História In my blood - Shawn Mendes - Capítulo 20


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Categorias Shawn Mendes
Personagens Personagens Originais, Shawn Mendes
Tags Asa Butterfield, Hailee Steinfeld, In My Blood, Romance, Shawn Mendes, Tom Holland
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Palavras 2.136
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Literatura Feminina, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 20 - Seventeen years old



LUARA ADAMS

E nós não choramos porque queremos
Mas você vai assumir que é porque ela é outra garota de 16 anos
Dear Parents - Tate McRae


Dezessete anos, muita coisa em minha cabeça, um pensamento diferente à cada minuto ou o mesmo permanecendo por dias. Não tem como apertar o botão para voltar no tempo, então, eu apenas coloco as mãos em volta de minha cabeça e respiro. Respiro e respiro. E quanto mais eu tento mais o meu cérebro grita: pare! Está me machucando!

Nem sempre dá certo, claro, querer que a mesma técnica dê certo várias vezes é desafiar a gravidade.

Mas eu não tinha maturidade o suficiente para pensar dessa maneira, tinha apenas 17 anos. Então eu esperava, esperava que a idade resolvesse isso.

E advinhem?

Não resolve porra nenhuma! Estou com 23 e ainda tenho que lidar com a ansiedade. Dizem que quando ela realmente te "pega", nunca mais te solta. Ela pode se esconder por alguns tempos. Mas sempre voltará e quando você menos perceber, ela estará te controlando da cabeça aos pés.

Mas, se acalme, pois é "tudo questão da idade, irá passar rapidinho."

Bom, foi o que me contaram neste dia, e apartir deste, eu soube que não havia escapatória para mim.

Olho para o lado avistando mamãe, a mais velha lia sua revista, calmamente. Às vezes eu me pergunto se ela sabe 1% do que se passa na minha cabeça, se ela pede pra Deus para me curar, ou melhor, para "parar de palhaçada".

Claro, os pais nunca entendem. Para eles, os filhos sempre serão inferiores a si mesmos. Quando somos crianças, acreditamos que eles sempre estão certos, que devemos nos espelhar neles e seguir seus passos. E aí, quando crescemos, nós percebemos que, os pais são apenas pessoas comuns. Com erros e falhas. Como a gente. E sempre será dessa maneira.

— Mãe? — agora sou o centro de sua atenção. Seus olhos foscos me encaravam e no mesmo instante, me intimidavam. — O que a senhora acha que o Doutor Yang irá falar dessa vez? — pergunto, me ajeitando na cadeira.

— Você já vem aqui há quatro meses e não sabe o que ele vai fazer, Luara? — duro e firme, abaixo os olhos e brinco com os dedos.

Eu só queria puxar assunto, tudo está lentamente acabando comigo.

Lua Adams. — sorrio ao escutar a voz do doutor e me levanto, entrego o celular pra minha mãe e adentro o consultório.

Pessoal, não se enganem. Eu não "gostava" de ir a terapia, mas, aquele era o único lugar onde eu podia dizer o que penso. Onde eu podia me desabafar sem medo de ser julgada. Sei que vai parecer estranho mas, Harold Yang virou quase um amigo. Eu disse quase.

Luara, antes de começarmos eu...

— Eu tenho muita coisa pra falar com o senhor, eu...eu vi coisas horríveis acontecendo. E não fiz nada. — digo baixo, sim, eu sou um pouco culpada pelo o que aconteceu com Chandler e Goku no banheiro dois dias atrás. Eu vi o ato acontecendo e não tive coragem de intervir. Agi como todos os outros. Cegos. — E, minha mãe está um pouco brava comigo. Ela pensa que eu quero me matar por andar com Peter. Acha que quero ter HIV só por gostar dele. Ela...ela me bateu, ela nunca tinha me batido antes... — sussurro a última frase e levanto a cabeça para analisá-lo.

— Luara... — Doutor Yang encarava um ponto fixo na mesa. sem expressão, o homem retirou os óculos e olhou-me, eu sei qual era aquele olhar. Eu entendo perfeitamente por já ter visto milhares de vezes. Pena. Ele está com pena de mim.

— O que foi? Eu falei demais? Desculpa. É que... — suspiro. — Eu também fiz uma coisa, uma coisa que não me orgulho mas...funcionou. Consegui parar minha crise após isso. Eu estava com medo de que o senhor me internasse ou algo do tipo mas, eu pesquisei e vi que não é assim. — rio. — Eu sou muito boba. — me ajeito na cadeira. — Mas eu acho que isso é uma coisa boa, não? Antes eu mal falava. Você tinha que passar horas tentando arrancar o que queria de mim. Olha agora, estou dando informações de graça para você e sem nenhum esforço da sua parte! — ele não diz nada, não sei se estava prestando atenção em tudo que eu estava dizendo ou se tinha acontecido alguma coisa com ele. Ele nem sequer estava anotando. — Doutor, preciso que me diga o que fazer! — peço.

— Não posso.

— O quê? Mas... é pra isso que fazemos isso aqui, não? — Gesticulo com o dedo indicador entre nós dois e depois o rodeio indicando a sala. — Doutor, eu acho que estou a ponto de desistir. Mas, eu não sei. Sinto que talvez tudo isso não seja o suficiente. — olho o relógio e aperto os olhos com o tic-tac irritante.

— Você está a ponto do quê?

— De... — seu olhar estava diferente, não havia mais acolhimento. — ...o senhor está bem?

— Precisamos conversar. É um assunto um pouco sério. — ele suspira e coça a barba. Assinto e faço sinal para que prossiga. — Eu não posso mais ser o seu psicólogo. — um filme passa em minha cabeça, todo o meu esforço para conseguir confiar nele foi jogado no vaso e dado descarga.

— O quê? — minha voz treme, consigo sentir a cabeça pesar fazendo que tudo ao redor girasse.

— Eu não posso mais ser o seu psicólogo, Luara. E eu sinto muito. — me levanto, cenhos franzidos e lábios alinhados decretaram a minha confusão.

— Você... — ele se levanta e se aproxima, sua expressão de abatido não me preocupa neste momento. — Você me prometeu! Prometeu que eu iria ficar bem! E promessas nunca são quebradas, lembra? — sinto as lágrimas quentes escorrerem pelas minhas bochechas, quando ele se aproxima mais um pouco para tentar me acalmar eu o empurro. — Quatro. — sussurro, encarando o chão.

Você falhou comigo, Doutor Yang! E antes disso, você falhou com si mesmo.

— O quê? — ele umedece os lábios, seus olhos castanhos cinzentos procuravam os meus, uma atitude irrelevante já que os meus estavam perdidos.

— Você disse que eram quatro, quatro estágios. O problema não é que você não pode ser o meu psicólogo, não é? — encaro ele, consigo ver o seu rosto avermelhado pela fresta de cabelo causada pela minha franja caída no rosto. — Você está desistindo de mim. — pauso a fala por alguns segundos antes de continuar, eu estava tentando colocá-la em minha cabeça. Estava tentando me acostumar com o fato de que, apartir de hoje, eu estaria de fato, sozinha. — Você está desistindo de mim porque sabe o que vai acontecer comigo. E não quer ser o culpado por isso.

É sempre assim na vida, um teria que partir, e eu temia que a próxima vez seja para sempre.

— Não é isso... é...

— É o quê então? — dou alguns passos para trás até sentir minhas costas colidirem com a madeira da porta. Minhas lágrimas não cessavam e isso estava me deixando um pouco mais assustada que o normal.

— Eu...

— Desculpa ter sido um caso perdido para o senhor. Me desculpa, de verdade. — giro a maçaneta e apresso os pés para sair correndo, sinto o olhar de mamãe em mim quando passo por ela na sala de espera. Os gritos de Doutor Yang pareceram ecos em minha cabeça.

Eu sinto muito, a todos.

Mas o quarto é o último estágio.

E não há saída, você pode prolongar mas ele nunca sairá da sua cabeça.

Eu não tinha chegado ao quarto ainda, Pessoal. Mas me fizeram acreditar que sim, só que naquele mesmo dia, eu voltei ao consultório por mamãe. Tinha deixado ela sozinha, bom, na verdade eu tinha deixado o meu celular com ela e eu precisava dele para avisar Peter que eu iria a sua casa.

Mas enfim...eu acabei ouvindo o que eu não queria, mas talvez precisava.

Ao chegar na sala de espera não avisto ninguém, apenas a faxineira limpando o chão que, na minha opinião, já estava limpo. Olho ao redor levemente perdida. Se mamãe tivesse saído do prédio eu teria percebido. Ou não, sou muito sonsa.

— Sua mãe entrou no consultório, querida. — a moça da faxina diz, sorrio em agradecimento e me aproximo da porta. Eu ia bater mas recuo a mão quando percebo que é um pouco estranho minha mãe estar ali, conversando com Doutor Yang. Será que ela viu o estado em que eu saí e foi brigar com ele por ter me tratado de um jeito tão peculiar?

Curiosa, encosto a orelha na porta. Não conseguia escutar muita coisa, o som estava um pouco baixo. Até que eles começam a falar mais alto.

— Ela é apenas uma garota dramática, imatura e ingênua. Isso é coisa da idade. Vai passar! — a voz feminina fez meu coração rasgar.

— Ela tem uma doença, eu não posso dizer o que sua filha diz aqui mas, ela precisa muito da minha ajuda. Por quê não me deixa ajudá-la?! — o silêncio ecoa, uma risadinha sem humor é ouvida por mim. — É porque eu sou ateu, não é? Acha que estou corrompendo sua filha. Mas fique sabendo, Luara é forte demais. Ela nunca se deixa ser influenciada. Por ninguém!

Querida mamãe, precisava disso tudo? Eu sei que no fundo a senhora acreditava em mim, então, porquê? Porquê fez isso comigo? Fez isso com a gente. Não dá pra você me moldar, era tarde demais. E é uma pena que a senhora demorou e esperou o pior acontecer para perceber isso.

Essa menina está ficando louca! E eu não vou deixar isso acontecer! Você está fazendo muito mal à ela, está fazendo-a acreditar em coisas que ela não tem! — minha mãe esbraveja, sinto as minhas mãos suarem frio, as coloco no bolso do meu moletom canguru.

— Ah, senhora Adams. Sinto muito por isso.

— Pelo o quê?

— Por você ter a mente tão fechada ao ponto de pensar que uma garota de dezessete anos que não consegue nem se organizar nos próprios sonhos não tem algum tipo de transtorno. — ele dá uma pausa. — Eu sinto muito quando a senhora encontrar sua filha quase roxa por estar sem ar, sem vontade de sair da maldita cama ou quando ela estiver na banheira se sua casa de pulsos cortados por não aguentar o peso de sua mente. — a voz dele está diferente, arrisco dizer que está chorando. — E eu sinto muito por isso, pois, quando a senhora perceber, verá que deveria ter dado a devida atenção. Mas não será mais possível, seria tarde demais. A senhora literalmente está matando sua filha! — escuto passos apressados e corro para o assento mais perto, minhas pernas tremem só por lembrar cada palavra que Doutor Yang disse.

Neste momento, a morte sorriu para mim e depositou um beijo em minha bochecha. E eu gostei do afeto, embora estivesse assustada.

Mamãe sai do escritório, seus olhos encontra os meus. Não há vestígio de nem um pouco de empatia.

— Vamos, Luara. — ela diz, firme.

Me obrigo a levantar e segui-la, olho para trás vendo doutor Yang com o rosto avermelhado, o médico sussurra um "me desculpe" e entra em seu escritório. Olho para frente, sem dizer nenhuma palavra. Eu não tinha coragem de dizer nada a ela. Ela me tinha em suas mãos.

Você disse que eu era louca, imatura, inútil; apenas por não conseguir me estabilizar. Tomar decisões ruins quando estamos quebrados talvez seja inevitável.

Eu não era uma louca romântica, mas sabia como era um coração, e entendia mais do que o suficiente que quando ele está quebrado realmente queima, eu sabia mamãe, bem mais do que a senhora imaginava. Eu não dizia pois nem sempre podemos colocar isso em palavras.

Eu não chorava porquê eu queria, mas a senhora dizia que sim pois, na sua cabeça, eu era só mais uma garota de dezessete anos de idade.

***
Oi Blooders!
Luna na área com mais um capítulo!
Eu fiz uma playlist de IMB no Spotify, o nome é "Blooders🎗"
COM A FITINHA AMARELA
Enfim, esse capítulo diz muito sobre a mãe da Luara.
Não julguem a Claire, não é só ela que é a culpada ali, TODOS os adultos costumam ter a mente fechada para doenças psicológicas.
A cena do doutor Yang me cortou, eu tenho a minha psicóloga e não sei oq faria sem ela.
Divulguem a fanfic para os amigos (principalmente os de mente fechada) vamos abri-las! YAY!
Beijos.






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