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História Imutável - Capítulo 3


Escrita por: e SirCostantini


Notas do Autor


Olá, quanto tempo, hm?

Capítulo 3 - Oldboy


Todos os olhares do colégio estavam direcionados às irmãs Jung e Kim Jungeun, o que não era incomum, mas desta vez, havia uma nova interpretação. As três desceram do carro, juntas, ok, poderia ter sido apenas uma simples carona, mas hormônios jovens estão sempre induzindo os cérebros a pensarem sexualmente.

— As irmãs Jung estão pegando a Jungeun. — Ha Sooyoung, o motivo de uma das regras, comentou com outro motivo de uma das regras. — Elas desceram do carro um pouco mancas, será que...? — Fez sinal de tesoura com os dedos.

— Provavelmente sim, Jinsoul deve tê-las obrigado, Yosoul está sempre fazendo o que a irmã quer. — Hyunjin disse. — Sorte da Jungeun de ter a aprovação da pior.

— Ah, nem fala, a pior é mesmo um pouco assustadora. — Sooyoung admitiu. — Ela tem uns ciúmes estranhos da outra.

— Ainda bem que nos livramos disso. — Hyunjin levantou-se, após beber todo o isotônico. — Elas são loucas. — As duas entraram em campo, enquanto isso, Kim Jiwoo sorriu maliciosamente ao ouvir a conversa, o incesto entre as duas era sempre um boato, mas ninguém conseguia ter insanidade o suficiente para levar à sério.

Kim Jungeun começou o dia com aula de física, estava no penúltimo ano para o fim do ensino médio, e com isso, os professores já se preocupavam com os vestibulares. Apesar da maioria dos alunos estarem com cara de tédio, ela sorria ao ouvir atentamente sobre as leis de Kepler. A astronomia sempre fazia o seu coração palpitar, além do mais, lembrou-se do assunto na noite anterior sobre a ida do humano à lua.

Tentava focar a sua memória apenas em quando estavam conversando, sem muita malícia, no fundo, não queria ter confirmado com os ouvidos que o que as irmãs praticavam não era um mero boato. Ok, talvez tivesse perdido uma parte da explicação quando pensou nas irmãs, mas a aula também fora interrompida, de qualquer forma.

— Desculpe o atraso, Professora Kang. — Jiwoo cumprimentou, e entregou uma maçã à professora de física, que sorriu para a “teacher’s pet”. Porém, Jungeun revirou os olhos, com tanta força, que pensou que eles nunca mais voltariam ao normal. Pode parecer um paraíso namorar a pessoa que você gosta o dia inteiro por estudarem na mesma escola, mas ninguém diz sobre o verdadeiro inferno que é ser da sala da sua ex. — Bom dia pra você também, Jungeun. — Jiwoo pôs uma pera na mesa da outra, e sentou-se como sua dupla, já que outras pessoas se acanhavam para sentar perto de Jungeun.

— Bom dia. — Jungeun cruzou os braços, ignorando a fruta na mesa.

— Você não parece bem humorada. — A outra riu, maliciosamente. — Você se importaria em dizer o porquê? — Jungeun cerrou os punhos, irritada. — A noite não foi boa, Eun?! — Jiwoo fez um biquinho, em uma feição sarcástica de tristeza.

— Na verdade, ela foi ótima, mas ter que lidar com você não é para amadores. — Sorriu, diabolicamente. — O que quer insinuar?! — Amarrou a cara.

— Eu não preciso insinuar nada enquanto o colégio inteiro sabe o quão a politicamente correta tem fetiches estranhos em irmãs. — Debochou, pegando a fruta da mesa de Jungeun. — Você trocou um possível retorno com sua primeira namorada por uma noite com as irmãs Jung. — Mordeu a fruta para irritar a outra com o som. — Eu que não quero mais voltar sabendo o risco de pegar uma infecção sexualmente transmissível. — Sussurrou, com um sorriso também diabólico nos lábios.

Jungeun cerrou bem os punhos, desejando arrancar a pera da boca de Jiwoo e quebrar bem no projetor da professora. Apesar de parecer calma, tinha uma irritabilidade sem igual, principalmente, com quem se metia na sua vida. No entanto, apenas pegou todo o seu material, e saiu da sala de aula.

 

ㅂㅁ

 

As irmãs Jung comiam várias frutas durante o intervalo, estavam tentando ficar em forma, mas também queriam guardar a boca para Chuseok — Dia de Ação de Graças. Estavam sozinhas, era normal ouvirem besteira dos outros alunos, apesar da maior parte deles a desejarem, mas queriam esconder-se até de Jungeun.

— Estou me sentindo mal por ela. — Jinsoul admitiu. — Ela não merece ouvir besteira.

— É a garota mais pura de coração que eu já conheci. — Yosoul completou, enquanto ajeitou o laço no cabelo, com uma certa irritação. — Imagino o quão esteja se sentindo culpada.

— É um dos motivos pra sempre ter tido um certo receio de tentar.

— Jinsoul! Nós não podemos desistir agora! — Yosoul ajeitou a gravata da irmã, o que causou um certo nervoso na mesma, já que só ela podia ajeitar. — Você viu como ela foi fofa com a gente? — Os olhos brilharam. — Ela é demais!

— Não é questão de desistir, mas sei lá, talvez não devêssemos ir com tanta sede ao pote. — Soou desanimada. — Ela é boa demais pra não gostar de alguém, nem que seja no sigilo, ela deve ter alguém...

— Isso, sigilo! Nós podemos tentar com ela, e se ela aceitar, tentaremos ser o mais sigilosas possíveis. — Yosoul entusiasmava-se como se não fosse tarde demais.

— Que sigilo é esse que eu precisei dar a volta no colégio inteiro para encontrar vocês?! — Jungeun perguntou, cruzaria os braços, se não tivesse com uma caixa de esfirras em mãos. — Elas já devem ter esfriado. — Pôs em cima da mesa, enquanto as irmãs se olharam, sem saberem como reagir. — Atrapalhei um assunto realmente sigiloso? — Fingiu culpa. — Caso tivessem planejando assaltar um banco ou dar laxante de elefante pro diretor, eu não ouvi, ok?

— Até onde você ouviu? — Yosoul perguntou, inocentemente, enquanto Jinsoul pôs a mão na testa, envergonhada.

— Na parte “sigilosas”? — Jungeun deu de ombros e sentou-se na mesa, pegando uma esfirra. — São todas suas, meninas. — Elas pensaram em explicar que estavam de dieta, mas se a própria instrutora física estava propondo, não tinha como recusar.

— Você está de tão bom humor. — Yosoul orgulhou-se.

— Como foi o seu dia? — Jinsoul preocupou-se.  

— Bom. — Suspirou. — Eu tive um pouco de dor de cabeça e perdi um assunto de vestibular, fora isso, foi bom passar um tempo na fila do lanche jogando no celular.

— Qual o assunto? Quem sabe possamos repor. — Yosoul piscava os olhos como se namorasse a imagem de Jungeun.

— Não se preocupe com isso, Soulie, ficarei bem. — Comeu uma esfirra, enquanto as duas se olharam novamente. Era estranho como Kim estava tão carinhosa quando tudo indicava que deveria estar bem irritada. O que havia acontecido com ela?! — Quanto a vocês? Seus pais não brigaram por dormir fora?

— Ah, eles não se importam tanto com algumas coisas. — Jinsoul soou indiferente.

— Uma vez acampamos em Busan, e eles nem perceberam. — Yosoul riu.

— Busan?! Isso é tão legal. — Jungeun disse, mais animada. — Deve ser tão bom ter uma irmã da mesma idade porque nem precisam de amigas. — “Nem de namoradas” pensou por impulso, mas ficou quieta.

Às vezes era impossível não se perguntar se, na realidade, eram namoradas, e todas as que participaram eram apenas diversões. No fundo, isso a desanimava, com medo de formarem uma amizade, e ser muito desconfortável ficar de vela.

— Nós, geralmente, somos só nós. — Yosoul comentou e observou Jinsoul um pouco nervosa. — Mas você seria muito bem vinda nas nossas aventuras. — Ok, talvez isso tivesse confortado Jungeun.

— Estávamos planejando matar a próxima aula pra pegar um cinema. — Jinsoul mentiu, não planejavam, mas o semblante de Jungeun exausto foi uma motivação. — O que nos diz?

— A próxima aula é de sociologia, e digamos que não ligo muito pra Weber.

— Você sempre pareceu um pouco mais admiradora de Nietzsche e Freud. — Jungeun riu do comentário e Jinsoul pensou ter ofendido.  

— Talvez eu fique com algumas teorias, e nada mais que isso. — Comeu mais uma esfirra. — Bom, qual filme vocês pretendiam assistir?

— Ah, é que nós queríamos só ver quais estão em cartaz. — Jinsoul afrouxou a gravata enquanto Yosoul pesquisou no celular.

— Olha, acho que só tem filme chato em cartaz. — Jinsoul franziu o cenho com a resposta da irmã. Por que rejeitaria uma ida ao cinema com a paquera suprema das duas?

— Hum, nada além de filme de terror b e comédia hétero com piada de peido. — Jungeun analisou, criticamente, talvez não fosse tão perfeita assim, era uma cinéfila.

— Mas estou com tanta vontade de assistir filmes. — Yosoul soou dramática com uma voz em murmúrios. — Por que não vamos a uma locadora? — Jinsoul arregalou os olhos, era um programa de casais, já que as locadoras eram espaços pequenos com uma TV onde se alugaria um filme, e faria o que bem entendesse com a privacidade.

— Sendo sincera, nunca fui a uma locadora. — Kim admitiu. — A minha mãe nunca gostou muito da ideia enquanto sempre existiu Netflix e Stremio em casa.

— Então, é uma ótima ideia! — Yosoul faltou saltitar. — Melhor irmos antes que encontrem a gente.

 

ㅂㅁ

 

Kim Jungeun deixava o material no seu armário, enquanto as irmãs a esperavam no pátio, queriam evitar a fofoca enquanto atravessariam o corredor.

— Olha, acho que você está de parabéns por hoje. — Jinsoul sorriu para a irmã. — Levar a Jungeun pra locadora. — Esfregou as mãos umas nas outras. — Pena que é um pouco precipitado, e ela pode pular de medo da gente.

— Quem disse que nós tentaríamos algo? Eu só quero testar os dotes de cinéfila, ou será que ela vai escolher um comentário de três horas sobre a guerra fria e a corrida espacial? — Gargalharam.

— Você acha que ela é uma neoliberal? — Jinsoul indagou, pensativa.

— Provavelmente queira ser uma astronauta da KARI, e não da NASA, mas ainda assim, difícil acreditar que astronautas não são fãs da colonização, por que querem tanto explorar marte?

— O que estão falando sobre Marte?! — Jungeun entusiasmou-se.

— Você é a favor do neocolonialismo? — Jinsoul foi direta.

— Puta merda, não. — Jungeun riu, mas estava começando a estranhar os rótulos que Jinsoul atribuía a ela. Nietzsche era o de menos perto daquela acusação. — No fundo, até prefiro que os humanos fiquem longe de marte, mas ao mesmo tempo, tenho vontade de fugir desse mundo, só que sem eles. — Caminhavam até a locadora mais próxima.

— Você sempre soa assim tão poética? — Yosoul perguntou antes de ir ao lado de Jungeun para deixa-la no meio das duas.

— Isso não é poético, na verdade, é bem tosco. — Deu de ombros. — Eu deveria encarar a realidade ao invés de fugir dela.

— Todas nós. — Jinsoul afirmou. — Mas fala sério, é difícil não encherem o nosso saco, você sabe, não sabe?

— Eu sei porque estão preocupadas comigo, meninas, e não é justo com vocês. — Kim disse. — Não deveríamos parar de andar juntas só pelo que vão falar. — Abaixou a cabeça, olhando para o chão, por um momento, enquanto as duas irmãs se olhavam.

— Bom, chegamos na locadora. — Jinsoul disse e atravessaram a rua.

As irmãs se sentaram e olharam para o tempo enquanto Jungeun escolhia, e ela era bastante indecisa, atribuído ao seu temperamento fleumático misto ao melancólico. Escolheu, mas as gêmeas apostaram errado: ela não escolheu Donnie Darko.

Oldboy?! — Jinsoul e Yosoul perguntaram, uníssonas. Apesar do filme coreano ser um sucesso internacional, nunca o assistiram.  

— Vocês nunca...? — Jungeun escondeu o risinho já que havia motivações bem implícitas, que se citadas, seriam spoiler. — O cara é sequestrado, preso em uma sala com televisão durante quinze anos, e sai de lá tentando descobrir o que houve. — Contou à sinopse. — Eu estava entre esse e cubo, mas precisamos enaltecer o nosso país.

— Você está, sim, sempre soando poeticamente, Jungeun.  — Os olhos de Yosoul pareciam brilhar sempre que Kim terminava uma frase.

— Quem dera. — Jungeun sentou-se no banco de couro, enquanto Jinsoul sentou à sua direita e Yosoul à sua esquerda. Ambas tiraram o tapa olho do seu respectivo olho azul pela heterocromia, deixando-a admirada por um momento. — Os seus olhos são bem bonitos. — Elogiou, mas logo pôs os olhos na tela por não ter esse costume.

— Obrigada. — As gêmeas disseram uníssonas.

Kim respirou fundo, estavam tão perto, aquele banco era para dois, até porque era o melhor de se pagar, mas como consequência, estavam muito pertinho. Logo, Jungeun analisava até o perfume que cada uma usava, os principais acordes do cheiro de Yosoul eram baunilha, balsâmico e café, enquanto Jinsoul gostava de perfume amadeirado com acorde de vodca.

As gêmeas, fora do costume, prestavam atenção no filme. Jungeun, por sua vez, não conseguia, e não fazia tanta diferença. Logo, na tentativa de acalmar-se, encostou a cabeça onde estavam sentadas, e cochilou.

— Ela dormiu? — Yosoul cochichou para Jinsoul, que prestava atenção.

— Parece que sim. — Observou, e achou fofo, por mais que não fosse de costume. Yosoul fingiu encher o rosto de Jungeun de beijinhos, e a irmã a repreendeu, fazendo-a voltar a assistir o filme. Elas respeitavam o tempo, por mais que lento se comparado ao delas, esperariam o tempo que fosse.

 

ㅂㅁ

 

— Omma?! — Jungeun acordou, em um susto, ao perceber que tinha uma das gêmeas quase idênticas a cada lado. Procurou qualquer vestígio de baba, o que seria extremamente vergonhoso, mas agradeceu mentalmente por estar de boca fechada. — O filme já acabou? — Observou as letrinhas subindo.

— Sim, e você dormiu tanto que nem pôde nos explicar porque o escolheu. — Yosoul cruzou os braços com os olhos semicerrados.

— Porque é um clássico, não é, Eun? — Jinsoul tentou uma explicação simples.

— Eu o achei um pouco mais cult. — Yosoul revirou os olhos.

— Dirão que prefeririam um filme de Adam Sandler? — Jungeun fugiu do assunto abordado em oldboy. Porém, espantou-se ao olhar no relógio quando desviou o olhar.

— Nós temos que ir para casa. — Jinsoul disse. — Foi um prazer estar com você, Eun, mas sinto que devemos nos separar a partir de agora. — Cada palavra de Jinsoul soava mais dramática que realmente era. Talvez, dentro de si, fosse mesmo doloroso.

— Então, essa semana vai ser um pouco corrida, e talvez seja difícil voltarmos à locadora novamente, mas quem sabe depois da ação de graças. — Yosoul completou.

— Certo. — Jungeun sentiu-se culpada por um dado momento, por não ter sido tão presente com as irmãs ao dormir demais. — Até qualquer hora.

Despediram-se, Jungeun pegou o ônibus vazio até a sua casa, lembrando-se como havia sido mais divertido com as suas novas amigas. Amigas, sim, esperava que não fosse uma palavra muito forte, mas havia sido difícil. Era um saco ser a novata, principalmente, porque todos pareciam tão bem agrupados, e quando se aproximavam, sempre parecia ser um por um interesse próprio.

— Será que a Jungeun não dormiu com a gente na casa dela? — Jinsoul perguntou enquanto caminhava até em casa com a irmã. — Será que ela ouviu alguma coisa?! — Arregalou os olhos, em espanto.

— Claro que não! Ela tiraria satisfação com a gente, não acha? — Yosoul tentou tranquilizar a irmã, mas nem ela acreditava nas próprias palavras. — A menina é tão curiosa;

— É curiosa, mas também é bem educada. — Suspirou, olhando para a janela. — Ela é a mais difícil de todas as nossas garotas.

— Jinsoul, você sabe muito bem, há um bom tempo, Jungeun não é como qualquer uma das nossas garotas. —  A irmã relaxou a cabeça no ombro da gêmea. — Chegamos.

As gêmeas deixaram as mochilas espalhadas pelo quarto, após darem uma volta em casa procurando pelos pais, que, provavelmente, jantariam fora, como gostavam de fazer. Com isso, Yosoul foi para a cozinha, enquanto Jinsoul foi ao banho.

O jantar ficou pronto em apenas vinte minutos, o tempo que Jinsoul gastava para hidratar os seus fios, e também retirar todo o creme. No entanto, antes de desligar o chuveiro, deparou-se com uma Yosoul nua indo em sua direção.

— Irmãzinha, esfrega as minhas costas? — Pediu, virando-se para Jinsoul, que obedeceu. — Que banho demorado, hein? — Virou o rosto para trás, observando as várias marcas que foram feitas na pele da gêmea.

— Meus cabelos estão muito longos. — Comentou. — Você também deveria hidratar os seus. — Deu uma risadinha. — Ser loira é complicado.

— Cala a boca, Jinsoul. — Yosoul riu, enquanto sentia as mãos da irmã deslizando por toda a extensão das suas costas. — Você está tão séria hoje que é estranho vê-la fazer piadas. — Segurou a mão da irmã. — O que houve?

— Não consigo parar de pensar na Jungeun. — Admitiu.

— Hum, agora você sabe como é se apaixonar? — Yosoul riu ao virar-se para a irmã. — Você sabe como são as borboletas no estômago.

— Sim, pelo menos, é por uma boa pessoa! Diferente de você com a Hyunjin!

— Ah, como você é ciumenta. — Fez um biquinho e deu um selinho na irmã. — Não pode ser ciumenta com a Jungeun, senão eu fico sem. — Deu uma risadinha de lado.

— Nós deveríamos criar uma regra só pra ela, não acha? — Sugeriu.

— Acho, Jinsoul. — Entrou debaixo do chuveiro com a irmã. — Ela é mesmo privilegiada. — Fechou os olhos, e a beijou, enquanto sentiam a água escorrendo pelos cabelos e todo o corpo.

As duas tinham os olhos fechados, as mãos deslizavam pelas costas uma da outra, com uma certa delicadeza, o que era incomum, mas desta vez, tinham os corações amolecidos. Todavia, aquela distração era uma armadilha, que jogou uma Jinsoul ao chão do box, com um cinto na mão.

— Você fez isso de novo?! — O pai as flagrou, e descontou ao bater o couro do cinto na coxa de Jinsoul. — É a sua irmã! — As gotículas d’água machucavam ainda mais.

— Fui eu que comecei, pai! — Yosoul tentou impedir, segurando-o pelo ombro.

— Mentira! Ela sempre foi a pior de vocês! — Berrava, enquanto Yosoul tentava segurá-lo para que Jinsoul levantasse. — Eu não quero mais olhar pra sua cara!

— Papai! Eu já disse que fui eu! — Yosoul chorava em desespero.

— Cala a boca, Yosoul! Antes que eu quebre os dentes dela! — Empurrou a filha para fora do box. — Eu não quero mais ver a sua cara! Ou a expulso de casa!

Jinsoul saiu, sem muito discutir, pegou uma muda de roupas ainda que sem comer o seu jantar predileto. Ela não chorou nenhuma vez, embora a sua coxa estivesse bem vermelha pelas cintadas, o que mais doía era o peito.

Óbvio, não queria que Yosoul também saísse como culpada, até preferia ser a única punida naquela relação, mas era doloroso saber que era agredida, simplesmente, por amá-la. Absolutamente todas as pessoas que descobriram o seu segredo apontaram o dedo, antes ou depois de envolvimento sexual, nenhuma, jamais, entenderia o amor.

Enquanto deitada no saco de dormir, temia que os ratos pudessem perambular pela garagem, então usava a luz do celular para olhar ao redor. Temia um ataque de pânico, como ocorrido na sua infância ao ser presa pela primeira vez, sempre era pavoroso lembrar e tentava agradecer por não ser expulsa de casa.

 

Eun: Oi.

Eun: [imagem]

Eun: Acho que ela está com saudades de vocês.

 

Jinsoul acabou por dar um sorrisinho ao perceber uma coruja quieta, ainda que tivesse costume de sair à noite, Jungeun queria dizer que a mesma já havia se apegado a ela e a irmã. Porém, não passava de uma desculpa esfarrapada, óbvio.

 

Jin: Isso significa que devemos dormir aí mais vezes? ㅋㅋㅋ

Eun: Quando quiserem me ajudar com o vestibular...

Eun: Mas é só uma brincadeira... moro longe.

Jin: Seria um prazer, na verdade.

Jin: Queria estar aí agora.

 

Jungeun sentiu as mãos arderem com o nervosismo recorrente, não esperava que Jinsoul fosse tão direta.

 

Eun: Estudando até tarde? ㅋㅋㅋ

Jin: Sim, claro. ㅋㅋㅋ

Jin: A cama é bem confortável.

Eun: Só por isso?

 

Jungeun mordeu os lábios ao enviar a mensagem, se as gêmeas eram tão pervertidas como diziam, por que não eram mais fáceis de retribuir as suas investidas, ou melhor, o que Jungeun considerava investida?

 

Jin: Também porque é divertido implicar com você.

Eun: Yosoul que o diga.

Eun: Aliás, ela está com você?

Eun: Ela não me respondeu.

Jin: Ah, acho que ela já dormiu.

Eun: Vocês não dormem no mesmo quarto?

Jin: Sim, mas estou assistindo TV na sala.

Eun: O que está assistindo?

Jin: Um filme de terror b qualquer.

Jin: E você? O que faz?

Eun: tentando dormir.

Jin: Você não vai conseguir com a luz na sua cara. ㅎ

Eun: É porque eu dormi na hora do filme.

Eun: Outra coisa que temos que compensar.

Jin: Próxima sessão de cinema na sua casa.  ㅎ

 

Jungeun respirou fundo, intimidada, talvez Jinsoul não fosse tão direta quanto diziam, mas ainda caminhava. Jinsoul, por sua vez, até esqueceu o medo de ratos já que o medo de levar um “não” da sua nova paquera era um pouco maior.

 

Eun: Fechado.

Eun: Agora eu vou dormir de vez, ok?

Jin: Durma com os anjos e sonhe conosco. ㅋㅋㅋ

Jin: [imagem]

Eun: Boa noite.

 

Jinsoul enviou uma fotografia onde Yosoul e ela vestiam pijamas azuis, escuro para Jinsoul e claro para Yosoul. Jungeun não maliciou tanto, a princípio, mas as duas pareciam tão felizes em uma cama de casal. Julgou-se, por mais que praticassem incesto, como todos diziam, quem era ela pra julgar ou admirar demais?

Kim virou-se para o lado, várias vezes, tentando fugir dos seus pensamentos. Ela sabia como era difícil dormir depois de cochilar e só tinha uma coisa que a ajudaria a sentir sono novamente, mas antes, não deixaria barato para Jinsoul.

 

Eun: [imagem]

Eun: Pijamas fofinhos.

 

Jung surpreendeu-se com o macaquinho vermelho que Jungeun usava para dormir, expunha as suas coxas definidas, mas também as alças finas na parte de cima, expunha bem as clavículas.

 

Jin: [imagem] encaminhada.

Yo: Que isso?!

Yo: NOSSA, É A JUNGEUN?

Yo: Jinsoul, eu estava preocupada com você.

Yo: Agora eu estou ainda mais ☹

Yo: Você deve estar tão sozinha...

Yo: E excitada.

Jin: Eu estou.

Jin: Mas sossegue, Yosoul.

Yo: Você quer mesmo que eu sossegue depois dessa foto?

Jin: Sim. Eu estou me esforçando, e você também.

 

Jungeun não se esforçava nem um pouco. Havia caído em tentação ao observar a fotografia das gêmeas, a imaginação fértil tinha a visão do corpo nu das duas, onde Jinsoul estava por baixo de Yosoul, que rebolava sobre a intimidade da gêmea. A imaginação era tão fértil, que conseguia ouvir os gemidos roucos das duas, a forma que Jinsoul tentava se segurar, e acabava arfando.

Jungeun tinha o dedo médio fazendo movimentos circulares ao redor do seu clítoris inchado pela excitação, as pernas já tremiam por todo aquele desejo acumulado. Os olhos fechavam com força, perdendo a visão da fotografia, mas se imaginou no meio das duas, idênticas, com corpos ainda mais parecidos, esbeltas em dobro.

— Jinsoul... Yosoul... — Gemeu bem baixinho ao lembrar do que aconteceu debaixo do próprio teto. — Como eu queria... ah. — Sentiu os olhos tremerem, assim como as pernas, e uma colicazinha ao chegar ao seu orgasmo. Retirou a mão de dentro do elástico da calcinha e fechou todas as abas do celular, sentia a culpa pós-masturbação correr em seu corpo, principalmente, pelos pensamentos sujos quando mais perto do ápice.

No entanto, bastou pouco para conseguir dormir. A sua vingança havia sido tão plena, que era Jinsoul e Yosoul que tinham insônia agora, mas as duas se entregaram aos próprios toques sem muita dificuldade.  

Era tão sem graça tocar-se, Jinsoul e Yosoul se entediavam totalmente, principalmente porque sempre tinham uma a outra, desde sempre, ainda que fizessem sexo várias vezes por semana, nunca enjoaram. Porém, era o que tinham para aquela noite ao imaginar o corpo de Jungeun, o que era terrível, sentiam-se duas pervertidas que mereciam todo sofrimento acerca da não-aceitação dos outros.

 

ㅂㅁ

 

Nos dois dias seguintes, Jinsoul dormira na garagem e saia de casa antes dos seus pais chegarem. Yosoul se culpava pelo ocorrido, mas se sentia ainda pior por ser a filha predileta. Jungeun mal teve tempo de vê-las, ou estavam em prova, ou saíam tarde demais.

— Você não pode fazer greve de fome, Jin. — Yosoul comentava enquanto saíam da sala de aula. — Eu cozinho sempre pensando em você.

— Estou bem, Yo, não vejo problema em alguns dias sem jantar.

— Meninas? — Jungeun as abordou. — Estava esperando vocês. — Desviou o olhar. — Nós não nos vimos tanto depois do cinema. — As gêmeas se olharam; Jinsoul ajeitou a gravata e Jinsoul o laço.

— Ah, nós ficamos um pouco ocupadas. — Jinsoul intimidou-se para responder.

— Eu poderia jurar que estavam me evitando. — Jungeun admitiu, no fundo, pensava que era culpa dos seus pensamentos impróprios. — Vocês querem comer?

— Bom que assim você não precisa cozinhar hoje, Yosoul. — Jinsoul disse.

— Ah, mas eu não estava pensando em substituir o jantar, só queria comer besteira com alguém. — Jungeun deu uma risadinha. — Omma ficou de me buscar no shopping, queria saber se poderíamos...

— Claro que vamos! — Yosoul animou-se, adorava shopping e compras.

O feriado do dia de Ação de Graças estava bem próximo, o shopping estava lotado e as gêmeas reencontraram muitas pessoas que não gostariam. Uma delas, era Jo Haseul, a professora gostosona que resistiu à tentação no último segundo.

— Oi, professora! — Jungeun chamou antes mesmo das gêmeas entrarem em desespero.

— Jungeun, quanto tempo. — A cumprimentou e olhou para as duas antigas alunas particulares. — Fora da escola sou apenas Haseul. — Forçou um sorriso.

— Costume, desde muito tempo. — Explicou, enquanto Jinsoul desfrouxava a gravata, desesperadamente, e Yosoul balançava uma das pernas.

— Você deve estar ocupada com as suas amigas, então as deixarei em paz. — Haseul também se desconfortava por lembrar-se de como era fácil cair em tentação com as próprias alunas, claramente, Jungeun já foi uma delas, embora nunca tenham se envolvido. — Foi um prazer revê-la. — Ignorou as gêmeas e fugiu.

— Por que vocês estão tão estranhas? — Jungeun logo perguntou. — Conhecem?

— Ela foi nossa professora, mas éramos péssimas alunas. — Jinsoul disse com pressa. — Yosoul tentou se passar por mim pra fazer a minha prova. — Forçou um riso.

— Achei que você era a melhor em história. — Jungeun logo notou a mentira, decepcionou-se e percebeu que tinha algo de errado, mas parecia melhor deixar quieto. — A loja que ela estava era tão chique. — Entraram na loja de roupas.

— Como alguém gasta tanto com sapatos feios? — Jinsoul franziu o nariz.

— Quantas bolsas cafonas! Os ricos não têm vergonha? Só porque é de marca. — Yosoul completou e Jungeun riu.

— Olha que cinto feio da off-white. — Jungeun riu, até deparar-se com Sooyoung com dois cintos daqueles em mãos. — Ops. — Pegou as gêmeas pelas mãos e fugiram para longe da loja.

Até chegar à praça de alimentação, dariam de cara com várias lojas, uma delas era de roupas menos cafonas. Logo, Jungeun pegou as duas gêmeas pelas mãos e entraram.

— Eu achei essa gravata a sua cara, Jinsoul. — Aproximou uma gravata branca da gola. — Mas essa aqui também. — Experimentou uma azul-petróleo. — É mais fácil você usar a branca de manhã, hum?

— Às vezes eu gosto de usar fora do uniforme, e não tenho nenhuma assim. — Segurou a mão de Jungeun, com a gravata mais escura, enquanto Yosoul observava, com um grito preso na garganta por ver os olhos da irmã brilhando.

— Já pra você, Yosoul, acho que essa gravata em laço combina bastante. — Pegou uma azul-pastel com detalhes em rosa pastel. — O que acha? — Ajeitou a gola da outra gêmea e acabou desviando o olhar para o decote provido pela blusa desabotoada.

— Perfeita! — Experimentou por conta própria. — Nós duas só não trouxemos o cartão hoje.

— O que? — Jungeun riu. — Isso é um presente meu. — Separou as duas peças.

Em um instante, Jinsoul e Yosoul olharam-se na porta da loja, feito duas bobinhas, por que Jungeun passou a ser tão generosa se no começo era tão desconfiada e antipática?

— Eu acho que ela está apaixonada por você. — Yosoul admitiu. — A forma que ela olha pra você é como a forma que você a olha.

— Por mim? — Riu. — Você tinha que ver como ela olhou os seus peitos. Além do mais, se ela gosta de mim, também gosta de você, já que somos idênticas.

— Você sabe que não somos, Jinsoul, a sua personalidade combina mais com a dela. Eu acho que sou muito infantil perto de vocês duas. — Gesticulava.

— Ah, isso é besteira, Yoyo. — Pegou a irmã pela cintura, mas logo afastou-se. — Você sabe que é a favorita entre nós duas, não sabe?

— Do papai e da mamãe? Isso é péssimo. — Revirou os olhos. — É o de menos, ok? Certeza que o negócio da Eun é com você.

— Meninas, desculpe a demora. — Jungeun apareceu. — Que carinhas são essas? Estavam brigando pra ver quem fica com o lacinho? — Deu uma risadinha, principalmente, por Jinsoul não usar nenhum “frufru”.

— Estávamos. — Jinsoul também riu.

— Então, encerrar o último dia de aula com frango frito e chocolate milk com três vezes mais bubbles?! — Pegou as duas pelas mãos mais uma vez.

Portanto, as três estavam felizes, Yosoul conseguir sua compra quase que sagrada, enquanto Jinsoul ganhara uma linda gravata e Jungeun orgulhava-se. Jogavam conversa fora e tinham a impressão do quão a mais nova poderia ser muito mais legal que a politicamente correta como presumiram.

— Sabe o que eu não entendo? — Jungeun perguntou enquanto bebericava. — Por que os professores são tão cafonas com os salários que eles ganham? — Riu.

— Eu também queria saber. — Yosoul torceu o nariz. — Os sapatos de marca sempre parecem batidos com água sanitária na máquina de lavar.

— E aquela echarpe cafona que o professor de artes usa? — Jungeun gargalhou.

— E ainda dizem que são os de exatas que se vestem mal. — Jinsoul pontuou.

— Exatas são minimalistas, sempre usando aquelas camisas polo de uma cor só. — Uma Jungeun julgadora ganhava as risadas das irmãs.

— Sabe uma coisa que eu acho bem brega? — Yosoul perguntou, enquanto alisava um dos fios de cabelo. — O traje espacial. — Jinsoul e ela riram, na tentativa de implicar com Jungeun que ficou sem palavras.

— Eu realmente não tenho como me defender desta vez. — Jungeun disse. — Estou sonhando em ser jeca um dia desses.

— Mas você vai ser a jeca mais linda que todo mundo já viu. — Yosoul sorriu de lado. — Você não acha, Jinsoul? — Sorriu, maliciosamente, para a irmã.

— A-acho! — Jinsoul intimidou-se e tentou desamarrar mais a sua gravata. No final do dia, a gravata de Jinsoul sempre ficava frouxa na sua gola por causa do tique.

— Eu vou dar um jeito de deixar o meu traje bonito. — Jungeun não se deixou levar pelos elogios, sempre dava um jeito de parecer indiferente quanto a eles.

— Oi, meninas! — A mãe de Jungeun apareceu de supetão. — Finalmente a Jungeun fez amiguinhas! — Bagunçou os cabelos da filha.

— Nós também, Senhora Kim. — Yosoul deu uma risadinha, enquanto a mais velha sentava-se à cadeira.

— É um prazer imenso revê-las, seria um prazer ainda maior tê-las na nossa ação de graças, mas acredito que passarão com a família. — A mãe as convidou e Jinsoul lançou um olhar entristecido por lembrar-se.

— Provavelmente nossos pais inventem de irmos até a casa da avó. — Yosoul contou. — Mas seria um prazer.

— Jungeun, você tem que ver o tamanho do peru que a mamãe comprou. — Jungeun queimou de vergonha. — Agora, uma carona para as gêmeas até em casa, e você prepara o peru, Jungeun.

 

ㅂㅁ

 

Yosoul tinha as malas prontas para passar o final de semana na casa dos avós, conforme os pais sempre faziam no dia de ação de graças. Portanto, Jinsoul também precisaria sair da garagem por um dia.

— O que faz aqui? — A mãe perguntou, brandamente, quando a filha foi em direção ao quarto. — O seu pai não quer que você vá. — Abaixou a cabeça. — Tentei convencê-lo, mas ele não quer vê-la dividindo um quarto com Yosoul novamente. — Jinsoul olhou para o teto, revirando os olhos com indiferença.  

— Tá. — Deu meia volta em direção à garagem, estaria satisfeita com o seu saco de dormir e os ratos recém conhecidos.

—A Jinsoul não vai?! — Yosoul indagou nervosa.

— É para o seu próprio bem, Yosoul, nós não a púnhamos para fora de casa porque precisamos ensiná-la a se tornar uma pessoa descente, mas não colocaremos você em risco. — Argumentou, e a filha manteve-se incrédula e boquiaberta.

Desde que nasceram, as gêmeas nunca foram separadas, nem mesmo com os filmes românticos água com açúcar que Yosoul assistia no cinema, ou com os suspenses psicológicos que Jinsoul gostava, mas assombrava a irmã. Agora, havia um fim de semana inteiro separando as duas.

 

ㅂㅁ

 

— Não acredito que ficarei sem você! — Yosoul deitou no peito de Jinsoul ao se enfiar no saco de dormir no chão da garagem. — Vai ser tão chato!

— Sempre é chato.

— Não! Agora é pior! — Encarou a gêmea. — Eu quero você comigo!

— Eu sei, também quero, mas talvez seja melhor assim, quem sabe o papai pense melhor sobre toda essa punição, mas digamos que eu mereça. — Suspirou.

— Não! A culpa é toda minha!

— Shh. — Levou o polegar ao lábio da gêmea. — Vai ficar tudo bem, Yosoul.

— Já que ficará sozinha, por que não aceita o convite da Jungeun? — Dedilhou do peitoral até o rosto de Jinsoul. — Ela disse que passa sempre uma ação de graças tão triste e sem graça.

— Ela não disse isso. — Jinsoul riu com o cinismo da irmã.

— Mas foi o que ela quis dizer. — Levantou as sobrancelhas repetidamente.

— Você não vai ficar com ciúmes? — A gêmea ciumenta perguntou.

— Óbvio que não! Pagaria pra ver você traçando a dançarina. — Yosoul movimentou a cintura conforme Jungeun ensinava nas aulas.

— Yosoul! — Jinsoul gargalhou com a ideia mirabolante. — Isso não vai rolar.

— Por que não?! A Jungeun está doida por você! Ela até te deu uma gravata pra puxar enquanto rebola. — Continuou com os movimentos ousados, e Jinsoul ria.

— Eu não sei, Yo, não quero ser intrusa na família.

— Ah, fala sério, a mãe gostou tanto da gente, acho até que adoraria que fôssemos as noras dela. Nós duas somos bonitas e inteligentes, quem não quer?! — Empolgou-se.

— Eu até posso pensar em perguntar se o convite está de pé, ok? Amanhã. — Acalmou Yosoul com um cafuné e deu um selinho. — Agora, nós passaremos um fim de semana longe, mas quero que se lembre que na segunda estaremos juntas novamente. — Entrelaçaram os dedos. — Eu amo você, Yosoul.

— Eu amo você, Jinsoul. — Selaram os lábios.

 

ㅂㅁ

 

Kim Jungeun correu até a porta quase derrubando os enfeites da data comemorativa, causando estranhamento da mãe sentada ao sofá da sala com um prato na mão ao assistir TV.

— Jinsoul! — Jungeun ofegou, mas estendeu a mão para pegar a mochila da garota que a abraçou.

— Feliz dia de ação de graças, Eun. — Inalou fundo o aroma amadeirado suave da menor enquanto sua voz soava abafada. Kim sentiu o nervosismo por meio de arrepios em sua espinha. Todavia, o olhar triste de Jinsoul machucou seu coração acelerado. —

— Deixa que eu levo. — Jungeun pegou a mochila e foram em direção ao quarto.

— Está tudo bem, Eun, já é muita gentileza ter me convidado. — Acariciou seu ombro enquanto Kim ainda evitava contato visual por tamanha timidez.

— A gentileza é a sua presença, Jinsoul, essa data costuma ser tão vazia. — Sentou-se na cama e Jung a acompanhou. — Antes de sairmos. — Respirou fundo e desviou o olhar com timidez. — Você quer conversar sobre isso? — Jinsoul deixou um sorriso ladino escapulir pela preocupação.

— Na verdade, eu quero. — Segurou a mão livre da anfitriã. — Mas acho que você não entenderia. — Abaixou a cabeça e desviou o olhar. Kim desejou levantar-se e mudar de assunto como sempre fazia, mas acariciou as costas da mão de Jinsoul. Ela queria demonstrar apoio.

— Gosto de entender. — Respirou fundo ao encará-la e levantar-lhe o rosto com carícias. — Talvez, até já entenda, Jinsoul. — A maior manteve um olhar de espanto. — O que dizem sobre você e Yosoul...vocês se amam mais que irmãs? — Franziu a testa e juntou as sobrancelhas com confusão, mas um cuidado que, apesar do espanto, fez Jinsoul sentir-se acolhida.


Notas Finais


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