História In My Heart - Capítulo 60


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Categorias Orange Is the New Black
Personagens Alex Vause, Personagens Originais, Piper Chapman
Tags Alex Vause, Piper Chapman, Vauseman
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Palavras 6.880
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


E chega ao fim a trilogia do "Ah!". Peguem os kits, por favor (não, não matei ninguém, ta bom?)

Capítulo em comemoração a indicação do meu bebê, Yvonne Strahovski, ao Emmy. A gente coloca a criança no mundo e quando vê ta lá ela sendo indicada a uma premiação que eu tanto sonhei que ela fosse. Não podia ta mais orgulhosa a minha cria :')

Ótima leitura!

Capítulo 60 - Ah! As músicas...


É pra você

Que eu mando flores todas as manhãs, viu

É você

Que faz meu coração bater a mais de mil

Já não sei o que mais eu faço pra te conquistar

Se liga, vem depressa, aqui é o seu lugar

Nesse coração que só quer te amar

- Aqui é o seu lugar (Tomate)

O celular tocava incansavelmente em cima do short jeans que estava jogado no chão ao lado da cama. Rachel acordou um pouco irritada e bastante desnorteada por causa daquele barulho irritante.

O barulho irritante do toque do seu celular, ela recordou-se disso após alguns segundos desejando que aquele aparelho explodisse.

Imediatamente ela abriu os olhos, dando-se conta de que o quarto que estava não era o da sua casa. Ela revirou a cama atrás do celular e, ao olhar debaixo do edredom, se deu conta de que estava trajando somente uma blusa e calcinha. Como? Ela não fazia a mínima ideia. Não tinha amnesia alcoólica, mas normalmente só se recordava das coisas depois de uma noite de bebedeira após tomar duas xícaras de café bem forte, antes disso vivia só de pequenos flashs que não ajudavam de absolutamente nada.

Achou o celular ao lado da cama, em cima do seu short jeans. Demorou mais alguns segundos para pegar o aparelho por ter paralisado por ver que ao lado do seu short estava o vestido florido que Laurel usou no dia anterior. Tentou não ter pensamentos precipitados sobre o que poderia ter acontecido ali, mas os pequenos fatos não estavam muito ao seu favor. Pegou o celular em cima do short, deparando-se com seis ligações perdidas de Alex. Rachel jogou o celular do seu lado da cama e levou as duas mãos até o rosto. O que ela havia feito?

- Bom dia! – Laurel saiu do banheiro, toda animada, vestindo somente um roupão. – Espero que tenha dormido bem.

- Bom... – Rachel passou a mão na nuca, sem saber onde enfiar a cara (ou o corpo inteiro) de tanta vergonha por causa da pergunta que teria que fazer. – Eu dormir, mas antes de dormir, nós...? – Laurel franziu o cenho, aguardando que Rachel prosseguisse. – Nós... – gesticulou intercalando o indicador entre si mesma e Laurel. A arquiteta levou a cabeça um pouco mais para a frente, como se o gesto ajudasse Rachel a dizer o que queria. – Nós dormimos juntas?

- Claro que dormimos! – afirmou Laurel quase causando um ataque cardíaco em Rachel. – O quarto só tem uma cama, então...

- Não... Eu estou querendo dizer... Nós... – Rachel grunhiu de raiva por não conseguir formular uma frase decente. – Nós transamos?

- O que? – Laurel riu. – Quem me dera. – Rachel a encarou com repreensão. – Não aconteceu nada demais, eu juro. – ela se sentou na poltrona ao lado da cama. – Você estava muito bêbada para voltar sozinha para casa e eu não seu onde você mora, então... – ergueu os braços. – E você bêbada parece muito mais consciente do que sã. Nunca iria conseguir transar com você daquele jeito. Não que eu tenha tentado. – ergueu as mãos em forma de redenção. – Vamos descer para tomar café da manhã? Acho que aqui deve ter um chocolate-quente bom.

- Não posso. – Rachel levantou da cama, pegando seu short jeans do chão. – Tenho um almoço daqui duas horas, - explicava enquanto vestia o short. - eu preciso... – começou a revirar a cama atrás o celular.

- Vou embora só no fim da semana que vem, então podemos sair para jantar.

- Eu não acho que seja uma boa ideia.

- Você prefere café da tarde ao jantar? Que tipo de estranha você é?

- Não acho que seja uma boa ideia nós nos vermos mais. Isso... – disse Rachel. Laurel jogou todo o seu peso na poltrona, surpresa em ouvir aquilo e um pouco chateada também. – Eu sou noiva.

- Eu sei. Eu estava lá quando descobri sobre isso.

- Me desculpa, eu deveria mesmo ter dito antes, mas eu...

- Você sente o mesmo que eu. – afirmou Laurel tranquilamente. – Se não sentisse não estaria fugindo.

- Eu não estou fugindo! E isso é loucura! Nós nos conhecemos ao o que? Cinco dias? Isso... – balançou a cabeça em negativo. – E você mesma disse que vai embora semana que vem, então isso é o melhor...

- Você sabe que amor à primeira vista é exagero, mas paixão a primeira vista existe, certo?

- Eu não sei de nada. – Rachel abriu a porta. – Obrigada por ter me deixado passar a noite aqui. – Laurel somente assentiu com a cabeça, chateada. – Me desculpa. – deixou o quarto, fechando a porta atrás de si.

Se Rachel tivesse consciência do quão debochado o universo estava ultimamente não teria se surpreendido ao encontrar Piper e Jess no corredor no instante que saiu do quarto. Estava constrangida o suficiente, então por que não esbarrar com a ex-noiva da sua noiva mais a melhor amiga dela, não é mesmo?

- Eu não... – ela apontou para a porta do quarto que acabara de sair. – Nós não... Sim, nós dormimos juntas, mas nós não...

- Nós não temos nada a ver com a sua vida. – as melhores amigas falaram juntas.

Rachel passou feito um furacão pelas duas. Não ia aguentar mais nenhum segundo de constrangimento. Nunca mais iria beber em sua vida. Estava decidido.

- Pergunta: A Rachel é uma péssima mentirosa, vocês transaram e ela terminou tudo isso que nem começou ou ela falou a verdade, vocês não transaram, mas mesmo assim ela terminou tudo isso que nem começou? – indagou Piper no instante que entrou no quarto.

- Ela disse a verdade. Nós não transamos e ela terminou tudo isso que nem começou. – Laurel respondeu sem nenhum pouco de ânimo, ainda esparramada na poltrona. – Como você sabe?

- Deu para perceber pela sua cara de quem levou um pé na bunda. – respondeu Piper tranquilamente. – O que aconteceu?

- Ela está noiva. – fez uma careta no final da frase. – O que você está esperando para voltar com a Alex? Essa separação de vocês está arruinando minha volta ao amor.

- Ah me desculpa! – disse Piper com ironia. - Prometo resolver hoje mesmo isso, mas só depois que eu dizer para todas as pessoas com quem eu transei o quanto elas foram importantes na minha vida. – completou, carregada de sarcasmo.

- Você é uma amiga horrível.

- Eu sei! Será que podemos descer para tomar café agora?

***

- Onde você estava? – Alex perguntou com um pouco de aborrecimento assim que Rachel entrou em casa. – Eu te liguei várias vezes. Estava morrendo de preocupação.

- Me desculpa! Bebi um pouco demais, então passei a noite com a Laurel.

- Passou a noite com a Laurel? – Alex franziu o cenho, incomodada com o rumo daquela conversa. – A Laurel que estava na festa ontem? – Rachel assentiu como se não fosse nada demais. Nem parecia que teve uma das piores manhãs de sua vida. – Ah não! Ela quer transar com todas as mulheres que eu namorei agora?

- Do que você está falando, Alex?

- Piper e Laurel costumavam transar.

Isso Laurel havia esquecido de contar. Por um lado, merecia por ter escondido que era noiva, por outro, merecia pelo menos um aviso, pois não tinha tanta certeza se estava disfarçando bem para não parecer surpresa com aquela informação.

- Não aconteceu nada demais. – deu de costas para Alex, caminhando até o corredor que dava para os quartos. – Ela é muito legal, aliás.

- Ela deve ser legal mesmo com todas as mulheres que ela quer transar. – disse Alex, entrando atrás de Rachel no quarto. - Não duvido. – completou com sarcasmo.

- Já acabou? – virou para Alex com os braços cruzados.

- Quando você vai me desculpar? Eu e a Piper conversamos. Não tem mais nada pendente. Será que podemos voltar para o dia em que ontem não aconteceu?

- Para o dia que você estava escondendo as coisas de mim?

- Não foi isso que eu quis dizer... – Alex soltou um suspiro, vencida. – Me desculpa, Rach. Eu não quis...

- Preciso me arrumar. – Rachel caminhou até o banheiro. – Não quero me atrasar para o almoço da sua avó.

Alex sentou na beirada da cama assim que ouviu a porta do banheiro abrir. O que estava acontecendo?

***

- O que fazer em uma cidade que não tem absolutamente nada para fazer em um domingo? – indagou Piper retoricamente.

- E tem alguma coisa para fazer aqui em outro dia da semana? – questionou Jess. – Pensei que a Laurel estava construindo o parque para os moradores terem um lugar para ir.

- Ninguém entende mesmo o trabalho que eu faço. – Laurel balançou a cabeça em negativo, inconformada.

O celular de Piper tocou.

- Chapman da Lane. – atendeu.

- Piper, eu preciso de você. – disse Flaca do outro lado da linha.

- Eu costumava ouvir muito isso quando não me apaixonava, agora a única coisa que eu ouço são os pedaços do meu coração caindo no chão.

- Preciso de você de volta em Nova York. – Flaca resolveu ignorar o comentário, caso contrário engatariam em uma conversa que terminaria na sugestão de um estudo para acabar com a paixão. – Nós temos coisas para resolver.

- O que é? Pensei que não teríamos nada para resolver até a próxima semana. Eu estou no meio de uma matéria, não posso voltar agora.

- Pensei que você tinha aceitado o cargo de editora para isso não acontecer.

- Ninguém me respeita mais naquele jornal. – fez um barulho com a boca. – Não tem como adiar?

- Infelizmente não. Você precisa voltar. Não posso fazer isso sem você.

- Também ouvia muito isso quando não me apaixonava. – divagou, sorrindo de forma maliciosa. Flaca nada disse. – Está mal-humorada hoje, hein? – revirou os olhos. - Já retorno. – desligou o celular. – Preciso voltar para Nova York.

- Eu também. – respondeu Jess simplesmente.

- Eu preciso que você fique em Nepal para eu poder voltar para Nova York.

- Tenho mais o que fazer. – Jess tomou um gole de seu café, fazendo pouco caso do que a melhor amiga estava dizendo. Não aguentava mais ter aquela discussão.

- Jess, por favor! Eu preciso resolver algumas coisas com a Flaca.

- Resolver... – Jess quase derrubou a xicara de café em cima da mesa por causa da forma abrupta que a devolveu para o pires. – O que você tem para resolver com a Flaca? Piper...

- Não é nada disso! – Piper tratou de esclarecer. – Meu coração está bem. Isso não tem nada a ver com a minha saúde.

- Tem a ver com o que, então?

- Não posso dizer. – Jess a encarou com repreensão. – É sério. Ainda não posso dizer, mas eu preciso voltar para Nova York, caso contrário não terei nada a dizer mesmo.

- Por que minha mãe foi me esquecer naquele parque? – Jess soltou um longo suspiro, vencida.

- Quando você fala assim parece até que não seríamos colegas de trabalho caso nos conhecêssemos no New York Times. – Jess a encarou com a cabeça inclinada com uma expressão de “bom...”. – Vai se foder! – Jess riu. - Então? Nós duas podemos assinar. A volta de Lane e Chapman.

- Você só está voltando porque foi obrigada.

Piper deu de ombros.

- Isso não deixa de ser uma volta. – disse ela. – Por favor.

- Chapman e Lane terão que voltar em outros trabalhos também. Se vou ficar andando para cima e para baixo com a Laurel, você vai ter que terminar algumas coisas que eu tenho pendente.

- Fechado! – ergueu a mão, selando aquele acordo com um high-five entre ela e Jess.

- Eu não tenho opinião sobre isso? – perguntou Laurel.

- Não era para nenhuma de nós duas estarmos aqui se aquela exibida não tivesse ficado no Brasil por mais alguns dias, então não. – Piper encerrou a frase com um sorrisinho cínico.

***

Certa vez, em meio de suas orações, um garotinho perguntou para Deus por que as pessoas tinham dificuldade em serem felizes. Ele não conseguia entender o motivo de todas as pessoas ao seu redor serem as próprias responsáveis de colocar as pedras no caminho.

As pessoas não sabiam resolver os problemas simples, ou se sabiam, preferiam continuar adiando para que o problema tomasse uma proporção maior. Então, infelizes com suas próprias escolhas, elas descontavam suas frustrações no próximo.

Algo que o garotinho também não conseguia entender.

Óbvio que Deus não deu uma resposta direta. Ele colocou, no decorrer dos anos, outras pessoas e situações no caminho do garotinho para que ele entendesse o motivo das pessoas atrasaram a própria felicidade.

Algumas pessoas tinham medo de serem felizes. Existiam aquelas que não acreditavam que a felicidade existia. Muitas achavam que se tentassem trilhar o rumo da felicidade acabariam descobrindo que deixaram a felicidade para trás. E, surpreendendo o garoto, também existiam aquelas pessoas que não queriam ser felizes, só queriam que as pessoas fossem tão miseráveis quanto elas.

Alex e Rachel não estavam felizes.

As coisas entre as duas haviam mudado consideravelmente de um dia para o outro. Por mais que elas tentassem agir normalmente, se esforçando para que tudo voltasse a ser como era antes das esbarradas, a cabeça pensava nas decisões que tomaram nesses últimos dias, tornando cada vez mais difícil se recuperarem daquela grande crise de poucos dias.

Alex não conseguia parar de pensar na conversa com a Piper. No domingo, após o fim oficial da comemoração do aniversário de sua avó, enquanto Rachel dormia ao seu lado da cama, ela olhava a playlist Vauseman com todas as músicas que adicionaram até o fim do noivado.

A raiva que sentia por Piper tê-la a abandonado sem mais nem menos, se transformou em uma raiva de si mesma, especialmente quando deu de cara com “A Beautiful Mess”.

Sempre existe aquela música que foi feita para alguém. Por mais que, literalmente, não tenha sido composta para a pessoa, a letra é tão verdadeira, tão relacionável que sem querer acaba se tornando a música para aquela pessoa.

A Beautiul Mess era sobre a Piper. Entretanto, levada por seu momento de raiva e sua desilusão pelo amor, Alex se esqueceu disso. Caso contrário, se tivesse lembrado da música, de tudo que ela representava para o relacionamento das duas, teria sido mais paciente.

Well it kind of hurts when the kind of words you write

(Bom, meio que dói, quando as palavras que você escreve)

Kind of turn themselves into knives

(Meio que se transformam em facas)

Alex esqueceu-se que Piper Chapman era sua bela bagunça. Após a conversa, se deu conta que negar o amor que sempre sentiria por ela era idiotice. O amor era dor? Claro que era. Mas que amor, em algum momento, não era? Se prendeu mesmo em uma bolha durante o último ano e, agora que a bolha havia se estourado, Alex não tinha a menor ideia do que fazer.

De um lado existia Rachel que mais uma vez sairia machucada se, novamente, ela voltasse em tudo que havia dito. Iludiu-se nos últimos meses achando que ela e Rachel finalmente poderiam ter um final juntas para a história que vinham escrevendo durante tantos anos. Até poderia ter dado certo, caso o universo não tivesse resolvido mostrar o quanto ela estava errada. Que adiar um encerramento nunca era uma boa ideia, pois os problemas tinham a tendência de ficarem bem maiores quando ignorados ou deixados para mais tarde.

Alex amava Rachel, isso era indiscutível, porém, não amava da forma que ela merecia ser amada. Por um bom tempo a amou dessa forma, mas elas nunca tiveram um tempo certo para ficarem juntas. Talvez tivessem vivido tudo que tinham para viver juntas na escola. Naquela época elas eram o amor da vida uma da outra, depois disso, tudo passou a ficar tão confuso. Era como naqueles filmes que alguém sempre jogava na cara do outro que eles não nasceram para ficar juntos. Uma realidade que doía, entretanto, uma realidade verdadeira.

Por outro lado, existia o receio que criou sobre o amor. Ela não era mais a pessoa que costumava ser desde fizera a tatuagem. Estava descrente de tudo quando o assunto era o amor. As pessoas diziam que ela era desesperada ou que tinha medo de morrer sozinha, mas essa não era a verdade. Seu grande medo era descobrir que o amor não prestava e que ela era a romântica que não merecia viver uma grande história de amor com final feliz.

Bom, seu medo havia se tornado realidade.

Sem conseguir parar de pensar na conversa de sábado, Alex foi até a pousada na segunda-feira de manhã. Precisava conversar com Piper. Nada referente a elas voltarem, a essa altura acreditava que a loira merecia alguém melhor que ela. Alguém que não esquecia um dos fundamentos do relacionamento das duas.

Com muito receio, ela bateu na porta do quarto de Piper.

Ninguém atendeu.

Bateu novamente.

Mais uma vez, ninguém.

Quando se preparou para bater uma terceira e última vez a porta se abriu, mas no lugar de Piper, ela deu de cara com Jess.

- Oi. – disse Alex, sem graça. – Achei que esse fosse o quarto da Piper.

- Era, mas ela voltou para Nova York. – respondeu Jess da maneira mais simpática. Dessa vez não havia tomado partido de ninguém. Possuía consciência do quanto os dois lados deveriam estar sofrendo por causa daquele último ano. E, no final, não era culpa de ninguém. Todo mundo lida com suas confusões de sua maneira. – Por que você não liga para ela? Não faço ideia de quando ela volta.

- Não, eu só... – Alex deu um passo para trás, distanciando-se da porta. – Obrigada. – disse um pouco desapontada pelas coisas não terem saído como planejou.

Talvez fosse melhor assim.

There's no shame in being crazy,

(Não há vergonha em ser louca)

Depending on how you take these

(Dependendo de como você encara isso)

Talvez merecesse o que estava acontecendo.

Uma das coisas que sempre a encantaram em Piper era a forma que ela lidava com absolutamente tudo. Sempre com humor e um sorriso no rosto. Apesar das situações que a tornaram a pessoa que ela era hoje em dia, ela não deixava isso condenar a sua felicidade. O humor poderia ser negro, mas ela era uma pessoa feliz. Mas, como qualquer outra pessoa, lidava com os problemas de sua forma.

Piper nunca escondeu dela sua forma de lidar com as coisas. Por mais confusa que fosse, sempre a ajudava. No final do dia – ou com o passar de vários dias – ela sempre encontrava uma solução para tudo. O que não tinha o menor sentido, ela conseguia encontrar um, só era esperar a sua cabeça terminar de processar tudo.

Ela também se esqueceu disso. Esqueceu que Piper era alguém que beijava outra pessoa só para ter certeza que a amava ou que juntava algumas pessoas com quem ela teve “não-relacionamentos” para ajudá-la a escrever uma coluna. A mesma pessoa que sumiu por seis meses somente para não ser responsável por destruir a sua vida.

A ironia.

Alex sentia sua vida bem destruída no momento.

E, depois dos últimos dias, não podia destruir a de Rachel também.

Rachel não conseguia parar de pensar em seu “término” com Laurel. Ela acordou na segunda-feira de manhã disposta a colocar toda essa história para trás e esquecer tudo que estava sentindo pela arquiteta, mas isso se tornava bem complicado quando logo de manhã seu café vinha acompanhado de flores e um cartão.

Já não sei o que mais eu faço pra te conquistar. Se liga, vem de pressa, aqui é o seu lugar, nesse coração que só quer te amar.

Isso é uma música. Meu coração não te ama, te ama, ela quer te amar, mas você não colabora, entendeu? Espero que tenha entendido.

Ah foi o Marcio que traduziu, isso é uma música. A música de sábado também era uma música para nós duas, falava que pra ter as duas paixões não tem jeito, só tendo dois corações no peito. Bom, acho que falava de você.

Enfim, espero que tenha entendido. É isso!

Laurel

Depois que o sorriso apaixonado desapareceu do rosto de Rachel, tudo que ela passou a sentir foi raiva. Não de Laurel, ela estava fazendo um ótimo trabalho para terminar de bagunça o mundo, Rachel estava com raiva do universo.

Durante antes esperou por um amor que tomasse o lugar de Alex, ou que pelo menos não terminasse com ela por Alex ser o amor que ela nunca iria superar. Foram alguns relacionamentos que terminaram mal, dando a certeza a Rachel de que ela nunca estaria ao lado de ninguém, então quando finalmente estava com Alex e, dessa vez, parecia que nada iria estragar o relacionamento das duas, o universo coloca Laurel em seu caminho.

Por muito tempo desejou sentir por alguém o que sentia por Laurel. Alex sempre fez com que o seu coração errasse as batidas e, só o fato de lembrar de sua existência, era motivo de ficar sorrindo feito uma idiota, mas agora ela sentia isso com Laurel. Não com Laurel e Alex, somente com Laurel. Ela perdeu o momento que deixou de ser perdidamente apaixonada por Alex e passou a ser perdidamente apaixonada por Laurel.

O que era loucura, tendo em vista que não tinha nem uma semana que conhecia a arquiteta. Como poderia se apaixonar por alguém tão rápido assim? Ah quem ela estava querendo enganar? Foi apaixonada pela mesma mulher durante 22 anos, todos os seus relacionamentos foram destruídos por causa disso, então tudo era possível nessa vida.

Mas o universo era um idiota.

Rachel se sentia em A Cidade dos Anjos quando o personagem do Nicolas Cage se joga para virar humano, enquanto a personagem da Megan Ryan morria em um acidente. Seu relacionamento com Alex era o Seth, enquanto a sua paixão por Alex era a Maggie.

Laurel abriu um imenso sorriso ao ver Rachel com o buquê de rosas que havia deixado na cafeteria junto com o chocolate-quente pago naquela quinta-feira e caminhou até ela.

- Você precisa parar com isso! – Rachel devolveu o buquê de rosas para a Laurel.

- O que? Enjoou de rosas? – Laurel se fez de desentendida. - Qual outro tipo de flor você gosta? Posso te mandar um buquê com elas ou entregar no nosso jantar.

- Eu não... Eu não vou jantar com você, Laurel! Você realmente precisa parar.

- Eu paro se você admitir que não sente nada por mim. – cruzou os braços, encarando Laurel de maneira desafiadora. – Antes disso, eu não vou desistir.

- Você sabe que não posso falar isso, senão estarei mentindo. Eu tenho sentimentos por você. Por isso que você precisa passar.

- Por que? – Rachel abriu a boca para responder, mas Laurel a interrompeu. - E, por favor, não diga que é por que você está noiva.

- Você vai embora.

- Eu vou embora. Hoje à noite. A não ser que você me dê motivos para ficar.

- Eu não posso! Eu... – Rachel soltou um longo suspiro, frustrado. – Por que você não apareceu há um ano?

- Porque eu ainda não estava pronta para voltar a amar. – disse Laurel com sinceridade. – Agora eu estou.

- Laurel, isso... – Rachel balançou a cabeça em negativo. – Vá para casa. – deu três passos para trás. - Termine esse seu estúpido parque e vá para casa! – deu de costas para Laurel, indo embora.

- Meu parque não é estupido. – Laurel gritou para que Rachel a ouvisse. – Tem ótimos balanços. – gesticulou, mostrando os balanços atrás de si. – Ótimo lugar para um primeiro beijo!

Laurel parou de gritar no meio da obra quando viu que todos os pedreiros estavam a encarando com uma expressão assustada e com um pouco de vergonha por ela também.

- Viu? – mostrou o buquê de rosas em suas mãos. – Se vocês não ficassem assobiando e chamando as mulheres de gostosas, talvez elas dessem uma chance para vocês também.

Alguns homens riram, enquanto outros voltaram ao trabalho. Se aquilo era receber uma chance, eles preferiam continuar fazendo o seu trabalho, sem incomodar as mulheres, do jeito que Laurel já havia orientado todos os homens que trabalhavam em seus projetos.

O que era mais justo: viver em um relacionamento por conveniência, mas ninguém buscando a sua verdadeira felicidade ou terminar tudo e cada um seguir o seu caminho?

A resposta é óbvia.

Rachel não podia continuar insistindo em um relacionamento tendo a certeza que poderia viver algo novo ao lado de Laurel. Ela também não podia continuar com Alex sabendo que a noiva ainda amava Piper. Por mais que Alex estivesse tentando manter sua palavra, nenhuma das duas podiam continuar levando o relacionamento daquela forma. Viver assim era a mesma coisa do que um casal viver junto por causa dos filhos ou por causa da religião que diz que é pecado o divórcio.

Como Deus que criou todo mundo para buscar sua própria felicidade pode ser o mesmo Deus que condena quando você faz isso? Era completamente contraditório. Na verdade, era as pessoas não buscarem sua própria interpretação das coisas.

Manter as aparências nunca será mais importante do que a felicidade. E, durante todas as vezes que terminaram e voltaram, Alex e Rachel sabiam que não dava para continuar insistindo em algo que não dava certo. Caso contrário, acabariam se odiando por um tempo que nem das outras vezes.

- Nós precisamos conversar. – Alex e Rachel falaram juntas. Elas soltaram um riso sem graça por causa da coincidência. – Pode falar primeiro. – disse Alex, reforçando seu pedido gesticulando com a mão.

- Eu não posso casar com você, Alex. – Rachel foi direta. Ela e Alex já tinham experiência em términos e, especialmente para ela, sabia como não ajudava nenhuma pouco rodeios. Alex ajeitou os óculos no rosto. Por essa ela não esperava. – Eu conheci outra pessoa e...

- Laurel? – Alex teve que perguntar. Se teria mais um relacionamento chegando ao fim precisava saber de absolutamente tudo dessa vez. Rachel assentiu com um pouco de receio. – Tudo bem. – Alex se ajeitou na cama, pronta para ouvir o resto.

- Eu estou sentindo por ela o que passei metade da minha vida sentindo por você. – soltou um riso de nervoso. – O que é bastante irônico por que eu pensei que nunca deixaria de ser apaixonada por você. Só Deus sabe o quanto eu tentei te esquecer, mas então, quando estamos onde eu sempre sonhei, eu esbarro nela e... – gesticulou jogando coisas para o ar. – Eu tentei lutar contra isso, mas eu passei minha vida inteira fazendo isso e eu não quero...

- Jamais pediria para você fazer isso, Rach. – Alex teve que interrompê-la. – Você, mais do que qualquer outra pessoa, merece toda a felicidade do mundo. Você nunca ficou no meu caminho, então eu não vou ficar no seu. Apesar da sua questionável escolha... – o tom de Alex foi divertido, de provocação e conseguiu arrancar uma risada de Rachel. – Se ela te faz feliz isso é o bastante para mim.

- Eu juro que não aconteceu nada entre nós duas, eu nunca...

- Rach... – Alex andou de joelhos até o meio da cama. – Está tudo bem. – ela fez um gesto com a mão pedindo para que Rachel se aproximasse. – No final você sempre teve razão, alguma coisa sempre fica entre nós duas.

- Oh Alex... – Rachel soltou uma risadinha. – Seu amor pela Piper ainda estava entre nós duas, só você que resolveu não enxergar.

- Rachel, não...

- Por favor, para de negar, isso já está te envergonhando. – disse em um tom de brincadeira. – Se você ainda não entendeu, isso sou eu dizendo para você também correr atrás de quem ama.

- Acho que vou dar um tempo de relacionamentos. – disse Alex com sinceridade. – Até que ficamos bastante tempo juntas dessa vez.

- A cidade nunca mais vai nos levar a sério. – Alex deu de ombros. Rachel riu. Ela levou as duas mãos até o rosto de Alex e colou os seus lábios com os dela, encerrando o gesto com um abraço. – Isso pareceu com a nossa despedida da época da faculdade.

- A nossa melhor despedida. – Alex sorriu de forma afetada. - Não brigamos e continuamos amigas.

Rachel sorriu, feliz por aquele momento ter saído bem melhor do que ela imaginou. Ela tirou a aliança de noivado de seu dedo e a colocou na palma da mão de Alex, lhe dando um beijo na bochecha logo em seguida.

Não queria mesmo mais brigas ou que ela e Alex parassem de se falar por um tempo – como aconteceu outras vezes – ou para sempre. Antes do relacionamento, apesar dos pesares, elas tinham uma ótima amizade.

- O que você queria conversar comigo?

- Não é mais importante. – Alex sorriu de soslaio. - Pode ir atrás da Laurel.

Rachel sorriu e deixou o quarto.

Alex aproveitou a saída de Rachel para começar a arrumar suas coisas. Se não estava mais noiva de Rachel, não ficaria mais ocupando espaço em sua casa. Por sorte, muitas das suas coisas que veio de Nova York para a casa de seus pais e depois foram para a casa de Rachel não haviam sido desempacotadas.

Olhando para algumas daquelas caixas, Alex chegou à conclusão que precisava encontrar o seu lugar no mundo novamente.

Não era mais uma romântica incurável, mal conseguia responder se ainda acreditava no amor. Não era mais médica e, ultimamente, não estava se saindo muito bem na cozinha. Devido a sua semana com muita raiva de si mesma no coração, até reclamações sobre a comida andou recebendo no restaurante. Seu pai sempre lhe ensinou que uma pessoa que não carregava coisas boas no coração sempre que ia cozinhar, jamais iria conseguir fazer um miojo sair bom.

Ela respirou fundo e colocou uma das caixas em cima da cama. Estava exausta de toda aquela semana, além de estar exausta de si mesma. Abriu a caixa para checar o conteúdo dela para não encher outra coisa com coisas parecidas. Sorriu com tristeza ao ver que aquela caixa era onde guardava lembranças que seus pacientes lhe davam quando recebiam alta – ou quando estavam em seus últimos dias.

Alex tirou uma bola de beisebol autografada de dentro da caixa. Lembrava-se perfeitamente de quando Bryan lhe deu aquela bola em seu primeiro ano como atendente.

“Eu ainda vou jogar na grande liga”, o garoto de 16 anos disse.

A última notícia que Alex recebeu de Bryan foi que ele estava arrasando na faculdade e que se continuasse rebatendo da forma que rebatia, seria chamado para a grande liga mais cedo do que esperava.

Alex também tirou da caixa um guia de quando foi assistir “O Lago dos Cisnes” com o Fred. Foi o último desejo do garoto de 14 anos que sonhava em ser um bailarino de sucesso.

A vontade que Alex teve foi de fechar a caixa quando, debaixo de todos aqueles outros presentes, encontrou a carta que Lucy havia deixado para ela um pouco antes de receber o coração. Imediatamente seus olhos se encheram de lágrimas e ela teve que sentar na cama. De todos os seus pacientes que não conseguiram sobreviver, Lucy ainda era uma das mais importantes que passou pela sua vida. Embora lidasse melhor com a perda da garota, ainda assim ela sentia.

Alex tirou a carta de dentro da caixa e a ficou encarando. Nunca havia tido coragem de lê-la. Quando Lucy recebeu o coração, ela jogou a carta dentro da caixa. Achou que jamais precisaria ler o conteúdo, entretanto se enganou. Por causa da forma que lidou com a morte da Lucy, não pensou nem chegar perto daquela carta. Tinha certeza que aquilo terminaria de destruí-la. Foi adiando a leitura o quanto pôde e, no final, acabou deixando para lá. Não por descaso, mas por não querer trazer Lucy a vida novamente só para perde-la de vez assim que a leitura chegasse ao fim.

O que ela tinha para perder agora? Já havia perdido até a si mesma.

Alex fungou e limpou algumas lágrimas que escorriam por seu rosto. Ela se ajeitou no meio da cama e, com as mãos tremulas, abriu o envelope. Sorriu em meio as lágrimas assim que viu a letra da garota.

Ela respirou fundo e, finalmente, tomou coragem para ler o conteúdo da carta.

Querida Doutora Alex Romântica Incurável Vause,

Eu não tenho experiência nenhuma quando o assunto é o amor. Não na prática, pelo menos. Nunca irei sentir esse tal amor de tirar o fôlego. O amor romântico que faz com que as pessoas sejam pessoas melhores por pensarem mais no outro do que em si mesmas, mas não de um jeito doentio ou que leva a infelicidade, mas daquela forma de se sentir feliz pelo outro estar feliz. Sei que esse amor existe, pois eu vi.

Rachel bateu na porta do quarto de Laurel.

Ninguém atendeu.

Bateu mais uma vez, dessa vez com mais vontade. Eufórica.

Nada.

Bateu uma última vez.

Recusava-se a acreditar que depois de todas as flores, cafés, chocolates-quente e declarações, Laurel já teria ido embora. A arquiteta avisara que deixaria a cidade à noite, mas Rachel não achou que seria bem quando o sol tivesse acabado de se pôr. Pensou que tivesse mais tempo, entretanto aquele tipo de coisa só deveria acontecer mesmo em filmes de romance. Na vida real, se você não toma uma atitude logo, pode acabar perdendo de vez a pessoa que podia ser o grande amor de sua vida.

Rachel soltou um longo suspiro, frustrada com o desencontro. Deixar dezenas de dúzias de rosas tudo mundo sabia, mas um número de telefone ninguém, não é mesmo? Ela deu de costas para a porta e começou a andar, prestes a ir embora.

A porta do quarto abriu.

- Não se pode mais nem tomar banho... – Laurel não conseguiu completar ao ver Rachel parada no meio do corredor. – Eu não pedi serviço de quarto. Muito menos chocolate-quente de serviço de quarto. O que foi? – indagou Laurel por causa da falta de reação de Rachel. A professora continuava parada no meio do corredor, olhando para ela como se ela fosse uma pessoa desconhecida ou doida. – Veio dizer mais uma vez que está noiva? Que odeia minhas rosas? Que não é mais para eu te escrever cartões com ótimas letras de pagode? Acho que é pagode o ritmo musical brasileiro...

Enquanto Laurel falava sem parar, Rachel aproveitou para andar os pequenos passos do corredor até o quarto da arquiteta. Assim que parou de frente para Laurel, ela sorriu. Ela era a mulher mais linda que Rachel já havia visto na vida. E a mais doida também.

- Você está passando mal? – perguntou Laurel, um pouco incomodada com a forma que Rachel estava a olhando.

- Não. – Rachel riu. Laurel semicerrou os olhos, extremamente confusa com todo aquele comportamento. Foi então que Rachel entrelaçou os dois braços no pescoço de Laurel e a beijou. – Será que você pode ficar na cidade mais um pouco?

Laurel sorriu, desacreditada de que aquele momento havia mesmo acabado de acontecer.

- Eu fico o resto da vida se você quiser. – ela respondeu, puxando Rachel para dentro do quarto e fechando a porta trás das duas.

Quando você descobre que tem uma doença no coração que faz com que todo dia possa ser o seu último, você começa a observar mais as coisas, as pessoas. Todo pequeno detalhe vira uma grande descoberta, uma prazerosa aprendizagem. Levar tudo que pode de conhecimento para o lado de lá, sabe? Acredito que a vida não acaba depois que você morre, então nunca se sabe quando esses conhecimentos serão necessários.

Pude ver o amor dos meus pais, o amor de pessoas aleatórias que cruzaram o meu caminho durante as viagens que fiz, o amor dos meus vizinhos de quarto de hospital e, o mais importante, o seu amor.

Piper minimizou a matéria que estava escrevendo no Word. Ela olhou ao redor de seu quarto e soltou um longo suspiro. Então, abriu a galeria de fotos do seu notebook. Esboçou um sorriso triste enquanto passava as fotos que tirara com Alex ou as fotos que tirou de Alex. Parou na foto que tiraram no acampamento, o mesmo dia que foi pedida em casamento. Soltou mais um longo suspiro e fechou o notebook. Pensou que com o tempo doeria menos fazer aquilo, mas nunca esteve tão errada. Cada vez que fazia isso a dor era maior.

Ela abriu a gaveta do criado-mudo e tirou uma caneta dali de dentro. Sabia de cor o que tinha dentro daquela gaveta, portanto nunca olhava para dentro dela sempre que precisava pegar alguma coisa, caso contrário daria de cara com a caixinha da aliança que guardava lá dentro.

De tudo que eu vi, você ainda é raridade, sabia disso? Seu amor não é forçado, ele não sufoca, não é escandaloso e ele faz você e a outra pessoa feliz. Você não tem vergonha de demonstrá-lo e, mesmo depois de quebrar a cara, quando recuperada, continua insistindo por saber que vale a pena.

Não sei o que vai ser de você e a Piper daqui para frente. Pode ser difícil de acreditar, mas eu não tenho uma bola de cristal, mas independentemente do que acontecer, sei que em algum momento vocês vão encontrar o caminho de volta.

Jess deixou o apartamento de Caitlin, batendo a porta atrás de si.

Aprendi que, às vezes, o amor é dor. Também aprendi que, às vezes, isso é bom, sabia? Então, se em algum momento você sentir essa dor, por favor, não desista. Isso significa que alguma coisa está fora do lugar, porém você pode consertar.

Você é Alex Vause, aquela que acredita que todo relacionamento pode ser um filme de romance. Se, em algum momento, você ousar duvidar disso ou desistir da romântica incurável que você é, por favor, pense em tudo que você já viveu até esse momento.

Ninguém nunca disse que a vida seria fácil, ainda mais se você se chama Lucy White, nesse caso, até afirmam que não seria, mas também que seria ótima de ser vivida por causa das pessoas que encontraria no meio do caminho, por causa dos pequenos momentos até o meu último suspiro. A vida não é fácil, tudo que vem junto com o seu viver também não é, mas isso não significa que tem que desistir.

Nicky segurava a aliança que usou para pedir Jess em casamento. Ela colocou o anel em cima do criado-mudo, então levou as duas mãos até o rosto, esfregando-o de maneira irritada, frustrada.

Nós somos mais fortes do que pensamos. Somos capazes de nos superar a cada dia que passa. Podemos conquistar coisas incríveis. Mas, para isso, precisamos entender que nem tudo é na nossa hora ou do jeito que queremos. Coisas ruins sempre vão acontecer. E, se vivermos uma vida só pensando nessas coisas ruins, as coisas boas demoram mais ainda para dar as caras.

Ninguém nunca disse que o amor seria fácil. Ele ainda consegue ser uma das coisas mais difíceis da vida. A maioria das doenças podem ser curadas. Sempre damos um jeito de pagar as nossas contas, de tentar ajudar o próximo para que a vida dele seja menos difícil, mas não existe uma fórmula para curar um coração partido.

Alguns se fecham, outros transformam a dor em sarcasmo, em algum tipo de vicio, tentam enterrar a dor do coração partido com outros amores que nunca dão em nada, descontam a dor em quem não tem nada a ver com a história, mas ninguém consegue dizer exatamente quanto tempo leva para curar um coração partido.

Às vezes ele nunca se cura, mas a dor se torna suportável, então você aprende a conviver com ela.

Alex continuou guardando suas coisas dentro das caixas. No meio de algumas cartas que estavam em cima da mesa que havia no quarto, encontrou o convite para o lançamento do livro de Emily.

Para uma garota de 17 anos que nunca teve um amor (romântico), eu até pareço bastante experiente nisso, não é mesmo? Acho que devem ser os remédios falando ou esse rapaz de branco que esteve comigo desde sempre, mas que ultimamente ando vendo mais do que deveria, enfim... O meu ponto é: No dia que você se perder, se encontre. O mundo precisa de mais românticas como você. Sua forma de amar, pode não parecer, mas sempre fez quem você é hoje.

Cara, você “conserta” corações para viver. Você, literalmente, tem o coração de todo mundo em suas mãos, então se isso não é um sinal do tipo de pessoa que você é, melhor mudar de profissão.

Alex passou a fita adesiva na última caixa. Ela olhou todas as caixas empilhadas no canto do quarto, levou as duas mãos até a cintura e soltou um longo suspiro. Parou um segundo para observar a tatuagem “Love is pain” em seu braço. Passou os dedos com leveza por cima do desenho. Lembrou de Piper.

O amor tem suas partes difíceis, mas ele é lindo. Você sabe disso, caso contrário teria criado regras e mandamentos na primeira vez que quebrou a cara para proteger esse coraçãozinho.

Obrigada por ter me ensinado tanto. Vou ser eternamente grata a você por isso. Será uma pena não estar aí para ouvir todos os seus dilemas, ficar acompanhando sua vida amorosa junto com a Katie, mas eu espero que essa carta faça o meu papel sempre que você não estiver sendo você.

Continue amando, Alex Vause.

- Com amor (não romântico, eca), Lucy


Notas Finais


Lucy, volta pra mim :'(

Até o próximo capítulo <3


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