História In Betweens - Capítulo 7


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Categorias Riverdale
Personagens Antoinette "Toni" Topaz, Cheryl Blossom, Elizabeth "Betty" Cooper, Forsythe Pendleton "FP" Jones II, Josephine "Josie" McCoy, Kevin Keller, Reginald "Reggie" Mantle, Veronica "Ronnie" Lodge
Tags Cheryl Blossom, Choni, Lésbica, Romance, Southside Serpents, Sweet Pea, Toni Topaz
Visualizações 258
Palavras 4.946
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), FemmeSlash, LGBT, Mistério, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Mais uma vez, me desculpem pela demora! Além de sem tempo, estou em um projeto de livro com uma amiga e se tudo der certo, em breve terei um original pra trazer pra vocês.
Fui inspirada pelas cenas deletadas que saíram nos últimos dias e preciso avisar que esse capítulo não é o mar de rosas que os outros foram. Mesmo assim, espero que gostem. Não esqueçam de deixar o comentário de vocês caso estejam gostando (isso ajuda a me incentivar a escrever, eu juro) e eu prometo que o próximo sairá em breve!

Capítulo 7 - A Night to Remember - Parte I


Fanfic / Fanfiction In Betweens - Capítulo 7 - A Night to Remember - Parte I

 

O sol da manhã só não era mais irritante que o barulho do despertador tocando ao seu lado. Foi resmungando que Toni despertou, depois de ter ido dormir quase duas da manhã naquilo que seria uma das melhores noites de sua vida. Na verdade, nada de extraordinário havia acontecido, Cheryl e ela haviam passado boa parte do tempo assistindo Netflix e comendo pipoca abraçadas debaixo das cobertas, algo que nunca pensou que fosse ficar feliz em fazer. Boa parte porque a outra foi preenchida com carícias, que logo viraram amassos e com isso nunca saberiam o final do filme que passava. Ainda tinham suas limitações, é claro, mas pouco a pouco Cheryl parecia se entregar um pouco mais e isso fazia o coração da serpente se inundar de afeto. Esse afeto era visível pela forma com que a morena a olhava e já nem fazia mais questão de esconder isso.

Girou na cama, batendo a mão no despertador para silenciá-lo. Sua têmpora latejava, mas não o suficiente pra tirar o sorriso dos lábios da morena ao ver que Cheryl ressonava calmamente ao seu lado da cama. Quem a via dormindo assim não poderia imaginar o tornado que era durante o dia, destruindo tudo o que se coloca em sua frente. Apoiou-se no cotovelo, ajeitando uma mecha de cabelo no rosto da ruiva. Ficava linda dormindo, mas infelizmente teria de acordá-la. E o fez com o carinho e delicadeza que aquela garota merecia.

— Cheryl, honey, nós temos que levantar.

Cheryl resmungou, mas começou a despertar. Toni por sua vez lhe deu um beijo no ombro nu e se levantou, procurando roupas limpas em sua mala.

— Nós precisamos mesmo ir agora?

A voz de Cheryl era manhosa e quase convenceu a morena de deixá-la dormir mais um pouco. Toni sorriu, pegando as botas do chão e as colocando próximas ao banheiro.

— Infelizmente sim, Bombshell. Esqueceu que nós vamos passar na sua casa pra pegar roupas?

Não, claro que não havia se esquecido disso, era a primeira vez que veria Penélope desde que conseguiu fugir de Quiet Mercy e sinceramente não estava nenhum pouco ansiosa por isso. Mas também não podia se manter desse jeito, escondida como um rato para não contrariar a mamãe Blossom. Fez um bico exagerado antes de esfregar os olhos.

— Eu só queria dormir mais cinco minutos.

Toni entendia muito bem esse sentimento, já que se estivesse sozinha, provavelmente não iria a aula pra dormir um pouco mais. Se estivesse sozinha, não teria aquele mulherão deitada em sua cama, então o que era um pouco de sono durante o dia perto disso? Inclinou o corpo na direção da cama, seus braços fazendo trave para os ombros de Cheryl que arregalou os olhos, completamente desperta agora.

— Bom, talvez você queira tomar um banho comigo e salvar tempo.

A voz de Toni era sexy e refletiu diretamente em todas as suas terminações nervosas. As bochechas coraram violentamente, ganhando um tom de carmim vivo. Haviam dado amassos na noite anterior, é verdade, mas esse tom de voz ainda fazia a ruiva estremecer. Tentou se recompor.  

— A-há, boa tentativa.

A sensação do rosto queimando era horrível, mas nem se comparava com seu corpo reagindo a cada uma das palavras da morena. Toni se insinuando? Era novidade. Soltou o ar com força, se dando conta de que não estava respirando. Ajeitou-se na cama e isso foi o suficiente pra que Toni a deixasse em paz, voltando para aquilo que estava fazendo antes de ser atraída pelo magnetismo da ruiva.

— Foi uma sugestão válida. - Deu de ombros, livrando Cheryl do seu olhar. — O chuveiro é pequeno, mas tenho certeza que se a gente se apertar um pouco..

Um travesseiro voou na direção de Toni que gargalhou, agarrando-o. Cheryl estava emburrada tanto quanto estava vermelha e não tinha como aquilo ser mais bonitinho.

— Você, Toni Topaz. - apontou o indicador. — Não me provoque. - Estreitou os olhos, ajoelhando na cama pra puxar seu travesseiro de volta. — Agora vá tomar seu banho enquanto eu procuro outra roupa sua que me sirva.

 

xxx

 

Desde muito pequena, Cheryl foi ensinada que motocicletas eram coisa de marginais e somente eram usadas por pessoas que precisavam fugir de algo, escondendo o rosto por detrás de um capacete fechado. Pessoas de bem não, pessoas de bem e de classe utilizavam conversíveis, confortáveis, elegantes, caros, como o seu próprio. Seu pai nunca a permitiria andar em uma moto, sua mãe provavelmente surtaria se soubesse que um dia chegou perto de uma e, talvez por isso, andar na garupa da moto de Toni parecesse tão certo.

Não era nem de longe a primeira vez que andava na garupa de Toni, mas suspeitava que nunca se enjoaria disso. O vento batendo contra seu rosto, o abraço apertado em torno da cintura da morena, cheiros, cores passando à sua volta. Tudo dava a Cheryl uma sensação de liberdade enorme, como se o mundo fosse muito maior do que a bolha onde foi criada. Aquilo lhe dava paz.

Tentava não pensar no confronto que viria a seguir, mas na medida que as terras de Thornhill se aproximavam, seu nervosismo aumentava. Quando pararam de frente a Thistlehouse, seu coração já martelava forte contra o peito, fazendo suas mãos frias tremerem diante da iminência de um possível confronto com a mãe. Talvez não tivesse pronta pra isso ainda, mas a necessidade de roupas falou mais alto. Estava tão nervosa que só percebeu a presença de uma caminhonete velha e algumas motos pouco depois de descer, vendo que Sweetpea e outros serpentes as esperavam.

— Você chamou os serpentes? - Sussurrou pra Toni, vendo o grupo se aproximar.

— Nenhum serpente fica só, Bombshell.

Não sabia exatamente o que Toni queria dizer com aquilo, mas vê-los ali a fazia se sentir protegida de alguma forma. Quem diria que isso um dia fosse acontecer. Sweetpea era quem encabeçava o grupo de quase dez serpentes, com suas jaquetas e cara de poucos amigos.

— Prontas pra invadir e destruir? - O serpente brincou, acertando o punho contra a mão espalmada.

Toni revirou os olhos.

— Ninguém vai invadir nem destruir nada, Sweets. - Alertou. — Nós vamos entrar pela porta da frente e só usaremos a força caso sejamos atacados.

Cheryl a olhou com carinho, mesmo que duvidasse que pudessem sofrer qualquer tipo de ataque em uma casa onde só tinha uma senhora de idade e dois trapaceiros de meia idade. Seguiram até a entrada, mas a ruiva parou na soleira da porta antes de de fato bater. Respirou fundo. Enfrentar sua mãe era uma coisa rotineira, mas depois de vê-la empurrar Nana Rose do alto de uma escada e trancafiar a própria filha em um lugar como Quiet Mercy, percebeu que talvez tivesse subestimado o quão vil Penelope Blossom poderia ser. Toni, percebendo isso, juntou a mão com a dela, tomando a atenção pra si.

— Vai ficar tudo bem, baby. Eu tô com você.

Difícil dizer quando Toni havia se tornado um pilar tão forte na vida de Cheryl, mas só o fato de saber que não estava só deu à ruiva coragem o suficiente pra seguir. Bateu na porta e minutos depois Claudius atendeu, ficando realmente surpreso de ver tanto a sobrinha quanto os serpentes.

— Cheryl?

— Surpreso em me ver tio Claudius? - Cheryl entortou a cabeça, um sorriso sarcasmo brincando nos lábios vermelhos. — Aw.

— Não sabia que--

— Tinha saído do buraco onde você e a mamãe tentaram me colocar? - Interrompeu o homem. — Eu tenho amigos, como você pode ver. - Abriu os braços, indicando por sobre os ombros os serpentes às suas costas. — Então se você não quiser que meus amigos fiquem irritados, é melhor me deixar passar sem oferecer resistência.

Covarde como era, Claudius não disse nada, apenas deu espaço para que passassem. Dentro da casa, os serpentes pareciam ainda mais volumosos, espalhados pelo Hall de entrada como pulgas em um cão de raça. O homem não conseguia tirar os olhos do grupo, tampouco dos canivetes que carregavam nas mãos.

— A minha adorável mãe está em casa? - A pergunta foi dirigida ao homem que balançou a cabeça em sinal de negação. — Ótimo. Eu não vou demorar aqui, só vim buscar umas roupas. - Empurrou o homem do seu caminho com a ponta dos dedos. — TT, fique aqui com o Titio, eu volto logo.

Toni assentiu com a cabeça e seus olhos acompanharam a ruiva que subia as escadas. Bastou que Cheryl desaparecesse para que a serpente se voltasse para o homem de cabelos brancos, uma expressão nada amigável no rosto. Só tinha de esperar e se pudesse, nem trocaria uma palavra com o homem.

— Topaz?

A voz era fraca, mas Toni reconheceu Nana Rose antes mesmo de se virar para ela. A senhora parecia apática, triste, mas estava saudável e completamente recuperada da queda na escada. A serpente sorriu, adiantando-se para perto da senhora pra se ajoelhar à frete da sua cadeira de rodas.

— Nana Rose. - Tocou a mão da mulher com delicadeza, fazendo um pequeno carinho com o polegar na mão enrugada. — Fico aliviada que está bem. - Se levantou e curvou o corpo com a desculpa de que beijaria o rosto da senhora, mas na verdade sussurrou em seu ouvido. — Eu consegui Nana, Cheryl está bem agora.

Seu olhar reluziu, completamente grata à Toni por ter conseguido salvar a neta da situação na qual se encontrava. De relance, a serpente percebeu o olhar de Claudius pras duas e se perguntou se ele sabia do que estavam falando ou se estava tentando descobrir. Nana Rose era uma pessoa boa, que amava a neta de uma forma que os pais de Cheryl nunca conseguiriam fazer e por isso era muito grata. Qualquer um que amasse verdadeiramente a sua Cheryl era alguém valia a pena.

— Claudius. - Saiu de perto da senhora e se aproximou do tio da ruiva, imponente, como uma serpente deveria ser. — Vocês podem enganar a policia dizendo que foi um acidente.. - Seu tom era baixo, o suficiente para que só o homem pudesse ouvir, mas ao mesmo tempo era ameaçador. — Mas a mim não. - Tocou a gola da camisa fina que ele vestia, fingindo arrumá-la. — Eu quero que saiba que se algo acontecer com a Nana Rose.. - A mesma mão que ajeitava a gola do homem se enrolou nela, puxando-o pra perto com um tranco. — Eu vou--

— Me matar? - A ironia aparentemente era um traço contido nos genes Blossom.

Toni riu, ainda sem soltar o homem.

— Ah, não.. Eu não vou te matar. - Lambeu os próprios lábios, sussurrando por entre os dentes perto do ouvido dele. — Eu vou sangrar cada parte do seu corpo tão lentamente, que você vai desejar que eu te mate.. - Se afastou o suficiente pra conseguir olhá-lo nos olhos. — Você me entendeu?

Claudius assentiu com a cabeça, pálido como uma parede. Toni o soltou, dando dois tapinhas leves no rosto do homem.

— Que bom que nos entendemos.

xxx

— Eu só estou dizendo que não custa nada manter os olhos abertos.

Toni ainda tentava argumentar entre uma mordida e outra no seu hambúrger. Cheryl se perguntava como é que ela conseguia manter aquele corpo comendo tanta besteira, mas talvez fosse mais um dos caprichos divinos. A ruiva por sua vez, se limitava a garfar sua salada, hora ou outra revirando os olhos pros comentários dos outros três na mesa. Era um almoço atípico e embora preferisse estar somente com a sua Cherry, a companhia de Betty e Kevin era bastante agradável. Toni dava mais uma das suas demonstrações fofas de superproteção, mas Cheryl se recusava a acreditar que aquele saco que quase a acertou no ensaio de logo mais cedo era realmente destinado a ela. 

— TT, eu acho adorável a sua preocupação, de verdade. - "Deus, ela é tão linda." — Mas não acho que alguém nesse colégio esteja tentando me matar.

Chegava até ser engraçado, já que Cheryl sempre foi a primeira a levantar a bandeira do "Estão tentando me matar". No entanto, agora não se sentia amedrontada por um saco caindo sobre sua cabeça. Talvez toda a história com Quiet Mercy a tenha endurecido e não tivesse percebido.

— Dessa vez eu tenho que concordar com a Toni, Cheryl. - Kevin parecia ter um ponto de vista sobre aquilo, mas também tinha uma expressão culpada no rosto que a ruiva não conseguiu identificar bem o motivo. Se preocuparia com isso depois, no momento só revirava os olhos pela terceira vez, mastigando sua salada. — Pode ter sido uma coincidência infeliz, mas meu pai sempre diz que cuidado nunca é demais.

Cheryl beirava a impaciência, voltando-se para o garoto com uma expressão assassina no rosto.

— O que é isso agora? Um complô? - Não deveria, mas acabou rindo porque todos na mesa riram. Ao menos isso a deixou um pouco menos brava, o suficiente pra ser sincera. — Eu só quero dar um tempo de pessoas querendo me matar. - Deu de ombros, voltando a mover o garfo. — Já tive o suficiente por esses dias.

As risadas da mesa morreram e os olhos de Kevin e Betty se abaixaram, quase culpados. Toni encarou a ruiva com um semblante complacente, dando apoio moral, ou ao menos tentando. Betty foi a primeira a falar, a culpa estampada nos olhos azuis.

— Cheryl... Eu sinto muito.

Mas pra Cheryl, o sofrimento vivido em Quiet Mercy já era algo acontecido em uma outra vida. Meses pareciam ter se passado desde que foi resgatada, mas na verdade, foram poucos dias. Tanta coisa aconteceu desde então - entre ela e Toni principalmente - que era difícil se apegar aos momentos tristes.

— Tudo bem prima Betty. - Meneou a cabeça, voltando um olhar carinhoso à Toni. Um olhar carregado de cumplicidade, de um tempo em que somente as duas conheciam. — No final das contas essa história toda me trouxe algo de bom.

Toni sorriu de volta, parecendo ignorar a presença de Kevin e Betty na mesa. Lá estava ele de novo: Aquele olhar. O que fazia as borboletas no seu estômago entrarem em frenesi. Um dia tinha de perguntar à Toni se ela tinha consciência do quanto aquele olhar era intenso.

— Não se preocupe, Cher. Eu posso ficar de olho em você. - A morena piscou, tomando um pouco da sua coca-cola. — Não é como se eu já não fizesse isso.

Mais uma vez silêncio reinou e dessa vez, foi Kevin o responsável por quebrá-lo, assoviando antes de dar um sorriso largo e um sorriso malicioso pras duas.

— Alerta de tensão sexual.

Recebeu uma cotovelada em troca. Betty balançou a cabeça, fazendo seu rabo-de-cavalo balançar como um pompom.

— Espera, o que eu tô perdendo aqui?

Risos foram comprimidos numa tentativa até bem sucedida de não dar bandeira. Eram cúmplices de algo que nem mesmo eles entendiam direito.

— Nada, Betty. - Keller pigarreou, disfarçando muito mal.

— Sei.. - É claro que Betty não estava convencida, mas tinha plena consciência de que se fosse algo que ela devesse saber, já teriam falado. Preferiu deixar sua curiosidade de lado. — Em todo caso, eu fico feliz que você e a Toni estão se dando bem. - Voltou-se pra Cheryl dessa vez, a ternura expressa no olhar. — Você precisava de uma melhor amiga.

Dessa vez não conseguiram conter a risada: Toni cobriu a própria boca, Cheryl apertou as pontas dos dedos contra a testa e Keller simplesmente olhou pra cima, todos os três achando graça em algo que Betty simplesmente não conseguia entender. A irritação subiu a cabeça.

— Ok, eu perdendo alguma coisa aqui. - Olhou de um pra outra, um vinco raivoso se formando no meio da testa. Sua curiosidade falou mais alto. — Alguém quer me explicar o que tá acontecendo?

Só então controlaram o riso, vendo que Betty estava realmente se irritando em ser a única na mesa que não entendia a graça da situação. Os três se olharam, um esperando que o outro falasse, mas a ruiva foi a única que tomou a iniciativa.

— Tudo bem, você vai acabar descobrindo eventualmente.

Pretendia tratar o assunto com o respeito que ele merecia, mas Kevin parecia ter esperado somente uma carta branca pra falar. Havia excitação estampada por todo seu rosto.

—Ela quer dizer que Choni é real.

— Choni?

Toni arqueou as duas sobrancelhas e assim como Betty, tinha um ponto de interrogação gigante no rosto. Kevin revirou os olhos.

— Cheryl e Toni. Choni. - Ficou satisfeito com a explicação, cantarolando logo em seguida simplesmente porque gostava de implicar. — Sentadas embaixo de uma arvore, se beijando...

Kevin podia ser bastante irritante quando queria, Cheryl sabia disso. Simplesmente deu uma cotovelada de leve no garoto que parou de cantarolar a músiquinha infantil. Mas Betty não estava preocupada com isso e sim com a informação que lhe foi entregue sem o mínimo preparo.

— Vocês estão namorando?

Eis a questão: Estão? A verdade é que não tinham falado sobre isso, tampouco dado nome aos bois e isso fez um frio percorrer sua barriga. Toni pareceu perceber a falta de palavras.

— Nós ainda não conversamos sobre isso, Betty. - Deu a ela um olhar carinhoso. — Mas sim, nós estamos juntas, se é isso que quer dizer.

Betty tampou a boca, olhando de uma pra outra como se tivesse descoberto uma mina de ouro. Por um instante, Cheryl ficou tensa. Era a primeira vez que contava isso pra alguém. Veronica havia descoberto por acidente, sendo expectadora do primeiro beijo entre elas e Kevin jurava que já shippava o casal muito antes dele se formar. Nenhum dos dois contava. Pareceu uma eternidade até que Betty reagisse.

Wow. - Tirou a mão da boca, embasbacada. — Só, wow!

Então o sorriso aberto e a mesma expressão de excitação de Kevin agora habitava o rosto da loira de rabo de cavalo. Um sorriso discreto se formou nos lábios vermelhos, mas os olhos de Cheryl desviaram pra salada em seu prato. "Estamos juntas." O que quer que isso quisesse dizer, Cheryl gostava de como soava, principalmente quando saia dos lábios grossos de Toni.

— Eu nem sabia que você gostava de garotas, Toni.

Betty parecia quase indignada, de uma forma quase cômica. Na verdade, sua revolta toda era por perceber que não tinha enxergado algo tão óbvio. Cheryl riu, mas só então se deu conta do que aquilo queria dizer.

— Espera, o que? - Estreitou os olhos na direção de Betty incrédula, obtendo sua atenção.  — Você tá surpresa com a Toni gostar de garotas, mas não comigo?

Toni enfiou mais um pedaço do seu hamburger na boca, rezando pra não rir mas Kevin riu e despertou uma reação em cadeia. Betty mordeu o lábio, levando a mão à nuca e apertando de leve, um tanto sem jeito.

— Ah prima.. É que eu meio que sempre suspeitei que você tinha uma queda por meninas.. Mas a Toni.

Agora sim a ruiva estava indignada e aquilo era extremamente cômico pra Toni e Kevin. Cheryl olhou de um pra outro esperando um apoio moral, mas tudo o que recebeu foi mãos levantadas por parte de Kevin e um olhar de "me tira dessa" por parte da serpente.

— Eu tô chocada! - Bufou. — Você poderia pelo menos parecer surpresa por mim, sabia?

Betty deu de ombros, rindo também. Cheryl sentiu falta disso. Sentiu falta dos seus amigos em torno dela, falando qualquer besteira que os levasse ao riso. Sentiu falta dos olhares de admiração voltados a ela, diria que até havia sentido falta daqueles que a odiavam. Sentiu falta da sua vida. Nem se deu conta de que ao seu lado, sua prima tentava encaixar as coisas em uma linha precisa e só então externar seus pensamentos.

— Então o Jughead... - Pensou alto, um tanto quanto aliviada.  — Você é bi?

A pergunta era obviamente dirigida à Toni, então todos os olhares se voltaram pra morena de cabelos rosas, pega enquanto mastigava. Arqueou as duas sobrancelhas, mastigando com muita calma, parecendo pensar com muito cuidado no que diria.

— Prefiro não me rotular... - Seu tom era sério, mas não bravo e sim paciente. Sentia-se explicando a um iletrado como duas letras juntas formavam uma sílaba.  — Mas podemos dizer que sim.

Betty assentiu com a cabeça, ponderando a respeito.

— Isso é bem legal. - Disse por fim. — Eu tô bem conten-

Talvez ninguém tivesse percebido, mas Cheryl do outro lado da mesa estava rígida como a uma estátua. Seus olhos oscilando entre Betty e Toni, mas não se fazer notar não era exatamente o forte da ruiva.

— O que tem o Jughead, Betty?

Só então Betty tinha percebido o que tinha acabado de dizer e se arrependeu por isso. Não tinha se atentado ao detalhe de que talvez Cheryl não soubesse que Toni e Jughead tiveram um affair, já que há muito tempo os três tinham esclarecido as coisas e deixado pra trás essa parte de suas vidas. Não era ela quem deveria dizer a Cheryl, sabia disso. A loira abriu a boca e puxou ar com força, sem saber o que dizer, mas foi Toni quem falou por ela.

— Tudo bem Betty. Eu não tenho nada pra esconder da Cher. - E por mais que aquelas palavras acalourassem o coração da ruiva, sabia que vinha algo depois disso no qual ela não iria gostar nenhum pouco. Toni voltou seus olhos pra ela. — Eu e Jughead tivemos algo. Algo casual, Cher, nada sério. É só isso.

E provavelmente na cabeça de Toni era só isso, mas na de Cheryl, a imagem de Jughead e Toni aos amassos se formou tão nitidamente que seu estomago embrulhou. Os olhos fixos nas feições de Toni e sequer piscava. Betty por outro lado, sentia-se culpada por gerar um clima ruim no que até então tinha sido uma almoço tranquilo.

— Cheryl, eu realmente não quis.. - Nem sabia como se desculpar, na realidade. — Eu juro que achei que voc--

Cheryl não queria saber das desculpas, seus olhos ainda estavam em Toni, ignorando todo o resto.

— Você ficou com o Jughead Jones? - A expressão de Cheryl foi de incrédula pra irritadiça em menos de um segundo. — Quando pretendia me contar isso?

O clima pesou na mesa, mais do que já havia pesado antes. Kevin viu ai a deixa perfeita pra se retirarem, afinal de contas, aquela discussão não os dizia respeito. Se levantou com um sorriso amarelo no rosto.

— Betty, nós não tinhamos aquele trabalho pra fazer?

Betty se levantou também, obviamente mentindo.

— Sim, claro... - Baixou os olhos pra Toni, silabando um "Desculpa" sincero e a serpente fez questão de menear a cabeça, dando a entender que estava tudo bem. —  Nos vemos no ensaio.

Toni esperou que os dois saíssem pra só então voltar a falar, com calma, para que não parecesse rude ou qualquer coisa do tipo.

— Isso não é exatamente um segredo, Cher. - Tentou o tom carinhoso e esse era o tom habitual que utilizava com a ruiva quando estavam sozinhas. — Eu só não disse nada porque nós não chegamos a falar sobre isso.

Cheryl nem percebeu isso, já que o seu era irritado tanto quanto sua expressão.

— Jughead Jones, Toni? Sério?

A ruiva bufou e Toni sorriu, erguendo uma das sobrancelhas.

— Cheryl.. Você tá com ciúmes?

É claro que estava. Um ciume tamanho que apertava o peito e sufocava, uma sensação que despertava o pior dentro dela e acredite, o pior de dentro dela era muito pior do que alguém jamais viu.

— Eu não estou com ciumes!

Mentira.

— Você fica linda com ciumes.

"Toni Topaz, não se atreva a dar esse sorriso, isso está bem longe de ser algo divertido." Cheryl ergueu uma das sobrancelhas, a expressão de HBIC padrão de volta ao rosto e as palavras saiam sem o menor freio.

— Eu não estou com ciumes daquele Hobbit metido a lider de gangue. - Seu humor tinha sumido, dado lugar a algo mais sombrio. — Só surpresa em saber que o que você entende por "assuntos serpentes" é na verdade dormir com Jughead.

Um instinto de alerta soou no fundo da cabeça de Toni, que espalmou a mão no ar em sinal de defesa. Não estava gostando nenhum pouco do rumo que aquela conversa estava tomando e se não fosse Cheryl Blossom - sua Cheryl Blossom - bem ali na sua frente, já a teria feito engolir cada uma daquelas palavras.

— Cheryl, cuidado com o que diz. - Alertou, séria. — Isso foi muito antes de nós sequer pensarmos em ter alguma coi--

Mas Toni deveria saber que Cheryl não estava escutando. Cheryl Blossom não escutava ninguém.

— Vocês transaram?

A pergunta na lata fez com que Toni curvasse o corpo pra trás, franzindo o cenho pra tenter entender se ficava com raiva ou ofendida com o tom usado pela ruiva. No final das contas, era um pouco das duas coisas. Toni suspirou.

— Você quer mesmo que eu responda isso?

Um nó se formou na garganta da ruiva e seu maxilar retesou. Soltou o garfo sobre o prato, nada que tentasse comer desceria. Ficou em silêncio por um instante e isso não era bom, já que quanto mais tempo mantinha as palavras na garganta, mais se envenenava com ela. Aquela era uma sensação que nunca tinha experimentado. Nunca quis alguém o suficiente pra sentir-se assim e era quase assustador. A imagem de Jughead e Toni na cama não saia da cabeça.

— Inacreditável.

A serpente respirou fundo, largando seu hamburger na mesa e limpando os dedos no guardanapos. Tentava acalmar a prória irritação, o suficiente pra tentar ser a pessoa razoável ali.

— Cheryl. - A principio não teve sua atenção, mas logo que as palavras saíram a ruiva foi obrigada a olhá-la. — Me desculpe, mas eu não vou pedir desculpas por algo que eu fiz estando solteira. NÓS estávamos solteiros. Até a Betty consegue entender isso.  - Soltou o ar com força, a chateação visível nos olhos. — Me desculpa se você não soube por mim. Eu realmente pensei que isso não faria a menor diferença depois de tudo o que acontece nos últimos dias.. E isso é passado.

A ruiva permaneceu calada enquanto Toni esperava pela resposta de uma pergunta que nem mesmo tinha feito. Só queria que Cheryl parasse com isso e pudessem ficar numa boa de novo. Nenhuma palavra, mas havia algo de diferente nos olhos da ruiva. Algo que não era nada bom. Toni tocou sua mão com gentileza, mas Cheryl não se moveu, só olhou para as mãos dadas e em seguida buscou contato visual com a morena.

— Certo.. Passado. - Sua boca encurvada em desaprovamento. — Você está certa. E já que estamos colocando as cartas na mesa, é bom que você saiba por mim sobre a Josie.

Toni não entendeu o que ela quis dizer com aquilo.

— Josie McCoy? Do que você tá falando Cheryl?

E a serpente desejou mesmo que isso não tivesse a ver com o que ela pensou que aquilo tivesse.

— Sim Toni, Josie McCoy. - Cheryl parecia muito satisfeita com suas próprias palavras. Sadicamente satisfeita. — Até você aparecer no meu radar, eu tinha um crush na Josie.

— Você tinha um crush na Josie? - Toni repetiu, sem saber bem como se sentia com a informação.

— Na verdade, foi mais como uma obsessão. - Desmanchou um pouco da expressão por um instante, mas logo se recompôs. — Nós nos aproximamos uns meses atrás e acabou acontecendo. - Deu de ombros. — Ela é sexy, inteligente.. Era inevitável. Além do que, Josie vem de uma boa família e berço é sempre um diferencial.

Os lábios de Toni formaram uma linha fina e tensa.

Berço.

Cheryl sorriu satisfeita. Toni podia provar assim o gosto do ciúme por si só.  O problema é que a ruiva não tinha se dado conta do que tinha falado até encontrar os olhos da serpente, quase ofendidos. Se havia algo que Toni sabia que não tinha era Berço, muito pelo contrário, vinha das classes mais baixas de Riverdale e mesmo que se orgulhasse disso, pelas palavras de Cheryl, sentiu como se fosse a escória que todos do lado norte diziam que ela era. Mudou sua postura na mesma hora.

— TT, eu não quis dizer que--

Dessa vez  foi Toni quem não deixou que a ruiva falar, se levantando e pegando a bolsa sobre a mesa.

— Quer saber Cheryl? Eu gosto de você. Eu realmente gosto. - Tinha um mas ai, Cheryl estava certa disso. — Mas você tá sendo infantil eu não posso lidar com esse tipo de comportamento tóxico agora. - A morena balançava a cabeça negativamente, incrédula das coisas terem deslanchado dessa forma por causa de um comentário despretensioso. — Nós nos falamos depois.

Toni deu as costas, deixando Cheryl pra trás, falando sozinha.

— Toni! - A exasperação na voz beirava o desespero. —Toni você entendeu errado eu não quis dizer--

Mas era tarde, Toni já tinha ido embora. Cheryl sentou-se de novo, encarando o nada pra só então suspirar. Apertou a ponta dos dedos contra a testa, o coração apertado, formando um nó na garganta. Queria gritar, a frustração tomando conta de uma vez só.

Você estragou tudo, Cheryl Blossom. Você sempre estraga.

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado! E preciso avisar que do próximo capítulo pra frente talvez eu tenha que trocar a censura pra 18 anos. Deixem nos comentários se vocês preferem descrições mais 16 anos ou se posso colocar minha criatividade em prática em uma censura 18. #GOCHONI


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