História What are you listening? - Capítulo 1


Escrita por:

Postado
Categorias Originais
Tags Álcool, Romance, Suícidio, Violencia
Visualizações 36
Palavras 1.726
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Essa história é baseada em fatos reais.

Capítulo 1 - Um.


 Era o primeiro dia de aula do meu último ano, tudo parecia estar normal, as pessoas divididas em grupos pelo pátio da escola, muita gritaria, risadas. Eu não era o tipo de pessoa que fazia amizade fácil, então, passava a maior parte do tempo sentada nas escadas do corredor, com o fone no máximo tentando abafar os sons das conversas, fiquei lá até dar o primeiro sinal.

 Não prestava atenção na aglomeração de pessoas, ficava de cabeça baixa, lendo um livro, vendo anotações, ou só mexendo na tela inicial do celular pra parecer estar fazendo algo muito interessante, já estava acostumada a ser invisível, aliás, era meu terceiro ano naquela escola e até hoje apenas duas pessoas vieram falar comigo, e nem foi lá aquelas coisas, era apenas um “Oi” seguido de “Me empresta suas anotações de química?”, ou “Me desculpa, não te vi ai.”

 O fone estava tão alto que acabei não ouvindo o sinal, só percebi que havia tocado quando várias pessoas esbarraram em mim nas escadas ao subirem, me levantei e acompanhei a manada de gente até a sala de aula.

 Me sentei na primeira carteira como de costume, a aula não foi muito produtiva, geralmente o primeiro dia serve para conhecer os alunos novos, falar como foi nossas férias e sobre faculdade. Quando deu o sinal para o intervalo, fui até a cantina pegar um suco e me aconcheguei nos degraus, o dia demorou a passar, e eu só conseguia pensar em como queria que tudo aquilo acabasse rápido.

 Assim que a aula acabou, entrei no ônibus e fui para casa, não havia muitas pessoas, eu morava longe da escola, era um bairro desconhecido, mas muito bom. Quando cheguei em casa, vi minha mãe deitada no sofá mexendo no celular, tentei passar por ela sem ser notada, mas falhei miseravelmente.

- Clarice! Senta aqui, me conta tudo, como foi seu primeiro dia? – A empolgação dela me desanimava a maior parte do tempo.

- Foi só mais um dia normal, as mesmas pessoas de sempre, mesmos professores, mesma comida ruim, tudo igual. – Ela já não estava mais prestando tanta atenção, voltara seu foco no seu celular, essa foi a minha deixa para ir para o quarto.

 Taquei a bolsa em um canto, liguei o som, e deitei na cama, não tinha muito que fazer nas terdes depois da aula, geralmente eu passava a maior parte do tempo lendo, deitada ouvindo música, às vezes mandava mensagens pra Laura, minha melhor amiga, ela havia mudado de cidade no sétimo ano, mas não nos permitimos nos afastar.

Eu: Primeiro dia, um saco.

Ela: Aqui está como o de sempre também, estou indo trabalhar, depois nos falamos. Amo você!

 Coloquei o celular em baixo do travesseiro, não havia nada mesmo para fazer, tentei ler, estudar, fiquei atualizando as redes sociais, nada novo, então acabei pegando no sono.

  Acordei com o despertador tocando, eram 05h00 da manhã, me sentei na cama, mais um dia. Tomei banho, vesti uma calça qualquer, uma blusa de frio, e desci para a cozinha, não estava com fome havia dias, então peguei uma torrada e sentei na mesa. Ouvi um barulho estranho vindo da sala, me virei, era a minha mãe, dormira na sala outra vez, eram tempos difíceis para nós duas, não conversávamos muito sobre a morte do meu pai, quer dizer, não literalmente, ele foi embora a uns sete meses, não deixou recado, não disse onde ira, desapareceu, ninguém sabe aonde ele está, provavelmente foi para alguma cidade, encontrou outra mulher e está aproveitando tudo o que pode da sua vida curta.

  O relacionamento dos meus pais não estava bem a muito tempo, mas ninguém admitia isso, não falávamos sobre nossas vidas, só ás deixávamos quietas e tentávamos parecer bem. Era claro que minha mãe não estava bem, dormia no sofá várias noites, não comia, as vezes eu ouvia ela chorando no meio da noite, não sabia muito bem o que fazer em relação a isso, conversar com as pessoas é meu maior problema, não só na escola, mas dessa vez tentei parecer gentil.

  Fui até o sofá, eram 05h15, sentei-me do lado dela.

- Mãe?! Passou a noite aqui outra vez? – Ela deu uma resmungada e abriu um olho, a claridade da sala estava imensa. – Precisa se levantar, já é cedo, alguém tem que sustentar essa casa por mais alguns meses antes de eu começar a trabalhar.

Ok, isso não foi gentil, Clarice.

- Olha, sei que não falamos sobre isso, mas, dane-se, sabe?! O mundo não vai acabar só porque ele foi embora, estamos até melhor sem ele. – Ela se sentou, arrumou o cabelo e me abraçou.

- Sei que esta tentando ajudar, filha. – Ela se levantou. – Quer café?

- Não dá tempo, compro na padaria perto da escola, tenho que ir. Mãe? – Ela me olhou – Nada, tchau mãe.

 Você é uma merda de filha. Nem um “eu te amo” consegue dizer para sua mãe.

  Ao chegar na escola, resolvi andar com a cabeça erguida e observar as pessoas. Não havia sido a melhor ideia do mundo, percebi pela primeira vez todos os olhares mirados em minha direção, coloquei os fones para não ouvir nenhum comentário, os olhares já machucavam de mais. Fui até a escada, mas ao chegar lá, havia um menino sentado, nunca tinha visto ele, mas não o culpo, eu nunca reparo nas pessoas. Ele estava com uma blusa de frio muito maior que ele, usava fones, e mexia no celular.

 Droga, aonde fico agora?

  Não queria me sentar do lado dele, então fiquei encostada na parede alguns centímetros antes do primeiro degrau, peguei o meu celular na bolsa e mandei uma mensagem á Laura.

Eu: Um menino se sentou na minha escada. Mais excluída que nunca. Queria que estivesse aqui. Bom dia, aliás.

Ela: Que merda. Acordei com enxaqueca. Prova de matemática na primeira aula. Merda. Merda. Merda. Bom dia.

  Laura usava muito a palavra merda, era a coisa que mais achava graça nela.

  Não demorou muito para o sinal tocar, subi as escadas, quando cheguei no degrau em que o menino estava sentado, ele se levantou e caminhou do meu lado, olhei para ele algumas vezes, nos separamos ao entrar no corredor para as salas, ele estava a quatro salas atrás da minha, isso significava que eu chegaria primeiro nas escadas no intervalo. Parece meio bobo fazer uma competição mental de “quem chega primeiro nas escadas”, mas aquele lugar era muito importante para mim, sem ele, eu me sentiria mais deslocada que nunca, não saberia aonde ficar, nem o que fazer.

  A primeira aula foi de biologia, a professora passou a maior parte do tempo explicando um novo projeto de trabalho que iria passar para todas as suas turmas.

- Bom, ira funcionar assim, essa sala vai se juntar com outra, e então, vou montar duplas, um aluno daqui com um aluno de lá. – A sala toda resmungou e fez reclamações. – Quando as duplas estiverem formadas irei sortear um tema, e vocês iram fazer um trabalho para me entregar, e outro para apresentar a todas as turmas envolvidas.

 Ela só pode estar de brincadeira com a minha cara. Apresentar para todas as turmas? Ela tem mais de cinco salas nessa escola, e cada sala tem uns 30 alunos.

 Eu queria sair correndo dali e nunca mais voltar, foda-se biologia, não preciso dessa merda na minha vida.

  Finalmente o sinal tocou, peguei as minhas coisas e sai acelerada em direção as escadas, atropelei a maioria das pessoas para me darem passagem. Consegui. A escada era minha. Me sentei, coloquei os fones, e abri meu livro para fingir estar lendo alguma coisa.

  Depois de todos os alunos descerem, olhei para trás, e lá estava ele, a uns três degraus á cima, com fones, e um livro.

Te entendo.

  Confesso que olhei para trás algumas vezes, não sei dizer muito bem o porquê, talvez seja o que temos em comum, fones, livros, escadas, sozinhos. Ele me chamou a atenção, mas eu não iria falar com ele. Meu celular vibrou, era a Laura me ligando.

- Oi, está no intervalo?

- Estou.

- Ótimo. Esse final de semana vou dar uma passadinha aí, meu pai tem que visitar a antiga empresa e pegar alguns papeis, podemos sair, ou ficar na sua casa.

- Laura, você não pode me ligar do nada com uma noticia dessa e falar como se não fosse incrível, faz três anos que não nos vemos, pelo amor, anime-se.

- Me desculpa, estou com muitas coisas na cabeça, Pedro e eu brigamos, minha mãe deu um puta escândalo hoje de manhã por causa de... Na verdade eu nem sei o porquê.

- Tudo bem, está perdoada. Lembra da mensagem que te mandei hoje cedo sobre um menino na minha escada? Ele ainda está aqui, quer dizer, uns degraus para cima.

- Fala com ele.

- Laura, me conheceu hoje? Você sabe que não vou fazer isso. – Olhei para trás novamente, e dessa vez, ele olhou para mim. – Merda. Ele me viu olhando para ele.

- Fala com ele. Tenho que ir, até depois, tchau. – Ela desligou.

  Laura as vezes era bem pior que eu no quesito de ser gentil, mas eu estava costumada, e não esperava muito das pessoas, não esperava nada.

  Faltavam 10 minutos para a próxima aula, resolvi abrir meu Facebook, havia uma solicitação de amizade, estranho.

 Fábio? Quem é Fabio?

  Abri a foto de perfil, estava escura, mas deu para ver o rosto. Era ele, o menino da escada. Como ele havia achado meu perfil? Ninguém da escola me tinha adicionado. Olhei para trás, ele estava lá, olhando para o celular. Fiquei olhando para o perfil dele e pensando se aceitava ou não, olhei para trás mais algumas vezes, e resolvi aceitar. Guardei o celular no bolso da calça, e comecei a ler o meu livro, dessa vez de verdade. Alguns minutos depois, ele vibrou. Era uma mensagem do Fábio.

Ele: Oi, é a menina dá escada, certo?

Eu: Sim, como achou meu perfil?

Ele: Foi fácil.

Olhei para trás, ele estava digitando no celular.

Ele: O que está ouvindo?

  O sinal bateu, bloqueei a tela do celular, coloquei no bolso e subi as escadas passando reto por ele, não o olhei dessa vez, segui meu caminho para a sala, me sentei, e o vi passando no corredor em direção a sua. 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...