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História Imperium - Capítulo 10


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Capítulo 10 - X - Consumação


Clarissa ergueu sua perna, quebrando a tensão da água enquanto colocava seu tornozelo pálido em cima do colo de uma criada de cabelo tão negro quanto a noite. As mulheres se remexiam ao seu redor, arrumando a cama, acendendo velas e separando uma de suas camisolas, uma rendada e extremamente bela que a Delfina havia lhe dado de presente de casamento, algo que ela nunca usaria com sua própria iniciativa, enquanto que suas colegas trabalhavam no corpo da princesa. Duas servas, Mary e Anne, estavam lavando seus pés até que ficassem macios; outra aproveitava o momento para ensaboar os braços da sua senhora ao mesmo tempo que Sophie Collins penteava seus cabelos longos e volumosos.

O quarto estava em silêncio. As criadas não podiam falar até a palavra lhe ser dirigida e Clarissa se sentia nervosa demais para sequer pensar em iniciar algum assunto. Aquela era a noite mais importante de sua vida: a noite da consumação, quando Jonathan a faria sua esposa aos olhos de seu senhor e colocaria o herdeiro ao trono dentro de seu ventre. Todos na Inglaterra, e Áustria, esperavam por aquela noite. Seu marido não tinha irmãos mais novos e os esposos das irmãs certamente iriam entrar em guerra em busca do vago trono britânico quando Jonathan e o pai morressem. Clarissa precisava dar à luz à um herdeiro varão para dar continuação a ordem de sucessão e a linhagem dos Herondale. Seu futuro filho iria impedir batalhas horrendas, a morte de muitos.

Eu serei como Maria, pensou, com um sorriso no rosto, carregando o salvador do mundo dentro de mim.

As mulheres continuaram trabalhando, alheias aos pensamentos de Clarissa. Passaram-se vários minutos antes que ela pudesse levantar; quando seu cabelo estava brilhante e macio e seu corpo cheiroso. Duas criadas estenderam mãos para ajudá-la.

— Não, obrigada — ela disse, aceitando a toalha de pano oferecida por Ethel e pisando para fora da banheira.

Apesar da água quente ainda escorrer por seu corpo, Clarissa estava tremendo. Talvez pelo ar frio da noite londrino que entrava pelas janelas abertas ou simplesmente por um nervosismo latente que tomava seus ossos.

As criadas secaram seu corpo, puxando para fora a blusa de linho que estava usando enquanto tomava banho e trocando por uma nova e completamente seca. Sophie e Mary colocaram a camisola bordada e amarraram seus laços, deixando um pouco frouxo para ela ter mais liberdade em seus movimentos.

Clarissa estava tão distraída que não percebeu o cheiro estranho até Silvia usar um lenço para aplicar um líquido em seu pescoço, embebedando sua pele com um aroma doce.

— O que é isso? — perguntou.

— Lavanda — respondeu a criada. — É o favorito do Príncipe.

Ah, Clarissa pensou, mas é claro. As servas queriam deixá-la mais atraente para Jonathan, para seu marido e a princesa se sentiu terrível por nem ter considerado essa hipótese. A primeira noite de um casal era a mais importante para determinar se eles seriam felizes ou não, era o que todos na Áustria diziam.

Sophie Collins se aproximou, carregando uma bandeja de prata em suas mãos. Na bandeja, havia uma tigela aparentemente pesada com um líquido aguado em seu interior. Surpreendendo Clarissa, uma colher estava posta ao lado.

— O que é isso? — perguntou, colocando seu roupão.

— Caldo — respondeu a outra.

Clarissa deu um passo para frente e inclinou o rosto para a frente, tentando sentir algum cheiro específico para lhe ajudar a descobrir o que era, mas não foi capaz. Era inglês demais.

— Danke, mas eu não estou com fome — disse, virando-se e andando na direção de sua cama. Precisava se preparar mentalmente para a chegada de Jonathan e tentar não enlouquecer com as inúmeras possibilidades do que poderia acontecer naquela noite.

Sophie, no entanto, foi rápida em interromper seu caminho:

— Receio em dizer que Vossa Alteza não tenha muita escolha nesse assunto.

Clarissa parou no meio de um passo, sem acreditar em seus ouvidos. Ela se virou, uma expressão de confusão estampada em seu rosto, e disse:

— Como assim?

— Ordens do rei, Vossa Alteza — disse Sophie quase como se fosse um pedido de desculpas. — O médico da família real recomendou uma dieta rica para aumentar suas chances de gerar um menino.

A princesa franziu o cenho.

— Mas ele nunca me conheceu. Como pode ter tanta certeza de que isso irá ajudar? — assim que ela falou aquelas palavras, Clarissa entendeu o motivo. Estava tão claro. — Suponho que, antes mesmo de minha chegada, todos já sabiam do meu tamanho.

Pequena demais. Clarissa conseguia a voz de Sebastian em seu ouvido, maldosa e venenosa. Pequena demais, baixinha demais, fraca demais. O Arquiduque nunca foi o melhor amigo de sua irmã mais nova, pelo contrário, e adorava deixar claro sua superioridade. Mais alto, mais forte, mais sadio. Não importava quantas vezes Clarissa rezasse, chorasse e repetisse de que ainda poderia crescer, Sebastian sempre parecia ganhar. O Imperador e a Imperatriz nunca fizeram nada, assim como as governantas e as babás dos dois, porque ele era um menino e o herdeiro do trono.

Ela suspirou. Não iria estragar aquela noite pensando em seu irmão mais velho. Deveria ser boa e seguir as instruções do médico à risca.

Clarissa se sentou e pegou a tigela. Ela comeu em silêncio, sentindo o líquido sem gosto atingir sua língua e descer quente por sua garganta. As criadas a observaram com sorrisos de aprovação e a princesa as imaginou correndo para a condessa de Pembroke, relatando como ela havia obedecido.

Quando terminou, Ethel pegou a bandeja e saiu, levando a tigela e roupas sujas consigo. As outras servas foram saindo aos poucos, apagando as velas e retirando a banheira do quarto. Passaram vários minutos até que fosse apenas Clarissa e Sophie, sua criada pessoal, no quarto, completamente sozinhas.

Sophia estava alisando as cobertas da cama, retirando dobras invisíveis no tecido. Clarissa a observou em silêncio, tentando encontrar a coragem dentro de si.

— Irei abrir a porta para o Príncipe entrar, Vossa Alteza, e depois estarei esperando na antecâmara, caso precise de mim — disse, afofando os travesseiros. — Posso acabar adormecendo, então não sinta vergonha em me acordar, princesa. Estou ao seu dispor.

Clarissa assentiu, sentada em um divã rosa, as costas apoiadas em uma almofada, enquanto abraçava outra. Ela havia retirado seu roupão apertado em uma tentativa de ficar mais confortável.

— Sophie, — começou, uma onda de timidez a atingindo. — Posso lhe fazer uma pergunta?

Sophie parou, suas mãos paralisadas no meio da tarefa de mexer com os travesseiros, e virou o rosto para a princesa.

— Mas é claro, Vossa Alteza — respondeu, se afastando da cama e andando até Clarissa. — Estou aqui para te ajudar, madame.

Um peso se soltou dos ombros da Arquiduquesa e ela conseguiu respirar mais livremente, como se seus pulmões estivessem obstruídos pela culpa.

— Eu sei que você não é casada, mas… — as bochechas de Clarissa queimaram e ela sabia de que deveria estar completamente vermelha. — Estava me perguntando se você não conhece alguém, uma amiga talvez, que saiba o que acontece… durante a consumação.

Clarissa estava olhando para seu colo, brincando com os próprios dedos, portanto não conseguiu ver qual expressão tomou o rosto de Sophie, porém imaginava confusão, ou talvez inocência.

— Bom, — começou a criada, hesitante. — Eu tenho uma amiga que… que se apaixonou pelo primo do mestre da casa onde ela trabalhava e acabou dando a ele sua virtude. Nós somos muito próximas, então ela acabou me contando muito sobre o que aconteceu naquela noite.

Clarissa ergueu o rosto.

— O que ela te disse? — perguntou, agarrando a mão de Sophie. Estava tão nervosa.

Sophie respirou fundo.

— Parte da conversa da conversa não é apropriada para seus ouvidos, Vossa Alteza, no entanto, ela me disse de que o processo foi doloroso. E nem um pouco como ela esperava.

Os ombros de Clarissa caíram e ela se sentiu murcha, quase decepcionada. Odiava sentir dor, principalmente considerando o fato de ela ser obrigada a fazer aquilo.

— Mas só as primeiras vezes são assim, Vossa Alteza — assegurou Sophie, dando um aperto confortável nos dedos da princesa. — Quando aprender o que fazer, vai ser melhor. Prometo.

Clarissa tentou arrumar algum conforto nessas palavras. Ela respirou fundo e remexeu seus ombros, esperando seus músculos relaxarem.

Alguém bateu na porta três vezes e Sophie se levantou, andando até lá. A criada conversou em tom baixo com um dos guardas do lado de fora antes de se virar, uma expressão neutra estampada em seu rosto.

— O Príncipe chegou, Vossa Alteza — disse.

Clarissa piscou os olhos e respirou fundo. Ela não estava com medo.

— Mande-o entrar — respondeu.

Sophie assentiu e disse alguma coisa para o guarda. As portas se abriram com pompa e Jonathan entrou, as mãos juntas em suas costas. Ele olhou ao redor, franzindo o cenho com as paredes e o local dos móveis. Era o quarto da mãe dele, ela se forçou a lembrar. Obviamente, o marido iria estranhar a nova decoração.

Ele estava usando uma blusa de algodão e calças, além de um roupão de seda, mas era só isso. As bochechas de Clarissa se encheram de cor ao vê-lo tão despido.

Os olhos dourados de Jonathan pararam nela, sentada no divã e segurando um travesseiro como uma criança assustada. Imaginou que não parecia a sedutora tempestuosa que ele chamava de amante, mas esperava ter alguma coisa em si para atrair a atenção de seu marido. E ela deveria estar certa, pois ele sorriu.

Clarissa se levantou e fez uma reverência simples. Sophie já havia saído.

O cabelo dele era muito comprido, ela percebeu, quase tão comprido quanto o seu. Jonathan deu um passo em sua direção. Ela achava que ele iria beijá-la e se preparou para isso, fechando os olhos e colocando-se na ponta dos pés, mas ele não o fez. Clarissa sentiu um toque macio em suas mãos e abriu os olhos, vendo como seu marido acariciava seus dedos com o polegar.

Havia uma pergunta em seus olhos e Clarissa sabia o que ele queria sem mesmo precisar ouvi-lo.

— Finger — ela sussurrou, sua língua nativa rolando para fora de sua boca.

Jonathan subiu o seu toque e uma onda de calafrios correu pelo corpo de Clarissa, carregando arrepios para todos seus pelos.

— Handgelenk — disse, quando seus dedos circularam seu pulso.

Era estranho imaginar como o roçar de sua pele contra a de Clarissa poderia atrair tantas reações. Ela pensava que iria desmaiar com tanta carinho, tanto cuidado.

— E esse? — perguntou Jonathan, tocando em seu ombro.

— Schulter — Clarissa respondeu.

Os lábios de Jonathan encostaram em sua pele no local de encontro entre o pescoço e o ombro, quentes e macios.

Sua boca traçou um caminho até seu ponto pulsante, a toque molhado de sua língua marcando-a como sua.

— Hals — ela sussurrou.

As alças de sua camisola caíram de seus ombros, o tecido se afastando de seus seios e acumulando em seu quadril. Jonathan aproveitou o momento para beijar seu rosto, seus lábios macios se arrastando de seu maxilar até seu queixo, seguindo para sua boca.

— Clarissa… — ele murmurou, empurrando-a na direção da cama.

Ela caiu sem perceber, jogando seu corpo na maciez do colchão e expondo seu tronco. Jonathan parou por um segundo, olhando-a como se Clarissa fosse sua presa, uma criatura a ser domada. Ele puxou a camisa de linho para fora de seu peito e as chamas das velas no quarto refletiram em sua pele dourada como asas se abrindo em suas costas. Ele era um anjo, prestes a colocar seu filho dentro dela.

— Espere! — ela pediu, colocando uma mão nos ombros de Jonathan quando ele ameaçou subir por cima dela. O coração de Clarissa estava batendo com força em seu peito e ela não sabia se estava fazendo essa pausa por desejo ou por medo do que estava por vir. — Precisamos rezar antes. Precisamos pedir para o Senhor abençoar nossa união com um menino saudável.

Jonathan riu, porém parou quando viu em seus olhos o quão séria estava sendo.

— Eu não rezo, meu anjo — ele disse, empurrando uma mecha ruiva de seu cabelo para trás de sua orelha. — Há muito tempo, na verdade.

— Mas o governante da Inglaterra é o chefe da Igreja Anglicana — Clarissa protestou, sem acreditar em seus ouvidos.

— Dúvido que alguém além de Henry VIII tenha escolhido essa posição. — ele inclinou a cabeça para o lado, analisando-a. — Eu não escolhi ser o futuro rei, assim como não escolhi ser o futuro chefe da Igreja Anglicana.

Ele a beijou, então, acabando com suas chances de fazer mais perguntas. A pele de Jonathan era quente contra a sua, prensando em seus seios, e suas mãos estavam em todos os lugares, atraindo todas as sensações. Quando os dedos longos de seu marido tocaram entre suas pernas, o lugar que todas as governantas lhe avisaram para nunca mexer, Clarissa engasgou, prendendo a respiração enquanto uma onda de prazer se borbulhava em seu ventre.

Ela fechou seus olhos quando ele retirou sua camisola, o ar frio da noite batendo contra seu corpo, e os manteve fechados quando Jonathan também ficou nu. Não conseguia ver, não importava quanta coragem tentava arrumar dentro de si. Clarissa se lembrou das palavras de Sophie, como o processo era doloroso. Por favor, meu Senhor, faça ser rápido.

Jonathan se pressionou contra ela e toda a sombra do prazer de antes desapareceu com uma respiração. Clarissa franziu o cenho, agarrando os lençóis ao seu redor, e apertou o rosto contra seu travesseiro. A dor era mais aguda do que poderia ter pensado, a perda de sua virtude mais desconfortável do que poderia ter imaginado. Lágrimas chegaram em seus olhos e escorreram por seu rosto.

Vai ficar tudo bem, ela disse para si mesma, essa é a única forma de você ter um bebê.

Clarissa tentou pensar em Maia, tão longe em sua casa. Daria tudo para tê-la ali, na Inglaterra consigo.

O peso de Jonathan era muito contra seu peito, mas Clarissa tentava manter sua respiração estável. Agrade seu futuro marido, disse a voz de uma governanta particularmente chata em seu ouvido, será sua culpa se ele não se deitar com você. Ela tocou em seus ombros musculosos, passou os dedos em seus fios dourados e circulou sua cintura com as próprias pernas, de alguma forma sabendo o que fazer.

De alguma forma, a dor diminuiu, ainda presente o suficiente para não ser considerada prazer, porém não tão mais desconfortável. Ela conseguiu respirar mais livremente e encostar a testa contra a dele.

A respiração de Jonathan se acelerou depois de alguns minutos e ela abriu os olhos, o rosto de seu marido apenas centímetros de distância do seu, e percebeu que ele estava olhando para ela. Havia uma ruga de preocupação entre suas sobrancelhas, como se não soubesse o que fazer com ela, e ele a beijou.

Jonathan estava suado e quente, quase como Sebastian ficava quando participava das aulas de esgrima da Corte, porém de uma maneira maior e mais importante. Ele gemia contra seus lábios, talvez doía para ele tanto quanto para ela, e sua respiração estava fraca e sem ritmo. Ele agarrou a cabeceira, as veias de seu braço forçando seu caminho contra sua pele, e gemeu, derramando dentro dela.

Foi como se tudo mudasse ao seu redor. Jonathan saiu de cima dela, caindo ao seu lado, mas não durou muito tempo na cama. Ele pegou as calças e a blusa jogadas no chão, virando-se de costas para ela. Clarissa se ergueu um pouco e sentindo algo grudento escorrer por suas coxas, uma coisa branca se misturando com o sangue. Não era muito, mas era o suficiente para ela saber. Clarissa Morgenstern não era mais uma virgem.

Ela ergueu a cabeça, determinada a perguntar para Jonathan se já estava grávida, quando o viu se levantando, completamente vestido.

— Aonde vai? — ela perguntou, franzindo cenho.

Jonathan parou e olhou para ela.

— Para o meu quarto.

O coração de Clarissa parou e um zumbido preencheu seus ouvidos. Não conseguia acreditar no que estava ouvindo.

— Fique — disse. — Por favor.

Ele hesitou e uma expressão de dor cobriu seu rosto. Parecia que ele estava considerando a hipótese quando algum pensamento nefasto cruzou por sua mente.

— Não posso — começou. — Perdoe-me.

E ele foi embora.



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