História Importância - Capítulo 9


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Categorias Naruto
Personagens Hinata Hyuuga, Itachi Uchiha, Sakura Haruno, Shisui Uchiha
Tags Itahina, Itasaku, Naruto, Romance, Sasuhana, Shisuhina
Visualizações 430
Palavras 4.787
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


O Capitulo está fervendo!

Acho que esse foi o momento certo e espero não ter me precipitado!

Enfim, boa leitura!

Capítulo 9 - Quando as Portas se Fecham


Fanfic / Fanfiction Importância - Capítulo 9 - Quando as Portas se Fecham

I long to hear your voice, but still I make the choice

To bury my love, in the moondust

Jaymes Young - Moondust

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- Ora, ora... Parece que alguém resolveu colaborar!

Um sorriso de expectativa riscou-se nos lábios da morena, seus olhos fixos no monitor enquanto o médico deslizava o pequeno aparelho pelo gel sobre seu ventre. Só olhar aquele pequeno pontinho na tela já mexia significativamente com seus sentimentos, e a morena não deixava de se perguntar se seria assim com Itachi, se ele se emocionaria tanto quanto ela; se amaria aquele pequeno serzinho.

As dúvidas ameaçavam levá-la a loucura e a corroíam por dentro, e a morena sabia que já era hora de revelar ao ex-marido que ele seria pai. Não era uma notícia que ela estava louca para dar, Itachi sabia ser cruel quando queria, e Hinata não estava nem um pouco ansiosa para ouvir as acusações dele.

- Ah, aí está... Uma menininha. – A Hyuuga o encarou com surpresa. – Aposto que vai ser tão linda quanto à mãe!

- U-uma menina!?

- Sim, uma menininha muito saudável... Ouça isso! – Um som preencheu a sala. – Escute, esse é o coração da sua filha!

Foi impossível conter as lágrimas, ou a onda de amor que a engolfou quando aquele som invadiu seus ouvidos. Era a coisa mais maravilhosa que já tinha ouvido em toda a sua vida, e por mais que o medo ainda determinasse algumas de suas decisões, Itachi precisava saber que nem tudo no casamento deles havia sido um erro.

Lágrimas de felicidade molharam seu rosto, enquanto um sorriso bobo brincava em seus lábios e seus olhos mantinham-se fixos no monitor. Seu bebê era real, e aquela constatação só serviu para enchê-la ainda mais de amor, e apavorá-la por tudo que ainda estava por vir, especialmente a reação de Itachi.

- Vou lhe dar alguma privacidade, e você pode recolocar suas roupas... – O som da voz de Tobirama a despertou do torpor. – Me encontre no meu consultório, enquanto você se veste eu vou dar uma olhada nos resultados dos exames que fizemos na semana passada...

A morena simplesmente assentiu; incapaz de conter a euforia ou a ansiedade que explodiam em seu peito. A felicidade era tamanha que não cabia dentro do peito, e por um minuto ela quase se sentiu culpada por não ter dividido aquela alegria com Shisui... No entanto, aquele era um momento dela e mesmo que parecesse egoísmo, era algo que ela precisava fazer sozinha. Um momento mãe e filha!

Um sorriso enorme e luminoso desenhou-se em seus lábios enquanto dava duas batidinhas na porta do consultório de Tobirama e entrava. Sua mente estava tão embotada pelo bebê, que nem mesmo o charme e a beleza hipnótica do médico foram capazes de desviar sua atenção.

- Seu período gestacional é compativel com 16 semanas, seus exames estão todos ok e sua saúde impecável... – O platinado indicou a cadeira para que ela sentasse. – Como você está um pouco abaixo do peso, vou apenas receitar algumas vitaminas e assim garantimos que tudo continue caminhando da maneira mais perfeita possível!

- Obrigada doutor!

E foi naquele momento que o homem decidiu abrir o sorriso mais erótico e lindo que Hinata jamais tinha visto. Seu cérebro entrou em colapso e a morena levou mais tempo do que o necessário para entender que ele estava lhe entregando os resultados dos exames e se despedindo com outro sorriso ainda mais perturbador.

- Você está se sentindo bem, Hyuuga-san!?

Aquele tom de quem sabia mais do que devia, unido ao sorriso “molha calcinha” deixaram a morena vermelha como um tomate, assentindo enquanto uma careta engraçada se desenhava em seu semblante.

-É fácil sorrir desse jeito quando se é gostoso pra cac...

A morena se interrompeu no meio da frase, os olhos arregalados e o rosto em chamas enquanto observava o sorriso de pura satisfação masculina aumentar gradativamente no rosto sempre circunspecto de Senju Tobirama. Kami, aquele homem era uma tentação ambulante e embaralhava seus neurônios!

- Então eu sou gostoso pra cac... Hyuuga-san!?

- Muitíssimo obrigada por tudo Senju-dono, agora eu realmente preciso ir!

O mais velho sorriu do nervosismo e da pressa, fazia muito tempo desde que uma mulher havia mexido com seus sentimentos daquela maneira... E, Hyuuga Hinata era um tipo perigoso de mulher: Elas faziam você se apaixonar ao ponto da loucura e simplesmente fingiam não notar aquele sentimento.

- Hyuuga-san...

A morena congelou com a mão na maçaneta, mais não se voltou para encara-lo.

- Eu quero que saiba que o sentimento é recíproco. – os dedos se esbranquiçaram com a pressão que a morena fazia. – Peça a recepcionista para marcar uma nova consulta para o mês que vem!

Hinata respirou aliviada quando a porta do consultório se fechou ás suas costas. Ela teria um mês inteiro para se acostumar com o fato de que seu médico era um homem gostoso demais para o próprio bem, e que achava que ela era gostosa também.

A morena se abanou enquanto avermelhava, um mês era muito pouco tempo!

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A loira observou os transeuntes com enfado. Fazia uma semana que estava fugindo de tudo e todos; deixou de atender as amigas, cancelou compromissos que lhe renderiam um bom dinheiro e até mesmo as ligações de Inoichi estavam sendo ignoradas. Sua cabeça trabalhava a mil por hora e ela precisava entender o medo irracional que havia adquirido de se relacionar seriamente com os homens.

Será que ela havia deixado Shikamaru e um relacionamento infantil destruir toda sua confiança?

Quando o moreno sentou-se á sua frente com um sorriso de esperança estampado nos lábios ela teve vontade de socar a cara dele. Aquele idiota realmente achava que ela era alguma idiota para simplesmente perdoá-lo? Perdoar era o que Hinata fazia, mais a morena era quase uma santa na maioria das vezes então Ino não poderia julgá-la, existiam pessoas e pessoas. E ela era o tipo de pessoa que não tolerava qualquer tipo de traição!

- Você disse que queria conversar! O moreno quebrou o silêncio.

- Porque você me traiu?

Aquela pergunta a queima roupa o pegou desprevenido, e a loira quase sorriu da surpresa estampada em seu semblante. Era nítido que ele não esperava aquela pergunta.

- Eu não sei...

- Não me venha com essa desculpa esfarrapada Nara, você é inteligente o suficiente para me entreter com uma historia melhor.

O moreno recostou-se na cadeira, uma mão apoiada no tampo da mesa e a outra caída ao lado de seu corpo. Vez ou outra ele deixava seu olhar divagar pelas pessoas que passavam, e só por aquele semblante meio distante Ino sabia que ele procurava a melhor maneira de se explicar... Ou de inventar algo bom o suficiente para convencê-la.

- Nós nos conhecemos desde o primário. – Um sorriso nostálgico se desenhou nos lábios finos. – Você sempre foi problemática e barulhenta; mais havia alguma coisa em você que me puxava para perto... Por anos eu pensei que esse magnetismo fosse amizade, mais conforme íamos crescendo, mais eu queria você por perto, mais eu precisava da sua companhia...

- Minha companhia deveria ser realmente importante, já que eu levei um chifre fenomenal e inesquecível...

- O que eu sentia por você não teve nada a ver com a burrada que eu fiz, eu arruinei as coisas entre nós e não tem um único dia em que eu não me arrependa.

- Que bom que eu não sou a única arrependida!

- Você pode, ao menos uma única vez, tentar ser madura e me escutar ao invés de lançar esse seu veneno!?

- Porque eu deveria escutar um mentiroso como você?

- Porque eu sinto a sua falta, porque nada mais foi o mesmo depois que você foi embora! Porque não há um único dia em que eu não me culpe por ter arruinado as coisas entre nós, por ter deixado você escapar por entre os meus dedos e principalmente por ter te magoado!

A loira se calou diante da explosão. Ela nunca tinha presenciado esse tipo de reação em Shikamaru, ele estava sempre cansado demais, ou sonolento demais para se importar com qualquer coisa que não fosse respirar e contemplar as nuvens. Era uma surpresa e tanto vê-lo gritar e ficar vermelho de raiva.

- Eu estou apaixonada por alguém!

O moreno se recostou na cadeira, em seus olhos Ino podia notar toda a falta de esperança e decepção. E mesmo que ela soubesse que era errado, sentia-se mais leve por provocar nele metade da dor que ele havia causado á ela.

- E antes que você diga que isso é alguma espécie de vingança, não é... – A loira suspirou, os dedos brincando com um copo enquanto tentava encontrar palavras para expressar o que estava sentindo. – Com Ele tudo é diferente, de uma forma que eu jamais senti! Ele me faz sentir amada... Ele me faz querer a casinha com cerca branca e os pirralhos remelentos. E eu só; eu não consigo...

- E você tem medo que ele faça a mesma coisa que eu fiz? Abandonar você por outra?

A loira encarou o amigo num misto de surpresa e raiva, como o idiota ainda conseguia decifra-la com apenas um olhar e algumas palavras?

- Como você...?

- Você continua sendo a mesma menininha louca e desmiolada de sempre. – O moreno suspirou, escolhendo as próximas palavras. – Depois que você foi embora, Temari e eu ficamos juntos por um mês... Eu não conseguia corresponder aos sentimentos dela porque eu sabia que tinha magoado você, a garota por quem eu tinha sido apaixonado metade da minha vida estava destroçada e sozinha, e eu sabia que não podia simplesmente continuar com aquilo e fingir que nada tinha acontecido...

- Mas você continuou; namorou com ela por anos!

Uma risada baixa escapou dos lábios finos do moreno, e Ino estava pronta pra perguntar qual era a graça quando ele a encarou com seriedade e uma pitada de remorso.

- Fui amigo da Temari por anos, ela sabia que eu não poderia manter um relacionamento amoroso com ela... Não depois do modo como eu e você nos separamos. A culpa me corroía por dentro!

- Por causa dela!

- A culpa não foi só dela, eu ajudei bastante a arruinar as coisas entre nós. - Shikamaru suspirou cansado. – Além do mais, foi por causa dela que eu aceitei o caso da Hyuuga-san... Ela meio que descobriu que vocês são amigas e me encarregou do caso. Foi à única maneira que eu encontrei para me reaproximar de você, tentar reparar os erros que eu cometi no passado!

- E você está satisfeito com seus avanços?

- Estar sentado aqui conversando com você já é mais do que eu esperava levando-se em conta seu gênio terrível!

A loira deixou que um sorriso miúdo se desenhasse em seus lábios. Ela tinha sentido falta dessas conversas e da maneira como Shikamaru parecia desarmá-la com apenas um olhar e um sorriso miúdo. Era bom ter o amigo de volta.

- Você deveria lembrar-se dos bons momentos que tivemos e enterrar todo o resto... O passado não pode ser apagado, mais você tem uma chance de ser feliz agora e está desperdiçando isso por medo!

- Eu não sei se posso confiar... Eu saí tão machucada da ultima vez!

- Isso são só desculpas pra não tentar... Você tem medo de ser feliz!

- E você está querendo morrer.

Shikamaru encarou a loira por longos minutos. Ino havia se transformado em uma mulher deslumbrante que chamava a atenção por onde quer que ela passe; mas ele ainda podia notar vestígios da menininha insegura que ela havia sido em seus olhos azuis. Seu semblante tornou-se sombrio e a culpa que ele carregava duplicou de tamanho, ele havia destruído os sonhos e a confiança dela.

Ino até podia posar de mulher fatal, mais Shikamaru sabia que ela podia ser tão insegura quanto a Hyuuga.

- Você deveria dar uma chance pra esse cara, e se por acaso ele for estúpido o suficiente para te fazer algum mal, você pode me chamar e eu me encarrego de dar cabo á vida dele!

- Como se você fosse priorizar uma surra ao invés de uma soneca!

Os dois caíram na gargalhada, e o moreno agradeceu aos Kamis pelo momento de descontração. Aquele não era o desfecho que ele esperava para os dois, mais tê-la por perto era mais importante do que qualquer outra coisa. Mesmo que fosse na friendzone.

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O moreno observou o porta-retratos na estante de sua sala com consternação. Ele sabia que deveria dar um fim no objeto, mais não tinha forças para simplesmente apagar aquela mulher de sua vida. Ele era mesmo um completo idiota, e como Mikoto havia dito, ele amargaria o fim daquele casamento pelo resto da vida, e dessa vez não haveria nem mesmo o consolo de ter Sakura de volta.

Ele não a queria, ele não a amava.

Seus pés o levaram para mais perto do objeto, seus dedos correndo lentamente pelo rosto sorridente de sua ex-mulher eternizada naquela fotografia. Ela tinha um sorriso leve e os olhos brilhavam de felicidade, era impossível não notar a beleza e simplicidade retratada de forma tão espontânea, e por um minuto seus pensamentos o levaram de volta aquela praia, nas primeiras semanas de casamento e nos momentos mais intensos e prazerosos de seu casamento.

Ele amava Hinata. E se perguntava, como não havia notado antes?

A morena havia se infiltrado em suas veias como um vírus, sua presença tornando-se a cada dia mais e mais indispensável. Com um sorriso miúdo nos lábios, o moreno recordou-se das vezes em que simplesmente ignorava o trabalho incompleto somente para chegar em casa mais cedo e  flagrar a esposa metida naqueles ridículos aventais que ela parecia amar... Vê-la corando quando a surpreendia cantando sozinha, beijá-la até que perdesse o ar e provoca-la enquanto faziam amor somente para ouvi-la rogando por mais.

O porta-retratos voou pela sala, batendo violentamente numa parede e espatifando-se no chão. O moreno secou a lágrima traidora e respirou fundo tentando acalmar os ânimos, seus passos guiando-o até a janela panorâmica do escritório enquanto colocava os pensamentos em ordem.

As pessoas costumavam dizer que ele era um gênio, onde estava essa genialidade que o impediu de enxergar algo tão obvio? Enxergar a mulher maravilhosa que tinha á seu lado? Ele havia apostado tudo em um amor do passado só pra se arrepender.

Batidas na porta o despertaram do torpor, e segundos depois sua secretaria adentrou a sala visivelmente amedrontada. Itachi deixou que um sorriso miúdo se desenhasse em seus lábios, ela provavelmente tinha escutado o barulho do vidro se espatifando.

- Itachi-sama, o Sr. Sarutobi cancelou a reunião dessa tarde... Ele disse que não tem nenhuma intenção de opor-se comercialmente á Hyuuga-sama.

O moreno fechou os olhos, o ódio fluindo por todo seu corpo e aumentando gradativamente. A empresa de sua família estava a um passo da falência e o Hyuuga parecia estar particularmente adorando pisoteá-los e humilhar os Uchiha publicamente. Ele sabia que aquela situação era culpa dele, mais jamais havia esperado um comportamento tão mesquinho e mimado da ex-mulher. O que ela ganhava provocando a perda de centenas de empregos, e destruindo pessoas que ela dizia amar?

A ruiva pigarreou chamando sua atenção, aparentemente as más noticias não tinham acabado.

- O Sr Kakuzu também ligou... – Itachi suspirou, já prevendo a notícia. – Ele disse que é impossível conceder um empréstimo nas atuais circunstâncias de mercado...

- Saía...

- Haruno-san está na sala de espera.

Itachi lançou um olhar enviesado para a ruiva que se apressou em sair e fechar a porta. O moreno socou o tampo de madeira da mesa, a dor provocada agindo como anestesia para a fúria que ameaçava se libertar. O trabalho de toda uma vida de seu avô e pai seria destruído em menos de duas semanas, e a culpa era toda dele.

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- Eu te aconselho a ficar bem longe daquela sala... O homem está louco e provavelmente possuído por alguma coisa, eu nunca vi Uchiha-sama tão fora de controle!

Sakura encarou a mulher com o cenho franzido e algum receio. Ela já não temia tanto a fúria de Itachi, e sabia que era capaz de aguentar alguns gritos e objetos voadores. A rosada suspirou derrotada, no fim das contas ela estava em divida com o moreno e o mínimo que poderia fazer era aturar um surto de raiva.

Itachi havia dado á Sarada uma família maravilhosa, Mikoto era a típica avó babona e fazia todas as vontades da neta. Fugaku posava de frio e impessoal, mais se derretia completamente quando ganhava um sorriso, Shisui mantinha-se discreto e distante, mais era sempre bem-humorado e atencioso com a pequena. Itachi havia se tornado um tio\pai, era pra ele que Sarada corria quando se sentia insegura, e era ele a quem ela obedecia quando precisava de rédeas curtas... O único que ainda resistia era Sasuke.

O caçula alternava mau-humor com completa indiferença, e por vezes era difícil manter-se no mesmo cômodo que ele sem querer esmurra-lo até a morte. Era um exercício de paciência diário, e Sakura orgulhava-se de estar se tornando quase uma expert em conter-se.

Sarada precisa do pai. Sarada não precisa ser órfã. Eu não posso ir presa por assassinato... A rosada repetia como um mantra.

Ela bateu na porta e entrou sem esperar uma resposta, e por alguns segundos arrependeu-se de não ter dado ouvidos aos conselhos da ruiva e ter simplesmente ido embora, o semblante do moreno era temível e ele parecia a ponto de matar alguém. A vida era mesmo uma droga!

- Ohayo! – A rosada forçou um sorriso, recebendo um estreitar de olhos em resposta. – Então, como vão as coisas?

- Cancelamentos de contratos, recusa de empréstimo e possível falência... Como você acha que as coisas estão?

A rosada arregalou levemente os olhos, ela não imaginava que o Hyuuga fosse tão poderoso e vingativo. Aparentemente o divorcio de Itachi e Hinata estava custando mais do que o moreno esperava, e ela sabia que tinha parte da culpa pela atual situação. Hyuuga Hiashi simplesmente se recusava a ouvir os apelos de Fugaku e Mikoto, e ela podia perceber que mesmo a felicidade pela descoberta da neta era ofuscada em alguns momentos pelos problemas que assolavam a família.

- Você podia tentar conversar com a sua ex-mulher...

No momento em que aquelas palavras abandonaram seus lábios, a rosada soube que havia cometido um erro. Falar da Hyuuga na frente de Itachi, era como vê-lo se transformando em outra pessoa furiosa e pouco racional.

- Isso é sério? – O moreno usou um tom jocoso, quase debochado. – E o que você me aconselharia a dizer? Que eu estou disposto a ser o cachorrinho dela por mais alguns anos se o pai dela concordar em parar com a perseguição? Talvez se eu concordar com uma foda mensal ela me arrume um empréstimo? Ou eu só deveria me ajoelhar e pedir perdão por ter acabado com uma droga de casamento!?          

- Você realmente acha que ela faria algo assim? – Itachi estava pronto para negar, quando a rosada continuou. – Essa descrição não se parece em nada com as coisas que sua mãe deixa escapar... Ela sempre diz que Hyuuga-san é amável, doce e pronta para ajudar!

- Okaa-san só está fazendo o que ela faz de melhor... Enxergando apenas o que ela quer ver!

Itachi sentou-se em sua cadeira, o queixo apoiado nos dedos cruzados e o olhar perdido. Ele sabia que estava sendo injusto e omisso, e também sabia que bastava um telefonema para Hinata e a perseguição acabaria. Mais falar com ela ainda era algo que ele achava impossível, e receber qualquer tipo de ajuda da mulher que ele tinha magoado era uma covardia sem tamanho.

Ele daria tudo pra voltar no tempo e mudar suas escolhas.

- Uchiha-sama. – A voz de Karin o despertou do torpor, e o moreno aguardou as más noticias. – Hinata-sama está aqui!

O moreno não emitiu som, mas assentiu com a cabeça. Suas mãos suavam frio e seu coração batia como louco dentro do peito. Hinata era como um feixe de luz na escuridão. A morena usava um vestido de verão folgado que chegava até as coxas, os cabelos estavam soltos e um sorriso miúdo e incerto adornava seus lábios.

- Ohayo Itachi-sama.

Aquela voz doce e serena o congelou, e tudo o que ele queria naquele momento era alcançá-la e tocá-la, garantir que ela estava de fato na sua frente e que não se tratava de um sonho ou alucinação.

- Como tem passado Hyuuga-san? – A morena se empertigou, notando pela primeira vez a presença da rosada. – Ouvi dizer que sofreu um acidente!?

- Aquilo foi apenas um susto e o médico garantiu que não há nada de errado... Na verdade eu estou aqui justamente por isso, será que podemos conversar?

- Pensei que estávamos fazendo exatamente isso, conversando!?

- Itachi, eu realmente preciso ir...

- Você não vai a lugar nenhum, Hyuuga-san não tem nada pra me dizer que possa me interessar!

- Itachi!

Sakura disse com firmeza, chamando a atenção do moreno, Itachi limitou-se a ignorá-la e fixou seus olhos no semblante decepcionado da ex-mulher. Havia algo diferente nela, um brilho que nem mesmo a tristeza em seus olhos podia apagar.

- Seu pai está destruindo essa empresa por puro capricho, e imagino que um toque seu de vingança! – A morena ofegou, a primeira lágrima rolando e fazendo-o sentir-se miserável. – Você tem noção da quantidade de pessoas que vão perder seus empregos por causa da sua vaidade exacerbada? Porque você perdeu seu marido de estimação?

- Itachi, eu... Eu juro que não sabia de nada! – Ele viu a verdade nos olhos dela, mais se recusou à aceita-la. – Otou-san não me disse nada a respeito disso, e eu jamais faria algo assim por orgulho ou vaidade. Você me conhece!

- Será que conheço? – O cinismo na voz de Itachi a amedrontou. – Eu me casei com você porque nossas famílias queriam uma fusão, um acordo vantajoso em que todos sairiam lucrando... Nunca houve mais do que isso, pelo menos não da minha parte!

Ouvir aquelas verdades sendo despejadas em sua face tão displicentemente machucou mais do que ela esperava. Aquele era um segredo que ela gostava de pensar que era a única que conhecia; mas aparentemente Itachi estava sempre um passo á frente. Sempre pronto para magoá-la das mais variadas formas.

- Eu jamais pedi, ou encorajei Otou-san á agir dessa maneira... Eu nunca esperei ou desejei que ele prejudicasse você, sua família ou sua... Sua filha!

Um olhar foi o suficiente para silenciar Sakura, e a tensão na sala pareceu ainda mais palpável. E foi com aquela atitude mesquinha e covarde que Sakura finalmente entendeu, Itachi tinha tanto medo de amar aquela mulher que se tornava um completo canalha e covarde.

- Bom, é fato que ele fez... E se você estivesse tão perturbada quanto diz, não estaria aqui me fazendo perder tempo e sim tentando demovê-lo dessa ideia estapafúrdia!

- Eu juro que falarei com Otou-san, mais agora eu realmente preciso conversar com você... – Os olhos perolados moveram-se para a rosada, e de volta ao moreno. - O assunto que eu tenho pra tratar é pessoal... Por favor!

- O que quer que você tenha pra me dizer, você pode dizer na frente dela!

-Itachi, eu não... A rosada foi interrompida pela voz fria de Itachi.

- Você fica Sakura, seja lá o que for que Hyuuga-sama tenha a dizer, ela vai dizer na sua frente!

A rosada assentiu enquanto se encolhia na poltrona que ocupava, se tinha aprendido alguma coisa nesses dias de convivência com Itachi, era que quando o moreno estava nervoso daquele jeito o melhor era acatar suas ordens sem questionamentos, mesmo que a situação fosse uma droga.

 Os olhos perolados se arregalaram em choque e decepção. Porque ela achou, mesmo que por um minuto que tudo ia ser diferente? Que ele escolheria ela, ao invés da outra? Que ele seria compassivo, ou mesmo compreensivo com ela, quando em dois anos de casamento jamais tinha sido? O que ela tinha de errado? Porque ainda depositava esperanças na pessoa errada?

- Você, não... – A morena se interrompeu, os olhos brilhando com as lágrimas. - Itachi, eu... Eu vim pra conversar, o que Otou-san fez foi errado... E eu estou disposta a oferecer minha ajuda.

- Sua ajuda é tão inútil e desnecessária quanto você... – Ele ouviu Sakura ofegar horrorizada no canto da sala, mas fez questão de ignorar a rosada. – Você e seu pai destruíram essa companhia... Mas não se iluda, achando que eu a aceitaria de volta por isso, ou pela ajuda monetária que seu pai com certeza está disposto a injetar nessa empresa para que voltemos a ser o casal do ano... Nada me faria voltar pra você... Agora, se você não tem mais nada pra me dizer, eu gostaria que saísse... Eu estou no meio de algo importante aqui, e você está atrapalhando!

Imóvel no meio da sala, a morena deixou que as lágrimas caíssem livres pelo seu rosto e encarou o homem por quem foi apaixonada nos últimos três anos. Aquela era uma faceta cruel e indiferente de Itachi que ela nunca tinha visto, e as palavras dele magoavam tanto que era muito mais fácil jogar tudo para o alto e sair dali como ele queria. Seu olhar desviou-se para a Haruno, a mulher parecia chocada e lhe endereçava um olhar de piedade que a incomodou e envergonhou. Incapaz de sustentar aquele olhar, a morena encarou os próprios pés, buscando forças para fazer o que tinha se proposto a fazer. Contar a verdade, mesmo que ele não merecesse!

Ela era realmente uma idiota!

Suas mãos tremiam enquanto ela abria a bolsa e alcançava o pequeno envelope entre seus pertences. Ela teria dado tudo e um pouco mais para que esse momento fosse diferente, para que as circunstâncias fossem outras, e principalmente para que Itachi a amasse, mesmo que só metade do que ele parecia amar a Haruno.

O moreno a encarava com impaciência e irritação. Ele odiava toda a família Hyuuga pelo que haviam feito, e Hinata seria a primeira a sentir o gosto de sua vingança. Mesmo que aquele olhar o fizesse se sentir o mais canalha dos homens, mesmo que quisesse simplesmente mandar tudo ao inferno e desaparecer com ela pelo mundo, mesmo que sua vontade fosse abraça-la e afastar aquelas lágrimas com beijos.

Ela se aproximou lenta e delicadamente, depositando um pequeno envelope em cima de sua mesa e com lágrimas manchando seu rosto. Ela parecia tão frágil e destruída, que Itachi quase falhou em manter sua frieza e indiferença.

- O Drº Senju me disse essa manhã que eu acabo de completar 16 semanas... – O moreno arqueou a sobrancelha, confuso, mais foi o arquejo de Sakura que chamou sua atenção, a rosada estava imóvel e cobria os lábios com as mãos. – Eu descobri também que se trata de uma menina... – os olhos do moreno fixaram-se instantaneamente na ex-mulher, a informação sendo finalmente absorvida. – Ele disse que apesar de eu estar um pouco abaixo do peso, não há nada com o que se preocupar e que ela é um bebê saudável. E eu só... Bem, Otou-san provavelmente vai me colocar pra fora de casa mais uma vez se souber que eu estive aqui... Eu acho... Acho que isso é tudo! Adeus.

Um sorriso miúdo se formou em meio ás lagrimas, e antes que o moreno pudesse sequer se recuperar do choque provocado pela revelação, Hinata simplesmente abandonou a sala, os passos apressados e o rosto banhado em lágrimas. Seus dedos alcançaram o pequeno envelope com lentidão e receio, e assim que seus olhos se fixaram naquela pequena “fotografia” de sua filha, foi impossível conter as lágrimas. Ele era um cretino, idiota e tinha acabado de arruinar tudo com a mulher que amava para o resto da vida. Hinata jamais o perdoaria, ele tinha visto nitidamente a decepção brilhar nos olhos dela.

O moreno se levantou, decidido a alcança-la e implorar de joelhos se fosse necessário. Ele a encontrou dentro do elevador, seus olhos fixos nos dele e o dedo pressionando o botão que mantinha a porta aberta, ele sabia que aquilo era uma despedida e tentou correr para alcança-la no mesmo momento em que ela soltou o botão e as portas se fecharam, Itachi socou o aço frio enquanto deixava o corpo deslizar até o chão.

O moreno caiu sentado no corredor da empresa, atraindo olhares de alguns de seus funcionários. Os dedos correndo nervosamente pelos fios negros e desgrenhando-os, enquanto mais lágrimas manchavam sua tez.

Ela havia fechado a porta, e aquela insinuação não poderia ter sido mais clara!

 


Notas Finais


Bom, o que dizer...
Primeiro eu queria me desculpar pela demora... Houveram uns problemas familiares, e eu não pude deixar de me envolver. Segundo, depois desse capitulo eu perdi totalmente a esperança de convencer alguém que o Itachi é MARA...Enfim, eu acho que sou uma verdadeira dramaqueen, e simplesmente amei escrever aquela cena! As lágrimas, a rejeição, a ex assistindo de camarote...
Sobre o futuro... Ele vai sofrer o pão que a Hina amassou, e não... Eu não tenho mais certeza nenhuma de com quem ela vai ficar no final de tudo. A vida é uma droga msm! Vc pensa em tudo, só pra mudar de ideia no meio do caminho.
Sobre Shisui: A presença do meu Uchiha favorito vai ser indispensável daqui pra frente, e o romance entre eles finalmente vai começar a evoluir!

Sobre as postagens, terminei esse capitulo hj e basicamente não dormi para terminá-lo... Vou me focar no próximo e postá-lo assim que terminar de escrevê-lo (vou tentar fazer isso mais rápido pra poder compensar a demora desse).

Bom, bjos e agradeço á todos os FAVORITOS e comentário fofos que tenho recebido nessa Fanfic!


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