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História In a different life - Capítulo 9


Escrita por: elfasy

Notas do Autor


Esse cap é no POV do Donghae.

Boa leitura <3

Capítulo 9 - Donghae


Fanfic / Fanfiction In a different life - Capítulo 9 - Donghae

Eu nunca tive muitas aspirações na minha vida. 

Nasci numa família de ferreiros e meu destino era criar armas e utensílios para que os guerreiros e nobres usassem em guerras; ou apenas para acessórios de roupas ou mobília. 

E eu odiava fazer aquilo. 

Todas as vezes que meu pai me acordava e me arrastava para a oficina eu desejava me tacar na fornalha pra que, talvez, em uma próxima vida, eu pudesse vir como um príncipe ou, pelo menos, um nobre desocupado. 

Minha vida sempre foi baseada em cumprir ordens. Fossem essas dos meus pais ou dos clientes que queriam suas armas assim ou assado. Eu apenas assentia e jamais ousava questionar nenhuma delas. Pelo menos, não de uma forma que pudesse ser ouvida.

Graças aos deuses, homens não tem o dom de ler mentes. 

Minha vida começou a ter um pouco mais de sentido depois que, em um dia raro de folga, eu estava entediado e resolvi ajudar minha mãe a colher os legumes de nossa pequena horta. Aquilo foi mais gratificante do que qualquer outra atividade que eu pudesse ter feito na oficina de meu pai até aquele momento e eu tive certeza de que era aquilo que eu gostava de fazer. 

- Mas meu filho e os afazeres da oficina? - meu pai questionou quando eu contei sobre minha descoberta.

- Papai, eu vou continuar ajudando o senhor, mas eu quero mais dias de folga pra poder cuidar da horta. Mamãe está cansada e quero ajudar - argumentei.

Apesar de quase nunca discutir sobre nada, eu era muito bom na arte da persuasão. 

Meu pai ponderou por alguns instantes e, no final, ficou decidido que eu trabalharia quatro dias na oficina e dois na horta.

Alguns dias depois, eu consegui, em uma troca justa, algumas sementes de uma fruta nova que havia sido descoberta na região. 

Morangos.

A partir dali, minha vida parecia quase completa.

Quase.

Por mais feliz que eu ficasse enquanto plantava meus morangos, ainda sentia que algo estava faltando. Mas não sabia o que era.

Só fui descobrir quando, em um dia ensolarado e tedioso na oficina, um forasteiro parou e ficou me observando trabalhar. Eu nunca gostei de plateia, mas, por algum motivo, gostei de sentir seu olhar sobre mim. Quando vi seu sorriso tímido então, tive certeza de que queria vê-lo novamente. 

Não parei de pensar em seus olhos até nos encontrarmos de novo. 

E de novo.

E de novo.

Só soube que estava apaixonado quando, ao deitar a cabeça no travesseiro depois de nosso terceiro encontro, eu percebi que não sentia falta de mais nada.

A não ser do seu sorriso. 

E seus olhos.

E seu cheiro.

E sua voz.

Plantar morangos já não era mais a coisa que eu mais gostava de fazer e sim passar o meu dia com ele. 

Quando estávamos juntos, não importava o que eu estivesse fazendo - fosse forjando uma arma, plantando frutas ou tomando banho de rio -, eu me sentia completo. 

Quando deixei que ele segurasse minha mão, o calor que eu senti em meu rosto se comparava ao de quando eu estava de frente pra fornalha ardente.

Quando nos beijamos na boca pela primeira vez, meu coração acelerou de tal maneira que eu pensei que iria atravessar meu peito. Minhas mãos tremiam e suavam, como se eu tivesse passado um dia inteiro forjando pra todo um exército. 

Cada risada que ele arrancava de mim, eu tomava como desafio arrancar uma dele de volta. 

Eu amava ver suas gengivas à mostra junto com as rugas no canto de seus olhos. Amava a pinta em sua bochecha e amava a maciez de suas mãos. As minhas eram tão calejadas pelo trabalho manual que, às vezes, eu tinha vergonha.

- Hae… - ouvi sua voz me chamando e abri os olhos pra encará-lo - Por que você soltou minha mão? - perguntou com o semblante triste e meu coração quase partiu no mesmo instante. 

Estávamos num fim de tarde observando as nuvens no céu, deitados sobre a grama em uma clareira escondida no interior de uma floresta próxima à minha vila. 

- Desculpa, Hyukie - pedi e entrelacei meus dedos nos seus novamente, antes de desviar o olhar e voltar a encarar o céu - É que sua mão é tão macia e a minha é tão… 

- Perfeita - completou e trouxe minha mão pra perto do seu rosto antes de beijá-la - Igual a tudo em você.

Virei meu rosto pra encará-lo novamente enquanto sentia meu coração acelerar.

Eu era completamente apaixonado por ele. 

- Não te incomoda os calos, as queimaduras, as cicatrizes? - questionei e, pra minha surpresa, ele sorriu antes de levar sua mão livre até os meus cabelos, os afastando do meu rosto e prendendo atrás da minha orelha.

- Eu amo tudo que faz parte de você, Donghae. Não mudaria nada - e, para reafirmar, ele beijou cada um dos meus dedos e minha palma antes de encaixar seu rosto nela e virar de lado, ficando de frente pra mim - É com essas mãos que você faz as armas mais incríveis que eu já vi. E planta os morangos mais doces que eu já comi. E eu sou o homem mais sortudo de toda a região por poder segurá-las.

Eu não sabia o que responder.

Ele sempre me fazia sentir tão amado. Mais até do que os meus próprios pais jamais conseguiram fazer. 

- Você não existe… - falei - É uma miragem que os deuses mandaram pra me pregar alguma peça, tenho certeza. KUMIHO - gritei, agora em direção aos céus - SE FOR ALGUMA DE SUAS ARTIMANHAS, POR FAVOR, NÃO PARE NUNCA!

Ouvi sua risada ao meu lado e, automaticamente, sorri, o encarando novamente.

- Para com isso - pediu - Não tem nada de raposa de nove caudas aqui e não invoque entidades ruins, Donghae - socou meu braço e eu ri.

- Eu precisava ter certeza - expliquei - Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida - disse e toquei seu rosto, agora com as duas mãos, virando de frente pra ele.

- E você foi a melhor que aconteceu na minha - tocou no meu queixo e se aproximou, beijando minha boca.

Entrelaçamos nossas pernas ao mesmo tempo em que senti sua língua roçando na minha. 

Logo eu estava sobre ele e nos acariciávamos, tendo apenas Dalnim, a lua, como testemunha. 

E, de alguma forma, eu sabia que ela estava nos abençoando. 

☾✩☽

Hyukjae foi meu tudo desde que entrou na minha vida. Eu fiz dele meu maior porto seguro e o principal motivo pelo qual fazia sentido ainda estar vivo. 

Então, perdê-lo não estava nos meus planos.

Mas aconteceu. 

Um dia, ele parou de aparecer. 

Suas visitas cessaram e eu fiquei totalmente desamparado por dias. Não queria comer, trabalhar, não conseguia dormir e minhas plantações foram secando assim como eu. 

Meu pai contratou mais homens para ajudar na oficina, pois alguns vilarejos estavam em guerra, então ele sequer notou minha falta nesse período. Minha mãe, coitada, estocava o máximo de comida que conseguia, com medo do futuro que nos aguardava se nossa vila fosse invadida por inimigos. 

Corriam boatos de que o povoado vizinho - o de Hyukjae - havia feito pacto com alguma divindade e, com isso, estavam conseguindo massacrar os inimigos na linha de frente. 

Saber daquilo só me deixava ainda mais angustiado. E se ele foi pra guerra? E se ele tivesse sido morto? Eu jamais saberia porque não havia ninguém que soubesse sobre nós dois pra poder me contar. 

A angústia não cabia mais dentro de mim e, ainda em meio a guerra, vencemos uma batalha e, devido nossa aliança com o povoado vizinho, acabamos saindo como vitoriosos e eu aproveitei a comemoração pra fugir e tentar encontrá-lo. Quando cheguei no seu vilarejo, fui capturado e levado até o líder deles, que sequer quis me ver e mandou que eu fosse levado ao seu irmão. 

Era a primeira vez que eu ficava frente a frente com Siwon depois de ter começado um relacionamento com Hyukjae e eu me perguntava se ele havia descoberto, pela forma com que me encarava.

- Quem é você? - perguntou sério e eu resisti à urgência de me contrair.

Não queria demonstrar fraqueza; ainda mais pra ele.

- Meu nome é Donghae. Sou do vilarejo vizinho. Somos aliados de vocês - garanti, querendo ter minha vida poupada, pelo menos por enquanto.

- O que procura aqui? As festividades estão acontecendo nas suas terras. Não há nada pra você aqui.

- Eu procuro uma pessoa - fui direto ao ponto.

Não queria mais esperar. E odiava ter que ficar ajoelhado na sua frente com os meus pulsos amarrados, em uma posição de inferioridade.

Vi quando Siwon trancou o maxilar e, por um segundo, me perguntei se ele sabia quem eu era afinal, e estava apenas fingindo. 

- Quem você procura? - perguntou. 

- Hyukjae. Você o conhece, certo? - questionei e ele não respondeu - Sei que conhece. São amigos de infância. 

- Como você sabe dessas coisas? - eu devia estar louco, pois jurava que tinha visto um brilho avermelhado em seus olhos.

Mas eu não podia dizer a verdade. Não podia arriscar que Hyukjae fosse executado por minha causa.

- Somos… amigos - a palavra saiu amarga como veneno na minha língua.

Siwon não pareceu acreditar e, honestamente, eu não me importava.

- Só quero saber se ele está vivo - garanti. 

- Está. Pode ir embora agora - acenou com a cabeça e, de repente, dois guardas me seguraram pelos braços e começaram a me tirar dali.

- Espera! - gritei - Eu quero vê-lo! Por favor, peça pra que ele me procure! Preciso falar algo muito importante com ele!

E a porta se fechou na minha cara antes de eu ser arremessado na terra como um saco de entulhos. 

Rosnei e me levantei, me livrando das amarras em meus pulsos e determinado a não desistir. 

Continuei visitando Siwon por cinco dias e quatro noites, implorando pra que ele me deixasse ver Hyukjae, até que fiquei farto de tudo aquilo.

- NÓS SOMOS AMANTES - gritei e vi quando Siwon arregalou os olhos. 

Ele acenou para que os guardas saíssem da sala e nós ficamos sozinhos.

Eu não me importava que aquilo me matasse. Àquela altura eu já havia sacado que ele jamais faria algo contra Hyukjae, então estava jogando com o que tinha. 

- Você perdeu completamente a cabeça? - Siwon veio pra cima de mim e me ergueu pelos cabelos até que eu ficasse de pé na sua frente - Como ousa expor o Hyukjae dessa forma?!

Minha garganta e meus olhos ardiam; não por medo dele, mas por arrependimento de ter sucumbido ao desespero, fazendo Hyukjae correr risco de vida.

- Eu preciso vê-lo - supliquei enquanto tentava impedir que as lágrimas escorressem dos meus olhos - Por favor, Siwon. Se eu não puder vê-lo mais eu prefiro morrer pelos pecados que cometi por ele - solucei - E com ele - admiti em voz baixa.

Eu não queria morrer. Não enquanto Hyukjae estivesse vivo. Mas de que adiantaria viver uma vida sem ele?

- Tirem-no daqui - foi tudo que Siwon disse e eu ouvi as portas sendo escancaradas atrás de mim.

- NÃO! ESPERA! POR FAVOR - berrei enquanto era arrastado pra fora pelos guardas.

- E não deixem que ele entre nas terras nunca mais - o ouvi declarando antes da porta ser fechada na minha cara.

Dessa vez, eu fui carregado até a beira de um riacho, que eu sabia ser um dos limites das terras deles, e me largaram lá. 

☾✩☽

Eu já nem me lembrava quantos dias haviam se passado. Eu não comia e, no máximo, tomava um gole da água do riacho às vezes. Meu corpo foi definhando e eu não poderia me importar menos. 

Nada mais fazia sentido.

Sentia que estava nos meus últimos suspiros quando ouvi uma movimentação na mata próxima. Me encolhi no chão e forcei meus olhos a focarem não muito longe de onde eu estava. 

Um homem e uma mulher se abraçavam e riam. Pareciam estar prestes a fazer amor quando vi os olhos do homem brilharem em um vermelho vivo e ele cravou os dentes no pescoço da mulher, chupando seu sangue. 

Eu não podia acreditar no que os meus olhos estavam vendo. Havia boatos nas terras próximas sobre seres das trevas que se alimentavam de energia humana, mas eu sempre imaginei que aquilo fosse puro folclore, pra nos fazer ter medo de sair pra floresta à noite e essas coisas. 

Ouvi o baque oco do corpo da mulher contra o solo, pálida e sem vida, e engoli em seco.

Por um lado, eu estava aterrorizado, mas, por outro, aquela era uma oportunidade para dar um fim na minha vida. 

Eu relutava sobre o que fazer, se deveria me revelar pra ele ou não, quando um outro homem surgiu em meio às trevas. 

Siwon. 

Arregalei os olhos quando o vi indo em direção à criatura. Pensei que fosse matá-la, mas ele apenas empurrou seu ombro, irritado. 

- Já falei pra não se alimentar em público - ralhou e ouvi o outro dar uma risada.

- Ah, irmãozinho, mas não tem público nenhum aqui. Só os deuses - debochou e apontou pro céu.

Irmãozinho? 

Aquele era Leeteuk! Irmão de Siwon! 

- E se alguém passasse por aqui na hora? Não podemos nos expor! Você sabe sobre as regras do contrato. 

Contrato?

- Até parece que você também não gosta de comer fora às vezes - deu de ombros e vi os olhos de Siwon brilhando em uma luz rubra, como a que eu jurei ver nas vezes em que estive em sua presença.

Então os dois eram a mesma criatura.

Será que Hyukjae sabia? Será que era por isso que ele relutava tanto pra fugir dali? Teria medo deles?

- Como o Hyukjae está? - ouvi Leeteuk perguntar e, imediatamente, minha atenção focou na conversa entre os dois.

- Na mesma de sempre - Siwon bufou - Ele não quer nada disso, não devíamos tê-lo transformado. 

- Você sabe que não tivemos escolha. Ou transformávamos a vila inteira ou nada feito. E você bem que vai tirar proveito disso futuramente que eu sei.

- Não sei, Leeteuk. Não ficaria surpreso se esse sentimento que ele tem durasse toda a eternidade. 

- Nada dura pra sempre - afirmou e tocou o ombro de Siwon, o confortando. 

- Talvez eu devesse deixar que ele se encontre com Donghae… 

Senti meu coração acelerando na mesma hora, só com a possibilidade de vê-lo novamente. 

- Isso não vai acontecer - Leeteuk disse firme e eu cerrei os punhos, irritado - Você sabe que ele precisa se afastar desse sentimento o quanto antes. Não tem como ele manter relacionamento com um humano. 

Humano? 

Isso quer dizer que--

- Nós somos humanos - Siwon declarou e Leeteuk negou com a cabeça.

- Deixamos de ser no instante em que provamos a primeira gota de sangue. Você e Hyukjae precisam aceitar seus destinos. Vocês fizeram suas escolhas.

Então… Hyukjae era um deles?!

- Hyukjae não fez escolha nenhuma. Nós fizemos por ele. 

- Não interessa. Somos uma família, precisamos fazer o que é melhor pra todos. Hyukjae fez isso pra salvar os pais dele também. Nós não o obrigamos.

- Mas também não demos escolha.

- Ele teve escolha. Nós até nos fizemos de cegos pra que ele fugisse se quisesse, mas ele não fugiu. Sabia das consequências. 

Siwon apenas suspirou e assentiu. 

- Vou visitá-lo - avisou e, do nada, sumiu.

Eu não podia acreditar no que havia acabado de presenciar. Estava tão em choque com tudo, que só notei que tinha sido descoberto quando vi um par de pernas se materializar na minha frente, junto com um cheiro suave de canela.

- Olá - olhei pra cima e vi o sorriso falsamente simpático com uma covinha no canto dos lábios. 

Leeteuk havia me encontrado. 

Eu não conseguia me mexer. 

Partes por estar aterrorizado e partes por estar fraco demais. 

Continuei deitado ali no chão, o encarando e esperando pelo meu destino.

Me sobressaltei quando ele ergueu a mão e me encolhi.

- Calma aí, garoto - pediu e deu uma risada baixa - Acho que é disso que você está precisando.

Quando ergui o olhar novamente, vi que ele tinha um pedaço de pão consigo. Antes que eu pudesse sequer raciocinar, meu instinto de sobrevivência me fez arrancar o alimento de sua mão e começar a mastigá-lo. 

Enquanto eu me deliciava com aquela massa dura e velha, que parecia ser o melhor banquete que tive em anos, vi Leeteuk caminhando até a beira do riacho e enchendo uma pequena garrafa de couro antes de vir até mim e se agachar na minha frente, me oferecendo a água. Eu engoli o último pedaço de pão e aceitei a bebida, virando de uma vez e hidratando meu corpo já quase sem vida e meus lábios rachados.

- Melhor? - o ouvi perguntar depois de esvaziar a garrafa e devolvê-la pra ele, murmurando um agradecimento tão baixo que nem eu ouvi direito - Não tem que agradecer. O que faz aqui?

Ergui a cabeça e o encarei. Não sabia se devia lhe dizer a verdade. E se ele me matasse? Ele foi muito claro conversando com Siwon mais cedo, dizendo que eu não poderia mais ver Hyukjae. 

Mas, também, morrer não seria de todo mal.

Estava tomando fôlego pra responder quando ouvi sua voz novamente. 

- Ele sente sua falta.

Travei ali com a boca entreaberta e o nó que, imediatamente, se formou em minha garganta.

Sim, ele sabia quem eu era. 

Engoli, tentando desfazer o bolo no meu estômago e impedir que o pão voltasse em um refluxo, e senti um arrepio quando o vi sorrir. 

- Não sei mais o que fazer pra acabar com o sofrimento dele - suspirou - Você o amarrou bem forte nesse seu feitiço. Quem quer que tenha feito, é um bruxo e tanto. 

Franzi o cenho, levemente irritado com o caminho que aquele monólogo estava tomando. 

- Porque, você sabe, o amor… digo, o verdadeiro amor não deveria doer assim. Era pra ser um sentimento reconfortante, algo que nos faz feliz. Hyukjae não está feliz. 

Porque vocês o tiraram de mim! Eu queria gritar. 

Tranquei o maxilar e cerrei os punhos. Não conseguia dizer uma palavra sequer, tamanha frustração e medo das consequências dos meus atos. 

Pelas suas palavras, Leeteuk sabia sobre nós dois. Mas há quanto tempo sabia? E se ele estivesse apenas me testando, blefando pra que eu dissesse a verdade e, no final, ele punisse Hyukjae por isso? 

Eu já sabia que Siwon jamais o machucaria, mas e Leeteuk? 

- Faz dias que ele só chora - ele continuou, como se quisesse me torturar com imagens mentais - Não se alimenta - meu coração apertou ao imaginar Hyukjae, que já era tão magro, com ainda menos peso.

Minha vista embaçou antes de grossas lágrimas escorrerem pelas minhas bochechas enquanto eu mordia o interior da minha boca, com medo até de soluçar.

- Não chore, querido - seu tom de voz era doce, mas, por algum motivo, eu sentia veneno em suas palavras - Aqui - puxou a gola da minha blusa com a ponta dos dedos, como se estivesse com nojo, e secou minhas lágrimas - Não é assim que você vai ajudar o nosso Hyukjae - negou com a cabeça.

- C-como - me forcei a sussurrar, sem forças pra dizer mais do que aquela única palavra.

O sorriso voltou ao rosto bonito e maligno, junto com a covinha, e Leeteuk se sentou ao meu lado.

- Se quer mesmo ajudar o Hyukjae, você precisa sumir, meu anjo - disse e passou as costas do dedo na minha bochecha.

- Mas… 

- Sem mas - me cortou - Você não vê que esse relacionamento de vocês estava fadado ao fracasso desde o início? Uma hora acabaria, por bem ou por mal - falou com uma frieza que me causou arrepios - Jamais daria certo. Sumir e deixar Hyukjae pra trás vai ser um favor que você faz pra ele e pra você. Se realmente o ama, vai entender isso.

Cobri a boca com a mão, tentando abafar um soluço, e me virei pra frente, não querendo mais olhar nos olhos frios e perversos daquele homem. Ao invés disso, olhei pro meu pulso, onde havia uma pequena cicatriz em formato de lua. Automaticamente um sorriso pequeno nasceu em meio às lágrimas e meu coração se acalentou um pouco. 

Não importavam os nossos destinos ou os caminhos tortuosos que tomássemos, Hyukjae sempre faria parte de mim. 

Tirei a mão da boca e toquei os contornos da tatuagem, canalizando toda a minha energia naquele sentimento que eu tinha por Hyukjae. 

Já havia perdido as contas de quantas noites eu não o via, mas o seu rosto, seu sorriso, continuavam marcados na minha mente.

Inesquecível. 

Insubstituível.

Eu jamais amaria alguém naquela intensidade novamente. E eu nem queria. Se não fosse ele, não seria ninguém. 

- O que vocês são? - me forcei a perguntar sem tirar os olhos do meu pulso.

Todas as forças que eu ainda tinha vinham dali. Vinham de Hyukjae e do nosso amor. 

- Como assim o que nós somos? - perguntou, mas eu sabia que ele tinha entendido.

- Esse contrato… que vocês comentaram mais cedo é o pacto com divindades que os boatos têm se referido? Então é verdade que vocês venderam suas almas pra vencer a guerra?

O silêncio reinou por alguns segundos. Eu ouvia apenas o barulho da água do riacho correndo livre à nossa frente.

- Sim - Leeteuk admitiu - É verdade. Não somos mais humanos. Ninguém da nossa vila é. Inclusive Hyukjae. 

Assenti, fingindo indiferença quando, na verdade, meu coração doía por imaginar que ele havia sido obrigado a vender sua alma pra salvar sua família. 

- Isso quer dizer que vocês são imortais? - prossegui.

Notei Leeteuk se remexendo, provavelmente perdendo a paciência com o meu interrogatório. 

- Somos. Se ninguém nos matar, viveremos pra sempre. Mas é quase impossível de conseguir nos matar. Por que isso te interessa? Só reforça que você e Hyukjae não podem ficar juntos. 

- Vocês também não envelhecem? - perguntei, ignorando sua última frase.

- Não. 

- E o que é necessário pra se tornar um de vocês?

Ouvi sua risada de deboche ao meu lado.

- Só nascendo de novo - falou e bagunçou meu cabelo.

Eu assenti e não disse mais nada.

Olhei pro céu. A lua estava cheia. Sua luz irradiava, tocando cada planta, ser vivo e pedaço de terra, refletindo na água como se dançasse sobre ela.

Minha mente foi pra longe dali. Eu pensava em Hyukjae e nos momentos que dividimos juntos; quase todos testemunhados por aquela mesma lua. 

Aproveitei o silêncio que era respeitado por Leeteuk e fiz uma oração silenciosa enquanto acariciava minha cicatriz; o elo que me mantinha ligado ao único homem que eu amei em toda a minha vida.

Que Dalnim tivesse misericórdia de nós e nos permitisse uma segunda chance na próxima vez. 

Então fechei os olhos e suspirei antes de me levantar e encarar Leeteuk.

- Estou pronto - declarei e ele franziu o cenho.

- Pronto pra quê?

- Pra morrer. 

Como eu esperava, ele sorriu e se levantou, ficando cara a cara comigo.

- É isso que você quer, Donghae? - perguntou e eu assenti.

- Essa vida não faz mais sentido sem ele. Nunca fez antes dele, não fará depois. Se não quer que eu lute pra tê-lo de volta, é melhor me matar agora, porque eu não vou desistir. 

Leeteuk assentiu e suspirou.

- É mesmo uma pena - ergueu sua mão e tocou meu rosto, a deslizando pro meu cabelo no que seria uma carícia reconfortante, se eu não soubesse o que viria a seguir. 

Dei meu último suspiro e fechei os olhos antes de sentir sua outra mão no lado oposto da minha cabeça e, com uma força sobre humana, virá-la até que eu ouvisse o “crack” do meu pescoço antes do meu cérebro se apagar de vez.

[FLASHBACK OFF]

 

Minha vida nunca fez muito sentido. 

Eu cresci em uma família que, apesar de me dar tudo que eu precisava, sempre me tratou com certa indiferença.

Até que, um dia, eles contaram que eu havia sido adotado. E não era que eles não pudessem ter filhos - já tinham um - mas eu fui deixado em sua porta dentro de uma cesta e uma enorme quantia em dinheiro, que continuaria chegando todo mês, contanto que eu recebesse a criação e o sustento necessários pra ter uma vida saudável.

Essa é a história que eles me contaram. 

Por muitas vezes, durante minha adolescência, tentei fugir de casa, tentei descobrir quem eram meus pais e tentei saber de onde vinha o tal fundo de garantia que meus pais adotivos recebiam pra me manter ali. 

Falhei em todos. 

Nada naquela história fazia sentido. Se meus pais fossem ricos ao ponto de sustentar não apenas a mim como pagar uma família pra fazê-lo, por que eles me doariam? Se eles faziam questão que eu tivesse uma vida boa e podiam proporcionar isso, por que me abandonaram? 

Nenhuma das minhas perguntas jamais teve resposta. Até que eu desisti de questionar e, simplesmente, comecei a viver a minha vida.

Algo sempre parecia estar faltando, mas eu não conseguia descobrir o que era. Tentei ir em terapias, meus “pais” conversavam comigo, mas nada foi resolvido. E, com o tempo, eu aprendi a ignorar aquilo também.

Ah, e tinham os pesadelos. Eram sempre pessoas com olhos vermelhos brilhantes. Corpos sem vida. Barulhos de ossos quebrando. Sempre coisas desconexas, mas que tinham um padrão. Nem os psiquiatras tinham resposta para aquilo.

Mais uma coisa na minha vida que eu precisei passar a ignorar. 

Felizmente, eu tinha meus amigos. Heechul e Kyuhyun eram a melhor coisa que tinha me acontecido. Eles faziam os meus dias valerem a pena de alguma forma e eu era eternamente grato por isso. 

E, é claro, eu nunca me apaixonei. 

Uma pessoa que passa a vida tentando lidar com diversas perguntas não respondidas sobre seu passado e presente, não tinha a menor condição de se relacionar e criar planos futuros com alguém. 

Sempre me senti à parte de tudo. Eu era o que sobrava. Tanto em casa quanto na minha vida social. Só comecei a me sentir parte de algo quando entrei pra faculdade e, além de ter Kyuhyun desde pequeno comigo, conheci Heechul, comecei a dar festas que, com o tempo, ganharam fama de ser as melhores de todo o campus. Me tornei conhecido e, de certa forma, aquilo era satisfatório.

Mas não o suficiente. 

Eu ainda era incompleto. 

Até que o conheci. 

O odiei logo de cara. Sua expressão abobalhada e a forma assustadora como ele me encarava sem piscar me deixaram perturbado. E, pra piorar, ele ainda tentou me encostar. Eu não admitia que alguém me encostasse sem o meu consentimento. Ainda mais um desconhecido. 

E continuei não o suportando nos primeiros dias de convivência forçada. 

Nosso primeiro beijo foi apenas eu levemente bêbado querendo brincar um pouco com aquela cara de bobão que ele tinha. No entanto, algo me incomodou. A sensação de formigamento que ficou nos meus lábios - e em todo o meu corpo - depois dele me tocar. 

Fiquei tão irritado que puxei o primeiro conhecido que vi e o beijei, tentando me livrar daquela sensação. 

Mas tudo que senti foi nojo. 

E então a festa foi arruinada por um vendaval maldito. 

Porém, desde esse dia, o vazio existencial que eu sempre tive ressurgiu com força total dentro de mim. 

O que antes parecia ser algo faltando, agora me dava a sensação de ter um enorme buraco no peito. Passei noites em claro e, por mais que eu tentasse, aquele beijo não saía da minha cabeça.

Nem o seu rosto.

No fundo da minha mente, eu imaginava seu sorriso. O que era impossível porque eu jamais tinha o visto sorrir daquela forma. 

Minha cabeça virou uma bagunça até que eu o encontrei novamente. 

À princípio, eu o ignorei. Estava com raiva por ele não sair da minha cabeça, sendo que tínhamos apenas dado um beijo. E, pra piorar, ele ainda era apaixonado por outra pessoa. Porém, com a menção de uma festa, eu não consegui permanecer indiferente. Era a minha chance de compensar o desastre que havia sido a calourada e, de quebra, eu teria algo pra me distrair de tudo aquilo. 

Tentei ao máximo focar na festa, mas aquilo só me trazia ainda mais pra ele. 

Quando eu menos percebi, estava segurando sua mão, o abraçando, olhando em seus olhos e sorrindo de uma maneira que eu jamais sorri pra ninguém antes. E, quando ele me encarava, eu sentia meu coração palpitar. 

Aquilo não era bom. Mas eu não conseguia controlar.

Quando a festa aconteceu, eu me forcei ao máximo pra ficar longe dele. Cheguei a me esconder pra que ele não me encontrasse.

Eu não queria sentir aquilo. Era estranho e nada familiar pra mim. 

Foi quando avistei um dos homens mais lindos que eu jamais vi na vida e, como a piranha que sou, fui flertar. De alguma maneira, eu sentia os olhos dele em mim e, no fundo do meu cérebro, um alerta apitava, me dizendo pra não fazer aquilo. Mas eu fiz. 

E fui rejeitado. 

No final da noite, quando eu estava pensando em ir embora e largar tudo aquilo pra trás, eu o vi. Ele dançava e, mais uma vez, meu coração palpitou ao vê-lo. Apertei o copo em minhas mãos e, quando nossos olhares se encontraram, ele sorriu. 

Aquele sorriso. 

O que eu via nos meus sonhos desde que nos beijamos. 

Então alguém se aproximou e começou a dançar com ele. Eu sabia que não devia me importar, mas a raiva que nasceu dentro de mim foi surreal. 

- Parece que seu ex tá tentando pegar seu lanchinho - ouvi a voz de Heechul debochar e o encarei.

- Não sei do que você tá falando. 

- Acho melhor você tomar uma atitude logo, porque ele não vai ficar disponível pra sempre - piscou e saiu de perto de mim.

Sem que eu pudesse controlar, minhas pernas me levaram até ele e, quando finalmente o tive em meus braços, tudo pareceu fazer sentido novamente.

Eu ainda não sabia as respostas pra absolutamente nada na minha vida, mas, estar com ele parecia certo.

Quando ele fugiu de mim, eu podia jurar ter visto um brilho avermelhado em seus olhos e uma sensação muito familiar encheu meu peito, mas eu não sabia dizer o que era aquilo.

Eu só podia estar louco. 

Mas meus pés, mais uma vez me desobedecendo, o seguiram. Eu não tinha mais controle sobre o meu corpo. Era como se meu subconsciente tivesse tomado conta a partir dali. 

Eu não sabia o que estava acontecendo, só sabia que eu precisava estar com ele. 

Quando nos beijamos novamente, agora no seu quarto, foi como se o mundo entrasse nos eixos e os planetas se alinhassem em celebração àquilo. 

Então ele me mordeu. 

A dor foi excruciante e, no mesmo instante, senti minha vida inteira passando diante dos meus olhos. 

Porém, junto dela, cenas que eu desconhecia. Momentos passados sob a minha perspectiva, mas que eu não me lembrava de tê-los vivido. 

Então a dor cessou.

Apenas para que outra mordida rompesse a minha pele e, dessa vez, minha visão focou na janela. 

A lua estava cheia.

Sua luz irradiava por todo o quarto.

Na minha mente, eu ouvia minha voz entoando uma oração que eu não lembrava de ter feito.

Até que eu me lembrei.

Hyukie… 

E eu morri pela segunda vez.

...

Não morri fisicamente, mas, momentaneamente, o Aiden não existia mais.

Quando acordei e vi seus olhos, eu era o Donghae. 

Eu havia conseguido. Eu o reencontrei. 

Obrigado, Dalnim. 

E, então, eu o perdi. 

Ver Hyukjae desmaiando na minha frente após tanto esperá-lo era o mais fundo que eu havia chegado no meu desespero. 

Imagina lutar tanto pra ter seu amor de volta e vê-lo desfalecendo em seus braços, tendo como recompensa por todo o tempo e paciência, apenas seu último suspiro de vida. 

Eu não podia aceitar. 

- HYUKJAE - gritei enquanto segurava seu rosto nas minhas mãos - NÃO, HYUKIE, POR FAVOR! NÃO! - eu berrava em meio às lágrimas.

Não notei que tinha sido ouvido até ter meus braços puxados enquanto eu era afastado pra longe do seu corpo frio.

- NÃO! ME SOLTA! - implorava e me debatia, sem sequer olhar pra trás pra ver quem me arrastava pro outro lado do quarto.

Então eu os vi.

Siwon e Leeteuk. 

Arregalei os olhos e minha voz ficou presa na garganta.

Quem quer que fosse me segurando, parou de me arrastar e, graças aos deuses, permitiu que eu ficasse no quarto observando enquanto os dois e mais um homem socorriam Hyukjae.

E eu não ousei intervir.

- O que foi que aconteceu, Shindong? - Siwon perguntou, encarando o mais baixo.

- Não sei. Eu não estava aqui, se você não se lembra - debochou.

Então, os três viraram pra mim, parecendo notar minha presença apenas naquele momento. 

Quando meus olhos encontraram os de Leeteuk, eu senti um calafrio, me lembrando do nosso último encontro. 

Mas, agora, ele não sorria. 

- Aiden…? - questionou e, por alguns segundos, eu franzi o cenho.

Até que me lembrei da minha atual encarnação. 

- E-eu não sei - me forcei a responder - Quando eu acordei, ele chamou meu nome e, quando eu chamei o dele, ele desmaiou. 

Eu me tremia inteiro agora, só me mantendo de pé porque duas pessoas ainda me seguravam. 

- Ele perdeu muito sangue - Shindong disse de repente - Precisamos repor.

- Como? Ele não tem mais se alimentado de humanos - Siwon explicou e eu torci o nariz, sentindo, agora, o gosto metálico na minha boca. 

Então Shindong me encarou.

- Você já sabe de tudo? - questionou e eu me sobressaltei.

- T-tudo o quê?

- Ele não sabe - Leeteuk respondeu - Hyukjae desmaiou assim que ele acordou. 

- Então ele ainda é humano - Shindong disse - Você ainda é humano?

- Acho que sim né - disse ainda meio confuso pelo turbilhão de memórias de Donghae e de Aiden se misturando na minha cabeça.

- Vocês não estão pensando em--

- É o único jeito - Leeteuk cortou Siwon, que bufou irritado.

- Não faz o menor sentido botar ele pra beber desse moleque, sendo que foi isso que nos levou à essa situação em primeiro lugar.

- Mas, agora, podemos conversar com ele e retirar apenas um pouco do sangue. O suficiente pra que Hyukjae acorde.

- Gente - um dos homens que me segurava chamou e todos, inclusive eu, o encaramos - Vocês tão falando como se ele não estivesse aqui - então soltou meu braço e olhou nos meus olhos antes de retornar para os outros - Precisamos perguntar e explicar a situação pra ele. 

- Espera, vocês tão falando de mim? - perguntei e todos reviraram os olhos.

- Sim - Shindong respondeu.

- Eu faço qualquer coisa pra salvar o Hyukjae - falei com toda a determinação que tinha e vi o olhar que Leeteuk me lançou.

Ele estava desconfiado.

Eu engoli em seco. Leeteuk, provavelmente, não sabia que eu havia recuperado minha memória. E eu não sabia se era uma boa ideia que ele soubesse. 

Meu outro braço foi solto e eu caminhei até a cama, focando meu olhar em Hyukjae e ignorando todo o resto.

- O que vocês precisam que eu faça? - perguntei sem tirar os olhos dele. 

- Ele precisa beber do seu sangue, já que você é o único humano por aqui - Shindong explicou e eu assenti, fingindo que toda aquela conversa não faria Aiden surtar se eu não tivesse recuperado as memórias de Donghae. 

Me sentei ao lado de Hyukjae e olhei em volta, procurando por algo que pudesse me fazer sangrar.

- Não acho que será necessário - Leeteuk disse e eu olhei pra ele - Apenas aproxime seu pescoço do rosto dele - disse e sorriu aquele sorriso maligno que eu me lembrava tão bem.

Apenas assenti e, inconscientemente, encarei Siwon. Ele desviou o olhar e desapareceu, como se tivesse evaporado. 

Suspirei e me inclinei sobre Hyukjae, aproximando meu pescoço do seu rosto. Entrelacei meus dedos no seu cabelo e encostei minha bochecha na sua têmpora antes de fechar os olhos.

- Ei - chamei baixinho, pra que apenas ele ouvisse - Hyukie… eu voltei - minha voz falhou e eu senti meus olhos arderem no mesmo instante - Voltei pra você, meu amor. Você esperou por mim, não esperou? Eu sei que sim… - a primeira lágrima escorreu enquanto eu lhe fazia cafuné porque sabia que ele gostava - Eu também te esperei por tanto tempo, vida - engoli o nó na minha garganta - Por favor, não desiste agora. Volta pra mim. Eu sei que você consegue me ouvir… eu voltei. Seu sol voltou, Hyukie. Você vai poder ter suas manhãs iluminadas novamente - mordi meu lábio, tentando prender o soluço que queria escapar. 

Então eu desabei. 

Cai sobre o seu peito, chorando e gemendo frustrado com o destino cruel que era traçado pra nós mais uma vez.

Será que era verdade, então? Que nosso amor era terminantemente proibido, até mesmo entre as divindades e, por isso, jamais nos permitiriam ficar juntos?

Eu morri pra reencontrá-lo e, agora, ele morreu pra me fazer viver. 

Quem quer que fosse responsável por escrever nossos destinos tinha um humor sádico e uma ironia sem tamanho. 

Não sei quanto tempo fiquei ali, mas senti que havíamos ficado sozinhos. 

Me forcei a abrir os olhos e olhei em volta, constatando que estava certo. 

Então olhei pro seu rosto. Seus lábios estavam pálidos e sujos de sangue. Não sabia se era meu ou dele, mas não me importei.

Me apoiei sobre o cotovelo e, com a outra mão, acariciei seu rosto antes de beijá-lo. Seus lábios não estavam mais macios, mas ainda pertenciam a ele, então era perfeito. 

Novas lágrimas inundaram meus olhos enquanto eu o beijava, estalando meus lábios nos seus sem parar, não me importando com o gosto metálico do sangue ou salgado das lágrimas que pingavam no seu rosto. 

- Hyukie, por favor… - eu implorava em sussurros, perdendo as forças e escorregando sobre o seu peito novamente - Você prometeu… você disse que não me deixaria e eu acreditei em você… EU ACREDITEI - gritei e, em contrapartida, acariciei seu rosto - Você me deixou uma vez... já quebrou sua promessa uma vez, não a quebre de novo, Hyukjae!

Me aproximei e o beijei novamente. Dessa vez, sugando seu lábio e encaixando minha língua na sua boca, a arrastando nos seus dentes. Então chiei quando senti uma ardência, me afastando e sentindo o gosto metálico na boca. 

Eu havia me cortado em uma de suas presas. 

“Ele perdeu muito sangue” ouvi a voz de Shindong na minha cabeça e, na mesma hora, tive uma ideia. 

Segurei seu rosto e arrastei minha língua nos seus dentes novamente, ignorando a dor e puxando seu queixo, fazendo com que ele abrisse a boca e eu pudesse deslizar minha língua pela sua, deixando meu sangue escorrer pra sua garganta.

Era a medida mais desesperada que eu havia tomado na minha vida, mas, pra alguém que estava disposto a oferecer seu pescoço pra um vampiro há alguns minutos atrás, aquilo não era nada. 

Continuei o beijando até que senti um vento quente no meu rosto. Abri os olhos, sem tirar minha língua da sua boca e vi suas pálpebras tremendo. Sorri, tentando ao máximo não gritar enquanto continuava arrastando minha língua na sua. Até que senti uma mordida no meu lábio inferior e fechei os olhos, ignorando a nova ardência enquanto deixava que ele sugasse meu sangue dali. 

Tudo que ele precisasse. 

Entrelacei meus dedos no seu cabelo e apoiei meu joelho do outro lado do seu corpo, sentando sobre o seu quadril. Logo senti suas mãos subindo pelas minhas coxas e sorri novamente.

Ele estava de volta.

Estalei meus lábios nos seus e findei o beijo, afastando o rosto pra encará-lo. 

Lentamente, Hyukjae foi abrindo os olhos até que eles focassem em mim. Eu não podia conter a minha felicidade, o sorriso estava de ponta a ponta do meu rosto e minhas bochechas já doíam, mas eu não estava nem aí. 

Hyukjae estava vivo. 

- Hyukie - chamei e acariciei seu rosto.

Seu semblante foi de confuso pra surpreso.

- Aiden? - perguntou e eu dei uma risada.

- Mais ou menos… tenta de novo.

Peguei seu pulso e passei o polegar pela cicatriz que havia ali sem tirar os olhos dos seus. Então eu vi realização neles.

- D-Dongh… - gaguejou e soltou o ar de uma vez dos pulmões, sequer conseguindo falar meu nome.

Eu sorri e assenti.

- Eu te encontrei, meu amor… minha lua - falei, sem parar de acariciar seu pulso e vi seus olhos encherem d’água.

- N-não… não pode ser… você tá falando sério? - perguntou com um fio de voz e eu ri mesmo que as lágrimas inundassem meus olhos novamente.

Dessa vez, de felicidade.

- Nunca falei tão sério na minha vida. A não ser nas vezes que eu disse que te amo. 

Hyukjae sorriu. 

Aquele sorriso.

O sorriso que eu mais amava, com as gengivas mais lindas do mundo e, agora, com alguns dentes um pouco mais pontiagudos. 

Então ele me puxou, me abraçando forte ao ponto de quase quebrar meus ossos. 

E, após séculos, eu me sentia completo novamente. 


Notas Finais


Eu não tô chorando, você que tá...
~beack ~elfasy


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