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História In love with my Boss - Capítulo 18


Escrita por:


Notas do Autor


Desculpem, demorei novamente.
Mas não está sendo fácil conseguir tempo para escrever. Talvez com esse problema do Corona Vírus eu consiga escrever mais.

Falando nisso, pessoal.
Por favor, quem puder ficar em casa, fiquem. O isolamento é fundamento para evitar a propagação do vírus.
Tomem cuidado, lavem as mãos, rosto e nariz com frequência e passem bastante álcool gel.

Lembrem-se: não é necessário estoque de comida, fazendo isso você só colabora para que as empresas aumentem os preços e os mais pobres que não podem comprar em grandes quantidades vão acabar ficando sem suprimentos.
Isso não é uma guerra!

Espero que todos estejam e fiquem bem até o final dessa loucura!

Vamos ao capítulo:
Boa leitura <3

Capítulo 18 - Fireworks


Então lembrei que havia trazido o livro. O peguei , fechei a bolsa e ele o puxou rapidamente da minha mão.

— Mal educado! — Revirei os olhos e ambos acabamos rindo.

— Fique quieta! — Ordenou com um sorriso nos lábios, folheando as páginas do meu livro “O sonho de uma noite de Verão” de Willian Shakespeare.

De repente sua voz soou rouca, recitando aquelas palavras. Ouvi-lo trouxe-me uma calmaria para a minha alma e calor para o meu coração. Me sentia em paz e acolhida em seus braços em baixo daquela árvore, naquele dia de verão.

 

“Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância.
O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado”

William Shakespeare

 

 

~ ❤ ~

 

CHAPTER 18

FIREWORKS

(FOGOS DE ARTIFÍCIO)

 

O sol com todo seu esplendor se pôs, dando vez a lua cheia que estava cada vez mais à pico. A noite estrelada nos dava o ar de sua graça em uma noite especial como aquela, tornando tudo ainda mais perfeito.

Nos direcionamos para Riverfront Park, a praça onde todos se reuniriam para a queima de fogos em comemoração ao feriado de 4 de Julho, a independência dos Estados Unidos da América. A praça como boa parte da cidade era cercada pelo oceano atlântico e diversos iates flutuavam próximos da costa, prontos para soltar os fogos de artifício. Suas luzes eram como pequenos pontos brilhando em alto mar.

Como a cidade é pequena, a praça estava lotada de rostos conhecidos. Em Charleston todo mundo se conhecia.  Muitos amigos da época da escola e vizinhos estavam lá. Jilian, Jericho, Griamore, Gustaf, Alioni e outros.

O Sr. Demon e Ban chamavam muita atenção, já que eram rostos diferentes para aqueles que ali moravam. Eram a novidade, digamos assim. E isso gerou alguns comentários, principalmente daqueles que reconheceram o Sr. Demon como o magnata que era.

“Por que ele veio até Charleston?”, “O que estava fazendo aqui?”, “Porque estava com Elizabeth?”, “ Será que veio com ela por negócios? Afinal ela é a secretária dele...”, “Ou será outra coisa?”. Sentia os olhares e os cochichos sobre as nossas costas e isso me deixava preocupada. Não queria que as pessoas pensassem que estávamos tendo um caso, mesmo sendo verdade.

“Olha se não são essas metidas que foram morar em New York”, “Vieram visitar os pobres”, “Olha é a Ellie e a Elaine... Nossa, lembro como se fosse hoje quando a Ellie foi rainha do baile de primavera por três anos seguidos com o Mael“ - Disseram alguns colegas em tom de brincadeira. Elaine e eu ficamos um pouco sem graça, mas acabamos rindo.

Como já estavam nos achando metidas, fiquei feliz por ter escolhido um look simples hoje, que tinha muito a ver comigo e com o local onde estava. Estava me abençoando mentalmente por não ter usado nenhuma bolsa da Lui Viutton, nenhum casaco da Burberry ou nenhum sapato da Labutam. Isso apenas geraria mais comentários e deixaria nossos amigos se sentindo menosprezados. Eram artigos de luxo e da moda que tive que comprar para me adequar, mesmo sendo caros.

“Para sobreviver nessa selva de pedra você precisa vestir uma armadura”. Lembrei do conselho de minha amiga. No caso a armadura eram roupas e acessórios de marca. Além disso eu era secretária de um dos maiores CEO´s do mundo e precisava me vestir adequadamente e a altura.

Aprendi isso a duras penas, apesar de entender de moda, de saber combinar as peças e de criar os modelos de minhas próprias roupas, quando me mudei para New York, não tinha dinheiro para comprar peças tão caras. Me vestia da melhor forma possível, porém logo entendi que as marcas de roupas e acessórios que você usava naquela cidade era muito importante. Significava status e poder.

Quando comecei a trabalhar na Demon Enterprise Holding, ainda não havia recebido meu primeiro salário. Recebia o olhar torto de muitas mulheres que trabalhavam na empresa por não estar vestida “de acordo”, digamos assim. No meu primeiro dia fiz amizade com a única pessoa que, apesar de estar muito bem vestida, parecia ter sensibilidade e não ligar para esses quesitos tão superficiais e fúteis: Diane.

 

{...}

 

New York, Manhattan, 22 de janeiro.

 

Com o rosto apoiado nas mãos, estava sentada desanimadamente em uma das banquetas que ficavam próximas da máquina de café. Me encontrava olhando para o copo descartável sob a bancada, com o líquido escuro já frio e com a mente perdida em muitos pensamentos.

Eu devia estar feliz, era o meu primeiro dia de trabalho em uma grande e promissora empresa, finalmente havia conseguido um emprego não somente decente, mas maravilhoso, o sonho de muitas pessoas.

Porém me sentia estranha, era como se todos me olhassem torto, principalmente as mulheres. Me olhavam como se eu fosse de outro mundo. Por algum motivo não me encaixava. Havia esquecido meu copo reutilizável e todos ali possuíam um. Me olharam feio quando tive que usar um de isopor. Até mesmo isso pareceu irrita-los.

Sabia que era apenas o primeiro dia, que provavelmente ia melhorar, mas não entendia o porquê de me encararem como se eu fosse um elefante fantasiado de palhaço no meio da cafeteria.

A secretária do Sr. Demon a qual eu iria substituir, a jovem ruiva que havia sido simpática comigo no dia anterior, o qual eu havia realizado a entrevista, havia se mostrado uma verdadeira megera. Me perguntava se ela havia sido simpática apenas porque imaginou que eu nunca conseguiria o emprego. Pelo que entendi, seu marido havia recebido uma oportunidade de emprego em outra cidade e ela teve que acompanha-lo e pedir demissão. Porém não estava nada contente com isso.

Me ensinava o que eu precisava aprender com uma verdadeira carranca e de maneira muito superficial e sem nenhuma paciência. Tive que me esforçar muito para entender alguma coisa e nem tinha coragem de pedir para que ela repetisse o que eu não compreendia, com medo de levar um tapa na cara.

O Sr. Demon sendo muito gentil, lhe pediu para que ela me mostrasse toda a empresa, onde ficava as principais áreas e departamentos e me ensinar todo o necessário. Disse que ele mesmo queria fazer isso, porém estava cheio de reuniões naquele dia. Ficaria em treinamento com ela por duas longas semanas e sentia que não suportaria mais nem duas horas. Aquela criatura não realizou nenhum tour comigo e eu fiquei pelo menos trinta minutos apenas procurando pelo banheiro naquele lugar enorme, para depois descobrir que estava bem próximo a mim. Ela ainda achou ruim porque demorei muito. Bitch¹...

Estava tão profundamente irritada com a situação, chateada e decepcionada que nem mesmo percebi a aproximação da jovem de cabelos castanhos e olhos de tom violeta.

— Parece que seu primeiro dia não está sendo nada bom. — A voz atrás de mim, me fez dar um pulo na banqueta pelo susto, o que fez a moça rir da minha reação. — Desculpe se te assustei. — Disse logo em seguida gentilmente.

— Tudo bem, não tem problema. — Respondi com a voz cansada.

— Posso me sentar com você? Obrigada, de nada! — Questionou e já respondeu, se sentando animadamente, nem esperou pela minha resposta.

— Claro, acho que não tenho muita escolha. — Respondi mediante a ela que já estava acomodada. Ela me encarou com aqueles grandes olhos. Um meio sorriso se formou em meus lábios. Finalmente alguém estava sendo legal comigo.

— Então, está tendo problemas com a Sra. Friesia? — Questionou ignorando por completo o que eu tinha dito.

— Ah... — Hesitei. Não queria ser indiscreta falando mal de alguém no meu primeiro dia. E conhecendo como são as coisas, vai que essa mulher é amiga da Friesia e conta tudo para ela?!

— Não precisa hesitar. — Ela riu. — Ela é o cão com todo mundo, ninguém aqui a suporta. Essa vadia acha que só porque é secretária do Sr. Demon é a dona de tudo... — Explicou e eu tive que segurar o riso.

— Bom, está difícil sabe, ela nem me mostrou a empresa, não tem paciência para ensinar e a todo momento me sinto uma inútil por não entender o que ela “ensina”. Mas não é só por causa dela que estou assim... Me senti estranha o dia todo hoje, como se me olhassem torto, como se esse não fosse o meu lugar. — Desabafei.

Não entendi porque havia dito coisas tão pessoais para aquela estranha, mas de alguma forma senti que podia confiar nela. Enquanto eu me explicava, ela pegou a minha pasta e observou atentamente os meus desenhos, principalmente das roupas que eu criei. Eu ia protestar, não gostava de ninguém mexendo nas minhas coisas, porém não queria estragar a única possível amizade que eu estava fazendo.

— Entendo... Mas tenho certeza que este é o seu lugar. Essas roupas que você desenhou são incríveis. Quero todas para mim! — Respondeu com um sorriso doce em seus lábios.

— Obrigada! — Ofereci um sorriso singelo e constrangido.

— As pessoas te olham torto porque primeiro, estão com inveja por você ser a nova secretária do senhor Demon. Segundo, porque você é muito bonita e terceiro porque você não está... vestida como elas. Sabe, suas roupas estão ótimas, você está vestida muito bem. Porém aqui as aparências são importantes. Mostrar poder aquisitivo e andar conforme a música. Pra mim isso é tudo baboseira, uma futilidade sem tamanho. Mas para sobreviver nessa selva de pedra você precisa vestir uma armadura.

— Como assim?

— Agora você é secretária de um dos maiores empresários do mundo, precisa se vestir a altura. Precisa entrar no jogo dessa gente, se não você será comida pelos lobos...

— Mas eu ainda não tenho dinheiro para comprar Lui Vuitton, Prada... — Bufei.

— Tudo bem, não se preocupe. Após o trabalho você me acompanha até a minha casa, vou te emprestar algumas roupas e acessórios para você usar até conseguir comprar as suas. Assim você vai sobreviver nesse ninho de cobras. — Ela começou a rir e me fez rir também.

— Eu nem sei como te agradecer. Nunca vi alguém ser tão legal assim com uma estranha... A Propósito, me chamo Elizabeth. — Respondi emocionada e com a voz carregada de gratidão.

— Eu só estou fazendo o que eu gostaria que tivessem feito por mim quando eu cheguei aqui. Eu sou Diane. — Sorriu alegremente.

Diane estava certa, do dia seguinte em diante comecei a me vestir da forma como “deveria”. De forma impressionante as pessoas começaram a me cumprimentar e a serem mais simpáticas e solicitas. Aquele nem era o mundo da Moda, era um mundo corporativo, mas já era difícil. Imaginava que se eu quisesse seguir meu caminho como estilista, esse ninho de cobras seria muito pior. Mas agora eu estava sendo aceita, estava entrando no mundo deles. Só desejava do fundo do coração não esquecer quem eu realmente era.

 

{...}

 

Charleston, South Carolina, 04 de Julho

 

Após o meu devaneio e apesar dos comentários fomos muito bem recebidas por eles. Abraçamos nossos antigos amigos e ficamos conversando, sobre como andava a vida. Pelo que vimos tudo parecia igual em nossa pacata cidade. Apenas algumas amigas que se casaram e já tiveram filhos, um ou outro que se mudou para outra cidade, outros começaram a trabalhar no museu. Não haviam muitas coisas diferentes para se fazer. O foco da cidade é o comércio ou história.

Já esperávamos que esse seria o destino de nossos amigos, assim como seria o nosso se tivéssemos ficado ali. Porém Elaine e eu sempre sonhamos alto. Aquela cidade não podia suprir o desejo ardente de nossos corações de conquistarmos os nossos sonhos. Grandes sonhos precisavam de uma grande cidade como New York e lá fomos nos aventurar na “Big Apple”. Porém sacrifícios foram feitos, como ficar longe da família, dos amigos, da cidade natal, de ir para uma cidade desconhecida e de enfrentar todos os desafios.

Sentia falta dos amigos de minha cidade, da época do colégio, das risadas, das brincadeiras, das fofocas e do acolhimento da cidade pequena. Era diferente. Amava New York e a vida que eu estava levando lá. Mas lá era tudo grande demais, corrido demais, pessoas demais e mesmo assim pareciam estar sozinhas.

Viviam com diversas pessoas ao redor, porém sentiam como se não tivesse ninguém por elas, além delas mesmas. Eram mais egoístas e individualistas. Era triste de se ver. Tenho certeza que se Elaine não estivesse ao meu lado e se não tivesse conhecido Diane eu já teria desistido.

Estar ali naquela noite com meus antigos amigos e com o Sr. Demon, era como um encontro de minha antiga com minha nova vida. Elas se chocavam em tamanho seu contraste, em tamanha sua diferença. A simplicidade contra a sofisticação, a calmaria contra a agitação, as raízes contra o conhecer o mundo.

Após as devidas apresentações e dizer que o Sr. Demon era meu chefe, meus amigos ficaram um pouco confusos do porque ele estar na cidade para o feriado. Para evitar que pensassem besteiras, o jovem loiro explicou que estava sem companhia e Ban o convidou, que era namorado de Elaine, que por coincidência era minha amiga. O pessoal pareceu entender, mas senti que ainda ficaram com uma pulguinha atrás da orelha.

Mudamos de assunto e começamos a falar de coisas aleatórias, sentia o loiro desconfortável, ele conversava educadamente, porém parecia preocupado assim como eu. Aparentemente não estava gostando da atenção que estava chamando, principalmente dos comentários que sua presença na cidade havia gerado.

— Será que podemos conversar em particular Srta. Liones? — Questionou baixo ao tocar em meu ombro.

— Sim claro.

Pedimos licença e caminhamos até o cais onde alguns barcos logo começariam a embarcar as pessoas para assistir a queima de fogos do alto mar. O que deveria ser a coisa mais linda do mundo.

— Então... Rainha do baile de primavera com... Como é mesmo o nome... Mael?! — Provocou o loiro com notas de irritação e curiosidade na voz, o que me fez sorrir contida. — Ele era seu namorado?

— Era. — Respondi simplista. Não estava muito afim de entrar nesse assunto. — Mas sei que não foi por isso que quis se afastar de lá. A atenção que estava chamando te incomodou não foi? — Pela expressão que ele fez, logo percebi que eu havia acertado em cheio.

— Parece que a senhorita me conhece bem. — Sorriu de canto e afastou os fios de cabelo que caíam sobre seus olhos. — Precisamos ser discretos Srta. Liones, não quero colocar em jogo a nossa reputação.

— Também não quero. — Respondi na defensiva, mas não sei porque eu havia ficado um pouco chateada pela forma como ele disse aquelas palavras. Como se ele tivesse vergonha do que estava ocorrendo entre nós. Ele pareceu perceber a minha decepção.

— Não me leve a mal... Não interprete errado o que eu disse... É que fico preocupado com a senhorita e com os negócios...

Ele ainda ia terminar de se explicar, porém neste momento um rapaz que estava vendendo os passes para assistir a queima de fogos do barco começou a anunciar de forma alarmante que quem quisesse poderia procura-lo.

— Espere aqui um minuto, com licença. — Pediu e se dirigiu até o rapaz.

Pelo que pude observar de longe trocaram algumas palavras e o Sr. Demon entregou alguma coisa ao rapaz que colocou o que quer que fosse nos bolsos. O loiro voltou até mim com um sorriso vitorioso nos lábios.

— Vamos?! — E me ofereceu o seu braço para que eu apoiasse o meu.

— Para onde? — Questionei surpresa.

— Acabei de comprar os passes para o barco para nós dois. — Sorriu e eu passei meu braço pelo dele.

— Sério? — Não pude deixar de abrir um enorme sorriso e ele apenas sorriu de volta em resposta.

Embarcamos no iate turístico e nos dirigimos até o convés, admirando sua beleza. Porém algo estava estranho. Não havia ninguém além de nós dois, era para estar cheio, já que a capacidade do iate era para cerca de 36 pessoas.

— Sejam bem vindos! Meu nome é Death Pierce, sou o capitão do iate. Por favor, fiquem a vontade. Logo vamos partir. — Se apresentou o capitão de longos cabelos e bigode. Pelo seu inglês com um certo sotaque, parecia ser francês. Agradecemos pela gentileza e logo o capitão se dirigiu para sua cabine e assumir o timão.

— É estranho que somente nós dois tenhamos comprado os passes, não acha? — Questionei confusa quando o iate começou a se movimentar, me sentando em um banco comprido que havia ali.

— Não acho estranho, já que comprei o passe de todos, apenas para poder ficar aqui sozinho com a senhorita. — Ofereceu um sorriso ladino e convencido e sentou-se ao meu lado.

— Quer dizer que comprou os passes de cerca de 36 pessoas? — Questionei com os olhos arregalados. Não conseguia esconder minha expressão de surpresa.

— Claro que sim. Se fosse em New York, poderíamos ter ido no meu próprio iate, mas como não tinha um aqui, tive que comprar os passes de todo mundo. — Respondeu simplista, como se fosse a coisa mais normal do mundo, o que para ele devia ser mesmo.

— Metido. — Respondi já dando risada e ele sorriu, porém não podia deixar de dar-lhe uma bronca. — Não quero que gaste dinheiro assim comigo.

— Não foi nada Srta. Liones. A senhorita merece muito mais que isso... — Respondeu e suas bochechas ficaram ligeiramente coradas assim como as minhas.

Eu me deitei no banco e ele fez o mesmo, nos deitamos um contra o outro, de modo que o alto de sua cabeça ficou encostada no alto da minha. Um silencio pacífico se instalou, porém não era desconfortável. Apenas era possível ouvir as ondas batendo contra o barco a medida que ele se afastava da costa. Permanecemos admirando a beleza daquela noite. Sobre nós, o céu se estendia magnificamente estrelado, parecia uma pintura viva e nossos olhares se perderam naquela imensidão.

— Pode me falar sobre o seu namorado? Por que não deram certo? — Sua voz rouca quebrou o silencio.

— Bom... Ele foi o meu primeiro amor, cidade pequena, sabe como é... Nos conhecemos ainda crianças. Era aquele amor puro, ingênuo. Começamos a namorar muito jovens e ficamos juntos até nos formarmos no colégio. Éramos considerados “o casal” da cidade. Eu era líder de torcida e ele capitão do time de futebol. Porém, quando nos formamos eu queria ir para New York fazer faculdade, eu pedi para que ele viesse comigo, porém...

— Porém ele não quis. — Completou, como se já soubesse como essa história terminava.

— Pois é... Ele não quis... Ele não entendia o meu sonho, não queria deixar a cidade, se sentia bem e feliz aqui. Para ele estava ótimo levar a vida simples e pacata. Queria casar e ter vários filhos. Eu também amo a minha cidade, porém eu queria mais, queria conquistar os meus sonhos, ter a minha vida... Erámos muito diferentes nesse sentido...

— Eu te entendo. Acredito que fez bem, aqui você não poderia explorar todo o seu potencial, se sentiria presa. Se ficasse, seria como se prendessem um belo pássaro em uma gaiola apertada.

Nós não podíamos ver as expressões um do outro, mas sabia que ele estava sorrindo de canto, assim como eu estava agora. Finalmente alguém além de Elaine me entendia tão bem e a sua compreensão me trouxe uma paz de espírito, como se fosse a confirmação de que eu realmente havia tomado a decisão certa.

— Obrigada por dizer isso. — Respondi com as bochechas coradas ainda encarando o incrível céu estrelado e de lua cheia, com o coração carregado de euforia, felicidade e... amor.

Me levantei e caminhei até a ponta do convés, onde segurei nas barras e me inclinei um pouco para ver lá em baixo, o mar se chocando contra o barco a medida que ele flutuava e se movimentava, o que fez o loiro se sentar e me observar.

— Estou me sentindo a Rose do Titanic. — Minha voz estava carregada de empolgação. Me sentia uma criança elétrica, sentindo o vento contra o rosto, o que fazia meus cabelos esvoaçarem. Abri os braços, encenando a famosa cena de Jack e Rose e comecei a cantar um pequeno trecho da música “My heart Will Go On” da Celine Dion, o que fez o Sr. Demon rir como nunca tinha visto. Normalmente ele sempre tentava conter suas risadas e eu fiquei feliz por isso. Ele me observava desacreditado da minha “loucura”, o que me fez rir entre meu canto um tanto quanto desafinado:

 

“Near, far, wherever you are
I believe that the heart does go on”

 

 

— Já vi que o canto não é um de seus dotes Srta. Liones. — Provocou contendo o riso e eu lhe lancei um olhar fuzilador, porém no fundo queria rir.

Eu era mesmo uma péssima cantora ou uma ótima cantora de chuveiro (RS). Porém amava cantar. Sempre estava com uma música na cabeça e a cantava por semanas até uma nova tomar seu lugar em minha mente. Sempre desenterrava músicas antigas, que quase ninguém lembrava mais. Porém Deus não me deu o dom do canto. Inferno. Mas eu não estava nem aí, não ia parar de cantar só porque minha voz não era das melhores. A de quase ninguém é.

— Será que eu posso mandar meu chefe calar a boca? — Respondi afiada.

— Claro que pode, se quiser perder o emprego. — Ele sorriu, zombando da minha cara, eu acabei revirando os olhos, mas logo comecei a rir.

— Não se pode desenhar incrivelmente bem, ser linda, eficiente e ainda saber cantar. Seriam qualidades demais em uma única pessoa, ok?! — Disse fingindo uma arrogância que não me pertencia, apenas para brincar com a situação o que fez o loiro levar a mão a testa com certa indignação e conter o riso.

— Não conhecia esse seu lado tão “modesto”. — Respondeu com ironia. — Não acredito no que estou prestes a fazer... — Completou com um pesar falso em sua voz.

 Para a minha incrível surpresa ele entrou na minha brincadeira e se posicionou atrás de mim segurando em minha cintura enquanto eu mantive meus braços abertos, exatamente como Jack e Rose fizeram no filme e continuou a música:

 

“Once more you open the door
And you're here in my heart
And my heart will go on”

 

O filho de uma figa ainda cantava melhor que eu. Mas por que Deus? Ele não pode ter nenhum defeitinho básico não?! Mal ficamos um minuto naquela posição e começamos a bufar de tanto rir. Meu coração estava carregado de alegria por ele estar tão a vontade assim comigo a ponto de fazer brincadeiras, piadas, de rir, de descontrair, de esquecer por um momento o mundo lá fora. Momentos como esse, além de sexo selvagem, é claro, era tudo que eu sempre sonhei em viver com ele.

— Não acredito que fez isso. Jamais imaginei o senhor brincando assim comigo. Está sempre tão sério. — Desabafei.

— Se andasse mais comigo, saberia que apesar da minha cara de poucos amigos eu tenho um ótimo senso se humor Srta. Liones. Inclusive, só não vale me deixar para a morte congelando no mar enquanto você flutua em uma porta grande. — O que me fez gargalhar de quase não conseguir mais parar.

— Também não posso acreditar que assistiu Titanic... Isso é uma baita surpresa...

— Todo mundo já assistiu esse filme, ou você acha que eu sou um ET que não vive no planeta Terra?

Nesse momento, virei-me de frente para ele e meus olhos se perderam nos dele, que me encaravam profundamente. O verde de seus olhos refletiam as estrelas daquela noite de verão. Admirava sua beleza angelical, cada pequeno detalhe de seu rosto e um suspiro me escapou. Ele era maravilhoso...

— Com certeza, não parece ser desse mundo... — Sussurrei, afastando alguns fios de cabelo de seus olhos com delicadeza e ele ofereceu aquele maldito sorriso que me fazia derreter.

Ele se aproximou, puxando minha cintura para si, colando nossos corpos. Logo seus lábios estavam nos meus, sua língua quente e doce se envolvendo com a minha em uma dança envolvente e deliciosa. Suas mãos apertavam minha cintura com certa força, demonstrando toda sua vontade por mim. Passou sua língua em meu lábio inferior causando-me arrepios.

O som de uma explosão nos assustou e fez com que nos separássemos. Quando olhamos para o céu fomos surpreendidos por uma bela chuva brilhante dourada, que caía como se fossem várias estrelas cadentes. A queima de fogos havia começado.

Já havia assistido essa comemoração diversas vezes, porém nunca foi tão bonita quanto essa. Poder ver as centenas de explosões de todas as cores, brilhos e tipos explodindo no céu negro, ali daquele iate que flutuava na imensidão do oceano e ainda ao lado do homem dos meus sonhos não tinha preço. Se eu pudesse guardaria aquele momento em um potinho para jamais esquece-lo, para eterniza-lo.

Repentinamente o Sr. Demon me puxou novamente para continuarmos nosso beijo, ele pressionava seu corpo contra o meu, apertando a minha cintura fina. Desceu sua mão até o meu bumbum onde apertou com muita vontade me fazendo arfar contra sua boca. Ele chupava minha língua de uma forma deliciosa e eu retribuía da mesma forma, o que o estava deixando louco.

O beijo estava cada vez mais intenso e urgente, quase não conseguia respirar, mas não conseguia parar, estava gostoso demais, seus lábios eram a minha perdição.

Ele segurou meu bumbum com ambas as mãos e me puxou ainda mais para ele, pressionando nossos quadris, fazendo-me sentir sua ereção que estava dura como pedra. Estremeci diante daquela sensação, queria ele dentro de mim, urgentemente. Minha intimidade pulsava em chamas e estava molhada ao mesmo tempo, clamando por ele. Ele percebeu minha reação ao senti-lo e sorriu com malícia.

Os fogos de artifício com todo seu esplendor, brilho e cores, queimavam lá em cima, enquanto nós queimávamos naquele convés.  

 

 

Vocabulário:

 

Bitch¹ - Vadia.


Notas Finais


É agora ou não é porraaaaa? *uuuuuuu*

Espero que tenham gostado desse capítulo!
Por favor, não esqueçam de deixar o seu favorito, isso me deixa sempre muito feliz e me motiva sempre a continuar. *-*

Obrigada a todos que acompanham, favoritam e comentam! O apoio de vocês não tem preço! <3

Beijo e até o próximo <3


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