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História In the stars. - Capítulo 37


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Notas do Autor


Eu só posso agradecer por tudo, mesmo.
Vcs são as Pitangas mais lindinhas desse mundo todinho (n sei pq noiei com pitanga, mas ok)

Obrigada pelos 100 favoritos, meus amores

Capítulo 37 - Meet me in the afterglow


Fanfic / Fanfiction In the stars. - Capítulo 37 - Meet me in the afterglow

                PARK JIMIN 

O vidro se quebrou em pedaços, a área golpeada por mim formando um buraco. Em questão de segundos, minha pia ficou da cor do meu sangue, que vazava de todos os inúmeros machucados na mão direita. Eu não sentira a dor até visualizar o maior dos cortes, que atravessava a mesma de um lado ao outro. Entrei em choque pelo tamanho do machucado. Era fundo. Minha visão embaçou e senti ânsia de vômito, cedendo ao chão de joelhos. Como se não bastasse, bati o queixo no mármore com a queda. O gosto acobreado invadiu minha boca, e tratei de cuspir todo o sangue para fora. Meu tapete salpicou. Tudo perdeu o foco, e aos poucos a cor também. Era como um filme em preto-e-branco riscado, não dava para ver claramente, e me odiei por ter feito tamanha burrice. Eu ia desmaiar se não me concentrasse. 

- Puta que pariu, eu estraguei tudo.- Murmurei, apoiando a mão que não estava arrebentada no chão. 

Olhei para o teto, e uma das luzes pequenas e redondas me cegou. Uma mancha escura ocupou minha visão, e a manga de meu casaco empapou no sangue que escorrera, ficando grudada em minha pele. Olhei novamente para a ferida, um choro agoniado se formando em minha garganta. Ardia como o inferno. O quê eu tinha feito? Aquilo precisava de costura. 

Eu vou morrer. Estou apagando....

Tentei pensar em Jungkook rindo do meu drama e beijando minha bochecha, repetindo o que sempre me dizia:

"Park Jimin, você é uma graça". 

Precisava ficar acordado, pois logo retornaria à busca por ele. 

Preciso....

Meus olhos fecharam, minha respiração se acalmou. A dor pareceu sumir, para depois aumentar e tornar-se insuportável. Um grito abafado disparou em minha garganta, e como um raio de luz, visualizei Jungkook deitado, encolhido em um chão frio. Ele estava encostado em uma parede de lajotas que eu achei reconhecer, só não sabia de onde. O vento bateu nos cabelos do Jeon, e ele suspirou, finalmente cedendo ao sono. 

Voltei a ver meu banheiro, e a tontura por conta do machucado era tanta que tive que contar até três para tentar me levantar. Que lugar era aquele? Eu tinha certeza de que conhecia, mas.... 

Meus olhos se arregalaram quando me lembrei.

- Busan! 

Eu estava tão desesperado por respostas que não me dei ao trabalho de questionar se aquilo era um delírio ou não, pois já não havia espaço para isso em meus pensamentos. E, de alguma forma, confiei em meus instintos ao acreditar que aquilo era real. Corri até o closet, sem ligar para o sangue que pingava por tudo. Agarrei um lencinho azul-claro e o enrolei na mão, me esforçando para não gritar. Senti os estilhaços do vidro mexerem dentro da pele com o movimento. Peguei uma fita e juntei as pontas do tecido, formando um grande bolo em volta do membro machucado, prendendo ao pulso. Desci as escadas na maior velocidade possível, pegando no balcão as coisas que precisaria: Dinheiro, celular e carregador, a chave do carro e a sacola grande com os casacos, cobertores e lanches que eu tinha preparado para meu Jungkook. 

Eu estava apostando tudo naquela visão, mas não hesitei. Tinha que ser real. 

Carregando tudo com a mão esquerda, verifiquei rapidamente se a casa estava trancada e saí pela porta da frente, indo até o carro encostado na calçada. 

Meu psicológico gritava para que eu fosse esperto e limpasse o machucado primeiro, mas eu não tinha tempo. Jungkook estava bem ali, e eu sabia. 

Tae provavelmente dormia, pois já passava de uma hora da manhã, então decidi ligar para ele assim que chegasse. 

- Certo- Murmurei, girando a chave. O motor ligou.- São aproximadamente quatro horas de viagem, Jimin. Trate de ficar acordado.

                          ☆

Só que não. Eu ainda tinha alguma coisa que prestasse em minha cabeça, e sabia que bater o carro e morrer não seria legal. Saí de Seul, mas dirigir com praticamente apenas uma mão era complicado. Parei perto de uma pousada no meio da estrada, pulei para o banco de trás e me enrolei em um dos quatro cobertores que trouxera. Faltavam no mínimo três horas para chegar à Busan.

Olhei para o bolo de tecido que já estava manchado também e suspirei. Aquilo doía muito. Mas preferi isso do que ir à um hospital. 

- Ei, Kook.- Balbuciei.- Por favor, fica parado. Eu tô chegando.... 

Eu estava asqueroso. O sangue no casaco secara, e ficou duro e cheirando a.... Bem, sangue. O braço com a mão cortada parecia ter o dobro do tamanho pelo inchaço. Talvez meu rosto também estivesse manchado, mas decidi lavá-lo pela manhã. Imaginei como ele reagiria se me visse assim. Uma lágrima de pura dor pelo machucado e o medo de que infeccionasse misturado com a saudade que eu sentia desceu solitária, logo acompanhada de mais outras. O quê Jungkook pensaria?

- Por favor, não pense que eu sou louco, hm? Não dói tanto.- Mentira.- E tudo vai valer a pena quando eu te abraçar. 

Exausto e com a mão insuportavelmente quente e inchada, adormeci, pensando no meu Jeon. 

                            ☆

Abri meus olhos, o sol que entrava pelas janelas do carro me cegando na mesma hora. Olhei para minha situação à luz do dia. 

- Eca. Será que eu consigo vestir um dos casacos que trouxe? 

Tentei fazê-lo. Era como enfiar uma corda no meio dos machucados e puxar. Não seria possível tirar o que eu vestia sem arrancar a mão junto, pois tudo se colara ao pano. 

Me estiquei, ainda tonto, para um dos porta-treco e de lá tirei uma tesoura. 

- Obrigada, Taehyung, por brincar de origami no meu carro.  

Cortei a manga direita na altura do ombro. Eu estava ridículo, e tinha estragado um casaco.

- Pelo menos não tive que cortar o meu moletom da Taylor Swift.- Suspirei, jogando a manga grudenta no lixo.- Isso seria o fim do mundo. 

Abri a porta, ficando de pé nas pedrinhas que levavam à pousada, e verifiquei o estado do cobertor. Não tinha sangue. Amém. Dobrei-o, voltando a guardar na sacola, e arrumei o banco de trás novamente. Busquei uma das garrafinhas de água e molhei o rosto, passando a mão livre por ele. 

- Certo, vamos. 

Eu já tinha me acostumado a falar sozinho, admito. É divertido. 

Peguei meu celular na intenção de ver o horário e quase surtei.

- Merda, já vai dar três e meia da tarde! 

Isso era péssimo. E se Jungkook já tivesse acordado e saído dali? Eu chegaria no final do dia, com sorte. 

Me apressei, xingando o mundo por ter dado um soco no espelho e por tudo o que acontecia, e continuei caminho. Eu estava faminto, tonto e com vontade de vomitar, mas não tinha nada no meu estômago para colocar para fora, então a sensação ruim continuaria.

Tentei pensar nas coisas boas de tudo aquilo. Não existiam. Como Jungkook se sustentaria sem a mãe? O garoto tinha dezenove anos. Como meu menino se sentia? Sorri, tentando passar toda a boa energia à ele, onde quer que estivesse. Olhei para o céu azul e com poucas nuvens brancas e leves pelo vidro do carro. 

- Universo, agora seria uma boa hora para mais uma daquelas visões doidas, agradeço. 


           JEON JUNGKOOK 

Acordei com as costas doendo. O cimento duro não foi a melhor opção de cama, mas era tudo o que eu tinha. Não me levantei, observei apenas as pessoas passarem com malas e coisas do tipo, as vezes me olhando com pena ou nojo. Chorei meu cabelo, e me arrependi na mesma hora. Como eu tinha ido parar ali, daquele jeito? Dois dias atrás eu tinha uma vida, que agora descia lentamente pelo ralo. Não dava vontade de me mexer nunca mais, mas eu precisava continuar a busca por Jimin. Me pus de pé e adentrei a grande construção, eu queria ver as horas. Já eram quatro da tarde. 

Eu tinha perdido grande parte do dia dormindo, mas agora minha energia estava reposta. Isso era bom. 

Caminhei até um moço no caixa, tentando ver seu crachá. Seu nome era Kwan. 

- Boa tarde.- Cumprimentei.- Pode me dizer onde fica o hotel em que Park Jimin está hospedado?

Ele me olhou de cima a baixo, depois negou e suspirou.

- Ele já voltou para Seul, garoto. Na quarta-feira. Porquê?

Quase não consegui me manter em pé. Jimin tinha voltado para Seul no dia em que liguei. Meu loiro tinha me ouvido e fora me procurar. Eu tinha estragado tudo, arruinado todas as chances de ver ele. 

- Porquê está chorando? Você o conhece? 

Assenti, agradecendo com um gesto e correndo para fora dali. Como eu voltaria? Jimin provavelmente me procurava em Seul, achando que eu estava lá. Meu Mochi era ansioso. Quanto dano o desespero causaria ao seu bem-estar? 

Por favor, você precisa ficar bem. Por favor. 

Minhas pernas já não funcionavam direito. Eu só conseguia chorar, pensando na merda que fizera. Como eu não tinha confiado nele a ponto de achar que nao ligava para mim? Como eu tinha ficado bravo com a única pessoa que me fazia bem naquele mundo, não importa o momento? Eu havia culpado Jimin pela morte da minha mãe por estar com raiva dele. Jimin podia estar em um hospital, depois de mais um ataque de asma por minha causa. 

Me xinguei mentalmente. Eu havia enlouquecido e colocado a culpa no mundo por estar passando por aquilo, mas não pensei no que estaria fazendo com meu garoto. Não pensei que ele podia estar se machucando e destruído, tentando me encontrar. Não pensei que ele acharia que eu havia me matado caso eu sumisse depois de dar aquela notícia. Jimin podia ter desistido. 

- Desculpa....- Balbuciei.- Me desculpa, Chim.... 

Voltei à estrada. Eu precisava de algo para ligar para ele, mas não tinha como pagar um telefone por ali. O asfalto fervia, o sol batendo em meus fios castanho-escuro. Fechei os olhos, caminhando devagar. 

"Jungkook, você se lavou? Não parece." 

"São unhas de fada. Ogro, não."

"Não gosto de gente que grita. Dá vontade de chorar toda vez que gritam comigo."

"Então.... Já sei. Eu sou seu, você é meu."

Céus, eu era dele. Completa e claramente. 

Fiquei olhando para meu sapato enquanto andava sem rumo nenhum, de volta para a estação de trem. Talvez eu conseguisse dinheiro para mais uma passagem com esmola. 

Pensei em andar os trezentos e poucos quilômetros de volta para Seul, mas isso me mataria. Eu não tomava água e nem comia nada a muito tempo. 

O sol foi descendo aos poucos, dando ao céu azul uma tonalidade alaranjada. Gostaria de estar vendo aquilo com Jimin. 

- Chim, me desculpa.- Repeti.- Por ser um idiota e não te esperar. Eu....

Ouvi o barulho de um carro se aproximando. Olhei para a frente, alguns metros adiante, e tudo pareceu perder os eixos quando olhei para a placa e marca do veículo. Não me movi, e não falei nada também. Chorei, sorrindo enquanto observava meu loiro correr em minha direção. 

Ficávamos cada vez mais perto, e não consegui me mexer para acabar com a distância logo. Eu estava pasmo, e podia apenas olhar para o homem que vinha até mim. Três metros, dois, um, ele estava na minha frente. Jimin parecia brilhar na luz do pôr-do-sol, seus olhinhos inchados e vermelhos também. 

Nenhum de nós disse nada, eu apenas o envolvi quando ele pulou em meus braços. 

Eu estava em casa. 



Notas Finais


Finally, Jesus

Obrigadaaaa
Volto hoje mais tarde, xuxu


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