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História Impulsividade - Capítulo 1


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Notas do Autor


é um repost :)
sou a única que shippa Vladimir e Lux nesse mundo, mas não me importa DJKSAHFKJ
eu não gosto dela com o sylas e pra mim não faz sentido eles juntos dps de ler a hq da lux. como main lux eu detesto imaginar q ela tá junto de um manipulador q quer matar a familia dela. o garen é importante pra ela, mesmo q ele seja contra magia.
acho que essa foi a oneshot mais longa que eu já escrevi, eu queria encontrar um plot que fizesse sentido de como eles se conheceram. :)
faz tempo que não escrevo, e consigo notar como minha escrita oscilou bastante nesse período, aghh.

anyways, boa leitura pra quem quiser ler isso aqui

Capítulo 1 - Rosa Azul


Quando a primeira luz da manhã adentrou a janela do quarto escuro, Lux já estava em pé. Trajava sua armadura e penteava seus cabelos loiros com uma certa pressa. Seus olhos azuis pareciam um pouco desamparados, como se ela não tivesse certeza do que realmente queria fazer.

Olhou para seu cetro, que ficava devidamente escondido em um piso falso e suspirou. Se Demacia fosse um estado como qualquer outro, ela poderia sair praticar sua magia como bem entendesse. Mas imagine fazer aquilo onde sua tia controladora, Tiana, pudesse ver! Certamente a prenderia assim como quando ajudou a decidir o julgamento do fugitivo Sylas.

Quando se lembrava de Sylas, Lux também sentia raiva. Inicialmente ela havia ficado surpresa por encontrar uma amizade que a entendia e sabia de sua magia, mas a realidade se mostrou triste e cruel quando percebeu que tudo que ele queria era roubar seus poderes para assim ficar livre. Cerrou os olhos com força, como se estivesse tentando desmanchar aqueles pensamentos incomodativos de sua mente e abriu a porta de seu quarto.

A casa ainda permanecia escura e ela deu um leve sorriso ao perceber que Garen não notaria sua saída. Os criados também não, pois pelo aroma de café que chegava em seu olfato, estavam ocupados demais preparando os pães e bolos que Tiana gostava de comer antes de arrastar Garen para o treino junto a ela.

Luxanna pisava com o máximo cuidado possível, na tentativa de fazer as botas de metal não soarem alto demais no segundo andar daquela casa enorme. Assim que ocorreu um barulho um pouco mais alto na cozinha, provavelmente um criado derrubando alguma coisa, aproveitou para correr para fora da casa rapidamente. Se esgueirava cuidadosamente nas enormes estátuas e flores do jardim até finalmente conseguir passar o portão.

Apoiou as costas na parede próxima a casa e a sombra de uma árvore conseguia cobrir sua silhueta, então finalmente percebeu que estava livre; pelo menos por um dia, e respirou fundo. Colocou seu capuz e começou a andar pelas ruas que começavam a se encher com trabalhadores de Demacia.

O sol estava finalmente iluminando a tudo e a todos e ela se sentiu em paz. E isso quase nunca acontecia. Apenas quando conseguia fugir de Tiana e Garen, em raros momentos. Mas desta vez ela havia planejado com antecedência, anotou os horários que seus parentes apareciam para lhe dar bom dia ou a acordar e conseguiu fazer isso antes deles.

Caminhando pelas ruas que começavam a ficar cheias também pelas tropas Demacianas, se deparou com Galio. Ele estava imóvel, mas Lux sabia que ele a enxergava e estava lhe cuidando. Parou em frente a enorme estátua que era sua amiga e deu um pequeno sorriso.

— Eu sei, eu sei. Vou me cuidar, não se preocupe. – Disse com uma voz baixa, mas o suficiente para que Galio entendesse. — Não vou tão longe. Só quero esvaziar a cabeça. – Continuou e quando Galio deu uma leve piscada, assentiu como se estivesse se despedindo.

Prosseguiu pelas ruas movimentadas e chegou até a feira de rua de Demacia. Vendedores arrumavam arranjos de flores para colocar à venda, alguns animais diferentes e vários tipos de tecidos que Lux, apenas de olhar, soube que eram caros estavam em exposição. Uma garotinha vendia maçã junto com sua mãe em uma banca um pouco mais afastada e ao Lux perceber que os vendedores lhes fitavam com hostilidade por não ser uma mercadoria cara, sentiu seu coração se quebrar em mil pedaços.

Ela não era muito fã de maçãs, mas andou até a garotinha e lhe deu duas moedas. A menina sorriu de forma doce e Luxanna se abaixou até sua altura, sussurrando:

— É um presente pra você e sua mamãe. Não se preocupe, não quero nada em troca. Já tomei meu café. – Mentiu e tocou em sua barriga, para que parecesse mais convincente para a menina. A garota agradeceu com um sorriso enorme e Lux continuou andando.

Ela não tinha certeza do que planejava fazer naquele dia, mas preferia ficar desamparada a ter que atender suas aulas que já não lhe interessavam mais, lecionadas por sua própria tia.

Dobrou na esquina da feira e estava em uma rua não tão movimentada, repleta de lojas de armaduras e espadas. Isso lhe fez pensar como Demacia poderia ter outros estabelecimentos mais interessantes se não rejeitasse magia. Enquanto olhava as vitrines, não realmente encantada pelas armaduras, a placa do estabelecimento ao lado chamou sua atenção.

Era o café de Morgana, uma anja que exilou a si mesma dos céus e largou seu trabalho de proteger Demacia. Mas aquilo era realmente incomum porque só existiam rumores que ela ainda atendia. Quando tocou na porta do local, sentiu a magia da Caída e percebeu que talvez aquele lugar só fosse visível aos portadores de mágica. A placa indicava que estava aberto e seus olhos azuis conseguiam captar algumas movimentações pelas vitrines escuras do café.

Empurrou a porta que era um pouco pesada e um sino soou, anunciando sua entrada naquele local. As vozes que antes preenchiam o ambiente se calaram por breves momentos, porque todos queriam saber quem entrava ali. Mas logo a atenção dos frequentadores diminuiu e voltaram à suas conversas privadas.

Lux analisou o lugar antes de procurar uma mesa para sentar. Existiam várias, mas para sua surpresa, a maioria estava ocupada. Era um café normal, não muito luxuoso e cores escuras decoravam o ambiente. As cadeiras tinham estofados roxos e uma madeira em um tom de marrom bem forte. Ela parecia não ter percebido, mas uma pessoa não tirava os olhos dela desde que a mesma baixou seu capuz.

Se sentou em uma mesa próxima à uma estante de livros e logo Morgana apareceu. Seus olhos roxos brilhavam e seu rosto não era o mais amigável, mas ela parecia estar de bom humor.

— Então as histórias são reais, Luxanna Crownguard? – Ela puxou a cadeira vazia em frente a Lux e se sentou brevemente, falando baixo. — Você realmente é portadora de magia. Lux a fitou séria. — Não precisa se sentir ameaçada. Todos nós somos. – Morgana deu um pequeno sorriso e logo voltou para sua feição séria. Levantou-se da cadeira, como quem havia mudado de ideia e já não queria mais conversar, e disse com uma voz suave:

— Vou te trazer algo para comer, vai ser por conta da casa já que é uma frequentadora nova. Além disso... eu sugeriria que você tomasse cuidado, porque uma pessoa não tira os olhos de você.

Quando Morgana sumiu após ter passado a estante de livros novamente, Lux começou a procurar pelo ambiente quem estava lhe olhando. A maioria das pessoas ali não pareciam estar preocupadas em esconder suas aparências e ela jamais imaginaria que Demacia tivesse tantos magos escondidos. No entanto, quando notou o homem de cabelos brancos e roupas vermelhas que a observava, percebeu que não era só demacianos que frequentavam ali. Se sentiu brevemente em perigo quando reconheceu a nação deles. Noxianos. Talvez devesse sair correndo daquele local para contar para Garen? Parecia ser a atitude mais correta.

Mas aí sobraria para ela também.

Quando Morgana retornou e colocou uma fatia de torta que aparentava ser de chocolate em sua frente, Lux foi retirada de seus pensamentos e apenas retribuiu o olhar ao homem, que conversava com uma mulher de curtos cabelos negros que estava sentada junto a ele, mas o homem não parecia lhe dar atenção.

Luxanna não estava com fome, mas para não desagradar Morgana que a observava com o canto dos olhos de forma suspeita, deu uma garfada em seu doce. Era bom, embora o aspecto não fosse dos melhores. Comeu mais um pedaço e Morgana pareceu ter relaxado. Satisfeita porque seu doce agradava. Parou de trocar olhares com o homem desconhecido e começou a observar os livros que existiam ali. Todos falavam sobre magia. Aquele lugar parecia perfeito para que começasse a estudar sobre o que queria!

Puxou um dos livros da estante e começou a folhear, enquanto tomava o chá que fora lhe servido junto da torta. Seus olhos azuis brilhavam com sua curiosidade e quando percebeu, algum tempo havia se passado desde que começara a leitura daquele livro. A maioria dos magos já tinham ido embora, e quando Lux devolveu o que lia para a estante, o homem de cabelos brancos se sentava em sua frente.

Os olhos dele continuavam a analisar suas feições e ela corou brevemente, embora estivesse assustada. Ela não tinha percebido a movimentação silenciosa dele. Quando retribuiu o olhar, o homem lhe sorriu.

— Posso ajudar? – Sua voz pareceu falhar de início, o que fez com que se sentisse mais envergonhada.

— Vejo que a senhorita é de alguma nobre família Demaciana. Espero não estar sendo um incômodo, mas é notável que você está se escondendo de algo. E infelizmente, devo admitir que um de meus pecados é ser curioso demais. – Ele fez uma pausa, observando a garota em sua frente com atenção. — Ah, que falta de educação a minha por me sentar aqui em frente a uma jovem sem fazer a devida apresentação. Pode me chamar de Vladimir, senhorita. – A voz calma do homem que parecia extremamente cavalheiro fez com que Lux sorrisse.

— Lux. Só...Lux. E de fato, é uma enorme falta de educação presumir coisas de um desconhecido. Mas... – Lux desviou o olhar para a vitrine, onde conseguia enxergar as pessoas lá fora. — Está correto. Quero um tempo longe de minha família. – Explicou, embora realmente não entendesse porque estava fazendo aquilo; sentiu que ele estava genuinamente interessado em sua conversa. — Aliás, também é falta de educação não prestar atenção no que os outros falam como você estava fazendo com aquela mulher que já foi embora.

Vladimir deu uma breve risada.

— Então você realmente estava prestando atenção em mim. Achei que talvez estivesse enganado. – Ele cruzou suas mãos sobre a mesa. — Peço perdão, mas fico naturalmente encantado com coisas belas.

Luxanna quase engasgou com o chá que tomava quando o homem lhe disse aquilo, e sentiu seu rosto ficar vermelho. Vladimir lhe analisava com um sorriso cínico.

— Você usa essa abordagem com todas? – Lux arqueou a sobrancelha e Vladimir relaxou seu corpo na cadeira em sua frente. Pareceu achar graça, mas logo desfez seu sorriso.

— Não, aparentemente isso não funciona mais como antigamente.  – Ele colocou suas mãos sobre a mesa e Lux não pode deixar de observar as enormes garras metálicas que decoravam seus dedos. Tinha certeza de que se ele quisesse, poderia a atacar com a maior facilidade. No entanto, se sentia estranhamente segura; talvez fosse porque Morgana os observava de longe, como se estivesse tentando alertar que caos em seu estabelecimento não seria permitido.

A mulher de cabelos dourados tornou a observar o rosto de Vladimir e resolveu questionar o que queria saber, como uma criança curiosa. — Que tipo de magia é a sua? – Seus olhos azulados cravaram no mago em sua frente esperando uma resposta e Vladimir arqueou as sobrancelhas.

— Isso não é um tipo de pergunta que se faça à portadores de magia. Que rude. – Ele a repreendeu como se estivesse verdadeiramente ofendido, mas Lux percebeu o tom de brincadeira em sua voz e seu corpo relaxou mais uma vez.

Ele colocou suas mãos sobre a mesa novamente e as fechou, criando cortes leves com as próprias garras que utilizava. Lux quase deu um pulo para trás em surpresa e pareceu apavorada. Morgana, que observava de longe, arqueou uma sobrancelha. No momento em que as gotas de sangue começaram a escorrer e iam tingir a madeira escura da mesa, Vladimir fez uma leve movimentação com os dedos e o sangue se juntou e ficou flutuando sob sua a palma de sua mão.

— Ótimo. Eu ia arrancar sua cabeça se você sujasse a mesa. – A voz ríspida de Morgana preencheu o ambiente e Vladimir arqueou as sobrancelhas. Lux permanecia em silêncio enquanto olhava o sangue do mago em sua frente brilhar nas mãos dele. — É falta de educação se intrometer na conversa dos outros, Morgana. – A voz dele saiu desinteressada e aborrecida, e a Caída deu de ombros.

— Eu só estava cuidando dela. Mas acredito que ela consegue se virar. Aliás, cuidado para não ser seduzida por esse monstro. Ele é perigoso, Luxanna. – Morgana comentou antes de fechar a porta da cozinha e Lux pareceu sair de seu transe, fitando os olhos avermelhados do homem em sua frente — que antes estavam brancos.

— Bom, se você quiser me matar, sou toda sua. Não tenho muito ânimo, cansei da minha rotina e não tenho como fugir dela. – Lux debochou, enquanto Vladimir parecia absorver seu sangue de volta. Seus olhos brancos, que já perdiam o brilho vermelho, focaram nos azuis com uma leve curiosidade.

— Uma jovem não deveria dizer esse tipo de coisa. – O homem apoiou suas mãos em seu rosto, analisando as reações dela. — Principalmente para um Hemomago.

Assim que explicou a natureza de sua magia, Luxanna entendeu com quem estava se metendo. Embora fosse proibida em Demacia, ela sabia que existiam várias magias mundo a fora que não eram problemáticas e que em outros Estados, poderiam ser usadas livremente. Magia de sangue, no entanto, não era uma delas. Ainda era proibida em todos os cantos do mundo, principalmente por ser arriscada e matar com facilidade. Além disso, um Hemomago forte normalmente matava seu mestre para que a magia fosse compartilhada e ficasse mais letal. Pelo menos, era o que os livros que havia encontrado na grande biblioteca de Jarvan IV ensinavam. Certamente ele sequer tinha ideia que esses tipos de livro existiam em seu castelo.

— Então essa magia ainda existe. Achei que estava extinguida. – Lux tentou ignorar a leve aflição em sua voz e questionou enquanto se sentia tensa novamente. Talvez ter entrado naquele lugar foi um erro.

— Sou um dos poucos que sobrou, senhorita. E sinceramente, prefiro desta forma. – Ele abriu um sorriso cínico e olhou para Morgana, fazendo um aceno com sua mão esquerda para que ela se aproximasse. Colocou várias moedas douradas na mão dela e ela arqueou a sobrancelha.

— Achei que a Rosa Negra ia sair sem pagar, de novo. Já estava prestes a expulsar vocês daqui. – O anjo caído comentou, enquanto olhava desconfiada para Vladimir.

— Ela tinha alguns compromissos e não conseguiu se despedir de você, mas certamente voltará depois.           - O hemomago desviou o olhar das orbes roxas de Morgana e focou nas azuis que estavam em sua frente, prestando atenção nas coisas que ele dizia como se houvesse uma leve curiosidade sobre sua relação com LeBlanc.

Ele se levantou, causando uma leve surpresa na feiticeira da luz que analisava como sua figura era realmente alta. Seus cabelos brancos combinavam com os olhos e Lux percebeu que ele a fitava como se estivesse decidindo o que fazer, mas ela jamais decifraria visto que os olhos esbranquiçados não demonstravam sentimento algum. Morgana já havia se afastado deles e parecia ocupada atendendo outros clientes e Lux sentiu um calafrio ao perceber que estava sozinha com Vladimir naquele momento.

Uma mão com garras de metal apareceu em seu campo de visão e ela olhou para ele, que esperava com paciência ao lado da mesa. Pendeu a cabeça para o lado, curiosa e tentando entender o gesto improvisado e inesperado do Hemomago. Quando fitou o rosto dele novamente, Vladimir lhe respondeu antes que ela fizesse a pergunta.

— Acho que posso utilizar da sua companhia para conhecer Demacia. O que me diz? – A voz suave e grave do homem cortou o silêncio entre os dois e Luxanna piscou enquanto assimilava a proposta dele. Pensou em muitas coisas, principalmente no fato de que seu único disfarce era o capuz de sua roupa e também se lembrou que não estava com seu cetro naquele momento. Aquilo era arriscado, arriscado demais.

Vladimir notou a hesitação da garota em sua frente e resolveu desistir da sua proposta, baixando sua mão. Porém, para sua surpresa — e para a surpresa de Lux — ela aceitou o gesto. Nem ela entendia porque, mas algo em sua mente resolveu lhe impulsionar para uma decisão sem pensar, e ela se permitiu.

Ele abriu um sorriso enquanto sentia a mão quente segurar a sua, gelada como sempre foi. Também percebeu um leve tom de vermelho tingir a face de Lux, mas resolveu não comentar; seu sorriso de deboche já era o suficiente e ela desviou o olhar enquanto se levantava da cadeira e parava ao lado dele, largando a mão do Hemomago que curiosamente teve um pensamento intrusivo lhe informando que ele desejava que aquilo tivesse durado mais tempo.

Vladimir saiu do café sentindo o olhar fixo de Morgana em suas costas e Lux fez o mesmo. No entanto, no momento em que colocava o capuz e passava pela porta, ouviu a voz da Anja Caída.

— Tome cuidado com ele, Luxanna. Ele não é quem aparenta. Oh, bem, não sou sua babá. – Ela se repreendeu pela preocupação excessiva — talvez ainda fosse um traço da época em que cuidava das pessoas junto de Kayle — e observou Lux sair ao lado do hemomago.

— Você sabe que é fácil te reconhecer desse jeito, não sabe? – Vladimir parou em frente a ela, inclinando sua cabeça um pouco para baixo — afinal, existia uma diferença de 20cm entre eles — e fitou-a nos olhos. Luxanna demonstrou um semblante irritado enquanto escondia o resto de seus fios dourados no capuz. Ele pegou em uma das mechas para arrumar o cabelo dela e a observou por alguns segundos. Os olhos brancos cravados nos fios dourados.

— Algum problema? – Ela questionou, curiosa ao ver o Hemomago distraído.

Ele piscou lentamente, como se estivesse afastando os pensamentos que entravam em sua mente e abriu um sorriso.

— Nunca vi cabelos tão dourados quanto os seus. É bem fácil te reconhecer, senhorita. – Disse, enquanto soltava a mecha e Lux escondia com o capuz.

— Bem, e onde você gostaria de ir? – Ela cortou o assunto e Vladimir percebeu que família não era algo no qual Lux gostaria de discutir. Oh, certo. Ele também não era fã desse assunto, então deixou que o mesmo morresse e soltou uma risada baixinha na tentativa de não chamar atenção demais para eles, enquanto andavam pela rua.

— Minha guia não era você? Que lugar gostaria de me mostrar? – Disse com uma certa educação, embora estivesse claramente jogando uma tarefa nos ombros da feiticeira que andava ao seu lado.

Lux bufou e levou sua mão no queixo, como se estivesse decidindo onde o levaria. A capital era enorme e bastante povoada, mas seria melhor se eles evitassem os locais com muitas pessoas, afinal; era uma garota cujos pais eram amigos da família real e um Noxiano que com toda certeza não deveria estar ali. Enquanto pensava, um leve sentimento de arrependimento lhe afligiu. Talvez ter aceitado a proposta de Vladimir fosse um erro. Mas o que ela poderia fazer agora? Só lhe restava dançar conforme a música.

— Ah, já sei. – Luxanna puxou o braço de Vladimir com um pouco de pressa e ele pareceu levemente irritado pelo contato repentino. Principalmente pelo fato de não ter conseguido prever ele com antecedência; o que significava que estava baixando demais a sua guarda perto da garota, sem motivo algum. E aquilo era irritante e indesejado.

No entanto, permitiu que Lux lhe puxasse sem demonstrar aquilo e a seguiu pelas ruas onde o sol parecia não querer iluminar. Mas não precisava, porque Lux fazia aquilo mesmo sem intenção. A mão quente dela segurando sua roupa lhe trazia uma sensação confortável de nostalgia que ele acreditava ter esquecido a muito tempo.

Andaram por alguns minutos até se depararem com um arco de flores. Vladimir olhou para os lados e percebeu que não havia guardas por ali, embora o castelo não estivesse muito distante e pigarreou, na expectativa de ouvir uma explicação de Lux sobre o que era aquele lugar.

Passaram pelo arco e ela baixou o capuz, sorrindo enquanto o sol parecia pintar seus cabelos de uma forma em que ficassem mais dourados. Os olhos azuis dela pareciam amigáveis, diferente da falta de brilho e entusiasmo que ela tinha mostrado anteriormente.

— Esse – ela fez um gesto com as mãos na tentativa de mostrar o extenso jardim que os rodeava. — é o meu lugar favorito. – Olhou para Vladimir com expectativa, que embora tivesse algumas borboletas lhe cercando, não conseguia desviar o olhar de Lux. — Também é conhecido como um dos jardins reais. Ninguém vem nesse, além dos jardineiros em dias específicos. Eu descobri isso a algum tempo... – Ela colocou o indicador nos lábios, pensativa.

— E por qual motivo você decidiu me mostrar seu lugar favorito, Luxanna? – O Hemomago permanecia a olhando, enquanto uma borboleta brincava na palma de sua mão. Ele já estava acostumado com a presença de borboletas, principalmente no templo onde morava. No entanto, seus motivos para ser cercado delas quando estava em casa eram outros... não tão amigáveis e naturais. E ele sabia que Lux jamais aprovaria aquilo se ele contasse.

Ela o olhou, curiosa, e então lhe sorriu.

— Acho que um lugar bonito assim não merece ser compartilhado apenas com os meus olhos. – Disse e se sentou em um banco de mármore que ficava no centro do jardim, ao lado de um arbusto enorme que possuía várias rosas de cores diversas.

Um vento gelado passou pelos dois e ele notou o corpo frágil dela tremer levemente. Se movimentou até Lux e sentou ao seu lado. Pensou em comentar que seria melhor se fossem para dentro de algum estabelecimento já que ela parecia sentir frio, mas achou melhor não o fazer porque Luxanna parecia ser orgulhosa. Encostou seu braço no dela e a mesma lhe olhou, mas não cortou o contato. Suas bochechas estavam vermelhas mais uma vez e um brilho curioso e questionável manchava as orbes azuis.

— Você é uma graça, senhorita. – Os olhos brancos a observaram enquanto ele a elogiava, e o tom vermelho do rosto se intensificou. Vladimir esperou uma resposta, mas ela nunca veio. Luxanna apenas aceitou o elogio e direcionou o olhar para as rosas que estavam ao seu lado, levemente confusa com suas próprias ações e porque seu coração batia em um ritmo descompassado ao lado de um estranho.

— Conhece o significado delas? – Lux puxou uma rosa vermelha, sem arrancá-la, na tentativa de fazer com que Vladimir parasse de lhe olhar. — Eu pretendia ir na biblioteca pegar um livro sobre os significados para estudar, mas... você apareceu.

Ele riu, enquanto o sol baixava cada vez mais no horizonte e aquilo parecia passar despercebido por Lux. O céu já se encontrava em um tom alaranjado e o sol já havia parado de focar na beleza da feiticeira ao seu lado, preparando-se para dar espaço à lua. Ele sentiu um leve desconforto, que até então era desconhecido para si, ao notar que o tempo que possuía para passar ao lado dela já estava se esgotando. Tinha prometido para LeBlanc que voltaria para Noxus antes do anoitecer, já que havia mais tópicos a serem discutidos entre ele, ela e Swain.

Tentou afastar aquele pensamento enquanto olhava para a garota, embora não estivesse prestando atenção no que ela estava falando. LeBlanc poderia esperar um pouco mais.

Voltou a focar na voz de Lux e percebeu que ela ainda falava de flores e como desejava aprender sobre elas. Quando resolveu comentar algo, a garota se levantou repentinamente e começou a arrumar seus cabelos dourados para dentro do capuz. As luzes do jardim já estavam começando a se ligar e ela voltou para a realidade, depois de passar o dia todo longe de casa.

— Eu gostaria que você tivesse me notado algumas horas antes, senhorita. – Vladimir riu com um leve tom de deboche e tentou fazer com que sua voz soasse como ironia, mas algo no tom dela entregava que era verdade.

Luxanna cogitou em responder e ser sincera, porque a frase “eu queria conhecer mais sobre você” passou rapidamente sobre a sua mente, mas ela se manteve em silencio e entregou um sorriso tímido para o Hemomago.

— Meu irmão vai me matar. Eu não percebi que o tempo tinha passado tão rápido! Eu perdi tempo demais lendo os livros! – Repreendeu a si mesma, enquanto andava para o arco de flores que era a abertura do jardim.

— Me alegra saber que o tempo passa rápido ao meu lado e você não percebe. – Vladimir respondeu com um leve cinismo na voz, mas como antes, algo no tom entregava sua sinceridade e ele estava começando a odiar aquilo. Ele não deveria ser tão transparente assim com ninguém, muito menos com uma Demaciana que havia acabado de conhecer. Porém... algo nela definitivamente lhe interessava.

Lux assentiu com a cabeça, como se estivesse se despedindo e o olhou uma última vez antes de virar as costas.

— Senhorita. – A voz dele saiu sem que ele pensasse, e Vladimir se surpreendeu com a própria ação. Lux sentiu seu coração pular uma batida ao ser chamada uma última vez. Virou o corpo para ele e lhe fitou com seus olhos azulados. Azul no branco. O que aquele homem pensava? Ela definitivamente gostaria de poder fazer a leitura. Mas não era possível. — Eu esqueci de responder a sua questão. Eu sei algumas coisas sobre o significado das flores, sim. Que tal você voltar aqui mais vezes para que eu te ensine? – Ele abriu um sorriso debochado e Luxanna sorriu.

— Eu vou esperar por isso. – A loira lhe respondeu, com as bochechas vermelhas – coisa que ela já estava se preparando para aceitar, já que seu corpo insistia em demonstrar sua vergonha quando estava próxima a ele.

— Ah sim, e eu também já conheço Demacia. Eu só queria saber mais sobre você. – Ele riu, contando a verdade para ela, e Lux deu uma risada.

— Eu já sabia. – As bochechas coradas e os olhos brilhantes foram as últimas coisas que Vladimir viu antes que ela sumisse na escuridão do jardim. Sentiu um aperto na garganta ao perceber o sentimento que se alvejava em seu peito e que certamente não era bem-vindo.

O Hemomago esperou que a presença dela sumisse completamente e seu coração e mente se acalmassem, e suspirou, desconfortável consigo mesmo por não conseguir encontrar razão no que sentia. Olhou para o lado e vociferou, irritado.

— Eu a vi, rosa negra. Aguarde, eu já irei.

LeBlanc apareceu por entre as flores com um sorriso, e então se sentou ao lado dele.

— Achei que ia demorar mais no seu encontrinho. E se esse fosse o caso... – a mulher de cabelos curtos começou a passar a mão direita no rosto do Hemomago, na tentativa de lhe acariciar. Ele se moveu para interromper o toque e o clone de LeBlanc começou a desaparecer, não antes de finalizar o recado – eu teria que lhe atrapalhar. Vamos logo, Vladimir. Não nos faça esperar por causa de motivos fúteis como esse. Swain está impaciente. Ele quer atacar Demacia na próxima semana. Pare de perder tempo e nem pense em nutrir sentimentos por algo que você vai perder, mais uma vez. Você já deveria ter aprendido sobre isso. Tsc.

Agora em completo silêncio, e sozinho, Vladimir andou em direção as rosas, tocando na rosa com curiosa coloração azul. Puxou com cuidado, quebrando-a para que pudesse segurar as pétalas na palma de sua mão.

— Talvez eu devesse começar te contando o significado dessa... Lux.


Notas Finais


Ainda sinto que falta algo no fim dessa oneshot mas ainda não cheguei no ponto de descobrir. Enfim.
O significado de rosa azul é amor impossível, inalcançável.
Teve pedaços da lore do Vladimir (a short-story dele com borboletas, alma e pintura), a base da história da Lux, e eh isto.
se alguém quiser comentar eu vou ficar feliz ~


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