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História Imperium - Capítulo 11


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Notas do Autor


Coloquei horarios e dias para não confundir vocês. Boa leitura, senão ótima.

Capítulo 11 - Capítulo 11


Fanfic / Fanfiction Imperium - Capítulo 11 - Capítulo 11


  | 00h55min e 27 segundos antes da guerra. | 

Com as mãos imundas e trêmulas pegou um pedaço de pedregulho e riscou a parede coberta pela sujeira, musgo e umidade; era seu quarto rabisco na sôfrega contagem dos dias, porém sabia que já estava presa ali a mais do que só quatro dias. Sua percepção temporal sumiu no momento em que se perdeu na inconsciência em meio a uma febre lasciva que a apossou, mas sabia, que alguém vinha constantemente cuidar dela. Sakura largou a pedra no chão, desesperançosa, se perguntando que dia finalmente sairia dali, e se explicaria para ele. Obviamente, não pretendia permanecer amiga de Sasuke: alguém que define quem são as pessoas de acordo com os Impérios de onde vêm, no entanto a rosada sentia que tinha assuntos mal resolvidos com ele.

O som metálico ecoou pela cela libertando-a do torpor, o ferro rangia de acordo com que a porta da cela era aberta. A rosada sabia quem era, portanto não lhe dirigiu o olhar.

— Menina... — Suspirou o velho enquanto cruzava os braços. — Eu realmente não sei o que fazer com você agora. — Virou-se para os guardas. — Não deixem que ela saia daqui. — Aparentemente vinheram conferir se ela ainda estava ali.

Fugaku expressou sua repulsa cuspindo no chão e exibindo um semblante de escárnio, Sakura ouviu o som dos passos do mais velho e dos guardas que o acompanhava mas estranhou não ouvir a cela ser fechada. Ergueu o olhar, averiguando o que estava acontecendo, pouco se surpreendeu ao notar o filho mais velho do Imperador de pé, olhando-a. A Haruno o encarou de volta, se perguntando de onde vinha a beleza dos príncipes daquele Império, com certeza não era do pai, a mãe talvez?

— Você está bem? — Sua voz emanava autoridade como a do pai, o que fez a rosada arrepiar-se, o timbre parecido a fez lembrar-se de Sasuke.

— Não vê? Majestade. — Ironizou ao fim da fala, as orbes esverdeadas opacas tentavam desvendar os castanhos-escuros do moreno a sua frente.

Itachi suspirou controlando todos os seus ímpetos. — Eu só cuido de você, a pedido de Sasuke. Um pedido que eu considero deveras honroso da parte dele considerando que ele não estaria como está agora se não fosse por você. — Sua fala era amarga considerando a boa pessoa que era, ou tentava ser.

— Eu não pedi nada a você.

— Sabe o que é pior? — Franziu o cenho umidecendo os lábios, Itachi raramente se descontrolava mas seus olhos quase salpicaram em vermelho. — É que se você tivesse confessado a ele antes, ele te aceitaria, eu te aceitaria. Mas você preferiu esconder, Haruno. E olha só no que deu. — Riu infeliz.

Sakura arregalou os olhos minimamente, agora sim, estava surpreendida, olhou para Itachi com uma expressão interrogativa e ao mesmo tempo sôfrega. Observou um tique nervoso do Uchiha, um remexer frenético dos dedos da mão. Ele está se controlando, se controlando pra quê?

Dispersou seus pensamentos com duas piscadas pesadas. — Como estão as crianças? — Indagou pela primeira vez pedindo um favor a ele: informação.

Itachi pareceu se acalmar, e sua expressão suavizar. — Eles estão bem, Hugo está sob meus cuidados.

— Ah. — Murmurou a rosada voltando seu olhar para o chão sujo da cela, ao menos uma notícia confortante, algo que a faria dormir nas próximas noites. Ergueu seus olhos ao Uchiha novamente ao ouví-lo se aproximar, resoluta, Sakura se afastou, Itachi se agaichou frente a ela, parecia querer confidenciar algo.

— Escuta. — Pediu, olhou os arredores notando que a outra prisioneira dormia e que os guardas estavam distraídos. — Estamos em guerra, não é contra Kunnia, mas se caso houver alguma invasão no castelo eu venho te libertar e você foge pelas escadas que eu lhe conduzirei.

— O que..

— Você será dada como morta, ou fugitiva. — Afirmou olhando ao redor mais uma vez. — Não faço isso por você. Eu só não quero ver a sua cara por aqui de novo. — Respondeu ríspido, mas a rosada notou um tom aveludado de gentileza, ele era gentil. Era especialista em notar bondade em meio a sutilidade. Sakura assentiu em resposta, Itachi se levantou assumindo sua normalidade e exibindo um som que reverberou chamando a atenção dos guardas. — Tome. — Disse, entregando a Sakura uma bolsa que estava amarrada à sua cintura. — São tecidos para você não morrer de hipotermia.

Logo após, trancou-a e saiu. A Haruno manteve absorta alguns minutos depois à visita, quem a olhasse agora a chamaria de louca ou demente por seus comportamentos quietos e nada convencionais. Para quem costumava ser tão proativa e agitada, o seu estado de espírito atual evidenciara uma grande reviravolta. Um tilintar leve foi ecoado pela prisão, a rosada direcionou seu olhar na direção do som, em sua mente passou uma breve ilusão de que era Itachi chamando-a para fugir, mas notou apenas um semblante sujo e compadecido de sua vizinha de cela.

— Eu não quis tirá-la de seus pensamentos de forma brusca, mas queria dizer oi. — Sorriu, fazendo com que a sujeira de seu rosto se deslocasse evidenciando um pouco mais a sua pele.

Sakura piscou atônita, de todo esse tempo perdida na solidão e arrependimentos, sequer cogitara fazer uma amiga, só haviam elas ali. Olhou para os dois únicos guardas, ambos jogavam uma espécie de jogo de cartas, com certeza não as levavam a sério. A prisão feminina era consideravelmente mais vazia que a dos homens, e, protegida por guardas meramente delinquentes.

— Oi.. — Prolongou o cumprimento distraída com o jogo dos guardas. Voltou suas orbes esmeraldas à mulher.

— Eu não queria incomodá-la nos outros dias que esteve aqui, mas hoje não pude me conter. — Sorriu. Sakura achava aquela moça muito animada para alguém que estava presa. — Que crime você cometeu? — Perguntou entusiasmada.

A mente da rosada disparou, em flashbacks sobre tudo que havia acontecido a ela naqueles últimos dias, sentiu-se abatida e seu semblante piorou - se é que isso era possível. Sua garganta apertou como preço a se pagar por conta da saudade que sentia de seus filhos, queria vê-los e se puder, viver com eles mais uma vez. A mulher do outro lado da cela pareceu perceber todo o atordoamento que causara na rosada e se impertigou.

— Se não quiser falar tudo bem. — Suspirou, parecendo finalmente compreender a realidade em que estava. — Meu nome é Rin Nohara e o seu?


                    《                   °                 》


| 5 dias, 10h01min e 36 segundos antes da guerra | 


Certamente o loiro considerava aquilo crueldade. Após uma boa longa noite de sono acordara no outro dia sozinho, de início o Uzumaki encarou aquilo como uma brincadeira de mal gosto e de certo resolveu participar, procurou-os por toda a extensão da colina até presenciar várias vezes, galhos quebrados e um caminho ralo feito na neve, concluiu que algo ou alguém havia despencado. Preocupado, Naruto escorregou habilidosamente até o fim da colina, estava nevando e não encontrou nada, o que de certa forma o aliviou. O loiro passou o dia inteiro procurando-os, e nada. Resolveu passar mais uma noite ali, na esperança de que voltassem e lhe dissessem que tudo não passou de uma brincadeira de mau gosto e os três ririam juntos; de repente, não conseguiu dormir se sentindo infeliz e solitário, companhia daqueles dois não era das mais animadoras, mas Naruto havia se afeiçoado a eles. Observou o pôr do sol após a primeira noite – desde quando fugiu – em claro, e ainda não havia sinal deles, fuçou nos pertences de Neji, um pouco relutante também fuçou os da morena, sem encontrar nenhuma pista nem bilhete. Teriam sidos sequestrados? E porque não sequestraram ele também? Enquanto rondava algumas vilas do Império Sabar descobriu que Walcz estava em guerra e tudo parecia se encaixar, sentiu-se triste e sem graça. Um completo idiota. Desistiu da busca e com alguns serviços campestres para um velho rabugento ele conseguiu comprar um cavalo saudável, o velho também foi de boa serventia quando lhe informou em qual direção ficava o Império das Cinzas, mas não sem antes zombar da capacidade imaginária do rapaz.

— É só seguir nesta direção, ir reto até encontrar uma faixa negra no horizonte, são as cinzas do Império, é o que dizem. Poucos voltam.

Com essa informação pouco convicta, um cavalo, alguns alimentos e armas o Uzumaki partiu rumo a terra desconhecida. Em sua infância precária, teve o privilégio de ouvir diversos contos e lendas sobre tal lugar, e tinha o sonho de conhecê-lo, lembrou-se de Jiraya com imensa saudade, o velho sempre lhe contava histórias místicas que o ajudavam a viver naquela vida hostil.

Cavalgou por três dias, foi totalmente exaustivo e já se encontrava desesperançoso, achando que o velho lhe pregara uma peça. Durante a noite tinha que dormir em cavernas pois preferia enfrentar o que tinha ali dentro do que o que vagava do lado de fora, mal conseguia dormir sobre o som de grunidos e barulhos horripilantes enquanto seu cavalo relinchava agitado, sua mente tentava não imaginar o que era aquilo que se ouvia no alto da madrugada.

Já era tarde quando sentiu as dores da fome, remexeu em sua bolsa, e ficou absorto por notar que a comida havia acabado, fazia cerca de quatro horas que encontrara o deserto cinzento, nada mais que isso, porém suas expectativas só aumentaram, sabia que estava no caminho certo.

Desceu do cavalo, se perguntando do porquê a neve não cair ali, havia ouvido muitas histórias e teoria do porquê só haver cinzas no tal Império mas nenhuma parecia plausível. Suspirou. Um grunido chamou sua atenção, fino e que vinha de baixo. Olhou por entre seus pés, arqueando as sobrancelhas perante o que viu: um animal, com várias caudas agitadas tentava fazer do seu pé uma presa. Naruto riu anasalado considerando a gula do animal por querer comer uma presa tão grande como ele. Pegou-o por uma das caudas com medo de que mordesse seu dedo.

— Uma..raposa? — Indagou para si mesmo, arqueando uma de suas sobrancelhas. O animalzinho era pequeno comparado ao que uma raposa se torna, era branca mas agora estava acinzentada e tinha contornos laranjas nas orelhas e nas pontas das.. — Uma, duas...quatro. Quieta! Nove..nove caudas?

Naruto sorriu sincero, remexendo em seu bolso dianteiro da calça esfarrapada. Está por aqui... Encontrou um pedaço de carne seca que guardou em seu bolso a algumas horas lembrando-se naquele momento. Estendeu a carne em direção à raposa que se debatia, observou o focinho do animal se agitar com a aproximação do alimento e logo após abocanhá-lo. Após engolir, o filhote agitou o focinho mais uma vez, cheirando o Uzumaki, e com alguns segundos o animal gruniu e sorriu agitada. Naruto se sentiu completo, de alguma forma, sorriu de volta pegando-a direito.

— Quer vir comigo? — Indagou, recebendo grunhidos felizes e uma agitação contente. — Vou considerar como um sim.

Colocou-a na mesma bolsa que procurara comida antes e voltou a cavalgar. Talvez fosse pelo desamparo em que estava antes, ou o desânimo, mas só agora havia notado agora um animal branco correr pela imensidão cinza, apertou os olhos sorrindo, esperava ser mais um animal desamparado, mas tudo pareceu sumir quando foi abocanhado pelo que parecia ser um leão branco, tentou se desvencilhar mas quase se cortou em um dos dentes afiados, foi aí que se incubira a pensar: Porque eu não virei almoço ainda?


                       《                   °                 》


| Durante a guerra.|

| 8 dias, 17h22min e 48 segundos de guerra.| 


Gaara já estava recuperado mas ainda sentia-se cansado e com muitas dores de cabeça, a guerra em Walcz estava causando-lhe problemas, assim como seu cabelo escurecia mais. Neste momento estava escorado em um portal, àquele que dava acesso ao jardim. Observava com dedicação a loira, sorridente ao observar as flores, por vezes conversar com algumas pessoas. Era contagiante a energia viva que emanava dela, capaz de deter até mesmo os maus ímpetos do interior da alma do ruivo só de observá-la, sentiu sua visão - já limitada - falhar.

Pareceu uma miragem quando ela o olhou, riu e chamou-o para ir de encontro a ela. Confuso, e aturdido Ino teve de chamá-lo pela segunda vez para que assim atendesse.

— Algum problema? — Perguntou com sua voz indecorosa.

— Você parecia distraído, soube que esteve doente. — Afirmou sem olhá-lo.

— Estive. — Afirmou dando ênfase. Ino olhou-o como se tivesse sido ofendida pela ríspides, Gaara não se incomodou com isso.

— Eu poderia ter ajudado, tenho alguns conhecimentos. — Avisou prestativa, encarando-o. O Sabaku sentiu-se acalentado, minimamente.

— Não é necessário. Até mais. — Virou-se sentindo um calafrio, andou até a porta indo embora do local, não tinha tempo para gracejos, afinal, tinha um convidado a caminho. — Eles não param de chegar. Pelo menos este eu já sabia que viria.

Quando subiu à superfície, não precisou esperar. Leo já estava a sua espera assim como Lewis, Shino não estava lá. O leão branco não precisou dizer muita coisa, e partiu dali rumo a uma nova caçada. Um rapaz loiro, estava sentado, envolvendo uma bolsa nos braços, este olhava impressionado os arredores e às pessoas que surgiam de suas casas subterrâneas. Custou a notar Gaara que se aproximava, Lewis estava logo atrás dele.

— O que fazia nas minhas terras? — Indagou franzindo o cenho, teve um breve dejavu.

— Oh! — Arqueou as sobrancelhas loiras. — Você fala a minha língua?

Lewis riu anasalado diante a surpresa do rapaz.

— Me responda.

— Vim encontrar o Império das Cinzas... — Murmurou observando embasbacado os arredores.

— Para quê você quer encontrar esse tal Império? — Indagou fingindo-se de desentendido.

— É meu sonho desde garoto, sempre fui escravo e não tive muita credibilidade de que um dia conseguiria. — Confessou rindo sem graça, desta vez, olhando o ruivo. — Nossa, seus olhos são demais! — Gaara suspirou, enquanto Lewis contia sua risada. — Seu cabelo, é um estilo novo?

— Não, Naruto! — Exclamou irritado, girou sob os calcanhares dando as costas ao loiro confuso.

— Espere! — Exclamou aturdido, levantou-se sem soltar a bolsa. — Como sabe meu nome?

— Sabendo. Venha comigo, aqui é perigoso a noite. — Afirmou parando o passo, e olhando de cenho franzido para as pessoas me haviam saído de suas casas, estas retornaram às suas habitações.

— Não, você sabe onde fica o Império das Cinzas?

Gaara virou-se na direção do Uzumaki com um semblante passivo. — Aqui. — Suas orbes bicolores desceram para a bolsa em que o loiro segurava fielmente, encontrando um focinho agitado tentando escapar. — Aghves..

— Ag.. O quê? — Indagou franzindo o cenho, afastou-se.

— Aghves, significa raposa em nossa língua nativa, Armênio. — Respirou fundo mais uma vez. — Posso vê-la? São muito raras.

Inquieto e receoso Naruto foi libertando a bolsa de seu aperto, o animal emergiu rapidamente, cheirando todos os lados e parando suas orbes em Gaara. Rosnou. — Ela é arisca, mas é só dar uma carninha que resolve. Quantas línguas você fala?

— Seis. — Informou sem tirar os olhos da raposa, esta rosnava para o meio-ruivo, e ele sabia que aquilo era sinal de algo. — Venha, ela parece estar faminta.

— Mas..

— Vamos, vou te apresentar o Império das Cinzas. — Afirmou andando em direção aos portões subterrâneos, já estava escurecendo.


                    《                   °                 》


Durante a guerra.| 

| 2 dias, 18h32min e 10 segundos de guerra.| 


Deu duas batidas leves no recipiente enorme que abrigava aos montes um líquido esverdeado, em meio a ele, repousava uma criatura na qual não estava nítida o bastante para se ver no momento, portanto não há como descrevê-la, o que nos permite dizer é que era enorme a penumbra que aquele corpo emitia considerando que o líquido verde que o abrigava era cintiloso. Olhou a criatura como se lhe dissesse olá, sorriu.

— Você está quase completo.. — Riu satisfeito, deslizou sua mão sob a superfície lisa do vidro. — Vamos consertar tudo desta vez..

O silêncio pairava sob a experiência incompleta. Saiu de seu reservatório totalmente revigorado após constatar que tudo ocorria com os conformes. Trancou o alçapão cobrindo a portinhola com um tapete peludo e logo após arrastou a estante de livros para cima do mesmo. Espreguiçou-se sentindo sua coluna estalar, suspirou relaxado. Ouviu batidas, andou até a porta de sua sala e destrancou-a.

— Olá, estava organizando as coisas por aqui, sabe como é, médicos são uns bagunceiros. — Afirmou sorrindo de orelha a orelha, o rapaz do outro lado da porta retribuiu o sorriso contagiado.

— Senhor Orochimaru, precisamos de seus cuidados nos aposentos da Imperatriz. — Informou o soldado, logo após se retirando a passadas rápidas.

— No meio de uma guerra... — Crispou os dentes, suspirou, concentrando-se em seu semblante falso de calmo e saliente. — Já vai, majestade. — Riu travesso, aquela façanha duraria pouco tempo, a Imperatriz Mikoto não passaria daquela semana, não se fosse por ele.

A melhor parte de matar alguém, é vê-la definhando aos poucos. Seu pensamento doentio era uma controversa de seus ideais.


                     《                  °                 》


| Durante a guerra.|

| 6 dias, 01h07min e 57 segundos de guerra.|


O Império Chie representava a sabedoria, como já diz em seu nome. Era dever deles agirem de forma sucinta e sábia, era assim que o príncipe Shikamaru pensava. Agora, no meio da noite, deveria estar dormindo mas a busca por conhecimento não o permitia, debruçado sob sua cama estava ele e vários livros desgastados e corroídos pelo tempo. Mas para o Nara, valia mais do que ouro.

Uma pessoa centrada, e em constante raciocínio, trocava noites de sono por folheadas nos livros antigos, não havia espaço para a preguiça ou corpo mole, odiava isso. Mas nada disso impedia p príncipe de Chie ser uma pessoa gentil e paciente, além de sua extrema educação. Franziu o cenho quando ouviu um insistente bater na porta de seus aposentos.

— Entre.. — Prolongou levemente incomodado, não direcionou seus olhares ao visitante, seria uma perda de tempo.

— Majestade, precisa dormir. — Avisou um dos serventes.

— Eu sei da importância do sono, mas, relaxarei minha mente e músculos daqui a pouco tomando uma bela xícara de chá. — Respondeu pouco animado, mas de forma polida.

— Majestade... — O rapaz desviou o olhar, procurando as palavras certas para serem proferidas diante dele. Pela primeira vez, desde o intruso, Shikamaru ergueu suas orbes castanhas ao servente, entendendo a situação de imediato.

Suspirou. — Tudo bem, eu já vou. — Deu-se por vencido, desligando as velas e organizando os livros de sua cama.

— Certo, tenha uma boa noite majestade. — Desejou, desta vez mais aliviado, e saiu deixando o príncipe sozinho novamente.

No dia seguinte, se prolongou com sua eterna monotonia, enfiado nos livros da maior biblioteca da história dos Impérios, Shikamaru não desperdiçava sequer um segundo sem absorver alguma informação. Mas, havia um livro que o príncipe almejava: O lado demoníaco de Rikudou. Muitos crêem que tal obra foi escrita pelo famoso guerreiro Madara Uchiha e, que juntamente com Hashirama desenvolveram àquele livro, só existiam dois dele, um no Império Chie, naquela biblioteca, e outro perdido, alguns acreditam que esteja no Império das Cinzas – Império origem de Hashirama – outros dizem estar em Walcz, mas são apenas boatos e especulações. O livro analisa de forma minuciosa o lado supostamente obscuro do deus criador, os poucos que sabem de sua existência o consideram uma blasfêmia.

Shikamaru desejava lê-lo e assim tirar suas próprias conclusões sobre o assunto, tinha certeza de que aquela leitura lhe abriria portas, mas antes, era preciso um conhecimento prévio dos assuntos abordados, portanto o príncipe teve de ler cerca de pelo menos oito livros para finalmente se sentir apto e capacitado de entender a magnitude do que estava escrito naquelas folhas amareladas. Fechou um pequeno livreto, constatando que aquela seria a hora certa para o início de sua fatídica leitura, andou pelo local, analisando as estantes enormes e em sua maioria desgastadas pelo extensivo uso, seus olhos transcorreram automaticamente para uma parte bastante familiar da estante, lá estava ele, Shikamaru perdeu a conta de quantas vezes já ficou ali parado admirando-o e ansiando por sua leitura, provar daquelas páginas e adocicar a mente com o conhecimento, o dia finalmente chegou.

Shikamaru deu um passo a frente para pegá-lo, estendendo os braços. — Majestade, o Imperador quer vê-lo, urgente.

O Nara deixou suas mãos penderem, suspirou realmente decepcionado. Após uma breve troca de informações com o soldado que foi chamá-lo, acabou indo para a varanda de luxo principal, no alto do castelo, que era onde seus pais tomavam um bom chá. Ainda na entrada para a varanda, Shikamaru presenciou uma cena muito convencional entre Shikaku e Yoshino, ambos estavam abraçados movimentando-se juntos em um ritmo deles, como se estivessem ouvindo alguma música. Ao contrário da maioria dos filhos, Shikamaru enchia-se de felicidade quando os via trocando carinhos, era uma comprovação de que ainda se amavam. Assim como se esforça bastante para obedecê-los e ser o melhor filho/príncipe para se orgulharem, o casal Nara sempre tiveram dificuldades para terem filhos, e foi com muito custo que Yoshino deu a luz a ele, então, Shikamaru sentia-se no dever de agradá-los e respeitá-los, na realidade ele achava que era assim que todos deveriam tratar seus pais.

— Pai, mãe. — Chamou-os de forma suave, ambos se viraram em sua direção com sorrisos singelos e pararam a 'dança'.

— Sente-se meu filho. — Pediu Shikaku, pedido que Shikamaru atendeu prontamente. Na varanda principal, havia três mesas, além de livros e jogos. — Eu e sua mãe queremos lhe dizer algo.

— É de meu conhecimento.

— Nós, o casaremos. — Avisou Yoshino já incontida de expectativa. A Nara segurou as mãos de seu filho, e olhou-o nos olhos, o príncipe não esboçava reação, aquilo já era esperado. — O nome dela é Temari Sakamoto.

— É perfeita, de boa família, e extremamente educada. Tem a sua idade, o que acha? — Indagou o Imperador.

Shikamaru sorriu internamente, sentindo-se vitorioso. — Por mim está ótimo, quando posso vê-la? — A aceitação rápida fizera com que seus pais ficassem surpresos. — É que já estava de olho nela a algum tempo. — Explicou-se, o que de certa forma era uma meia-verdade.

                    

                     《                 °                》


| Durante a guerra.|

| 8 dias, 17h55min e 12 segundos de guerra.|


Gaara adentrou seus aposentos, exausto pelas longas horas no observatório, ao menos já tinha lidado com o Uzumaki, que agora dormia em um dos quartos de visitantes. O meio-ruivo sabia que Naruto viria, mas esperava que fosse uma pouco mais tarde. Notou uma figura deitada sob sua cama, franzindo o cenho, ele se aproximou só então para notar o pequeno Leo num cochilo tranquilo, sorriu leve com a cena. Nos poucos dias que o menino esteve ali, ele já criou uma amizade simpática com Gaara. 

— Estava esperando por você tio. — Murmurou abrindo os olhos cinzentos. Gaara nada respondeu, apenas o olhou cruzando os braços. — Eu gosto da sua aparência.

— É mesmo? — Riu anasalado, sentou-se ao lado do menino. 

— É! — Exclamou contente. — Mas eu te acho muito sério, menos que o tio Sasuke, mas ainda sim. Ah! — Exclamou mais uma vez como se lembrasse de algo, tateou seus arredores e suspendeu na visão de Gaara uma folha-de-areia juntamente com um pincel. — Eu quero desenhar você. 

— Agora? — Perguntou arqueando uma de suas sobrancelhas, Leo assentiu. — Você é bem mandão. 

— Tia Ino ia me ajudar, ela sabe algumas coisas sobre pinturas e... flores também, ela entende bem. — Afirmou enquanto se ajeitava na cama para começar o desenho estimado. 

— E porque ela não veio? — Perguntou por reflexo, ajeitou-se na cama fazendo-a balançar e Leo sorrir asneiro.

— Porque ela disse que você não gosta dela. — Murmurou o esbranquiçado como se contasse um segredo. O meio-ruivo ponderou alguns segundos perante a resposta do pequeno. 

— Quer conhecer algumas criaturas legais amanhã? — Indagou desviando o assunto. — Você pode desenhá-las também.

— Sério? Que demais! — Exclamou abrindo um sorriso que não lhe cabia.  — Eu termino o seu ainda hoje!

Cinco minutos depois, Leo já pendia sob a cama novamente, enquanto dormia profundamente. Gaara saiu de seus desvaneios, e levantou-se para ajeitar o pequeno à cama e encobri-lo. Pegou os papéis das mãos dele, sorrindo ao notar o primeiro desenho, seu retrato. Os traços eram realmente bons, e ele tinha um extremo talento para desenhos. Pegou outra folha, olhando um retrato borrado de Sasuke, sem mostrar o rosto, quem visse acharia que era o retrato de um vilão de histórinhas. Passou para a outra folha, notando flores e por fim passou para o último e, este o surpreendeu. Era uma retrato de Ino, esta esboçava pela primeira vez, um sorriso singelo, o retrato era enfeitado de desenhos de flores que voavam ao redor da verdadeira obra prima daquele desenho. Aquela visão do papel, assemelhou-se ao que vira ainda hoje mais cedo. 

Não se conteve, foi até suas gavetas e guardou o desenho ali, para ele. Pediu desculpas à Leo pelo furto, mas sentia que precisava daquilo. Seu nariz esquentou, e dele escorreu sangue, Gaara foi até o seu banheiro limpar-se e correu até o observatório novamente, no telão que era exibido na mesa, mostrava um azul peculiar. Nele o meio-ruivo observou, com prazer e ao mesmo tempo desprazer, um dragão conhecido dizimar centenas e, acabar com a guerra. Seu lado esquerdo sorria perverso, enquanto o direito só havia tristeza. Gaara sentia que aos poucos perdia sua humanidade. 


                 《                     °                   》


| 00h24min e 43 segundos antes da guerra.|


Itachi andava absorto pelos corredores de pedra, gélido, o ambiente parecia reconhecer a guerra iminente. Deixara de se preocupar com seus irmãos e com Neji por algumas horas para se concentrar em uma nova inquietação de seu inconsciente. O príncipe tinha uma mentalidade peculiar, pois, sem se esforçar, seu cérebro automaticamente associava coisas e chegava a conclusões que, na maioria das vezes, estavam certas. Mas a última conclusão que sua mente fizera, esta ele queria muito que fosse mentira ou paranóia, mas sabia que não viveria se não a investigasse. Com os desvaneios, sequer notou que já se encontrava parado em frente as portas do aposento de seu pai cerca de alguns segundos, os guardas olhavam-no curiosos. Franziu o cenho, finalmente abrindo a porta. 

— Ah, é você, meu filho. — Afirmou Fugaku levantando-se de sua cama.

— Mandou me chamar? — Indagou, sua total inexpressividade era evidente. 

— Sim, ouvi dizer que deu tecidos para a prisioneira se aquecer. — Afirmou cruzando os braços e olhando-o acusador.

— Caso queiramos ameaçar Kunnia, é bom tê-la viva. — Respondeu acompanhando o andar nervoso de seu pai pelo quarto.

— Não! Eu quero que ela apodreça naquela prisão. — Exclamou, ávido, voaram gotículas de sua saliva devido a aspereza de suas palavras. 

Porque? 

Fugaku girou sob os calcanhares para encará-lo, mas Itachi já havia a muito tempo passado da idade em que aquelas encaradas o amedrontava. —  O que você disse? — Seu tom era grave e ameaçador.

— Qual o problema? Ela estava vivendo como uma de nós aqui desde seus 12 anos de idade, se fosse realmente alguém que oferecesse perigo, já teria feito algo. Ao menos deixe-a ir embora do Império. — Ditou suas conclusões, arqueou uma de suas sobrancelhas, esperando a próxima resposta do pai, dependendo do que ele diria, Itachi pediria perdão por desconfiar dele.

— Não importa, vou mandar queimá-la. — Riu anasalado. — Aqueles olhos... Quero que as chamas o corroa. — Afirmou deixando-lhe escapar um semblante doentio.

O que Itachi mais temia aconteceu: ele estava certo. Não se sabe a velocidade das batidas do coração do Uchiha mais novo naquele momento, mas o mesmo chegou a sentir falta de ar. 

— Foi você.. — Afirmou apenas, seus olhos arregalados demonstrava a surpresa. Itachi cerrou os punhos enquanto sentia uma raiva incomum lhe apossar, olhou pela janela do quarto e presenciou a guerra iminente, precisava extravasar e seria matando alguns wanianos. Depois, voltaria ao castelo para acertar as contas do passado com seu pai.


                 《                    °                    》


| 00h03min e 02 segundos depois da guerra.| 


O enorme dragão sobrevoou o campo de guerra, o fogo intenso se acalmou de acordo com os comandos de Tenten. Durante alguns segundos, ela apreciou a arte de voar e sentir o vento gélido sob seu rosto. De forma desajeitada, ela pousou frente a muralha, o impacto estremeceu o chão fazendo com que a neve reverberasse e alguns de seus telespectadores caíssem sem equilíbrio, os olhos azuis do enorme dragão transcorreu sob alguns soldados que estavam ali. Notou também uma matilha de lobos se aproximarem, e inconscientemente identificando Itachi em sua forma lobina, admirou-o. Tenten gruniu grave, ecoando vento e vibrações que arrepiaria o mais valente dos soldados, encarou o topo da muralha pouco maior que sua altura quadrúpede, Fugaku estava lá, olhando-a abismado. De repente, Neji surge em meio aos soldados, empurrando-os para chegar até ela, Tenten o encara sem esboçar expressão alguma. 

— Não é inimigo, majestade! — Gritou para que pudesse ser ouvido. — É só a Mitsashi!

— E com que garantia? — Indagou desconfiando. 

— Merda. — Murmurou, conhecia Fugaku o suficiente para dizer que provavelmente não o escutaria. — Tem a minha palavra!

O Imperador alternou seus olhares para o enorme dragão ali parado. — Não é o bastante. — Respondeu, estendendo a mão. 

O perolado virou-se, desativando seu Byakugan que havia sido ativado por menos de um segundo, ninguém percebeu. De forma rápida, deu as devidas instruções à Tenten. — Escuta, eles vão te prender, não resista! Se não tudo piora. Aguente aqui por um tempo, eu vou conversar com ele a sós e vou resolver, por favor.. — Não conseguiu terminar sua fala pois uma enorme superfície de ferro e em forma de semicírculo atravessou sua visão atingindo o pescoço do dragão prendendo sua cabeça ao chão. Outro semicírculo sobrevoou da muralha prendendo a pata direita e ferindo-a. Que ferro é este? Perguntou-se Neji internamente. 

A Mitsashi não recuou e nem reagiu, mesmo que as superfícies de ferro a ferisse na hora do aprisionamento, Tenten manteve-se inerte e submissa, por enquanto, deixaria as coisas nas mãos do Hyuuga. Em alguns minutos, já haviam dois semicírculos em cada antebraço, três na cauda e um anorme em seu pescoço, todos fincados no chão com o pressuposto de impedi-la de se mexer. 

— Me desculpe, eu vou resolver isso. — Murmurou para ela, recebeu um exalar de ar pelas narinas como resposta. 

A guerra que finalmente chegara ao fim, durou cerca de oito dias, e tiveram mais ou menos cinquenta mil mortos. Os escrivães não perdiam seu tempo e já relatavam nos livros antigos àquele acontecento histórico. Conhecida pelo nome de Guerra 2W, esta com certeza entraria para as lendas e nas letras de músicas. 

 


            



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