1. Spirit Fanfics >
  2. In My Fellings (Buckynat) >
  3. Who's free-er than me?

História In My Fellings (Buckynat) - Capítulo 1


Escrita por:


Capítulo 1 - Who's free-er than me?


 Eu nunca serei capaz de descrever quão livre me sinto aqui, girando neste poste de aço; por mais que eu esteja usando um body de vinil, meia arrastão e um salto tão longo quanto meu dedo. É a única coisa boa aqui no Red Room —uma das casas noturnas mais frequentadas de Manhattan. O ruim… bem, é todo o resto: pessoas me vendo como um pedaço de carne fresca; achando que, por estarem neste lugar, tem direito de me tocarem sem minha permissão. Ter que fazer programa com desconhecidos definitivamente é a pior parte —mesmo que eu tivesse a “liberdade” de escolher a pessoa, graças aos meus anos de serviço aqui. Mas em troca eu teria que trabalhar pelo menos duas vezes por noite. Um privilégio mesmo.

 Muitas vezes chorei enquanto gozava, mesmo fazendo um bom dinheiro. Nenhum valor pago superaria a humilhação que eu sentia. 

Hoje estava sendo uma noite tranquila: sem muito movimento e o total de 2 assédios até agora. 

Eu tinha a obrigação de ficar andando pelo estabelecimento, então cumpri meu serviço. Muitos homens me abordavam, mas nenhum parecia interessante o suficiente —o que era preocupante, caso contrário eu acabaria criando dívida com os chefes.

 Até um moreno me chamar com um assobio e um gesto com a mão.

Ele tinha cabelo castanho que ia até o queixo e vestia uma jaqueta de couro que lhe caia muito bem. Também estava acompanhado de mais dois homens —que olhavam bem desinteressados para o ambiente. 

—Boa noite, senhor. —usei a voz meiga e educada que se deve usar com os clientes (pelo menos com a maioria)— Deseja algo? 

—Acho que sim. —ele tinha um sorriso travesso. Algo que vejo com frequência— Gostaria de mais uma dose de whiskey. 

—Me desculpe, senhor, não sou garçonete. Mas posso chamar uma, se quiser. —era importante também manter uma postura impecável. 

—Não, não precisa se incomodar. —pegou o copo do loiro, que estava junto à ele na mesa, e lhe direcionou uma piscadela, para em seguida virar o conteúdo todo de uma vez— O que você pode me oferecer então? 

—No seu caso? —sorri. Meus lábios muito bem pintados de vermelho chamando sua atenção— Muitas coisas.

—Ok, já deu pra mim e acho que para o Steve também. —o menor ali presente se pronunciou, tirando algumas notas da carteira e deixando sobre a mesa— Eu não vou ficar vendo você flertando a noite toda. 

 —Tenho que concordar com o Tony. —o loiro deu de ombros, se levantando junto com o parceiro— Te amo, mas tudo tem limite.

—Boa noite, Barnes. —o moreno disse, puxando o loiro pela mão.

—Juízo, hein. —o mais alto disse, antes de passar pela porta e ir embora.

Continuei ali parada, vendo a cena sem esboçar nenhuma reação, mantendo minha postura que está em prática a anos.

—Desculpa pelo… —passou a mão pelo cabelo enquanto fechava os olhos— nem eu sei o que foi isso. Me desculpe. —ele riu. Ele tinha um sorriso bonito. Talvez o mais lindo que eu já tenha visto, não tenho certeza— Onde estávamos mesmo?

—Eu estive bem aqui esse tempo todo. —-respondi. 

Uma risada. Parecia ser sincera. E era gostosa de ouvir, fazia cócegas, me fazia ter vontade de rir junto, mas me contentei em sorrir.

—Por favor, sente-se. —apontou para a cadeira de frente para ele. 

—Creio que isso não seja uma boa ideia. —por algum motivo hesitei em falar isso a ele. 

 —Por que não? —franziu a sobrancelha.

—Me desculpe ser invasiva, senhor, mas é a sua primeira vez em uma casa noturna?

—Definitivamente não. —sorriu torto.

—Então já deveria estar habituado ao tipo de mulher que sou.

—Que tipo de mulher você é?

—A que vai direto ao ponto quando necessário. —eu não sei o porquê, mas senti certa dificuldade em dizer aquilo para ele. Apenas suspirei e me apoiei na mesa para olhá-lo mais de perto—  Você é bonitinho, parece engraçadinho, mas tudo aqui funciona na base do dinheiro. Quer conversar? Pague. Quer sexo? Pague. É assim que esse mundinho aqui gira. Então, o que deseja? 

 —Certo. —suspirou e se levantou, tirando a carteira do bolso da calça— Vamos para um lugar reservado

—Não é a mim que o senhor paga, é àquele homem. —apontei para mesa onde o chefe ficava— Diga a ele que você é um dos V.I.P’s da Viúva Negra e ele será legal com você. 

—V.I.P’s? —perguntou com uma sobrancelha erguida.

—Gostei do senhor. —dei de costas para o homem e segui o mesmo caminho de sempre— Te espero no quarto 29.

A música que tocava na casa soava abafada daqui, mas ainda era alta o suficiente para me fazer dançar pelo quarto enquanto o homem não chegava. Eu mexia os quadris lentamente, no mesmo ritmo da música, enquanto passava a mão pelo meu corpo. De olhos fechados parecia que eu estava em casa, o que me tranquilizava um pouco. Mas não era como se eu estivesse nervosa, longe disso, já me acostumei com tudo isso.

Voltei a abrir os olhos quando a música parou e me virei para esperar sentada na poltrona que havia no quarto, mas para minha surpresa, esta já estava ocupada.

 —Por que ficou aí parado? —perguntei, andando em sua direção. 

—Não queria atrapalhar seu momento. —deu de ombros— Foi uma ótima apresentação, por sinal.

 —Eu posso fazer de novo, se quiser. —coloquei uma perna de cada lado de seu corpo e me apoiei na poltrona, inclinando meu corpo para que meus seios ficassem na altura de seu rosto— Na verdade, posso fazer o que o senhor quiser, o senhor é quem manda. 

 Sempre são vocês.

Ele apenas me puxou para sentar em seu colo e logo entendi o que ele queria, então comecei a rebolar no ritmo da música que tocava ao fundo. O homem passava uma mão pela minha coxa e com a outra apertava minha bunda, me puxando mais para perto de si. Ele esfregava a barba pelo meu pescoço, o que me fez soltar um sincero e raro gemido. Ele estava prestes a me morder quando o puxei pelo cabelo da nuca (marca de mordida e chupão são um saco para esconder) e o beijei. O beijei com vontade, outro momento raro e sincero. 

Quando uma de suas mãos subiu para o meu seio e o apertou, tudo pareceu funcionar no automático. Tudo iria se repetir de novo e de novo. Seria mais uma noite comum de trabalho. 

Eu sabia de cor o que fazer, era sempre a mesma coisa e na mesma ordem: eu fingia um gemido, me ajoelhava entre as pernas da pessoa, fazia o meu melhor oral, mais um gemido falso, pegava uma camisinha em algum lugar do quarto e colocava, tirava parte da minha roupa, deitava na cama e passava a mão pelo meu corpo, a pessoa vinha e fazia o que quisesse —dentro de alguns limites, mas não eram muitos.

Ele queria que eu cavalgasse nele. Ok. Com os movimentos certos tudo acabaria rápido. Tudo acabaria rápido. Aquilo acabaria rápido. Só mais um pouco e estarei livre. “Livre”. Livre… quase não me lembro o significado dessa palavra. 

 —Ei. —o homem me segurou pela cintura e me fez parar— Por que está chorando?

—Não estou chorando. —murmurei, enterrando minha cabeça em seu pescoço afim de disfarçar— Vamos continuar, huh? —depositei um beijo e voltei a me movimentar.

—Olhe para mim. —apertou de leve a minha cintura.

—Querido, vamos… —rebolei e fingi um gemido.

—Olhe para mim. —pediu com uma voz mais dura— Você disse que eu mando, estou mandando que olhe para mim. 

Merda… Soltei um suspiro e olhei para qualquer canto do seu rosto que não fosse os olhos. 

—Ei… —sussurrou, recolhendo minhas lágrimas com o dedão— O que houve? Te machuquei?

Quase ri.

—Não. —sorri (ou quase isso)— Eu estou ótima. Por favor, vamos terminar.

—Já entendi tudo. —murmurou e me tirou de seu colo, me sentando na cama, de frente para ele— Você não quer continuar isso, você quer terminar. Acertei?

Apenas assenti com a cabeça. Eu não devia ter feito isso, mas minha mente estava a mil para perceber o erro que cometi.

—Quer que eu vá embora? —perguntou— Se me perguntarem algo eu digo que tudo correu bem. 

—Por que? —sussurrei.

—Para te encobrir, ora. Vai que eles-

—Não isso. —finalmente o encarei nos olhos— Por que está sendo gentil?

—É o mínimo que devo fazer diante de uma situação dessa, não é?

Dei de ombros.

—Não faço a menor ideia.

—Ah, nossa… —coçou a nuca e suspirou— Tem algo que eu possa fazer? 

—Se você for capaz de realizar milagres, sim.        

—Infelizmente ou felizmente, não sou capaz de tal proeza. —o homem se levantou para pegar as próprias roupas que estavam espalhadas pelo chão e se vestir— Mas deve ter algo que eu possa fazer.

—O que você quer? —perguntei, arrumando minha roupa— Ninguém faz nada sem pedir algo em troca.

—Então prazer, sou “ninguém”. —terminou de se arrumar e sentou na poltrona— Eu só imagino que não deve ser nem um pouco agradável trabalhar com isso. Prova disso foi o que acabou de acontecer. E se eu tiver, mesmo que mínima, alguma chance de te ajudar, eu o farei.

—Por que você quer me ajudar? Por que está fazendo isso? —balancei a cabeça, achando que isso, de alguma forma, irá me ajudar a organizar os pensamentos— Eu não entendo. 

—Acredita em destino? —neguei com a cabeça em resposta— Pois eu acredito. E acho que não nos encontramos a toa.

Continuei o encarando para encorajá-lo a continuar, pois não estava entendendo o rumo daquela conversa.

—Você quer sair daqui? Largar esse emprego? 

—Pensei que fosse óbvio.

—E por quê continua aqui? —franziu a sobrancelha.

—É complicado arrumar um emprego comum com um histórico como o meu. E também não fácil sair dessa vida, geralmente não é você quem decide se vai embora ou não. —dei de ombros. Não iria falar mais que isso para um estranho.

—Ok. —com um suspiro profundo, o homem se levantou e caminhou até mim— Quero te ajudar a sair daqui e a arrumar um novo emprego.

Apenas sorri para ele. 

—Sua inocência chega a ser fofa.

—É sério. —insistiu.

—Claro que vou acreditar e confiar em um cara que pagou por mim.. —revirei os olhos e voltei a deitar na cama.

—Só paguei porque você me extorquiu. —deitou-se ao meu lado na cama também.

—É um dos meus muitos talentos. —sorri torto e dei de ombros.

—Tenho certeza. 

Alguns minutos de silêncio (ou quase isso, já que a batida da música nunca parava) se passaram, mas era um silêncio confortável. Apenas foi interrompido quando o homem segurou meu queixo e me fez olhar em sua direção para dizer:

—Eu quero te ajudar. —murmurou— Não, não sei porquê, eu só sinto que é o que devo fazer. E, para isso, preciso que você acredite e confie em mim.

—Eu nem sei seu nome. Como você me pede algo assim? —franzi o cenho.

—James. Mas todos me chamam de Bucky. —deu mais um daquele sorriso fofo e contagiante— Posso saber o seu?

—Viúva Negra. 

—Ok, sem nomes. —levantou e caminhou em direção a porta— Então, você topa?

O analisei com uma sobrancelha erguida. Seus nós dos dedos estavam brancos por apertar a maçaneta —em expectativa pela minha resposta, acho.

—Tanto faz. —dei de ombros, caminhando até o criado mudo e pegando um cigarro para acender.

—Te vejo por aí?

—Conto com isso. —me joguei na cama novamente, dando uma forte tragada no cigarro em seguida.

—Até, Viúva Negra. —disse ao abrir a porta. O sorriso fofo e contagiante ali novamente.

—Até, Senhor James. 

E então ele se foi.

Eu caminhava de volta para casa e fumava. Foi uma noite estranha, isso posso afirmar. 

Uma das coisas que aprendi durante estes anos é que ninguém faz nada sem uma segunda intenção por trás. Então, o que o James queria? Ninguém nunca se importou em me ver chorando, ninguém nunca me ofereceu ajuda, por quê ele faria isso? São muitas perguntas sem respostas e, após mais um dia cansativo, eu só queria tomar um banho e dormir para ter o mínimo de paz que minha vida me permitia. 

E eu o fiz. Ou tentei, pelo menos.

 


Notas Finais


Bem, esse foi o primeiro capítulo, espero sinceramente que tenham gostado. Se quiserem mais histórias, aus ou simplesmente conversar e dar sua opinião é s[o me chamar no twitter: @mischieflana


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...