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História Impossível - Capítulo 5


Escrita por: e _Lazuli


Capítulo 5 - Azar


Fanfic / Fanfiction Impossível - Capítulo 5 - Azar

~Hanamiya~

O preço de ter sorte por uma semana,  com certeza era ter um dia inteiro de azar pra compensar, e era O Dia.

Teppei além de ter se metido, invadiu a casa do meu amigo e usou ameaça para me levar pra dentro.

Como o máximo que eu podia fazer no momento, fui o mais grosseiro que conseguia reclamando de cada instrução que eu tinha que dar para ele entrar na casa.

Teppei me ignorou por completo até chegar na sala e me colocar com cuidado no sofá. Eu tentei resistir a dor da lesão diversas vezes, mas só parecia piorar.

Ele percebeu tomando a atitude de analisar novamente o local torcido, mas infelizmente na minha situação eu nem consiga reclamar o suficiente.

- Você torceu feio esse joelho. - Teppei afirmou negando com a cabeça.

- Não me diga.. - Eu fui o mais irônico que conseguia.

- Onde é a cozinha? - me ignorou.

- Você deveria parar de xeretar a casa dos outros e ir pra sua. - eu retruquei.

- Uma lesão dessa é muito dolorosa e além de inchaço você mal vai conseguir se mover direito, no mínimo, por uma semana,  dependendo do quão grave foi a lesão. Então pelo bem do time, é bom que me deixe pegar gelo pra você.

- Segunda porta a esquerda.. - apontei de qualquer jeito, depois de suspirar pesado ao lembrar do time.

Enquanto Teppei seguia o caminho que informei ser a cozinha, eu me tateei em busca do meu celular. Por sorte estava no meu bolso e não tinha sido atingido pela queda.

Procurei nos contatos o nome de Imayoshi e liguei. Eu deveria ir jogar com ele e o resto do pessoal hoje, e depois da compressa de gelo e de despachar o Teppei pra casa dele, eu iria jogar e iria ganhar.

- "Hanamiya!! Já está vindo?" - Imayoshi atendeu surpreso.

- Ainda não. Só confirmando que vou daqui a uma hora, me esperem no lugar marcado. - abafei a voz com a mão para não parecer trêmula de dor.

- "Sem problemas, temos tempo. Aliás, eu passei no mercado e comprei umas coisinhas pra todo mundo depois do jogo, só não se atrase."

- Não vou, eu só.. - fui interrompido quando senti meu celular ser puxado da minha mão.

- Seu amigo irresponsável caiu do muro e torceu o joelho, ele não vai poder ir encontrar vocês. - Teppei falou no meu telefone se afastando para que eu não pudesse o alcançar por ser impossível  naquele instante. - Não, não é tão grave... acho que um médico seria ideal, mas... é eu percebi... não se preocupe, ele te dá os detalhes depois, ok? Divirtam-se.

O ato, o abuso e a ousadia já havia me deixado irritado, mas a última frase eu tinha certeza que foi essencial para me provocar.

Teppei colocou meu celular na mesinha a minha frente e se agachou na frente do sofá onde eu estava com uma compressa de gelo na mão me encarando com um sorriso vitorioso na maior cara lavada do mundo.

Quando ele aproximou a mão do meu joelho, eu reagi.

- Quem você pensa que é pra se meter na minha vida? Não era pro Imayoshi ficar sabendo, você não tem direito de dizer coisas sobre mim por ai. - rosnei o segurando pelo colarinho da blusa que ele usava, senti meus olhos arderem de raiva e senti Kyoshi me segurar da mesma forma.

- E quem você pensa que é pra ser tão irresponsável a ponto de prejudicar os treinos do time? Você sempre faz o que bem entende se achando o certo, mas agora é outra situação. Essas são as consequências de prejudicar o time e o jogo do seu amigo, você devia ter vergonha antes de pensar em me culpar. - Ele disse com um expressão pesada, o que era raro já que mesmo irritado ele vivia com um sorriso falso no rosto.

Não consegui evitar de o encarar surpreso e o soltei, sorrindo logo em seguida para provocar.

- Bom que admite minha importância no time, temia que achasse que você sozinho daria conta. - provoquei vendo Kyoshi revirar os olhos e me ignorar mais uma vez. Outra coisa que eu odiava vindo da parte dele, o fato dele constantemente me ignorar.

Senti uma leve choque gelado no meu joelho e percebi ser a compressa que Kyoshi havia colocado, fiquei em silêncio refletindo toda aquela situação lamentável.

Até Teppei voltar a falar..

- O recomendado seria você parar as atividades e utilizar muletas por um tempo, evitando apoiar o pé no chão.

- Eu não v... - fui interrompido.

- Compressas de gelo por 30 minutos a cada hora no primeiro dia, e de três em três  horas nos dias subsequentes. Para evitar assaduras na pele, você deve enrolar o gelo em um pano úmido.

- Por acaso... - tentei em vão de novo.

- É bom manter a perna elevada e consultar um especialista depois, devido ao risco de lesão dos ligamentos que estão no meio da articulação e não apenas dos que estão em volta da junta.

- Já acabou? - cruzei os braços, elevando a sombrancelha.

- Já...

- Você por acaso é médico?

- Não mas já quebrei o joelho, e você apenas torceu, então para de ser frouxo e leva a sério o que eu te falei.

- Qual parte? - sorri provocativo. Era tão bom que deu certo.

- Se continuar com isso vou acabar te levando pro hospital desmaiado. - Ele me ameaçou, mas não prestei tanta atenção, estava mais concentrado na cor arroxeada que estava se formando em volta do joelho torcido junto com o inchaço. - Isso é normal, mas talvez realmente signifique que você precisa consultar um médico.. - Teppei continuou a falar.

Frustado deitei a cabeça no braço do sofá e movi meu cabelo para que cobrisse meus olhos ao máximo. Era uma forma patética de tentar me sentir sozinho e menos humilhado por essa situação.

Agora os pensamentos que eu tentei organizar no meu lugar de conforto em cima do muro vieram a tona mais uma vez, mas agora com uma sequela.

Não sei em qual momento comecei a sentir fome e como meu celular estava em cima da mesinha e longe o suficiente para eu sentir preguiça de pegá-lo, eu não fazia idéia de que horas eram.

- Imayoshi liga se eu usar a cozinha? - Teppei perguntou e eu tirei o cabelo da frente dos olhos para ver que ele estava sentado no sofá de frente pro meu, todo relaxado, como se estivesse em casa.

- Você ainda não foi embora? - Arqueei uma sobrancelha, a pergunta era mais para mim do que para ele.

- O portão está trancado, eu tive que pular pra vir aqui, além de não ter a chave, eu prefiro esperar o Imayoshi chegar, não confio em você sozinho. - Teppei disse e eu fiz questão de ignorar a última parte.

- Então pula de volta... - murmurei colocando a mão onde meu estômago fazia escândalo. - mas antes... pode ir lá usar a cozinha.

Eu que não ia perder a oportunidade de obrigar indiretamente Teppei a fazer as coisas pra mim, alguma vantagem eu poderia tirar dessa situação, afinal.

Vi ele se levantar sem dizer nada e ir em direção oposta da cozinha. Tentei me mexer pra ver aonde ele ia, mas meu gemido de dor não contido, fez ele voltar pra ver o que eu fazia.

- Tá olhando o quê, escória? - Fui grosseiro por estar com dor e com fome.

- Se arrogância fosse dinheiro você seria o homem mais rico do mundo. - Teppei riu anasalado e eu senti vontade de xingá-lo mais do que o normal.

- Se não vai fazer comida, cai fora. - Eu disse voltando a minha posição pensativa e ignorando o que ele ia fazer ou dizer.

- Não tem medo de que eu vá cospir no seu prato? - Ele zombou e só então pensei na possibilidade.

- Cai fora. - Eu disse curto e grosso.

- Prefere morrer de fome? - Ele perguntou, mas eu fiquei em silêncio ignorando a presença idiota dele. - Tudo bem, mas saiba que você me deve um favor...

- Eu não te devo nada. - Não consegui ignorar.

- Claro que deve... mas pensa bem eu estou cobrando SÓ 1 favor, considerando que eu te ajudei com a queda e ainda estou cuidando de você, quando aparentemente você já está bem... mas deixando de lado, vou preparar alguma coisa pra comermos...

Ele nem esperou eu retrucar e foi em rumo a cozinha.

- "só um favor" - revirei os olhos irritado ouvindo a risada tosca daquele palhaço que me ouviu imitar a voz dele.

Finalmente contemplando a paz que me faltava, sem ao menos perceber eu havia adormecido.

Eu sonhei alguma coisa estranha envolvida com o idiota do Teppei e em determinado momento acordei sem lembrar de nada.

Eu tinha pequenos flashes do sonho, com o tempo eu ia esquecer, e fiz questão de que fosse logo, se tinha o Teppei, já não valia a pena.

Me ajeitei e me espreguicei por ter dormido de mal jeito no sofá.

Suspirei tentando lembrar do que estava acontecendo, pois ainda estava sonolento e como uma luz, um cheiro maravilhoso de comida me fez lembrar de tudo.

Com dificuldade me movi para o lado colocando as duas pernas pra frente com cuidado e me apoiando nos móveis mais próximos de mim, eu me levantei lembrando da indicação chata de Teppei.

"Evitar apoiar o pé no chão". Pensei em teimar, mas não me machucaria por orgulho, e não queria que ele pensasse que devo mais favores a ele.

Pulando cada passo que eu dava apoiado em qualquer coisa que estivesse ao alcance, incluindo as paredes, com uma leve dificuldade eu cheguei até a cozinha.

Teppei estava de costas cortando alguma coisa que provavelmente adicionaria na comida, me apoiei no batente da porta da cozinha, de braços cruzados, esperando ser notado.

- Detesto ser observado enquanto cozinho. - Kiyoshi soltou a frase e largou o que estava fazendo, cravou a faca na tábua de corte e  cruzou os braços,  para se virar de frente para mim.

- Você acha que eu ligo?

- Não. Afinal você é um ingrato. - Ele comentou e veio até mim, parando também no batente da porta, que era apertado de mais para nós dois.

- Ingrato por que? Por eu achar que você cuspiria no meu prato? - Eu debochei me sentindo incomodado com a aproximação dele. 

- Tem tanto medo assim de saliva? - Ele sorriu ladino e antes que eu pudesse sair de perto, Teppei segurou meus pulsos com uma mão só, me mantendo com os braços cruzados. 

- Você é retardado! - Eu gritei enquanto cada vez mais sentia ele me empurrar contra a parede.

- Eu estava me lembrando de algo que aconteceu ontem... - ele segurou meu queixo me impedindo de me mover.

- Quando você me soltar... - Tentei ameaçar. 

- Acho que devo dar o troco por Coudie... - Quando ele disse isso, foi como se eu já soubesse o que ia acontecer. 

- O q... - Eu nem terminei de protestar e senti a boca dele encostar na minha com agressividade.

Tentei com todas as minhas forças não deixá-lo tomar espaço, mas o miserável deu um jeito e invadiu minha boca com a língua. Eu tentei morder a língua dele e consegui, mesmo que tenha parecido que eu correspondi o maldito beijo, ele se afastou sorrindo e eu não entendi qual era a dele, até que o mesmo retornou tentando me beijar uma segunda vez e quando eu trinquei os dentes, ele mordeu meu lábio inferior com força. Porra ia ficar marcado.

- Seu filho da puta! - Eu exclamei tentando me soltar, mas tudo o que Teppei fez foi soltar meu rosto.

Senti meus olhos arderem e quis bater no idiota a minha frente até eu cansar. 

- Agora estamos em pé de igualdade. - Teppei comentou e voltou para a bancada, para cozinhar, como se nada tivesse acontecido.

Eu voltei pro sofá tentando não demonstrar o quanto aquilo me abalou, mas ainda sentindo meu sangue ferver.

Que Imayoshi não demorasse a voltar, pois eu não garantiria que não ia enfiar um garfo na garganta de Kiyoshi Teppei.



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