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História In your eyes - Capítulo 21


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Capítulo 21 - Capítulo Vinte e Meio


Fanfic / Fanfiction In your eyes - Capítulo 21 - Capítulo Vinte e Meio

Quando o sol cruzou a janela de maneira brusca naquela manhã, Neji o sentiu na parte exposta da pele. Acordou ainda zonzo, mas tateou o sofá com a esperança de encontrar o calor que o aqueceu durante a noite. Lembrava-se de quando fechou os olhos e o carinho singelo em seus cabelos. A trança parecia estar intacta, mesmo com alguns fios escapando, pelo que sentiu com a mão.

Com irritação pela falta do calor natural, sentiu algo lhe cobrir e o perfume conhecido invadir seu nariz. Havia algo fofo embaixo de sua cabela, que julgou ser um travesseiro, e uma manta mais pesada por cima de seu corpo. O cheiro era Shikamaru com um pouco de erva-doce, seu chá favorito.

Sentou-se no sofá, tentando localizar de onde o cheiro forte da bebida vinha, descobrindo, depois de procurar pela mesa de centro, uma xícara com chá quente.

A irritação que sentiu ao não ter mais o peito acalorado para lhe aquecer sumiu quando juntou tudo em sua mente. Shikamaru havia se preocupado consigo a ponto de fazer um chá, coisa que ele definitivamente não tomava; além de buscar cobertas e travesseiros para que ficassem em uma melhor posição no sofá.

Neji se sentiu um idiota por sorrir com aquele ato. Detestava aquela sensação de familiarização com os gostos, manias e até mesmo trejeitos de alguém. No entanto, com Shikamaru, aquilo estava virando rotina. Sempre aprender mais sobre o outro.

[…]

Quando o relógio, enfim, bateu por nove vezes, Ino bateu à porta da residência do herdeiro Nara. Neji a atendeu com a xícara de chá em mãos, causando certa preocupação por parte da loira.

— Não me diga que fez chá sozinho? Neji, você poderia ter se queimado! Ela o pegou pelos ombros o arrastando até a cadeira da cozinha e conferindo seu corpo em busca de ferimentos.

— Oh, não. Shikamaru o fez antes de sair. Explicou a tentando tranquilizar.

— Ele não toma chá. Ino argumenta, ainda achando aquilo estranho.

— Eu gosto. Neji disse, como se fosse a grande explicação. E era, de certa forma.

— Own, ele fez chá para você. Conte-me, vocês se acertaram ontem não foi? Ele lhe contou tudo? Kami! Se Shikamaru não o fez eu juro que o matarei de vez. Aquele idiota de uma figa, só serve para contas nessa vida! Ino começou a se indignar emocionalmente, mas Neji apenas sorria se lembrando da noite anterior. — Oh, não. Eu conheço esse sorriso!

Então, a partir disso, Neji e Ino passaram a conversar sobre o que aconteceu na noite passada. O Hyuuga temia deixar transparecer seus sentimentos, mas com a mulher era meio difícil.

Neji pensou, por um tempo, que, talvez, ele e Ino pudessem ter sido bons amigos antes. No entanto, agora, eles realmente se dariam bem.

— Então, tem algo em mente para hoje?

— Eu gostaria de treinar. Seu Taijutsu não é ruim e eu preciso me exercitar.

Ino fingiu não ouvir o quase insulto e se pôs a considerar a pergunta de Neji. Ele ainda não estava cem por cento e isso era óbvio, mas precisava se mexer ou viraria um dos móveis.

— Tudo bem, mas faremos algo leve. Nada de desmaio por exaustão.

— Ótimo, me arrumarei então.

— Neji! Chamou-o, evitando que ele sumisse de vez no corredor. — Eu gostaria de lhe pedir algo.

— Claro.

— Quando Shikamaru se render e quebrar, esteja lá se ele ficar ou fugir.

— Se ele fugir eu não conseguirei achá-lo, ou esqueceu que não posso ver, Ino.

— Mas pode senti-lo, você vai sempre achá-lo Neji. Acho que é de alguém assim que ele precisa.

— Eu vou tentar, prometo. Neji diz por fim, se virando para continuar, até que se recorda de algo e volta a olhar para a mulher, com certo rubor nas bochechas. — Ino.

— Sim?

— Poderia me ajudar a passar café?

[…]

Shikamaru estava relaxado quando acordou. Tinha dias que não dormia durante a maior parte da noite sem que algo atrapalhasse seu sono. Sua mente floria apenas de lembrar do quão confortável era a sensação que experimentaram.

Foi para casa depois de terminar algumas convocações para missões, descobrindo que Lee faria uma escolta até Suna. Como uma alma caridosa, que as vezes decidia ajudar, deixou que o tempo da missão fosse estendido para que ele pudesse aproveitar com Gaara.

Ainda teve de ouvir sobre a noite de Kakashi com Iruka, já que eles, aparentemente, saíram na noite passada também. Naruto apareceu de última hora, fazendo um escândalo por não ter sido mandado junto de Sasuke para a escolta com Lee. O moreno detestava o calor, mas era necessário que o Uchiha fizesse algumas missões naquele tempo. Era a prova de sua fidelidade a Konoha.

Conseguiu sair quando o loiro decidiu que iria para casa também. Conversaram durante uma parte do caminho, contando como a vida de Naruto a dois ia, sobre quando aqueles dois idiotas falariam com Sakura, até mesmo sobre como ia a recuperação dos olhos de Neji.

Aquilo havia sido algo a fazer no dia também. Ele tinha visitado o laboratório pela manhã depois de sair de casa. A equipe responsável já estava a postos e ele fez questão de que Tsunade os supervisionasse de vez em quando. Estavam fazendo progresso, diria o Nara.

Ainda que não tão tarde, estranhou ao ver a luz da cozinha acesa. Neji geralmente usava a sala, mas não naquela noite.

Abriu a porta de vagar, temendo que o outro se assustasse com a chegada repentina. O corpo de Neji veio contra o seu murmurando algumas coisas, mas o ruído de alguém levantando do sofá o fez ensurdecer.

— Que bom que chegou, meu filho. Estávamos te esperando.

Shikamaru apenas se permitiu arregalar os olhos. Ela estava ali, Yoshino o havia procurado antes que ele o fizesse. Perguntou-se se aquilo tinha dedo de Ino, mas era certamente apenas coisa da cabeça de sua mãe.

Sentiu a mão ser envolvida carinhosamente e então os dedos pálidos se entrelaçando. Um aperto singelo foi tudo que precisou para deixar Neji ir até sua mãe e se despedir sumindo pelo corredor depois.

Sentou-se na poltrona em frente ao sofá grande e viu a mulher fazer o mesmo no acolchoado maior. As pernas rentes uma a outra, roupas simples, mas elegantes, a falta do avental era novidade, mas irrelevante. Yoshino estava mais corada do que a última vez em que a viu. Sua mãe estava melhorando.

— Gostaria que pudéssemos conversar, filho. De uma vez por todas.

— No momento em que tentei você… Foi incapaz de terminar a frase, recordava-se do olhar acusador de sua mãe.

— Shika, meu bem, entenda que eu estava em profunda tristeza. Seu pai foi o único homem que amei, não suportei o perder.

— Então me apontou como o culpado. Belo jeito de concertar tudo.

— Não seja injusto. Eu estava sofrendo, você também, não entendeu as coisas corretamente.

— Quando tentei ir para casa você não saia do quarto. Então saiu e me olhou daquele jeito. Você nunca precisou falar com palavras, seus olhos me culpavam. Eu não a tiro do mérito, também me culpo por isso.

— Eu fui uma péssima mãe, Shikamaru. Não vi você sofrer pelos meus erros e você se culpou.

— Tem falado com a Ino. Deduziu.

— Ela me contou sobre as jornadas de trabalho, distanciamento, hábito de fumar. Não quero que acabe como…

— Asuma? Vamos falar sobre as pessoas que matei ou quase o fiz? Se for o caso, posso chamar Neji, Chouji e Kiba também.

— Pare de culpar! Quando eu vi você se tornar um chunnin eu soube que seu destino era ser um ninja, meu filho. Ainda assim, vê-lo seguir os passos de seu pai… É aterrorizante. Quando me disseram que ele havia morrido, pensei em você. “Shikamaru ficará arrasado”. A sua dor doía mais que a minha própria, meu filho. Vê-lo se destruir e saber que eu tenho participação nisso por que você pensa que eu o culpo é o pior.

— Eu não sei o que estou fazendo, não mais.

— Você é um humano, Shikamaru. Tem o cérebro de seu pai, mas não precisa ser ele. Os aldeões do clã terão que aceitar que a liderança é sua, apesar de não o Shikaku. Quero que trilhe seu próprio caminho com seus interesses. Sempre será meu amado filho.

— Perdoe-me. Suplicou à mãe, ajoelhando-se em apenas um dos joelhos.

— Shikamaru eu sou sua mãe, o amo mais que qualquer pessoa o faria. Então entenda de uma vez por todas, a culpa não foi sua em nenhuma das vezes.

O silêncio perdurou naquele abraço. Yoshino passou os braços pelos ombros do filho deixando que ele repousasse em seu colo como quando era uma criancinha. Shikamaru ainda não sabia ao certo o que dizer a mãe.

Ela o abrigou por um tempo até que ele levantou a cabeça para olhá-la.

— Preciso que me perdoe, por favor. Pediu mais uma vez, deixando seu semblante angustiado transparecer.

— Mesmo que não ache algo pelo que lhe perdoar, eu o faço. Yoshino diz por fim.

Após isso, eles começaram a conversar sobre a vida de Shikamaru naquele tempo. O moreno não havia acendido nenhum cigarro ainda, mesmo que sua ansiedade estivesse a mil.

Um tempo depois, Yoshino deixou a casa com a promessa de que voltaria para falar um pouco mais com Neji.

Quando a mãe finalmente saiu, Shikamaru caiu no sofá. Pensando rapidamente, sem pegar casaco ou as chaves de casa, saiu apressado sabendo bem o rumo que teria. Sua mãe havia lhe perdoado, mas ele ainda tinha mais duas pessoas com quem falar.

[…]

Neji acordou assustado no meio da noite. Era um dos pesadelos com os conselheiros, selamento, a prima e Shikamaru. Menos aterrorizante do que os das outras noites, mas igualmente angustiante.

Levantou-se sem fazer muito barulho e foi até a cozinha pegar a garrafa d'água. Sentiu a brisa e então o bater da porta, algumas vezes. Tentou sentir o Chakra ou a presença de Shikamaru na casa, mas nada.

Com preocupação, calçou os chinelos e então ouviu o relógio bater. Eram duas da manhã, mas o Nara havia fugido. Ouviu o suficiente da conversa de mãe e filho para entender o que aconteceria, ou seja, Shikamaru havia finalmente se quebrado.

Correu até a porta da frente, sentindo as pernas fraquejarem algumas vezes. Tentava a todo custo sentir o Nara, mas não conseguia. Por um segundo, uma ideia meio absurda lhe surgiu na mente, mas que pareceu menos estranha quando o bramar de Taidana ecoou atrás de si na varanda.

— Taidana! Chamou o cervo, sentindo a aproximação do outro. Fez um carinho singelo antes de lhe montar com cuidado. Nunca havia andado de cervo na vida. — Preciso que vá até Shikamaru, é importante. Cuidado, estarei em cima de você.

Mesmo se achando um doido por falar com o animal, Neji confiou em Taidana para que fosse seus olhos. Quando sentia algo, dizia ao cervo e ele acatava, indo nas direções apontadas.

Quando o ar mudou, Neji reconheceu o lugar. O barulho das árvores era mais arrastado, o chão mais arenoso e Taidana não quis passar pelos portões. Como uma última checada, passou as mãos no metal enferrujado, confirmando que sabia realmente onde estavam.

— Cemitério…

Deixou que o cervo ficasse para trás, mas ele logo o seguiu como um guarda-costas. Taidana acompanhava seus passos e ele até mesmo se apoiava no animal por conta de suas pernas. Conseguiu sentir o chakra confuso depois de algum tempo de caminhada.

Com um pouco de pressa, começou a andar mais a frente. Ouviu então o som de um choro engasgado e quebradiço. Shikamaru estava ali.

— Shika! O chamou, para que revelasse onde estava.

— Neji? O que faz aqui? Perguntou tentando disfarçar o choro.

— Vim levá-lo para casa.

Não precisou de muito mais que isso para que Shikamaru pegasse a mão de Neji e se levantasse. Deu uma última olhada para o túmulo onde estava há pouco e pensava se seu pai e Sensei o perdoavam.

Viu Taidana na entrada do cemitério os esperando e soltou uma pequena risada. O cervo odiava que montassem nele, mas havia permitido que o Hyuuga o fizesse, ou não teriam chego ali. Neji tinha essa coisa de mudar tudo a sua volta.

Chegaram em casa depois de alguns minutos de caminhada em silêncio. O estado do nara era deplorável, seu rosto choroso era disfarçado, mas a tristeza que o rondava Neji sentia. O mais velho o levou até a cozinha deixando que ambos se sentassem ao redor da mesa.

Mais uma vez o silêncio, mas só até o Nara começar a falar.

— Quando ele se foi, alguns Jonins avisaram. Ela ficou no quarto por algum tempo e só comia por que eu insistia. Eu a vi ficar em estado crítico por perdê-lo. Então um dia ela saiu. Eu vi a decepção em seus olhos naquela noite. Sempre me condenei por duas mortes e algumas quase. Mas meu próprio pai?

— Ela disse que não o culpou.

— Os olhos dela diziam outra coisa. Eram diferentes de agora. Eu não a julgo, fiz o mesmo. Mas então, toda a voz em que eu ia para casa, via ela e seus olhos decepcionados. Quando eu durmo, eu vejo os dois morrendo e eu não posso fazer nada. Eu sempre falhei como shinobi, Neji.

— De qualquer foram, precisa entender que é admirável. Você é incrível, Nara. Não diria se não fosse, tenha certeza disso. Não foi sua culpa o que aconteceu, somos ninjas. Mortes estão ai diariamente. Tenha ciência de que é um homem inteligente, amável e talentoso. Asuma e Shikaku também eram pessoas incríveis, que deram a vida por Konoha. Eles estariam orgulhosos de quem você se tornou.

Neji se levantou, pegando a jarra onde colocara o café mais cedo. A levou para a mesa onde supôs ser a frente de Shikamaru.

— Café?

— Era para ser um agradecimento pelo chá.

— Fico feliz, mas dispensarei por esta noite. Se tenho que enfrentar meus demônios, será por completo. Shikamaru disse arrastando as mãos pelos cabelos.

— Durma comigo esta noite. Neji pediu sussurrando.

O olhar carinhoso de Shikamaru se derreteu um pouco mais com aquilo. Apenas pegou a mão de Neji e o levou até o quarto principal da casa. O Hyuuga se deitou com o pijama que usava e esperou que Shikamaru retirasse o que achou ser o colete pelo barulho. Logo o Nara estava o seu lado, levando-o para os seus braços.

O momento era apenas de dedicação um ao outro. Neji se deitou sobre Shikamaru, assim como na noite anterior. Passou a acariciar os cabelos do Nara o vendo relaxar. O mais novo apenas fazia carinho em sua cintura.

Em um ato que demonstrava o quão destruído interiormente estava, Shikamaru colou sua testa na de Neji e lhe sussurrou.

— Você me faz bem. Disse baixinho vendo o outro sorrir.

— Cuidou de mim antes, deixe-me fazer o mesmo. Neji falou, beijando a testa de Shikamaru em seguida.

Naquela noite, na mesma posição, Shikamaru chorou pela primeira vez. Ela se despedaçou por inteiro ali. No entanto, Neji não pregou os olhos até que ele parasse. Zelou por seu descanso merecido, mas ainda via as lágrimas saírem nos olhos castanhos.

— Se estiver quebrado, me avise. Eu farei meu melhor para lhe consertar, pedaço por pedaço, Shika.

 


Notas Finais


Espero que nada tenha passado, mas sempre pode acontecer. Desde já, peço desculpas por qualquer erro.
Aceito críticas construtivas e comentários fofinhos.
Espero que tenham gostado
Até a próxima ^-^


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