E o dia cinzento que assolou os pátios de Blackwood foi condecendente com o velório de um rei. Havia muita gente. Muitos vampiros, dos lugares mais variados possíveis. Muitos, eu não fazia ideia da existência.

A cerimônia era enorme e o papa da noite foi convocado para celebra-la.

Fugako de longe era um homem amado, mas não podia se negar, que ele era respeitado.

No mesmo pátio, Minato e Kushina seriam enterrados, assim como Karin, ainda que em uma ala mais baixa. Tudo graças a proximidade que tinham com a família real. De modo que, a quantidade de lobisomens presentes, também era absurda.

Todos cabisbaixos. Todos melancólicos. E como se não bastasse, os céus se romperam em uma neblina que machucava a face pela força dos pingos. Itachi estava a frente com minha mãe, que iniciava seu luto com uma veste preta que caracterizava a viuvez. 

Abri um guarda-chuva preto, disposto ao lado da mesa de chá e corri para cobri-la ainda que os pingos me atingissem.

Os convidados, correram para abrir os seus. E aqueles que não traziam proteção pela falta de aviso de mães e esposas precavidas em relação ao tempo, pegavam uma proteção na tenda de chá.

Com o canto do olho vi Hinata e sua família, com exceção da mais nova, se alocarem próximos de nós. Não era fácil para outras espécies irem a uma cerimônia vampírica sabendo que estariam cercados deles.

Hinata usava um vestido cinza, que nem de longe apagava sua beleza, e tinha uma sombrinha de ombro preto que a protegia da chuva, assim como Tenten, sua quase que cunhada.

Também vi membros dos Nara e dos Yamanaka. E claro, toda a guarda real e civil. Todos se despedindo de algum modo do tirano, do rei, do imperador, do meu pai.

Engoli em seco várias vezes enquanto a cerimônia se prosseguia. O que era aquilo que eu sentia? Aquilo que eu tentava esconder até mesmo de mim? Uma dor. Uma dor que me angustiava. Alguém tirara meu pai de mim. O único que tive, apesar de tudo. Alguém estava rindo quando fomos massacrados. Alguém se sentiu vitorioso quando Kushina se engasgava no próprio sangue, e quando Minato tentava salvar o filho sendo morto covardemente.

E os vampiros, os legados, tudo aquilo que o reinado do meu pai protegia, não estavam dando a mínima para isso. Vampiros que iam nos visitar por cordialidades. Um clã que estava ali, mas não presente. Homens e mulheres com presas que gargalhavam ao longe perto da mesa de chá, se empantufando com mini sanduíches de peru sem se quer se dar conta da guerra que se alastrava com os outros povos. Porque assim que aquele velório acabasse, todos iriam embora para seus castelos murados.

E lá estávamos, aqueles que viram o massacre com os próprios olhos, aqueles que não subestimariam seus inimigos, chorando a perda de um líder falso. Ou chorando a derrota. A derrota de uma batalha. Não de uma guerra.

Entreguei o guarda chuva a Itachi e beijei a testa de minha mãe. 

- Preciso ir - anunciei aos dois quase que gritando, para que pudessem me escutar apesar do barulho da chuva.

- Sasuke! - minha mãe chamou.

- Ei, espere. Fique. - era Itachi.

- Preciso ir.

E fui. Em menos de segundos estava de frente a cela onde Kabuto tinha sido preso. No antigo calabouço medieval do castelo Blackwood. Havia guardas cercando a porta de onde o homem estava confinado. 

- Senhor? - um deles soltou em tom de um interrogatório, certamente, surpreso por me ver ali - Não... não é permitido visitas a ele...

- Saia da frente. - disse com as presas a mostra, com os olhos firmes nos dele até que o homenzinho obedeceu.

Tirei o paletó e entreguei ao guarda com força desmedida, forçando-o a dar alguns passos para trás. Um outro homem, olhou para o primeiro como se pergutasse "Devo permitir que ele passe?". O fuzilei com os olhos. Então finalmente ele abriu aquela maldita porta.

Levantei as mangas de minha camisa e entrei no lugar onde Kabuto estava acorrentado, nos pés e nas mãos. Sentado no chão como um mendigo. Ninguém conseguiria acreditar, vendo-o assim, que ele anteriormente, teria sido o principal servo do duque Uchiha, do segundo filho, por assim dizer, do rei.

Assim que me viu, se levantou com pressa...

- Milorde... - resmungou

Antes de voltar ao chão outra vez pelo murro que eu deferir em seu queixo fino. Puxei-o pelo colarinho para que ele voltasse a ficar de pé. Provavelmente o soco quebrara alguns de seus dentes, isso explicava a quantidade de sangue que escorria de sua boca.

O ergui com uma única mão, e com a outra fechei o punho e o esmurrei no olho soltando-o de uma vez.

- Como ousa? - estava perdendo o controle, notoriamente - como ousa levantar uma arma para minha mãe? - proferir gritando

Ele estava no chão, se arrastando para longe de mim. Não, não. Se arrastava para as grandes, para tentar ficar de pé. 

Gotas de sangue caiam no chão a medida que ia se erguendo, de costas para mim. Suas costas subiam e desciam em uma respiração cansada até que ele cuspiu um dente com uma baba vermelha. E minha suspeita de tê-lo quebrado, se confirmou.

Depois disso, suas costas subiam e desciam mais rápido. Segurou-se com uma mão na grade e a outra apoiou na barriga. Ele estava rindo! O idiota estava rindo! 

- Então quer mesmo morrer. - não foi uma pergunta. 

E quando eu estava prestes a espanca-lo de novo....

- Você está vivo. - foi direto. 

E aquilo fez minha mão parar no ar. 

- Está vivo! - entonou a voz. Aquilo não era uma simples afirmação, era a constatação de uma ideia oculta a mim.

Aos poucous abaixei a mão, ficando imóvel diante dele. Kabuto se virou lentamente.

- Você sabe não é?

- Do que está falando?

- Sabe que não é filho do rei.

Engoli em seco.

- Cale a boca! - rugi.

Ele esboçou um sorriso irônico que eu teria o enorme prazer de  destruir com outro murro, mas ao invés disso, continuei parado.

- Eu confiei em você. E todo esse tempo fazia parte disso. Dessa junta de terroristas liderada por um assassino...

- Liderada por seu pai. - não me deixou concluir a última palavra, sobrepondo sua voz a minha.

Engoli em seco.

- Mestre - suplicou minha atenção, se ajoelhou com dificuldade e ergueu as mãos em uma posição de clamor - seu pai vai ficar incrivelmente satisfeito por seu renascimento. Finalmente - riu, se engasgando com o próprio sangue - finalmente, ele poderá reinar.

- O meu pai está morto.

Kabuto piscou, como quem não acredita no que eu acabara de falar. O que esperava afinal?

- Você será enforcado amanhã. - disse com o sangue petrificado, sem se quer conseguir me mover - mas não antes de Danzou lhe torturar para obter mais informações a respeito do "líder" da Nuvem vermelha.

Quanto a isso Kabuto não revelou espanto. Estava sereno a respeito do seu destino, quando pronunciou solenemente.

- E você? - fez uma longa pausa e quando percebeu que eu não estava interessado em falar, continuou - não quer mais informações a respeito de seu pai?

Quero! Era isso que eu queria responder! Entretanto, o medo me consumiu. Estava de fato, apavorado. Eu era filho de um assassino?

- Em quanto posso acreditar em suas palavras? - perguntei.

- Eu nunca mentiria sobre ele ou para você milorde.

- Você mentiu, traidor.

- Eu ocultei a verdade, senhor. Mentir para o cobra ou sua descendência, jamais.

- O que ele quer?

Kabuto riu.

- O fim dos vampiros, o trono, você. É isso o que o lorde Orochimaru quer.

Orochimaru. Aquele era seu nome. 

- Você poderia ter sido muita coisa, Kabuto. Acredite, não me contentarei ao assisti-lo na forca amanhã.

- Obrigada, milorde. - estava com a cabeça baixa quando sai dali. Rendido, aceitara o destino. - o seu pai virá. - gritou quando a porta de sua cela bateu. - muito em breve. Ele virá! 

Apenas caminhei, saindo dali como um mísero mortal. Lentamente. Eu precisava falar com minha mãe. Ela... como ela pode? Quando seria a porra do momento certo depois daquilo?

- Milorde? - uma voz familiar me chamou. 

Eu já estava no salão principal do castelo quando notei. Virei e vi Lee, com o cenho franzido atrás de mim. Parecia preocupado.

- Sim?

- Eu... eu procurei o senhor, mas supus que estivesse no velório.... então, então eu desisti, mas aí fui para uma reunião secreta com o mestre Danzou e agora quando voltei encontrei o senhor...

- Lee! - o interrompi, ele estava protelando.

- Senhor?

- Você me encontrou.

- Sim... aah sim - ele sorriu de um jeito robótico e se aproximou a ponto de me fazer recuar. - a gente pode ir para um lugar reservado?

Olhei para sua expressão rígida e concordei.

- O jardim.

Quando chegamos lá, ele começou:

- O general Danzou checou todas as cavernas de mercúrio. Todas estão seladas. - pausou, e como eu continuei calado, ele prosseguiu - a balas não foram forjadas. Foram criadas. Magia.

O livro negro. Nem mesmo os maiores druidas eram capazes de produzir minério. Não sei o maior livro de feitiços já criado. Livro este que estava guardado a sete chaves nas terras da areia. Ou pelo menos, deveria estar.

- Entendo. Isso deve ser reportado a Itachi...

- Danzou descobriu sobre o tiro que o senhor levou. - continuou com cautela - todas, TODAS, as balas usadas foram de mercúrio, exceto a do senhor.

Engoli em seco.

- Ele reuniu um grupo secreto para investigar o senhor, especificamente. Ele quer incrimina-lo.

- Merda.

- E todos que estavam com o senhor na noite dos terroristas, serão condenados a forca caso ele lhe considere culpado.

- Não sou.

- Como...

- Não acha que sou, não é?

- Não. De fato não faz sentido ser a única vítima de sorte... - começou a andar em círculos - mas não acho que seja um terrorista.

- Obrigada por me contar.

- Pela minha família, senhor.

- Eu sei.

- Tome cuidado, milorde.

Acenei em afirmativo e Lee bateu continência antes de sair. Me deixando sozinho no jardim coberto de Itachi.

O teto de vidro nos cobriu totalmente da chuva. Aquilo era uma grande estufa para ser sincero. Tirei os sapatos e deixei meus pés se acomodarem na grama. Eu estava farto, preso, me sentindo sufocado.

Então petrifiquei. Estava assustado demais. 

As solas de meus pés sentiam coscas. Era como música. Olhei ao redor, em todos os ângulos, e constatei estar sozinho.

Mas a grama, ela tocava. Não uma música alegre e doce como a que vibrou no ar quando encontrei Hinata no jardim, mas uma música tenebrosa e solitária, como hinos da igreja da noite. Em notas mórbidas e gélidas.

"Somos fadas milorde, a natureza reconhece nossa natureza. E ela nos sauda."

As palavras de Hinata sooram em minha mente, e fez minha espinha gelar.

- O que eu sou? - sussurrei para mim mesmo.

Então a música parou. A grama parou de mexer. Eu estava sentindo coisas, aquilo não fazia sentido. Foi muita emoção para um dia só, certamente.

Peguei as botas no chão e comecei a sair. A grama chacoalhou de novo. Mais forte, mais alto. O som. O som do sibilo de uma cobra. Ensurdecedor. Cai de bunda e comecei a calçar a bota em desespero. Primeiro um pé. Depois....depois.... a palma da minha mão encostou na grama.

Minha cabeça estava prestes a explodir com aquele som. Me arrastei para fora da estufa deixando a outra bota onde estava. E quando consegui entrar no castelo. O silêncio.

Estava ofegante. Cai de costas no piso de madeira e agradeci por estar ali.

- Merda - suspirei.

Quando virei a cabeça um pouco para o lado, ainda deitado no chão a figura que me olhava boquiaberta me deixou sem fôlego.

Ela estava agachada. Com uma das mãos sem a luva tocando a grama do lado de fora da estufa. A outra mão enluvada segurava um pãozinho de goiaba que começava a escorrer de sua mão.

- Hanabi... - sussurrei sem fôlego ficando sentado o mais rápido que pude.

Ela não hesitou, estava paralisada, sem dar um pio, sem piscar. O que era ainda mais assustador.

- O que...o que você é? - indagou finalmente, colocando o pão que carregava todo na boca.

Não foi ela. Aquela manifestação da natureza, não foi ela. Foi eu. Eu! Maldição! Eu não sabia a resposta. Não sabia como ou o que responder.




Notas Finais


Papa da noite: O vampiro ancestral mais velho era nomeado papa. Depois do rei, era a figura mais poderosa do Império.

Ia postar o capítulo segunda, mas reli e gostei de como ficouuu, então já deu para postar hoje. Espero que gostem tam dam! ❤️🐍
Próximo capítulo sábado 16/11/19


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