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História In a heartbeat - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Olá, estrelinhas! Como vamos nessa tarde? Chegamos ao final de In a heartbeat :(

Escrever essa história foi uma tarefa longa, mas valeu muito a pena no final porque gosto muito do resultado dela e espero que tenha sido tão prazeroso a vocês como foi para mim! Trazer essa última parte encerra esse ciclo e eu to tristonha :(

Foi betado pela Dulce, as usual! Obrigada, meu anjinho <3 Espero que gostem, nos vemos lá embaixo e boa leitura~! <3

Capítulo 3 - In a heartbeat


IN A HEARTBEAT

Capítulo três - In a heartbeat

 

Chanyeol pensou que Baekhyun precisava só de um tempo para si mesmo e estava disposto a dar-lhe o tempo que fosse necessário. Já passaram por isso outras vezes e o Byun sempre acabava voltando depois de um ou dois dias ausente.

 

O problema começou quando estava quase completando uma semana e Baekhyun ainda não havia falado consigo.

 

Sabia que o beijo trocado entre ambos fora demais; sabia das memórias que desencadearia, os sentimentos aprisionados que libertaria, toda a confusão que habitava suas mentes e que teria passe livre para dominá-los mais uma vez. Não parara de pensar a respeito durante todos os dias desde então e conseguia imaginar que, para Baekhyun, a situação não estava muito diferente.

 

Ainda assim, o silêncio alheio lhe consumia porque não tinha como saber se ele estava apenas pensando no melhor para ambos ou se estava considerando o ocorrido como um erro.

 

Chanyeol não gostaria que fosse dessa forma – beijá-lo de novo foi como reaver seu passe para o céu, o pedacinho de paraíso que habitava nos braços de Baekhyun e ao qual sempre se aproximava todas as vezes em que o beijava. Beijá-lo de novo foi como ter uma explosão de fogos de artifício em suas entranhas e, sendo bem sincero, estava com saudades disso.

 

Só lhe restava torcer que Baekhyun também estivesse e não desistisse de ambos por uma decisão impensada, mas pela qual não se arrependia.

 

Como bem o conhecia, escolheu manter-se distante por todos os dias em que não mantiveram contato. Baekhyun lhe diria o momento oportuno para que conversassem e, por ora, poderia resolver seus próprios dilemas para que, no momento em que a conversa acontecesse, pudesse expor suas vontades sem qualquer problema.

 

Uma semana estava prestes a se completar e sabia que Baekhyun não demoraria muito mais do que isso – não era de seu feitio, ainda que fosse dado a pensar demais. Chanyeol só precisava esperar mais um pouquinho até que colocassem todas as cartas à mesa porque um beijo significava mudar tudo o que vinham fazendo.

 

Como poderia competir tentando ser apenas seu amigo agora que não conseguia parar de pensar em seus beijos? Como se esforçar em reaver apenas sua amizade quando, ao olhá-lo, voltava a imaginar todas as vezes em que Baekhyun esteve entre seus braços, suspirando contra sua pele? Sabia que não era mais possível – e algo lhe dizia que o Byun também estava ciente disso e talvez por isso estivesse demorando mais do que o devido.

 

A próxima conversa que tivessem seria decisiva de todas as maneiras em que olhasse a situação.

 

Parte disso o aterrorizava, sendo sincero. Baekhyun era uma grande inconstância e isso, inicialmente, foi algo que lhe atraiu no mais velho; a ideia de que, a cada dia que passava, conheceria um novo aspecto do rapaz, um novo lado seu para desbravar e o fato de que nunca seria a mesma pessoa lhe instigara a também inovar sobre si mesmo, conhecer melhor o que tinha a oferecer.

 

Entretanto, ainda que tivesse mudado e ainda que tivesse reconhecido mais coisas em si que estavam adormecidas do que imaginava, Baekhyun era uma alma muito mais livre do que a sua. E a inconstância que regava sua existência também poderia decidir o futuro que era reservado aos dois mais uma vez – Chanyeol só poderia torcer para que Baekhyun também o escolhesse.

 

Passara boa parte de seu caminho até o trabalho ainda com a mente presa no mais velho, rememorando o beijo trocado e a fuga repentina, os olhos incertos que lhe deram um último olhar. Repensou consigo mesmo tudo o que poderia ter feito para impedi-lo de partir e como sabia que nenhuma de suas tentativas adiantaria porque o Byun era escorregadio demais.

 

Quando as coisas se tornaram tão complicadas assim? Onde perderam a sintonia que lhes guiou por três anos e o quanto seis meses foram capaz de mudá-los?

 

Chegou ao estúdio de tatuagem minutos depois, onde Minseok já o aguardava. O amigo estava estranhando seu comportamento nos últimos dias, mas não havia dito nada; Chanyeol o agradeceu por isso porque as coisas estavam muito mais confusas agora do que estiveram em sua última conversa com o Kim. Temia não saber o que dizer caso o fizesse abrir a boca.

 

Ainda assim, Kim Minseok não era um exemplo de pessoa paciente e Chanyeol sabia que era uma questão de tempo até que a bomba relógio explodisse.

 

“Bom dia, Min”, Chanyeol o cumprimentou, entrando em na sala para deixar suas coisas. Consultou seus horários em seguida, percebendo que havia uma sessão marcada dentro de meia hora. Teria tempo para continuar rememorando seus últimos problemas e martirizando a si mesmo pelas respostas que não possuía.

 

Minseok acompanhou seus passos, encostado ao batente da porta em silêncio. O tatuador sabia o que o silêncio significava, mas permaneceu de costas para o mais velho na esperança que Minseok desistisse e fosse para sua própria sala. Uma esperança vã, tinha certeza, mas que ninguém poderia culpá-lo por alimentá-la.

 

“O que foi?”, Chanyeol perguntou, voltando-se para olhá-lo. “Minha nuca está quase queimando de tanto que está me encarando.”

 

“Estou esperando que comece a me contar o que está acontecendo”, Minseok deu de ombros. “Eu não sou burro, você sabe. Conheço você como ninguém, moleque.”

 

Foi a vez de Chanyeol repetir seu gesto com os ombros. “Nada demais”, desconversou. “Eu sei que estive distraído esses dias, é só... O Baekhyun. Mas não é nada demais.”

 

“Quando envolve Byun Baekhyun e você, é muita coisa”, Minseok discordou. Desencostou-se de onde estava, caminhando até se sentar no banquinho que Chanyeol usava. O Park estava sentado na maca que utilizava com seus clientes, um sorriso resignado em seus lábios. “A última notícia que tive sobre vocês é que estavam tentando ser amigos. Uma ideia de merda, se quer saber, mas tentando.”

 

“Por que acha uma ideia ruim?”, Chanyeol quis saber. “A primeira coisa que precisávamos reaver antes de qualquer coisa era a amizade que tínhamos.”

 

“Porque eu não acredito que vocês a tenham perdido”, Minseok respondeu. “Vocês soterraram esse sentimento embaixo de camadas de mágoas e irritações na tentativa de sufocá-lo até a morte. Mas ele sempre esteve aí, assim como o amor que sentiam um pelo outro.”

 

Chanyeol ainda não conseguia deixar de achar estranho como Minseok parecia um rebelde sem causa, os braços fechados por tatuagens e os piercings que adornavam o rosto bonito e, ainda assim, falava a respeito de seus sentimentos com tamanho cuidado que não parecia combinar com sua personalidade. Seu amigo compreendia o território que pisava, ainda que suas palavras não fossem sempre tão delicadas.

 

Sabia que era o jeito que possuía e Chanyeol não lhe pediria para mudar por nada.

 

Por um momento, nenhum dos dois disse nada. Minseok ainda lhe encarava com uma paciência que não lhe pertencia, os dedos batucando contra o tecido da maca; o Park, por sua vez, mantinha sua mente nos últimos acontecimentos, se perguntando se deveria contar ao amigo ou não. Minseok era um grande defensor da ideia de que seu namoro não deveria ter terminado como acabou e talvez isso só lhe desse ainda mais motivos para perseguir essa ideia.

 

Ainda assim, era a pessoa que melhor poderia lhe aconselhar no momento porque não lhe pouparia palavras apenas para não o magoar. Minseok era a pessoa mais sincera que conhecia e, portanto, a única ideal para esse momento em que não sabia qual decisão tomar.

 

“Baekhyun e eu nos beijamos semana passada”, Chanyeol disse,, imaginando que tirar o curativo de uma vez só doeria menos. Conseguiu ver a surpresa no rosto alheio pela forma como seus olhos se arregalaram. “Também não sei como aconteceu, eu só... De repente, estávamos nos beijando.”

 

“Você não pode me dar essa informação e simplesmente parar por aí”, Minseok o recriminou. “O que estavam fazendo antes? O que propiciou esse momento? É por isso que está tão aéreo esses dias, não é?”

 

A curiosidade de seu amigo o assemelhava a um adolescente questionando sobre seu primeiro beijo, o que também não condizia em nada com sua aparência, e quase o fez rir. Era uma boa distração para o momento complicado que estava vivendo – e que nunca deixaria o Kim ciente a respeito ou já conseguia ver os tapas que receberia por rir às suas custas.

 

“Ele chegou de repente lá em casa, na última terça-feira, com dois combos do McDonalds porque disse que tinha lembrado de mim”, Chanyeol lhe contou. “Eu estava jogando videogame sozinho, então nós combinamos de jogar uma partida porque, segundo ele, tinha melhorado muito com videogames e tudo mais. Você lembra como ele era horrível.”

 

´Terrível”, Minseok concordou com um breve riso, “nem Jongdae jogava tão mal assim e olha que ele nem decorou a posição dos botões no joystick.”

 

Chanyeol riu em retorno porque era verdade; se lembrava dos encontros duplos em seu apartamento em que seu namorado se unia ao de Minseok em uma partida, tentando provar qual dos dois era o melhor entre ambos, ainda que fossem igualmente péssimos. Nunca conseguiram chegar a um desempate porque seu término viera antes do próximo encontro e não acharam uma maneira de reuni-los novamente sem que tudo soasse... Estranho demais.

 

Estranho como havia deixado de ser há algumas semanas e estranho como estava agora.

 

“A questão é que nós começamos a jogar e, por um momento, parecia como se o tempo não tivesse passado, sabe?”, Chanyeol voltou a falar. “Por um momento, parecia como um ano atrás, quando nós estávamos jogados no meu apartamento e Baekhyun estava se esforçando muito para me vencer e nós provocávamos um ao outro só para poder ganhar.”

 

O tatuador manteve o olhar no rosto de seu amigo, percebendo como a nostalgia ganhava campo conforme suas palavras avançavam. “Ele sabotou meu controle na primeira vez e acabou ganhando, então eu pedi uma revanche”, continuou. “Não tenho ideia de como isso aconteceu, talvez eu estivesse distraído demais encarando-o por vezes e lembrando o quanto eu amava tê-lo daquele jeito ao meu lado, mas ele ganhou mais uma vez e, dessa vez, sem qualquer tipo de sabotagem. Enquanto comemorava – e o sorriso dele ainda é tão lindo, Minseok –, ele me beijou.”

 

Minseok precisava admitir que não havia esperado por essa reviravolta. Imaginara que Chanyeol havia sucumbido aos seus sentimentos e teria beijado Baekhyun em uma decisão impensada e, por isso, estava tão aéreo pensando em seus feitos. Em nenhum momento imaginara que Baekhyun, aquele que dera a ideia do término entre ambos, poderia tomar a iniciativa em beijar seu ex-namorado.

 

Pegou-se imaginando como seu amigo teria reagido a esse gesto, quais tipos de pensamentos se passaram por sua cabeça ao ter seu ex-namorado a quem ainda amava beijando-o novamente depois de lhe dizer que seriam melhores se estivessem separados.

 

“Eu fiquei muito chocado na hora”, Chanyeol comentou, adivinhando seus pensamentos, “não esperava que ele me beijasse, mas... Nós costumávamos comemorar assim, sabe? Baekhyun sempre me beijava no auge de sua euforia quando conseguia me vencer no videogame. Acho que ele se deixou levar pelo momento também e acabou me beijando, não sei se era a intenção dele desde o início.”

 

“E foi isso?”, Minseok perguntou. “Por isso está tão distraído?”

 

“Não”, discordou com um sorriso meio triste, como os sorrisos de Chanyeol não deveriam ser. “Eu o beijei em seguida quando ele se afastou e não parecia saber o que fazer. Pensei que fosse o que ele queria, sabe, porque foi ele quem me beijou primeiro e, por um momento, ele retribuiu ao meu gesto, ele me beijou de volta. Mas então... Depois, ele se afastou e eu conseguia ver a confusão nos olhos dele. Ele foi embora e eu deixei que ele fosse.”

 

O Kim não sabia dizer se esse era o momento ideal para que voltasse a falar. Chanyeol parecia estar usando desse momento para desabafar tudo o que tinha entalado em seu peito, tudo que não podia dizer a Baekhyun porque o Byun tinha seus próprios fantasmas para enfrentar antes que pudessem lutar juntos. Sabia que era o pilar que deveria segurá-lo dessa vez – era seu papel como melhor amigo.

 

“Sempre soube que Baekhyun precisa de um tempo para assimilar as coisas”, o Park voltou a falar depois de um tempo, ”então não me importei que ele sumisse por um ou dois dias. Talvez ele aparecesse de novo na minha porta com mais fast food e então conversássemos sobre o que aconteceu. Mas já vai fazer uma semana, Minseok, e ele não me disse nada. E se ele estiver pensando que foi um erro?”

 

“Foi para você?”, Minseok quis saber. “Um erro?”

 

“Como poderia? Não tem um pedaço do meu coração que não bata pelo Baekhyun”, Chanyeol discordou, uma risada escapando por seus lábios por puro nervosismo. “Beijá-lo foi como ter de novo aquela felicidade que se espalha pelo corpo sem que a gente peça, foi como voltar ao passado de uma maneira que eu não sabia que sentia tanta falta. O fato de não saber se ele sente falta tanto quanto eu é o que está me matando.”

 

Conseguia compreender a situação agora, uma vez que estava por dentro dos sentimentos de seu amigo. Chanyeol jamais deixara de amar seu ex-namorado e sabia disso, dividiam um sentimento que dificilmente se dissiparia em pouco tempo e ainda mais com a convivência que possuíam. Ainda assim, paixão era um sentimento diferente, que se constrói a cada dia e se alimenta aos poucos.

 

Byun Baekhyun tinha tudo de Chanyeol em suas mãos no momento.

 

O Park lhe encarou em silêncio após a enxurrada de palavras que jogou em cima do amigo, esperando por um conselho que não tardaria a vir. Ainda que fosse a pior das situações, Minseok sempre sabia o que dizer e nunca antes se arrependera de ouvir seus conselhos.

 

“Você deveria dizer isso a ele”, Minseok disse. “Foda-se se ele não disse nada até agora. Já se passou uma semana e, se isso está te consumindo, ele deveria saber.”

 

Ou talvez esse fosse o primeiro conselho que se arrependeria.

 

“Não posso fazer isso”, Chanyeol negou. “Não é tão simples assim.”

 

“É tão simples quanto parece”, Minseok discordou. “Não pode se machucar de maneira voluntária como está fazendo enquanto não sabe nada sobre o que ele sente, Chanyeol. Vocês precisam resolver essa história e colocar tudo em pratos limpos.”

 

“E se eu o assustar com isso?”, Chanyeol replicou. “E se eu jogar tudo isso em cima dele e, assim, fazê-lo fugir?”

 

“Não vejo o porquê de ele fazer isso”, Minseok respondeu. “Vocês têm três anos de história juntos, Baekhyun sabe como você é e deve estar ciente também de que esses dias têm sido uma merda pra você.”

 

Chanyeol pensou em retrucá-lo novamente e expor mais algum motivo para impedi-lo de conversar com Baekhyun antes que o mais velho o procurasse, mas Minseok pareceu antecipar seus pensamentos antes que agisse. O tatuador apanhou uma de suas mãos entre as dele, coincidentemente deixando-lhe visível a tatuagem que dividia com Baekhyun.

 

Olhá-la, nesse momento, era o mesmo que se jogar no olho do furacão que revirava toda sua mente.

 

“Você o quer de volta, Chanyeol?”, Minseok lhe perguntou, os olhos fixos no seu, uma expressão de seriedade que, em outro momento, lhe inspiraria medo. “Está disposto a ter Baekhyun ao seu lado como teve nos últimos três anos, com todas as possibilidades que um novo relacionamento ao lado dele pode trazer?”

 

Não precisava sequer pensar a respeito para lhe dar uma resposta. Era a única coisa da qual tinha certeza nos últimos dias. “É claro que sim”, respondeu. “Mas o que isso tem a ver?”

 

“Você só precisa da resposta dele, então”, Minseok arrematou. Levantou-se do banquinho onde estava, checando as horas para saber a respeito de seu primeiro cliente do dia. “E, para isso, precisam conversar e logo. Vocês só estarão colocando uma vírgula onde antes foi um ponto final, não tem tanto problema assim.”

 

Soltou-se do toque do amigo, despedindo-se com um breve aceno e deixando-lhe com muito o que pensar. Chanyeol sabia que havia grandes chances que Minseok estivesse certo e talvez fosse a hora de parar de protelar a última conversa que precisavam ter. Ainda assim, enfrentava problemas para conseguir reunir em si a coragem necessária.

 

Essa era a conversa que poderia lhe dar Baekhyun de uma vez por todas ou tirá-lo de si sem que houvesse uma terceira chance. Sentia o medo subir por sua espinha ao pensar em um futuro onde o Byun não estivesse consigo, onde não risse ao seu lado ou compusesse algo do nada consigo, ainda mais quando não fazia muito tempo desde que reconquistara esses pequenos pedaços de seu paraíso.

 

Contudo, Minseok tinha razão. Não podia continuar a se machucar com as possibilidades que passavam por sua cabeça pelo simples medo de confrontá-las e saber se eram reais ou não. Baekhyun estava há um andar de distância e poderia resolver essa situação em uma rápida conversa; então, teria ciência se havia motivos para que sofresse sozinho ou se sua mente poderia parar de tentar sabotá-lo.

 

Levantou-se da maca onde estava, caminhando até a janela de sua sala. Contra a luz do sol morno que aquecia sua pele, sua tatuagem parecia ainda mais bonita, ainda que precisasse retocá-la em breve. Era o principal lembrete de que ainda valia a pena lutar por ambos e esperava ter Baekhyun consigo nesse momento.

 

Não estava pronto para um ponto final na história que construíram no decorrer dos anos – talvez esses seis meses não passassem de um ponto e vírgula e poderiam continuar de onde pararam, um novo capítulo pronto para ser escrito.

 

Seu único desejo é que Baekhyun ainda quisesse ser o coautor ao seu lado.

 

. . .

 

Chanyeol queria poder dizer que havia seguido o conselho de Minseok naquele mesmo dia e colocado tudo em pratos limpos com Baekhyun, disposto a aceitar os riscos que corria com uma decisão tão abrupta. Queria poder dizer que tivera coragem de falar tudo ao mais velho, abrir seu coração e mostrar-lhe que a indecisão que voltaram a viver estava começando a deixá-lo maluco e que precisava de uma resposta logo.

 

Queria poder dizer, mas nada disso era verdade.

 

Justiça fosse feita para seu lado, até mesmo tentara fazer isso, mas perdera a coragem reunida no momento em que chegou à porta do Byun. Ergueu a mão para tocar a campainha, abriu a boca para chamá-lo, mas nenhum de seus resultados surtiu efeito e, em seguida, resignou-se em seu próprio receio e voltou a seu apartamento, resmungando consigo mesmo a respeito de como estava sendo covarde.

 

As coisas pareciam bem mais simples enquanto estava no estúdio, com Minseok lhe dando conselhos que eram os melhores que poderia ouvir; até mesmo pensara em diversas frases que poderia dizer ao Byun quando o visse novamente, estava crente que daria certo e conseguiria lhe dizer tudo o que pensava, mas a possibilidade de Baekhyun terminar tudo o que tinham por se sentir acuado lhe fez desistir.

 

Não queria perder Baekhyun e isso era uma merda porque continuaria a martirizar a si próprio enquanto o mais velho buscava por suas próprias respostas.

 

Não era bem isso que tinha em mente quando concordou que relacionamentos pedem por concessões.

 

O dia seguinte também não lhe trouxe muita coragem e evitou a conversa com Minseok o máximo possível para que o Kim não percebesse que ainda não havia feito nada; ocupou-se durante todo o dia com suas sessões, por vezes aceitando trabalho de alguém que viera apenas consultar preços e resolvera fechar negócio. Seu amigo perceberia sua tentativa de se manter ocupado para não pensar em seus problemas, mas Chanyeol não estava preocupado com isso. Enquanto estivesse funcionando, estava tudo bem para ele.

 

Contudo, foi naquela quinta-feira à noite que as coisas tomaram rumos muito diferentes do que estava esperando.

 

Estava cansado de um dia cheio no estúdio de tatuagem e suas costas estavam lhe matando de dor pela posição incômoda em que ficara com um de seus clientes. A única coisa que estava desejando era o conforto de sua cama e a certeza de que a inconsciência lhe atingiria no momento em que os lençóis o abraçassem, tamanho o cansaço que corria por seu organismo.

 

A campainha, entretanto, resolveu estragar um pouquinho seus planos ao soar naquele início de noite e o Park se arrastou até o hall de entrada, questionando-se quem poderia ser o intruso à essa hora. Se Minseok tivesse lhe seguido até em casa para discutir seu relacionamento que sequer havia recomeçado, Chanyeol não sabia nem mesmo como chutaria o amigo para longe de seu apartamento.

 

Mas não era Minseok quando abriu a porta.

 

A última pessoa que estava esperando ver em sua porta era Byun Baekhyun e ainda mais sua versão desajustada e um pouco tímida, que evitava olhá-lo nos olhos e mantinha seu olhar fixo em seus pés. Chanyeol não soube o que dizer em um primeiro momento, absorvendo a ideia de que, após uma semana e meia, seu ex-namorado resolveu aparecer de repente à sua frente, como se nada tivesse acontecido.

 

E maldito fosse seu coração apaixonado que não lhe dera nem mesmo tempo de demonstrar que estava magoado por seu silêncio antes de disparar frente à sua imagem.

 

O Byun percebeu o momento em que a porta foi aberta, mas, ainda assim, nada disse enquanto Chanyeol lhe observava. Sabia que havia passado tempo demais evitando-o, mas imaginara que seria melhor dessa forma do que continuar aos passos lentos que outrora testaram. Chanyeol merecia que lhe desse uma resposta completa e cheia de certeza e não poderia lhe ofertar isso quando um simples beijo fez com que entrasse em desespero.

 

Dez dias talvez fosse tempo demais para o Park, mas Baekhyun esperava que ainda valesse a pena esperar.

 

“Você quer entrar?”, Chanyeol perguntou após um pigarreio quando o silêncio estava ficando estranho demais para que continuasse a existir. Baekhyun finalmente o olhou, negando com a cabeça. “Então... O que veio fazer aqui?”

 

“Vim te convidar até meu apartamento”, Baekhyun respondeu, encolhendo os ombros levemente. “Eu sei que poderia te mandar uma mensagem para isso, mas... Dez dias se passaram e acho que eu lhe devo algumas respostas, Chan.”

 

 O som de sua voz ecoando seu antigo apelido fez com que o estômago do tatuador desse cambalhotas e xingou a si mesmo em silêncio por essa reação; era apenas um apelido e Baekhyun já estava conseguindo fazer com que se sentisse um maldito adolescente em sua primeira paixão novamente. Engoliu em seco, assentindo ao convite feito.

 

Fechou a porta às suas costas e acompanhou o Byun até o elevador, mais uma vez em um silêncio incomum. As últimas semanas foram uma vitória conquistada para o relacionamento de ambos e já estavam acostumados às conversas que dividiam, como se os seis meses não significassem nada, e voltar ao silêncio outrora permanente era quase como voltar à estaca zero.

 

Não era um bom caminho permanecer se sentindo desconfortáveis na presença um do outro, mas torciam para que essa sensação terminasse em breve e pudessem voltar ao que estavam sendo. Um beijo mal calculado não poderia ser suficiente para arruinar os esforços de semanas, certo?

 

Ao menos, era o que os dois rapazes esperavam.

 

Não demoraram a chegar ao apartamento de Baekhyun e a primeira coisa que Chanyeol percebeu ao chegar no local era que cheirava estranhamente aos muffins que tanto gostava, como se Baekhyun estivesse rememorando um pedaço do passado antes que chegasse ali. Pela maneira como seu ex-namorado lhe olhou em seguida, percebeu como estava certo.

 

“Sim, eu estava fazendo os muffins que você gosta”, Baekhyun confirmou, “dessa vez é proposital.”

 

“Está tentando me pedir desculpas pelo seu sumiço com comida?”, Chanyeol replicou, seu tom de voz denunciando que não estava bravo com a situação; com o suspiro que o Byun deixou escapar por seus lábios, percebeu que ele havia entendido.

 

“Costumava dar certo quando namorávamos”, Baekhyun deu de ombros, usando de suas palavras de semanas atrás para replicá-lo, “por que não daria agora?”

 

Chanyeol não tinha como refutar essa informação porque era verdade: todas as vezes em que discutiam e Baekhyun sabia ser o lado errado da discussão, sempre acabavam se reconciliando em frente a uma fornada de muffins e xícaras de chocolate quente, independentemente se era inverno ou verão. Aos poucos, pedidos de desculpas não eram necessários quando tinham esse ritual a ser repetido.

 

O Park não saberia dizer quando os muffins deixaram de ser o suficiente para suas discussões, mas estava disposto a aceitá-los novamente dessa vez.

 

Não sabia o que deveria fazer enquanto Baekhyun buscava pelos bolinhos; deveria ajudá-lo a trazer ao menos as canecas ou não deveria estar andando por seu apartamento como se tivesse permissão para isso? Não sabia em que nível estavam do novo relacionamento que tentavam construir e, por isso, permaneceu onde estava, ciente que era a maneira mais segura de agir.

 

O mais velho retornou da cozinha com uma bandeja onde trazia ambas as canecas com chocolate quente – uma ótima pedida para um início de noite frio como o que viviam – e dois muffins em um pratinho ao centro. Chanyeol não pôde deixar de sorrir frente a uma imagem tão vívida de um passado que já fora tão bom para si.

 

“Eu sei que tenho muito a te explicar”, Baekhyun começou a falar, “mas, por enquanto, podemos só... Aproveitar um pouquinho? Antes que entremos na parte séria dessa conversa e possivelmente arruinemos tudo.”

 

Chanyeol queria lhe dizer que não arruinariam nada, mas não tinha certeza suficiente para garantir isso.

 

Concordou com um assentir mudo, sentando-se no sofá ao lado de Baekhyun. Bebericou de seu chocolate quente, apanhando o muffin no prato em seguida e mordendo um pedaço. Acima de ser seu sabor favorito, também lhe trazia as memórias que estava buscando guardar em cada pedacinho, como um memorando difícil de ser ignorado.

 

O apartamento permaneceu em completo silêncio enquanto encaravam um ao outro, ambos pensando no que deveriam dizer quando o momento certo chegasse. Chanyeol não tirou seus olhos da expressão preocupada que o Byun carregava, ainda que estivesse tentando disfarçar a cada mordiscada que dava em seu bolinho ou quando seu olhar se perdia no conteúdo de sua caneca. Conhecia aquele homem bem até demais para saber que era o mesmo comportamento que possuía quando tinha algo importante a ser dito e não sabia por onde começar.

 

O fato de que não sabia o que era tão importante era o que lhe aterrorizava no momento.

 

Baekhyun, por sua vez, o encarava quando o Park estava distraído, anotando mentalmente cada um de seus maneirismos; a maneira como mordiscava a bordinha de papel da forma do muffin, a forma como seus lábios pressionavam até demais a borda de sua caneca, como seus olhos vasculhavam cada pedacinho da sala de estar para evitar contato com os seus, como suas mãos agarravam firme a porcelana, como se buscasse por algo no que se segurar.

 

Seu ex-namorado estava com medo – sabia disso e se sentia mal por estar lhe deixando dessa maneira.

 

Não saberia responder caso lhe perguntassem quanto tempo permaneceram dessa forma, mas uma hora os bolinhos acabaram e suas canecas também se esvaziaram, encontrando seus lugares novamente à bandeja depositada na mesinha de centro. Não lhes restava muitas alternativas além de voltarem o olhar um para o outro e buscarem também as verdades que escondiam com medo do que poderiam desencadear.

 

Quando concordaram em tentar de novo, não contavam com o fato de que seus sentimentos se tornariam bolas de neve que os engoliriam antes que pudessem controlá-los; não contavam com o fato de que já havia muito escondido em seus peitos esperando pelo momento em que seriam libertos e que agora dominavam suas emoções.

 

Não contavam com o fato de que o amor que construíram por três anos pudesse resistir a todas as tentativas de matá-lo, sufocá-lo até que não sobrasse nada, empurrá-lo para o fundo de suas mentes para que não tivessem no que pensar. Ainda assim, lá estava ele – teimoso, resistente, intenso, como todo o relacionamento que tiveram também foi.

 

E agora era a hora de finalmente lhe deixar livre como deveriam ter feito muito antes, mas tinham medo demais de voltar a se machucar para que permitissem.

 

“Eu sei que dez dias é tempo demais para pensar em algo e, conhecendo você, sei que esses dias têm sido um tormento”, Baekhyun começou a falar após um pigarreio, finalmente quebrando o silêncio imposto ao cômodo. “Eu queria pedir desculpas pela minha demora, mas eu queria ter a resposta certa para lhe dar porque não acho que isso esteja funcionando, Chanyeol.”

 

Um alerta começou a soar em sua cabeça, uma grande sirene lhe incomodando os sentidos porque não tinha certeza a respeito do que Baekhyun se referia. O que poderia não estar funcionando? As tentativas dos dois em reaver o namoro que tiveram, seus sentimentos confusos ou o afastamento entre ambos?

 

“Quando nós concordamos em tentar de novo, acho que ignoramos alguns fatores importantes”, Baekhyun continuou a falar, seu olhar vacilando entre seu rosto e as mãos em seu colo. "Imaginamos que seríamos capazes de fazer isso porque ainda há amor entre nós dois e poderíamos lidar com esse sentimento até que se tornasse confortável novamente, até que estivéssemos no controle de novo.”

 

“O que mudou?”, Chanyeol perguntou baixinho.

 

“Eu nunca estive no controle de nada disso”, Baekhyun respondeu no mesmo tom, como se admitir em voz alta pudesse lhe custar muito, “e talvez esse tenha sido o problema. Nunca estive no controle do que eu sentia por você, do que eu sinto por você, e a intensidade que outrora nos assustou voltou da mesma forma e me senti assustado novamente.”

 

Chanyeol sentiu a ânsia em apanhar as mãos de seu ex-namorado entre as suas para apoiá-lo, mas considerou que não era o momento ideal para isso. Baekhyun precisava deixar que tudo o que tinha em mente encontrasse seu caminho e, então, seria sua vez de respondê-lo e poderiam descobrir juntos uma maneira de lidar com o futuro.

 

Por enquanto, ouvi-lo era tudo que precisava.

 

“Quando você me beijou... Era como se nós nunca tivéssemos nos separado”, Baekhyun tornou a falar, um breve sorriso ocupando seus lábios com a memória. “Eu me senti da mesma forma que seis meses atrás quando estar nos seus braços era meu lugar favorito, as mesmas sensações corriam pelo meu corpo e foi quando eu percebi que talvez eu não tenha mudado nada desde que terminamos. Talvez eu sempre tenha estado apaixonado por você e suprimi esse sentimento porque eu não queria senti-lo mais, porque seria mais fácil se eu não o sentisse.”

 

Foi o mais velho quem se aproximou, arrastando seu corpo no sofá até que seus joelhos se tocassem e sua mão buscasse pela semelhante. Chanyeol assistiu enquanto Baekhyun guiava sua mão até seu peito, depositando-a onde seu coração residia. Conseguia senti-lo palpitando rápido, forte, como se o Byun tivesse corrido uma maratona.

 

Como o seu também estava.

 

“Sempre esteve assim quando era sobre você”, Baekhyun confidenciou. “Por um tempo, eu me convenci que era só porque eu estava irritado com algo que você fez, porque você estava me provocando e isso me deixava possesso contigo. Mesmo depois que passamos dessa fase, eu me convenci de que agora era só pelo nervosismo em estar ao seu lado, em paz, depois de tantos meses sem trocar uma palavra com você. Me convenci que poderia ser qualquer coisa, menos a verdade.”

 

“E qual é a verdade?”, Chanyeol lhe perguntou, ansioso pela resposta. No fundo, sabia qual seria, não tinha como ter outro caminho pelo qual seguir com o que Baekhyun estava lhe dizendo, mas ouvi-lo falar fazia toda a diferença.

 

“De que eu ainda sou irrevogavelmente apaixonado por você, que eu nunca consegui vencer esse sentimento”, Baekhyun confessou, apertando suas mãos em seguida. Conseguia sentir seu nervosismo pela forma como suas mãos estavam frias, mas seus olhos estavam firmes nos seus. “Durante esses dez dias, pensei no quanto valia a pena me deixar levar por esse sentimento de novo ou se deveria voltar a suprimi-lo, se tentar mais uma vez foi um erro... E eu cheguei à conclusão de que, se for um erro, nós já erramos tantas vezes juntos para que eu fugisse dessa vez. Eu não quero mais fugir, Chanyeol.”

 

A mão do Park permaneceu onde estava, sentindo o momento em que o coração de Baekhyun disparou ainda mais, talvez associado ao nervosismo da situação ou ao silêncio que se seguiu à sua fala. Há dias, a única coisa que gostaria de ouvir vindo de Baekhyun era a reciprocidade aos seus sentimentos – que o próprio Byun ainda desconhecia a respeito – e, agora que o tinha, não sabia como se expressar propriamente.

 

Queria gritar-lhe o quanto aquilo lhe deixava feliz, o quanto também estava apaixonado por ele e como podiam tanto tentar mais uma vez – e quantas vezes fossem necessárias enquanto houvesse amor entre os dois. Queria poder apanhá-lo entre os braços, abraçá-lo até que nada pudesse tirá-lo de onde estava porque era o lugar ao qual pertencia por direito. Queria afogar-se nos sentimentos que lhe dominavam, trazer Baekhyun junto consigo para que soubesse o quão profundo era aquilo que sentia por si.

 

Queria fazer tantas coisas que a melhor forma que encontrou de sintetizá-las foi no único gesto que lhe trouxe o Byun de volta.

 

Com a mão livre, acariciou a base de seu pescoço inicialmente, antes de trazê-lo para mais perto de seu rosto e tomar seus lábios em um novo beijo. O Byun não ofereceu qualquer resistência, levando as mãos às laterais de seu rosto e mantendo-o próximo, como se temesse que fosse a qualquer outro lugar naquele instante – ainda que não houvesse nenhum lugar que desejasse estar além de ao seu lado.

 

Guiou a mão que outrora estava em seu peito até sua cintura, puxando-lhe para que seus corpos se aproximassem; Baekhyun seguiu seus instintos, descendo uma de suas mãos pelo braço alheio, sentindo a textura de sua pele contra seus dígitos, os arrepios que passavam por cada pedacinho que o tocava... Nada era suficiente naquele momento em que se deixavam guiar tão bem pela saudade que sentiam e que começava a transbordar.

 

Foram teimosos por seis longos meses enquanto evitavam seus sentimentos e repensavam a respeito de seu término, se desistiram rápido demais um do outro, se havia outra alternativa além de fugir do que sentiam... Agora que possuíam uma nova resposta, estavam dispostos a irem até o fim por ela.

 

Foi o Park quem interrompeu o beijo trocado, roubando selinhos pelo caminho por não estar pronto o suficiente para deixá-lo; Baekhyun carregava um sorriso satisfeito nos lábios vermelhos, os olhos fechados aproveitando cada resquício que sobrara do momento trocado, antes que voltasse à realidade onde ainda ouviria o que Chanyeol tinha a dizer.

 

“Não faz ideia de quanto tempo eu estive esperando até que eu pudesse fazer isso novamente”, Chanyeol sussurrou e o Byun abriu os olhos em seguida para observá-lo, a tempo de apanhar o sorriso que tinha em seus lábios. “Há quanto tempo esperei para que eu pudesse tocá-lo novamente sem que fosse... Invasivo demais, perigoso demais.”

 

“Há quanto tempo?”, Baekhyun quis saber.

 

“Desde que compusemos juntos”, Chanyeol explicou. “Talvez antes. Talvez desde que terminamos. Talvez desde o momento em que você saiu do meu abraço pela última vez e eu já sentia a sua falta.”

 

Baekhyun deu-lhe um breve sorriso condescendente, levando sua mão até o rosto do Park onde depositou um carinho gentil. “Me desculpe por tomar tanto tempo para perceber o que sempre esteve comigo”, pediu em um sussurro. “Você sempre me esperou e nunca desistiu de mim. Desculpe por ter desistido de nós dois primeiro.”

 

“Não foi sua culpa”, Chanyeol negou, depositando sua mão acima da semelhante que estava em sua bochecha. “Nós desistimos juntos quando não sabíamos como lidar com isso, quando parecia mais fácil nos afastarmos do que lutarmos um pelo outro. Não vamos cometer o mesmo erro agora.”

 

“Não vamos”, Baekhyun concordou. Seu olhar, em seguida, vagou pelas mãos que estavam unidas, as tatuagens que se completavam tão próximas uma da outra como há muito tempo não ficavam. “As tatuagens... Elas continuam tendo o mesmo significado, não é?”

 

Chanyeol também olhou para os traços em suas peles, trazendo ambas as mãos para o meio de seus corpos para que ambos pudessem vê-las. Aquelas tatuagens significaram, em outros tempos, a maior prova de amor que tinham um pelo outro. Agora, significavam muito mais; significavam o quanto não desistiram quando tinham todas as chances para fazer isso porque valia a pena.

 

Aqueles traçados valiam a pena.

 

“Você sempre vai ser o responsável pelos meus batimentos cardíacos se tornarem uma bagunça todas as vezes em que o vejo”, Chanyeol lhe segredou.

 

 “Que coincidência interessante”, Baekhyun devolveu o sorriso, “porque não houve um momento em que você não fosse o único residente do meu coração.”

 

Trocaram risinhos baixos pelas palavras ditas – apesar de tudo, a parte piegas do relacionamento não era o forte de nenhum dos dois porque tinham todos os sentimentos necessários nas entrelinhas da intensidade que lhes guiava –, deixando que os rostos se aproximassem novamente como se imãs os guiassem. Passaram tanto tempo longe um do outro que agora era hora de recuperarem o tempo perdido.

 

Seus lábios se encontraram mais uma vez, suas mãos buscavam por caminhos outrora muito conhecidos e que agora desbravavam novamente, sentindo o arrepiar de cada pedaço de pele exposta. Sentiam a urgência em cada arfar trocado, a cada gemido abafado em suas bocas, na maneira como suas mãos apertavam a carne alheia, como suas bocas escorregavam e os beijos continuavam pelo caminho traçado.

 

Guiando-se pelo momento, Baekhyun acomodou-se nas pernas do mais novo, sentando-se em suas coxas enquanto continuava a beijá-lo. Os lábios de Chanyeol brincavam desde seus lábios até seu pescoço, deixando pequenos selos na região antes de subir novamente em busca de um novo beijo. Naquele momento, era como se os seis meses não fossem mais do que um piscar de olhos frente ao futuro que tinham para dividir.

 

Naquele momento, Baekhyun queria tudo que Chanyeol pudesse lhe ofertar novamente, buscando por todo carinho e amor que cada um de seus gestos pudesse carregar, ainda que atrelados à urgência e a necessidade que possuíam.

 

Ofegante, cortou o beijo mais uma vez, não para guiar seus lábios a outra região de seu corpo, mas para observá-lo. O Park estava tão ofegante quanto, as mãos fixas em sua cintura enquanto o Byun tinha as suas nos cabelos alheios. Seus lábios vermelhos e inchados, os olhos fechadinhos pelo sorriso que não saía de seu rosto, os cabelos bagunçados por suas mãos... Tudo em Chanyeol era perfeito e Baekhyun sempre tivera certeza sobre isso, mas não mais do que agora.

 

Naquele breve instante, em um piscar de olhos, percebeu que ele e Chanyeol estavam destinados a ficarem juntos, independente das intempéries que encontrassem pelo caminho, porque ninguém combinava mais consigo do que o Park.

 

“Eu amo você”, Baekhyun lhe segredou em um cochicho, ainda que sua vontade fosse de gritar a todos que quisessem ouvir, “eu amei você no passado, eu amo você hoje, e eu ainda vou te amar amanhã.”

 

Chanyeol fechou os olhos, o sorriso tomando conta de todo seu rosto antes de tornar a abri-los e focar o rosto do Byun. “Não houve um momento em que eu não o amasse”, respondeu, “e não haverá no futuro também. Você está gravado em mim, literalmente.”

 

Baekhyun tornou a beijá-lo, juntando seus sorrisos em um beijo repleto de saudade. Ainda que dispusessem de todas as palavras bonitas que encontrassem, nada resumiria seu relacionamento mais do que as tatuagens que fizeram juntos; seus corações sempre estariam ritmados, sincronizados um com o outro, e seus caminhos sempre levariam ao outro novamente.

 

Em um piscar de olhos, ambos sabiam.

 

Ainda que encontrassem problemas, nenhum dos dois queria estar em outro lugar que não aquele.

 

. . .

 

Baekhyun odiava se atrasar.

 

Era um traço de sua personalidade com o qual já havia desistido de lutar; todas as pessoas com quem convivia sabiam disso e buscavam sempre evitar deixá-lo irritado com isso, seguindo horários definidos muito bem porque um Baekhyun irritado não era um Baekhyun muito agradável de se lidar.

 

Bom, quase todo mundo.

 

Havia Park Chanyeol – que todo mundo voltaria a conhecer como seu namorado.

 

Se lhe questionassem, Baekhyun não saberia nem mesmo por onde começar a explicar a noite anterior; estava resoluto em confessar seus sentimentos ao Park e esperar pelo melhor, que ele não estivesse tão magoado com sua ausência e que os danos ainda pudessem ser controlados. Não esperava por uma resposta tão efusiva vinda do mais novo, mas não estava reclamando.

 

Chanyeol terminara a noite em meio aos seus lençóis, abafando seus gemidos contra sua boca, as mãos que tocavam cada pedacinho que lhe era alcançável, e Baekhyun não tinha nem palavras para dizer o quanto havia sentido falta desses momentos com o mais novo. Adormecer ciente que estava dentro do abraço da pessoa que mais amava no mundo lhe concedera a melhor noite de sono em meses.

 

Mas também lhe concedeu um atraso com o qual não estava disposto a lidar.

 

Deveria ter pensado melhor antes de passar boa parte de sua noite acordado, nunca se cansando das carícias trocadas com o mais novo; deveria ter pensado melhor antes de se render a cada beijo, a cada suspiro em seu pescoço, a cada risinho trocado enquanto se emaranhavam mais uma vez. Parecia perfeito na hora, mas seu preço viria muito em breve.

 

E seu preço aparecia nesse momento enquanto estava atrasado para seu trabalho nesta manhã de sexta-feira.

 

Contudo, sempre há uma exceção para toda regra e, ao abrir os olhos naquela manhã, Baekhyun não sentiu a urgência em correr ao ver o horário em seu relógio. Sim, estava atrasado e provavelmente receberia uma bronca de seu chefe assim que chegasse, mas que diferença fazia? Sua vida havia voltado aos trilhos na noite anterior e não podia se dizer arrependido de nada.

 

Chanyeol não estava ao seu lado quando acordou, mas conseguia sentir o cheiro inconfundível de seu café vindo da cozinha e resolveu se arrumar antes de ir vê-lo. Daria tempo suficiente para que o Park terminasse de aprontar o que tinha em mente e poderia ir para o trabalho em seguida; ainda era sexta-feira e ambos tinham responsabilidades com as quais lidar.

 

Quinze minutos se passaram entre seu banho até o momento em que chegou à cozinha, encontrando o Park usando apenas a calça de moletom da noite anterior. Seu torso desnudo trazia consigo as marcas da noite anterior e o Byun não conteve o sorrisinho em seus lábios ao relembrá-las. O mais novo não pareceu notar sua presença, então Baekhyun caminhou devagarinho para surpreendê-lo.

 

Passou os braços por sua cintura, encostando-se a seu corpo e deixando um beijinho leve em suas costas, sentindo o arrepio em sua pele pela surpresa. Chanyeol olhou por cima do ombro, parecendo surpreso por vê-lo ali, mas sua expressão suavizou em seguida em um breve sorriso enquanto voltava a prestar atenção no que fazia.

 

“Bom dia, bonitinho”, Baekhyun o cumprimentou.

 

“Se bem me recordo dos seus horários, você está muito atrasado e está de bom humor?”, Chanyeol devolveu, desligando o fogo e virando para olhá-lo. “O que eu voltar para a sua vida não faz, não é?”

 

“Não se gabe tanto, pode ter o efeito contrário do que espera”, Baekhyun o avisou. “O que fez hoje?”

 

“O que eu costumava fazer para você”, Chanyeol explicou. “Temos café sem açúcar algum, do jeito odioso que você gosta, e ovos fritos.”

 

“É por isso que eu amo você”, Baekhyun comentou com um breve sorriso antes de selar seus lábios aos do mais novo em um selar rápido.

 

Chanyeol o guiou até a mesa onde o café já os esperava e levou os ovos em um pratinho; havia torradas à mesa, provavelmente feitas pelo Park também, o que fez com que Baekhyun se perguntasse em que momento o mais novo acordou apenas para lhe preparar café da manhã. Chanyeol tinha esse costume quando estavam juntos e trazia um quentinho ao seu peito perceber que algumas coisas não mudavam.

 

“Você também está atrasado para o trabalho”, Baekhyun o recordou, mordiscando da torrada com ovos por cima. “Minseok vai te comer vivo.”

 

“Minseok vai me dar a semana de folga quando eu contar a ele que finalmente deixei de ser medroso e disse a você o que eu sentia”, Chanyeol discordou, sua risada ecoando pela cozinha em seguida. “Ele não aguentava mais eu sofrendo pelos cantos.”

 

“Joonmyeon vai contar para todo mundo quando eu lhe disser porque não tínhamos torcida maior do que a dele”, Baekhyun comentou. “Sempre me disse o quanto eu era cabeça dura por deixar que você saísse da minha vida sem lutar todas as batalhas que tínhamos antes de declarar a guerra como perdida.”

 

“Nossos amigos estavam mais certos sobre nós do que nós mesmos”, Chanyeol deu de ombros. “Mas temos todo tempo do mundo para corrigir os nossos erros. Pouco tempo pode ter se passado desde que terminamos, é verdade, mas nós não somos as mesmas pessoas de antes. Olhe só para você, nem está soltando fogo pelos olhos por estar atrasado.”

 

Baekhyun rolou os olhos, disposto a ignorar a piadinha feita. “Nós vamos dar certo dessa vez, Chan”, disse, apanhando a mão do namorado por cima da mesa. “E você ainda terá muitas músicas para dedicar a mim em seu violão, todas as suas composições...”

 

“Você ainda fará os meus muffins favoritos para me surpreender a qualquer momento da semana”, Chanyeol continuou, devolvendo o aperto em sua mão.

 

“E você continuará a fazer o café como eu gosto por mais que você odeie café sem açúcar”, Baekhyun riu.

 

“Um relacionamento é feito de concessões, não é verdade?”, o Park deu de ombros. “Não vamos desistir um do outro de novo, Baekhyun. É uma promessa.”

 

Baekhyun sabia que essa era uma promessa que nenhum dos dois quebraria porque cometeram erros suficientes uma vez para que aprendessem com eles e não tornassem a repeti-los. Seis meses poderiam ser pouco tempo em comparação ao tempo que estiveram juntos inicialmente, mas fora o bastante para que se tornassem pessoas melhores, mais maduros, e soubessem lidar com a intensidade que lhes guiava de uma maneira diferente.

 

Nem tudo seria sempre fácil ou agradável, mas estavam preparados para esses momentos; não tornariam a desistir no primeiro momento de dificuldade, lutariam juntos em mais uma batalha até que vencessem a guerra.

 

No olhar que trocavam enquanto tomavam café da manhã juntos, a primeira manhã que compartilhavam depois de meses em afastamento, as mensagens que passavam eram o suficiente. Enquanto houvesse acordes de violão soando pelos cômodos de seus apartamentos, enquanto o cheiro inconfundível de café se mesclasse aos seus perfumes, enquanto houvesse surpresas no meio da noite, sessões de filmes antigos e repletos de memórias ou só terminassem o dia nos braços um do outro, sabiam que havia motivos pelos quais lutar.

 

Um piscar de olhos era o suficiente para que também soubessem que desistir não era mais uma opção.


Notas Finais


E terminamos! Parece que chanbaek vai ter uma nova chance pra viver o amor deles, hm? <3 Ai eu amo muito meus filhos ;;;;;;

Espero que tenham gostado!! Qualquer coisa to aí embaixo nos comentários pra saber tudo que acharam da história, no twitter também sou @iambyuntiful e para dúvidas, sugestões, críticas, reclamações ou só para me dar amor, me acham também no ccat: https://curiouscat.me/iambyuntiful <3

Se quiserem entrar no grupo de leitores, ganhar uns spoilers massas e bater uns papos, já sabem, mp aqui no spirit ou dm no twitter! ;)

Até a próxima e beijinhos~ <3


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