História In your eyes - Capítulo 21


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Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hanabi Hyuuga, Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Kiba Inuzuka, Mikoto Uchiha, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Shion, Temari, TenTen Mitsashi
Tags Gaaino, Narusaku, Sasuhina, Shikatema
Visualizações 336
Palavras 4.086
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção Adolescente, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Cheguei um pouquinho atrasada, era pra postar ontem! Mas estou sem computador até segunda-feira, então talvez o próximo atrase também. :(
O capítulo está bem simples, mas é de coração.
Boa leitura, meus amores <3

PS: Muito obrigada a todos que comentaram no capítulo passado, fiquei MUITO feliz de ler tudinho que escreveram! <3

Capítulo 21 - 20. I can't forget


Fanfic / Fanfiction In your eyes - Capítulo 21 - 20. I can't forget

 

 

De repente

Ao lembrar dos brinquedos queridos

Que ficaram esquecidos

Dentro do armário

Me bate uma saudade

Me bate uma vontade

De voltar no tempo

De voltar ao passado

Mas nada acontece

Nada parece acontecer

Clarice Pacheco

.
 

    Seu coração batia acelerado e doía. O nervosismo estava lhe causando uma queda brusca de pressão e uma dor que se espalhava das laterais de sua cabeça até o meio de seu peito, lhe sufocando. As primeiras lágrimas escorreram, enquanto ela ouvia os soluços insistentes de Hanabi e os sapatos sociais de seu pai pelo quarto.

    De repente, tornou-se ainda mais difícil respirar e os dedos apertaram o lençol limpo da cama que ocupava.

    Estava na primeira etapa do tratamento e, aparentemente, as coisas não estavam indo muito bem, já que a porta fora aberta com força o suficiente para bater na parede branca e causar um estrondo que lhe assustara. Sentiu-se tonta quando sua maca fora destravada e ela não conseguia entender o que as vozes apressadas diziam. A única coisa que ouvia era o choro desesperado de Hanabi.

    No primeiro dia que estava no Hospital Sharingan, a enfermeira lhe dissera que as dores eram normais do tratamento e que não deveria se preocupar. E agora, estava ali, sentindo que iria morrer. A dor era descomunal e muito mais forte do que tudo que já havia sentido em sua vida.

    As bandagens que cobriam seus olhos estavam úmidas pelas lágrimas doloridas que escapavam e, quando ela passou pela porta, tudo começou a ficar nublado, de forma que era difícil manter-se consciente.

    Fora virada rapidamente no corredor e, mesmo zonza, conseguiu chegar na conclusão que estava perto da sala de espera. O ar fraco que entrava pelas janelas levemente abertas lhe fez respirar melhor e a mente ficar mais clara, então agora conseguia distinguir os sons e os sussurros apressados dos enfermeiros que lhe empurravam.

    Quando chegou onde deduziu ser a entrada da sala de espera, ouviu vozes conhecidas. Não fez esforço para identificar Naruto, Sakura e, posteriormente, Sasuke. O último estava com a voz embargada. Havia recebido uma ligação de Hanabi chorando e estava ali fazia quinze minutos, mas não pudera entrar para ver a Hyuuga. O tratamento necessitava de quarentena por alguns dias.

    Assim que a maca passou por si, Sasuke fez menção em seguir, mas a Haruno agarrou firmemente seu braço e sussurrou palavras de conforto que ele sequer conseguira ouvir. Só conseguia ver, pela segunda vez em sua vida, Hinata ser levada para dentro de uma sala de cirurgia sem que ele pudesse fazer nada.

    Ela levantou levemente a cabeça quando a voz dele escapou alta pelos lábios, chamando o nome da amada. Ele não conseguia ver seus olhos leitosos, mas sabia que ela estaria os passando pela sala até fixar onde deduziria ser ele.

 

    — Hinata, por favor… Volte bem! — Sakura gritou pelo corredor quando o Uchiha não teve forças para abrir a boca novamente.

    — Estaremos esperando. — Naruto gritou, espalhafatoso, quando a porta se abriu e a maca começou a passar por ela.

    — Eu te amo, Hinata! — A voz rouca, alta e trêmula atingiu a Hyuuga como uma flechada diretamente no peito.

 

    Ainda conseguiram ouvir uma tosse seca e um resmungo de dor antes de a porta fechar-se, levando Hinata para longe deles.

    Lá, deitada com a mente girando em memórias dolorosas, as lágrimas escorriam ainda mais fortemente. Não pela dor, e sim pelas lembranças que não conseguia refrear. Aquela cena já havia acontecido antes, muitos anos atrás, e a reprodução dela lhe fez despertar os detalhes.

    Sentiu ao ser colocada sob a luz forte e quente da sala de cirurgia e imediatamente estenderam o pano estéril sobre ela. Alguém se aproximou e colocou uma máscara sobre seu rosto.

 

    — Respire fundo e conte mentalmente de dez a zero. — Ele sussurrou, mas sua voz alarmada mostrava que não tinham tempo.

 

    Dez. Nove. Oito. Sete. Seis. Cinco. Quatro. Três. Dois. Um. Zero.

    Sua mente rodopiou uma última vez e, então, ela não estava mais ali, e sim presa em memórias antigas.

 

.

 

Quatro anos atrás

 

    Hinata e Neji estavam no corredor do andar de cima da casa onde moravam, Hanabi dormia no quarto e Hiashi estava no trabalho, como sempre nos últimos anos.

    Após ficarem boa parte da tarde sem ideias do que fazer para espantar o tédio, agora brincavam de luta de forma desordenada. Neji sempre tinha o maior cuidado com a prima, aliás, iria odiar se ela acabasse machucando-se por sua causa.

    Um sorriso feroz enfeitava os lábios da mais nova e ela girou nos calcanhares para atingir o garoto na boca do estômago com uma palmada potente. O corpo pequeno da garota era apenas um disfarce; Hinata tinha a mão extremamente pesada.

    Os cabelos curtos dela balançavam desordenadamente cada vez que rodopiava para encontrar Neji, lhe deixando com um rosto angelical e ainda mais bonito, na visão do primo.

    Hinata era sua pérola, nunca poderia se perdoar caso ela se machucasse.

    Quando ele finalmente conseguiu atingir Hinata, para vingar-se do golpe bem sucedido anteriormente, os olhos grandes dele se arregalaram. Estendeu o braço para tentar segurar a mão estendida em busca de apoio, mas Hinata despencou da escada como uma boneca de pano.

    Ele observou primeiro ela tentar agarrar o corrimão, o que lhe rendeu um desequilíbrio ainda maior. Depois, ainda surpreso demais, ele viu o corpo pequeno rolar escada abaixo enquanto um grito fino de pavor escapava pelos lábios da morena.

    Hanabi saiu correndo de seu quarto no mesmo instante que a Hyuuga chegara na base da escada, com sangue escorrendo por sua cabeça e Neji já agachado ao seu lado, chorando compulsivamente e sem saber o que fazer.

    Irrompeu num choro alto e agudo, típico de uma criança assustada e desamparada.

    A porta se abriu rapidamente e os dois primos viraram, achando ser Hiashi, mas não era.

    Gaara não demorou um segundo sequer em atravessar a entrada da casa até alcançar o corpo desfalecido, colocou a mão no pescoço alheio para checar os batimentos e ligou para a ambulância.

    Meia hora depois ele estava no hospital com os outros três. Já havia ligado para Hiashi e explicado a situação e para a família de Sasuke, que naquele momento estava em outro continente.

    Naqueles dois dias que Hinata se manteve desacordada, o patriarca da família Hyuuga não aparecera e nenhum dos dois garotos dormiram direito ou saíram do lado de Hinata.

    Quando ela abriu os olhos, durante a madrugada, a máquina que monitorava seus batimentos apitou e ela tossiu repetidas vezes. Seus olhos estavam opacos e sem vida, e ela não conseguia fazer outra coisa que não fosse reclamar de uma forte dor na cabeça.

    Vendo o amigo paralisado, Gaara não hesitou em apertar o botão para chamar uma enfermeira e enfiou a cabeça para fora do quarto, gritando com todo o ar que possuía que precisavam de ajuda.

    O momento de transporte da Hyuuga, com ela praticamente gritando em agonia pela dor, fora o que mais havia machucado os dois meninos. Neji e Gaara corriam atrás da maca, o primeiro carregava Hanabi no colo de forma desajeitada e ela dormia.

    Quando chegaram no corredor em que a maca entraria para a sala de cirurgia, para onde a Hyuuga estava sendo levada às pressas, Sasuke estava parado com lágrimas escorrendo pelas bochechas avermelhadas. Ele tinha os cabelos bagunçados e carregava uma mochila grande consigo.

    O corpo cedeu e caiu de joelhos. Mikoto e Fugaku sequer conseguiam se mover até o filho, parado alguns metros na frente.

 

    — Hinata! — Ele gritou e afogou-se, tossiu para voltar a falar. — Hinata, eu te amo. Me desculpe!

 

    E a porta fechou-se, deixando-o ali. Ninguém teve coragem de se aproximar, ou de tirá-lo do chão frio.

    Quando ela acordou, três dias depois da cirurgia para parar a hemorragia cerebral, o Uchiha mais novo envolveu-a com braços firmes e disse, trêmulo, que havia voltado por ela. Que não a abandonaria naquele momento difícil e que estava arrependido de tudo que fizera no passado.

    Ela parecia perdida, mas as bochechas estavam vermelhas como sua Hinata sempre tinha.

 

    — Quem é você? — Foi a pergunta que escapou dos lábios secos e rachados.

 

    Fugaku, parado ao lado da cama com um jaleco e uma prancheta, fitou o filho com os olhos negros demonstrando toda a dor que sentia.

    Seu hospital era o melhor, mesmo que não mais comandado por si naquele momento, e mesmo assim não conseguiram evitar o pior.

    Parte da memória de Hyuuga Hinata havia sido perdida.

 

.

 

Tempos atuais

 

    Hanabi encolheu-se em uma poltrona da sala de espera, exatamente ao lado de Sasuke. Ele fitava a parede branca com uma planta verde como se fosse a coisa mais interessante daquele local e ignorou todas as perguntas de seus amigos ou a insistência para que fosse comer, normalmente coisa vinda dos dois Hyuugas.

    Seu coração estava pesado demais para conseguir comer. Nem mesmo a água que Sakura lhe trouxera ele havia conseguido tomar.

    De manhã havia acordado com um mal pressentimento e não fora na aula. Pouco após o meio dia recebera a ligação de Hanabi, dizendo que a irmã não parecia estar bem. Tudo encaixava-se agora. Naruto e a namorada não hesitaram em lhe acompanhar até ali, e Fugaku já estava desde cedo trabalhando com a equipe médica de Shisui, assim como Itachi.

    Mikoto estava em um seminário sobre anestesia — sua antiga profissão, não mais exercida —, então não poderia comparecer naquele dia, o que deixava Sasuke ainda mais aflito.

    Quando Itachi cruzou a porta, com a máscara ainda cobrindo seu rosto e os olhos pesados, já se passavam mais de treze horas que Hinata havia entrado por aquela sala. Era a primeira vez que teriam notícias da Hyuuga.

    Sasuke praticamente pulou de sua poltrona até o irmão, e por pouco não agarrou o colarinho do mesmo. De perto, conseguia notar melhor em como seus olhos estavam opacos, com profundas olheiras e a pele parecia até mesmo um tanto pálida.

 

    — E então, Itachi? — Os olhos negros brilhavam em expectativa, enquanto os outros se aproximavam.

    — Hinata teve um pequeno problema no pulmão. Os exames não apontaram que isso poderia ser uma complicação. — Ele pigarreou e retirou a máscara. — Os brônquios estavam se fechando, de forma que era impossível que o ar circulasse.

    — Mas ela está bem agora? — A voz alta e firme cortou todos os outros, enquanto Hanabi parecia impaciente ao seu lado.

    — Fizemos uma cirurgia invasiva, mas Hinata ficará bem. Colocamos uma pequena prótese que manterá os brônquios abertos. Em questão de horas ela deve acordar. — A mão percorreu os longos fios negros. — Foi um grande susto, mas está tudo bem agora.

 

Os outros ainda se mantiveram na frente de Itachi, tirando mais algumas dúvidas. Mas Sasuke estava com as pernas tão fracas que, sem opção, voltou para acomodar-se em sua poltrona. Deixou a cabeça tombar para trás e fechou os olhos, permitindo-se chorar silenciosamente.

 

.

 

Dez anos atrás

 

Sasuke mordeu o lábio inferior com força e inclinou o corpo para trás, obrigando o caule do quinto girassol a se quebrar. Juntou-o com os outros que carregava e os analisou com cuidado. Tivera certeza de pegar os mais bonitos que havia encontrado no vasto campo de flores que havia na frente de sua casa.

Olhou para os dois lados e atravessou a rua, entrando no carro onde sua mãe lhe esperava. Ela lhe largaria, como em todos os dias, na casa de Hinata.

Assim que ele passou pela porta de trás, o jardim já estava movimentado. Os amigos, que sempre se reuniam ali para brincar, corriam animados e Karin puxava Hinata pela mão para um canto qualquer, provavelmente para andarem no balanço colocado na árvore — o local preferido da Hyuuga.

Ele passou os olhos rapidamente por todas as pessoas, até encontrar Sakura sozinha. Ela estava abaixada e olhava um inseto no chão. Um grande e verde inseto, que Sasuke achava nojento — mas que Sakura era completamente apaixonada. Nunca vira alguém gostar tanto de insetos como a rosada.

Cutucou-a no ombro e rapidamente a Haruno se virou, encontrando o par de olhos negros curiosos e animados. Ele segurava alguns girassóis e estava com as bochechas levemente avermelhadas, coisa que não era extremamente comum.

Sakura permitiu-se abrir um largo sorriso e piscou os grandes olhos esmeraldinos repetidas vezes, até estender as mãos na direção do Uchiha.

 

    — Sakura, eu sei que você é um pouco próxima da Hina-chan. — Ele murmurou e olhou para os lados, estendendo o ramalhete de flores para ela.

    — Tá, e o que isso tem a ver com me dar isso? — O sorriso bobo não saia dos lábios da criança, que observou as flores com atenção.

    — Não. — Bateu as mãos nas coxas. — As flores são para a Hina-chan, quero que entregue para ela.

    — Mas vocês são melhores amigos, Sasu-kun. — Fez um pequeno bico e tentou devolver as flores. — Entregue você.

    — Por favorzinho! — Juntou as mãos, implorando para a garota. — Eu vou ir embora, Sakura. E estamos brigados. Eu quero que ela saiba que ainda é minha melhor amiga.

    — Se você vai ir embora, isso não tem sentido. — Resmungou, magoada pois também não iria mais ver o moreno.

    — Seja boazinha. — Pediu emburrado, cruzando os braços.

    — Está bem, está bem. — Resmungou irritada e trocou as flores de mão. — Você vai mesmo embora?

    — Sim, mamãe e papai querem ir para o Canadá, abrir um hospital. — Ele fitou Hinata ao longe, com um grande sorriso nos lábios. — Obrigado, Sakura!

    — De nada, Sasu-kun. — Baixou os olhos, mirando o chão fixamente.

 

    Ele beijou-lhe a testa em um ato de carinho, surpreendendo a rosada. Depois, saiu correndo de volta para onde estava antes, pronto para ir embora. Virou-se rapidamente, dando uma piscadinha para a Haruno e indicasse que ela fosse até Hinata, e assim ela o fez.

    Se aproximou de Hinata e Karin, que andavam de balanço e pediu, delicadamente, que elas parassem. A Hyuuga seguiu até a amiga, parando de frente para ela com um semblante questionador, mas um sorriso largo e doce nos lábios, típico de Hinata.

 

    — Aconteceu alguma coisa, Sakura-chan? — Questionou com a voz infantil e suave.

    — Sasu-kun mandou lhe entregar isso. — Estendeu as flores até que tocassem a mão da garota. — Ele vai embora daqui uma semana.

    — Eu não quero isso. — Jogou com força os girassóis no chão e pisou em cima com os sapatinhos vermelhos brilhantes, deixando ambas as garotas surpresas. — Não quero nunca mais ver Sasuke!

    — Você é uma boba de dizer isso. — Karin murmurou com os lábios infantis crispados em um bico. — Sasu-kun é o melhor. Você não é nada perto dele.

    — Acho que vocês deveriam parar de brigar. — Sakura tentou segurar o braço de Karin, mas ela se soltou com rapidez.

    — Eu deveria ter ganhado essas flores! — A menina de cabelos vermelhos continuou a dizer, os olhos contendo um brilho furioso.

    — É? — A Hyuuga abaixou-se e esfregou as mãos pelo gramado até que conseguisse pegar as flores esmagadas. — Então pode pegar, são todas suas. — E estendeu para a amiga.

 

    Karin mirou as flores com os olhos vermelhos e esticou-se-se para pegar cada uma delas e apertá-las contra o peito infantil. As orbes titubearam entre Hinata e os girassóis em seus braços, até jogá-los contra a amiga com força o suficiente para lhe deixar marcas avermelhadas no pescoço pálido e na bochecha macia e redonda.

    Os olhos leitosos estavam cheios de lágrimas, que logo escorreram pelas bochechas avermelhadas, chegando nos lábios rechonchudos e sumindo entre eles. Ela encolheu-se sob o olhar curioso de Sakura, que não sabia o que fazer naquele momento.

    Logo os outros estavam na volta das três garotas, olhando a cena curiosamente. Hinata chorava em silêncio, apenas com grossas lágrimas escorrendo de seus olhos perolados, Sakura alternava o olhar entre as duas meninas e, por fim, Karin tremia com as mãos apertadas em punhos. Os nós dos dedos pequenos e finos estavam pressionados até ficarem totalmente brancos.

 

    — Você não passa de uma cega que acha que todo mundo deve dar atenção só para você. — A voz estava levemente esganiçada, demonstrando sua irritação.

    — Isso não é verdade! — A Hyuuga inclinou o corpo miúdo e mordeu o inferior com força. — Você não sabe nad…

    — Sei sim, eu sou sua melhor amiga. — A risada baixinha e infantil surpreendeu a todos. — Você monopolizou o Sasuke todos esses anos. É egoísta, e não consegue admitir isso.

    — Karin-chan! — Ino jogou seu corpo para dentro do círculo que fora formado. — Chega, chega, chega!

    — O que está acontecendo aqui? — A voz carinhosa e autoritária de Mikoto fez todos se calarem imediatamente. — Eu perguntei o que está acontecendo aqui?!

    — A Karin-chan e a Hina-chan estão brigando. — Sakura apontou para as amigas. Estava parada ao lado de Ino, levemente encolhida contra o corpo um tanto maior da amiga.

    — Brigando? — Se aproximou das duas garotas. — Posso saber o motivo? Ouvi a gritaria da Ino quando estacionei o carro para buscar Sasuke.

    — A Karin… — Naruto apontou para a ruiva, que virou-se para ele indignada.

    — Eu não fiz nada! — Decretou com a voz firme. — Hinata que começou.

    — I-Isso é mentira. — A voz trêmula de Hinata saiu muito na defensiva, e a Uchiha alisou suas costas.

    — Está tudo bem, minha querida. — Sussurrou para a morena e puxou a pequena contra si. — Terei uma conversa com sua mãe, Karin. Tenho certeza que ela não te educou desta forma. Ela irá gostar muito de saber o que sua filha anda falando.

    — E sobre as coisas que o Sasu-kun anda falando? — A voz irritante continuou a escapar da garganta de Karin, quase que automaticamente. — Você sabe, dona Mikoto?

    — Sim, eu sei de tudo. — Colocou a mão na cintura coberta pelo tecido de bolinhas vermelhas. — E já tive uma conversa com ele. Sasuke mesmo se arrependeu e me contou tudo.

    — Mas… — A ruiva ainda tentou teimar, mas Mikoto lhe lançou um olhar cortante.

 

    Naquele dia todos foram para casa mais cedo, cabisbaixos e preocupados em deixar a primogênita Hyuuga para trás, mas assim o fizeram.

    Hinata dormiu agarrada ao corpo do primo, após chorar durante boa parte da noite, praticamente obrigando Neji a ficar acordado até que um novo dia se iniciasse, para velar o sono da prima e garantir que ela ficaria bem.

 

.

 

Tempos atuais

 

    Hanabi se encolheu na cama contra o corpo do namorado e soltou um longo suspiro. Estavam ali fazia um pouco mais de uma hora, desde quando ela saira do hospital, e ninguém havia falado nada. A Hyuuga ainda estava assustada demais com tudo que havia acontecido nas últimas vinte e quatro horas, e Kiba tentava respeitar o espaço da mais nova.

    Ela remexeu-se e ajeitou os cabelos castanhos escuros, jogando-os para o lado oposto. Depois, fechou os olhos e deixou o corpo relaxar um pouco, procurando afastar o nó que havia se formado em sua garganta — para só então começar a falar.

 

    — Senti muito medo, palerma. — A voz soou trêmula e ela pigarreou para afastar a insegurança. — Foi horrível ver, bem na minha frente, a Hina sem conseguir respirar e não poder fazer nada.

    — Mas o tal Itachi disse que ela ficaria bem, não disse? — Acariciou os cabelos escuros da namorada e beijou levemente a testa dela. — Confie nele, anã. A Hinata vai ficar bem. Logo ela vai estar andando pela casa de novo.

    — Queria poder fazer alguma coisa, sabe? — Abriu os olhos perolados. Eles estavam levemente marejados, mas não choraria ainda. — Mas isso está fora do que posso fazer.

    — Os médicos irão fazer tudo que for preciso, Hanabi. — Puxou-a para que se acomodasse melhor em seus braços. — Você precisa ficar bem. Quando Hinata acordar, vai precisar da irmã dela forte.

    — Não sei se consigo ser forte, palerma. — Finalmente as lágrimas escorreram. — Me sinto péssima. Isso deveria estar acontecendo comigo! Hinata é boa demais. Por que coisas assim têm que acontecer com ela?

    — O mundo não é justo, meu amor. — Acariciou as bochechas avermelhadas pelo esforço, limpando as lágrimas quentes. — Hinata irá passar por isso, e todos nós ficaremos fortes a esperando.

    — Queria tanto fechar os olhos e, quando os abrir, isso tudo ser mentira. — Mordeu o inferior com força, mirando o namorado com atenção. — Hinata não deveria ter nascido cega. Sofreu muito por causa disso.

    — E você está sofrendo por causa disso também. — Bagunçou os cabelos lisos. — Vá tomar um banho morno para relaxar, eu vou fazer algo para você comer.

    — Ih, lá vem mais uma gororoba. — Riu baixo e levantou-se, rumando para o banheiro.

 

    O Inuzuka desceu as escadas e preparou chá de camomila para a namorada se acalmar e deixou esfriando em uma xícara sobre a bancada. Depois fez uma comida simples que havia aprendido naquela semana, sem muitos temperos fortes, já que Hanabi parecia estar afetada pela irmã.

    Serviu tudo e lavou a louça. Quando estava pronto para subir as escadas e chamar a mais nova, ela entrou na cozinha usando uma calça justa azul escura e uma camiseta preta simples, de tecido leve. Os cabelos estavam úmidos e caíam sobre os ombros.

    Sorriu largo, recebendo um leve curvar de lábios.

    Hanabi era a garota mais linda que já havia tido a sorte de conhecer.

 

.

 

    Ino cruzou as pernas para cima do sofá e recostou seu corpo ao de Gaara de forma despreocupada, enquanto brincava com os dedos do ruivo. Os olhos grandes de Naruto estavam cravados no gesto e Sakura desejou que o namorado fosse mais discreto. Achou estranho que a Yamanaka não tivesse comentado nada consigo sobre o, aparente,  envolvimento.

    A Haruno era uma pessoa muito observadora e, mesmo sabendo que a loira estava sempre grudada nas pessoas por gostar muito de contato físico, com o Sabaku estava diferente. E se até o tapado de seu namorado havia notado isso, então suas especulações estavam corretas.

 

    — A Hinata estava melhor quando vocês saíram de lá? — O ruivo foi o primeiro a se pronunciar, depois de um longo período em silêncio.

    — Não muito. — Confessou Naruto com os olhos, agora, baixos. A respiração dele tornou-se pesada.

    — Ela teve que fazer a cirurgia às pressas, como sabem. — A rosada continuou ao notar que Naruto não falaria mais nada. — Quando saímos de lá ela já estava na UTI, sendo monitorada.

    — Estava sedada ainda? — Os olhos azuis da Yamanaka adquiriram um brilho triste. — Aí, tadinha da Hina-chan.

    — Estava. Parece que vai ficar uns dias assim, até haver melhoras no quadro clínico dela. — Naruto puxou a namorada para si ao ver que ela começou a ficar mais abalada.

    — Estou com medo. — A voz grossa e rouca de Gaara surpreendeu a todos. — Hinata esteve conosco desde sempre. Foi nosso elo de ligação, iluminou a vida de todos nós.

    — Se algo acontecer com ela, acho que nunca mais seremos os mesmos. — A Haruno completou, fitando diretamente o ruivo. — Fico louca só de pensar que algo pode dar errado.

    — Agora começo a me perguntar se o tratamento foi uma boa ideia. — Ino cobriu os lábios logo após proferir tais palavras. — Desculpem. Mas fico pensando que talvez todas essas complicações poderiam ser evitadas.

    — Shisui é um ótimo médico, vai ficar tudo bem. — Naruto estendeu a mão até alcançar a livre de Ino. — Nós precisamos ser forte.

    — É verdade, Naruto. — Sakura concordou com um aceno de cabeça. — Hinata vai precisar de nós quando acordar, quando terminar o tratamento. Quando souber o resultado do tratamento.

    — E nós vamos estar com ela. — Gaara e Ino disseram em uníssono, sorrindo um para o outro em seguida.

 

    Sakura foi a primeira a se jogar contra o casal, acomodados no sofá da frente. Puxou o Uzumaki consigo e os quatro se envolveram em um abraço firme e forte, onde Ino irrompeu em lágrimas inicialmente, e todos os outros lhe acompanharam.

    Tudo precisava ficar bem.

 


Notas Finais


Espero que vocês tenham gostado <3
Não sintam raiva do nosso neném Neji, foi tudo um acidente. :(
Com esse capítulo vocês podem ter ideia do que aconteceu no passado entre Karin e Hinata, e como era a amizade entre eles.

Espero que tenham gostado!
Aguardo retorno de vocês. <3
Um beijão e até semana que vem!


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