História In Memoriam, - Capítulo 5


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 5 - How long you intend to stay?




 

Já percebeu como o destino brinca com as pessoas? O destino é a força poderosa mais otária que eu já presenciei em toda a minha existência. Sou defensora da ideia de que ele é conhecedor de tudo pelo qual vamos passar, em todos os lugares que vamos chegar.

Podemos definir o destino como um vilão a esse ponto, diferente de todos os desenhos que o descrevem como o bonzinho da trama. Assumindo que ele existe, posso olhar para os últimos acontecimentos da minha história e perceber que ele reservou para mim as letras mais confusas que havia guardado em sua mente insana. Pois veja bem, ele permitiu que eu me encantasse pelo ser mais lindo que já habitou esta terra. Me permitiu o embriagar de sua fala, permitiu que toda a minha corrente sanguínea funcionasse de acordo com o toque que ela me fazia. Ele permitiu que nos escolhêssemos, mesmo que os sentimentos fossem confusos e as definições não nos encontrassem.

Ele permitiu que ela esbarrasse no meu coração, por um mero acaso, e ali encontrasse permissão total para toma-lo.

Sou covarde demais para questionar a mim mesma se eu o teria dado, se o pedido fosse feito antes que ele não mais me pertencesse.

Acredito que encontramos as pessoas para que elas nos acrescentem. Seja em suas atitudes ou na falta delas, para nos mostrar, nesse último caso, o que não fazer; como não fazer.

Lauren me mostrou justamente o contrário, me mostrou o que querer, o que sentir, o que arriscar... ela me concedeu meus primeiros desejos, minhas descobertas. Ela resgatou o meu coração sem licença - desconfio que ele sempre a pertenceu. Eu não consigo dizer o que roubei dela, mas definitivamente, não foi o suficiente para faze-la ficar. Eu não fui suficiente.

Não sei quanto ao resto das pessoas, mas sinto que o destino sempre soube onde eu estaria agora.

Onde nós estaríamos agora.

Consigo sentir suas gargalhadas nas minhas costas. Eu já disse que o destino pode ser cruel? A minha mente abriga nesse momento todos os pensamentos que me rondaram nos últimos 5 anos. As perguntas que nunca fiz, mas que sempre estiveram aqui. As lágrimas que persistiam noite após noite. E cada dia acrescentado era um dia a mais sem respostas. E essas perguntas não me levaram a nenhuma conclusão. Só existe uma: ela pouco se fodeu para o que vivemos.

Tudo o que guardo comigo é só fruto de uma paixão adolescente? Não é possível que eu seja tão tola e burra a ponto de ter desenhado uma Lauren perfeita que nunca existiu.

Porque aqui estamos nós, nessa situação grotesca, em que o cara do lado dela não é mais o meu amigo que joga comigo às sextas-feiras, ele é agora o meu marido, pai da filha que ela está segurando nos braços.

Ela é tia da minha filha. Isso soa doentio?

Até onde uma pessoa é capaz de chegar com tamanha cara de pau? Ela era sonsa, mas hoje eu não sei qual palavra cairia melhor em sua definição. Ela não pode, simplesmente, brotar na minha sala como se os últimos 5 anos não existissem. Como se tudo o que ela me fez descobrir naquele acampamento não importasse, não fosse real.

Analisando de forma rápida, pois não posso me demorar, ouso dizer que minha mente projeta uma ficção e que me convenço de que tudo não passou de uma loucura da minha imaginação, e ela simplesmente está voltando de uma longa viagem.  

A realidade é: Lauren Michelle Jauregui Morgado está pisando na minha sala, segurando a minha filha nos braços e eu não sei, de verdade, qual próximo passo vou dar, onde o meu olhar pode ou não ir... Eu não sei o que vou dizer. Eu sequer sei o que pensar, porque a confusão de pensamentos me leva de volta ao passado quando a única coisa que preciso fazer é reagir ao que acontece aqui e agora.

 

Voltamos ao presente.

 

— Surpresa! — o irmão da diaba falou, como se a cena à minha frente precisasse de um locutor para anunciar a tragédia.

Eu não sei descrever o olhar dela. É como se o destino estapeasse a minha cara e ela estivesse do lado dele. Pronto, consegui definir.

— Mama chegará logo. — foi a frase que consegui elaborar. Desci os últimos degraus da escada e meu olhar parecia ter mais controle da situação que eu, pois ele não estava em outro espaço além dos olhos dela.

Indecifráveis.

— Camila. — a voz rouca preencheu a sala. Eu posso apostar que tenha preenchido todo o espaço existente dessa porra de vida.

Eu engoli dez prédios inteiros e minha garganta só não estava mais estraçalhada que a minha vida, à essa altura.

— Lauren. — eu a acusei, meu tom de voz me diz que a acusei. Minhas mãos foram de encontro à Laura e a tirei, com cuidado, dos braços dela.

— Mila, é a maior surpresa dos últimos tempos! Qual é?! — Crhis me olhava, enquanto deslizava uma mala imensa vermelha. Cuidou de acomodá-la no canto de nossa sala, parecia estar em câmera lenta de tão devagar que executou esta ação. Devo pedir desculpas se qualquer comportamento dele não foi relatado aqui, confesso que não o vi antes disso.

Eu o olhei por um momento, mas eu sabia que estava carregando aquela cara de quem tem um mundo de pensamentos nas costas, que ele aprendeu a conhecer tão bem durante esses anos.

É válido acrescentar que ele estava radiante. O sorriso combinava muito bem com o dia feliz de domingo que eu teria se não fosse essa catástrofe pálida bem no meio da minha sala.

— Mama, posso ir buscar os desenhos para a tia Lolo ver? — eu acredito ter expressões faciais suficientes para sobreviver a esse momento, mas receio que a que fiz para Laura não pode ser descrita em detalhes.

— O nome da sua tia é Lauren, Laura. Já conversamos do quanto é feio falar palavras erradas. — eu a repreendi. Estava na hora de agir como a mulher que sou hoje e deixar a abobalhada de 15 anos lá atrás, onde ela pertence nessa história.

— É um apelido carinhoso, Ca...

— É uma palavra errada e estúpida que não pretendo que Laura aprenda. Minha filha, minhas regras.

Chris a olhou como se não entendesse minha falta de educação. Nem mesmo eu a entendo.

— OH... Sinto muito, Lauren. Lidei com você como se conhecesse minha filha, a forma como a tratamos e as regras que essa família possui. Esqueci por um momento que até essa manhã você sequer a conhecia.

Algo me diz que continuo tendo atitudes da garota de 15 anos, apenas o vocabulário mudou.

— Camila. — Crhis me lançou um olhar de reprovação. Não entendo como ele consegue reagir tão bem à pessoa que o abandonou durante os últimos anos.

Ele foi abandonado. Assim como eu. Eu fui abandonada.

Soa como um texto de novela mexicana, eu sei.

Ok, se recomponha.

— É compreensível, Crhis. Ela tem razão, não conheço a rotina de vocês. Desculpe... — Ela declarou envergonhada, mas o olhar indecifrável continuava lá. O ar que ela possui agora não é nada do que conheci antes. Ou eu a desenhei de forma errada na minha mente, ou ela se transformou em alguém que eu desconheço.

Crhis pegou nossa filha de meus braços e a levou para cima, a atitude calada que ele sempre toma para fazer suas vontades. Vai buscar os desenhos e ainda vai fazer ela assinar ”lolozita do colaxaum” se eu duvidar da capacidade que ele tem em me desautorizar na frente de Laura.

— Como você está? — ela me encarou séria.

— O que pretende? — a tratarei como a pessoa que não conheço.

— O que eu te fiz? — seu olhar era de dúvida. Deve ter se formado em artes cénicas no tempo em que esteve na puta que pariu.

— Quanto tempo pretende ficar?

— Você mudou.

— Eu não sei quem você é.

— Essa conversa faz algum sentido pra você?

— Você não faz sentido.

— Estou sendo acusada?

A campainha tocou. A olhei por mais um segundo que pra ela pareceu uma eternidade e me dirigi à porta. Eu ainda tenho poderes por aqui.

— Hija! Que descabelada você está... Não me diga que ainda não começou a fazer o almoço?!

Eu a abracei rapidamente e abri espaço para que ela entrasse, o que ela fez. Papai surgiu logo atrás, as mãos dadas com Sofia.

Quando me virei, mamãe estava olhando Lauren com um sorriso que não consigo entender. O que as pessoas acham que ela é? ELA SUMIU POR CINCO ANOS, QUAL É A PORRA DO PROBLEMA?

— Lauren... — emoção. Só falta minha mãe chorar agora...

Papai me abraçou de lado e já lançava um belo sorriso para Lauren, que a essa altura estava afundada no abraço apertado de dona Sinu e devolvia um sorriso sem dentes para o meu pai. Sofi me olhou como se sentisse vergonha da cena. Eu também sentiria se a confusão não estivesse na minha cabeça.

— Quando você chegou, filha? — ela a puxou para se sentar no sofá da sala. Eu fechei a porta e olhei Crhis descer as escadas com Laura e os benditos desenhos em mãos. Ele sabia que eu o repreenderia mais tarde, e ele sabia que teríamos uma briga sobre a falta de respeito que tem comigo em relação à criação dela.

— Não sei quanto tempo vou ficar, Sinu... mas espero que o suficiente. — ela me encarou, como se a resposta fosse ao questionamento que fiz a ela.

 



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