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História In my blood - Capítulo 4


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Notas do Autor


Olá, pessoal. Aqui está mais um capítulo dessá minha história. Espero que gostem e comentem. Beijos e Obrigada

Capítulo 4 - Apaixonada


Fanfic / Fanfiction In my blood - Capítulo 4 - Apaixonada

 

 

Angeline estava ansiosa. Nunca tinha marcado um encontro com um rapaz antes e suas mãos suavam de expectativa. Era uma liberdade que nunca tivera. Sair de casa desacompanhada nunca lhe fora permitido, por isso, teria que mentir e enganar se quisesse chegar ao encontro com Peter sem atraso.

O pai dela estava no trabalho e a mãe teria algum chá social naquela tarde, portanto, poderia deixar a casa sem problemas com a ajuda de Selena. Justamente quando estava se arrumando, Emanuelle apareceu e ao vê-la toda vestida ela olhou-a divertida e disse:

- Parece que vai sair prima.

- Sim. – Angeline respondeu simplesmente sem dar maiores detalhes, mas sua prima era esperta e logo disse olhando-a atentamente:

- Vai vê-lo, não é?

- Ver quem? - Angeline tentou se fazer de desentendida, enquanto fingia alisar uma ruga invisível em sua saia de algodão. Se vestira de maneira simples, novamente, pois não queria que Peter soubesse de sua condição social. Sentia-se mal por mentir para ele, mas depois daquele dia não pretendia mais vê-lo, então, não fazia sentido contar-lhe a verdade. Queria apenas desfrutar daquele momento no qual poderia ser alguém diferente do que era, sem ser vigiada constantemente, sem ter a obrigação de representar um papel que não lhe agradava, mas que o lugar que sua família ocupava na sociedade exigia.

- Pensa que me engana, Angeline. Sei que vai se encontrar com o rapaz da festa de ontem. Não adianta negar, eu vi o olhar que trocaram. Mas, não se preocupe, não vou contar para ninguém, eu realmente acho que tem todo o direito de viver um pouco, pois vive tão enclausurada nesta casa, mas, quero lembrá-la que deve ter cuidado e não se apaixone, querida prima, Sabes bem como é preconceituosa a nossa sociedade, e seu pais jamais permitirão um relacionamento fora de seus padrões sociais.

- Quem disse que estou apaixonada, Emanuelle? E não pretendo sentir esse sentimento tão cedo. Quero apenas curtir um pouco de liberdade que como disse, não me é permitida, mas sei bem onde estou pisando, e não pretendo ver Peter de novo, por isso não se preocupe. – Emanuelle olhou para ela com ar de dúvida, mas não disse nada mais sobre o assunto, apenas perguntou:

- Onde marcaram de se encontrar?

- Na floresta dos lilases. - Angeline respondeu.

- Quer que eu te leve até lá? Te pouparia uma caminhada enorme e também não teria que andar sozinha por ai.

- Está bem. Eu aceito. - Angeline disse sorrindo.

E enquanto a carruagem a levava ao encontro de Peter, Angeline se perguntava se devia ter aceitado ir naquele encontro, De repente, aquela não lhe pareceu mais uma boa ideia, e quase pediu para Emanuelle levá-la de volta, mas seu senso de responsabilidade não a deixou fazê-lo. Não deixaria Peter esperando, não era do seu feitio fazer isso. Se encontraria com ele, e acabaria com qualquer esperança que ele pudesse ter a seu respeito. Não podia alimentar aquela história além do permitido, pois Angeline sabia o seu destino. O pai a faria casar com o melhor partido que encontrasse, e embora sua alma se rebelasse contra isso, não teria com ir contra séculos de tradição familiar. Todas as mulheres de sua família se casaram assim, a não ser por uma tia distante que se apaixonara por um plebeu e fora expulsa de casa, e nunca mais ninguém ouviu falar dela. Angeline já tinha se conformado com esse fato, e mesmo que em seu íntimo abominasse a ideia de se deitar com um homem a quem não amava somente por conveniência financeira, ela o faria porque era uma boa filha, e porque não era como Emanuelle que enfrentava qualquer adversidade sem medo.

Angeline tinha muito medo de não corresponder às expectativas de seus pais, de não ser uma boa esposa, de não ser uma boa mãe, e bem no fundo de seu coração um medo novo estava surgindo, e ela o reconhecia agora, minutos antes de ver Peter de novo. Ela tinha medo de se apaixonar. Dissera a Emanuelle que não corria esse risco, mas sabia que não era verdade. Ela se lembrava bem do que sentira nos braços dele na noite do dia anterior quando ele a beijara, e desejava ardentemente que ele o fizesse de novo, mesmo sabendo que não devia. Ela estava encantada por ele de um jeito que deveria estar apenas pelo homem com quem deveria se casar um dia, e sabia muito bem porque tinha aceitado o convite de Peter.

Angeline queria vê-lo pela última vez e sentir de novo as sensações que ele provocara nela com seus olhares quentes e provocantes. Queria ver o sorriso brilhante dele e ouvi-lo cantar só mais uma vez para ela, antes que abandonasse seus sonhos de amor de menina de vez, e se adequasse a realidade de sua vida.

O que não daria para ter nascido em uma família simples, pois assim não estaria se debatendo em incertezas, tendo que representar um papel que não era seu, e iludir um homem que acreditava que ela estava a seu alcance quando na verdade não estava., por isso estava indo à aquele encontro, para se despedir do único homem que lhe causara certa emoção, e depois voltaria a mergulhar em seu mundo onde o amor era o último item de um relacionamento que estaria sempre regado a interesse em primeiro lugar.

A carruagem chegou finalmente ao seu destino, e Angeline se despediu de Emanuelle com um beijo no rosto.

- Obrigada prima, por me trazer até aqui.

- Por nada, querida. Divirta-se. Mas tenha juízo. - Emanuelle disse com certa malicia, mas no fundo estava preocupada em deixar Angeline ali sozinha a própria sorte. Ela era tão jovem e inocente, e tinha a cabeça cheia de sonhos que não faziam bem nenhum no mundo ao qual ela pertencia. Infelizmente a sociedade tinha regras idiotas que pessoas da nobreza como Angeline tinham que seguir ou seriam excluídas, e isso seria uma tragédia aos pais da garota que apenas se importavam com as aparências. Era uma pena que Angeline não tivesse pais como Emanuelle que a apoiariam em qualquer situação, pois se fosse assim, a menina estaria livre e protegida de qualquer mal, mas infelizmente o sol não brilhava para todos, e era necessário dançar conforme a música, por isso, Angeline jamais poderia viver um amor verdadeiro e livre dos preconceitos da sociedade.

Emanuelle não acreditava em casamento por aparências, e seus pais também não, e quando chegasse a sua hora ela sabia que poderia escolher o marido que quisesse, e seus pais lhe dariam sua benção, mas Angeline teria que casar com um homem escolhido por seus pais, e Emanuelle tinha certeza que ela estava condenada a ser infeliz pelo resto da vida, por essa razão, seu coração doía por ela, mas, não podia fazer nada para ajudá-la a fugir de seu triste destino.

Após a partida de sua prima, Angeline caminhou por alguns minutos, e foi então que viu Peter parado perto de um canteiro cheio de lilases, ele parecia tão entretido olhando para as flores que não notou a chegada de Angeline imediatamente, mas, de repente ele se virou, e seus lábios se abriram em um sorriso encantador quando viu que finalmente ela estava ali, e o coração da menina falhou uma batida ao constatar o quanto ele era mais bonito ainda com os raios de sol refletidos e seus cabelos claros e cacheados.

- Pensei que não viria. Você demorou a chegar. - ele disse enquanto se aproximava dela devagar, fazendo com que a garota percebesse coisas sobre ele que não tinha notado na noite anterior. Os olhos castanhos dele que ela pensara ser da cor de chocolate, naquele instante estavam tão claros que poderia facilmente ser confundidos com verde, os lábios além de carnudos eram de um vermelho vivo, e ele parecia muito mais alto do que ela se lembrava.

- Desculpe-me. Eu me atrasei para sair de casa, mas aqui estou eu. - Angeline disse alegremente, tentando disfarçar sua respiração que se tornara rápida demais, ao mesmo tempo em que seu coração dava piruetas sem que ela pudesse controlá-lo. O que estava acontecendo com ela? Não deveria se sentir assim com Peter.

- Sim, aqui está você, e é mais linda do que eu me recordava. - a voz dele era suave quando disse isso, mas Angeline se sentiu ruborizar. Jamais recebera elogios tão diretos assim, e quando ele estendeu a mão, pegando a sua e levando-a aos lábios, seu rubor se tornou mais intenso ainda. Não queria que ele pensasse que ela era uma menininha tímida, mas isso era exatamente o que ela era, e desejou ardentemente ser como Emanuelle, tão segura de si e cheia de autoconfiança. Angeline não queria que Peter olhasse para ela como uma garota comum, mas sim como uma mulher atraente e sedutora. Deus! O que estava pensando? Perdera totalmente o decoro. Uma dama nunca deveria pensar assim, e nem ter esse tipo de pensamento a respeito de um homem, era vergonhoso demais. Mas, mesmo sabendo de tudo isso, ela não conseguia parar de pensar no quanto ela desejava conhecer o homem parado ali na sua frente, mas sabia que não era possível, porque isso nunca lhe seria permitido.

- Obrigada. - ela disse, sem saber exatamente como se portar. Nunca ficara sozinha com um homem antes, e tinha plena consciência de sua falta de experiência naquele assunto.

- Gostaria de me ouvir tocar? - ele perguntou percebendo seu desconforto, e tentando fazer Angeline ficar mais à vontade. Ela parecia nervosa demais, e Peter não queria que ela se sentisse assim. Queria que Angeline conversasse com ele exatamente como o fizera na noite anterior, e não entendia seu comportamento, pois ela parecera tão descontraída na festa da vila. Mas, então, ele se lembrou de seu pai lhe dizendo que o coração de uma mulher era um território inconstante, e que um homem deveria ser sábio para ler nas entrelinhas o que a mulher que ele amava desejava. Mas, ele não amava Angeline, Peter pensou, ou será que já amava? A maneira como seu coração disparava ao vê-la lhe sugeria outra coisa, mas, como ele poderia amá-la se mal a conhecia? Entretanto, havia algo dentro dele que lhe dizia que aquela garota que o olhava com seus olhos verdes maravilhosos não era apenas uma garota que ele conhecera em uma festa, e depois seria esquecida, assim que aquele encontro acabasse. Peter tinha a nítida impressão que dali em diante Angeline passaria a ocupar um papel muito importante em sua vida, mas, ele ainda não sabia qual.

- Eu adoraria ouvi-lo tocar. - ela respondeu parecendo agir um pouco mais naturalmente.

- Então, sente-se comigo aqui. – ele disse, apontando para uma toalha que ele estendera no chão na qual havia uma cesta de piquenique.

Mais uma vez Angeline se recriminou. Ela não trouxera nada como lanche para aquele encontro, e vendo a cesta caprichosamente preparada que Peter trouxera, ela reconheceu que sequer pensara nisso, pois ela estava acostumada a ser servida e não a servir, e era claro que nunca se lembraria de algo assim.

Ele começou a cantar, e como na noite anterior ela se sentia tocada por aquela voz. A maneira como ele pronunciava as palavras a deixavam inquieta, pois quando o som passava por sua garganta, Angeline via o olhar de Peter sobre ela, e assim sentia como se ele estivesse cantando somente para ela, como se se declarasse de um jeito sincero e puro. Angeline sentiu seu coração também cantar para ele, se entregando completamente sem qualquer aviso ou protesto, e ela levou a mão ao lado esquerdo do seu peito, tentando buscar calma e compreender a confusão que se instalara ali. Não queria sentir nada por Peter, não podia sentir nada por ele. Tinha que se proteger daquele sentimento estranho que não reconhecia. Tinha que parar de sentir aquela energia invisível que a empurrava para ele, e que seu lugar era exatamente ali junto dele. Mas, algo lhe dizia que já era tarde, que já estava envolvida demais para fugir. Esse pensamento a fez se levantar apressada, sentindo que precisava sair dali ou estaria seriamente enrascada.

Peter parou de cantar no mesmo instante em que viu Angeline com o olhar assustado, parecendo um animalzinho perdido na floresta. Ele também se levantou e chegou perto dela, e a menina se afastou colocando certa distância entre os dois.

- Preciso ir. -  ela disse, e Peter sentiu uma pancada em seu coração, não querendo que ela fosse. Sonhara com Angeline a noite toda, e agora que ela estava ali não podia deixar que partisse assim.

- Você acabou de chegar, nem provou ainda das delícias da cozinha de minha mãe. – Peter fosse com um sorriso, e Angeline se viu completamente sem ação. Peter era charmoso, e apesar de sua pouca idade e experiência em encontros assim, ela sabia distinguir quando um homem tinha um poder de sedução latente, e Peter tinha isso de sobra, apesar de não usar esse artifício conscientemente. Era algo natural que vinha dele, assim como muitas outras coisas que já gostava nele.

- Por favor, fique.  – Ele disse estendendo lhe a mão.  Angeline olhou para Ele dividida entre as batidas de seu coração que imploravam para que ficasse, e a voz em sua cabeça que dizia que deveria sair dali imediatamente. Ela mergulhou mais fundo naqueles olhos e se sentiu navegar em um oceano calmo e tranquilo que a levava cada vez mais longe em uma aventura secreta e íntima partilhada apenas por ela e o rapaz a sua frente que lhe inspirava tanta confiança. Então se rendeu ao inevitável, ignorando o alerta em sua cabeça que lhe pedia que tomasse cuidado, ela deu um passo em direção ao rapaz, pegando na mão que lhe estendia, e quando ele a trouxe para mais perto dele, Angeline soube naquele instante que já estava perdida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado. beijos.


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