História Império Persa - Capítulo 17


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Notas do Autor


Ooooie eu sei que eu demorei 2 fuck anos para regressar e vocês provavelmente querem me matar.
Compreensível na verdade, uma vez que nunca anunciei nada sobre um retorno.
Enfim esse capítulo foi um pouco complicado e complexo porque ele marca os prelúdios dos acontecimentos que marcam a reta final da história.

Chega de papo e bora para mais um capítulo.

Capítulo 17 - Nascimento


Província de Susã, território Persa. 


Sete luas se passaram e era tempo da jovem espartana conceber, agora faltava muito pouco e nobres de todo mundo viriam homenagear o mais novo herdeiro, no entanto, os ânimos da princesa estavam em frangalhos, vosso esposo teve que ir em campanha para o Oeste e ela temia por sua vida, no entanto, Juushirou precisou ficar, sua saúde não era a das melhores, muitos eram os boatos de que ele algum dia sucumbiria à morte.


Para a jovem espartana as caminhadas pelo jardim eram o único momento do dia em que podia de fato respirar um pouco, estava ficando zonza e quase saturada de todo aquele mimo desnecessário, ela estava grávida e não moribunda. Podia muita bem lidar com os seus afazeres sozinha!


Quando a noite chegou, Nanao foi em direção ao seus aposentos, estava tão esgotada e inchada que, tudo o que ela de fato precisava era de um bom banho e uma noite de descanso. No entanto, parecia que os deuses resolveram jogar as suas moedas em uma aposta um tanto que cômica, é que a princesa havia de fato se esquecido que vosso esposo regressaria ao findar da semana, ou seja, naquele mesmo dia, então quando ela entrou nos vossos aposentos lendo um pergaminho, não notou o vosso senhor sentado no leito e a olhando com um interesse genuíno, ela não devia estar de repouso?


Nanao ergueu seus olhos em direção a janela e avistou o enorme falcão de vosso marido comendo um roedor, ela estranhou um pouco, Shunsui havia levado a ave consigo, então ela não deveria estar ali? A ave em questão piou alto e claro fazendo a jovem suspirar e se aproximar, ela sempre teve jeito com os animais, acariciou a cabeça do belo animal enquanto olhava para o céu sem lua, mas repleto de estrelas.


-Sentes falta dele? Eu também sinto...


-Quer dizer que sentiste a minha falta?


Nanao assustada se virou com a mão sobre o peito enquanto olhava para o vosso esposo e agradeceu aos deuses por ele estar vivo. Shunsui se aproximou de sua tão amada esposa e a abraçou, antes de lhe dar um beijo na testa, acariciou a barriga de sua senhora, faltava muito pouco agora.


-Quando retornou? E como ninguém me contou?


-Regressei esta tarde e ninguém lhe achava, onde esteve?


-Tentando ter um pouco de privacidade, algo deveras complicado quando se tem tantos servos.


-Como se sentes?


-Deveras cansada e com algumas dores, no entanto, és algo esperado. Foste ver vosso irmão?


-Acabei de vir dos aposentos dele, ele está melhor.


-Ele é forte, irá se recuperar como em tantas outras vezes.


-Assim espero minha senhora... Assim espero... - conduzindo a vossa esposa até o leito, o guerreiro a depositou sobre a cama e com suavidade afastou as melanas cor de ébano da face alva. -Vás descansar, tiveste um dia mui agitado e sem desculpas, irei ter com o meu cunhado e logo retorno.


-Sendo assim, boas noites meu senhor...


Nanao se acomodou melhor em sua cama e fechou os olhos, como necessitava de uma boa noite de sono, ser mãe era algo deveras cansativo, ainda mais com tantos assuntos para serem resolvidos. Shunsui se certificou que Nanao não mais acordaria e foi ter com Kenpachi e outros soldados sobre alguns problemas a serem resolvidos dentro do reino, com a ausência de Juushirou, era natural que os assuntos dobrassem e mesmo vossa esposa tendo ajudado, ainda tinham inúmeras coisas para serem feitas.


[…]


Nanao despertou no meio da noite com dores fortes e vosso esposo não havia regressado, e o pior, não tinha as vossas servas naquele momento tão delicado. Hinamori estava com os filhos de vossos cunhados, Rangiku estava no harém e Mei deveria estar cuidando de Jade.


A jovem princesa saiu cambaleante de seus aposentos, precisava encontrar alguma serva de confiança e rápido, o líquido da bolsa que havia estourado enquanto dormia e agora com as contrações começaram a ficar mais intensas e o seu vestido de dormir estava com manchas de sangue. 


Ela seguiu o som das vozes masculinas e sem pedir permissão aos guardas, abriu as imensas portas de carvalho chamando a atenção do conselho de guerra inclusive do Imperador e de seu próprio esposo, um grito estridente saiu de seus lábios e a princesa foi ao chão com a mão sobre o ventre. Guardas, conselheiros, o imperador, Shunsui e os diplomatas foram ao encontro da jovem que mordia os lábios para evitar outro grito. 


-Nanao o quê houve?! 


Vendo que a esposa não respondia, Shunsui a pegou nos braços e a ergueu, vendo então o estado das vestes, deu apenas uma ordem, que chamassem as damas da princesa. Ele a levou de volta até os aposentos e a colocou sobre o leito macio, não sabia o que fazer e quando deu por si, sentiu sendo levado para longe da esposa, ao olhar para as portas agora fechadas focou na figura pálida de vosso irmão que o segurava. 


-Não deveria estar aqui meu irmão. 


-Não perderia o nascimento de meu sobrinho. - retrucou o mais velho. -Se acalme.


-Fale por vós Juushirou.


-Confie em nossa irmã ao menos então. 


O príncipe não respondeu, seus olhos estavam fixos nas portas fechadas e a cada grito de vossa senhora, era um aperto em vosso peito, será que eles sobreviveriam? Não deveria tê-la deixado nos aposentos sozinha, deveria ter ficado com ela, o reino não foi erguido em um dia só. As horas foram se passando e cada vez mais Shunsui se preocupava e ter o vosso irmão ao seu lado, era a melhor coisa para a sua sanidade, até que em um dado momento, um choro forte foi ouvido lhe chamando a atenção e as portas foram abertas e de lá saíram as servas carregando bacias e panos sujos de sangue, será que Nanao havia sucumbido à morte?


A resposta veio de uma Retsu deveras cansada, mas com um sorriso bondoso.


-Ocorreu tudo bem meu irmão, ambos estão em segurança.


-És um varão ou uma princesa? - perguntou o imperador.


-É um varão meu pai forte e saudável.


Enquanto os homens parabenizavam o príncipe, Shunsui estava cansado e desejoso de ver vossa esposa e conhecer o filho que tanto esperou. Juushirou percebendo aquele semblante, logo tratou de pedir que todos fossem para vossos aposentos e deixassem o casal sozinho, tiveram uma longa noite e precisavam de descanso.


-Vá conhecer o vosso filho meu irmão, Nanao está consciente. - disse Retsu antes de bocejar.


-Eu agradeço, mas será que devo?


-Vossa esposa o aguarda.


Retsu saiu acompanhada do esposo, agradeceria a princesa mais tarde pela generosidade de ceder a sua dama de companhia Hinamori para ficar com as crianças. Juushirou também se fora, precisava descansar para os futuros acontecimentos daquele dia festivo e tinha certeza de que o filho iria gostar de ter um primo para o acompanhar.


Shunsui entrou os aposentos e sentiu um cheiro de mirra pelo quarto, Nanao deve ter feito os seus agradecimentos aos seus deuses pelo filho. Foram deixados as sós pelas servas e criadas, vossa esposa estava deitada em vosso leito com vestes limpas e segurava um pequeno embrulho nos braços.


-Não irá se aproximar meu senhor?


-Estás a se sentir melhor?


-Um pouco cansada, no entanto, estamos bem.


Com receio o futuro imperador se aproximou do leito e pode ter o vislumbre de seu herdeiro, o menino era robusto de pele e os poucos cabelos eram castanhos, uma cópia sua em todos os aspectos. Nanao entregou o filho para o vosso esposo o segurar e ele ficou ali embalando o pequeno que acabou dormindo em seus braços, agora ele poderia respirar aliviado, não teria que repudiar a sua senhora.


-Qual o nome meu senhor?


-Shura, o nascido do alvorecer.


-Me parece bom e é um nome bonito.


Shura dormiu nos braços do pai que o colocou no berço feito especialmente para a pequena criança, enquanto Shunsui o cobria, velou o sono e a chuva que veio as terras Persas eram uma benção dos deuses.


[…]


A manhã daquele dia trazia o frescor das chuvas naquele vasto território, anunciando um dia próspero e cheio de vida. No palácio, tal mudança não passara despercebida, toda a família real se encontrava em júbilo e poucos eram os que sabiam de fato o motivo, algo que irritou profundamente Mariska que deseja saber e rever o seu senhor, mas somente recebia o silêncio, embora tivesse a certeza de que mais tarde iria saber.


Shunsui fora acordado pela movimentação do quarto e muito se espantou em ver vossa esposa terminando de pentear as melanas cor de ébano enquanto sorria para o pequeno que estava no berço dormindo.


-Bons dias, deveria repousar.


-Oras meu senhor, como podes me pedir tamanha sandice em um dia tão belo?


-Acabaste de dar-me um filho e já queres se aventurar pelo palácio?


-Não irei me aventurar, apenas terei de comparecer com nosso filho a cerimônia de seu povo.


-Melhor não ires e ficarem repousando.


Nessa altura Nanao se virou e ousou olhar nos olhos do esposo, como ele tinha coragem em lhe pedir tal coisa? Shunsui se aproximou e acariciou a bela face de sua mulher antes de suspirar e a olhar nos olhos.


-Alguns costumes irão lhe revoltar e neste momento vós não precisa de tal peso.


-Está falando dos sacrifícios? - ela disse tão calma que foi impossível o homem não se pegar surpreso. -Esqueceste que sou acima de tudo uma sacerdotisa? É certo que repúdio alguns atos como os de entregarem inocentes crianças e bebês para tal ato, mas isso é costume e a vontade de alguns deuses do meu e do seu povo. Que pode eu fazer?


-Estarei com vós o com o nosso filho o tempo todo.


Mal essas palavras foram proferidas e duas damas adentraram com uma certa afobação os aposentos e se curvaram, em outros tempos causariam furor no príncipe, mas hoje em dia, causavam um certo humor e foi com esse mesmo humor que completou a sua frase, causando risos na esposa e rubor nas jovens.


-Ou quase o tempo todo.


-Perdoe-nos alteza, no entanto ficamos curiosas e o senhor vosso irmão anceia lhe ver.


-Bem neste caso, preciso ir ver o que tanto meu irmão deseja me falar.


Deu um beijo na testa de Nanao e em vosso filho que estava no berço e saiu prometendo voltar para acompanhar ambos para as comemorações.


-Podemos conhecer o nosso príncipe?


-Mas que pergunta tola Hinamori, é claro que podem! - disse a princesa permitindo a aproximação de suas amigas.


-Que belo menininho, mal vejo a hora de cuidar do crescimento dele. - disse Rangiku.


-Ele será forte e determinado, ensinarei sobre as bondades e justiças deste mundo. - completou Hinamori bondosa.


-Cuidarei para que ele se torne um jovem valoroso e um homem em que o povo irá se espelhar. - disse Nanao determinada.


-Mas senhora, os costumes persas... - disse Hinamori receosa.


-Pouco me importa, não deixarei ele sobre os cuidados de quem mal conheço ou confio. Tempos sombrios se aproximam.


-Devemos nos previnir. - disse Rangiku séria, algo que não era comum. -Procurar conforto, proteção e sabedoria em nossos deuses.


Nanao concordou silenciosamente, era verdade que não sofrera mais nenhum atentado contra sua vida, mas agora com a chegada de Shura, temia pelo pior.


-Minha princesa, o que irás fazer? - perguntou Hinamori enquanto velava o sono do bebê.


-Iremos nos prevenir da melhor forma que pudermos. É fato que Shunsui não estará conosco sempre e meu pobre cunhado está a se recuperar de outra crise, tudo o que podemos fazer será nos preparar.


-E como seria isso minha senhora? - desta vez a pergunta veio de Mei que adentrava o recinto com Jade ao seu lado. -Bons dias e parabéns pelo nascimento do nosso príncipe.


-Obrigada minha amiga. - Nanao acariciou Jade e esta como se soubesse, apenas deitou ao lado do berço, ficando de alguma forma protetora. -Só existem duas formas, com astúcia que pediremos aos deuses e com preparo para uma possível traição, irei pedir que se façam punhais para nossas proteções.


-Mas senhora nunca levantei nem uma espada! - disse Mei chocada.


-Shuuhei e Renji meus guardas e amigos lhe ensinaram.


Quem escutasse aquela conversa, provavelmente não entenderia a ânsia da futura imperatriz em se preparar para o pior, mas desde que fora anunciando a sua gestação, a jovem é acometida de um terrível presságio, como se os deuses pedissem para ter cuidado. Agora de sonhos, passou para uma terrível sensação de perigo, por este e outros motivos limitou as vossas servas e damas, deixando somente as que lhe convém e de extrema confiança, não que não confiasse nas demais, no entanto, era uma forma de se proteger e as protegerem também.


[…]


Shunsui estava deveras contente por acabar de ganhar um filho, claro que se tivesse sido uma filha, teria ficado igualmente contente, todavia ela não poderia assumir o trono e seria criada para ser sacerdotisa e isso significaria que a vossa garotinha teria que se deitar com vários homens e mulheres e isso, ele jamais permitiria, não permitiu nem com a vossa sobrinha quem dirá com a vossa filha. Olhava aquela comemoração do templo do alto da muralha com um misto de alegria e preocupação, pelos deuses Nanao não precisava passar por aquilo e mesmo assim ela iria passar, desta vez ele não a via somente como uma princesa ou como vossa esposa, agora a via como a imperatriz que governaria toda a Pérsia ao vosso lado.


-Shunsui. - disse vosso irmão se aproximando com um sorriso, fazia tanto tempo que não subia na muralha. -Estão te aguardando.


-Suponho que estejam mesmo.


-Apreensivo?


-Nanao quer comparecer com Shura a cerimônia.


-Compreendo, mas esta é uma das funções como futura imperatriz meu irmão.


-Pensas que eu não sei? Eu só não quero que ela presencie tal cena.


-Bom, não podemos mudar isto e a senhora minha cunhada és forte e irá encarar tudo como a princesa que é.


-De fato, irás comparecer ao banquete?


-Claro, Toushirou está animado, será bom para ele alguma alegria.


-Educaste Toushirou mui bem meu irmão, apenas lhe dê tempo.


-Está certo, vou me juntar a nossa irmã, algo me diz que Retsu estará com um daqueles seus humores.


-Boas sortes.


-Vós sabes, ela nunca desconta somente em mim. - retrucou Juushirou enquanto sumia pela escadaria.


E o príncipe bem sabia, Retsu era uma mulher de rara beleza e dona de um temperamento deveras agressivo. A mãe de vossa irmã era uma bela serva de vossa avó que fora dada para vossa mãe quando a mesma se casou com o vosso pai, no entanto, como a imperatriz ainda estava fragilizada devido uma enfermidade, não poderia cumprir com seu papel de esposa e sendo assim, deu a vossa serva como concubina para vosso esposo e Yamamoto se deitou com a jovem centenas de vezes até que ela engravidou e, depois de nove luas, concebeu uma bela garotinha. Claro que vosso pai não gostou e nem se importou com o fato que jovem falecera no parto, todavia vossa mãe prometera no leito de sua fiel amiga que criaria a menina como sua filha e lhe faria uma grande mulher. E de fato Retsu mesmo o povo sabendo da verdade, fora criada como uma princesa, se aventurou ao sacerdócio por um tempo, embora a sua vocação seja a necromancia, a jovem conseguia listar todas as doenças e venenos do território com a mesma facilidade que possuía para criar os antídotos. Por anos vossa irmã cuida de vosso irmão Juushirou, fazendo compressas e chás medicinais para diminuir os sintomas da doença e só aceitou ser dada em matrimônio se o General fosse o vosso esposo, não queria sair do lado de Juushirou e levava muito a sério o dever de cuidar dos irmãos caçulas, dando até broncas ou lhes infligindo algum dano.


-Este será um loooongo dia.


Ao regressar aos aposentos de vossa esposa, o príncipe já estava vestido em seus trajes para a ocasião: calça de cor preta, botas de montaria preta, camisa de linho vinho, um manto que por fora era preto e por dentro vinho. Adentrou os aposentos e encontrou Nanao simplesmente deslumbrante, trajando um lindo vestido vermelho com detalhes em prata, um manto negro também com detalhes em prata, sapatilhas vermelhas e o cabelo preso em uma trança comprida.


-Estás belíssima.


-São seus olhos e a vossa coroa?


-Bem, como é algo mais enfadonho e mórbido, usaremos estas... - disse Shunsui abrindo um pequeno baú e tirando uma coroa sem adorno feita de prata, esta era mais delicada e colocou sobre a cabeça de vossa esposa. -Sabes que não precisa comparecer.


-Não preciso lembrar-lhe que aqui sou uma estrangeira vinda de um povo que por anos a fio fora inimigo do vosso! - enquanto dizia estas palavras, a mulher retirava do baú a outra coroa que diferente da vossa era mais bruta e igualmente prateada, colocando-a sobre a cabeça de vosso esposo. -Pronto, muito melhor! Sei que não queres que eu compareça, mas seria um desrespeito enorme com vossa família, com o povo e com vós.


-Tens razão minha senhora, no entanto, peço que se vier a sentir-se mal, me diga no mesmo instante.


-Como queira.


Shunsui pegou o bebê no colo e entregou aos cuidados de Nanao que aninhou o filho em seus finos braços, fazendo com que o pequeno balbuciar e se aconchegar perto de si. Aquela visão acalentava a jovem mulher e vosso esposo, era um menino forte e saudável que veio ao mundo, um menino que selou para sempre a paz em meio as constantes guerras. O casal saiu dos aposentos acompanhados de Jade e das damas de honra da princesa, todas usando trajes com cores escuras para a ocasião em questão.


O caminho até o templo foi tranquilo, o casal pouco conversava e as servas vinham logo atrás de seus senhores. Shunsui olhava para o filho sereno nos braços da mãe e se sentia orgulhoso pelos feitos que aquele menino faria quando se tornasse um homem, claro que ele sabia que vossa esposa iria supervisionar de perto a educação do pequeno e lhe ensinar sobre o vosso povo que vivia além do mar e, isso não o incomodava em nenhum aspecto, era até bom que Shura mantivesse contato com suas raízes e entendesse que ele veio de dois povos completamente diferente, para quem sabe se tornar um príncipe melhor do que ele mesmo foi.


-Algo lhe afliges querido.


-Estou apenas pensando no que nos aguarda no futuro.


-A contemplação do tempo é uma perspectiva um tanto quanto frustrante.


-O quê queres dizer?


-Vejas enquanto falamos alguns momentos já se tornaram passado e o futuro se aproxima com pequenos momentos e situações.


-Bem colocado minha senhora.


Eles chegaram ao templo e as imensas portas foram abertas, lhes dando passagem e a visão do que estaria por vir. Nanao sabia dos costumes, no entanto, nada a preparou para aquela situação, sentia o estômago revirar e um nó se formou em sua garganta ao ver sacerdotisas nuas tendo relações com homens nobres sob os olhares de todos, bem como algumas mulheres nobres faziam o mesmo com os sacerdotes. Precisava ser forte, o pior ainda estava por vir e que os deuses lhes dessem a força necessária, a espartana só se acalmou quando sentiu vosso esposo a puxar para perto e a conduzir aos tronos que os aguardavam, hoje eles seriam os senhores daquela celebração e Nanao desejava que isso terminasse logo.


Hinamori olhava aquela cena com um desprezo estampado em seu belo rosto, era óbvio que para uma donzela virgem como ela aquilo era no mínimo abominável. Mesmo crescendo em Esparta, a moça era de Tróia e como vinha de uma família onde o pai era um influente comerciante e sua mãe uma boa mulher, então não era de se espantar o ensinamento que ela teve. Rangiku mantinha o mesmo semblante sério e distante, ela conhecia bem as tradições desse povo, ao contrário de sua amiga, ela tinha como responsabilidade o harém cheio das mais diversas esposas e concubinas do imperador, no entanto, mesmo assim, mantinha as suas crenças e convicções.


-Saudações majestades, nós enviados da deusa Aserá os recebemos em nosso templo para banhar o herdeiro em sangue e leite. - disse o sacerdote. -Que comece o ritual.


Centenas de crianças foram entregues para a morte pelos pais que estavam satisfeitos em agradar aos seus deuses, enquanto eram gritados cânticos grotescos pelas sacerdotisas e, quando uma delas tentou tomar Shura dos braços da mãe, Nanao o apertou contra si, já tinha suportado o bastante.


-Minha senhora ele precisa passar pela fornalha!


-Não.


-Esta é a vontade de Aserá!


Quando a mulher foi tomar novamente o bebê que neste momento começou a chorar, Hinamori e Rangiku sobre os olhos de toda a família se colocaram na frente de sua princesa com punhais em riste.


-Não ouviste o que minha senhora disseste? Ela disse que não.


-Ouça bem estrangeira, uma maldição acarretará a família imperial se o menino não for lançado na fornalha.


-Hinamori segure o Shura.


A jovem segurou o pequeno e o acalmou instantaneamente enquanto via a princesa se levantar de seu trono e em toda sua graça, andar em direção da sacerdotisa. Os olhos antes afetuosos estavam opacos e frios, a pele alva estava pálida e a voz da princesa soava como uma espada afiada.


-Escutem bem todos vocês, Shura é herdeiro do trono persa bem como filho da Grécia! Não se atrevam atirar maldições e agouros sobre o império ou contra o meu filho! 


-Senhora vós sois grega portanto não conhece os nossos costumes... - tentou argumentar o sacerdote.


-Escute com atenção sacerdote, se tentares algum mal contra alguém da realeza, todos vós irão padecer no fio da espada de cada um dos deuses e encontrarão uma morte dolorosa!


-Perdão alteza, mas nem sois uma sacerdotisa.


-Estás enganado, não somente a minha princesa és uma sacerdotisa como uma oferenda viva as deusas. Quer mesmo desafiar os nossos deuses? - disse Rangiku sombria.


-Meu príncipe isso é uma afronta aos nossos deuses!


-Nanao venha até aqui. - ele estendeu a mão e a jovem se aproximou segurando a mão do esposo. -Disseste que iria até o fim, o que mudou querida?


-Não posso simplesmente assistir com que joguem nosso filho na fornalha, me peça qualquer coisa, meu reino e os tesouros, tudo menos isso.


Shunsui conhecia aquele ritual, ele mesmo havia passado por aquilo quando nasceu e por pouco não sobreviveu, assim como o seu sobrinho, por esse e outros motivos, foi que chegou a mais sábia de todas as decisões, não permitiria que tamanha atrocidade fosse realizada.


-Muito bem então, meu filho não será lançado na fornalha, nem ele e nem os demais filhos do meu reino! - disse Shunsui que ao ver seu tio se aproximar sorrindo indagou. -Por quê está rindo meu tio? Ao acaso isso lhe diverte?


-Muito ao contrário meu sobrinho, isto me alegra porque essa era a vontade dos deuses.


-Meu irmão, és fato que um imperador deve cumprir com as obrigações para com o povo, mas sobretudo com a sua própria casa. - disse Retsu calmamente enquanto se aproximava. -Um pai que não protege o filho, não pode governar o reino.


Shunsui nada disse e Nanao pegou o filho dos braços de Hinamori para o aninhar em seus braços finos, era uma parte sua que seria condenada, todavia acabou sendo apenas um teste e ela fracassou. Se sentia feliz e triste ao mesmo tempo, um sentimento confuso que pairava em seu coração, mas que logo foi acalmado por vosso cunhado que, apenas disse as seguintes e sábias palavras.


-Não penses que fracassaram perante aos nossos deuses quando na verdade provaram que são mais do que merecedores e serão a ponte rumo à paz.


Dito essas palavras o ritual se deu por encerrado com Nanao e Shunsui recebendo as bençãos de Ichibei que falava em nome dos deuses e Shura sendo apresentado ao templo como o filho eleito de duas nações. Naquela tarde houve grande festa entre o povo e no palácio para anunciar a chegada do pequeno príncipe que desde pequeno, já carregava grandes feitos e seria um grande homem. No entanto, nem todos concordavam com isso, em segredo planejavam a morte de mãe e filho.


Os presságios começariam a se cumprirem e dias terríveis se aproximavam.


Continua. 


Notas Finais


Bem bem vejam só, foi um pouco tenso não? Isso não chega nem perto do que está por vir... Isso eu garanto.

Sobre as outras fics, estou trabalhando em meus cadernos para voltar com elas.

Então até o próximo capítulo.

Bjoss 😘


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