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História In Any Universe - Capítulo 21


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Notas do Autor


Oi, meus amores

Queria pedir desculpas por ter atrasado essa atualização. Semana passada tive alguns problemas e não consegui finalizar o capítulo e a revisão a tempo, mas cá estamos!

Espero que gostem!

Capítulo 21 - Dói, mas o amor sempre retorna


- E foi apenas isso - Sooyoung finalizou o monólogo, fechando o próprio caderno quando Changkyun terminou de copiar a matéria que havia perdido. O atestado ainda estava valendo e ele continuava enfurnado dentro de casa, sem grande vontade de retornar à sua rotina habitual. A menina não deixou de notar seu semblante retraído. - Ei, o que tem aí nessa sua cabecinha?

- Uma porção de paranóias - Im respondeu, dando um sorriso amarelo. Não era necessário explicar sobre o que se tratavam, pois Sooyoung conhecia bem as preocupações do melhor amigo.

- Se é por causa dos boatos, as pessoas não estão mais falando sobre o vídeo - ela esclareceu, tentando deixá-lo mais tranquilo. Com o passar dos dias, novas fofocas se espalharam pelo campus e, ainda que a história do professor criminoso continuasse a ser citada nas rodas de conversa, todos sabiam que Changkyun havia sido uma vítima. - O pessoal do curso de publicidade até se engajou em campanhas contra a divulgação e distribuição de material de porn revenge. Existem muitos casos como o seu no campus, alguns vieram à tona, mas ninguém está apontando o dedo depois de tudo o que aconteceu.

Sooyoung tinha raiva de muitos alunos por terem inventado todo o tipo de desculpas para invocar o assunto do vídeo em sala, mas ficou feliz em ver que a maioria dos estudantes estava ao lado de Changkyun. Ela não se conformava pelo fato de que algumas pessoas só haviam parado de alfinetar a história depois que o amigo tinha quase morrido, mas as coisas estavam muito mais pacíficas agora, o que era o mais importante naquilo tudo.

A garota contou a Changkyun sobre as investigações em torno do caso, dizendo que Namshin estava sendo acusado por vários crimes que incluíam invasão domiciliar e de privacidade, pornografia infantil e stalking, além de sequestro e tentativa de assassinato. Provas estavam surgindo de vários cantos, mas a maioria havia sido coletada pela polícia na casa do próprio Kim, mais precisamente no seu computador.

- É aterrador que ele tenha conseguido burlar o sistema da universidade e entrado lá para dar aulas - a menina disse e continuou: -, tem fotos de vários estudantes tiradas no banheiro. No banheiro! Eu espero que ele apodreça na cadeia... Isso se não morrer antes.

- Sooyoung! - Changkyun a advertiu e ela se desculpou, dizendo que não desejava a morte a nenhum ser humano, mas que sentia muita raiva.

- Podemos considerar Namshin como um ser repugnante, um verdadeiro monstro? Eu posso desejar a morte de um monstro, não posso? - ela era mesmo difícil de driblar e Im apenas rolou os olhos. Não queria mais pensar naquele crápula e era terrível saber que, um dia, havia nutrido sentimentos verdadeiros por ele. Um passado violado e extremamente sujo. Changkyun respirou fundo e concordou, mas Sooyoung decidiu que seria melhor mudar de assunto: - Ah, esquece, você pensa igual à Seulgi, os dois têm corações grandes demais...

- Por falar nela, como ela está? - ele quis saber já que a amiga tinha metido a garota na conversa, e Sooyoung sorriu sem perceber, respondendo que ela estava muito bem. Tinham se falado todos os dias, conhecendo-se cada vez mais e descobrindo muitas coisas em comum. Im percebeu o interesse presente na voz da amiga e brincou: - quando vocês vão tentar?

- Tentar o quê? - Sooyoung não entendeu e Changkyun jogou logo na conversa que sempre achou que Seulgi tinha uma queda forte pela amiga. - Ah, não fale besteira!

- Seu gaydar não funcionou com ela? - ele zombou. - Não é você quem tem um sexto sentido incrível?

Sooyoung estreitou os olhos e começou a enumerar os porquês de achar que seu amigo estava vendo coisas, começando pelo fato de que Seulgi sempre ficava tímida e com o rosto muito vermelho toda vez que um garoto ficava próximo delas.

- Principalmente com o meu irmão. Ele é lindo, mas não é pra tanto - ela pontuou, recordando-se de todas as vezes em que Hyunwoo apareceu para cumprimentá-las e Seulgi virava quase um pimentão. Changkyun começou a rir. - O quê? O que foi?

- Você fala do Hyunwoo, mas também não consegue enxergar os próprios sentimentos - ele disse, fazendo-a abrir a boca, inconformada. - Vai dizer que estou mentindo? Quem é que estava falando, ontem mesmo, sobre o quanto a Seulgi é bonita? Aliás, anteontem também... Parece que alguém não consegue parar de falar dela, hein, senhorita?

- Nós somos amigas - ela disfarçou, mas Changkyun podia ver claramente que a garota tinha ficado pensativa. Contou até cinco antes de ela tornar a olhar para si e já sabia o que viria a seguir: - Espera, você acha mesmo que ela gosta de mim?

Im concordou com naturalidade e questionou se Sooyoung também se sentia dessa forma. Sabia que a garota tinha se envolvido várias vezes com outras meninas, mas apenas um dos relacionamentos havia durado mais do que um ano. E o dedo podre tinha feito seu trabalho ao dar uma chance a Namshin quando dele ela nada sabia, mas essa tentativa só contribuiu para que ela enterrasse de vez a já quase nula atração por meninos.

- Eu não sei - ela respondeu com sinceridade. - Seulgi é interessante e eu gosto muito da companhia dela... Talvez eu ainda não tenha pensado nela de outra forma por causa de todo o transtorno em volta da gente, mas agora que você falou...

Sooyoung mordeu o lábio fitando o nada e Changkyun ergueu as sobrancelhas, chamando pela amiga quando ela visivelmente entrou num devaneio que parecia muito bom. Eles riram juntos disso e terminaram de guardar os materiais, liberando espaço na mesa para que pudessem comer os pãezinhos que a garota havia trazido. Gostava de passar as tardes com o amigo com o sentimento de que, com isso, estava cuidando dele também, afinal, tinha certeza de que ele faria o mesmo se fosse o contrário.

Enquanto apreciavam os quitutes, Sooyoung contou sobre o irmão e Hoseok, trazendo para o diálogo a reconciliação de Minhyuk e Hyungwon, ao que Changkyun disse estar muito feliz.

- É engraçado pensar que as nossas histórias se cruzaram desse jeito - ele disse, referindo-se aos problemas amorosos pelos quais passaram. - Quem ia imaginar que seu irmão já tinha namorado o Minhyuk? E que agora está apaixonado pelo Hoseok, que já ficou com o Hyungwon?

- Vocês são uma bagunça! - ela zombou. - Eu jurava que H.One se salvaria dessa, mas ele está no mesmo barco.

- Não fale muito, nós também lidamos com o mesmo problema - Changkyun pontuou e Sooyoung mostrou a língua, fingindo que estava com ânsia de vômito. O fato de que ter ficado com Namshin, quando ele era ex-namorado de Im, a fazia querer enterrar-se sobre o chão de concreto.

- Não começa ou eu vou desenhar algo obsceno no seu gesso - ela avisou em tom de brincadeira e pegou uma caneta, pronta para deixar sua contribuição na arte já iniciada pelos amigos de Changkyun no gesso que protegia seu braço. - Meu melhor amigo namorando meu maior ídolo... E nem com ciúmes eu posso ficar!

- Ciúmes dele ou de mim? - Changkyun entrou na brincadeira e Sooyoung mostrou a língua, arrancando um riso gostoso do amigo.

Era bom ter aqueles momentos de volta.

○♥♥

Havia um brilho diferente naquela parte da cidade e talvez fosse a quantidade de gente entrando e saindo das lojas em pleno início de noite. Jooheon não conseguia parar de olhar para Kihyun, encantado com a forma como um simples par de óculos fazia-o ficar ainda mais bonito e, quando disse isso ao Yoo, o garoto riu.

- As minhas lentes de contato acabaram - ele explicou e ajeitou o objeto em seu rosto, sentindo as bochechas esquentarem levemente quando ouviu o namorado dizer que ele não precisava mais comprar lentes novas, afinal, ficava lindo com aquele tipo de armação.

Eles finalmente encontraram a doceria que procuravam, conhecida por ser caríssima em relação às demais, mas quando estavam na entrada, Kihyun recuou.

- A gente não precisa entrar - ele disse. Era parte da aposta sobre o filme ruim escolhido por Jooheon no outro dia, mas o Yoo não queria que o namorado gastasse dinheiro à toa só por causa de uma brincadeira boba. Jooheon, no entanto, insistiu.

- Você queria tanto conhecer esse lugar, vamos entrar sim! - e empurrou o outro, cheio de graça, sorrindo por causa do semblante envergonhado dele.

A doceria era realmente sofisticada e, num primeiro momento, os dois temeram ser alvos de olhares tortos por conta de suas roupas tão casuais - tinham praticamente acabado de sair da Traveler -, mas os clientes que ali estavam sequer prestaram atenção aos dois jovens que foram muito bem recepcionados. A música era calma e a decoração muito bonita, com pendentes em rose gold e um aroma característico de pãezinhos recém assados e bem açucarados.

- Hyungwon me contou sobre o relato que ele fez na clínica - Jooheon puxou assunto enquanto eles saboreavam pedaços de bolo de matcha, referindo-se a visita que haviam feito aos amigos algumas noites antes. - Eu queria agradecer pela força que você tem dado a ele.

- Eu sou apenas um fã - Kihyun brincou, sorrindo, mas o Lee negou com um aceno de cabeça.

- Hyungwon sempre foi meu melhor amigo, mas eu não saberia cuidar dele em momentos como esses pelos quais ele passou - confessou, falando de forma séria. - Eu me senti mal por isso, mas ver que você o estava ajudando me deixou muito aliviado.

- Só o fato de você se preocupar com ele já vale muito, Honey - o Yoo disse e tocou uma das mãos do mais novo com a sua. - Você é incrível.

- Pode dizer que me ama - Jooheon disse, não resistindo à chance de brincar com a situação -, eu deixo.

Kihyun riu, mas não desfez o contato com o namorado. Ao invés disso, segurou os dedos dele com mais firmeza e respirou fundo:

- Eu te amo mesmo - ele disse, tremendo por dentro porque ainda não tinha realmente dito aquilo com tamanha clareza antes. Jooheon também percebeu esse detalhe, mas ficou mudo, apenas encarando Kihyun com os próprios lábios apertados. O que sentiu no peito foi seu coração saltando descompassado. - Ei, essa é a parte em que você me responde...

- Desculpa, hyung, é que se eu fizer isso agora eu... Eu vou chorar - Jooheon confessou, dizendo a última parte da frase bem baixinho. O Yoo pôde ver as lágrimas se formando em seus olhos e começou a rir de tamanha fofura.

Lee Jooheon era mesmo inacreditável.

Desde o início sabia que seriam amigos, mas nunca havia imaginado que o teria daquela forma. Jooheon sempre foi muito carismático e ajudou Kihyun a se adaptar a tudo na cafeteria, mesmo eles tendo começado a trabalhar quase no mesmo período. O Yoo ainda se lembrava de como estava inseguro e com medo de que Harim o demitisse no primeiro deslize, mas Jooheon era o atendente mais desastrado que ele já havia visto e praticamente tomava toda a atenção para si.

Ainda era assim, mas a clientela se acostumou com o jeito de ambos e, Kihyun sabia, algumas pessoas iam até a Traveler apenas para ver o Lee e receber o sorriso que ele sempre mantinha estampado no rosto.

Saber que ele tinha esse sorriso direcionado apenas a si fazia Kihyun sentir o rosto esquentar. Desde o primeiro encontro havia aquela coisa rodopiando dentro de si, um sentimento diferente que ele não sabia decifrar. Desde o primeiro beijo, havia aquele calorzinho gostoso que o aquecia como o sol num dia frio. Desde a primeira conversa séria, havia aquela preocupação de não ser o bastante para um cara tão incrível como Jooheon.

Mas era para ele que o Lee olhava com tamanha admiração e era com ele que passava quase todo o seu tempo livre.

Simplesmente porque ambos gostavam de estar um com o outro daquela maneira.

- O que foi? - Jooheon quis saber, diante do repentino silêncio do namorado. - Eu falei sério sobre chorar...

- Eu sei - Kihyun respondeu, rindo. Queria dizer que havia escutado quando o garoto tinha se confessado achando que ele estava dormindo, mas não o fez, sabendo que o deixaria morto de vergonha. Também gostava de manter isso consigo, sabendo o quanto aquelas palavras haviam sido verdadeiras.

Ele não precisava escutá-las agora porque podia enxergar nos olhos de Jooheon a resposta que queria. E eram palavras mais do que perfeitas.

○♥♥

Ele estava zapeando os canais quando Hyungwon chegou e sorriu ao ver o DJ aproximando-se sem hesitação, sentando-se do seu lado. Só teve tempo de dizer um “oi” meio receoso e seus lábios foram tomados num beijo carinhoso, com o qual Changkyun ainda estava voltando a se acostumar. Hyungwon tinha braços compridos que envolviam o mais novo com facilidade, sempre tomando cuidado com o ferimento do garoto, ao mesmo tempo em que colocava atenção suficiente no movimento de suas bocas e línguas. O Chae era mesmo incrível em todos os aspectos e Changkyun sentia o coração palpitando feito louco sempre que eles faziam coisas como aquela.

Era apenas um beijo de boas vindas, o que deixava o Im muito ansioso com relação à tudo o que ainda estava para acontecer. Quando Hyungwon findou o ato, Changkyun ainda manteve os olhos fechados por alguns segundos, arrancando um riso gostoso da garganta do DJ.

- Assim você me deixa encabulado - o mais novo reclamou, mordendo os lábios enquanto o outro continuava com um sorriso enorme no rosto. Notando que o rapaz não havia trazido nada consigo, ele perguntou: - Não passou na Traveler hoje?

- Não, mas Minhyuk vai - ele respondeu, checando as mensagens no celular. - Daqui a pouco ele chega.

Tinha sido assim durante todos os finais de tarde: às vezes Minhyuk chegava antes e enchia Changkyun de mimos até que Hyungwon aparecesse. Eles sempre tentavam convencer o mais novo a comer fora, mas Im ainda estava relutante, então acabavam pedindo comida ou preparando algo eles mesmos, o que garantia mais algumas horas de conversa boa e risos. Os projetos no escritório onde Minhyuk estagiava estavam ocupando-o cada vez mais, mas o Lee nunca reclamava, pelo contrário, achava que assim o tempo passaria mais rápido e seus colegas teriam menos horas vagas para dar corda à fofocas. Hyungwon também estava retornando aos poucos aos trabalhos, tendo cada vez mais reuniões com os empresários para decidir o rumo de sua carreira. Depois do escândalo com o vídeo, ainda havia sites mal intencionados fazendo uso de sua fama para ganhar cliques, o que não era nada incomum naquela indústria, mas fãs e outros tipos de personalidades mostraram seu apoio ao DJ, que agora era visto como um importante exemplo no combate à notícias falsas.

Fora isso havia ainda o tratamento que estava indo perfeitamente bem. Hyungwon sentia os sintomas da abstinência cada vez mais rarefeitos e, mesmo quando tinha crises de choro ou uma vontade absurda de ingerir álcool, conseguia controlar-se. Kihyun havia lhe dado muito apoio nesses momentos, pois era para ele que o Chae ligava, sabendo que não havia ninguém mais perfeito para lhe aconselhar.

Os CEOs da agência cogitaram a possibilidade de ele voltar a viver em Manchester e dar continuidade ao tratamento na Europa, mas Hyungwon tinha motivos fortes para não aceitar essa proposta. E um deles estava, naquele momento, seguindo-o pelo apartamento, de certo tentado a dizer alguma coisa, mas sem coragem para tal. O Chae então bagunçou os cabelos macios de Changkyun e perguntou o que estava acontecendo.

- Eu... Estava pensando que a gente podia pegar aquele edredom grosso que o Min guardou em cima do armário dele - Changkyun começou a explicar e o DJ entendeu sem nem ao menos escutá-lo até o fim.

Como era alto, foi fácil tirar o objeto dali. Ele e Changkyun o estenderam sobre o tapete da sala, depois de arrastar a mesinha de centro para a lateral do sofá, e trouxeram almofadas e outro cobertor mais fino, porém, igualmente grande. Parecia um ninho gigante para bebês - ou para cachorros, como Changgie costumava dizer -, e ambos tinham boas memórias de quando dormiam ali na sala há alguns anos.

Quando Minhyuk chegou com duas sacolas cheias de comida, deparou-se com a cena e sorriu porque Changkyun estava sentado entre as pernas de Hyungwon e dormia com a cabeça apoiada no peito de seu hyung, que estava encostado no sofá. O Lee balançou a cabeça, tirando os sapatos e caminhando até a cozinha para deixar toda a tralha sobre a mesa. Em seguida, foi até os dois garotos e engatinhou até eles por sobre o edredom, chamando carinhosamente por seus nomes.

- Não achei que eu tivesse demorado tanto - ele disse, vendo-os despertando. Hyungwon piscou com força e Changkyun coçou os olhos com a mão esquerda. - Nós vamos dormir na sala hoje?

- Essa é a ideia - Hyungwon respondeu, dando um longo bocejo.

Minhyuk mordeu o lábio e se aproximou do rosto de Changkyun, segurando-o pelo rosto para beijar-lhe a boca e então foi como se eles estivessem sendo transportados de volta para dois mil e quinze, para o dia em que pediram Im em namoro no dia de seu aniversário.

Changkyun não podia negar que era um presente e tanto ter seus namorados de volta. Minhyuk o soltou e beijou Hyungwon em seguida, arrancando-lhe um riso porque era difícil fazer aquilo com Changkyun entre eles, numa posição que não havia sido muito bem planejada.

- Vamos jantar primeiro? - o próprio Lee sugeriu, afastando-se dos outros dois depois do contato desajeitado, falhando em esconder o quanto estava satisfeito com a situação. O sorriso em seu rosto não mais o deixava como antes e era visível o quanto ele estava feliz por poder amar Hyungwon livremente, sem ter de controlar-se ou mentir para si mesmo.

Mal alcançou a cozinha e sentiu dois braços em seus ombros, o peso de Hyungwon sendo lançado sobre si durante o abraço; olhou para o lado e viu o rosto do DJ bem perto do seu e estava prestes a perguntar o que ele estava fazendo quando Changkyun passou na frente dos dois e começou a tentar tirar as coisas das sacolas, sem sucesso - com apenas um dos braços livres, teve dificuldade por conta da maneira como o plástico grudou nas bandejas de isopor. Minhyuk riu e Hyungwon o soltou para que pudessem ajudar o mais novo deles.

Acostumado com o fato de que Minhyuk sempre ficava acordado até tarde nos períodos de prova - fazendo barulho, aliás -, Changkyun foi o primeiro a pegar no sono, deitado no meio de seus hyungs. Hyungwon tinha o rosto iluminado pela tela do celular e Minhyuk o fitava já há um tempo quando foi notado pelo DJ.

- Achei que também estivesse dormindo - o Chae disse, deixando o aparelho de lado. Minhyuk sorriu e explicou que estava sem sono, sem um motivo aparente. - Será que é porque estamos dormindo no chão?

Ele deu de ombros. Minhyuk era do tipo que conseguia dormir em qualquer canto, mas fazia muito tempo desde que havia estendido aquele edredom na sala de estar.

- Sabe, bem antes... Eu tentava imaginar formas diferentes de mudarmos os cômodos do apartamento - o Lee disse e Hyungwon estava prestando atenção -, para que a gente pudesse comprar uma cama maior e tudo o mais.

- E agora não pensa mais nisso? - o Chae indagou quando Minhyuk interrompeu a própria fala.

- Não sei se devo - ele respondeu, um pouco incerto sobre tocar no assunto, mas já estava feito e Hyungwon estava curioso. - Você tem uma casa em Manchester... Vai voltar para lá quando o tratamento terminar?

- Vocês podiam ir comigo - o DJ respondeu, afinal, toda a configuração do apartamento na cidade européia havia sido pensado para três pessoas. Parte sua queria que esse desejo antigo se realizasse, mas a outra parte não queria abandonar Seoul. E pela expressão de Minhyuk, esta segunda opção era a mais pulsante. - Está com medo de que eu não queira viver aqui com vocês?

Minhyuk concordou com um resmungo, sabendo que o pequeno apartamento em Yongsam era precário demais para alguém como H.One - além de ter acesso fácil a paparazzis, ficou provado que stalkers também eram capazes de entrar no local, como Namshin o havia feito. Mesmo estando de novo juntos, o trisal logo teria novos caminhos com Minhyuk e Changkyun formando-se na faculdade e Hyungwon retornando aos palcos. Talvez Yongsam não fosse segura o bastante para continuar sendo portadora de tantas memórias.

Quando Minhyuk explicou isso a Hyungwon, o DJ entendeu seu ponto de vista. Desde o início, os pais do Lee haviam adquirido o imóvel na intenção de que o filho e seu melhor amigo ficassem confortáveis e tivessem menos preocupações durante os anos de estudo na universidade. Assim como todos os estudantes, eles tinham sonhos de se mudar para lugares maiores e melhores e seus pais lhe garantiram que o apartamento era um bom investimento, pois quando o Lee decidisse de mudar, eles poderiam alugá-lo para novos estudantes ou alguma família pequena. Minhyuk já tinha até mesmo pesquisado por outros edifícios em bairros mais próximos do centro da cidade bem como havia cogitado reformar o apartamento em Yongsam, mas sabia que não conseguiria decidir tudo isso sozinho.

Ele tinha mais duas pessoas que viveriam consigo, se assim o destino permitisse. A opinião delas também era crucial, mas ele ficava assustado sempre que pensava em comentar sobre o assunto com eles.

Não estava sendo diferente com Hyungwon que, naquele instante, tinha esticado a mão por sobre a cintura de Changkyun para alcançar a mão de Minhyuk e apertá-la com carinho.

- Eu quero ficar em Seoul - ele disse de forma firme. - Nada me impede de manter a casa em Manchester, mas não gosto da ideia de ficar lá quando nós três temos raízes tão fortes aqui. E nós podemos procurar por um lugar novo e maior, eu sei que você está louco pra fazer isso!

Os dois riram e Changkyun se moveu, mas não acordou.

- Amanhã falamos com ele sobre isso? - Minhyuk indagou, referindo-se a Im e Hyungwon concordou. - Obrigado, Wonnie. Boa noite...

- Boa noite, Min - o Chae disse e soltou sua mão da do garoto, porque já estava ficando tarde.


Notas Finais


Sabe quando a história já está no clima de capítulo final? Então, estamos bem pertinho do fim e eu estou triste e feliz ao mesmo tempo... Teremos mais duas atualizações ainda, então espero que vocês continuem acompanhando.

Muito obrigada por todo o carinho ~♥♥♥♥♥♥♥~


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