1. Spirit Fanfics >
  2. Imperium >
  3. Capítulo 7

História Imperium - Capítulo 7


Escrita por:


Capítulo 7 - Capítulo 7


Fanfic / Fanfiction Imperium - Capítulo 7 - Capítulo 7

A guerra, ou seja lá o que aquilo foi, já havia terminado. Houve o mínimo de mortos relatados na história do mundo. Os dois Manticoras foram misteriosamente arrastados para dentro do solo e desapareceram, assim como o buraco em que foram arrastados. O monstro que sobrou, tinha sua pata ferida e gemia como um fracote abandonado. Sasuke cogitou transformar-se em lobo e acabar de uma vez com aquela coisa, mas foi impedido por Shisui. Não é necessário. Ele disse. 

Como um animal encurralado e em perigo, o Manticora encolheu-se de medo, seus pêlos eriçaram como se trocasse de pelagem. Os pêlos foram mudando de tons dourados para branco pálido. Boquiabertos, os soldados de Walcz observavam a mudança repentina do animal, que logo após, fugiu correndo. Os kunnianos fizeram o mesmo, mas em suas mentes tinham a promessa de uma revanche, e nesta eles seriam vitoriosos. 

Itachi se perdia nesses pensamentos, enquanto olhava a imensidão branca, que um dia seria sua, seus olhos vermelhos brilhavam. As casas alternavam de simples à sofisticadas, mas nenhuma escapava do banho de neve, os tetos recheados pelo gelo branco e frio. Observava o Império Walcz, seu lar, de um canto remoto fora do Castelo, onde podia ficar sozinho. Pensou no Hyuuga, seu amigo que havia sumido durante a guerra, sequer seu corpo fora encontrado.

Sozinho, descansava a mente. Ficar na solidão era um hábito comum dentre os Uchihas, porém não há um sequer que não pense em alguém especial nessas horas. Ouviu passos suaves na neve. Sabia quem era, não olhou.

— Tem vindo aqui com mais frequência, Majestade. 

— Por favor, não me chame assim. — Suplicou reprimindo os lábios. — Já você, é raro sair. 

—  Pois é, Itachi. — Confirmou. O Uchiha adorava como ela pronunciava seu nome, de certa forma era diferente, não sabia o por quê. Virou-se para encará-la. 

— E as convulsões?

— Você sabe que só as tenho aos domingos. — Franziu o cenho. — Péssimo melhor amigo. 

Itachi aborrecido assentiu. — Pois é, Izumi. 

Riu. — Com o que está preocupado? — Perguntou se aproximando e sentando-se a seu lado, o rapaz continuava em pé, acompanhou-a com o olhar. 

Levou alguns segundos para respondê-la. — Temo, que não conseguirei...

— Pelo amor de Rikudou, Itachi! — Revirou os olhos interrompendo. — Você é a pessoa mais inteligente, sensata, corajosa, bondosa — Dizia as características contando os dedos da mão esquerda. — Gentil, e outras milhares de qualidades. Vai se sair muito bem.

— Ter dúvida disso já me faz um fracasso. — Riu levemente corado.

— Todo mundo tem dúvidas, você não é o primeiro. — Afirmou mais calma. — Aposto que seu pai era mais medroso. 

— Está me chamando de medroso, Izumi? — Arqueou uma sobrancelha. 

A morena riu largo, singela. Levantou-se de supetão, dando um murrinho no ombro do Uchiha. — Tá com você! — Exclamou enquanto corria para longe dele.  

— Izumi.. — Murmurou balançando a cabeça para os lados, correu. Eram rápidos, e cansavam pouco, entre eles uma diferença mínima de distância. Um pouco mais distantes do Castelo rolaram na neve  um após o outro, caíram de costas com as patas estendidas, o lobo de Itachi era cinzento com os pelos das costas negros, enquanto Izumi erguia-se em uma loba prateada com a barriga de pelagem negra. 

Rosnaram e avançaram um sob o outro despencando cada vez mais ao que parecia ser uma enorme queda. Despencaram cerca de um minuto, até aterrissarem novamente, Itachi permanecia deitado de lado olhando-a se levantar e sacudir a cabeça retirando a neve de seus pêlos. Izumi olhou-o sem interpretar seu olhar. 

— Vamos uma corrida? — Perguntou respirando fundo.

— Você está bem? — Indagou o Uchiha se levantando. 

— Sim, vamos. — Afirmou sem dar chance para que ele respondesse. Correu mais uma vez, Itachi tomou impulso e foi em seu encalço. Os lobos eram enormes, adultos, rompiam a neve e vez ou outra brincavam de lutar, ou apenas corriam juntos em zigue-zague. 

Sentirem-se livres era a essência de um lobo. Correr livre enquanto o vento gelado cortava seus rostos e esvoaçavam seus pêlos, aquilo era vida. As patas esmagavam a neve, tocando na terra fria abaixo dela. Não fazer aquilo era como estar morto, ainda mais sendo um Uchiha e tendo de esconder seus poderes lobinos. Já houve histórias de Uchihas que enlouqueceram, após esquecerem de suas reais raízes. Itachi não queria isso. 

Aliás, uma das coisas que ele queria estava ali, a correr com ele sob o vento. Mas o mesmo já havia confessado que a amava, e seu amor fora negado. Ela disse que não sentia o mesmo, mas o amava como um amigo. Não houve dor melhor para despertar o lobo cinzento do moreno, a dor de ser negado por quem se ama, ele tinha apenas sete anos de idade, foi um dos mais jovens a despertar seu lobo. 

Itachi achava que agora, vinte e cinco anos depois, Izumi pensasse que aquela declaração que ele fizera a ela com apenas sete anos fosse apaixonite de criança, e que tudo aquilo passou. Era mentira, o sentimento continuava ali, mesmo após duas décadas, ainda a amava, mas não pretendia se confessar outra vez. Se ela queria apenas amizade, ela teria, nada mais. 

Eram amigos desde sempre, se afastaram por um tempo devido aos problemas de saúde de Izumi - convulsões todos os domingos do mês, inexplicável. Alguns diziam que era melhor manter distância, ela adquiriu este mal em seu aniversário de seis anos, e a partir dali sempre foi sozinha, com exceção de seus pais e Itachi, e logo após conheceu o amoroso Shisui. Não se sentia mais sozinha.

— Vamos voltar Izumi. — Pediu o moreno em meio a corrida, agora estavam subindo uma espécie de colina.

— O sol está quase se pondo. — Avisou a Uchiha, fazendo-o entender o por quê estarem subindo naquele lugar íngreme. Ao chegarem no topo, deitaram na neve sem sentir incômodo algum, em seus corações lobinos um extremo prazer e satisfação. Observaram juntos a grande bola de fogo - Sol - se pôr em sua magnitude. Resistiu em dizer que a amava, tentou não estragar o momento. 


                 《                 °                  》


Naruto permanecia intacto, olhando o mais novo conhecido discutir com um dragão. Neji havia ameaçado tacar-lhe fogo se ousasse fugir. 

— Você estava com fome, agora para de bestagem e coma logo. — Exclamava o Hyuuga de cenho franzido, apontava para as duas carnes de búfalo que trouxera, aparentemente para alimentar a besta, que se recusava. O dragão rosnou irritado e deu as costas para o perolado, quase o esmagando com a enorme calda, Naruto riu nervoso, a besta parecia um tanto desajeitada.

— O-o que há com ele? — Tomou coragem e perguntou. 

— Ela. — Corrigiu nervoso. — Está com fome, mas se recusa a comer uma carne boa dessas! — Exclamou alto para se assegurar que Tenten o ouviu. 

— Porque? — Indagou, Neji o olhou de cenho franzido sem respondê-lo. Naruto se aproximou da carroça que trazia o alimento, franziu o cenho, as carnes estavam em boas condições mas tinham pêlos dos búfalos grudados nelas. Sentiu o animal se aproximar e arrepiou-se, se afastou. 

A besta pegou uma das carnes com a boca, e comeu rápido e de forma violenta as presas enormes quebraram facilmente os ossos da carne, o dragão pareceu gostar, pois também comeu a outra facilmente. Após terminar, rosnou anasalado para Neji.

— Ótimo. — Murmurou o Hyuuga nervoso, em sua mão trazia nas rédeas um cavalo roubado, este carregava bolsas com alimentos e ademais. — O dinheiro que roubamos daquele soldado já acabou, em breve teremos de roubar mais. — Afirmou incontente.

— Eu tenho dinheiro. — Avisou Naruto sem tirar os olhos do dragão. 

— Podemos usar.. — Foi interrompido por um som de algo rompendo, e de repente o chão tremeu, ao que parecia não aguentou o peso e o chão desmoronou colina abaixo. Naruto e Neji tiveram tempo de se salvar, mas Tenten não. Um dragão extremamente grande não conseguiria, a não ser se voasse, e ela não sabia voar. Caiu colina abaixo em meio a terra e a neve, o corpo grande desengonçado caía enquanto ela rosnava alto, a queda era pequena. — Você está bem? — Indagou Neji olhando-a do alto da colina. 

O dragão estava caído no chão, abanou as asas livrando-se da neve e alguns pedregulhos, balançou o corpo derrubando as sujeiras que a haviam enterrado.

— Tome. — Naruto entregou um pequeno pote que parecia ter um gel verde dentro. — É para ajudar a curar seu ferimento, aí. — Informou apontando para o abdômen do Hyuuga.

.

Haviam andado a um certo tempo, tanto Tenten quanto o cavalo precisaram descansar, já que eram os únicos andando. Enquanto descansavam, Neji decidira ajudar o loiro algumas técnicas de combate, deu-lhe a espada que havia roubado do soldado, enquanto o perolado lutava de mãos vazias. 

— Vocês estão nessa a quanto tempo? — Perguntou Naruto tentando perfurá-lo com a espada, Neji desviou e deu-lhe um soco no rosto. O loiro cambaleou. 

— Não muito tempo. — Afirmou sem dar brechas. — Concentre -se. 

— Eu sei. — Pigarreou recobrando os sentidos. Correu na direção do Hyuuga, girou e imitou um ataque mas não o atacou, girou mais uma vez repetindo o ato, na terceira vez desferiu um ataque real guiando a espada no rosto de Neji, este segurou a lâmina com as mãos antes de atingí-lo, as palmas sofreram um leve corte. 

— Você é bom. — Enfatizou sorrindo de canto. — Mas ninguém é melhor em ataques surpresas que ela ali. — Apontou com um aceno. 

Naruto olhou na direção, confuso. — O dragão? 

— Sim, é uma mulher. — Sorriu nostálgico. 


                     《               °                》


Já haviam passados alguns dias, e nada. Talvez fosse pouco, mas se sentia apreensivo. Não a via desde que foi a guerra, inquieto, olhava em todas as direções. Provavelmente ela não viria hoje também, suspirou colocando as mãos no bolso. Seu pescoço virou instantaneamente assim que ouviu o som de passos, leves. Olhou, era ela. 

— Saky. — Chamou, mas se arrependeu. Seu tom saiu como se estivesse desesperado, e aflito.

— Olá Majestade. — Ela sorria. Sentiu vontade de rir também, mas não esboçou reação alguma. 

— Me chame de Sasuke. — Pigarreou. — Como você está? — Perguntou monótono, olhava o lago quente como distração. 

— Bem, obrigada. E você Sasuke? 

— Também. — Respondeu inquieto. — Porque não veio nos outros dias? — Tentava não soar perseguidor. Observou-a sorrir. 

— Hugo ficou doente, não queria deixá-lo sozinho. — Respondeu, Sasuke notou um imenso carinho em suas palavras. Franziu o cenho curioso. 

— Posso vê-lo? — Indagou repentino, sem pensar muito, o que era estranho. 

Sakura o olhou incômoda. Sasuke conhecia aquele olhar, medo, já havia presenciado aquilo várias vezes, não era coisa que ele admirava. 

— Ah. Pode ser contagioso. — Afirmou um tempo depois.

— Você disse que ele estava doente, o que quer dizer que não está mais. Saky, não precisa ter medo de mim nem de minha posição, sou seu amigo. Eu acho. — Murmurou desviando o olhar. 

Estavam andando não fazia nem dois minutos, Sakura andava pelas ruas ao lado se Sasuke. Tinha concordado em lhe apresentar os seus filhos, mas antes o preparou com informações prévias. O Uchiha chamava bastante atenção, as pessoas o olhavam com profundo desgosto alguns e outros sequer cogitava expressar alguma coisa. Estava acostumado com aquilo, e percebeu que a sua amiga também, concluiu que deveria ser por conta dos vários panos que ela usava, o povo de Walcz podia ser bem desagradável e preconceituoso as vezes. De repente, ela parou, fazendo com que o moreno parasse também. Olhou-o mordendo o lado interno de sua bochecha. 

— Olha, eu preciso te contar algo. — Desviou o olhar indecisa.

— Pode contar.. 

— É complicado! — Interrompeu. Sasuke franziu o cenho confuso. — Eu menti. 

O moreno trocou o peso do corpo de uma perna para outra, desconfortável. Torceu o nariz. — Então conte-me a verdade. — Ordenou ríspido. 

— Eu.. não sou casada e nunca fui. — Começou esfregando os braços. — Eu salvo crianças, pequenas crianças que foram abandonadas no frio para morrerem. Elas me amam e eu as amo também, me chamam de mãe. — Completou emocionada. 

— Bastardos? 

— Você é sempre tão direto. — Pigarreou. — Sim.

— Quero vê-los. — Pediu olhando-a sem demonstrar qualquer expressão. — É singelo o que você faz, admiro isso. — Suavizou. Sakura sorriu, pegando na mão do Uchiha e puxando-o. O príncipe sentiu o impulso, e olhou de cenho franzido para sua mão agarrada, não gostava de muito contato. Pararam em frente a uma casa, madeira velha e desgastada, coberta pela neve. A porta foi aberta por ela, que por sua vez o puxou para dentro como se houvesse algo lá dentro que as demais pessoas não pudessem ver, fechou a porta.

 

                   《                 °                 》


Ino estava sentada, ou melhor jogada, no canto de uma cela escura. O local fedia, pois era obrigada a fazer suas necessidades ali mesmo, em um balde que parecia que nunca seria trocado. Chorava todos os dias, tinha saudades de sua família assim como sentia falta da vida farta que tinha. Pensou em sua amiga, Sakura, corajosa e sobrevivente, ela saberia o que fazer naquelas situações, saberia lutar e quem sabe fugir dali.

Mas ela era Ino, a mocinha fraca e indefesa. Vomitava várias vezes por conta do cheiro imundo do lugar, o que só piorava. Suas vestes eram simples, coisa que jamais teria usado na vida nem sequer para dormir, até os panos de lavar pratos de sua casa eram mais limpos que aquilo. Se sentia patética, daria tudo por um banho. Levantou-se abrupta quando ouviu o ranger da porta de metal de seu confinamento, e se abrir. 

— Senhorita. — Cumprimentou um adolescente com feições gentis. Uma coisa que a Yamanaka percebeu, todos ali pareciam ter aparências leves, com exceção de seu sequestrador. Como aquelas pessoas gentis podiam seguir um tirano como aquele? Não entendia. — O Imperador deseja te ver. — Sorriu sem mostrar os dentes. 

— Ótimo, eu também queria vê-lo. — Respondeu um pouco fora de seu habitual. 

Foi guiada pelo rapaz, cujo nome descobriu ser Kalich, até os aposentos do Imperador. Quando finalmente percebeu onde estava, tremeu de medo. Já estava dentro do enorme quarto, decorado em vermelho e amarelo-ouro. O homem de cabelos vermelhos estava sentado na cama, inclinado, com uma das mãos sob a testa. Ergueu o olhar para ela, mostrando sua feição abatida e fraca. Ino arregalou os olhos ao vê-lo naquele estado, o Imperador pareceu notar, pois desviou o olhar e esfregou o rosto com as mãos. Andou até ela, agora com a expressão séria, qualquer sinal de fraqueza havia sumido, ele fingia bem. Os cabelos estavam mais negros do que a última vez que o vira. 

Aproximou-se o suficiente. Ino tremeu e engoliu em seco. O ruivo pôs as mãos no rosto dela, inclinando-o para cima para olhá-la melhor. — Bom. — Murmurou. A loira encarava seus olhos bicolores, assustada. Soltou-a e deu as costas desinteressado. — Já pode ir.

Ino encarou por alguns segundos a capa vermelha que ele usava, e o símbolo desconhecido desenhado nela. — Não. — Negou ainda perplexa.

— Você não está em condições de negar algo. — Afirmou Gaara ainda sem olhá-la, servia-se um copo de água. Virou-se encostando na parede, bebendo o líquido, a encarou. — Porque está tão suja? 

A Yamanaka franziu o cenho irritada. Então ele lhe dava péssimas condições de viver e ainda queria que ela ficasse limpa e cheirosa? Ah, não. — Obvio que estou! — Exclamou fazendo o ruivo arquear as sobrancelhas. — Você me enfiou em uma prisão imunda, que nem pode atender às necessidades básicas de um humano! 

— Ah. — Gaara colocou o copo de volta a mesa. Parecia ter se lembrado de algo, franziu o cenho.

— Só isso que tem a dizer? — Esbravejou irritada, o medo pareceu sumir por breves segundos. Tremeu, o rapaz vinha em sua direção, sentiu medo e fechou os olhos, mas não houve nada. Virou-se rapidamente, vendo-o abrir a porta e sair do aposento sem dizer mais nada. Notou, de soslaio, pela primeira vez que o ruivo carregava uma bolsinha com um fio conectado a seu braço transportando algum líquido para dentro dele. Estava doente? Que seja, não era assunto dela. Na verdade, Ino queria que ele morresse. 

A porta se abriu novamente, era Gaara de novo, passou por ela sem olhá-la, atrás dele veio Kalich. 

— Venha comigo senhorita, vou lhe mostrar onde banhar. — Afirmou o rapaz com o rosto corado. O humor dela se elevou só de ouvir "banhar", sorriu leve pela primeira vez, antes de seguir Kalich, olhou brevemente para trás vendo o ruivo cair deitado de costas na cama, parecia exausto. 

Após o banho, foi transportada para outro lugar. Um quarto, tinha uma cama ideal e uma mesinha com gavetas. Não era melhor que seu quarto, mas com certeza era melhor que a cela. 

— Fui instruído a ficar com a senhorita a todo o tempo. — Explicou Kalich em pé frente a porta. — Então, por favor, tente não fugir. Gostaria de não recorrer a métodos grosseiros. 

— Entendi. — Afirmou olhando-o. 

— Onde a senhorita for, terei de ir junto. — Desviou o olhar. Kalich era extremamente fofo aos olhos da loira, e parecia ser inocente. 

— Eu já entendi. — Confirmou mais uma vez, ainda de pé. — Pode me fazer companhia? Não converso com alguém a bastante tempo.

— Claro. — Afirmou gentil, fechou a porta. — Ahm, qual a sua fruta favorita? — Indagou olhando-a sem jeito.

— Morangos, e a sua? 

Kalich sorriu abertamente de forma que seus olhos se fecharam. — É a minha também.


                 《                    °                   》


Tenten estava deitada na neve, olhava as chamas azuis crepitantes que ela mesma havia aceso. No fundo, estava confusa e triste, a frustração havia passado. Viu o Hyuuga sentar-se na neve, um pouco próximo, o encarou. 

Neji teve um calafrio. — Você me dá medo quando me encara assim. — Olhou-a de canto de olho. — Não consigo me acostumar. 

Tenten gruniu grave, em uma falha tentativa de dizer algo. Desviou o olhar dele, voltando a encarar a fogueira. 

Ficou em silêncio por alguns segundos. — Posso te tocar? — Perguntou num fio de voz. O pedido pareceria um tanto indecente se ele não tivesse o feito a um dragão. A Mitsashi voltou a olhá-lo e Neji poderia jurar que ela estava de cenho franzido. — É só...curiosidade. — Reprimiu os lábios. Olhou o dragão fechar os olhos, como uma autorização silenciosa. 

O Hyuuga aproveitou a deixa, se aproximou ansioso como uma criança curiosa. Tocou o rosto, desviando dos espinhos que pareciam mais ameaçadores agora de perto. Transcorreu sua palma no pescoço inteiro, sentindo a pele quente, parecia exalar calor. — Magnífico. — Sussurrou. Ouviu Tenten grunir e olhá-lo de forma desdenhosa. — Sabia que seu corpo é quente? 

— O que é quente? — Indagou Naruto surgindo em meio a floresta, trazia alguns coelhos mortos. 

— Ela. — Murmurou Neji colocando seu rosto sob a pele dela, sentiu a quentura, não queimava e era muito confortável de forma a sentir seu rosto relaxar. 

— Sério? — Perguntou surpreso. — Deixe-me ver. — Pediu largando a caça no chão e andando na direção dos dois. Tenten lançou sua enorme calda espinhosa na frente dele, impedindo que continuasse ou se aproximasse. A movimentação repentina fez o perolado se afastar. — Ela parece confiar em você. — Engoliu seco. 

— Ah, deve ser. — Respondeu desviando o olhar. — O que conseguiu? 

— Coelhos. — Disse o loiro, olhou o céu estrelado. — Ela sabe voar?

— Não. 

— Sério? Achei que fosse moleza. — Afirmou franzindo o cenho. Tenten rosnou evidenciando que aquilo era mentira. 

— Não deve ser tanto quanto parece. 

— Os dragões da antiguidade ensinavam seus filhotes a voar jogando-os de precipícios. — Informou Naruto dando de ombros. 

— Como sabe disso? — Questionou Neji franzindo o cenho.

— Eu roubava alguns livros da Imperatriz. — Confessou nada envergonhado. 

— Entendi. Tinham sucesso? 

— No quê? — Franziu o cenho. 

— Sobre o método do precipício...

— Ah! A maioria sim. — Confirmou pegando os coelhos que agora pouco havia jogado no chão. Olharam para Tenten ao mesmo tempo. — Você é adulta, então... acho que teria mais sucesso. 

— Aqui é cheio de elevações, será fácil encontrar um. — Sussurou Neji. Tenten se levantou, um pouco menos apática, dando as costas a eles. — Eu vou com você. — Declarou apreensivo. 

— Eu acho que ela prefere ir sozinha. — Afirmou o loiro colocando a mão sob o ombro do perolado. 

— Não. Não vou deixá-la, estamos juntos desde que nos perdemos Naruto, não é certo. — Respondeu ríspido, estava nervoso. Desvenciolhou-se do toque, andando na direção do dragão. 

Notando sua presença, Tenten parou e o encarou, soltando um forte ar pelas narinas. Aquilo era o suficiente, ela pretendia fazer as coisas sozinha. Neji reprimiu os lábios.

Um pouco ao longe, Tenten encontrou um precipício não muito grande mas o suficiente. 

  

                   《                 °                》


Gaara estava deitado em sua cama, pretendia dormir mas algo não deixava. Não sabia o que era, mas se pegou pensando na loira que havia sequestrado. Porque fez aquilo? Não era de seu feitio, mas não conseguia libertá-la. Sentia-se estranho, como se sua personalidade fosse dividida. Ouviu um barulho, ou melhor, o barulho. Era o observatório chamando-o. O que seria desta vez? Estava cansado e não tinha a mínima vontade de resolver mais conflitos. Levantou-se já não suportando o som estridente e a curiosidade. 

Entrou no local, um pouco absorto, havia andado demais e estava tonto. Olhou a mesa que exibia um telão, Império Truth. Parecia que todos os Impérios decidiram aprontar naquele mês. Aproximou-se esfregando os olhos como uma criança, apoiou-se na mesa. Esfregou os olhos mais uma vez para confirmar se o que via era verdade.

Sim, era verdade. Naquele momento não se arrependera de ter se levantado da cama, aquilo com certeza valia a pena. Um dragão, contorcia suas asas enquanto caía de um precipício. Os olhos de Gaara brilharam. Correu em direção a seus aposentos pegando grossas roupas, em todos os Império fazia frio mas no Império Caído o frio era consideravelmente menor.  

As pressas, andou pelos corredores sendo questionados por alguns de seus subordinados, mas não deu ouvidos, estava focado em uma única coisa. Entrou na sala da Subjugação, trancou-a por dentro e sentou-se na cadeira dura de raízes sem pensar. Sentiu falta de ar, suas energias sendo sugadas como se alguém chupasse seu sangue.

— Ikitai basho ni iku hitsuyō ga aru. — Murmurou fechando os olhos que ardiam. — Ikitai basho ni iku hitsuyō ga aru. — Repetiu, sua cabeça latejou e seu corpo já suava tanto pelas roupas quanto por fatores adicionais. 

Sentiu seu corpo escorregar do assento e o chão o engolir por inteiro. Como quem emerge das águas, Gaara se levantou sob um chão mais frio e branco, neve. Estava de pé, sentia -se extremamente bem, mas sabia que isso era o efeito enquanto usasse aquele poder, como uma droga. Olhou os arredores procurando a besta, ouviu o som alto de passos lentos, o dragão estava subindo o precipício de novo. Gaara franziu o cenho.

Congelou assim que o viu. Não por medo, mas por receio de que se fosse atrevido, o espantaria. O animal era majestoso a seus olhos, os olhos totalmente azuis o encarava ameaçador. Olhos azuis, era fêmea. Lembrou-se do que o Manticora, Leo, disse. Era aquele dragão. 

Deu o primeiro passo, notando o animal apreensivo e confuso. — Magnífico. 

Já é a segunda vez que me chamam assim hoje. — Afirmou com desdém.

— É porque é a verdade. — Respondeu Gaara ainda absorto, olhava os espinhos inclinados ameaçadores.

O quê? 

Eu posso ouvir seus pensamentos, desculpe. — Afirmou olhando-a nos olhos. 

Como? — Perguntou um pouco mais entretida. — Você fede a Manticora. Você é um deles?!

Não, não. Longe disso. — Negou rindo fraco. — Sou um cara especial, eu encontrei-os por acaso, só. — Afirmou estendendo às mãos. — Sou um cara normal. 

Caras normais não conversam com dragões. 

Talvez não, mas eu me sinto bem normal. — Respondeu dando de ombros. — Você me parece frustrada. 

Não sei voar. 

Oh, nessa idade? — Indagou franzindo o cenho. Tenten soltou ar pelas narinas, incontente pelo comentário. — Está bem, já tentou quantas vezes? — Perguntou se aproximando.

Várias. 

Entendi. — Pensou, sabia que não devia fazer aquilo, usar poderes demais o fazia passar noites horríveis além de sentir-se se perder cada vez mais de si mesmo. Olhou-a, esqueceu-se do que pensava. — Eu posso fazer algumas coisas bem legais... — Começou desviando o olhar.

E o que isso tem a ver comigo? 

Ah, quer dizer, posso ajudá-la a voar. — Afirmou ajeitando sua roupa.

Como? — O animal parecia interessado. 

— Venha, estenda sua asa para mim. — Pediu. 

Não. 

Porque? Olha, estou desarmado. — Disse estendendo às mãos. — Não ofereço perigo, afinal, como um humano nem tão normal como eu seria perigo para um dragão magnífico como você?

Tenten assimilou por alguns segundos, era verdade, qualquer coisa era só esmagá-lo. Estendeu uma de suas asas lentamente, sentiu a mão fria do rapaz seguida por um choque leve que reverberou sob sua outra asa e sua coluna. Sibilou. 

— Está tudo bem! Se acalma! — Exclamou Gaara afastando -se. — Me desculpe, mas isto dói mesmo. — Sorriu. — Agora, tente bater as asas de forma igual, como se elas fossem seus proprios braços. 

Você sabe que sou humana? 

Gaara não respondeu. Sabendo que não teria resposta, a Mitsashi ainda no topo do precipício, tentou movimentar suas asas causando uma alta ventilação. Decidiu cair do precipício mais uma vez, já estava entediada com aquilo. 

Se jogou, movimentando suas asas de forma mais habilidosa, sentia que seus movimentos eram mais fáceis e rápidos. Lembrou-se do que o ruivo lhe disse, fechou os olhos e imaginou. As asas foram se ajeitando lentamente, até que Tenten as movimentou, um pouco ainda fora de ordem, ela se estabilizou movimentando a calda. Estava conseguindo, mas foi de encontro ao chão, a queda havia terminado. Frustrada, subiu novamente, encontrando o mesmo rapaz sorrindo fraco, ele era bonito. Sem distrações e ansiosa, jogou-se mais uma vez. 

Agora parecia menos complicado, ajeitou as asas mais uma vez. Balançando-as de forma uniforme, olhou pro chão, não caía mais, estava voando. Gruniu feliz, queria gritar ou até chorar. Havia conseguido, voava graciosamente sob o céu cinzento sentindo-se livre, olhou os arredores e observou o rapaz, voou até lá aterrissando de forma desajeitada. 

— Você conseguiu, foi incrível. — Sorriu leve. — Só ouvi lendas sobre vocês, me sinto imensamente grato por poder ter esse privilégio de vê-la. — Andou na direção do dragão com uma expressão suave e tocou-lhe na testa com o dedo indicador. Sussurrou. — Doze dias como humana, é a unica coisa que posso lhe dar, desculpe. Depois deste prazo, se transformará em dragão novamente. 

Vou ser dragão para sempre? 

Gaara riu anasalado enquanto fechava os olhos. — Não, você saberá se transformar na hora que quiser, um dia você aprenderá. — Respondeu se afastando, sentiu suas forças esvairem. Retirou sua capa de Imperador largando-a no chão.

Quem é você?

Gaa.. — Foi interrompido por uma tosse longa e estridente. — Preciso ir. — Murmurou. Suas costas arquearam involuntariamente, e o meio ruivo foi puxado por uma força invisível aos olhos dela, para dentro da neve de forma brusca. 

Tenten sentiu seu corpo esfriar, sensação que a muito não sentia. Suas costelas se contorceram em um som ensurdecedor de ossos se partindo. 

.

Neji estava impaciente, não dormiu. Preocupado. Sabia que não devia estar preocupado com um dragão, mas não podia evitar seu sexto sentido. Batia o pé no chão freneticamente, enquanto Naruto dormia tranquilo a seu lado. Estreitou os olhos visualizando uma silhueta esguia se aproximar, a nevasca repentina atrapalhava a sua visão, cogitou usar seu Byakugan, mas lembrou-se das consequências. Atraído, andou até aquela sombra, parecia ser uma mulher por conta do formato do corpo. Apreensivo atravessava a nevasca, abandonando o acampamento no meio das árvores. 

Sua visão ficou mais nítida, uma mulher andava desajeitada e fraca, cambaleante. O corpo protegido apenas por uma capa vermelha, que ela lutava para segurar e envolvê-la em seu corpo. Os cabelos soltos eram grandes e lisos, a franja mal pendia em sua testa por conta da ventania. Neji a conhecia, correu em sua direção de cenho franzido, assim que o viu, a morena deixou -se cair tendo a certeza de que seria segurada, e foi. 

— Tenten? — Ingadou sem acreditar no que via. Suas emoções variavam de alívio à preocupação.








Notas Finais


Talvez eu demore para postar o próximo, só talvez. Mas já avisando.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...