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História Imprevisível - Capítulo 14


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Capítulo 14 - Visita de família


Fanfic / Fanfiction Imprevisível - Capítulo 14 - Visita de família

“Arrependido por não ter aproveitado o timing do beijo?” - Kurama fez a pergunta provocativa e ácida enquanto Naruto caminhava devagar pelas ruas.  

 O loiro torceu o nariz e não respondeu. Na verdade, ele ate tinha sonhado com o tal beijo e quase fez com que acontecesse, mas além do clima não ser tão favorável, seu momento foi interrompido pela equipe médica que queria examinar Sasuke outra vez. Acabou sendo ‘dispensado’ do quarto e pensou em voltar mais tarde levando Katsuo consigo.  

“Kurama” - Naruto encarava os próprios pés, sem pressa nos passos perdidos, com uma postura retraída e preocupada que não lhe era costumeira - “Eu pareci muito patético? Foi uma declaração muito ruim?” 

“Você sempre foi patético, pirralho” - a raposa retrucou, rindo da expressão irritada que recebeu em seguida. Então o grandíssimo nanadaime hokage estava preocupado se a declaração de seus sentimentos tinha sido suficiente ou não... Era cômico - “Não, não foi muito ruim, embora você tenha assustado o garoto” 

“Ah, você acha?” - agora ele parecia em pânico, repensando seus atos e palavras - “Será que eu estraguei tudo? E se ele nem acreditou? E se eu pareci um maluco falando isso do nada?” - Naruto tinha o rosto avermelhado e os olhos não paravam, inquietos. Paralisou no meio da rua, como se tivesse uma nova ideia fantástica, mas que por sua expressão parecia mais algum susto - “Kurama... E se o Sasuke nem gosta de mim?” 

“Deixe de ser tapado, Naruto” - kyuubi o respondia com irritação por aquele seu jeito bobo e que não entendia as situações direito - “Está tudo escrito na cara dele” 

“Está dizendo isso só pra me agradar” 

“E desde quando eu quero te agradar, hein? Qualquer um sabe que vocês dois estão enrolando há anos” 

 Naruto suspirou, voltando a caminhar em seguida. Aquela explosão de sentimentos tinha surgido num momento não favorável e ele não tinha certeza se tinha feito o certo sobre contar o que sentia daquela forma – por vários motivos. Primeiro porque não tinha se planejado pra isso e pareceu apressado, depois porque tecnicamente ainda era casado com Hinata e não queria magoá-la. Nem Sakura, que era sua melhor amiga e casada com o cara pra quem tinha acabado de se declarar.  

 Ao mesmo tempo, sentia como se um peso tivesse sido tirado de seus ombros, uma sensação que estranhava por nunca ter esperado. Aquela pequena frase tinha ficado entalada em sua garganta por tantos anos, não conseguia contar quantas vezes ensaiou dizer um ‘eu te amo’ antes mas foi incapaz, até que acabaram separados de vez.  

 Precisou de um momento desesperador pra ter coragem de colocar seus sentimentos pra fora. E desesperado nem era uma palavra que expressava tudo que sentia, na verdade ele estava além disso. É famoso o dizer que só “se percebe que ama quando está prestes a perder”, se lembrava de algo do tipo. Já tinha percebido o amor antes, mas pensar na perda o tornava desesperado por colocar o sentimento pra fora. 

 Como foi no passado, quando escondeu os ‘eu te amo’ que queria dizer em declarações de amizade.  

“Oi” - Kurama não resistiu ao silêncio, reaparecendo com certa preocupação. O rosto de Naruto era péssimo, deixava estampado o quanto estava arrasado e confuso, o que acabava alarmando as pessoas que passavam por ele - “Quer falar sobre isso?” - no fim, a raposa era a única confidente que o loiro podia ter àquela altura, quando não podia exatamente compartilhar os pensamentos e sentimentos com os melhores amigos ou esposa.  

 Várias questões pesavam em seu peito. A primeira delas era, com certeza, como reverteria o quadro da doença do Uchiha que aparentemente tinha sido herdada de sua família. Não teve tempo pra questioná-lo sobre desde quando sabia sobre estar doente, nem quais eram os outros sintomas, e as vezes achava até melhor não saber. Tinha medo de qual seria sua reação ao descobrir tudo.  

 Sentia o coração apertar só em pensar que Sasuke talvez estivesse sofrendo com tudo aquilo fazia um tempo. E nem precisava pressioná-lo pra descobrir porque ele guardava a doença como um segredo... O conhecia melhor que ninguém, sabia que a resposta dele seria do tipo ‘não queria atrapalhar ou preocupar as pessoas’. Mesmo com todos os anos e insistência, Sasuke continuava guardando tudo pra si. 

“Eu não sei...” - respondeu, em total desânimo. Quanto mais pensava no caso, mais se sentia perdido. A possibilidade daquela doença ser realmente incurável era assustadora. Naruto não tinha tanto medo de que Sasuke acabasse morto em batalha ou coisa do tipo porque sabia o quão forte e capaz ele era, além de mal existirem ameaças naqueles dias. Mas uma doença... Algo que não podiam controlar - “Se acontecesse alguma coisa...” - Naruto tinha arrepios só de pensar, era uma sensação horrível - “Como eu viveria sem ele?” 

 A sensação de perder alguém amado, algo que já tinha acontecido tantas vezes antes. Jiraya, Minato, Kushina, o Sandaime... 

 Já tinha sido tão difícil aguentar a falta de todos eles, não sabia que se conseguiria continuar se perdesse mais alguém. E Sasuke era a pessoa que mais amava àquela altura, era sua fuga e a melhor parte de sua vida além dos filhos. Com um casamento falindo e um cargo tão difícil quanto o de hokage, seria impossível viver sem ele, mais ainda depois de se acostumar com sua presença tão próxima por causa do filho que criavam juntos. Não era possível que o destino tivesse permitido todos os contratempos do passado pra arrancá-lo de suas mãos de um jeito tão idiota... 

 E talvez por isso as palavras saltaram tão facilmente de seus lábios mais cedo. O ‘eu te amo’ que foi tão difícil por anos pareceu ter ganhado vida própria e saltado pra fora, porque tinha que ser dito antes que fosse tarde demais. Se tivessem pouco tempo pela frente, esse tempo não poderia ser gasto com medos bobos e amarras. No entanto, Naruto não sabia o que fazer com a declaração que ele mesmo tinha feito. Expor seus sentimentos tinha sido até que fácil, mas e dali pra frente? 

“Oh, nanadaime” - a voz de Sarada o tirou da transe em que estava antes. Estava tão perdido em pensamentos que seus pés basicamente caminharam sozinhos até a casa dos Uchiha, nem se lembrava de ter tocado a campainha. Os olhos escuros da garotinha estavam brilhando em preocupação, esperando ansiosos por notícias - “Meu pai... O que houve?” 

“Ele está melhor, Sarada, não se preocupe” - Naruto engoliu seco, revelando só parte da verdade. Não podia simplesmente dizer ‘eu acho que seu pai está morrendo’, até porque o próprio Sasuke não tinha dito nada a ninguém. A expressão péssima do hokage não convencia muito à Uchiha, mas ela não perguntou mais nada e se permitiu ao alívio - “Sakura-chan ainda não voltou?” 

 Naruto torceu pra que a resposta fosse negativa. Não saberia como encarar a antiga amiga depois de ter se declarado pra seu marido daquela forma, ainda mais por ter descoberto sobre um possível péssimo futuro. Podia imaginar que o coração dela devia pesar tanto quanto o seu, afinal, acabaram amando a mesma pessoa e sofriam por isso. Sentia-se um tanto traíra, como se quisesse roubar o amor que ela demorou tanto tempo pra conquistar e construir.  

“Ela passou por aqui de manhã e deixou um bilhete, mas já foi pro hospital outra vez” - Sarada lhe respondeu, dando espaço pra que entrasse na casa e logo indo até a sala. Um leve alívio percorreu o corpo do hokage ele entrou em seguida. A televisão estava ligada e Katsuo estava no sofá, parecendo entretido.  

 Naruto não pode segurar um sorriso bobo quando viu o garotinho. Depois das duas semanas juntos, era cada vez mais fácil encará-lo como um filho verdadeiro e isso se tornava encantador. Por que era um filho com a pessoa que amava. Não tinha sido concebido como as outras crianças, mas ainda tinha seus genes - e os genes de Sasuke. Podia se ver nele, ao mesmo tempo que podia ver o antigo amor.  

“Paizinho!” - Katsuo sorriu largo no mesmo instante que avistou seu querido papai parado perto da porta.  

 Aquela noite tinha sido um tanto assustadora pra ele, tinha ficado longe de seus pais pela primeira vez e não sabia entender o motivo da cara assustada de seu paizinho quando saiu. Mas, sua irmã mais velha tinha sido capaz de acalmá-lo e de cuidar dele muito bem, pra que não se sentisse muito sozinho. Sarada certamente fazia um bom papel como irmã maior e, ao contrário de Boruto, não sentia nenhum ciúme ou pressão por causa de seu novo irmão - pelo contrário, sempre quis ter um. O pequeno logo correu do sofá para os braços do nanadaime, com um riso gostoso e um abraço aconchegante.  

 Naquele momento, ele parecia ser o único capaz de acalmar o coração desesperado do Uzumaki. Katsuo logo se chacoalhou querendo voltar ao chão, animado em mostrar alguma coisa. Ele correu até o sofá, recolhendo uns papeis que estavam espalhados por lá e agarrando também seu ursinho com o laço azul que tinha ganhado de presente (e que não largava mais), se apressando pra mostrar tudo ao papai logo em seguida.  

“Olha, paizinho!” - o garotinho parecia muito animado em partilhar o resultado de suas obras, que eram vários desenhos coloridos. Um grande exibia o símbolo dos Uchiha, provavelmente ensinado por Sarada, enquanto o outro tinha o desenho de sua família - “Eu que fiz! Irmãzinha Sarada me ajudou” - seu sorriso aumentou, esperando por uma aprovação  

“Foi você quem fez?” - Naruto se abaixou na altura do menino, sorrindo conforme ele assentia super animado. Pegou os papeis na mão e encarou cada tracinho com orgulho, especialmente aquele que tinha toda sua família desenhada. Katsuo tinha se preocupado em retratar, do seu jeitinho, seus pais e também os três irmãos - “São todos lindos, parabéns” - o que era simples foi capaz de deixar o nanadaime emocionado demais, com os olhos mareados que ele se esforçou pra disfarçar - “Seu papá gostaria de ver também. Quer levar pra ele?” 

“Sim!” - a resposta foi mais entusiasmada do que Naruto poderia prever e isso arrancou um riso singelo dele.  

“Sarada, quer ir com a gente?” - já que fariam uma visita a Sasuke como família, seria injusto não levar a filha mais velha dele também, ainda mais porque podia ver no rosto da menina o quanto ela tinha ficado preocupada. Sarada assentiu positivamente, animada - “Muito bem, então vamos pra visita!” 

 

 

(...) 

“Papá?” - Katsuo tinha corrido na frente mesmo com o apelo dos mais velhos pra que esperasse assim que ouviu a informação sobre qual era o quarto de seu pai. Se esforçou na ponta dos pés e alcançou a maçaneta, entrando logo sem esperar por permissão. O rosto curioso logo foi ocupado por um sorriso ao reencontrar o Uchiha. Sasuke se assustou um pouco com sua entrada inesperada, mas logo sorriu de leve, sendo surpreendido por como ele conseguia subir em sua cama com mais facilidade do que esperaria - ”Papá, paizinho disse que você estava doentinho, então a gente veio te visitar!” 

“Katsuo!” - Naruto apareceu ofegante na porta antes mesmo que o garotinho tivesse qualquer resposta - “Não corra assim na minha frente, garotinho” - Sasuke riu brevemente, era engraçado ver Naruto tendo que lidar com uma criança que se parecia tanto com o pestinha que ele era quando menor.  

“Papá” - Sarada apareceu por último, sendo a mais serena e controlada dos três, mesmo que não fosse a adulta por ali. Ela logo passou pelo nanadaime e foi até o pai, com um olhar que misturava preocupação e alívio - “Está bem?” 

“Sim, foi só um susto” - Sasuke encarou rapidamente a Naruto, querendo confirmar em seu olhar se o loiro não tinha dito nada do que não deveria. O Uzumaki apenas assentiu, entendendo sua preocupação e logo sua atenção se voltou às crianças outra vez. Sarada deu um sorriso tímido e aliviado e recebeu um carinho do pai em seus cabelos negros. 

“Papá, olha só, um presente pra você!” - Katsuo tirou os papeis que tinha colocado dentro do bolso do short e os exibiu, com o mesmo sorriso orgulhoso, na direção de seu pai mais próximo. Naruto riu bobo no outro canto do quarto, feito um verdadeiro homem babão por sua família - “Irmazinha Sarada me ajudou” - repetiu os créditos dados à mais velha, ao passo que ela corava um pouco pela vergonha 

 Sasuke recebeu os desenhos do garotinho e sorriu tímido, sentindo logo o peito apertar. Tinha acabado de descobrir uma família nova e sentia que a deixaria pra trás em breve. Praguejou contra a pegadinha do destino que fazia aquela maldita doença ser um fardo genético e se segurou pra não mostrar nada que alertasse as crianças em seu rosto.  

 Não queria morrer. Não mais.  

“Obrigado” - sua resposta foi simples como era sempre, mas suficiente pra satisfazer o garotinho em sua frente. Encarou o desenho outra vez.  

 Não queria deixar a família pra trás.  

 

 

“Naruto” - uma voz conhecida tirou a atenção do loiro que era exclusiva da cena fofa que acontecia em sua frente. Quando se virou, encontrou Sakura parada na porta, encarando-o com uma expressão indecifrável. Seus pelo arrepiaram e seu rosto deixou claro que estava fugindo dela há horas - “Podemos conversar?” 



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